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21 de junho de 2017

Ricardices #8 - questões do cocó

O Ricardo finalmente ficou desfraldado e habituou-se a ir ao bacio (após quase um ano na tentativa).

Há dias, depois de ter feito o seu cocó, ficou a olhar para o que tinha acabado de fazer e pergunta-me muito curioso:

- Mãe, é plasticina?

- NÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOOOOO! (foi o que eu respondi na minha mente)


4 de agosto de 2015

Da exaustão

Quebra-nos o espírito.
Revira-nos o corpo e a alma e faz de nós escravos.
Zombies dignos de um filme ou série de culto.
Traz ao de cima o pior de nós. A começar pelos nossos mais estimados.
Deixa-nos prostrados e sem horizontes.
Rouba-nos o brilho e o sorriso.
Consome o nosso sentido de humor, de amor, de amor-próprio.
Rebenta com os nossos sonhos e impede-nos das coisas mais elementares.
Leva-nos a limites nunca antes roçados e deixa-nos à beira do precipício.
A fronteira entre a sanidade e a loucura é ténue e a esperança esbate-se.

15 de julho de 2015

O lazer também cansa

Juro que me apetece esbofetear os paizinhos das criancinhas da turma das Férias Desportivas do Falipe, que foram queixar-se que um dia de praia e um dia de parque aquático por semana era "pouca actividade"!

Gostava que esses paizinhos tão adeptos de resmas de actividades, leia-se praia todos os dias, (basquetebol, badmington, futebol, andebol, jogos tradicionais, olaria não são actividades dignas, querem lá ver?!) viessem para minha casa ao final do dia, para aturarem o mau feitio a rabugice do meu filho quando está estafado e cansado e "não quer fazer nada", "não lhe apetece nada", "não aceita nada", "não consegue fazer nada".

E estes "nadas" incluem coisas tão corriqueiras como tomar banho, vestir-se, jantar, lavar os dentes, etc.!

19 de março de 2015

Do dia do pai lá de casa

Apesar de estar sozinha com os dois rapazes, consegui fazer um bolo de mirtilos para levar para a festa do dia do pai no jardim de infância do Filipe.

O Ricardo colaborou como um lindo menino e esteve sossegadamente a brincar com tampas de plástico dos iogurtes e a tirar ao chão tudo o mais que lhe pus na frente.

Enquanto isso, eu e o Filipe fizemos um bolo, e foi bom de ver o enorme entusiasmo dele, muito maior do que nas outras vezes que fazemos um bolo, porque para ele, este era especial, por ser para o pai e para levar para a escola.

O pai provavelmente nem o vai provar, a julgar pelo que aconteceu na festa do ano passado... (num universo de 25 pais, havia apenas 5 bolos...)

Mas o importante mesmo, teria sido eu ter-me lembrado de levar o bolo para a escola, e não o ter deixado em cima do balcão da cozinha, lindo e cheiroso...

Do mal o menos, o pai leva o seu próprio bolo!



1 de outubro de 2014

O tempo foge à velocidade luz

Faltam 16 dias para terminar a minha licença de maternidade.

Se por um lado tento aproveitar ao máximo estes dias e absorver tudo o que posso deste meu filho, que é um sorridente nato por sinal, um bem disposto de primeiro linha, por outro lado sinto-me cada dia mais f&$/&%% aborrecida por pagar impostos como uma nórdica e não usufruir dos direitos parentais como uma nórdica...

A ideia de regressar ao trabalho entristece-me, porque apesar de saber que preciso trabalhar para sobreviver, e me poder dar a certos pequenos luxos, significa que vai haver uma série de etapas de crescimento e evolução do Ricardo que acontecerão com ou sem a minha presença. Significa que todas as gracinhas, todas as conquistas e aprendizagens dele virão quase pela certa a acontecer na minha ausência.

Ontem ele descobriu os "gritinhos" e eu senti o meu coração crescer e inundar-se dum sentimento que não sei descrever.

Hoje cortámos mais um pouco o "cordão umbilical" invisível e ele experimentou a primeira sopa dele. É sempre um misto de alegria e uma certa nostalgia, porque eu sei que ele está a crescer e é uma evolução natural, mas isso significa ao mesmo tempo que ele vai deixando cada vez de ser "meu", só meu!



