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14 de outubro de 2013

O grande 35

No ido ano de 1978, pelas 22h10 nascia no Hospital Distrital da cidade uma menina, 5 minutos depois de um rapaz e 10 minutos antes de dois outros rapazes.

Ela era esguia e levezinha. Dormiu a santa noite embalada pelo choro incessante dos outros três meninos...

Ela foi a maior alegria da vida da sua mãe e o pai não cabia em si de contente!

Não herdou o nome de sua avó Alzira, mas recebeu um nome invulgar, dizem que de origem aristocrática, já que os trovadores lhes (às damas) dedicavam trovas e canções de amor!

Cresceu rebelde, travessurenta e meiga. Viveu o bom da cidade e conheceu o melhor da vida no campo! Soube o que era viver numa casa onde as paredes eram de taipa caiadas, chão de terra que tinha que ser "ogado" e não havia electricidade ou água canalizada.

Sempre com os seus óculos por companhia... desde os 3 anos de idade. Até aos 16, quando passou por dois anos de revolta... e recusa em usar óculos!

Fascinada pelo seu avô materno, respingava com a avó paterna, que lhe estava sempre a ralhar, e a quem ela levantava a mão em sinal de intenção de dar uma palmada...

Foi uma adolescente tímida, bem comportada, segunda melhor aluna da turma, que lhe valeu a alcunha de marrona com elevada aptidão para a língua estrangeira e para a disciplina de História, mas vocação quase nula para a educação física, com excepção do serviço no voleibol e o guardar das redes no andebol. Correr e saltar em altura ou comprimento não eram com ela e fazia quase invariavelmente má figura...

Dos 13 aos 16 anos viveu juntamente com o seu pai o inferno drama pelo qual a sua mãe passou, por sofrer de cancro de mama, quimioterapia, mastectomia total e radioterapia com tudo o que isso implicou... 

No último dia de escola do seu 11.º ano viu a sua mãe partir finalmente, após 4 meses a definhar agonizantemente, apesar das doses cavalares de morfina e comprimidos para dormir.
Viu o pai enclausurar-se em sofrimento por ter perdido a sua grande e eterna companheira e decidiu naquele momento que iria procurar consolo na praia da Arrifana e afastar a tristeza da falta da sua mãe, ocupando-se a trabalhar a servir à mesa no restaurante propriedade da sua prima. 

Preparou-se para concretizar o sonho que a sua mãe tinha para si, e um mês antes de completar os 18 anos, começou as aulas na universidade, a 500 km de casa. Deixou-se da timidez e decidiu abraçar o seu lado de algarvia marafada, extrovertida, bem disposta e de gargalhada fácil e sonora!

Completou a licenciatura com notas medianas, a contrastar com os habituais 17/18 na pauta dos tempos do secundário. Mas nesses quatro anos e meio em que foi estudante do ensino superior sentiu que cresceu dez ou cem tamanhos em horizontes, no abandonar de preconceitos e na aceitação dos outros e na tolerância perante opiniões diferentes das suas! Faz amigos para o resto da vida!

Pouco depois dos 22 anos defendeu a tese de licenciatura sobre o conflito israelo-árabe com nota final de 15, da qual muito se orgulha.

Chega a ingressar em mestrado na mesma área de licenciatura, o que a traz à capital. Após cinco meses de agonizante lavagem ao cérebro durante as aulas, praticada por docentes claramente de ideologia de extrema centro direita, regressa à terra natal para ter um qualquer emprego que lhe dê sustento, porque trabalhar na sua área académica só de borla e por se sentir como cordeiro para a matança todos os dias que entrava num qualquer transporte público.

Após dois anos de trabalhos precários, e farta de se sentir imprestável, frustrada e um parasita da sociedade, decide que é melhor pegar no "canudo" e metê-lo na gaveta e ir fazer formação profissional que lhe permita a empregabilidade e que faça com que ouça constantemente nas entrevistas de emprego que tem habilitações literárias a mais, mas que lhe falta experiência profissional.

Após uma especialização em SHST, vai trabalhar para as "obras" e aprende (novamente!) que os mais educados não são os que têm maior grau académico. Convive profissionalmente com pessoas dos mais diversos quadrantes e mais diversas nacionalidades e sente-se realizada profissionalmente, apesar de sentir na pele um latente desprezo de engenheiros por "doutores"... logo ela, que nunca mediu as pessoas pelo título académico que precede o nome de cada um! Ganha estaleca, e conquista algum respeito entre os seus colegas de trabalho que por vezes se esquecem que ela é mulher, coisa que ela até agradece! Obstinada e teimosa, por gostar de levar a sua avante e não se calar quando tem algo engasgatado, ganha a alcunha de "furacão".

Aos 22 anos conhece aquele que escolheu para seu companheiro e aos 27 anos amantizam-se, segundo palavras de seu pai.

Após um jantar de Consoada e abertura da prendas, é mãe aos 30 anos, no dia 25 de Dezembro, dum menino doce e lindo. Abranda no mau feitio, porque a maternidade lhe trouxe nova perspectiva sobre a vida, fazendo-lhe ver que afinal a realização profissional não é de todo o mais importante, mas sim um meio para atingir um fim: pagar contas!

Por essa altura decide começar um blog, que lhe permite conhecer pessoas fantásticas e com quem sente que se enriqueceu pessoal e culturalmente!

Pouco depois dos 31 vive o drama de ter o seu pai internado na capital com um tumor cerebral, ficando em coma durante quase dois meses, na sequência da cirurgia para o remover. 

Antes do seu filho completar um ano, fica irremediavelmente orfã de pais e quase sem vestígios dos seus antepassados. Mas é herdeira de património...

Aos 32 muda de emprego e larga as "obras" que já lhe tinham trazido tanto desgaste, cabelo branco e aversão a condições climatéricas extremas.

