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23 de maio de 2014

Miopia social selectiva

Por um lado dizem-me:

Eh pá, que grande barrigão! Estás enorme!

Por outro chego às filas de supermercado e o comentário é sempre:

Ah desculpe, não a vi...

Em que ficamos?!

* - desta feita posso afirmar que não usei da regra de prioridade à grávida em lado nenhum. Não calhou...

17 de maio de 2014

Semanário de gravidez #16

Estes dias de baixa médica foram bastante benéficos! O facto de andar sempre ocupada e de um lado para o outro fizeram com que o inchaço que já começava a caracterizar os meus "pés-de-sereia" abrandasse. Realmente estar permanentemente sentada e com os pés pendurados não me estavam a fazer nada bem...
Foi bastante bom poder abrandar o ritmo numa série de aspectos, poder planear tantas coisas que tinha pensadas há já algumas semanas, mas que por falta de tempo e energia ainda não conseguira pôr em prática.

Diria mesmo que me esmerei desta feita, visto que já tenho o saco de maternidade pronto há mais de uma semana, e o saco do bebé está também quase quase quase a postos. Acho que estou a redimir-me em grande da vergonha que foi na gravidez do Falipe, em que fiz o meu saco e o dele antes de sair de casa para ir para a maternidade, às 37 semanas... e já no bloco de partos é que tomei consciência de que não tinha banheira, carro ou ovo comprados...

Estes dias de calor fizeram com que tivesse sonhos idílicos com piscinas de água fresca e cristalina e sessões de massagens num qualquer spa com motivos marítimos a orlar as paredes! Além do calor, os afrontamentos começaram em força, e o meu termóstato parece uma montanha-russa... (a julgar por estes dias, nem quero imaginar o dia em que entrar na menopausa...)

Não houve piscinas nem grandes idas à praia ou ao spa, mas houve algum "esplanadar" à mistura, acompanhados de um bom livro, outra actividade que estava deixada ao abandono há algum tempo.

No entanto, nem tudo foram rosas, não... o facto de ter o companheiro "desasado" fez com que houvesse muito serviço de enfermeira. Além disso, eu que sempre fui uma grata sortuda por ter um companheiro com quem sempre dividi tarefas domésticas (todas elas!), vi-me na situação de ter que dar conta de todas as tarefas domésticas sem excepção. Se já antes bendizia a minha cara-metade por ser assim valente, agora ainda lhe dou mais valor! E vejo que ele se sente um tanto angustiado por não me poder ajudar. Mas realmente não temos mesmo a noção do quanto podemos ficar limitados, quando só temos o uso de uma mão... No entanto, ele começa a dar sinais de melhoras, ao mesmo tempo que percebe o quão atrofiado de movimentos pode ficar um braço que não se pode mexer.

Obviamente que tive algumas cautelas e fui fazendo momentos de pausa e descanso. Dormi algumas sestas valentes, que me permitiram repor energias. Isto porque tenho consciência que se quero levar esta gravidez a termo (ainda faltam 5 semanas), tenho que me auto-preservar e não andar armada em super-heroína! 

O Falipe parece ter-se acalmado um pouco mais, pelo menos em casa, depois de um fim-de-semana atribulado e marcado por castigo. O meu rapazolas é crescido e percebeu que estava a passar de algumas marcas de respeito. Na escola a coisa parece não ter melhorias, mas começo a perceber que a senhora professora terá algumas pequenas lacunas na forma de abordar maus comportamentos, e aplica sempre o mesmo castigo, sem que daí advenha algum resultado. Pelo que conversei com algumas outras mães, o mal parece ser generalizado e não apenas exclusivo do meu filho...

De resto, estou sempre permanentemente acompanhada! O meu bebé-rica está em constante movimento, qual tamborzinho que mexe no meu ventre. Os seus pés estão sempre ali ao lado do meu fígado e ele gosta de se esticar! Enquanto leio, enquanto descasco batatas para a sopa ou arrumo a roupa nos armários. É uma sensação boa mesmo, porque apesar de estar metida nos meus pensamentos, sei que ele está sempre ali comigo, nunca me deixando um minuto de solidão. Creio que aqui deve estar a génese da tristeza de qualquer mãe que vê os seus filhos crescer e sair do ninho... este sentimento de nunca mais estarmos sós que se vai esbatendo à medida que eles saem de nós, crescem, dão os primeiros passos, começam a falar, a pensar por si mesmos, a tornar-se em seres humanos perfeitamente autónomos, até ao dia em que voam do nosso ninho para fora, em busca da sua felicidade... e aquela sensação de companhia permanente fica deixada no vazio... 


9 de maio de 2014

Semanário de gravidez #15

Esta semana tem sido uma de emoções fortes.
Uma autêntica montanha russa!

Comecei a acusar o cansaço de estar permanentemente sentada no escritório e a ansiar mesmo muito por poder estar por casa, contrariamente ao que me sucedeu na primeira gravidez... estar sentada horas a fio é o equivalente a sentir as pernas e os pés a incharem a olhos vistos, como se de um balão a ser insuflado se tratasse.

Para ajudar à festa, o G. num momento de azar dá uma queda de mota e desloca um ombro... ida ao hospital para encaixar o ombro e 3 semanas de braço imobilizado. É incrível a quantidade de coisas que um ser humano não consegue fazer apenas com um braço e uma mão operacionais... das tarefas mais simples e elementares mesmo como despejar um copo de água dum garrafão ou abrir um frasco de comprimidos... Estou oficialmente destacada como enfermeira a tempo inteiro, já que a baixa médica do G. potenciou mais rapidamente a minha baixa médica por gravidez.