2 de setembro de 2014

Isto não é fácil...

Tentar fazer com que um miúdo de 5 anos esteja sossegado e faça pouco barulho porque o irmão bebé está a dormir é difícil.

Mas tentar evitar que um bebé pare de chorar porque há um adulto a dormir de dia para descansar da noite de trabalho... É muito mais complicado!!

5 de agosto de 2014

Lições que (re)aprendi com a segunda maternidade

1. O corpo aguenta níveis de cansaço extremo que nunca pensámos ser capazes de suportar...

2. O silêncio é mesmo de ouro! Minto...é de diamante!

3. Existe uma razão mesmo muito boa para as mulheres serem polivalentes, multifacetadas e possuírem capacidade periférica. 

4. O multitasking é uma arma mesmo poderosa, especialmente quando levada a níveis elevados de eficiência e eficácia (ou como conseguir fazer o jantar, adiantar o almoço do dia seguinte, enquanto encho a máquina da loiça e programo a da roupa enquanto respondo às 500 perguntas que o Falipe dispara na minha direcção)

5. Apesar do cansaço extremo, em que até as pestanas parecem querer sucumbir, temos sempre que ter forças para fazer um bolo colorido com o filho mais velho... enquanto rezamos para que o mais novo não abra as goelas...

7. Ser capaz de ignorar o facto de que os serviços mínimos dos mínimos dos mínimos de tarefas domésticas não serem suficientes para termos a casa num estado de quase pocilga

8. Ficamos espantadas perante a capacidade de inventar refeições que sejam preparadas em menos de 30 minutos.

9. No final desta licença de maternidade, vou precisar dumas férias! Bem looooongas!

23 de junho de 2014

Falipices #73

O dia da pergunta tão temida chegou...

- Mãe, como é que os bebés vão parar às barrigas das mães?

Só consegui responder que os pais gostam muito uns dos outros e às vezes abraçam-se muito e às vezes acontece que há um bebé que vai parar às barrigas das mães.

Acho que não me saí lá muito bem... mas ele parece ter ficado minimamente satisfeito com a resposta. 

Falta saber até quando é que esta resposta faz sentido para ele...

16 de outubro de 2013

Acção popular

Por mais que me esforce, por mais que tente ignorar, por mais que me empenhe em desligar a bobine, fazer ouvidos moucos, cega-surda-muda-burra...

Não consigo!

Não quero pensar, recuso-me para bem da minha sanidade mental... quando chegar logo ficarei a hiperventilar, a raiar um ataque de pânico ansioso... a respirar forçadamente para dentro de um saco de papel pardo, tentando conter o vómito que tudo isto me provoca!

Penso em muitos cenários possíveis, e todos eles envolvem alguma forma de violência, com sovas de meia-noite e quiçá alguns laivos de tortura maléfica...

Mas isso seria seguir um caminho demasiado baixo. E eu recuso-me a descer ao nível deles!

Será que não há qualquer possibilidade de meter uma acção popular ao Ministério Público, para que todo este executivo seja julgado e punido exemplarmente por crimes de Terrorismo Social?!

Porque não me venham dizer que não é isso que tem sido praticado sucessiva e crescentemente... terrorismo social!

Quem me rouba (e aos demais) toda e qualquer réstia de esperança no futuro e mesmo assim não se dá por satisfeito e ainda quer vir tirar o que resta da minha dignidade (e da de todos neste país), da forma descarada como o faz, só tem um nome: terrorista!

Estes não precisam de explosivos nem de de armas de fogo, usam as leis e os orçamentozinhos rectificativos que eles congeminam nas suas panelas de bruxos de magia negra, e depois chapam na comunicação social com um sorriso sádico e displicente, qual imperador feliz por abrir as jaulas dos leões famintos na arena, para devorar os pobres escravos indefesos!

13 de julho de 2013

Coração de mãe temporariamente parado...

Naqueles dois ou três segundos que mediaram eu ter desviado o olhar de ti, mesmo ao meu lado, sentado no bordo da piscina, e o te ter visto no fundo da piscina, qual boneco que foi lentamente ao fundo... 

O meu corpo reagiu instintiva e instantaneamente para te agarrar os braços que tinhas ao alto, a pedir socorro!