Por essa altura, ganha interesse por artes e lavores e descobre que ainda sabe fazer crochet e costurar à máquina. Nessa altura aprende finalmente a tricotar. Por conta disso, abre um outro blog, orientado para as artes manuais e conhece mais pessoas fantásticas e aprende imenso.

Vive uma vida rotineira, paga contas, paga impostos de monta, sente a crise na pele como qualquer português.

Completa 35 anos neste dia, na companhia do seu companheiro e do seu filho, que são a sua família amada!

tirado de www.weheartit.com

11 de outubro de 2013

Dizem por aí que a malta se divide pelo local onde escolhe sentar para comer... (post altamente inspirado na Gralha)

Pois eu cá discordo! Eu não disse que era do contra?!
Não vejo onde esteja a divisão... 
Até pode muito bem ser que se deva ao facto de me sentir um híbrido nesta matéria.
Senão vejamos:

Na casa dos meus pais, era na cozinha que todas as refeições era feitas. Sem excepção! As únicas alturas em que se almoçava ou jantava na sala, era porque eram dias especiais e recebíamos a visita de familiares ou amigos. Então na casa dos meus avós, a sala (mais conhecida como "a casa de fora") só servia de salão de refeições também em ocasiões especiais (leia-se no verão quando todos vinham de férias, fazer visita!) e por alturas das matanças de porco, em que a mesa da sala era um buffet rústico de fazer inveja a muita casa fidalga!

Eu cresci a tomar refeições na cozinha, sítio amplo por sinal. Dava particular jeito poder depositar o prato da sopa acabada de engolir directamente no lava-louças, ficando de imediato a mesa desimpedida de pratame sujo. Meter a mão no frigorífico para tirar qualquer item que caíra no esquecimento era fácil e podia fazer-se sem levantar o real traseiro da cadeira!

Quando procurei casa para mim, inconscientemente risquei da lista de possibilidades todos os apartamentos que vi cuja cozinha fosse um verdadeiro corredor ou mais parecido com um espaço de arrumos. Porque mesmo que eu só tenha adquirido a mesa da cozinha quase decorridos 4 anos de vida em comum, não se metia na minha moleira que na minha cozinha não houvesse espaço para me sentar a comer.

O facto é que nesses 4 anos de vida de casal,  tomar todas as refeições na mesa de jantar da sala tornou-se regra. Com a televisão ligada... situação que nos encontramos actualmente a corrigir condignamente! 

Assim que tive mesa na cozinha, os meus pequenos almoços de fim de semana passaram a ser feitos ali. Coincidência ou não, saboreio melhor o croissant e o café sentada à mesa de cozinha do que na sala... até o meu filho parece preferir este espaço para comer nas manhãs de sábado e domingo.

Por estes dias, depois da experiência de férias, a jantar na mesa da cozinha da casa de campo, o marido habituado a comer na sala entendeu que era boa ideia passarmos a fazer as refeições ora na sala ora na cozinha, conforme o feeling do momento, mas finalmente confessou que se sente mais "aconchegado" na cozinha!

Por estas e por outras é que eu digo que sou um híbrido...

24 de agosto de 2012

Duras lições

Ao longo da vida, uma das coisas que maior dificuldade tenho sentido é em lidar com as pessoas em quem deposito confiança e afeição.
Tenho ido aprendendo a relativizar e a mentalizar-me que só faz falta quem cá está e aparece, e a não me aborrecer com as pessoas que em determinado momento da nossa vida, nos presenteiam com uma enorme desilusão ou mesmo várias, deixando progressivamente de fazer parte da nossa vida.
 
Que elas queiram reduzir o contacto por sua vontade, num acto calculado e voluntário, ou porque a vida tem vicissitudes e circunstâncias que a isso as levaram, sem que o tenham desejado conscientemente, até compreendo e aprendi a aceitar com relativa calma. Confesso que em outros tempos isto provocava em mim turbilhões emocionais que me deixavam desgastada psicologicamente durante dias e semanas...
 
O que ainda me custa a engolir são aquelas pessoas que só se lembram de nós tal como nós nos lembramos de Santa Bárbara quando faz trovões! Que só nos contactam quando lhes dá jeito. E não falo de tempo ou disponibilidade... falo de interesse puro, mesmo que encapotado!
 
Falo dos contactos que se fazem apenas para manter uma aparência, mas em troca e em simultâneo sacar um favorzinho-qualquer-sem-importância-nenhuma, uma informação, uma dica, um pedido a terceiros, etc. Mas que quando os convidamos para um café, um passeio, uma converseta só-porque-sim, nunca estão disponíveis. Estão sempre ocupados e comprometidos com tantos outros, dando a entender que são muito mais interessantes e importantes que nós...

Em relação a estas pessoas tenho sérias dificuldades em aceitar e engolir, e dada a minha veia "alziriana marreirense" de mau feitio, só me apetece encaminhá-los para terra do carvalho porque eu nunca fui de ofender as mães alheias, quando vêm com falinhas mansas a pedir isto e mais aquilo e se não "sabes que mais aquel'outro"!

Apetece-me dizer-lhes que se não estão cá para conversas, convívios ou quando nos dá na gana só-porque-sim, não apareçam cá só quando lhes dá jeito, a contar ganhar alguma coisa com isso. Amizades falsas com intenção de lucro disfarçado não me servem!
 
Com o passar dos tempos, fui absorvendo a postura do G. que corta relações que não lhe interessam como quem arranca ervas daninhas do quintal, sem dó nem piedade. Ele faz isso de forma unilateral, sem pré-aviso e sem justificação associada. Racional e frio!
Não consigo ter a mesma frieza que ele, porque ainda tenho muita ingenuidade embutida na matriz, mas fui aprendendo a libertar-me destas amizades, numa forma de auto-preservação.
 
