Mostrar mensagens com a etiqueta a perdição dos livros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta a perdição dos livros. Mostrar todas as mensagens

10 de julho de 2015

Labirintos

"As coisas no exterior são projecções do que tens dentro de ti, e o que tens dentro de ti é uma projecção do que te rodeia. Por isso, quando entras no labirinto exterior que te cerca, estás ao mesmo tempo a penetrar no teu labirinto interior."

In Kafka à beira-mar, by Haruki Murakami

21 de agosto de 2013

"Debaixo de algum céu"


tirado da net

Gostei bastante desta história do Nuno Camarneiro. 
Sem ser um livro excepcional, tem todo o mérito, pois há certos momentos da história que me conseguiram perturbar verdadeiramente e fizeram acelerar o meu coração ou enchê-lo de compreensão, tristeza, alegria, sorrisos. Só por isso valeu bem a pena!

"O medo nasce em qualquer lugar, como erva daninha por dentro. O medo suporta tudo e cresce no escuro até ser adulto, até ser do tamanho de um homem, e de lhe tomar o corpo e pensar por ele."

"O problema é desenhar a vida em forma de montanha, dar um cume à vida e querer atingi-lo como se o seu sentido dependesse desse acto. O sentido da vida, a existir, há-de ser como o sentido de uma montanha, e não muda por lhe chegarmos ao topo ou nos perdermos pelas encostas. Penso assim porque fiquei a meio, pior ainda, porque fiquei a escassos metros do topo. Mas o problema de atingir um objectivo é decidir o que fazer depois de o atingir, e em nada é diferente a minha situação por não o ter atingido."

31 de julho de 2013

Dos "clássicos da literatura"

Eu já devia ter aprendido esta lição... de que nem sempre os livros que são apregoados como "clássicos da literatura" e que têm lugar de destaque nas muitas listas que enumeram os livros que são "incontornáveis" a qualquer leitor mais culto... merecem o tempo que se despende a lê-los!

Digamos que já tinha desconfiado disso quando li os dois tomos do execrável "Crime e Castigo" de Fiódor Dostoévski. Posso mesmo dizer que foi um verdadeiro castigo ter lido o livro e um crime o tempo que perdi nesse processo... 

Depois, com a Madame Bovary de Gustave Flaubert, a desconfiança foi-se cimentando... ajudada em muito pelo "As verdes colinas de África" de Ernest Heminghway, que para quem aprecia caçadas deve ser bastante interessante, mesmo com descrições ao ínfimo pormenor do arbusto, que ocupam mais de uma página...

O Bel-Ami de Guy de Maupassant serviu para a confirmação. Mas ainda assim deixou-me uma sensação de "come-ci, come-ça"...

Mas nada me faria prever o frete que fiz para ler o "Retrato do artista quando jovem" de James Joyce... terminei-o muito por teimosia minha e também porque detesto falar sem conhecimento de causa. 

Por isso, acho que me vou manter assim afastada dos ditos "clássicos da literatura" por uns longos e bons anos... já que existem por aí imensos livros interessantes, contemporâneos e mais ao meu gosto, e onde eu possa dar o meu tempo por bem empregue, numa experiência satisfatória.

11 de março de 2013

A Vida de Pi


Terminei a leitura deste livro há já umas semanas.
O que posso dizer é que não me encantou particularmente.
Está muito bem escrito, a história está bem construída, mas para ser absolutamente sincera, não me cativou. 

Desculpem ser desmancha-prazeres e até um tanto redutora na análise, mas para mim este livro é  apenas um relato de um naufrágio e da vida do náufrago enquanto não consegue ser salvo, com os temas que a isso estão associados.
O mesmo desencanto já me havia sucedido quando li o "Relato de um náufrago" do Gabriel Garcia Marquéz.
Faço no entanto a ressalva a algumas passagens que estão mesmo muito bem escritas e que inclusivamente já transcrevi aqui no blog.

De qualquer forma, este é um daqueles livros que não me ficará seguramente na memória. No caso desta história, estou crente de que o filme será certamente mais fantástico do que o livro.