Assim que te retirei da piscina, o teu coração pulava descompassado do susto e algo receoso que eu te ralhasse por teres ignorado os meus avisos sucessivos e cada vez mais veementes de que tivesses cuidado, para não escorregares do bordo da piscina. 

O teu corpinho de menino tremia assustado por conta da água que engoliste, na tentativa vã de respirar...

Não estiveste na água mais do que dois ou três segundos, mas foram os suficientes para o meu coração de mãe se suspender temporariamente!

Apesar disso, o meu corpo reagiu em piloto automático, enquanto te tentava acalmar e fazer com que o susto te passasse.

Foi só quando te vi a saltar dentro do castelo insuflável, feliz e já esquecido do percalço aquático, que o meu coração se acelerou erraticamente e caí em mim e no perigo em que estiveste... e comecei a tremer que nem varas verdes por dentro!

tirada da APSI

17 de janeiro de 2013

Sonhar ainda não paga imposto...

Realmente, ainda não chegámos a esse ponto.

Mas os impostos a que temos vindo a ser sujeitos, que crescem de dia para dia, tolhem-nos a nossa capacidade de sonhar!

Pelo menos falo por mim.

Cada novo imposto que nos cai em cima, comparo-o ao menino rufia e "bully" que vinha rebentar as bolinhas de sabão que eu soprava no recreio, quando era menina e gostava de fazer bolinhas de sabão...

Cada novo imposto faz esfumarem-se em vazio alguns sonhos que vinha acalentando... puff... puff...

Fazem encolher-me sobre mim mesma, em posição fetal e ansiar pelo colo da minha mãe, para encontrar conforto e serenidade.

São como autênticos murros no estômago.

Por muita capacidade de resiliência que possamos ter, é difícil manter a cara levantada e a cabeça erguida depois duma sova destas...

E eu sinto-me defraudada, depauperada e roubada nos meus sonhos!

E sim, eu sei que há quem esteja muito pior que eu, mas deixem-me lá ter o meu momento de auto-comiseração...


29 de dezembro de 2012

O Ano Novo das Expectativas zero

Se em 2012 entrei com alguma dose de optimismo e esperança, talvez alimentados pela fé que sempre depositei em anos bissextos, em 2013 entro com expectativas quase nulas.
Não me sinto particularmente esperançada ou imbuída dum qualquer grão de optimismo...
Sinto-me um tanto apática e pardacenta perante um ano que julgo que vai ser pouco ou nada diferente do ano de 2012.
De uma certa forma, sinto que o sair de 2012 vai ser quase igual ao entrar em 2013. Tudo vai permanecer num certo estado de imobilismo e marasmo, num repetir sucessivo de dias, assim como foi para mim o 2012...
Talvez esteja a ser um tanto fatalista e na hora H, ou na hora da entrada em 2013 me sinta de forma diferente, um tanto mais esperançada e feliz, mas o sentimento que me domina é este: o de indiferença e ausência de expectativas.
Se em outros anos, perdia o meu tempo a elaborar a lista de 12 desejos para o novo ano, este ano não sinto qualquer vontade de perder tempo com isso, talvez porque há uns dias atrás passei os olhos de relance pela lista de desejos de 2012 e confirmei aquilo que já suspeitava, que em 12 desejos terei visto concretizar-se apenas 1 ou 2, vá 3 no máximo... talvez porque esses desejos não dependam apenas da minha vontade e empenho, mas precisam de esforços conjuntos, que não fui capaz de reunir e conquistar.
Como tal, creio que em 2013 vou ser uma preguiçosa monumental e transferir os desejos de 2012 para o ano novo, numa espécie de "passagem administrativa"!

Talvez ter expectativas zero até seja bom, na actual conjuntura. Já que todos profeciam dias difíceis e carregados de ainda mais sacrifícios. Talvez seja bom ter expectativas de base zero, para assim poder sentir-me feliz por tudo o que vier por acrescento. Às vezes somos mais felizes com coisas mais pequenas, do que com grandes feitos conseguidos...

No entanto, espero que todos estejam bem mais optimistas que eu, e façam favor de ser felizes neste novo ano que aí vem!

19 de novembro de 2012

Quando o céu se abate sobre nós...