Tenho amigos/amigas que podem passar-se meses sem nos vermos ou falarmos, mas em que não há lugar a cobranças mútuas disto e daquilo. Falamos entre nós na mesma como se nos tivéssemos visto na semana anterior. 
Depois há as outras amizades... umas que cobram, sem nunca pretenderem retribuir na mesma linha. Outras não cobram, mas querem extorquir proveitos. Não me importo de dar e faço-o de boa vontade e sem qualquer esperança de retorno. No entanto, começo a ver quando a balança só pende para um dos lados e quando esse lado nunca é a meu favor...

Porque percebi que a vida é para ser vivida de cara alegre e olho no horizonte, porque para a frente é que é caminho e não há tempo a desperdiçar com quem não merece o nosso tempo e os nossos bons sentimentos, aprendi a deixar de exigir aos demais aquilo que eu própria me exijo a mim mesma.
Não sou igualmente racional e fria como o G., mas aprendi a aceitar realisticamente que há pessoas que têm um prazo de validade no nosso percurso de vida e que querer prolongar uma coisa que não se faz de coração aberto, é desperdício de energia!

29 de junho de 2012

Tri Pata

Há duas semanas atrás, numa ida à casa de campo, encontrámos algo de invulgar. 
A Mãe Natureza tem coisas que não se explicam e este pato trípede é um desses casos.

Fomos encontrá-lo sozinho, com apenas dois ou três dias de vida, a piar com fome e sede e meio agrilhoado a um silvado, exactamente porque este pato bravo, não têm duas patas mas sim três!
Uma terceira patinha acoplada na zona do rabiosque e lhe anda pendurada e possivelmente o impediu de seguir a mãe pata e os seus irmãos patos, deixando-o entregue à sua sorte.
Sem saber bem o que lhe fazer, mas não o querendo abandonar a um triste fim (que julguei ser o mais provável), deixei-o em casa de uns primos meus, que têm galinhas e ovelhas e poderiam tomar melhor conta dele do que eu e teriam um espaço bem mais adequado a receber o pobre pato "tri pata".
Foi o melhor que podia ter feito, porque o sortudo não só sobreviveu, como foi adoptado por uma galinha e pelos seus filhos pintos!
O pato que cabia na palma da minha mão, está de boa saúde e anda todo feliz com a sua família adoptiva.
Se eu fosse muito supersticiosa, poderia pensar que encontrar e salvar um pato com 3 patas (mesmo que a 3.ª não seja funcional, e não lhe afectando o equilíbrio de forma alguma) seria um bom augúrio e um sinal de sorte!
a terceira pata é aquela que está ali pendurada!



1 de fevereiro de 2012

Caminhar


Decidi tomar uma atitude em relação ao meu corpo e ao peso excessivo que teima em não me largar há já muito tempo!
Como nem sempre consigo fechar a boca, a minha dieta tem avanços e recuos sucessivos, por falta de motivação que é acirrada pela gula e pelo vicío nessa substância branca ou amarelada chamada açúcar... decidi que tenho que mexer o corpinho!
Além disso, de outra forma não me vou livrar da bóia de salvação tamanho XL que se assolapou em torno da minha cintura, se não me exercitar. 
O meu corpo está perro, pesado, entariçado, e as articulações e engrenagens rangem como uma corrente de bicicleta que não é oleada há muito.
A minha cidade fica à beira-rio e beira-mar plantada, logo tem espaços bem agradáveis onde se pode facilmente caminhar o quanto quisermos e sem custos, escolhi a zona ribeirinha para caminhar. Apanhar o cheiro a maresia e apreciar o sol de inverno que se tem feito sentir.
Além de caminhar e perceber o estado de atrofio do meu corpo, ainda consegui tirar algumas fotografias interessantes (pena que com o telemóvel, na próxima levo mesmo a pelingráfica) e apreciar uma exposição de esculturas em mármore mesmo junto ao rio.
Assim aproveito a hora de almoço de forma saudável, já que nestes dias farei almoços mesmo muito light.

11 de novembro de 2011

Costurar amizades


tirada daqui
Quando me iniciei nestas coisas da costura, tive um desejo escondido de encontrar uma amiga em comum com quem pudesse partilhar este gosto e fazer umas sessões de costura. Ou seja, juntar o útil ao agradável: aprender saberes e manter uma amena cavaqueira. Lá está a minha veia de "matraca"...
Nessa altura estava longe de imaginar que uma grande amiga minha, a Ana também tinha um desejo antigo de se dedicar à costura... 
Descobri isso por mero acaso, ao ver uma foto dela no FB empunhando a sua nova aquisição: uma máquina de costura!!!
Daí para cá temos falado, debatido, trocado ideias, truques e técnicas! Não muitas claro, porque somos umas amadoras  e umas principiantes nisto...
Quando calhei a mencionar que precisava de alguém que me ensinasse, duma mestra, e que estava a pensar em inscrever-me numas aulas com uma costureira, ela diz-me: "olha, mas a minha mãe sabe isso tudo, se quiseres ela ensina-te!"
Entretanto descubro que a D. Amália também sabe bordar! E que não se importa nada de me ensinar...
Ora eu andava para conhecer pessoalmente a mãe dela, a D. Amália vai para um ano, sem grande sucesso... nunca conseguíamos conjugar as agendas!
No dia dos meus anos, a Ana liga-me para me dar os parabéns e dizer que a prenda da D. Amália para mim seria uma aula de bordado inteiramente "grátis"! Rejubilei de alegria!
Um destes dias, a Ana liga-me com a boa disposição que sempre a caracteriza e diz-me que a mãe está felicíssima da vida por nós as duas querermos aprender com ela!
Contou-me que no espaço de dias, a D. Amália revirou a casa toda, retirou a máquina de costura do quarto dela e transformou o antigo quarto de adolescente da Ana num autêntico atelier de costura. Que foi buscar todas as suas lãs, linhas, agulhas e tesouras e organizou tudo para me poder receber lá em casa. 
E que está super entusiasmada, como há anos a Ana não a via assim... e que já planeou fazer um bolo e tudo, para quando eu lá for a casa!
Além disso, como já havia algum tempo que a D. Amália não bordava, achou melhor ir treinar os pontos do bordado, para depois não parecer enferrujada... que coisa mais querida! Fiquei mesmo emocionada com o gesto!
Ora parece que finalmente vou conhecer a D. Amália amanhã!
Estou ansiosa!!! 
Porque vou aprender e na melhor das companhias!!


