És traquina.
Gostas de me dar chapadas com as tuas mãozinhas rechonchudas. Tens a "mão pesada"... e depois ris-te com ar de safado, que já compreende que está a fazer asneira. Puxas os meus cabelos e tentas enfiar os teus dedos nos meus olhos e nariz. Quando reclamo e digo "não-não", ris com ar gozão. Meu pequeno diabrete.
És sorridente. De sorriso fácil. De sorriso franco e rasgado. Sorris com uma facilidade avassaladora e conquistas num segundo quem tens pela frente. Os teus dois dentinhos completam o quadro e tornam-te ainda mais cutxi-cutxi!
Quando não sorris, algo não está bem em ti. É fácil perceber.
És bem disposto. Por norma.
Mas também és chorão. Muito. Em certos dias, até demais.
Quando não respondemos ao teu choro, mudas de nível e passas ao modo gritador. Aquele choro de gritos que me estremece o cérebro, ressoa e vibra nos ouvidos e me deixa exausta no espaço de cinco minutos. Aquele choro de gritos que só pode e vai aumentar de decibéis, a níveis que requerem protecção auricular.
Odeias chupetas. E biberões. Coisas de borracha ou silicone para pôr na boca, contigo nem pensar!
És enérgico, geniquento como te chamo. Mexes em tudo o que apanhas pela frente e apesar de ainda não conseguires, queres chegar a tudo e por isso esticas-te o máximo que consegues. Às vezes, já consegues arrastar o rabiosque duma forma meio esquisita, um pouco de lado, como se fosses um caranguejo.
Gostas de colo. Adoras colo. Mas o colo não pode estar parado. Tem que estar em movimento. O colo tem que circular pela casa. Senão... lá vem o choro. Gostas do meu colo, mas para adormecer, preferes o do pai.
Detestas estar sozinho. Ficas mesmo chateado e ligas o botão do choro se acaso te viro as costas, nem que seja para ir buscar qualquer coisa ali ao lado.
Quando temos visitas ou vamos a casa de família ou amigos, és a criança mais serena, sorridente e pacata de que há memória. Fazes-me passar por "mentirosa" quando digo que tens sido um bebé exigente. Porque tu és um poço de calmaria e simpatia na presença de terceiros.
As noites não são pacíficas. Nada pacíficas. Desde que nasceste dormiste apenas 3 noites de seguida, nenhuma delas consecutiva. As outras todas têm sido marcadas por muito choro, por muitos acordares sobressaltados, por muito embalo para te conseguir acalmar e pôr novamente a dormir. Por muito espernear.
Adoras o teu irmão. Ficas muito atento a olhar para ele e para o que ele faz. És curioso com ele, queres mexer nas coisas dele, queres agarrá-lo e puxá-lo. Ris-te à gargalhada com ele, quando ele decide fazer garatujas contigo. Mas quando tens sono, ele não não se pode chegar a ti, que começas logo a ficar impertinente. Já a dar a entender que vais ser um malandro com o teu irmão.
"Falas" pelos cotovelos. O que me leva a crer que vais ser ainda maior tagarela que o teu irmão. Só tenho pena de ainda não ter conseguido descortinar o que significa "bem-bembe"... No entanto, os sons mais habituais da tua linguagem são "ma-ma-mã-man"... palpita-me que te vou ouvir muitas vezes a chamar por mim.
Tens exigido de mim energia, força e paciência em níveis que nunca pensei conseguir reunir. Tenho suportado cansaço, nervos e muito mais privação de sono do que alguma vez julguei ser-me possível aguentar.
E no entanto, amo-te com todas as forças possíveis do meu coração!
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16 de abril de 2015
20 de fevereiro de 2015
{this moment}
{this moment} ~ A Friday ritual. A single
photo - no words - capturing a moment from the week. A simple, special,
extraordinary moment. A moment I want to pause, savor and remember. If
you're inspired to do the same, leave a link to your 'moment' in the
comments for all to find and see.
. . . . . . . . . .
inspirada na Soule Mama
26 de janeiro de 2015
Em sintonia com a natureza
A clareira do pinhal permanece a mesma.
Há demasiados anos que ali não me colocava imóvel, escutando o som das copas dos pinheiros bravos a roçarem-se em cadência, ao sabor do vento, ouvindo o tilintar das pinhas quando se tocam.