Quando saí de casa na sexta-feira de manhã, tinha uma sensação de aperto estranha em mim. Como um estado subconsciente de alerta perante um perigo desconhecido e invisível.
Uma espécie de pressentimento, uma premonição... que desvalorizei, como faço habitualmente nestes dias de trovoada, em que os relâmpagos rasgam o céu, iluminando a escuridão das nuvens.
Desvalorizo sempre, porque repito para mim mesma que aquele pânico um tanto electrizante que me percorre o corpo desde o cocoruto às pontas dos dedos é apenas uma reminiscência daquele episódio de susto, aos 5 anos de idade, mas que nunca mais me abandonou... que me deixou sempre um sentimento de que a trovoada encerra em si uma forma de "doomsday" (é sempre esta palavrinha em inglês que me perpassa o espírito!), como se tudo fosse reduzido a nada à sua passagem.
Com o passar dos anos, aprendi a dominar este pânico e a ter uma certa capacidade de auto-controlo, também fomentada pelo G., que adora ver tempestades de relâmpagos (com a devida distância, é certo!).
Mas na sexta-feira, havia algo que me fazia permanecer num estado que eu chamo de "on edge" (mais uma vez é na língua inglesa que melhor encontro a expressão correcta para o sentimento), num estado de urgência e ao mesmo tempo de recusa perante a passagem do tempo (e também do clima!).
Ao sair de casa, pensei para comigo de que se ficasse em casa, pelo menos estaria segura, numa espécie de forte que resiste a todas as investidas, sejam elas quais forem.
Foi com relutância que deixei o meu filho no infantário, porque ele ficaria longe da minha asa de mãe galinha, na eventualidade de alguma desgraça... Senti o aperto no coração estreitar-se ainda mais, pois estávamos os 3 separados por distâncias nada significativas, mas que numa situação de catástrofe poderiam representar km e km apartados. Isto sou eu a projectar uma série de sentimentos sobre uma carrada de filmes visionados sobre todas as catástrofes naturais possíveis e imaginárias...
Quanto mais o céu se dissolvia num dilúvio crescente, mais o sentimento crescia. Só me vinham à memória aquelas recordações dos dias de trovoada passados na casa rústica do meu avô, no meio do campo, em que a luz era a primeira a ir embora e ficávamos num isolamento pesado, todos juntos, apenas preocupados com os estragos que a horta e o pomar iriam sofrer. Aquele sentimento de estarmos num reduto, na expectativa de que tudo terminasse...
À mistura, recordei a primeira tempestade de trovoada a que assisti quando trabalhei nas obras. Era num estaleiro de obras que ficava isolado num vale afundado entre duas colinas, e eu metida dentro dum contentor metálico. Recordei o quanto receei e supliquei em silêncio para que as ligações eléctricas estivessem feitas correctamente, e que o fio de terra estivesse no seu devido lugar. Sentimento que se agravou exponencialmente quando vimos o pobre Mamadu quase mudar de de cor de pele (negra para branca), ao passar junto a uma amendoeira, um relâmpago faiscou e rasgou uma pernada da árvore que quase o atingia, quando ele se tentava abrigar da chuva intensa.
No entanto, não há palavras que descrevam o sentimento que me assolou quando comecei a ver as notícias de que um tornado tinha entrado terra adentro, deixando um rasto de destruição à sua passagem, não muito longe de minha casa.
Ter a exacta noção de que ele passara a não mais do que 1km para leste de onde resido, do meu lar, do meu refúgio, e perceber que se acaso não fosse assim, o telhado de minha casa teria sido arrancado em questão de segundos, deitou por terra as minhas convicções de que em casa estaríamos seguros! E é avassalador perceber que contra a natureza nada se pode fazer, a impotência é enorme!
Ver os estragos nas casas e nas zonas públicas, famílias que ficaram sem carros, porque são agora um emaranhado metálico sem conserto, que mobílias e janelas voaram num turbilhão enorme, atingindo tudo à sua passagem, fazendo feridos pelo caminho, deixando pessoas à mercê das rajadas furiosas de vento foi um choque!
Aquele misto de sensação de alívio por ter sido sortuda e a tristeza perante os estragos provocados nos demais!
Por fim, compreendi aquela sensação de premonição.
E a urgência acelerou, porque apenas queria poder abraçar os meus e refugiar-me no conforto do meu forte, que permaneceu intacto.
Além disto, ficou a certeza de que em dias de trovoada, nunca mais olharemos para o céu da mesma forma...