Apesar de ter que realizar mais esforços agora que antes do azar, confesso que o facto de me mexer mais, estar de pé mais tempo e sempre de um lado para o outro me têm ajudado a reduzir o inchaço das pernas e pés. É certo que a coluna se ressente um pouco (estar sentada também não me ajudava nada!), mas vou alternando momentos de descanso que me ajudam a aliviar.

Falipe parece estar a entrar em modo ciúme e nervoso miudinho, ou pelo menos assim o julgamos... já que esta semana já foi posto de castigo na escola por 3 ocasiões diferentes e a professora e auxiliar dizem-me que ele está muito "carente". Em casa o comportamento parece ser similar e apesar de conversarmos muito com ele para tentarmos perceber que "bicho lhe mordeu" ele esquiva-se e diz que não sabe ou "não me lembro"... e isso custa-nos como pais! Queremos perceber o que o está a incomodar, mas não estamos a conseguir fazê-lo... sabemos apenas que ele tem tendência para não nos ouvir, não respeitar o que lhe dizemos (às vezes chega mesmo a reagir rindo em tom de gozação) e é fácil de ver que anda numa de esticar a corda e tentar estabelecer novos "limites de rebeldia".

O bebé está bem e recomenda-se! Mexe-se que é uma coisa fenomenal! A minha barriga parece um verdadeiro tambor quando ele começa nas suas sessões de movimento. Continua o mesmo desenvergonhado, já que na ecografia que fizemos esta semana, a primeira coisa que deixou ver foram os tintins e a pilinha... Um descomplexado, portanto!

Vou ter uma conversinha de pé de orelha com ele, para ver se ele não decide fazer uma parecida com o irmão mais velho e vir 3 semanas antes da data prevista. É que agora, não convinha mesmo nada!

2 de maio de 2014

Semanário de gravidez #14

Finalmente, o São Pedro parece ter-se acalmado na sua esquizofrenia climatérica, e agora que veio aquele calor primaveril que eu aprecio cada vez mais, não há maior alegria para mim do que mandar as meias e collants à fava e andar a xinelar por aí de perna ao léu, na vã tentativa de me abstrair do facto de que tenho os pés meio inchados, os tornozelos mais roliços e que as pernas se queixam da circulação esforçada em que se encontram...

Ah a falta que umas agulhas de acupuntura me fazem para combater estes problemas de circulação e retenção severa de líquidos!

Vale-me de pouco, mas sempre ajuda os borrifos frescos do Pedi-Relax, esse spray que descobri na primeira gravidez, nos dias que passei em Barcelona.

A barriga está proeminente e é incrível a capacidade de improviso e desenrascanço que uma pessoa consegue desenvolver quando precisa de se agachar, chegar aos pés e luta com dificuldade, porque tem uma pança grande e um bebé rezingão que ao sinal do mais pequeno aperto, reclama logo lá de dentro!

Perante a dificuldade, contorna-se a barriga de lado, ou como for possível para se descalçar sapatos, ou atar os cordões dos ténis... obviamente, porque somos demasiado orgulhosas para estar a reconhecer que mais tarde ou mais cedo estaremos em modo pata-choca e precisaremos de recorrer a terceiros para fazer coisas elementares como apertar fivelas em sandálias (se calhar mais vale arranjar umas que sejam fivelas-free...) ou simplesmente ajudar a tratar dos cuidados mais básicos de pedicure...

Abriu a época das frutas frescas, deliciosas e sumarentas que me dão um prazer e saciedade tremendo. Pena que isso signifique que durante a noite, em vez de me levantar para verter águas uma ou duas vezes, tenha que o fazer quatro, cinco, quando não são seis...

O rapazolas é um destemido e está mais que visto que não aprecia minimamente que eu passe dias sentada, quer é que eu ande na retoiça de um lado para o outro... se me sento muitas horas, vá de se esticar e dar pontapés e esmurrar-me como que a dizer: "vamos lá mazé mexer que isto de estar parado não tem graça nenhuma!"...

25 de abril de 2014

Semanário de gravidez #13

Continuo em modo barriguda.
Já denoto uma certa falta de capacidade para calçar meias, especialmente se forem collants... 

Os passos de caminhada são mais vagarosos, apesar de eu continuar a achar-me uma lebre, e não uma tartaruga.

Começo já ouvir as vozes de mau agoiro previsão "está quase!" e "já falta pouco!"... Não, meus amigos e amigas, faltam precisamente 9 semanas para a data prevista. Vá que sejam 7, até às 38 semanas... por isso, ainda temos um mês e meio a dois, mais coisa menos coisa. Até lá ainda faltam muitos dias, ok?!

Continuo a repetir que estou de 7 meses, porque a pergunta sacramental é feita sempre em meses. Alguns começam a olhar-me de soslaio sempre que respondo: "7, mais coisa menos coisa"
Recebo sempre aqueles olhares de suspeição de quem está a magicar se eu terei a certeza do tempo de gestação que tenho. Há dias até me disseram à laia de brincadeira se eu já não sabia quando tinha gerado o miúdo...

O que esta malta tem alguma dificuldade em entender é que eu conto o tempo em semanas e não em meses... e se me fazem a pergunta em meses, eu tenho que andar a fazer conversões aritméticas. Ora eu nunca fui grande espingarda em conversões e padeço de neurónios de grávida, portanto não sejam muito exigentes e dêem-me um desconto, sim?!

