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27 de fevereiro de 2015

{this moment}

{this moment} ~ A Friday ritual. A single photo - no words - capturing a moment from the week. A simple, special, extraordinary moment. A moment I want to pause, savor and remember. If you're inspired to do the same, leave a link to your 'moment' in the comments for all to find and see.
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inspirado na Soulemama


20 de fevereiro de 2015

{this moment}

{this moment} ~ A Friday ritual. A single photo - no words - capturing a moment from the week. A simple, special, extraordinary moment. A moment I want to pause, savor and remember. If you're inspired to do the same, leave a link to your 'moment' in the comments for all to find and see.
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inspirada na Soule Mama


11 de novembro de 2014

Esta terra é minha!


A vista da casa rústica feita com paredes de taipa e telhado de barrotes de madeira, ripa e cana, e telha portuguesa que o meu avô Manuel mandou erguer nos idos anos 50 é esta.
Logo ali em primeiro plano, está a pereira que todos os anos dá pêras miudinhas, que bicham todas antes sequer de ficarem maduras.
Lá em baixo a enorme oliveira onde havia o tanque de cimento, onde eu a e minha mãe tantas vezes lavámos a roupa. À esquerda a figueira que cresceu bem no meio do talhão onde o meu avô gostava de semear favas e ervilhas.
Ao fundo, o canavial a denunciar a ribeira que vai correndo logo ali ao lado, a delimitar o terreno que é meu do que é dos meus primos.

Após a morte do meu pai, fiquei tolhida de incertezas e de receios. Olhava angustiada para esta terra e perguntava-me "o que vou fazer desta terra???" e de algum modo esperava que os céus se abrissem e o meu avô, ou a minha mãe ou o meu pai aparecessem e me dessem a resposta que procurava. Repetia a mim mesma incessantemente: "eles saberiam o que fazer disto!" Mas eu sentia-me perdida... a olhar para a terra e a tentar recuperar saberes gravados na memória havia mais de 20 anos.
Sei de memória onde ficava o pego de água, as pias de água para os animais, mais cobiçadas do que nunca pelo resto da família, onde a fonte de água nascia espontaneamente, logo abaixo do talhão onde outrora pululavam viçosas as melancieiras e as aboboreiras.

Não posso dizer que agora sei de certeza o que fazer... não posso afirmar que me vou "dedicar à agricultura"...
Mas uma certeza guardo comigo!
Um dia voltarei aqui!!
Um dia esta será a minha vista todos os dias, esta será a minha morada permanente.
No meio do paraíso, apenas interrompido pelo brummmm dos carros que passam na estrada municipal.
Um dia, vou restaurar a casa, colocar um novo telhado, em vigas de madeira e telha portuguesa. Um dia vou reforçar as paredes de taipa e reorganizar a cozinha e colocar uma lareira de dupla face.
As janelas serão à mesma de madeira e a porta continuará a ter postigo envidraçado, mantendo toda a traça arquitectónica da casa.
O fogão de lenha e o forno de cozer pão serão preservados religiosamente e serão integrados na cozinha nova.
O espaço onde fica hoje a cozinha será o meu espaço de costuras e afins. E na lateral da casa haverá um telheiro em madeira, e um barbecue.
Nas paredes haverá a decorar os candeeiros a petróleo, o relógio de ponteiros, a lanterna de palheiro recuperada e os ferros de engomar antigos, e a balança de pratos e os pesos. A velhinha Singer regressará novamente a esta casa, após 26 anos de ter saído dali.
Num dos quartos, a enfeitar a parede haverá uma manta de retalhos que a minha avó Alzira mandou tecer num tear, na vila, há mais de 5 décadas.

A figueira braçajote vai ser mantida livre de silvas e a grinalda de noiva prosperá, assim como a roseira branca. E o zambujeiro em frente à porta será finalmente enxertado em oliveira! Em homenagem ao apelido do meu avô!

Apanharei as pinhas do pinheiro manso que cresce imponente nas traseiras da casa para atear lume na lareira e aquecer as noites mais frias.
E aos fins de semana, os meus filhos hão-de vir ver os pais, como os meus pais e eu íamos visitar o meu avô.