Olhei à minha volta e regressei 30 anos atrás, aos tempos da infância, em que ia para ali pela mão do meu avô, passando a vinha, subindo a encosta pelo meio das estevas.
Os pinheiros estão mais altos. Mas são os mesmos.
Por momentos, vejo que há vestígios de malta que por ali pernoita, suspeito que sejamhippies grupos de pessoas que vivem desprendidas da vida em sociedade, e em pseudo-comunhão com a natureza, porque há muitos relatos de conhecidos, de que eles ali ficam tempos sem fim, sem pedido de autorização ou mera informação.
Só gostava que esses "caríssimos" seres humanos, tão "amigos" da vida em sintonia com o mundo e a natureza se dignassem respeitá-la e levassem consigo as carradas de lixo e entulho que produziram durante a estadia.
Podeis pernoitar, ora essa, sejam meus convidados.
Mas tende a dignidade de não poluir a natureza que tanta clamam que prezam!Mais que os outros...
Há demasiados anos que ali não me colocava imóvel, escutando o som das copas dos pinheiros bravos a roçarem-se em cadência, ao sabor do vento, ouvindo o tilintar das pinhas quando se tocam.
Olhei à minha volta e regressei 30 anos atrás, aos tempos da infância, em que ia para ali pela mão do meu avô, passando a vinha, subindo a encosta pelo meio das estevas.
Os pinheiros estão mais altos. Mas são os mesmos.
Por momentos, vejo que há vestígios de malta que por ali pernoita, suspeito que sejam
Só gostava que esses "caríssimos" seres humanos, tão "amigos" da vida em sintonia com o mundo e a natureza se dignassem respeitá-la e levassem consigo as carradas de lixo e entulho que produziram durante a estadia.
Podeis pernoitar, ora essa, sejam meus convidados.
Mas tende a dignidade de não poluir a natureza que tanta clamam que prezam!
20 de novembro de 2014
Seis meses
Hoje completas seis meses.
Há seis meses que te conheci pela primeira vez, que vi o teu rosto pequenino de bebé de uns meros 2010 gramas.
Quando percebi que querias nascer antes da data prevista, tive medo... por ti. Tive receio que não fosses forte o suficiente...
Quando te vi naquele primeiro minuto, fiquei fascinada com a perfeição do teu rosto, com a tua beleza e as feições tão lindas e perfeitas. Fiquei mesmo abismada pelo quanto eras parecido com o teu irmão. Diria mesmo que naquela mesa do bloco operatório, novamente de braços abertos, qual Cristo na cruz, tive uma sensação de dejá-vu... parecias mesmo o Filipe, mas eras tu, o Ricardo!
A minha bênção!
Aquela que eu pedi em segredo dias e meses, de mim para comigo. Aquela bênção pela qual espereie algumas vezes desesperei.
O teu corpo tão pequenino, sem músculos à vista, os teus dedos fininhos mas tão longos e perfeitos, os teus lábios... iguais aos do teu pai e do teu irmão. A tua pele junto à minha! Fazias ruidinhos tão baixinhos... e eu deleitada.
Os dias na Neonatologia foram complicados para mim. O meu medo continuava presente, mas a esperança de que tu, a minha bênção, não me fosses "roubado"...
Os primeiros três meses foram desgastantes, foram feitos de muito cansaço, algum desespero, muito pouco sono conciliado, muito choro teue meu, mas eu estava feliz, porque tu és a minha bênção e estavas aqui comigo, nos meus braços e junto a mim.
Hoje, seis meses passados, és um menino lindo, tão sorridente e bem disposto! És um bebé sereno e basta pores os olhos em mim, abres o maior sorriso do mundo. Adoras que te façam garatujas e ris à gargalhada, deixando-me derretida e a rir feita patetinha. Detestas estar sozinho e quando te apercebes disso, dás gritinhos para chamar a atenção.
Tens umas bochechas rechonchudas que eu não me canso de beijar!
Adoras chuchar no polegar, contrariando a minha vontade.
Olhas o teu irmão com uma atenção diferente, como que em sinal de admiração, já a adivinhar que vais querer segui-lo para todo o lado!
És geniquento e aprendeste a "dar ao pedal" para embalar a espreguiçadeira e ver os bonecos a baloiçar, enquanto tentas dar-lhes umas "sapatadas".