Entretanto, já tenho quase 85% das coisas preparadas e sinto uma estranha confiança nesta realidade... como é que às 31 semanas já tenho quase tudo organizado e preparado, se na primeira gravidez às 37 semanas (quando ele nasceu!) ainda me faltava comprar banheira, carro, ovo, fazer o saco de maternidade e outros eteceteras...?! De certeza que me está a escapar qualquer coisinha, que depois na altura se vai transformar numa coisa gigantesca de fazer cair por terra esta confiança de que está quase tudo a postos...
Será porque decidi fazer os lençóis de berço que tenho que levar para a maternidade e tenho o tecido comprado há uma semana, e está sempre ali a olhar para mim, à espera que eu o talhe e costure como deve ser?! Por via das dúvidas, é capaz de ser melhor aproveitar o fim de semana grande para tratar disso...

17 de abril de 2014

Semanário de gravidez #12

Actualmente em modo balofa.

Olá cãibras nos gémeos a meio do sono, de ficar com os músculos presos e completamente doridos e  na manhã seguinte ainda andar meio coxa...

Olá tornozelos inchados.
Olá pés inchados (ainda não a ponto de deixar de calçar os meus sapatos de sempre...)
Olá mãos ligeiramente inchadas...

De resto continuam as sessões de kick-boxing ou então é de boxe mesmo, tendo em conta que ele está virado e onde sinto mais movimentações é na zona do baixo ventre.

Já começo a ter sérias dificuldades em curvar-me e por este ritmo estou a ver que daqui por umas semanas, começo a precisar de pagem para me ajudar a calçar sapatos.

Os meus ciclos de sono andam todos destrambelhados, tenho períodos de sono durante o dia, em que se apanhasse uma poltrona ferrava a dormir, ressonando vigorosamente. Mas à noite... parece que antes da 1h da manhã não há sono que me chegue, apesar de eu deitar contas à minha vida sobre como me vou conseguir levantar na manhã seguinte para ir trabalhar com apenas pouco mais de 6h de sono... 
 
O curioso é que me sinto mais enérgica do que no primeiro trimestre e quero abarcar o mundo em afazeres e projectos que tenho em mente, que depois não consigo plenamente concretizar dadas as minhas limitações físicas.

A roupa do bebé está toda pronta a ser colocada na mala de maternidade e à distância de cinco anos que tem agora o Falipe, olho para as camisolas, calças e meias e fico com a sensação de que estou a mexer em roupa de Nenucos. É incrível como a nossa percepção das dimensões muda de uma forma tão drástica.

Todos à minha volta clamam que estou gigantesca, mas eu não me convenço disso! No entanto, há dias houve uma colega de trabalho que me disse que eu devia estar sempre grávida, já que fico mais bonita do que não estando. Ainda estou a decidir se considero isto um elogio ou um insulto...

Incomodam-me já os cinquenta mil anúncios a produtos e dietas milagrosas para emagrecer, na tentativa de todos ficarem esbeltos até ao verão que se avizinha. Não porque eu não possa nesta fase emagrecer e esteja numa fase de "evolução corpórea", mas porque simplesmente ouvir aquelas balelas me provoca náuseas...  ouço os pregões e soa-me tão a falso, tão a engano. É certo que sei que terei que ter cuidado no pós-parto, mas estou mais virada para uma reeducação alimentar do que para dietas fantabulásticas, que só servem para enganar temporariamente o freguês.

O Falipe começou a chamar-me carinhosamente "mãe barrigudinha" e só espero que ele perceba que este estado é temporário!

11 de abril de 2014

Semanário de gravidez #11

Estou praticamente a chegar às 30 semanas. Isso significa que já conto com 3/4 de gravidez passada... mas já?! No entanto ainda faltam 10 semanas... dois meses e pouco, mais coisa menos coisa. E visto assim, até parece uma eternidade...

A segunda sessão da educação para a parentalidade revelou-se bastante mais útil que a primeira, uma vez que se debruçou sobre amamentação, em relação à qual não tenho qualquer complexo, receio ou dúvida. Isto porque estou a contar que corra igualmente bem como sucedeu com o Falipe. Versou também sobre os cuidados a ter com a higiene do bebé nas primeiras semanas, e aqui sim, posso dizer que foi bastante bom fazer uma reciclagem aos meus conhecimentos... já nem me lembrava de questões como tratar do umbigo e é curioso como em apenas 5 anos mudaram teorias e técnicas sobre quase tudo. Uma que achei piada em particular prende-se com a forma de deitar o bebé. Quando o Falipe nasceu, tinha que ser virado de lado. Agora tem que ser de barriga para cima, com a cabeça virada para um lado ou para o outro... o que me faz uma certa confusão, porque fico com a sensação de que ainda podemos provocar um torcicolo ao miúdo. Enfim, logo se vê!

Quase toda a gente (leia-se mulheres) me pede autorização para mexer na barriga. Acho que qualquer dia vou começar a cobrar bilhetes, aposto que ainda faço bom dinheiro!

O bebé Ricardo mexe-se a bom ritmo, em alguns dias até demais. Reclama se não me sento reclinada na cadeira de escritório, o que torna complicado estar ao computador a trabalhar. Se começa assim de pequenino a ser rezingão e reivindicativo, estou bem arranjada.

Os pés já dão sinais de algum inchaço e a minha coluna começou a queixar-se se estiver muito tempo de pé e numa posição estática, porque afinal de contas tenho uma lombar problemática.

O saco da maternidade continua por fazer... apesar de ter praticamente tudo o que preciso para o poder fazer. A roupa de bebé está separada há semanas, à espera de dias de sol para ser lavada. A ver se deste fim de semana não passa! Rica mãe que eu me saí.

Noto que a minha vontade de estar no meu local de trabalho é completamente inexistente. Se na primeira gravidez embirrei que iria trabalhar até à véspera do parto e levei a minha avante, desta feita admito que preferia estar entregue a costurar ou a tricotar coisas para este meu segundo filho, a preparar a sua chegada com calma e descontracção. Mas não se pode ter tudo o que se quer...