7 de agosto de 2012

Presença constante

Primeiro apareceu um.
Apareceu do nada e um dia sem mais nem menos estava ali diante de mim.
Eu fiquei parada, estática a observá-lo. Em silêncio. 
Naquele momento, não sabia muito bem como reagir perante ele. Se devia amaldiçoá-lo, ficar-lhe indiferente ou simplesmente eliminá-lo do meu campo de visão.
Ele estava ali e eu limitei-me a observá-lo, em silêncio.

Outro dia, apercebo-me que já não é apenas ele, aquele, mas outros dois. 
Estes apresentavam-se com um estilo mais arrojado e até empertigaitado. Em posição de desafio, como quem grita: "e agora, o que vais fazer?"
Novamente os observei, desta vez a todos juntos. Mais uma vez, pensei no que deveria fazer sobre eles. Mas optei por ignorá-los.

Semanas se passaram e apercebo-me que não são apenas um ou três, mas um punhado deles. Mas estes eram mais discretos, quase que se escondiam por detrás dos demais, tímidos, tentando disfarçar-se.

E foi nesse momento que tomei uma decisão insólita e contrária a tudo o que tinha pensado fazer quando a situação se apresentasse... 

Aceitei a sua presença naturalmente. Se já que ali estavam, mais valia não me incomodar com a sua presença constante e conviver pacificamente com eles.

Os dias foram passando, até ao momento em que me apercebi que tinha decidido da melhor forma, porque já me habituara à sua presença e até tinha mesmo começado a gostar de os encontrar. 

Aceitei-os como fazendo parte da minha vida.
Aceitei a sua chegada com maior naturalidade do que alguma vez pensara e decidi que não os vou esconder, a eles, aos meus cabelos brancos.

Que todos os dias trazem mais um companheiro. 
A este ritmo, antes dos 40 anos terei aquele ar sexy de mulher madura e grisalha!

24 de julho de 2012

Falipices #20 - ou como eu sabia que este dia chegaria...

Ontem a caminho de casa, Falipe perguntou pela vovó como quase sempre faz, e eu respondi, como quase sempre, que a vovó estava na casa dela.

Nisto ele pergunta-me:

- E o vovô?

Tanto o meu pai como o meu sogro já faleceram... e eu fiquei sem saber muito bem o que responder, aliás como já sucedera numa outra ocasião em que falei no avô Abel e ele me perguntou onde é que o "vô Bél" estava, ao que apenas respondi que "ele não está..."
Ontem dei a mesma resposta: o vovô não está.

Mas ontem, ao contrário do que esperava, ele continuou a fazer perguntas:

- Então está onde, mamã?

Sabia que este dia chegaria e não tinha propriamente nenhum discurso preparado ou pré-feito. 
Um pouco como com tudo, prefiro responder às questões no momento em que me são colocadas e não perco tempo a antecipar cenários, para não sofrer por antecipação...
Curiosamente, tinha lido no passado domingo um post num blog sobre esta temática... como explicar a crianças que há pessoas que morrem (avós e pessoas de família próximas) e desaparecem para sempre das nossas vidas, pelo menos fisicamente (pena que não guardei o link...).

Apenas me ocorreu dizer que "está no céu".

Ele perguntou:

- Lá em cima?

E eu respondi que sim. De certa forma, porque também acredito que os meus pais estarão algures a olhar por mim... 

Ele continuou:

- Está a voar, o vovô?

E eu, já sem saber mais o que dizer:

- Talvez, não sei, filho...

Curiosamente, ele não fez mais perguntas e a conversa ficou por ali.

Quero que ele tenha a noção do que é, não quero que ele seja protegido do conceito de morte como eu fui, porque sei o que me custou lidar com isso quando fui confrontada directamente com a morte da minha mãe, na adolescência.
Não quero esconder-lhe nada sobre isso, não quero paninhos quentes nem cenários cor-de-rosa, mas também não quero assustá-lo e nem ser "bruta"... quero que ele tenha noção de que teve avós como qualquer criança, a diferença é que ele nunca os conhecerá fisicamente como os demais meninos, mas apenas pelas fotografias que eu e o pai temos em casa, em molduras, e pelas histórias que lhe havemos de contar deles.
Agora só tenho que encontrar uma forma de falar aberta e claramente sobre isso com ele, devagar e a seu tempo, sem dourar a pílula e sem pintar cenários negros!