9 de abril de 2014

Vidas campestres

No campo há sempre o que fazer.
Os dias passam com a lentidão e a rapidez própria das estações do ano, que ditam as tarefas a cumprir. 
No campo há um ritmo muito peculiar, que dita tudo o que há para fazer, e cada um a seu tempo.
Pode pensar-se à partida que a vida no campo é pasmacenta, que é aborrecida e enfadonha. Pelo contrário!
A vida no campo tem um ritmo muito próprio, o tempo é marcado por momentos específicos, que devem ser respeitados, não se devendo adiar tarefas que se impõem.
A vida no campo tem um colorido diferente, tem um grau de exigência subentendido, que só quem nele vive consegue entender.
Não há um momento de paragem, a não ser para o descanso à noite, as refeições habituais e a sesta após o almoço, para retemperar as forças e poupar o corpo ao sol escaldante dos dias de verão.
 
Há sempre o tempo da ceifa, desta ou daquela sementeira. 
Há um tempo para atender às necessidades dos animais, as vacas, ovelhas e galinhas. 
Há sempre a limpeza de primavera, as paredes a caiar em tempo de verão, as telhas do telhado para reposicionar no seu lugar. Os porcos que se matam no final do outono, para guardar para o ano seguinte.

Há fruta que tem que ser colhida das árvores do pomar. Há um tempo para delas fazer compotas, bolos e conservas, para armazenar no resto do ano, para consumo da casa.
Há alfaces e outras leguminosas que precisam de ser regadas para que possam subsistir.
Há animais que têm que ser apascentados.
Há animais que têm que ser alimentados, e posta a palha nova para deixar a sua "cama" limpa. Há animais que têm que ser escovados, tosquiados e vacinados.
Há vacas, cabras e ovelhas para serem ordenhadas com dia e hora marcada.
Há galinhas e patos que querem comer o milho e o trigo e pedem ordem de soltura para esgravatar livremente. Há horas para recolher os ovos, e horas para pôr os ovos a fim de serem chocados.
Há coelhos e porcos que precisam de comer, e como tal há que colher ervas do campo para os alimentar.
A lareira e o fogo de lenha que precisam de combustível, por isso há que apanhar, rachar lenha e aprovisioná-la. Com particular cuidado quando chega a invernia e esta tem que ser protegida da chuva ou do orvalho, para que se mantenha seca e possa arder normalmente.

Há um tempo e um ritmo para apanhar ervas daninhas, outro para arrancar culturas que já estão fora de época e plantar novas em seu lugar. Há um tempo para planear em que talhão de terra se semeia o quê, o estrume que é preciso usar e o mais adequado a cada cultura e as sementes que se separaram da colheita anterior.
Há um tempo para a vindima, para fazer o mosto, embarrilar o vinho e esperar que ele fermente. 
Há um tempo para amassar o pão, tendê-lo, acender o forno e pô-lo a cozer. E um tempo para fazer com ele, ainda bem quente, uma tiborna.
Há um tempo para bordejar o paúl em cima das vagens de feijão e grão que se deixou a secar na eira, para joeirar o feijão e o grão, escolhendo os dias de vento de feição, para lhe retirar a palha excedente. Há um tempo para fazer as queimadas necessárias, que a terra pede, para se ir mantendo fértil.
Há um tempo para pear a burra e um tempo para a albardar e colocar o bornal e levar para a horta, para ser carregada com a gorpelha e trazer os proventos que o campo dá.
Há um tempo para semear e outro para plantar e outro ainda para transplantar sementeiras. Há um tempo para aproveitar o que o campo nos proporciona, o que os animais nos dão e partilhar com a comunidade familiar e de vizinhança.
Há um tempo para varejar as oliveiras e apanhar as azeitonas. Há um tempo para levar a colheita para o lagar e trazer de lá os garrafões cheios de azeite. Há um tempo para pôr as azeitonas em jarros cheios de água, um tempo para lhes mudar a água, para as britar ou apenas e só temperar.

Há um tempo que se mexe a um ritmo constante, mas que não encerra aquela urgência de quem vive na cidade.
Porque apesar deste ritmo ser cadente e sempre corrido, há também sempre um tempo para ver as ervas e árvores florirem, as flores desabrocharem, os frutos começarem a despontar nas árvores, as crias nascerem: caçapos, pintos, leitões, vitelos, borregos, cabritos, etc. Há sempre um tempo para fazer festas ao cão de guarda, nosso amigo e companheiro diário.
 
Há um tempo para sentar à sombra no poial à conversa com os vizinhos e familiares que vieram deixar a prova do bolo, umas favas ou ervilhas que têm excedentes ou um bocado da carne do porco que se matou.
Há um tempo para ver o tempo avançar, à cadência do clima e das estações que se sucedem. Porque quem vive no campo, dele e para ele, tem muito que fazer, mas raramente tem pressa.

