Preciso de sol, como do pão para a boca.
Estas últimas semanas de dias cinzentos fizeram das suas em mim.
Pode parecer parvo e até mesmo cliché, mas eu sou um ser que não vive bem sem sol!
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29 de janeiro de 2013
25 de janeiro de 2013
Contemplar
Teria eu uns oito, nove anos quando comecei a aperceber-me que o meu pai chegava a casa, estacionava o nosso velhinho Fiat 127 azul escuro em frente ao prédio e ali ficava, sentado, sem sair do carro para entrar em casa.
Ficava ali por uns dez a quinze minutos a contemplar o vazio, como que alheado de tudo e de todos à sua volta.
Comecei a espiá-lo por detrás dos cortinados rendados da janela do meu quarto. Ficava meio encolhida a vê-lo a contemplar o vazio, sentado no nosso Fiat 127, sentado ao volante... Era como se estivesse a acompanhá-lo, mesmo sem que ele soubesse.
Parecia que ele estivesse a fazer um compasso de espera, antes de entrar em casa. Como se em casa não pudesse ter tempo ou espaço para ficar sentado a contemplar o vazio...
Eu questionava-me sobre o que poderia levar o meu pai, esse homem alto e forte, bem disposto e carinhoso, a ficar sentado dentro do carro a olhar fixamente para o nada.
Questionava-me sobre que pensamentos lhe estariam a ensombrar o espírito. Vezes houve que gostava de ser um pequenino ser com poderes para lhe ler os pensamentos.
Naquele contemplar havia como que uma certa expressão de tristeza no rosto... como se ele estivesse a tentar fugir à realidade... e eu queria tanto perceber o que lhe ia no pensamento e no coração.
Há umas semanas atrás, dei por mim, sentada dentro do carro, ao volante, parada e quieta a contemplar o vazio, em frente à porta do infantário do meu filho.
Naquele momento fixava um ponto qualquer que nem sei bem qual era, mas os meus olhos estavam abertos, sem pestanejar. No entanto, não viam nada de concreto, não observavam qualquer pormenor...
O pensamento permanecia parado, oco, como se o cérebro estivesse desligado. Como se tivesse hibernado instantaneamente...
Sei que estive neste estado, nesta espécie de transe contemplativa, por uns bons dez minutos. Durante esse tempo, olhei fixamente o vazio e não pensei em rigorosamente nada... Não sei sequer que propósito este estado tinha para mim...
E de súbito, tal como sucedia com o meu pai, como que "despertei" e caí em mim, retirei a chave da ignição do carro e saí para ir ao encontro do meu pequeno tesouro.
Porém, tive a percepção de que algum modo, foi como se recuasse no tempo... mas a uma pessoa diferente.
28 de novembro de 2012
"A arte perdida de escrever cartas"
Andava eu a seleccionar uma série de fotografias por causa de uma prenda de natal e fui encontrar esta foto que tirei na Praça dos Aliados, numa ida ao Porto.
Quando a encontrei achei que seria perfeita para ilustrar um post no qual já andava a matutar havia que tempos, sobre as saudades que sinto de escrever cartas às pessoas, aos amigos, à família, como sempre tive o hábito de fazer. E também das saudades que sinto de receber cartas, nem que seja a dizer que as novidades não abundam e que a carta foi mesmo só para falar do tempo e dizer que está tudo bem. E de como estou farta de apenas receber cartas que encerram contas e facturas e recibos... o que fez com que deixasse de encarar a minha caixa do correio como um objecto que encerra no seu interior a emoção de contactos de pessoas de quem gosto.
Convém ressalvar que ultimamente tenho tido o privilégio de receber algumas encomendas e algumas missivas bem agradáveis, juntamente com pequenos presentes de pessoas a quem comecei a estimar recentemente!
No entanto, o facto permanece! Deixámos de escrever-nos uns aos outros, ou então mudámos o formato em que se revestem as nossas cartas. Agora é tudo por e-mail e por sms, e por mais que o efeito de saber notícias de quem gostamos seja semelhante, não poderá nunca estar à altura duma missiva, manuscrita, com a letra escrevinhada num papel.
Ahhhhh e poderia dizer tanto sobre o papel de carta e a forma como a escrita a percorre e embeleza. Porque o papel por vezes encerra o perfume característico da casa de quem o enviou, ou até mesmo do perfume do emissário.
E o que poderia dizer do envelope e do acto de o abrir. A expectativa que se forma no nosso peito e na nossa mente, carregada de curiosidade do que vem no interior do envelope.
Eu sempre fui uma romântica incurável no que a cartas diz respeito. Tenho caixas onde as guardo, juntamente com postais. Há tempos, encontrei por acaso as cartas que a minha mãe me enviou quando esteve internada no IPOFG, e que foram talvez as únicas cartas no verdadeiro sentido a palavra (porque a minha mãe deixava-me bilhetinhos sempre que podia, com pequenas mensagens) e as últimas palavras manuscritas por ela, para mim. Falavam de coisas puramente triviais, do seu dia a dia, dos tratamentos, das pessoas que a rodeavam, médicos, enfermeiros e pacientes como ela. Havia em todas elas gravada a saudade que tinha de mim e do meu pai, por estarmos apartados e da sua ansiedade em poder ter alta para regressar a casa. E encontrei junto às cartas dela as minhas cartas para ela, nesse mesmo período. Em que eu falava da vida em casa, dos dias na escola e das notas dos testes do meu 11.º ano acabado de iniciar... Encontrei-as juntas porque as reuni há uns anos, num dia de arrumações.