4 de abril de 2014

Semanário de gravidez #10

Esta semana foi atribulada mesmo.

A neura absoluta rondaram-me durante vários dias, tendo começado logo no fim-de-semana, que foi dum cinzentismo quase a roçar o negro. A chuva começou literalmente a afectar-me os nervos e a provocar surtos de irritação e rabugice nas minhas hormonas absolutamente instáveis.

Na terça-feira, depois da aventura debaixo de temporal, não sei de onde tirei energias e forças para conseguir avançar e levar a minha avante contra tempestades e críticas alheias (por estar disposta a enfrentar o temporal!).

Mas a aventura foi de tal forma avassaladora, que a irritação e gana de levar a a água ao meu moinho mandaram a neura ir dar uma grandessíssima curva ao bilhar grande. 
Também ajudou o facto de finalmente vir um dia de sol, ainda que tímido, após o temporal. 

Vieram também as dores musculares do esforço físico e percebi o quanto estou em baixo de forma, porque senti músculos doridos que já não me recordava que os tinha.

Entretanto, fui chamada para ir a uma sessão sobre "preparação para a parentalidade" no centro de saúde da minha zona, uma espécie de versão altamente comprimida da preparação para o parto. Versou sobre aqueles conselhos todos e mais alguns, muito giros e tal e coisa do que se deve fazer na gravidez e pós-parto, mas eu tinha passado bem sem a ilustração altamente gráfica do que é um parto... 
Além do mais, por mais que queiramos levar aqueles conselhos (alguns muito úteis sem sombra de dúvida) à risca, por vezes preferia que me dessem ajudas reais em vez de conselhos... é que sendo mãe de segunda viagem, sem qualquer sistema de apoio (sim, não existe, não tenhamos ilusões!) e com um pai a trabalhar por turnos, quero ver como é que vou conseguir combater o baby-blues, e ter tempo para namorar, e descansar e essas coisas todas tão bonitas que nos dizem que devemos fazer! 
Não me estou a queixar de forma nenhuma, simplesmente nestas coisas sou muito realista e dispenso conselhos genéricos sobre quem desconhece a realidade de cada uma das grávidas que ali estava! 
Eu conheço bem a minha situação, sei com que linhas me coso e por isso, já equacionei alguns mecanismos que me poderão permitir (e daí talvez não...) não ficar no maior dos lodos no primeiro mês de vida do meu segundo filho.

Sinto a barriga a esticar em diversos quadrantes, como se fosse assim por fases, e o rapazola cá dentro continua a mexer-se com uma genica incrível. Desconfio que o safadinho sente quando estou a mexer em comida (seja ao lanche, ao jantar ou ao pequeno-almoço), porque desata a rebolar cá dentro. Além disso, está sempre pronto a reclamar quando a minha posição lhe desagrada.

Apesar de só ter engordado 8 kgs até agora, a minha coluna reclama sempre que passo demasiado tempo e especialmente se estiver numa posição estática. Por isso, mesmo estando de pé, tenho que fazer movimentos de balanço, como se fosse um navio a adornar para um lado ou para o outro, para depois não ficar com dores, como se fosse uma entrevadinha.

27 de março de 2014

Semanário de gravidez #9

A energia e capacidade de concentração têm atingido mínimos históricos... o que não é lá muito bom no plano profissional... faz-se o que se pode. Este decréscimo deve-se em boa parte ao facto de durante a noite me levantar quase o triplo das vezes para ir vazar a bexiga, que por estes dias parece mais do tamanho duma azeitona.

A pérola da semana foi ter ouvido o comentário de que "parecia mais magra" por usar um vestido todo preto que comprei recentemente. Isto depois de confirmar que ninguém de família morrera, nem mesmo o gato ou o periquito... ouvir um elogio destes em plenas 27 semanas de gravidez é para lá de caricato, mas soube bem!


Começo a achar que realmente os índices de natalidade devem andar nos mínimos dos mínimos, já que fui "sinalizada" pelo centro de saúde para integrar um programa "Educação para a Saúde". No entanto, não sei se é por susceptibilidade própria do meu estado actual, nunca vi tanta grávida como nos últimos tempos... pode ser que os números de 2014 venham contrariar a baixa de natalidade do ano passado.

Este meu filho é um poço de animação, já que se bamboleia constantemente no meu ventre. Eu para ajudar à festa, nos dias em que acordo bem disposta, aproveito e danço ao som de música da rádio. E para ele se ir habituando já de pequenino, dou-lhe umas sessões nocturnas de música indie na Rádio Radar. 

Quanto à azia, bem... por estes dias idolatro o meu obstetra por me ter receitado um comprimido milagroso, para tomar em jejum, que simplesmente fez a azia escafeder-se... pufft, foi-se! Ahhhhhhhhhhh o alívio!

Vistas bem as coisas, se por um lado acho que esta gravidez tem passado a voar, por outro vejo que faltam cerca de 90 dias e parece-me tão longínquo... 


20 de março de 2014

Semanário de gravidez #8

Desta vez estou a esmerar-me, já comprei quase metade das coisas da lista que fiz, de coisas necessárias. As restantes pretendo comprar hoje. No fim de semana, separei as roupas que eram do Falipe e que poderão servir ao irmão, apesar de nascerem em alturas do ano diferentes. Estou a cumprir os planos tão à risca que é melhor não deitar foguetes para já... mas estou a esforçar-me bastante para desta feita não deixar tudo para as últimas três semanas, como sucedeu na primeira gravidez...

A barriga está cada vez mais crescida, já me pesa especialmente ao subir escadas.