7 de fevereiro de 2013

O medo #1

"Tenho de dizer uma palavra acerca do medo. É o único verdadeiro adversário da vida. Só o medo pode derrotar a vida. É um adversário esperto e ardiloso, que eu bem o sei. Não tem decência, não respeita lei nem convenção, não mostra piedade. Vai ao nosso ponto mais fraco, que encontra com uma facilidade certeira. Começa sempre na nossa mente. Num momento, estamos a sentir-nos calmos, seguros, felizes. E, depois, o medo, disfarçado com as vestes da dúvida afectada, introduz-se na nossa mente como um espião. A dúvida encontra a descrença e a descrença procura empurrá-la. Mas a descrença é um soldado de infantaria mal armado. A dúvida vence-a sem grande dificuldade. Tornamo-nos ansiosos. A razão vem travar a batalha por nós. Somos tranquilizados. A razão está bem equipada com a última tecnologia das armas. Mas, para nosso espanto, a despeito da táctica superior e de um inegável número de vitórias, a razão é vencida. Sentimo-nos enfraquecidos, vacilantes. A nossa ansiedade torna-se pavor.
Depois o medo trabalha todo o nosso corpo, que já está ciente de que qualquer coisa terrivelmente errada se está a passar. Já os nossos pulmões saíram voando como pássaros e os intestinos deslizaram como uma cobra. Agora a nossa língua pende morta como um gambá, enquanto o maxilar começa a galopar no mesmo sítio. Os ouvidos estão surdos. Os músculos começam a tremer, como se tivessem malária, e os joelhos abanam, como se estivessem a dançar. O coração retesa-se com demasiada força, enquanto o esfíncter se relaxa demasiado. E assim acontece ao resto do corpo. Todas as partes do corpo, da maneira mais própria de cada uma delas, se desintegram. Só os olhos funcionam bem. Eles dão sempre a devida atenção ao medo.
Tomamos rapidamente decisões irreflectidas. Dispensamos os últimos aliados: a esperança e a confiança. Aí, derrotamo-nos a nós mesmos. O medo, que é apenas uma impressão, triunfou sobre nós.
O assunto é difícil de colocar em palavras. Porque o medo, o medo real, aquele que nos sacode até aos fundamentos, como o que sentimos quando levados a enfrentar o nosso fim mortal, aninha-se-nos na memória como uma gangrena: procura apodrecer tudo, mesmo as palavras com que se fala dele. Por isso, temos de lutar duramente para exprimi-lo,. Devemos lutar duramente para fazer brilhar a luz das palavras sobre ele. Porque se o não fizermos, se o nosso medo se torna uma escuridão inexprimível que evitamos, que talvez até consigamos esquecer, abrimo-nos a posteriores ataques de medo porque nunca lutámos verdadeiramente contra o opositor que nos derrotou."

In "A vida de Pi" de Yann Martel

6 de fevereiro de 2013

Todas as palavras de amor



Há muito que não lia um livro em dois "tragos"... Há muito que não encontrava uma história que me prendesse a atenção de uma forma assim ansiosa e inquieta, numa urgência de chegar ao fim.
Há muito que não sentia os personagens crescerem diante dos meus olhos, ao ritmo das palavras, até quase se tornarem meus "amigos".

No passado domingo, sei que comecei a ler da página 45 em diante e só parei para jantar. Não fui capaz de pôr o novo romance da Ana Casaca de lado, sem que tivesse chegado à derradeira página!

Fui incapaz de adormecer sem conhecer o final desta historia tão bonita e na qual me revi tanto. Há passagens que li em que senti que a Ana Cê tinha posto em palavras, sentimentos e pensamentos meus!
Por isso, foram mais que muitas as vezes que, levada pela emoção, senti as lágrimas brotaram dos meus olhos de uma forma serena.

Este romance da Ana Casaca entrou directamente para o meu Top 10 de livros que guardarei na memória para sempre!