Talvez por essa razão, os meus diários consistam em cartas que escrevo à minha mãe... porque sempre achei estúpido escrever algo dirigindo-me a uma entidade abstracta como "querido diário"...
E talvez por gostar tanto de escrever cartas é que decidi escrevê-las ao meu filho logo desde que o tempo em que ele estava no meu ventre.
É claro que esta minha ideia não tem nada de original, e faço-o com um propósito muito próprio, muito meu. Porque de alguma forma, as cartas são um ente adormecido, mas carregado de uma vida enorme, que se renova momentaneamente sempre que relemos uma carta. São o rastilho para descerrar memórias que estão no fundo do baú que é o nosso subconsciente e perdoem-me, mas eu sou uma saudosista até ao tutano!
As cartas são um objecto poderoso, que atravessa gerações e que toca pessoas de forma inegável!
Senão vejam:
27 de novembro de 2012
Imagens que me fazem sorrir
Na hora de almoço, passar por um casal de estrangeiros, na casa dos 60, na paragem do autocarro, abraçados um ao outro, com ela aninhada ao pescoço dele, enquanto ele a protege do vento agrestemente frio!
Quis parar para registar aquele momento de "ohhh, tão fofos!", mas estava no meio do trânsito...
21 de novembro de 2012
O rectângulo das Bermudas
"Fausto olhava a linha do horizonte com expectativa, enquanto seguia ao leme da sua nau.
Há
muito que tinha deixado de mudar de direcção no seu leme, porque pura e
simplesmente tinha deixado de saber que caminho queria seguir, o
bombordo e o estibordo pareciam-lhe a mesmíssima coisa.
Havia
muito que a sua nau, a Elena, deslizava calmamente sobre as águas
pacíficas empurrada por uma brisa suave, que lhe enfunava as velas.
Fausto
decidira abdicar do esforço de pesquisar incessantemente as cartas
marítimas, sem conseguir determinar o próximo destino. Esperava que
aquela brisa suave encaminhasse sabiamente Elena e finalmente chegassem a
um porto.
No
fundo, Fausto não se sentia capaz de decidir o rumo que queria dar ao
leme de Elena, mas era facto que havia já largos meses que navegavam sem
avistar terra, sem encontrar tempestades ou turbulência marítima. A
quietude do oceano era monótona, enfadonha e desprovida de entusiasmo...
Se não fosse o seu sentido de orientação, Fausto poderia ser levado a pensar que estava a navegar em círculos sem nunca sair do mesmo quadrante marítimo.
Se não fosse o seu sentido de orientação, Fausto poderia ser levado a pensar que estava a navegar em círculos sem nunca sair do mesmo quadrante marítimo.
Por
isso, Fausto esperava placidamente que a brisa suave lhe sussurrasse ao
ouvido o nome do próximo local onde deveriam aportar.
No entanto, todos os dias sentia um misto de alívio por não ter ainda ouvido esse sussurro, e de uma angústia por continuar a vogar quase à deriva pelas águas oceânicas, dia após dia, sem rumo nem destino.
No entanto, todos os dias sentia um misto de alívio por não ter ainda ouvido esse sussurro, e de uma angústia por continuar a vogar quase à deriva pelas águas oceânicas, dia após dia, sem rumo nem destino.
Fausto
queria chegar depressa, mas hesitava simultaneamente em apressar o
navegar de Elena, para chegar onde pudesse lançar âncora e partir à
descoberta de uma nova terra."
21 de junho de 2012
Na margem do rio "disclaimer"
O Kuka fez um reparo e bem, sobre esta casa linda que mostrei.
E sim, Luísa, é um moinho de maré recuperado.
Aliás, ao longo do rio Arade existem outros, uns em ruínas e outros recuperados. Sei que um deles depois de ter sido recuperado, foi totalmente vandalizado, na ausência dos seus donos.
Ora dizia eu que o Kuka fez um reparo e foi bastante acertado, sobre a localização da casa e em particular da vista que esta casa tão pitoresca tem... Curiosamente, Kuka, já tinha tirado as fotos, mas não as tinha publicado...
A casa é realmente pitoresca, mas a poucos metros passa a estrada nacional, com um movimento de carros diário, que produz um ruído que consegue ser bastante desagradável...
Além do mais, logo depois da estrada /ponte ficam umas salinas... com isso vêm os maus cheiros e os insectos todos e mais alguns.
E já nem falo do cheiro nauseabundo das lamas do rio, consoante as marés e a orientação do vento.
Por isso, esta casa é pitoresca, com certeza, mas a sua localização já não o é assim tanto.