5 de novembro de 2011

Recheada

tirada daqui

Agora que a minha nova arrecadação já está pintada, e já dispõe de prateleiras grandes e resistentes, está na hora de fazer algo que andava a planear há algum tempo.
Eu, moça que sempre primou pela organização, decidi que nos tempos de crise que se fazem sentir - detesto usar esta expressão, já me irrita tanto o uso e abuso, e só nos deprime - é tempo de implementar umas medidas simples, que me permitirão duas coisas:
- reduzir o número de idas ao supermercado, sempre que os géneros alimentares começam a escassear
- poupar dinheiro (algum, pelo menos)
Não é preciso ser muito inteligente para perceber que se eu fizer um bom reforço de bens alimentares na despensa, poderei poupar tempo e dinheiro! 
Em vez de uma garrafa de azeite posso comprar logo uma caixa de 6 garrafas, vale o mesmo para as massas e o arroz e outros alimentos deste género!
Por isso, agora que já há espaço disponível, toca a forrar, qual formiga a juntar comida para o Inverno rigoroso!

3 de novembro de 2011

Boas notícias!

Logo pela manhã recebi uma excelente notícia!
Não podia ter sido melhor!
Já ansiava por ela!
Hoje nada me consegue fazer ficar triste!

26 de outubro de 2011

Início às hostilidades microbianas

tirada da net

E eis que o F. apanhou a primeira das habituais doenças...
Começou com a varicela.
Custa vê-lo crivado de borbulhas (até tem nas plantas dos pés...), mas já sei que é melhor assim quando ainda é pequenino. 
Ao menos fica logo despachado...
Desejei que não tivesse nenhumas na cara, como aconteceu comigo, que só tive na barriga e costas.
Mas já tem umas quantas nos lábios, queixo e pálpebras.
Agora já só desejo é que não fique com as marcas!...
Está bem disposto e brincalhão, é o que vale!

16 de setembro de 2011

Reencontros



Há dias recordei-me duma grande amiga que tive no início da minha adolescência, a C., que era uma menina magrinha, franzina e muito tímida. Mas fizémos amizade e descobri que ela era uma miúda super divertida, bem disposta quando se sentia à vontade com uma pessoa e com um sentido de humor extremamente apurado.
Passámos tantas tardes em casa dela, as duas sozinhas, supostamente para fazermos os trabalhos de casa, mas acabavámos sempre a fazer maluqueiras, dançando pela sala ao som das músicas que passavam na rádio, como esta da Madonna e uma outra dos Vaya con Dios "What's a woman" (essa sempre que a ouço, transporta-me à rua de calçada onde ela vivia, bem no centro da cidade), ou a Tina Turner. Gravávamos as músicas que mais gostávamos em cassetes e maldizíamos o locutor da rádio que começava a falar por cima da música que estávamos a gravar.
Depois mudámos de ano, ela mudou de escola e perdemos o rasto uma à outra... para minha grande pena, porque com ela podia ser eu mesma! Fiquei com saudades de "parvejar" com ela, sem receio de ser julgada... e de rir a bandeiras despregadas, até me doer os músculos da barriga e ter as bochechas "pregadas"...
Durante anos nunca mais soube nada dela... vi-a casualmente uma vez, mas estávamos ambas à pressa e nem deu para mais nada do que um: "está tudo bem contigo?"-"sim, está tudo bem!"...

Hoje, reencontrei-a e fiquei tão, mas tão feliz por a ter reencontrado, nada mais nada menos do que na escola onde o F. anda e onde a filhota dela começou agora, que a abracei e senti-me a ficar invadida de emoção!
Caramba, tinha saudades dela, da voz fininha e suave, a condizer com o seu corpinho franzino, como continua a ter... no entanto, está tão mais alta que eu! Não deu para pôr conversa nenhuma em dia, mas conheci a filha dela, que é tão parecida com ela, e ela conheceu o meu filho, que diz ser parecido comigo! No fim das contas, os nossos filhos têm praticamente a mesma idade.
Fiquei mesmo feliz por encontrá-la aqui, porque assim sei que vão surgir tantas mais oportunidades de com mais tempo, podermos falar e pôr a conversa em dia!
É nestas alturas que eu adoro que o mundo seja assim pequeno e dê estas voltas estapafúrdias!

14 de setembro de 2011

Dadora-Salvadora

Cartaz da Campanha de promoção da dádiva de Sangue 

Sou dadora nacional de sangue desde 1998 sensivelmente. Comecei a dar sangue quando estava na faculdade e os Hospitais da Universidade de Coimbra faziam campanhas de recolha de sangue entre a comunidade universitária.
Em 2006, deixei de dar, motivada por uma recomendação de uma médica que me atendeu no Serviço de Sangue do hospital da minha zona, que disse que eu poderia estar a pôr a minha vida em risco, para ajudar outros. Tudo porque depois de doar, a minha tensão arterial baixava a pique e não foram poucas as vezes que quase não caía redonda, desmaiada no chão.
Mas ontem achei que era altura para experimentar novamente a dar! Aderi à campanha promovida por uma associação de dadores de sangue regional conjuntamente com a minha entidade patronal, que cedeu o espaço. Nem tive que sair do meu local de trabalho...
Correu tudo bem, não houve descidas  bruscas de tensão, não me senti mal, pelo contrário! 
Não me sentia assim tão leve e bem disposta como ontem!