"A Sofia foi aceitando estes golpes, achando sempre que seriam passageiros e eu assisti às suas tentativas de recuperar aquele sentimento do início das coisas. Até que acabou por desistir também e entregou-se nos braços do conformismo."

"Quando amamos alguém, temos de sair da nossa zona de conforto, temos de desprender as amarras que nos mantinham estáveis e segurarmos apenas a mão daquele que amamos, de olhos fechados e peito rasgado."

4 de janeiro de 2013

A Vontade de Regresso


A Ana C. foi a primeira blogger que comecei a seguir.
Sei que o texto que me deixou rendida foi um sobre a maternidade e a culpa. 
Lembro-me que foi em 2009, quando eu estava a dar os primeiros passos como mãe e já sentia a culpa a galopar sobre mim...

Nunca mais deixei de seguir a Ana C., porque ela escreve de uma forma que não sei propriamente descrever... mas às vezes acho que ela deve ter andado a escarafunchar no recôndito da minha mente... 

O último livro que li em 2012 foi o da Ana C.!

Mais uma vez, fiquei rendida à escrita a que ela me habituou.

"A vida que ficara do seu corpo continuava, lado a lado com a minha própria vida de todos os dias.
Como descobrira com todas as mortes que se haviam cruzado no meu caminho, era forçoso absorvê-las da melhor forma possível, conseguir conviver com elas dentro de mim, sem tentar negá-las, pois cada uma delas simbolizava uma pequena morte interior que era necessário ressuscitar crescendo e eu já me habituara a crescer."

1 de janeiro de 2013

Caminhemos

Caminharemos de Olhos DeslumbradosCaminharemos de olhos deslumbrados 
E braços estendidos 
E nos lábios incertos levaremos 
O gosto a sol e a sangue dos sentidos. 

Onde estivermos, há-de estar o vento 
Cortado de perfumes e gemidos. 
Onde vivermos, há-de ser o templo 
Dos nossos jovens dentes devorando 
Os frutos proibidos. 

No ritual do verão descobriremos 
O segredo dos deuses interditos 
E marcados na testa exaltaremos 
Estátuas de heróis castrados e malditos. 

Ó deus do sangue! deus de misericórdia! 
Ó deus das virgens loucas 
Dos amantes com cio, 
Impõe-nos sobre o ventre as tuas mãos de rosas, 
Unge os nossos cabelos com o teu desvario! 

Desce-nos sobre o corpo como um falus irado, 
Fustiga-nos os membros como um látego doido, 
Numa chuva de fogo torna-nos sagrados, 
Imola-nos os sexos a um arcanjo loiro. 

Persegue-nos, estonteia-nos, degola-nos, castiga-nos, 
Arranca-nos os olhos, violenta-nos as bocas, 
Atapeta de flores a estrada que seguimos 
E carrega de aromas a brisa que nos toca. 

Nus e ensanguentados dançaremos a glória 
Dos nossos esponsais eternos com o estio 
E coroados de apupos teremos a vitória 
De nos rirmos do mundo num leito vazio. 



Ary dos Santos, in 'Liturgia do Sangue'

19 de dezembro de 2012

A culpa é das estrelas

tirado da net

Eu ainda não tinha lido nenhum livro/romance que abordasse a temática do cancro...

Por uma questão de auto-protecção, por ser "muito próximo de casa", por ser uma realidade que vivi em primeira mão como espectadora impotente, receei sempre que fosse ficar aquém das minhas "expectativas"... não sei bem explicar porque sempre evitei ler livros em que o assunto "cancro" fosse abordado. Uma atitude um tanto petulante e redutora da minha parte, eu sei...

Quando a Ana C., que dá sempre boas dicas de leitura, o sugeriu, nem pensei por um momento, ainda para mais com este título, que a história envolvesse personagens com cancro.

Não dá para descrever o que senti ao ler este livro, apenas que está escrito de uma forma sublime!
Encerra toda a dignidade que se impõe quando se escrevem histórias de personagens com cancro! Realista sem ser exagerado ou trágico ou lamechas, a história está construída lindamente!