Decidi mostrá-la porque a acho encantadora e uma inspiração para mim, para um dia que tenha possibilidade de recuperar a minha casa de campo!
Gostei da forma como mantiveram as características da casa, e como lhe adicionaram alguns elementos "modernos" que ajudaram ainda mais a manter a tipicidade deste antigo moinho de maré.
Aqui ficam as fotografias do que está do outro lado da estrada/ponte.
18 de abril de 2012
1 de fevereiro de 2012
Caminhar
Decidi tomar uma atitude em relação ao meu corpo e ao peso excessivo que teima em não me largar há já muito tempo!
Como nem sempre consigo fechar a boca, a minha dieta tem avanços e recuos sucessivos, por falta de motivação que é acirrada pela gula e pelo vicío nessa substância branca ou amarelada chamada açúcar... decidi que tenho que mexer o corpinho!
Além disso, de outra forma não me vou livrar da bóia de salvação tamanho XL que se assolapou em torno da minha cintura, se não me exercitar.
O meu corpo está perro, pesado, entariçado, e as articulações e engrenagens rangem como uma corrente de bicicleta que não é oleada há muito.
A minha cidade fica à beira-rio e beira-mar plantada, logo tem espaços bem agradáveis onde se pode facilmente caminhar o quanto quisermos e sem custos, escolhi a zona ribeirinha para caminhar. Apanhar o cheiro a maresia e apreciar o sol de inverno que se tem feito sentir.
Além de caminhar e perceber o estado de atrofio do meu corpo, ainda consegui tirar algumas fotografias interessantes (pena que com o telemóvel, na próxima levo mesmo a pelingráfica) e apreciar uma exposição de esculturas em mármore mesmo junto ao rio.
Assim aproveito a hora de almoço de forma saudável, já que nestes dias farei almoços mesmo muito light.
30 de junho de 2011
Balanços
O meu bom amigo Mfc publicou esta fotografia o mês passado, cuja imagem e texto me ficaram imediatamente no goto! E logo ali decidi que havia de escrever sobre isso...
Revi-me naquelas palavras tão sábia e simplesmente escritas, porque eu sou assim mesmo... volta e meia, começo a pôr tudo em causa, analiso tudo à lupa!
Faço frequentemente balanços daquilo que sou, do que fiz, do como cheguei onde estou e no que me tornei, no que ainda quero fazer, no que em tempos quis fazer e agora parece ter deixado de fazer sentido!
E sempre que olho para trás tento perceber que caminhos percorri ao longo da minha existência e concluo quase invariavelmente que fiz coisas que nunca pensei fazer... que alcancei coisas que nunca acreditaria que ia alcançar se mo tivessem afirmado...
Nunca tive um plano muito específico de vida, nunca fui de dizer que "eu quero ser isto quando for grande!"... e a Naná que um dia pensou que o seu futuro seria na carreira diplomática, desencantou-se e acabou por descobrir outra vocação, muito mais útil a meu ver e para a qual sei que tenho muito mais perfil.
Numa altura, custou-me perceber que não iria exercer qualquer profissão directamente relacionada com a licenciatura que tirei na área das Relações Internacionais, e nunca imaginei que viria a aterrar no mundo que são as obras! Mas não me arrependo, porque isso fez de mim uma pessoa muito melhor, mais feliz e mais realizada profissionalmente! Se me perguntarem se eu tornaria a tirar a licenciatura, caso pudesse mudar o meu passado, respondo firmemente que sim! Tiraria sim senhora! Porque os amigos que fiz nesse percurso, as vivências e os conhecimentos que obtive nesse processo valem tanto, mas tanto...!
Quando me ponho a fazer estes balanços de vida, concluo quase sempre que apesar de não estar propriamente onde pensaria que ia estar, não sou menos feliz por isso... Pelo contrário!
E concluo também que tenho poucos arrependimentos... Se dada a oportunidade, obviamente mudaria algumas coisas que fiz no passado, sim! Mas não choro sobre leite derramado e aceito-os como erros que cometi para poder aprender a viver mais feliz...
Acho que o maior arrependimento que sinto nos dias de hoje foi não ter querido aprender a costurar, não ter aceite os inúmeros ensinamentos da minha mãe nessa área... ela bem que se esforçou e sempre me avisou que um dia me arrependeria... e estava certa! (Mas não é nada que não possa reverter e por isso recentemente lancei-me nessa tarefa de aprender as artes da linhas e dos tecidos!)
Depois apercebo-me que já consegui tanto, à custa de muito esforço, sim..- Mas consegui!!
Às vezes dou por mim a sorrir quando me apercebo que há coisas que sempre desejei ter e fazer e que me aconteceram efectivamente! Podem não ter acontecido pelos meios ou das formas que eu esperava e desejava, mas era aquilo que eu queria!! E só me ocorre aquela expressão inglesa: "good things come to those who wait"...