A razão pela qual me tornei dadora?? 
Porque a minha mãe, doente oncológica que foi, necessitou em duas ocasiões de receber transfusões de sangue. Eu entendi que se alguém teve a generosidade de doar este elemento tão precioso à vida dela, eu deveria ter a mesma generosidade para com terceiros! Um pouco como retribuir a gentileza... 
Porque afinal das contas, não custa mesmo nada... só uma picadinha no braço! Mas que pode representar anos de vida para alguém!

Adoro estes novos cartazes de campanha para a dádiva de sangue! Porque até me senti mesmo uma Dadora-Salvadora!

1 de setembro de 2011

Casamentos de "rajada"

Houve uma altura em que os meus amigos se estavam todos a casar, o que significava que tinha pelo menos um ou dois convites para ir a casamentos por ano.
Mas de há sete anos para cá que não recebia nenhum convite para bodas, porque muitos dos meus amigos optaram também pelo mesmo estado civil que eu: unida de facto ou como o meu pai dizia, "amantizada"!
O facto de não receber convites para casamento não me incomodou. Aliás, bem pelo contrário! Agradeci mesmo... porque só o gastadoiro que representa para quem é convidado, ir a um casamento é de loucos!
Este ano, que apesar de ser de crise, tem sido pródigo em convites para uniões matrimoniais, até demais! Ainda por cima, porque são de pessoas a quem não se pode propriamente recusar comparecer neste tipo de acontecimento.
E eis que assim no espaço de um mês, fui convidada para ir a dois casamentos, ainda por cima com uma semana de intervalo um do outro: um já depois de amanhã e o outro no próximo fim de semana! Assim, sem respirar... 
Se pensar que vou poupar dinheiro na farpela, minha, do G. e do F., porque como são de pessoas completamente desconhecidas, podemos envergar a mesma indumentária, já me começo a sentir melhor!...
Mas depois, num ano que é de crise e que convém apertar o cinto, recordo-me que tenho que presentear os casais nubentes. 
Quando penso nisso até me dói na alma, porque não se dá meia dúzia de tostões de prenda. E não, não dá para oferecer uma coisa comprada, porque ambos os casais têm casas montadas e não precisam de mais traquitana para embelezar a casa. O que significa que teremos que recorrer a oferecer aquela coisa impessoal que é uma soma em dinheiro!
O G. tem andado de cabeça virada do avesso porque simplesmente é "alérgico" a casamentos, acha que são uma seca e muitos deles, considera mesmo uma fantochada, que servem apenas o propósito de fazer gastar resmas de centenas de euros a todos os que participam, no espaço curto de um dia.
Eu não desgosto de casamentos, porque acho que é um dia importante na vida daquelas pessoas, mas para vos ser sincera, os últimos dois a que fui, não me correram lá muito bem... acabei por ficar tremendamente aborrecida ou desapontada com certas atitudes das noivas (ambas amigas minhas de infância) para comigo, que acharam que eu era boa para descarregarem o nervoso miudinho em mim, da pior maneira!
Desta vez, penso que não aconteça o mesmo e eu estou numa onda de ir lá para me divertir bastante!
O que também se afigurará complicado, tendo em conta que estes dois serão os primeiros casamentos em que vou na condição de mãe dum rapaz altamente enérgico!


E nem me vou por a pensar que o meu governo lá de casa se vai destrambelhar todo, porque estar ausente o fim de semana quase todo...

25 de agosto de 2011

Remodelações

Nos tempos de crise que se avizinham, tomei recentemente e finalmente a decisão sobre o que fazer com o apartamento que herdei do meu pai e que se encontra fechado desde que ele partiu.
Durante o primeiro ano, ficava com um nó no pensamento sempre que começava a pensar no destino que lhe deveria dar... isto porque o apartamento se encontra em muito mau estado de conservação (e é um eufemismo...) e não estava em condições de poder arrendar e em caso de venda, iria desvalorizar consideravelmente e fazer com que possíveis compradores quisessem dar um preço de "uva-mijona". 
Contra todos os conselhos do G. e de familiares mais próximos, de quem sempre prezei opiniões, decidi que não me queria desfazer do apartamento porque é património, quer queiramos quer não! E está bem localizado, fica mesmo no centro da cidade, ao lado duma escola secundária, do mercado municipal e do centro de saúde! Mas principalmente, porque sou uma apegada às coisas e uma sentimentalona no que toca a virar as costas ao que os meus pais me deixaram!
Por isso, após um ano de decisão no limbo e de sucessivas procrastinações e adiamentos no que fazer-lhe em definitivo, tomei a decisão: pegar no dinheiro de poupança que o meu pai me deixou e investir na remodelação/recuperação do apartamento, para posterior arrendamento.
Chegou pois o momento de começar a escolher pavimentos, revestimentos, cozinha... decidir se recupero as portas ou se sai mais fácil e barato comprar novas, se parto uma parede, se a mantenho... enfim.
Ontem fomos então pedir preços para os pavimentos e revestimentos... e aquilo foi a loucura. Fomos a uma loja de materiais de construção apenas com a ideia de pedir preços, para comparar com os que já tínhamos visto na LM (Leroy Merlin). 
Só vos digo: a nossa sorte foi que já tínhamos uma ideia feita das cores que queríamos e do efeito que queríamos dar, em termos de combinações de cores do pavimento com o revestimento. 
Porque o atendimento além de muito bom e super personalizado, abriu-nos um leque de escolhas possíveis que a dada altura já tínhamos a cabeça a rodopiar... a senhora que nos atendeu foi de uma simpatia enorme e ia-nos dando combinações e mais combinações, assim à velocidade da luz, até que tivemos que explicar que queríamos cores entre o bege e o castanho-chocolate ou cinzentos claros versus escuros, para combinarmos e fazermos contrastes.
E ainda bem que o G. foi comigo, porque eu indecisa como sou... teria ficado a roer as unhas a tentar optar pela combinação mais gira e possivelmente não seria a solução mais barata, que é o que se pretende, visto que a casa será para arrendar (digam lá o que disserem, nem sempre os inquilinos sabem estimar a propriedade que arrendam...) 
O G. é muito mais "centrado" e racional que eu, e não se dá muito a impulsos. É mais coerente e consistente nas escolhas do que eu... e segue a lógica da relação preço-qualidade, muito mais que eu!
A julgar pela demosntração de materiais de ontem, avizinham-se dias de muita conta e muita escolha entre orçamentos, porque aqui só estou a falar de materiais... ainda falta decidir quem contratar depois de analisar todos os orçamentos para cada uma das especialidades: pedreiro-ladrilhador, canalizador, carpinteiro, serralheiro... 
É nestas alturas que eu adorava ter poderes mágicos e poder estalar os dedos e pimba: tudo renovado em 30 segundos, sem chatices!