Começo a sentir aquele tique de irritação-irritativa, porque agora que começo a ter alguma dificuldade em dobrar-me e agachar-me, parece que tudo e mais alguma coisa me cai das mãos... às vezes tenho uma leve impressão que as minhas mãos estão a provocar-me deliberadamente, como se fossem um ente separado do meu corpo, tipo duende maléfico.

Esta semana fui à consulta com o obstetra e ao que parece, a profecia do Falipe confirma-se: o mano aparenta ter umas valentes bochechas gordas! E foi um derretimento pegado ver os movimentos dele a abrir e a fechar a boca. 

As sessões de esperneio dentro da minha barriga continuam. Então se começo a comer, parece que há festa na barriga!

Coincidência ou não, o bebé esperneia veementemente sempre que ouve o irmão chorar porque se magoou ou quando decide fazer uma birra. Fico mesmo com a sensação de que é uma manifestação de protesto por ouvir o irmão chorar. Se isto são os primórdios da solidariedade fraterna masculina, estou tramada!

Entretanto, o bebé gosta muito do jogo do gato e do rato. Assim que começa a bailar dentro da minha barriga e eu tento que o pai aprecie o espectáculo, assim que sente a mão do pai em cima da minha barriga, imobiliza-se de imediato. Faz o mesmo com o irmão mais velho... comigo, basicamente só se esquiva para outro quadrante da barriga. 

Vais ser fresco, vais...

Entretanto, como isto de viver a gravidez não é só no feminino, deixo aqui um bom relato de pai sobre viver uma gravidez.


13 de março de 2014

Semanário de Gravidez #7

A barriga vai continuando a crescer. Os quilos também se vão somando, mas a um ritmo bem mais vagaroso do que sucedeu na primeira volta. Isso agrada-me e a minha coluna agradece... apesar de haver dias em que ela clama de cansaço.

Este meu filho é um mexido de primeira! Há vezes que parece estar a dançar o fandango cá dentro. O que me faz pensar no meu futuro... é que se o Falipe tem pilhas daquelas que parecem nunca acabar, nem quero pensar como vai ser este meu segundo rapazola... especialmente porque toda a gente me augura que os segundos filhos são uns terríveis, quando comparados com os primeiros. Eu prefiro continuar em negação e acreditar que o R. vai ser um menino sossegado como o irmão foi pelo menos até aos dois anos...

Mas também pudera... ele na barriga a ouvir o irmão-matraca-que-não-pára-de-falar-e-cantar-um-minuto e que salta e espolteia* sem parar... para ele deve ser já um enorme aprendizado, ele deve achar que isto é a norma. 

Entretanto, no passado domingo fui visitada pelas amigas contracções. Dizem que são "falsas", mas a mim pareceram-me daquelas bem verdadeiras, já deram para começar a querer suster a respiração. A visitinha valeu uma ida ao hospital só por descargo de consciência, saí de lá com dois avisos: tem que ter cuidado com o peso (mas que mania pá!) e repouse muito. Ao que eu respondi: 

- Ainda mais? É que eu passo os dias sentada!



* do verbo espoltear - regionalismo algarvio muito usado pelos meus pais, que significa algo como andar na cabriolice, não parar quieto.

5 de março de 2014

Semanário de gravidez #6

E por aqui contam-se 24 semanas, são 6 meses, mais coisa menos coisa... 
Pois eu sei... isto parece estar a passar assim num sopro.

Não estando ainda no modo "andar à pinguim", mas já me vou sentindo assim tipo barril... ou Obélix!

Mentalmente já comecei a fazer o inventário das coisas que já possuo, para conseguir listar o que ainda vou precisar comprar, por exclusão de partes. A ver se desta vez não faço o saco da maternidade (o meu e o do miúdo) meia hora antes de dar entrada no bloco de partos, como sucedeu da primeira vez.

Esta semana fui fazer as análises de despiste de diabetes gestacional, o que significou tragar um copaiço de água com açúcar, em jejum. Se beber água com açúcar já de si não é muito a minha praia, apesar de ser gulosa e semi-viciada no pó refinado (amarelo de preferência), aquilo foi mesmo mau de tragar! Como se isso não me bastasse, toma lá duas horas de seca em jejum de comida e água e os braços picados por 3 vezes... vale-me sempre o facto de ser fácil apanhar-me as veias. Em suma, tomei o pequeno-almoço eram 11h45 e só não sei como não desfaleci a caminho do café da esquina... enfim, análises de sobrecarga de açúcar: check!

De resto, o senhor filho mais novo andou para aqui às voltas na minha barriga ontem e para se acomodar condignamente ao novo posicionamento (que ainda não percebi a 100% qual é) presenteou-me com uma sessão de espezinhamento das entranhas. Por enquanto, os xutos e pontapés são bastante agradáveis e fazem-me rir feita palerma sozinha comigo mesma. 

O Falipe está cada dia mais feliz com a perspectiva da vinda do irmão e vai acrescentando coisas à lista de "afazeres" de irmão mais velho, coisas a mostrar, a ensinar, a explicar. Esta manhã fiquei babada de orgulho do meu menino "um pouco crescido" (palavras dele) quando me disse que tínhamos que lavar o "Ursinho" (amigo inseparável dele desde os cinco meses de idade) para ele poder partilhar com o mano. Se isto não é de derreter até as pedras da calçada... a mim enche-me o coração! Fico pasmada com a maturidade crescente do meu rapazola e com as perguntas pertinentes que me faz, como por exemplo ontem à hora da história de adormecer:

- Mãe, quando o mano vier, como vais contar a história aos dois? Cabemos os dois no teu colo?