Às vezes, paro a olhar para ti, para esses olhos castanhos, como duas azeitonas pequeninas, e sou invadida por uma comoção que me deixa à beira das lágrimas, e sinto uma pontada de medo... dos dias em que estivemos em duas alas diferentes do hospital.
Mas tu és a minha bênção, aquela que eu pedi!
E eu não podia ser mais feliz por te ter recebido na minha vida! E sinto-me afortunada por estares aqui e fazeres parte de mim e da minha vida. E és muito amado, e sempre assim serás, meu picaxuxo, meu Rica!
Há seis meses que te conheci pela primeira vez, que vi o teu rosto pequenino de bebé de uns meros 2010 gramas.
Quando percebi que querias nascer antes da data prevista, tive medo... por ti. Tive receio que não fosses forte o suficiente...
Quando te vi naquele primeiro minuto, fiquei fascinada com a perfeição do teu rosto, com a tua beleza e as feições tão lindas e perfeitas. Fiquei mesmo abismada pelo quanto eras parecido com o teu irmão. Diria mesmo que naquela mesa do bloco operatório, novamente de braços abertos, qual Cristo na cruz, tive uma sensação de dejá-vu... parecias mesmo o Filipe, mas eras tu, o Ricardo!
A minha bênção!
Aquela que eu pedi em segredo dias e meses, de mim para comigo. Aquela bênção pela qual esperei
O teu corpo tão pequenino, sem músculos à vista, os teus dedos fininhos mas tão longos e perfeitos, os teus lábios... iguais aos do teu pai e do teu irmão. A tua pele junto à minha! Fazias ruidinhos tão baixinhos... e eu deleitada.
Os dias na Neonatologia foram complicados para mim. O meu medo continuava presente, mas a esperança de que tu, a minha bênção, não me fosses "roubado"...
Os primeiros três meses foram desgastantes, foram feitos de muito cansaço, algum desespero, muito pouco sono conciliado, muito choro teu
Hoje, seis meses passados, és um menino lindo, tão sorridente e bem disposto! És um bebé sereno e basta pores os olhos em mim, abres o maior sorriso do mundo. Adoras que te façam garatujas e ris à gargalhada, deixando-me derretida e a rir feita patetinha. Detestas estar sozinho e quando te apercebes disso, dás gritinhos para chamar a atenção.
Tens umas bochechas rechonchudas que eu não me canso de beijar!
Adoras chuchar no polegar, contrariando a minha vontade.
Olhas o teu irmão com uma atenção diferente, como que em sinal de admiração, já a adivinhar que vais querer segui-lo para todo o lado!
És geniquento e aprendeste a "dar ao pedal" para embalar a espreguiçadeira e ver os bonecos a baloiçar, enquanto tentas dar-lhes umas "sapatadas".
Às vezes, paro a olhar para ti, para esses olhos castanhos, como duas azeitonas pequeninas, e sou invadida por uma comoção que me deixa à beira das lágrimas, e sinto uma pontada de medo... dos dias em que estivemos em duas alas diferentes do hospital.
Mas tu és a minha bênção, aquela que eu pedi!
E eu não podia ser mais feliz por te ter recebido na minha vida! E sinto-me afortunada por estares aqui e fazeres parte de mim e da minha vida. E és muito amado, e sempre assim serás, meu picaxuxo, meu Rica!
5 de outubro de 2014
Uma vida feliz
Às vezes, tudo o que precisamos para perceber o quão felizes somos é um slide-show das fotografias de família, aquelas que ilustram sorrisos, gargalhadas, abraços, beijos, caretas dentolas e olhares marotos.
Mas também aquelas que gravaram para a posteridade um sobrolho levantado, porque estamos aborrecidas com uma qualquer atitude, ou as birras dos filhos, ou um ar sério e compenetrado.
Basta ver desfilar aleatoriamente no écrã do computador as fotografias das férias, dos fins-de-semana, ou até de um final de tarde na praia, ou duma galhofada em casa, para percebermos que tudo o que sempre desejámos para ser felizes está aqui!
Está gravado naquelas fotografias!
Que mais não são do que registos duplicados e bidimensionais das nossas recordações. Porque essas têm cheiros, têm música, sentimentos e emoções!
Basta olhar para as fotografias que se vão sucedendo a cada 20 segundos, para percebermos que somos tão ricos, por nos termos a nós o quatro. Que começámos como dois seres individuais, depois passámos a casal, e a família aumentou para três e agora quatro.