8 de agosto de 2011

Os azares andam aos pares!

Sempre ouvi dizer que uma desgraça nunca vem só e a vida já se encarregou de me demonstrar isso mesmo. Em duas ou três ocasiões, sucedeu acontecer-me um azar e quando ainda mal me estava a refazer de um, "pimbas toma lá outro no focinho, para não pensares que isto fica só assim..."
E desta vez, não foi excepção, senão vejamos:
- sexta-feira à noite, G. caiu um estrondoso espalho das escadas abaixo, em nossa casa! Quando ouvi o estrondo o meu coração congelou por 15 segundos enquanto vislumbrei cenários dele todo partido e ensanguentado. Só pensava no amor da minha vida, no meu companheiro de hoje e sempre, todo desgraçadinho e até quem sabe paraplégico... (vá de retro Satanás!!). Por sorte, foi maior o susto e o inchaço que imediatamente se formou no tornozelo foi apaziguado à custa de quilos de gelo sobre o dito!
- sábado à tarde, sou furtada ao sair do hipermercado, onde fui sozinha, porque o G. não me podia acompanhar por estar coxo da queda da noite anterior... Se acaso não tivesse ido sozinha, talvez não tivesse sido a presa fácil...
E por mais que tente não cair no mundo das hipóteses e dos "e se's"... é díficil não ir lá parar! E rever todos os movimentos e actos praticados antes destes dois eventos "do demo"... se ele tivesse acendido a luz, se ele tivesse calçado os outros chinelos... se eu não tivesse teimado em estacionar o carro à sombra, se eu tivesse estacionado o carro na posição exactamente inversa, se eu tivesse ficado agarrada à minha mala qual lapa!...
Mas isso de pouco adianta!...
Já está, já está! Já aconteceu e não há nenhum botão de rewind...

2 de agosto de 2011

Elogio às máquinas

tirada da net

Já aqui referi a minha adoração pelas tecnologias, e voltando um pouco ao mesmo,tenho que tecer aqui este elogio e reconhecer que a minha máquina de lavar roupa e a minha máquina de lavar louça são sem sombra de dúvida, duas grandes amigas do peito que eu tenho.
Ambas ajudam a simplificar a minha vida, permitem-me ter tempo para me dedicar a outras coisas, bem mais importantes e muito menos cansativas.
Se pensam que não sei o que é dar o corpo ao manifesto e lavar roupa à mão, desenganem-se! Fui habituada a lavar roupa no tanque e nos fins de semana em que ia para casa do meu avô, na Arrifana, lá não havia máquina de lavar, mas sim um tanque onde para lavar tínhamos que nos ajoelhar em cima duma almofada, para não ficar com os joelhos esfolados. Corava-se roupa com sabão para tirar as nódoas mais dificeis e estendia-se a roupa num estendal feito em corda de ráfia, presa nuns postes feitos de troncos de acácia.
Até terminar a faculdade, lavava a minha roupa e a do meu pai no tanque de minha casa, porque o meu pai, tristemente, era muito apegado ao dinheiro e não queria gastar dinheiro numa máquina de lavar em condições... Assim, a que tínhamos era algo "artesanal"... Enchia-se de água, deitávamos o detergente, ela lavava e depois tinha que enxaguar tudo no tanque. Sei bem o que as minhas costas, pulsos e braços sofreram a torcer lençóis e calças de ganga no tanque (centrifugação manual). Perdi muitas manhãs de sábado presa a um tanque de lavar roupa! Por isso, foi com grande alegria que acolhi a máquina de lavar, enxaguar e centrifugar que o meu pai comprou contrariado, depois de muitas discussões azedas! (o Abel depois de a ver em uso, percebeu a sua utilidade e deu o dinheiro por bem empregue!)
Já a máquina de lavar louça foi algo que nunca pensei vir a valorizar tanto na vida. Quando me "amantizei", eu e o G. partilhávamos a ideia de que era um electrodoméstico desnecessário, porque éramos só dois, não sujávamos assim tanta louça e podia facilmente lavar-se à mão. Tínhamos também a ideia de que era uma máquina pouco útil porque além de gastar imensa água, gasta igualmente energia eléctrica e se tínhamos vivido bem sem ela até então, podíamos continuar a fazê-lo.
Após dois anos de vida em conjunto, concluímos que afinal se calhar precisávamos duma máquina de lavar louça, porque não havia pachorra para depois de jantar (tarde e a más horas - acabávamos de jantar sempre depois das 22h) estar a lavar 50 canecos... E porque também percebemos que duas pessoas afinal conseguem sujar canecos e tabernicos até mais não! Eu que sempre gostara de lavar louça, porque envolvia ter as mãos metidas em água, comecei a detestar! Lavar louça parecia já uma saga, numa mais tinha fim e se não fosse lavada numa determinada rotina diária, fazia com que a cozinha parece mais uma zona de guerra do que uma cozinha! Ora eu sou uma daquelas mulheres que até suporta ter a sala e os quartos um tanto desarrumados, mas lá a cozinha é que não!!
Curiosamente, comprámos a máquina por alturas do nascimento do F. e foi sem dúvida um dos melhores investimentos que fizemos! Permitiu-nos rentabilizar tempo, o consumo de água acaba por ser quase idêntico e como escolhemos uma máquina de classe energética A+ (tivemos esse cuidado na compra de todos os electrodomésticos que temos), a conta da energia não sofreu grandes incrementos.
Actualmente, como temos tarifa bi-horária, programamos as máquinas para lavar à noite, e elas trabalham enquanto nós pacificamente descansamos o sono dos justos!
Mais uma razão para ser fã da tecnologia!!

