Ontem fiquei a saber da campanha promocional a decorrer nessa cadeia de lojas que encheu páginas de jornais, abriu blocos noticiários televisivos e fez correr rios de letras no mundo virtual.
Num primeiro impulso, achei-me capaz de ir a uma loja e trazer para casa uma centena de euros em produtos alimentares não perecíveis e detergentes, para compor ainda mais a minha despensa, que tenho ido enchendo qual galinha que enche o papo grão a grão.
E lá fui em romaria... tentei em 3 lojas diferentes... numa foi a falta de estacionamento que me dissuadiu, na outra foi a fila que se acumulava no corredor à "boca de cena" do supermercado, aguardando apito da "grelha de partida", por já se ter desanuviado mais a massa humana no seu interior...
Na terceira loja ainda consegui entrar, levando o meu pequeno filho pela mão, pois não tinha com quem o deixar, já que o G. foi trabalhar (12h de turno e sem receber acréscimo de vencimento por isso, e não... ele não teve direito a escolher se ia ou não...).
Mas após atravessar dois corredores e ver o tamanho da fila para pagar e quase 80% das prateleiras vazias, fui acometida dum surto de lucidez e percebi que não era assim que eu queria passar um feriado, já que eles irão ser cada vez menos...
Percebi que não ia sujeitar o meu pequeno filho à loucura que grassava naquele edifício.
E tomei a decisão de sair porta fora de imediato e ir passear com ele a um qualquer parque infantil, porque vê-lo correr, rir e brincar livremente num dia que acabou por se pôr primaveril, é de um valor avassalador e não há dinheiro nenhum que o pague.
Consegui sair da loja ilesa, mas não sem a ajuda de um simpático funcionário que esboçou um sorriso quando lhe perguntei como saía dali "sem compras" e que decidiu acompanhar-me à saída, não fosse eu necessitar de "escolta"...
Os momentos que se seguiram, no parque infantil, foram de uma alegria enorme e isso só serviu para cimentar a minha posição de que eu sou poupada, mas no dia a dia, nas compras que faço e não apenas nos dias em que uma alma iluminada decidiu vender tudo a preço de saldo.
Atenção, não condeno a iniciativa, muito longe disso... acredito que muitos tenham sido beneficiados e que bem precisavam. Eu própria teria usufruído dela de bom grado, não fosse a loucura em que se tornou...
Simplesmente optei por não poupar 50 ou 100€ na conta do supermercado mas apreciar um dia que se queria de descanso na melhor companhia possível: o meu filho!