Somos ricos pelos momentos que vivemos juntos, por todos os locais que fomos conhecendo, os passeios, os momentos de lazer.
Somos ricos por sermos felizes assim!
Nãi importa que haja birras e jantares demorados e desassossegados, com comida espalhada e migalhas pelo chão, que haja choros de bebés que nos deixam o cérebro feito em papas, que há dores nas costas e muito cansaço e privação de sono.
Não importa que um filho tente chamar a nossa atenção enquanto o outro berra a pleno pulmão.
Não importa que não sejamos capazes de conversar um com o outro porque há filhos a chamar a atenção ou a berrar estridentemente.
Importa apenas que estamos juntos e que com tanto ou tão pouco, somos felizes!
20 de setembro de 2014
Falipices #77 - Ou será Ricardices #1??!!
Estava na cozinha a preparar o almoço quando da sala ouço o Falipe exclamar:
- Mamã, o mano já segura o coelho (de peluche)!!!
O Falipe descobriu que o irmão já consegue agarrar e segurar objectos no mesmo dia em que o Ricardo completa 4 meses de vida.
14 de setembro de 2014
Parar o tempo
Congelar os momentos junto a ti, em que me sorris com o olhar e meneias ligeiramente a cabeça em sinal de vergonha, esse teu sorriso rasgado e absolutamente delicioso que me derrete o coração a cada dia que passa.
És doce e sorridente, és o meu menino com ar de safado, a prometer muitas traquinices futuras.
Quero gravar bem dentro da minha memória este teu sorriso rasgado com que me olhas, em sinal de amor incondicional.
E eu amo-te infinitamente.
18 de julho de 2014
Sorri sempre, sorri!
A dois dias de completares dois meses, hoje sorriste intencionalmente quando te fiz uma garatuja!
Um sorriso rasgado, lindo, nos teus lábios perfeitos.
Eu e o teu pai ficámos literalmente derretidos...
Agora que sabes sorrir, meu filhote, sorri muito.
Sorri sempre!
8 de julho de 2014
Falipices #74
À hora de jantar, ao vê-lo com ar cansado e pensativo, o pai pergunta-lhe:
- Estavas a pensar no quê?
- Eu estava a pensar que quando for grande... sabes... vou comprar uma prancha de surf.
- Ai sim?
- Tu não querias uma prancha de surf, papá?
- Mas eu não sei surfar...
- Sabes, é fácil! Vais assim em cima da prancha e depois pões-te em pé na onda e depois shhhhhhhh... vais assim na água da onda.
Ah bom... é assim fácil, não é filho?!
- Estavas a pensar no quê?
- Eu estava a pensar que quando for grande... sabes... vou comprar uma prancha de surf.
- Ai sim?
- Tu não querias uma prancha de surf, papá?
- Mas eu não sei surfar...
- Sabes, é fácil! Vais assim em cima da prancha e depois pões-te em pé na onda e depois shhhhhhhh... vais assim na água da onda.
Ah bom... é assim fácil, não é filho?!
21 de junho de 2014
Um mês de maternidade dupla
Ricardo,
Hoje completas um mês de vida.
Ainda era suposto estares na minha barriga, no calor do meu corpo.
Ao invés, estás envolvido nos meus braços.
Reconheces a minha voz perfeitamente e fixas o meu rosto com os teus olhos ainda acinzentados.
Pesas quase 2,5 kg e cabes em pleno nos meus braços e eu... eu estou derretida contigo, com a tua pequenez, a perfeição do teu rosto e a suavidade da tua pele, os teus dedos, mãos e pés lindos e perfeitos, tudo em ti é perfeito!
Foste a bênção que pedi e não podia ter sido mais abençoada!
Fico derretida com as tuas expressões faciais, mesmo que ainda sejam puramente involuntárias, com as caretas que fazes, nesse teu rosto tão bonito.
Adoro ver-te dormir, pela paz que irradias, tão sossegado e inocente.
Não podia nunca imaginar que te amaria tanto assim, que o meu coração ia aumentar de tamanho, que a minha vida como mãe e mulher poderia estar ainda mais preenchida!
Ainda estou a habituar-me à rotina, aos horários e a gerir uma vida com dois filhos, lindos e maravilhosos mas o meu amor é incondicional!
Obrigada filho por toda a felicidade e alegria que me dás todos os dias!!