Portanto, a avaliação final que faço sempre é que vale a pena, tem valido a pena! Tenho lutado muito, mas tenho tanto por que estar grata: tenho um companheiro excelente que amo e me ama, e daí nasceu a pessoa mais bonita que eu conheço e de quem tenho o privilégio de ser mãe e que eu mais amo neste mundo, tenho 1 licenciatura e duas pós-graduações que me abriram portas no mundo laboral e me permitem ter um emprego que gosto e com um rendimento bastante razoável, tenho duas casas "dos meus sonhos", uma família pequena mas linda que me apoia sempre! E uns quantos bons amigos que mesmo geograficamente distantes, estão sempre comigo!
Perdi os meus pais muito cedo, mas fiz tudo por tudo para ultrapassar a dor e seguir em frente. Não me deixei dominar nem definir pelo sofrimento que isso me causou! Hoje vivo com a saudade e a memória deles e é nisso que busco muitas das minhas forças! Assim como no meu filho e no meu amor!
Tenho tanto por que estar grata e tenho projectos para o meu futuro! Há tanta coisa que quero ver, fazer, experimentar... viver!
Por tudo isto, no fim das contas parciais feitas, o balanço é altamente positivo!!
Perdi os meus pais muito cedo, mas fiz tudo por tudo para ultrapassar a dor e seguir em frente. Não me deixei dominar nem definir pelo sofrimento que isso me causou! Hoje vivo com a saudade e a memória deles e é nisso que busco muitas das minhas forças! Assim como no meu filho e no meu amor!
Tenho tanto por que estar grata e tenho projectos para o meu futuro! Há tanta coisa que quero ver, fazer, experimentar... viver!
Por tudo isto, no fim das contas parciais feitas, o balanço é altamente positivo!!
27 de maio de 2011
Casa de Gelados n.º 1
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| tirada da net |
Ontem, depois de sair do trabalho, vinha a passar na zona ribeirinha da cidade que me viu nascer e crescer, quando decido parar o carro e ir comer um sorvete à Casa de Gelados n.º 1.
Sentei-me num banco de jardim e enquanto me deliciava com aqueles sabores (pistachio e iogurte e chocolate e baunilha) contemplei o lago em frente, com o seu repuxo e o rio que borbulhava lentamente ao meu lado esquerdo, com os barquinhos a ondular...
E relembrei tanto de há tantos anos atrás...
Quando era uma menina de apenas 5 ou 6 anos, de vez em quando a minha mãe ia-me buscar à ama e levava-me aos "Baloiços", o parque infantil da minha eleição, bem no centro da cidade, que já não existe e do qual apenas me restam as memórias de momentos muito bem passados e um quadro pintado a guache que encontrei numa loja de souvenirs em Faro há uns 8 anos atrás (quando o vi, reconheci logo o parque dos baloiços e do escorrega grande). Quando lá íamos, eu fazia sempre o pedido do costume: "mãe, vamos comer um gelado ao Largo da Casa Inglesa!" e a minha mãe quase sempre acedia ao meu pedido!
Na altura, comíamos sempre um sorvete da Casa de Gelados n.º 1, que era praticamente a única que lá havia, só tendo tido concorrência de uma gelataria, teria eu uns 8 anos... Eu sabia que íamos lá comer o sorvete porque era onde ficava mais barato. Mal sabia eu que era também onde eram melhores, mais deliciosos!
A dúvida quando lá chegava era sempre a mesma: escolher entre os dois/quatro sabores disponíveis! Chocolate e baunilha ou Morango e Chantilly...
Já adolescente, passei lá com amigos, para ficar a saber com toda a satisfação que já podíamos combinar os dois sabores (ou quatro...) num só gelado. E há poucos anos atrás descubro, ainda com mais satisfação, que eles tinham "criado" mais um sabor: pistachio e iogurte! O meu sabor preferido de todos...
Por isso, ontem resolvi parar um pouco e pôr a azáfama diária da rotina quotidiana, e durante 10 minutos saborear um sorvete! Tirei aqueles 10 minutos só para mim, sem correrias, sem relógios a fazerem tique-taque!
E sem dúvida, a Casa de Gelados n.º 1 mantém-se a minha casa de sorvetes de eleição, porque os sabores continuam os mesmos desde que me conheço por gente!!
14 de maio de 2011
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| foto by Naná |
Este é um dos meus locais preferidos, logo a seguir à "minha" Arrifana!
Gosto de me sentar na esplanada, beber um café, enquanto escrevo no meu moleskine ou leio um livro e de vez em quando, elevo os olhos para apreciar a beleza deste local!
E por uns minutos, abandono-me e deixo-me embalar pelo ondular dos barquinhos de pesca que repousam na ria...
11 de maio de 2011
Gosto de ti com todos os teus defeitos!
Era uma frase que estava escrita em francês numa caneca de leite duma colega minha de faculdade, com quem partilhei casa durante 2 dos anos que estive em Coimbra. A caneca era giríssima, porque tinha sido feita propositadamente com imensos defeitos. Não era cilindrica, nem para lá perto! E eu achava que aquela frase encerrava uma tremenda verdade!
Quem gosta de nós, a sério, mas mesmo a sério, a valer, gosta de nós como somos, com as nossas imensas qualidades, mas também tolera e aceita que não somos perfeitos, e por isso, gosta de nós com os defeitos que temos.