6 de março de 2012

Dois é dose...

Tenho os meus amores ambos doentes...
O G. então parece ter sido atacado de uma forma que nunca vira antes, está de cama desde ontem de manhã... super prostrado.
O Falipe com mais uma amigdalite e uma febre intermitente desde sexta à noite.
No meio disto tudo, só peço para eu não apanhar os bichos todos deles, senão estamos seriamente tramados...

20 de fevereiro de 2012

Mãe "Galinácea"

tirada daqui
Sou eu!! Assumida!
Eu sempre soube, mesmo antes de ser mãe, que ia ser uma daquelas mães-galinha, sempre com a asa meio aberta e em posição da arranque para proteger o meu "pintainho", a qualquer instante que se considerasse necessário...
Ontem tive a prova do grau de "mãe-galinhice" que consigo atingir. 
Já me dera conta, em diversas ocasiões, que existia em mim uns tremeliques, mas ontem senti um quase pânico, a roçar o ridículo e patético. 
Mas eu senti o que senti! E não nego que foi das sensações mais desconfortáveis que experimentei. E ainda receei mais perante o que me espera no futuro, como mãe assim galinhola.
Não imaginam o que este coração ficou apertado ontem quando tive que entregar o Falipe às educadoras, para o sentarem no carro alegórico da escolinha, para entrar no desfile de carnaval... 
Entreguei-lhes tudo o que mais amo e prezo nesta minha existência!!
O meu cérebro de "técnica de segurança e saúde do trabalho" disparou ao lembrar-se que sentar uma criança de 3 anos num atrelado que ia fazer kms em andamento, mesmo que lento, infringe todas as regras de segurança rodoviária!
Ver a minha criança sentada num banco corrido, solta, sem cinto de segurança, aos solavancos, em cima do atrelado fez-me por momentos, renegar tudo o que aprendi de segurança rodoviária. E corroer-me em arrependimento e com auto-chibatadas psicológicas de "o que raio estavas tu a pensar, Naná, quando concordaste com isto???!!!"
O olhar dele confuso e perdido  nos rostos da multidão que tinha vindo assistir ao desfile só serviu para acirrar ainda mais o meu quase-pànico...
Acompanhei o bendito carro nas três voltas ao quarteirão, como se fosse um falcão... 
Apesar de o atrelado estar devidamente protegido com barras laterais enfeitadas com flores de papel que facilmente serviriam de amortecedor, isso não foi suficiente para evitar que eu congeminasse não sei quantos cenários possíveis de acidente, quase todos envolvendo quedas ou cabeçadas...
O facto de ele se ter deixado dormir, na posição de sentado, rendido ao cansaço de quem não dormiu a sesta, ainda me fez panicar mais...
Nesse preciso momento, disse "basta!" interiormente e pedi que mo entregassem, que não fazia sentido ele continuar a participar naquele desfile.
Peguei nele ao colo, o meu coração sossegou e senti a devastação daquela guerra psicológica tomar conta do meu corpo fisicamente...

Se isto foi assim por uma coisa até quase trivial, estou bem lixada, com F maiúsculo, porque depois ainda vêm as bicicletas, as motas, os carros (dele e dos amigos)... as visitas de estudo na escola, as noitadas e o Diabo a 7... o que é que eu faço à minha vidinha!??

Como diria o outro... Jamé!


Idas a desfiles de Carnaval da escola do miúdo...
Foi um stress pegado de início ao fim, apanhei pelo menos uma seca de uma hora a correr atrás do meu filho num parque infantil onde era o ponto de encontro.
Ter que gramar com pessoas (de família) de quem eu não gosto nem um centímetro a espremerem o meu filho com beijos e mais beijos (só me apetecia desinfectá-lo sinceramente...) 
E depois perceber que o miúdo se divertiu tanto mas tanto, que mesmo com a música em volume discoteca e apitos, se deixou dormir sentado em cima do carro alegórico da escola!