20 de setembro de 2013

Vila adentro

Gosto de ir à vila.

Passear pelas suas ruas e ver como os espaços estão diferentes ou permanecem iguais.

Faz-me regressar à infância, ao tempo em que os meus pais existiam e me levavam pela mão pelas ruas que eles conheciam bem melhor que eu... e encontravam sempre imensas pessoas conhecidas e familiares e primos-afastados, mas que ainda eram "parentes".

Gosto de passear na vila, reconhecer rostos dos meus tempos de menina e adolescente e perceber no seu olhar aquela sensação de que o meu rosto não lhes é totalmente desconhecido, mas que eles não conseguem propriamente situar. 
É como ser uma desconhecida que os conhece a todos!


No mercado municipal



Adoro os beirados duplos antigos!

o relógio na torre da Igreja Nova

Não resisti a esta mítica foto, que ilustra tão bem a "vida na aldeia"!


Esta era a casa da D. Rocha, que hoje permanece encerrada, e já não guarda o esplendor de outros tempos...


É pena ter ficado desfocada... mas achei que era um bom "Amor Proibido"
A Casa Sintra, que sempre me despertou o interesse... talvez por sempre a ter conhecido assim, fechada...




7 de dezembro de 2012

Regressar à terra

Desde que esta crise toda começou, parece ter havido um certo revivalismo da agricultura e de artes dos "mais antigos" que tinham caído em desuso, em favor das profissões liberais, mais exigentes do ponto de vista mental.

Eu que cresci no seio duma família humilde, cuja vida foi dedicada à agricultura, à terra, ao pastoreio de bovinos e ovinos, sempre achei que possivelmente aquela vida não seria para mim. Apesar de adorar fazer equilíbrio entre os regos das batatas brancas, sentir o cheiro da rama da melancia, adorar ver as azeitonas a caírem como chuva, ao serem varejadas na altura da apanha, ou poder comer as uvas acabadas de vindimar e as maçãs rosadas com polpa vidrada, sempre achei que nunca me dedicaria à terra.

Apesar de sempre me recordar de em tenra idade (6 anos creio eu!) ter tomado a decisão inequívoca de nunca alienar as terras que o meu avô Manuel conquistou a pulso, pelo seu esforço físico e pela sua argúcia em negociar uma terra menos produtiva por outra maior e mais fértil, ainda hoje fico perdida a olhar para as terras que o meu avô e depois a minha mãe me deixaram.

Um certo desejo de um dia cultivar as terras dos meus antepassados ressurgiu após a morte da minha mãe e quando um dia percebi que o sonho de velhice do meu pai era voltar a tratar as terras, fazer recuar o silvado, limpar o matagal que foi conquistando espaço.

Também ele faleceu e o silvado tem vindo a tomar conta dos terrenos outrora organizados geometricamente, a romanzeira deixou de se conseguir ver do alto e a macieira nem sei se existe ainda... o caminho para chegar à ribeira é agora um matagal quase inexpugnável, e os sobreiros aguardam ordens de descortiçar. A vinha há muito que morreu por falta de poda e as ameixeiras perderam-se... talvez ainda resistam os marmeleiros que orlavam o espaço da vinha...

Quando a crise começou, não me senti muito ameaçada ou receosa por uma razão pura e simples: se tudo o resto falhar, tenho sempre terrenos que poderei cultivar! E ainda hoje acredito nisso! Se um dia me vir atirada para o desemprego será esse o caminho que seguirei!

Mas por enquanto, ainda olho para a imensão de terra de que sou proprietária e sinto-me perdida sem saber o que fazer. Sinto-me avassalada pela nostalgia dos tempos de outrora e um pouco triste comigo mesma por não honrar a herança que me coube em sorte. Às vezes dou por mim a pensar: "o que fariam o teu avô ou o teu pai?"

Ainda hoje não encontro resposta a essa questão...
Talvez quem sabe, arrende os terrenos a quem a queira cultivar e não tenha terreno para o fazer...

25 de junho de 2012

As Amantes do Verão 25) da minha janela no verão


 A vista do campo, das árvores de fruto da horta do meu avô.


A daroeira em flor, que fazia sombra e onde andava de balouço, antes de terem arrancado por causa das obras de beneficiação da estrada que passa bem em frente à casa do meu avô.