E como gosto de pensar que sou realista (para uns uma qualidade, para outros um defeito...) decidi que vou listar alguns dos meus:
- teimosa - mesmo mesmo, a minha dizia que eu até para nascer tinha sido teimosa! - mas como alguém que eu conheço, costuma dizer: para teimar são precisos dois!
- preguiçosa - há dias em que não me apetece fazer mais nada do que estar a "pastar a vaca", se bem que este defeito é ocasional e temporário...;
- impulsiva - já me custou alguns dissabores!
- frontal - outra que me custou alguns dissabores - isto de se dizer o que se pensa, no exacto momento em que se pensou, sem querer saber quais as consequências ou a quem dói, nem sempre é bem aceite;
- "procrastinadora" - quando algo não me agrada prefiro adiar indefinidamente, a ver se a coisa se resolve por si só, e de preferência sem que eu tenha que me envolver muito;
- reajo mal a criticas - sejam elas boas ou más! fico logo na defensiva... isso, em parte devo-o um pouco ao meu pai, que era uma pessoa sempre pronta para apontar os defeitos aos demais, e a mim então... (sei que ele não fazia por mal, mas estar sempre a ser apontados os meus defeitos, reais ou imaginados por ele, custa!)
- fala-barato ou matraca como me auto-apelido! estou sempre "blá-blá-blá" - às vezes têm mesmo que me mandar calar...
-tenho o mau hábito de interromper as pessoas quando estão a falar, porque me surgiu uma ideia ou porque tenho uma história que vem mesmo a propósito - já fui inclusivamente chamada à atenção no local de trabalho... e tenho vindo a fazer progressos nesse sentido!
Ingénua - acredito demasiado nas pessoas, acho sempre que elas são boas e têm princípios e valores morais, o que já me granjeou algumas desilusões bem grandes, porque nem todos são pessoas com carácter...
Bem, devo ter outros, mas agora estes são os que me saltam mais à vista!
Mas por outro lado, gosto de pensar que tenho qualidades: gosto de ser justa, e se achar que me enganei, dou a mão à palmatória, e peço desculpa!
27 de abril de 2011
Vidas esforçadas
Na vida, esforçamo-nos tanto!...
Por tudo, por nada, por conta de outras pessoas, por e perante aqueles que amamos, por e perante aqueles com quem trabalhamos, por aqueles a quem queremos bem, por aqueles a quem queremos menos bem, ou por aqueles que até nos são indiferentes, sempre na tentativa de ser perfeitos.
Esforçamo-nos por estar à altura, para não dar parte fraca, não desiludir os outros, por não nos desiludirmos as nós mesmos!
Esforçamo-nos porque queremos poder ler muitos livros de muitos autores, ouvir muitas músicas de muitos músicos, em cd ou em concerto, ter muitos passatempos, experimentar muitas coisas novas e diferentes. Esforçamo-nos por viajar muito, para conhecer muitos lugares, estar sempre em cima da actualidade, saber muito sobre muita coisa, ser muito cultos e sábios.
Esforçamo-nos por ser melhores que o colega, o vizinho, a tia, a prima, a amiga.
Esforçamo-nos por ter um carro melhor, mais caro, mais veloz, mais bonito. Esforçamo-nos por ter uma casa maior, mais cara, mais bonita, mais bem localizada. Esforçamo-nos por ter um emprego melhor, mais bem pago, mais prestigiante, com mais benefícios e regalias. Ou até mesmo mais do que um emprego...
Esforçamo-nos ser os melhores pais, dar tudo o que podemos, por vezes competindo para ver quem tem filhos mais bonitos, inteligentes e bem educados.
Esforçamo-nos por ser melhores filhos e netos, preenchendo as expectativas e desejos destes, seguindo caminhos que iremos percorrer com mais esforço.
Esforçamo-nos por sermos bem vistos por amigos, colegas, chefes, vizinhos, outros pais, a sociedade em geral.
Vivemos num esforço constante, presos e acorrentados a uma sociedade e às suas regras, esforçando por nos diferenciarmos positivamente, mas sempre encaixando no molde-padrão.
Podemos, com tanto esforço, para dar vazão a tanta solicitação e expectativa a preencher, passar por uma vida inteira sem nunca realmente termos apreciado os resultados do que se alcançou com tanto esforço!
Esquecemos e ignoramos o principal, que é sermos fiéis a quem e ao que somos, e aos que amamos, apreciando e agradecendo a quem nos ama!
Esforçamo-nos tanto, mas tanto que perdemos de vista o objectivo principal, que é viver a vida, apreciá-la e agradecer por tudo de bom e mau que ela nos traz!
Porque às vezes, para viver e sermos felizes até nem é preciso assim tanto esforço...!
11 de abril de 2011
Bichinhos sociais
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| tirada da net |
Nós humanos, somos seres sociais: precisamos de conviver, de estarmos reunidos, em conjunto.
Precisamos sentir-nos rodeados de similares, gostamos de ter um sentido de pertença a um grupo.
Mas principalmente gostamos de gostar de alguém e que alguém goste de nós, com todos os nossos defeitos e qualidades!