26 de fevereiro de 2014

Semanário de gravidez #5

A energia começa a falhar-me a certas horas do dia. Se até há uns dias atrás a sonolência me atacava mais ao final do dia, agora tenho verdadeiras "pedradas" de sonolência a meio da manhã ou da tarde...

Tenho dificuldade em concentrar-me. Falta-me a capacidade de raciocínio e a criatividade para produzir documentos de trabalho que devo produzir. As dores de cabeça começaram a dar o ar da sua graça, mas não têm graça nenhuma...

Começo a ficar ligeiramente aborrecida, com aquele tique de tremelique ao canto do olho esquerdo e o sobrolho levantado, essa minha eterna imagem de marca facial, sempre que me dizem: "ah a barriga está enorme! É que está mesmo grande!!" ou "já te pesa bastante!"... 
Não acho que a barriga esteja enorme, aliás, acho mesmo que na primeira gravidez por esta altura estava bem maior. E não, também não sinto que me pese muito, pelo menos a ponto de me sentir prostrada e a arrastar... A sério, deixem-se desse tipo de comentários!

Outra coisa que já me começa a incomodar é a mania que algumas das minhas colegas têm, quase incontrolável e compulsiva, de pôr as mãos na minha barriga e porem-se a fazer festinhas. A sério, eu sei que o fazem na melhor das intenções, mas aborrece-me que o façam!

Cá está outra vantagem de na primeira gravidez ter trabalhado quase sempre com homens. Além de eles exibirem aquele estilo paternal e condescendentemente protector, não sentem esta necessidade urgente de afagar a barriga da grávida!

O G. queixa-se que eu tenho mudanças de humor. No entanto, nos últimos tempos tenho-lhe visto surtos de mau humor, que me deixam a questionar-me se sou eu que estou grávida ou se ele é que está, assim por processo de osmose... 

O Falipe parece estar cada dia mais nas nuvens com a perspectiva de ter um irmão. Curiosamente refere-se a ele mais como bebé do que como mano ou irmão. Começou a falar para a minha barriga, conversa com o irmão e adquiriu o hábito de fazer-me cócegas na barriga e pergunta-me se o irmão sentiu. Fico deliciada com os monólogos dele, a contar-me o que vai ensinar ao irmão, os brinquedos que lhe vai dar para ele brincar. Já inventa diálogos entre ele e o irmão, em que a resposta do bebé resume-se quase sempre a "gugu-dadá". E eu derreto-me e fico profundamente grata pela meiguice e generosidade do meu rapazola!

18 de fevereiro de 2014

Semanário de gravidez #4

Apetece-me comer sopa! 
Caldo verde e canja de galinha estão no top de preferência. Se este meu filho não sair um tremendo sopeiro, não sei o que o fará gostar de sopa... chantagem talvez?!

De resto não há muito mais a dizer. Tenho as típicas variações de energia e cansaço típicas duma qualquer grávida... tudo normal.

A barriga continua a crescer e todos me parecem fazer crer que estão mais barriguda que o Sancho Pança, o que me parece não condizer minimamente com a minha noção de realidade... a barriga está grandota, mas não exageremos sim?!

Amanhã aguarda-me a ecografia do segundo trimestre, através do SNS, com a fantástica técnica/médica que me chamou de gorda na ecografia de primeiro trimestre, desculpando-se assim com a clara falta de habilidade que tem para a coisa e possivelmente com a baixa qualidade do equipamento utilizado. Juro que tive que morder a língua para não lhe dizer: "já olhou bem para si, ó seu barril de 100 litros?"... a sorte dela foi que eu não estive para me aborrecer e já não sou mãe de primeira viagem... senão teria saído de lá em pânico, a pintar cinquenta mil cenários, todos eles negativos.

Sinto saudades dos meus colegas de trabalho dos tempos das obras, que me acompanharam e me deram tão excelentes conselhos. As suas dicas e conselhos foram muito mais sensatos e preciosos do que todos os que recebi de mulheres, muitas delas mães já há uns bons anos. Acho que tive mesmo muita sorte por nessa altura ter tido homens a aconselhar-me, porque têm um sentido prático muito apurado e desmitificaram-me coisas importantes, sem grandes panos quentes e sem "bichos papões" e/ou culpabilizações.
Não que agora as minhas colegas me dêem maus conselhos... mas há muitas postas de pescada, nas quais já não caio!...

11 de fevereiro de 2014

Semanário de gravidez #3

Mudei oficialmente de nome. Agora quando me chamam, tratam-me por Barriguda.

A barriga parece ter dado um pulo. 
Todos comentam: "ena pá, que barrigão que já tens!"
A meu ver, e comparando com a primeira gravidez, diria que em termos de tamanho a diferença é pouca. Lembro-me que por volta das 21 semanas estava mais ou menos roliça assim como agora.

Os movimentos de bailarino sucedem-se durante o dia. Esta deve ser mesmo a coisa que eu tinha mais saudades numa gravidez! Aquele reboliço que acontece ali na minha barriga, apesar de ainda não haver propriamente chutos de karateca!

O Falipe parece estar cada dia mais entusiasmado com a ideia de ter um mano.
Este fim de semana, sem qualquer planeamento prévio andámos a mexer na ordem das mobílias do quarto do Falipe, já a pensar no futuro, quando tivermos que montar a cama de grades.