20 de março de 2014
Semanário de gravidez #8
Desta vez estou a esmerar-me, já comprei quase metade das coisas da lista que fiz, de coisas necessárias. As restantes pretendo comprar hoje. No fim de semana, separei as roupas que eram do Falipe e que poderão servir ao irmão, apesar de nascerem em alturas do ano diferentes. Estou a cumprir os planos tão à risca que é melhor não deitar foguetes para já... mas estou a esforçar-me bastante para desta feita não deixar tudo para as últimas três semanas, como sucedeu na primeira gravidez...
A barriga está cada vez mais crescida, já me pesa especialmente ao subir escadas.
Começo a sentir aquele tique de irritação-irritativa, porque agora que começo a ter alguma dificuldade em dobrar-me e agachar-me, parece que tudo e mais alguma coisa me cai das mãos... às vezes tenho uma leve impressão que as minhas mãos estão a provocar-me deliberadamente, como se fossem um ente separado do meu corpo, tipo duende maléfico.
Esta semana fui à consulta com o obstetra e ao que parece, a profecia do Falipe confirma-se: o mano aparenta ter umas valentes bochechas gordas! E foi um derretimento pegado ver os movimentos dele a abrir e a fechar a boca.
As sessões de esperneio dentro da minha barriga continuam. Então se começo a comer, parece que há festa na barriga!
Coincidência ou não, o bebé esperneia veementemente sempre que ouve o irmão chorar porque se magoou ou quando decide fazer uma birra. Fico mesmo com a sensação de que é uma manifestação de protesto por ouvir o irmão chorar. Se isto são os primórdios da solidariedade fraterna masculina, estou tramada!
Entretanto, o bebé gosta muito do jogo do gato e do rato. Assim que começa a bailar dentro da minha barriga e eu tento que o pai aprecie o espectáculo, assim que sente a mão do pai em cima da minha barriga, imobiliza-se de imediato. Faz o mesmo com o irmão mais velho... comigo, basicamente só se esquiva para outro quadrante da barriga.
Vais ser fresco, vais...
Entretanto, como isto de viver a gravidez não é só no feminino, deixo aqui um bom relato de pai sobre viver uma gravidez.
19 de março de 2014
Falipices #69 - tipos de pai
Na escola, andam a fazer actividades alusivas ao Dia do Pai.
Falipe começa a contar-me meio atabalhoadamente sobre isso.
- Sabes mãe, existem vários tipos de pai.
- Ai sim?
- Sim, há o pai médico, o o pai bombeiro, o pai casado...
- E o teu pai, de que tipo é?
- O papá é o pai careca!
Falipe começa a contar-me meio atabalhoadamente sobre isso.
- Sabes mãe, existem vários tipos de pai.
- Ai sim?
- Sim, há o pai médico, o o pai bombeiro, o pai casado...
- E o teu pai, de que tipo é?
- O papá é o pai careca!
5 de fevereiro de 2014
Pérolas de sabedoria popular
Era comum a minha mãe guardar pequenos pedaços de papel, fossem eles receitas de cozinha que ela queria experimentar, um recorte de jornal, uma oração que ela queria decorar ou uma página de um almanaque com informação que ela entendeu pertinente.
Cresci a encontrar destes pequenos pedaços de papel dentro das gavetas da minha mãe e guardo ainda hoje, as receitas dactilografadas ou manuscritas na sua linda caligrafia, rabiscadas à pressa numa folha de um bloco Castelo A5...
Já o meu pai guardou alguns almanaques completos, alguns com datas de 1954 ou 1956 e eu adorava folheá-los quando era miúda. Encontrava lá de tudo, desde mezinhas, a orações, pequenos apontamentos da história de Portugal, efemérides, orientações agrícolas, anedotas e horóscopos e claro, pérolas de sabedoria popular.
Descobri este recorte já surrado e remendado com fita-cola no meio das coisas da minha mãe e guardei-o num dos meus muitos cadernos. Há pouco tempo encontrei-o e sorri por tê-lo guardado, porque pérolas destas já são difíceis de encontrar...
Só tenho pena de não saber de que ano é.
Analisando bem esta lista, acho que tenho mesmo que trabalhar no ponto n.º 4...
1 de julho de 2013
"Acampamento cigano"
Gosto quando a famelga e amigos mais restritos se junta em festas.
Gosto da azáfama dos preparativos.