"Provavelmente, eu nunca mais iria ver o oceano a mais de nove mil metros de altitude, tão alto que não se conseguem distinguir as ondas nem os barcos, de modo que o oceano é um monólito enorme e interminável. Podia imaginá-lo. Podia recordá-lo. Mas não podia tornar a vê-lo, e ocorreu-me que a voraz ambição dos humanos nunca é saciada pela concretização dos sonhos, porque existe sempre a ideia de que tudo pode ser feito de novo e melhor."


"Somos como uma matilha de cães a esguichar sobre bocas de incêndio. Envenenamos a água do solo com o nosso mijo tóxico, marcando tudo como MEU numa tentativa ridícula de sobreviver às nossas mortes. Eu não consigo parar de mijar em bocas de incêndio. Sei que é tonto e escusado – epicamente escusado, no meu estado actual-, mas sou um animal como qualquer outro."


"Grande parte da minha vida tinha sido dedicada a tentar não chorar à frente das pessoas que me amavam, portanto sabia o que o Augustus estava a fazer. Cerramos os dentes. Olhamos para cima. Dizemos a nós próprios que, se nos virem a chorar, vão ficar magoados, e nós não seremos mais do que Uma Tristeza na vida deles, e não podemos tornar-nos uma mera tristeza, por isso não iremos chorar, e dizemos tudo isto a nós mesmos, enquanto olhamos paea o teto, e depois engolimos em seco, apesar da nossa garganta não se querer fechar, e olhamos para a pessoa que nos ama e sorrimos."

22 de outubro de 2012

Morte em pequenas doses

Morre lentamente

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.

Pablo Neruda

Lê, relê e repete até à exaustão, para nunca esquecer aquilo que sempre consideraste importante, Naná!!!

3 de outubro de 2012

Socializar por aí...

- Porque não estás nas aulas? Vejo-a todos os dias a passear.
- Oh! Não faço lá falta. Sou anti-social, parece. Não me misturo com os outros. É estranho. Porém, para mim, acho que sou muito social. Tudo depende do sentido que se dá à palavra, não acha? Ser social, para mim, é falar-lhe como lhe estou a falar, por exemplo, ou falar do estranho mundo em que vivemos. É agradável encontrarmo-nos com outras pessoas. Não vejo o que há de social em pôr uma quantidade de pessoas juntas para as impedir de falar. Não é da mesma opinião? Uma hora de aula televisada, uma hora de basquetebol, de basebol ou de corridas a pé, uma outra hora de transcrição de história ou de pintura e mais uma vez desportos mas, sabe, nunca ninguém faz perguntas ou, pelo menos, a maior parte de nós não as fazem; contentam-se em meter as respostas na cabeça, bing, bing, bing, e ficam sentados quatro horas seguidas perante filmes educativos. Isso nada tem de social, para mim. Faz-me lembrar um barril onde se deite por um lado água que torne a sair pelo outro e que depois nos digam que é vinho. Eles embrutecem-nos de tal forma que, ao fim do dia, apenas nos sentimos capazes de ir para a cama...”
    In Fahrenheit 451 de Ray Bradbury

20 de setembro de 2012

Oficialmente Záfonizada!


Dizer que devorei este livro como se não houvesse amanhã deve corresponder mais ou menos à verdade.

Este livro aparecia bem referenciado em tudo quanto era lado, mas quando há pessoas como a Melissinha que dizem que é uma leitura obrigatória, é porque há fogo neste fumo!

Fiquei presa a uma história mesmo muito bem escrita, com personagens ricas e bem caricatas, num enredo muito bem construído com reviravoltas surpreendentes e totalmente inesperadas. Há anos a anos que não me sentia assim fascinada por um livro como sucedeu com este.
Mesmo a duas ou três páginas do fim não era capaz de perceber como aquilo iria acabar... e isso deixou-me em suspense, fez-me ler 50 ou 60 páginas de uma assentada com uma sofreguidão enorme, ansiando chegar ao fim, mas sempre com aquela percepção de que depois de chegar ao fim não iria querer mais que a história lá chegasse...
Este é um livro que vou guardar como um verdadeiro tesouro entre os muitos, mas mesmo muitos que tenho em casa!