22 de julho de 2011

Yuuupiii

Vá lá que lá consegui restaurar alguma dignidade a este meu blog!

A foto do cabeçalho é uma de milhentas que tirei! E a que se vê em pano de fundo é a água cristalina da Praia da Ponta Ruiva, um paraíso ainda escondido!

18 de julho de 2011

Ser herdeira não é fácil...


Antes de mais, aviso já que não estou a reclamar de barriga cheia!

Ontem, estava a ver uma reportagem na RTP2 sobre as profissões com mais futuro e eis quando vejo "tirador de cortiça" na lista!
Dei uma palmada na testa, a chamar-me de burra esquecida... é que já devia ter mandado tirar a cortiça aos sobreiros no ano que passou, mas como deixei passar o verão, decidi "procrastinar" a coisa e tratar disso este verão, juntamente com as minhas primas...
E se não fosse ter visto aquilo ontem, acho que passava mais um verão sem tratar disto...
Mas qual é a dificuldade, perguntarão vós?!
Existem duas, assim já de caras: a primeira, não conheço tirador nenhum! (talvez por isso, seja uma profissão com futuro... são poucos, e detêm um nicho de mercado!) e segunda: não faço ideia onde ficam os sobreiros e muito menos quantos são... sei que não são assim tantos... mas é que estou completamente perdida! O meu pai é que sabia a sua localização e quantos eram...
Lá terei que me desenrascar... será que se procurar todos os que têm escrito 9, serão meus??!!

14 de julho de 2011

Às vezes sou um bocado inconstante...

Por isso, volta e meia ando a fazer mudanças no look do blog!

É que eu sei que o designer de modelos é livre e igual para todos... mas sinto-me esquisita quando abro um blog novo e vejo que usa o mesmo modelo que eu... eu sei que é uma atitude, assim a tirar para o parva, mas que querem que vos diga...!?

E por isso, vai daí, hoje apeteceu-me mudar o aspecto disto tudo!
Espero que não vos desagrade!

12 de julho de 2011

Do 80 para o 8

Esta foi e continua a ser a sensação que tenho desde que mudei de emprego.
Tinha um trabalho ultra-absorvente e super stressante, onde todos os dias surgiam tarefas que traziam consigo a urgência e o habitual rótulo do "é para ontem!". Tinha um trabalho onde nem dava pelas horas passarem e cada minuto contava! 
Desfazia-me entre atender telefonemas, responder a e-mails sempre com pedidos urgentes ou cheios de pressa, lidava com pessoas de todas as nacionalidades e com as mais variadas categorias profissionais e habilitações literárias.
Tinha sempre pessoas a entrar e a sair do meu gabinete... havia mesmo dias que era um corropio!
Dava formação, controlava documentos, desenvolvia procedimentos e controlava a produção de resíduos, registos de qualidade e de segurança no trabalho da obra. Havia sempre carradas de papel em cima da minha secretária, para serem despachados... e parecia que se multiplicavam, quantos mais despachava, mais "nasciam" para eu despachar...
Nunca, mas nunca saía a horas! Havia mesmo dias em que saía do trabalho à hora que fechava o infantário do F. e não foram poucas as vezes que ele arrancava porta fora assim que me via chegar, tarde e a más horas... e já aborrecido por ter ficado para último, depois de ter visto os colegas irem todos embora para casa!
Agora tenho um trabalho onde o que faço, faço ao meu ritmo, não tenho ninguém a pressionar-me, a impôr-me prazos reduzidos e inexequíveis. Faço o que é preciso e sou eu que o decido, sou eu que planeio e sou eu que defino os objectivos.
Passo dias inteiros sozinha no meu gabinete e falo com as pessoas com quem necessito falar, para poder desenvolver o meu trabalho.
Já não dou formação, passam-se dias em que atendo apenas um telefonema e raramente recebo e-mails... Mas também sei que daqui por um mês ou dois, isto não será mesmo nada assim! Porque agora até posso ter poucos papéis para despachar, mas daqui por um mês, vão aparecer em catadupa, com toda a certeza!
Passam-se dias que não entra ninguém no meu gabinete... ou então, vêm apenas dizer "bom dia"!
E entro e saio sempre a horas! É quase sagrado!... O meu filho já me espera à porta do parque do infantário porque sabe que vou chegar mais cedo!
Mas em certos dias conto os minutos a passar... 
Eu, quando mudei de emprego, queria ter um trabalho mais pacato, menos cansativo e stressante... mas também não era preciso tanto!
Foi complicado habituar-me, porque quando cheguei aqui andava sempre na bisga, a 1000 km/h, agora posso andar a 100 como a 50 como a 200km/h, conforme eu bem entender...
O curioso é que este cenário é habitual na minha vida, ou passo do 8 para o 80 ou do 80 para o 8, como é o caso agora! Nunca há um meio termo...