Com a idade, apercebo-me de que vamos perdendo as capacidades, ou até mesmo a vontade, de fazer amigos...
Tornamo-nos mais esquisitos, mais preguiçosos e mais selectivos e menos abertos ao convívio e àquilo que de novo e bom nos pode trazer um amigo novo!
Tornamo-nos mais esquisitos, mais preguiçosos e mais selectivos e menos abertos ao convívio e àquilo que de novo e bom nos pode trazer um amigo novo!
Ganhamos hábitos e acomodamo-nos ao que já conhecemos, ao que nos é familiar e conhecido, habituamo-nos aos que sabemos que gostam de nós e com quem partilhamos algum sentido de comunhão e um rol de experiências e momentos bem vividos, em boa companhia. E vamos "largando" aqueles amigos com quem de algum modo parecemos já não ter grande sentido de partilha de interesses e gostos comuns...
Vamos progressivamente deixando de sentir necessidade de querer fazer novas amizades...
Por isso, assisti ontem com enorme alegria e curiosidade à rapidez com que o meu homenzinho de quase um metro, fez um novo amigo, bem maior e mais velho que ele!
Assim, sem mais nem menos!!
O que parecia ser uma querela por conta duma bola, acabou por se tornar razão para a brincadeira! Foi num instante que desataram na correria, acompanhada de risos e gargalhadas! Essas gargalhadas fizeram-me sentir feliz por ver que o meu filho não tem amarras e qualquer simples coisa o diverte e faz sentir bem!
Tornaram-se inseparáveis! e quando a hora de dizer adeus chegou... o meu filhote ficou a chamar pelo nome do novo amiguinho, como se lhe arrancassem um pedaço dele!
Por isso, às vezes gostava de ter este desprendimento e ser capaz de criar amizades com a mesma facilidade e rapidez que o meu filho exibiu ontem!
Escusado será dizer que isto me fez sentir a falta dos meus amigos que estão longe, espalhados um pouco por este Portugal a fora, como se fossem os irmãos que eu nunca tive...
8 de abril de 2011
Dos pequenos prazeres da vida
Sempre gostei de estar ocupada e sempre tive hobbies, passatempos, o que lhe queiram chamar...
Uns permaneceram imutáveis, outros foram assumindo cada vez maior projecção na minha vida, outros foram sol da pouca dura, como dizia a minha mãe. (aliás, ela dizia que eu era uma pessoa de interesses fugazes e pouco duradouros... tão depressa me interessava, como logo de seguida os votava ao mais absoluto abandono e desprezo!)
Depois, a vida quotidiana foi tomando conta de mim, quando terminei o percurso académico e ingressei na vida activa. Alguns perderam-se por falta de interesse, outros por falta mesmo de tempo para lhes dedicar...
Com a vida amorosa a progredir, mais uns quantos se perderam e outros foram adquiridos, por influência e por confluência de interesses comuns.
Com a vida a dois em pleno, mais uns quantos se desvaneceram e ficaram apenas aqueles do núcleo duro, de sempre, que me acompanharam, como amigos de longa data.
Com a chegada do filhote, ganharam-se interesses aos quais apenas podia devotar tempo reduzido e aos bochechos, por virtude da atenção que o filhote precisava.
No regresso ao trabalho e no meio da tentativa de conciliação entre trabalho e maternidade, o tempo como que se sumiu e dei por mim a não ter tempo para me dedicar mesmo aos prazeres do núcleo duro, ou quando tempo havia, o cansaço vencia-me e ia adiando, adiando...
Mas agora consegui um equilíbrio e posso agora dedicar-me a alguns prazeres, só que agora são tantos em simultâneo que nem sei a qual me dedique primeiro... se bem que alguns posso desfrutar em simultâneo!
A saber:
Escrever - este sempre fez parte de mim, nunca me abandonou, e foi um drama nos tempos em que não me podia dedicar a ele...
Sentar na esplanada a beber um café enquanto admiro a paisagem - este também sempre me acompanhou e quase costumariamente combinado com o anterior. Era ver-me a escrever sentada na esplanada! (cheguei a ler um livro com um título sugestivo que achei que se adequava: "Toma um café contigo mesmo!");
Ver televisão - este é quase um vício, mas agora tenho vindo a reduzi-lo drasticamente, porque começo a entender que já pouco aprendo com o que passa na caixinha preta;
Ler - um que quase aboli, por pura falta de tempo e de força anímica, mas que agora tenho ido recuperando aos poucos;
Fotografia - outro que foi relegado para segundo plano, mas agora tenho ido retomando;
Estar com amigos - este foi o que mais falta me fez nos últimos anos, mas que tive que arranjar substitutos como o FB e o e-mail;
Bricolage; crochet, tricot, costura e afins - este adquiri recentemente e só lamento não me poder dedicar a ele com mais alma e coração, mas não se pode abarcar o mundo... mas curiosamente sempre tinha prometido a mim mesma que quando "fosse mais velha", que me havia de debruçar sobre ele;
Agricultura de trazer por casa - este foi um prazer inesperado, mas que surgiu duma sugestão quase insignificante, mas que de algum modo ficou cravado nalguma molécula do meu cérebro. Ainda só me dedico à cultura de ervas aromáticas, mas pode ser que um dia destes me vire para as flores, para colorir o meu quintal!