9 de julho de 2012

Os Malaquias

tirada da net
"O coração do casal fazia a sístole, momento em que a aorta se fecha. Com a via contraída, a descarga não pôde atravessá-los e aterrar-se. Na passagem do raio, pai e mãe inspiraram, o músculo cardíaco recebeu o abalo sem escoamento. O clarão aqueceu o sangue em níveis solares e pôs-se a queimar toda a árvore circulatória. Um incêndio interno que fez o coração, cavalo que corre por si, terminar a corrida em Donana e Adolfo.
Nas crianças, os três, o coração fazia a diástole, a via expressa estava aberta. O vaso dilatado não perturbou o curso da electricidade e o raio seguiu pelo funil da aorta. Sem afectar o órgão, os três tiveram queimaduras ínfimas, imperceptíveis."

In Os Malaquias, de Andréa del Fuego (Prémio Literário José Saramago 2011)

O nome do livro chamou-me a atenção na barra lateral de sugestões do site da Bertrand.
A capa a fazer-me lembrar das casinhas de taipa empertigadas no cimo de um monte, como eu via quando era mais pequena na terra dos meus pais.
Assim que li a sinopse, a curiosidade tomou conta de mim e não descansei enquanto não o fui buscar.
Comprei-o antes de ir de férias e foi a minha companhia durante esta semana de descanso.
Não poderia ter escolhido melhor leitura para me acompanhar!
Uma história muito bem contada!
Daquelas que nos fazem querer ler depressa para chegarmos ao ponto final derradeiro e que depois nos deixam tristes quando descobrimos o desenlace do enredo.

Demência

tirada da net

Ainda me lembro de quem me recomendou o primeiro livro deste grande escritor, um estroina que nunca pensei que fosse amante da leitura, numa tarde de praia na Arrifana. 
Este estroina, o Ventura, deu-me dicas e conselhos sobre livros que ele entendia que qualquer pessoa deveria ler obrigatoriamente e os Cem Anos de Solidão encabeçavam a sua lista.
E eu procurei o livro e conheci um dos maiores génios da escrita que alguma vez li!
Se me apaixonei pela sua escrita com os Cem Anos de Solidão, mantive a "chama da paixão acesa" com o Amor nos Tempos de Cólera.
Mas o livro que mais me marcou foi a Crónica duma Morte Anunciada, que li em apenas uma hora e meia, numa tarde em que deveria estar a estudar para a cadeira de Introdução à Diplomacia, já que teria exame dois dias depois...
No Viver para Contá-la pude perceber de onde lhe surgiu a inspiração para todos os outros livros que já tinha escrito e que eu lera com toda a avidez.

Foi ele, o GGM, o Gabo que me abriu todo um mundo de fantasia inolvidável. Orgulho-me de ter na minha colecção pessoal de livros todos os livros dele, excepto um... O Outono do Patriarca, nem sei bem porquê.
Se ele está demente ou não, não importa!
Se está, fico triste porque acho que é um fim muito triste para um génio literário como este, e seria uma ironia enorme, já que ele por diversas vezes presenteou algumas das suas personagens com esta doença.

Mas mesmo que não esteja demente, Gabo não mais escreve... 
E agora, onde vou encontrar quem em encha as medidas da mesma maneira, no que à leitura diz respeito?!

11 de junho de 2012

As Amantes do Verão - 11) As tardes de verão...

Aquelas boas, mas mesmo muito boas, boas como boas, são as passadas na esplanada a ler um bom livro e uma bebida fresquinha!

Mas também pode ser um café e um gelado!

Naná@www.arrifanasea.blogspot.com

As tardes de passeio por este Portugal fora são igualmente boas. Não sou esquisita... campos, rios, castelos e muralhas, museus, praias e falésias. Eu gosto é de ir, porque é o melhor remédio (para a alma)... como dizem por aí!