Ao princípio, o Falipe não achou piada nenhuma andarmos a alterar a ordem das coisas. Chegou mesmo a dizer que assim não estava bem e descrevia como deveria estar, ou seja, como sempre esteve! Começo a aperceber-me que o meu menino é um tanto resistente a mudanças e pouco entusiasta perante a novidade...  Basicamente cheguei à conclusão que primeiro temos que lhe implantar a ideia, deixá-la a marinar e esperar que o meu rapazola aceite e apresente a ideia como sua! Mas como não quis desperdiçar a oportunidade que surgiu do nada, fiz-lhe ver as enormes vantagens de mudarmos a disposição da cama dele, que ficava com mais espaço para brincar com o tapete das letras, e ele acabou por ficar tão contente que a adaptação parece ter sido uma coisa perfeitamente normal. Realmente, os planos que correm melhor são aqueles que não são nada planeados!

Quanto a mim, sinto que ando mais aluada, menos "presente" e a levar esta gravidez um pouco como se fosse uma coisa rotineira e habitual. Talvez o facto de ter apanhado a 4.ª constipação, que me deixou de rastos no final da semana passada, aliada à maldita tosse alérgica que apareceu do nada, provocando-me ataques de tosse seca que me revolvem o estômago já chacinado pela azia (que é cada vez maior) e me faz tomar Atarax em caso de extremo SOS, deixando-me sonolenta e sem qualquer capacidade de concentração, não contribuiu em nada para que me sinta em "estado de graça". Além do mais, este temporal que não nos deixa, começam a afectar o meu natural optimismo e boa disposição. Estou positivamente farta deste tempo invernoso. Eu sei que é o tempo dele, mas já dava um bocadinho de tréguas, não?!

Outra coisa que na primeira gravidez não me "assombrava" sequer mas que agora parece "dançar" na minha mente é o momento do parto. No entanto, faço por manter o mesmo pensamento: será como tiver que ser! E há tanta mulher a parir diariamente sem grandes dificuldades, que comigo não será diferente...

4 de fevereiro de 2014

Semanário de gravidez #3

A barriga parece ter dado um pulo enorme nesta última semana. 
A tal ponto que um par de calças de grávida já me vai apertando e como tal tem que ser encostado.

Lá dentro sinto cada vez mais e melhor o meu menino a remexer-se. Curiosamente parece-me que ele tem uns horários estranhos, ou então sou mesmo eu que sou uma distraída... mas a sensação de sentir algo mexer-se dentro de nós é daquelas coisas fantásticas e da qual tinha mais saudades neste estado de graça!

A azia não me larga e o meu estômago parece estar a ficar cada vez mais embrulhado. Tendo em conta que ele nunca mais foi o mesmo desde que estive grávida do Falipe, temo que o meu pobre estômago fique irremediavelmente em estado de "fogo-vivo"...

Entretanto, já comecei a ter pequenos surtos de irritação súbita.. que tanto têm de irritação como de passageiro... principalmente com todos os buracos e mais alguns que todas as estradas da minha terra têm... a minha bexiga cada vez mais sensível não se compadece com tanto buraco no asfalto, com tanta lomba de empedrado e com tanto declive e abatimento do pavimento... e praguejo! Praguejo todos os dias contra as edilidades do concelho por deixarem estar as estradas nesta miséria... depois passa-me!

Os comentários e o escrutínio ao que como e bebo também já começaram... "ah não devias beber nem um café por dia... que dá dependência no bebé!", "vais comer arroz doce?! olha a diabetes gestacional...", "se calhar não devias comer essa salada de alface... olha a toxoplasmose...!"
Por enquanto, limito-me a sorrir meio cinicamente e a revirar um poucos olhos... já que nunca fui de dar ouvidos a vozes alheias... no futuro, logo se vê, se não me torno cáustica nas respostas...

Tentar comprar roupa de grávida parece ser outra aventura... a maior parte das lojas simplesmente não têm! Pergunto-me se a baixa na natalidade fez com que o desinvestimento no vestuário de grávida fosse assim tão grande... e depois questiono-me: será que as grávidas não precisam de roupa para vestir além de fatos de treino?

Outra coisa que me incomoda... a desproporção nas secções de roupa de bebé, entre menino e menina... eu sei que não vou precisar de investir muito neste departamento... mas é um facto que o meu bebé vai nascer no verão e como tal precisa de roupas frescas e o Falipe nasceu em pleno inverno... É estranho constatar que em qualquer loja, a secção de meninas ocupa 3/4 do espaço por oposição ao 1/4 da secção de meninos... irra!

Entretanto, o Falipe já parece estar mais entusiasmado com a ideia de ter um irmão. Já faz cócegas na minha barriga e pergunta-me se o mano sentiu. Comprámos o berço e ele disse-me em segredo:

- Mãe, olha uma coisa, podemos pôr a cama do mano no meu quarto. Mas do outro lado da minha cama e depois do tapete das letras, sim?!

O nome também já foi escolhido e sem grande debate. Quando dissemos ao Falipe, a resposta foi:

- Não pode ser! Já há um Ricardo na escola do infantário! (onde ele já não anda há um ano...)

31 de janeiro de 2014

Sabes que...

Estás a ficar com neurónios de grávida quando pegas na pasta de dentes e na escova de cabelo e quase barras a dita cuja para lavar os dentes...

28 de janeiro de 2014

Semanário de gravidez #2

A barriga cresceu. E bem!
Tive que abandonar as calças tamanho 42 e render-me às de grávida.

A azia aumenta de dia para dia. Para ajudar veio uma maldita tosse irritantezinha, que me provoca convulsões e faz o estômago afogueado de azia, revolver-se e muitas vezes devolver à procedência os bens alimentares entregues poucas horas antes...

Ontem fiquei finalmente a saber que vou ter outro menino!
Apesar de ter aquele feeling e aquela vontade enorme de ter uma menina, não fiquei de forma nenhuma desiludida ou triste. Fiquei mesmo muito feliz por ver que o meu menino está bem, com tudo nos seus devidos lugares. Principalmente ver nitidamente os ventrículos do seu coração pequenino que bate descompassado. As suas mãos tão pequeninas em torno da cabeça... tudo nele me faz sorrir, daquela forma absolutamente babada como sucedeu das primeiras vezes que vi o Falipe na minha barriga.