Mas o maior e principal prazer é obviamente brincar com o meu filhote e vê-lo crescer a cada instante!
No entanto, só lamento que os dias não fossem assim mais compridos, para eu lhes poder dedicar o mesmo grau de atenção e não ter que definir prioridades... porque isso assim parece mais uma obrigação e não um prazer...
21 de agosto de 2010
18 de agosto de 2010
Entre amigas
A velocidade que a vida assume, sempre cada vez mais rápida, mais acelerada, vai-nos progressivamente limitando nalgumas coisas que sempre gostámos de fazer, como por exemplo estar horas perdidas na companhia de amigos.
Eu então era absolutamente viciada em estar sempre rodeada deles e delas! Gosto do convívio, da presença física, da troca de ideias, sentimentos, emoções.
Os amigos e amigas fazem-nos crescer, melhorar, alterar comportamentos, umas vezes no bom sentido, outras nem tanto... mas isso depende dos amigos, claro e isso é uma outra conversa totalmente aparte!
No meu caso, sempre agradeci pelo facto de ter muitos amigos e amigas. Daqueles que estão presentes! Nos bons momentos, para disfrutarem da nossa alegria e felicidade. E nos maus momentos, para nos darem um ombro, uma mão, palavras de apoio e principalmente para nos contrariarem quando acham que não temos razão, a ver se "abrimos a pestana". Para mim, esses são os melhores amigos, estes que sabem ser honestos connosco e são capazes de dizer abertamente aquilo que pensam mesmo que isso não seja aquilo que queremos ouvir...
E para mim estar entre amigas como estive ontem é muito bom! É o bálsamo que eu preciso de vez em quando, para escapar à rotina que a vida nos vai impondo subrepticiamente...
Aquelas horas em que nos sentamos a uma mesa qualquer, a comer e a beber e vamos lentamente discorrendo sobre as nossas vidas, as novidades, as chatices, os aborrecimentos, as conquistas, as banalidades, enfim tudo!
E ao fim de uns anos, tomamos consciência de quem são mesmo os nossos amigos. A vida quotidiana e a rotina encarregam-se disso... São aqueles e aquelas que vão estando sempre presentes mesmo que a distância geográfica nos aparte. São os que independentemente de terem passado semanas, falam connosco como se ainda ontem tivéssemos estado juntos!
Sem cobranças nenhumas, sem desculpas para não ter enviado uma mensagem ou feito um telefonema... são aqueles que quando nos falam ou nos vêem só querem saber como nós estamos e nos contam como estão!
E eu sou uma felizarda nesse aspecto, porque os dedos das minhas mãos não chegam para os contar todos!
17 de agosto de 2010
Aos avós
Hoje ao ler o post do MFC, voltei atrás no tempo e veio-me à ideia escrever sobre algo que há dias recordava sobre o meu avô Manuel de Oliveira (eu costumava achar piada o facto de o meu avô ser homónimo do famoso realizador de cinema português).
No entanto, ele era mais conhecido por Manuel Prudêncio, por ser filho do Prudêncio Miguel...
Ia eu a caminho de casa quando passei por um campo de milho e de repente recordei tempos tão felizes que passei com o meu avô Manuel, que foi o único avô que ainda tive tempo de conhecer e apreciar!
Lembrei-me da visita anual à Casa do Povo de Aljezur, em que ele ia pagar a contribuição autárquica, o que para mim, por alguma razão que ainda hoje não entendo, era sinónimo de aventura e descoberta com o meu avô. Talvez por ele ser uma pessoa bastante conhecida na terra e cumprimentar não sei quantas pessoas naquele tão pouco espaço de tempo que passávamos na vila.
Mas o que eu adorava mesmo era quando o milho que o meu avô plantava começava a crescer e a ficar mais alto que eu. E assim que isso acontecia, eu não largava o meu avô todos os fins de semana com a pergunta, repleta de excitação: "avô, quando é que vamos tirar as bandeiras ao milho??". E eu ia sempre com ele, tinha que ir!!! Porque enquanto ele tirava as bandeiras ao milho, eu brincava a descobrir de que cor iriam ficar as barbas das maçarocas do milho. E eu sentia-me tão feliz!
Acho que por essa razão, hoje já adulta, quando me deparo com um campo de milho crescido, sou atacada por uma vontade súbita de me ir enfiar lá dentro e percorrer os corredores de pézeiras! Sentir o cheio, passar as mãos nas barbas do milho, mirar os bicharocos que sempre abundam!
Outra coisa que recordo do meu avô são os jogos de cartas, em que ele me deixava invariavelmente ganhar, só para me ver feliz!
E eu, que era uma travessurenta em pequena, adorava pregar-lhe partidas com a almofada à hora de deitar e roubava-lha sempre e depois ria-me que nem uma perdida...