16 de maio de 2012

O teu rosto será o último

tirada da net

Vá-se lá saber porquê, nunca fui muito dada a ler livros de autores portugueses, em particular os de autores mais contemporâneos. 
De alguma forma, parece que os títulos(*) dos livros não me despertam a atenção como os de autores estrangeiros. 
É estúpido, eu sei... porque já li livros de quase todos os grandes autores portugueses (clássicos) e sei bem que somos um povo de poetas e escritores geniais!

Mas nas raras vezes em que pego num livro de um autor nacional com algum entusiasmo e sem aquela vozinha chata e impertinente do subconsciente, a dizer que possivelmente vou ter uma desilusão (Pedro Paixão, com Porto Kyoto) e que o dinheiro que gastei no livro deste ou daquele novo escritor da nossa praça, sucede que acabo por ter surpresas bem boas e descubro talento a rodos. 
E eu gosto tanto de descobrir talentos da escrita!! Parece quase que descobri um tesouro!
Foi o que me sucedeu quando decidi comprar o livro "O teu rosto será o último" do João Ricardo Pedro. Ao ler a sinopse, que dizia que a história começava no dia 25 de Abril de 1974 e tendo passado poucos dias sobre a sua comemoração, e estando eu ainda imbuída do espírito da liberdade e da democracia, não demorei muito a decidir que ia levar esta história para ler!
Não só não me desiludiu, como senti que descobri um tesouro de escrita criativa. Deliciei-me a ler esta história, dei por mim a rir à gargalhada em alguns capítulos e noutros senti um nó na garganta de tristeza contida.
É uma história bem como eu gosto: corrida e rápida de ler e cheia de pormenores que se interligam de formas insuspeitas e inesperadas! Daquelas a que não descanso enquanto não chego ao final...


O João Ricardo Pedro recebeu por este livro o prémio Leya 2011 e julgo que foi mais que merecido! Além disso, gostei da humildade que demonstrou no dia em que recebeu o "galardão" e principalmente o facto de ter sabido agradecer a quem lhe possibilitou pôr este rasgo de escrita no papel, a esposa!
É caso para dizer que o melhor que lhe podia ter acontecido, ao autor, foi ter sido atirado para o desemprego...

Atenção, nada de começarem a pensar que eu concordo com o PM quando diz que o desemprego deve ser visto como uma oportunidade de mudar de vida... 
Porque como diz o próprio João Ricardo Pedro: "...existem neste momento tantos desempregados em Portugal que a probabilidade de um deles ganhar o prémio Leya era bastante elevada..."

(*) - para explicar num outro dia

5 de abril de 2012

"Pequena Abelha", Chris Cleave

Roubei horas preciosas ao meu sono para conseguir chegar ao desfecho desta história que me prendeu desde o início. 

Valeu bem a pena!

"Ainda a tremer, no banco da igreja, compreendi que não é pelos mortos que choramos. Nós choramos por nós mesmos, e eu não merecia a minha própria compaixão."

"Era assim que nós vivíamos, felizes e sem esperança. Eu era muito miúda então, e não sentia falta de ter um futuro porque não sabia que tinha direito a um. Do resto do mundo, tudo o que nós conhecíamos eram os vossos filmes velhos. Sobre homens que andavam sempre numa grande pressa, às vezes em jactos e outras vezes em motas e outras vezes de pernas para o ar."

"Vocês, Africanos, vêm para cá, porque simplesmente não são capazes de ter governos em condições nos vossos países. Eu costumava dizer-lhes que, perto da minha aldeia, havia um rio muito largo e fundo e que, nas margens desse rio, havia grutas escuras onde os peixes são pálidos e cegos. Não havia luz nas grutas, de modo que, ao fim de um milhar de gerações, os peixes tinham ficado cegos. Estão a perceber onde eu quero chegar?, perguntava eu aos funcionários. Sem luz, como é que uma pessoa pode manter a visão? Sem um futuro, como é que nós podemos preservar a visão que nos permite governar?"