O Falipe acompanhou-nos e foi mesmo muito engraçada a reacção dele. Primeiro, assim que lhe disse que íamos ao senhor doutor para tentar ver o mano na minha barriga, ficou assustado e tremeu mesmo de medo, porque pensou que me iam abrir a barriga para ver o mano. Quando lhe expliquei que era uma espécie de fotografia num computador, ficou mesmo muito excitado e super animado.

Quando chegou ao consultório do médico, este fez uma festa enorme por ver um bebé que ele ajudou a nascer já crescido. E salta-se com um: fui eu que te tirei da barriga da tua mãe!

O Falipe vacilou ali um bocadinho por uns momentos, mas depois distraiu-se com uma escultura alusiva à maternidade. Depois perguntou ao G. o que era aquilo, que respondeu toscamente: é um boneco.

Falipe não se perdeu e salta com um: não é nada! é uma barriga e duas mamocas! Não é um boneco, não tem cabeça, papá!

Escusado será dizer que o Falipe não conseguiu ver nada no écrã e ficou aborrecido em menos de dois minutos, a querer mexericar em tudo quanto era utensílio do consultório...

O mais curioso no meio disto tudo é que, tal como da primeira vez, sou praticamente a única grávida que vai ter menino, porque todas as que conheço que vão ser mães mais ou menos na mesma altura, todas esperam meninas.

Estou mesmo muito feliz!

21 de janeiro de 2014

Semanário de Gravidez #1

Quando se entra em "estado de graça", há sempre o conselho de fazer um diário de gravidez. Como não tenho tempo nem muita paciência ou energia para isso, pelo menos numa base diária, nada como fazê-lo de forma semanal.

Se calhar já devia ter começado há mais tempo... afinal de contas, já se contam 18 semanas de gravidez... já passei da fase de gorduchinha roliça, para a fase lontra e encontro-me actualmente a entrar na fase baleia.

Ontem fui toda lampeira vestir as minhas calças de grávida... querias, não querias, Naná Maria?! Isso foi há 15 kgs atrás...

É incontornável estabelecer paralelos com a gravidez do Falipe, que no primeiro trimestre foi marcada por preocupações com a minha segurança física, já que nessa altura tinha que andar a subir e descer andaimes, para vistoriar as condições de montagem... a obra parecia-me uma espécie de zona de guerra cheia de perigos e eu tinha atenção a cada passo dos caminhos que fazia por entre cofragens e paredes de tijolo frescas.

Desta vez, a maior preocupação foi de cada vez que o Falipe me pedia colo, apesar de estar quase com 5 anos... custou-me imenso sentir que tinha que negar-lhe colo, arriscando assim suster os seus 22 kg nos meus braços, contrariando os avisos da minha médica de família.

Desta vez as preocupações que povoam a minha mente têm sido mais de ordem emocional, já que há aspectos a ter em conta quando se vai ter um segundo filho, de certa forma já mais ou menos sabemos ao que vamos... ou não! Por mais que tentemos ser práticas e racionais sobre estas questões, é fácil perceber que há sempre a possibilidade de ciúmes do primogénito e a eventualidade de este se sentir relegado para segundo plano e sentir que a atenção que antes era toda direccionada a si, é agora dividida e canalizada para um outro ser que ele mal conhece.

A acrescentar a estes pseudo-dramas-existenciais, temos o facto de as alminhas iluminadas que gerem os hospitais algarvios, agora fundidos num só, possivelmente terem caca de galinha no lugar do cérebro e acharem por bem que as mulheres que precisem de parir tenham que se deslocar a Faro, mesmo que para isso tenham que percorrer 60 km ou mais. O serviço de maternidade e obstetrícia existentes em Portimão estavam bem organizados e apetrechados, tanto de equipamento como de pessoal, mas em vez de se manter um serviço que funciona bem, não... toca a rebentar com tudo, sem qualquer consideração ou respeito pelos utentes... quando se pensava que somos um país "civilizado", eis quando nos apercebemos que não somos assim tão diferentes dum país de terceiro mundo... juro que se tiver o meu bebé em plena A22 ou EN 125, não responderei por mim... também já me passou pela ideia montar acampamento à porta do Hospital de Faro uns dias antes...

A pergunta sacramental que todos me colocam é: então e já sabes se é menino ou menina? O que leva sempre à mesma resposta... ainda é muito cedo para conseguir saber isso...

Mais de resto, estou feita uma sopeira! Só me apetece comer canja de galinha, caldo verde e todas as sopas existentes e mais algumas... se esta criança não gostar de sopa, não poderei dizer que não foi por falta de ter comido na gravidez!

O Falipe parece contente com a novidade de vir aí um/a irmã/o... mas ainda não se decidiu em relação ao que prefere, como se ele tivesse voto na matéria... já que nuns dias quer um irmão, e noutros prefere uma irmã. Já começou a querer inventar nomes, mas confesso que as suas escolhas me desagradam...

Os humores inconstantes não têm sido lá muito pacíficos, mas eu faço um esforço bem grande para os dominar e não deixar que eles levem a melhor de mim. Porque afinal de contas, as hormonas andam por aqui aos saltos, num labor frenético, mas os que me rodeiam não têm culpa nenhuma disso. E além do mais, eu posso ter mau feitio, mas não tenho qualquer perfil para ser uma grávida rabugenta!

Post editado - afinal a maternidade não vai fechar... mas pode dar-se o caso que o parto tenha que ser em Faro...