Mas o que mais tenho saudades dele e que me marcou profundamente neste relacionamento com aquele homem de metro e meio, cego de um olho (usava um olho de vidro) por causa de uma enxada, era a sua sabedoria e infindável paciência. Em cerca de 9 anos que convivemos juntos nunca o ouvi levantar-me a voz sequer, nem para me ralhar quando fazia travessuras e tropelias. Tinha uma forma tão pacata e serena de explicar que eu errara, que me portara mal! Eu sei que os avôs são sempre muito benevolentes com os netos, mas o meu avô tinha uma ciência para dar raspanetes, para mostrar a lição a aprender com o erro cometido.
E o que mais admiro nele é o facto de ele saber coisas que muita gente hoje não sabe, desconhece por completo, e ser analfabeto. O meu avô sabia fazer cálculos matemáticos que eu nunca consegui fazer, mesmo sem conhecer os números, e conhecia unidades de medida que muitos desconhecem.
O meu avô era teimoso, mas sabia dar a mão à palmatória quando se enganava.
Com ele aprendi valores como o da justiça e o da generosidade. Pena que não tenha aprendido ou herdado a sua paciência serena...!
O meu avô era assim!...
3 de agosto de 2010
Recordar é viver
Costumo ouvir dizer que não devemos viver no passado, que o presente é que é para ser vivido, sempre com os olhos postos no futuro. Que não devemos olhar para o passado, porque isso é saudosismo e que assim não progredimos e por aí fora...
Mas eu vivo no presente, um dia de cada vez e sempre com esperança no que há-de vir!
No entanto, dou comigo muitas vezes a olhar para trás, para o meu passado, para tudo o que já lá vai e vivo também ao fazer isso!...
Olho para o meu passado sim, mas não de uma forma triste, nostálgica e muito menos saudosista... olho para o meu passado para ter a noção exacta de que sou feliz!
Porque quando olho para o meu passado vejo o caminho que percorri e apercebo-me de onde cheguei. Da jornada, algumas vezes muito tortuosa, com veredas e caminhos sinuosos, e do que aprendi ao longo dessa jornada.
Vejo a pessoa que fui e na qual me tornei. E acredito que me tornei uma pessoa melhor e às vezes acabo até por constatar que apesar de me sentir uma pessoa diferente da que fui, há tanto que nem por isso mudou. Ou seja, a essência permanece algo intocada.
Olho para o passado e vejo as minhas conquistas, o que alcancei e fico mais forte e mais satisfeita ainda por ter conseguido fazer bem mais do que às vezes quero acreditar que fiz!
Olho para o passado e vejo que cresci, de todas as maneiras!
Olho para o passado e concluo que venci, que ganhei tantas batalhas e lutas que eu pensava não ser capaz... Olho para o passado e encontro as pessoas que me amaram e ainda me amam e reencontro o que me ensinaram, o que me proporcionaram, o que contribuíram para a minha vida e para a pessoa que sou hoje!
Olho para o passado e vejo que se sobrevivi a tanta coisa, é porque fiz por isso!
E assim, olhando para o passado, aprecio melhor o meu presente e ganho mais esperança ainda no meu futuro!
Por isso, por vezes recordar é viver, sim!
14 de julho de 2010
...
Ela inspirou fundo antes de inserir a chave na fechadura, que de tanto tempo sem uso, já estava encarrixada e entrou cabisbaixa na casa que outrora era o seu abrigo diário.
Olhou em redor, na quase escuridão das janelas cerradas há meses e encontrou nas paredes fotografias e quadros que lhe eram familiares e que de algum modo faziam parte do seu imaginário de infância.
Visitou cada uma das divisões devagar e suavemente, como quem tem receio de recordar todas as lembranças que aquela divisão específica encerra...
Recordou com um nó na garganta os dias em que a casa era habitada, em que a luz entrava orgulhosamente pelas janelas abertas de par em par.
Sentiu a tristeza e a nostalgia de entrar no quarto que era seu, que escolheu para ser seu, quando tinha apenas quatro anos e antes da mudança para ali... Sentiu que tudo o que ali ainda permanecia intacto fazia parte de si, da sua vivência enquanto pessoa, mas que de algum modo, isso era tão longínquo que já não conseguia discernir ao certo se teria sido mesmo ela a viver tudo isso ou se seria uma fábula contada por alguém, que apenas tinha ficado retida profundamente na sua memória...
E antes que saísse daquela casa e desse por terminada aquela visita, deteve-se numa fotografia um tanto desfocada e embutida numa moldura empoeirada, aquela que fora tirada alguns anos antes, onde estavam todos os membros da família, um dos poucos registos das reuniões familiares... e reviu os rostos um a um... e suspirou ao aperceber-se que naquela fotografia estavam os rostos de 3 pessoas que entretanto desapareceram... que já não mais ficarão registadas em nenhuma fotografia de família...
E apertou-a contra si e abraçada a ela, voltou a encerrar a porta daquela casa, rodando a chave na fechadura perra e lutou contra o desejo de olhar para trás, como que ainda a procurar que alguém lá estivesse para acenar adeus, como antigamente!
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