"Mas, quando vem o crepúsculo, não sei se estão a ver, o nosso mundo desaparece. O nosso mundo não consegue ver para lá do dia que acaba, porque vocês ficaram com o amanhã. E como vocês têm o amanhã diante dos olhos, não conseguem ver aquilo que está a ser feito hoje."

"Do meu país vocês levaram o futuro, e para o meu país enviaram objectos do vosso passado. Nós não temos a semente, temos a casca. Nós não temos o espírito, temos a caveira. Sim, a caveira. Seria isso que me ocorreria se por acaso tivesse de dar um nome mais adequado ao meu mundo."

1 de março de 2012

Dia 1 - Livro

Bem, começa-se bem! Ou mal... é que podia discorrer sobre este tema horas infindáveis!...
Não posso dizer que há um livro que é "aquele", o supra sumo do meu agrado!
Sou fã incondicional do Gabriel Garcia Marquez e de todos elejo o "Cem anos de solidão" e a "Crónica duma morte anunciada" como os preferidos de todos os que li (e já li praticamente todos, mesmo!).
Posso dizer que sou fã incondicional do Luís Sepulveda, mas há já dois livros editados que estou em falta, sem os pegar e percorrer de fio a pavio...
Posso afirmar que sou fã da Joanne Harris, mas que já gostei mais das suas histórias...
Posso dizer que já li de tudo um pouco, em termos de tipo de livro (romances, novelas, auto-ajuda, técnicos, etc.), mas prefiro claramente o romance!
Posso dizer que guardo todos os meus livros religiosamente, com um carinho enorme e tenho uma certa dificuldade em desligar-me deles. Posso não lhes tocar durante muito tempo, mas saber que eles estão ali, à minha espera, para lhes pegar em qualquer instante, conforta-me a alma!
Posso dizer que as minhas últimas grandes aquisições, além dos romances, são livros de crafts, costura, tricot, crochet e afins e que é delicioso desfolhá-los e aprender coisas novas!
Mas há um livro que me marcou, bastante mesmo! Foi-me aconselhado pelo meu professor de português e depois pelo de filosofia, no meu 12.º ano. Li-o e fiquei absolutamente rendida!


E há outro que li quando estava grávida e que pertence ao imaginário de todos nós e que é para mim incontornável!

4 de janeiro de 2012

O Regresso - Victoria Hislop

tirada da net
 Demorei mais tempo do que pretendia a ler este livro de 460 páginas. Terminei-o no primeiro dia deste ano.
Gostei imenso da história no geral, mas confesso que tive momentos de esmorecimento, em que parecia que a história esfriava e me fazia perder o interesse. Depois alternava com outros capítulos em que só me apetecia devorar as palavras, página após página.
Gostei do livro principalmente pelo relato daquilo que deve ter sido uma ínfima parte da história da Guerra Civil Espanhola e da implantação do regime franquista.
Foi de ficar absolutamente arrepiada pela forma realista como narrou os abusos e barbaridades cometidas em nome de um ideal político. 
Confesso que em dado momento, especialmente por épocas natalícias me ajudou a conter-me mais, porque ler sobre pessoas que tinham perdido familiares, filhos pequenos, as casas e todas as suas posses numa guerra que nunca pediram, fez-me perceber que tudo na vida é efémero, especialmente aquilo que hoje damos por adquirido, como uma mesa farta, o conforto de um lar, meios de deslocação e comunicação rápida própria de tempos de paz. 
E a liberdade, principalmente a liberdade individual!!
Dei comigo a pensar: nestes dias de turbilhão económico-social, se alguém se lembrasse de querer impor um ideário politico pela repressão, talvez passássemos pelo mesmo...
Pelo realismo e pelo facto de saber que aquilo ocorreu, por muito ficcionada que tivesse sido a história, tive momentos em que não consegui pegar-lhe para ler...
Talvez por isso, agora tenha optado por uma história mais leve e alegre!