Gosto dos rostos sorridentes. Gosto dos sorrisos de quem apreciar juntar-se assim.
Gosto das gargalhadas e da barulheira dos adultos, que se sobrepõem ao ruído dos miúdos.
Gosto da partilha natural, de saberes, de experiências, de histórias de outros tempos.
Gosto das piadas galhofeiras entre uns e outros, na picardia inofensiva.
Gosto de ver os miúdos brincarem juntos, de fazerem queixinhas de uns e de outros, de os ver correr e saltar pelo quintal e às vezes pela horta dos meus primos adentro.
Gosto de me abancar e saber que se quiser comer, como e se não quiser, fico só na converseta.
Gosto de ouvir o D. Dinis dizer: "comam moços!"
Gosto de ver a Albertina, do alto dos seus 80 anos, dobrar a espinha e tocar com as mãos no chão e dizer com a maior naturalidade que foi praticante de Tai-chi durante 4 anos.
Gosto de sentir o quanto gostam de mim, sem reservas ou expectativas, a não ser estar presente e apreciar boa companhia.
Gosto de gostar deles todos, cada um à sua maneira e gosto de fazer parte desta família meio amalucada, que sempre que se junta, mais parece que monta a tenda do "acampamento cigano".
Saio de lá cansada, de rastos, mas de alma lavada e coração cheio!
Olho para o Falipe e percebo o quanto ele fica feliz por fazer parte disto tudo!
17 de maio de 2013
Já que a Primavera foi para parte incerta...
Eu cresci metade na cidade, metade no campo.
Eu cresci metade no campo a brincar com as flores campestres.
Eu cresci a fazer colares e pulseiras com flores, a beber o doce néctar das flores das palmas de Santa Rita, a ficar com os dedos peganhentos do crude do "mato estêva", a despir os "rabos de coelho" das suas sementes, a ver as pêras crescer na árvore... a comer erva azeda e deitar-me nos campos e fazer "anjos", como se fosse na neve... de correr pelos campos e olhar para trás para ver o rasto que tinha deixado. Eu cresci a brincar debaixo da daroeira que cresceu de arbusto e se fez árvore robusta, que segurava o baloiço artesanal de contraplacado marítimo e corda de sisal que o meu avô Manuel me fez!
Eu cresci metade no campo a ver a Primavera despontar até mostrar o seu esplendor.
Agora que sou crescida, por vezes passo nos campos carregados de flores e sinto uma vontade urgente de parar o carro e sair a correr pelos campos, deixando o rasto e deitar-me a fazer anjos no meio da erva!
29 de abril de 2013
Falipices #39
Sempre me preocupei em ser boa mãe.
Sinto que o sou!
Tenho os meus defeitos e não há mães perfeitas.
Mas fico com a certeza que sou boa mãe para o Falipe, sempre que o ouço dizer-me espontaneamente, sem segundas intenções ou água-no-bico, enquanto me abraça e afunda o rosto perfeito na minha barriga:
- Gosto muito de ti mãe!
26 de abril de 2013
Aprendizagem ao longo da vida
Nem só na escola se aprende... e eu aprendi tantas coisas que me ajudaram na escola, na faculdade, na vida pessoal e na vida profissional. Pequenos ensinamentos que prezo, não só pelo ensinamento em si, mas pela recordação de quem mo transmitiu e assim me enriqueceu ainda mais.
Além do mais, nunca se sabe quando vamos precisar de utilizar estes pequenos apontamentos de saber.
Com a minha mãe aprendi (lista altamente redutora, já que foi ela que me ensinou a amar de forma incondicional...):
- redigir actas de reunião e a escrever rapidamente usando todos os dedos da mão (na altura, numa máquina de escrever)
- a consultar correctamente um dicionário
- a tabuada, as regras de 3 simples e a fazer a prova dos 9
- a fazer pastéis de batata doce
- a amassar e a tender pão e folares
- a coser à mão e à máquina
- a "crochetar"
- a encher chouriças de carne e a fazer farinheiras
- a caiar paredes a pincel
Com o meu pai aprendi a:
- ceifar erva e mato
- a sachar ervas daninhas e a abrir regos na terra para semear
- que um alqueire de feijão/grão leva 20 litros e que tem peso diferente consoante se é feijão ou grão
- a usar o dinheiro em meu proveito e a não viver escrava dele- a vindimar
- a acertar um relógio de ponteiros
- que um belo copo de aguardente ajuda nas dores de dentes
Com o meu avô Manuel aprendi:
- a debulhar maçarocas de milho, usando um sabugo
- a tirar as bandeiras do milho
- que os "figos-do-inferno" são tóxicos
- que dum pedaço de cana se pode fazer uma flauta
- que se pode fazer um baloiço com dois pedaços de corda e um tijolo
- que os sobreiros são descortiçados de 10 em 10 anos
- que quem não sabe ler pode ser mais sábio do que muitos letrados.