Aviso à navegação: atenção que não me estou a queixar! Bem longe disso, porque o que ganhei em paz de espírito é superior às minhas expectativas e a tudo o que podia ter desejado! Só o facto de já não ter uma profissão com responsabilidade civil e criminal, foi um desafogo! Era uma espada a pender sobre a minha cabeça...
Estou onde quero estar! A fazer aquilo que eu quero! Com um vencimento mais elevado (difícil nos dias que correm conseguir fazer um upgrade nesta área...) e com mais regalias! O ambiente de trabalho é igualmente bom e isso é de extrema importância, pelo menos para mim...!
Por isso, posso ter mudado de ritmo radicalmente, mas não quer dizer que não esteja plenamente satisfeita, o que estou!!

9 de junho de 2011

Reaprender

Hoje começo novamente a aprender a comer!
Podem chamar-lhe dieta ou coisa assim, mas para mim é antes de mais uma segunda reeducação alimentar. (Sim, porque já houve uma primeira há 3 anos atrás!...)
Ontem, após um ano de interregno voluntário de acompanhamento pela minha nutricionista, voltei ao seu consultório, para que ela me ajude nesta caminhada que preciso fazer, com o objectivo de perder entre 15 a 18 kgs.
Tal como da primeira vez, não fui lá em busca de receitas milagrosas para abater uma bóia de salvação que se agarrou em torno da minha barriga e ancas. Fui lá para que me definissem regras e indicações precisas sobre como, quando e o que comer e em que quantidades!
Não é que não saiba, porque ela ensinou-me durante cerca de um ano e meio a comer como deve ser: a que alimentos dar preferência, os intervalos entre cada refeição, os alimentos a evitar (e não me foi banido o pão), as quantidades a ingerir (aqui um ponto fundamental... porque eu sou literalmente um aspirador a comer - como muito e depressa).
Quando lá fui pela primeira vez tinha menos 6 kgs do que tenho hoje e só a respeitar o plano alimentar inicial (que segui à risca) perdi 7,5 kgs em um mês e meio. Sem sequer fazer desporto (outro calcanhar de Aquiles - sou uma preguiçosa no que toca a exercício físico e adoro um bom sofá...) conseguir reduzir peso e largura gradual e saudavelmente. 
Depois engravidei e ganhei ao todo 18 kgs. Mas se ela não me tivesse acompanhado nessa altura, calculo que teria sido um desastre ainda maior...
Mas quase um ano após o nascimento do meu filho tomei a decisão de parar de ser acompanhada... porque eu estava num estado emocionalmente debilitado pela morte do meu pai. 
Os 11 kgs que perdera após o parto e durante a amamentação regressaram furiosamente - ganhei 5 kgs em menos de um mês quando o meu pai faleceu! Refugiei-me na comida, comia quantidades loucas de comida, estava a comer a toda a hora e ingeria quantidades significativas de doces e chocolates (a minha grande perdição).
E por mais abordagens que ela tentasse nessa altura, era escusado! (chegou a fazer-me um plano que consistia em comer durante 1 semana inteira, só chocolates, bolachas, bolos e coisas carregadas de açúcar, para ver se eu enjoada definitivamente! Mas eu recusei-me liminarmente a segui-lo...) 
A minha força de vontade tinha simplesmente desaparecido... e aprendi que só quando se quer, quando o nosso psicológico está motivado é que conseguimos atingir este tipo de objectivo! E conseguimos alcançá-lo com muito menos esforço do que se não estivermos para aí virados...
E agora sinto-me motivada o suficiente para retomar a minha reeducação alimentar!! E desta feita conjugada com exercício físico que iniciei numa base regular há 1 mês!
Podem pensar que quero perder peso por questões meramente estéticas... mentiria se dissesse que não é uma das razões (afinal de contas, a minha prima do coração casa daqui por 3 meses e eu tenho que caber num dos vestidos mais bonitos que já adquiri!), mas a principal razão não é essa certamente:
Eu vou perder peso porque disso depende a minha saúde! Porque me sinto enauseada se subo um lanço de escadas maior ou a uma velocidade mais rápida... e isto não pode ser!!! Porque fico à rasca com dores na zona lombar quando estou muito tempo de pé... porque a minha coluna já massacrada por uma lordose não se aguenta muito tempo a suster o peso excessivo que adquiri!
Porque ando quase sempre cansada e sem acção e essa não é a imagem que quero transmitir ao meu filho...
E porque detesto aperceber-me que visto 2 números acima do que sempre vesti e tenho um roupeiro cheio de roupa que já não me serve...
E porque como de forma desregrada, isso tem claramente tendência para estabelecer um mau exemplo para o meu filho. Como posso exigir-lhe que coma sopa e legumes se eu própria não o faço??!!
Por isso, aqui eu estabeleço um limite e digo "Basta"!!
Vamos lá aprender a comer como deve ser!

(*)Uma curiosidade: todos os planos alimentares que a minha nutricionista me passou descrevem perfeitamente a alimentação que a minha mãe me dava quando eu era miúda... a comer iogurtes de aromas em vez daqueles gulosos com stracciatella e nuggets de caramelo. Passei (voltei) a comer bolacha Maria e não as da secção gourmet. Passei a comer fruta numa série de refeições, hábito que tinha abandonado e substituído por barritas disto e mais aquilo, mas que no fundo estão carregadas de açúcar e gorduras saturadas. Passei a acompanhar a carne e o peixe com legumes e não com batatas fritas e outro tipo de coisas processadas...
Ás vezes penso que precisava de ir a um "Peso Pesado" para matar isto em três tempos, mas acho aquilo demasiado exploratório da condição humana...