Com a minha tia Albertina aprendi:
- que se pode viver bem, com menos
- que a vida é aquilo que fazemos dela!
- a fazer bolo de marmelada e nozes
Com a minha tia Margarida, com os seus olhos azuis e cabelos totalmente brancos aprendi a:
- fazer calda de mel para os coscorões
- a usar amendoins para melhorar a compota de tomate e de abóbora
- que não é preciso ter uma avó viva, para termos uma!
Com o meu tio Fernando aprendi:
- a ordenhar vacas
- que os gansos são agressivos e mal dispostos
- que há quem viva toda a vida orientado pela ganância
Com a minha prima Rosária aprendi a:
- usar sal grosso para tirar o sabor duma caldeirada queimada
- o tempero ideal para uma feijoada de buzinas
- aprendi a fazer uma caldeirada como deve ser
- a amanhar peixe e a usar água salgada para lavar o peixe e deixá-lo mais saboroso para a brasa
- a demolhar bacalhau em leite antes de ser assado na brasa, para ficar mais macio
Com todos os meus colegas de faculdade e a Goudinha aprendi:
- que a amizade, quando existe e é verdadeira, perdura independentemente das barreiras físicas ou temporais.
Com o meu mais que tudo, aprendi:
- a apreciar boa música
- a identificar estrelas e constelações no céu
- a partilha, o respeito e o companheirismo
Com o meu filho aprendi:
- a perdoar em 30 segundos
- a cultivar a paciência
- a amar incondicionalmente
22 de fevereiro de 2013
30 de novembro de 2012
Acordar com um sorriso
Aquele momento em que o teu pai te deposita ainda meio adormecido na cama, ao meu lado, e tu fazes o movimento imediato de te chegares a mim, para te aconchegares no meu calor, como quem procura o exacto espaço onde se sente confortável, é algo de indescritível.
E eu fico com aquele sorriso pateta de mãe galinha com os filhotes debaixo da asa, e aqueço-me no calor que tu, qual bombinha aquecedora, emanas junto a mim. Eu observo o teu rosto e fico todos os dias novamente abismada perante ti, pensando em como eu e o teu pai concebemos o ser tão lindo e perfeito.
Os meus despertares habitualmente rabugentos foram substituídos por um sorriso rasgado de quem descobre a cada amanhecer um novo tesouro: o coração a transbordar de amor por ti!
Fazer ronha por dez minutos para estar assim ao teu lado faz valer tudo a pena!
Passados cinco minutos, tu despertas por completo e de repente parece que eu e o teu pai estamos metidos numa montanha russa ou num rodeo, a tentar vestir-te enquanto tu pulas e saltas e te mexes energicamente revirando tudo à tua passagem!
Bom dia, Caluxo!
20 de setembro de 2012
Oficialmente Záfonizada!
Dizer que devorei este livro como se não houvesse amanhã deve corresponder mais ou menos à verdade.
Este livro aparecia bem referenciado em tudo quanto era lado, mas quando há pessoas como a Melissinha que dizem que é uma leitura obrigatória, é porque há fogo neste fumo!
Fiquei presa a uma história mesmo muito bem escrita, com personagens ricas e bem caricatas, num enredo muito bem construído com reviravoltas surpreendentes e totalmente inesperadas. Há anos a anos que não me sentia assim fascinada por um livro como sucedeu com este.
Mesmo a duas ou três páginas do fim não era capaz de perceber como aquilo iria acabar... e isso deixou-me em suspense, fez-me ler 50 ou 60 páginas de uma assentada com uma sofreguidão enorme, ansiando chegar ao fim, mas sempre com aquela percepção de que depois de chegar ao fim não iria querer mais que a história lá chegasse...
Este é um livro que vou guardar como um verdadeiro tesouro entre os muitos, mas mesmo muitos que tenho em casa!
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