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| tirada da net |
A mãe do G. trouxe-me na semana passada mais de 2 kgs de ameixas, fruto que eu particularmente não aprecio comer. Sei que é uma fruta típica do Verão, mas eu nunca fui grande adepta de a comer. Há algo na casca ou junto ao caroço que me provoca arrepios nos dentes e gengivas, não sei explicar...
O G. também não aprecia, já que ele então, é pouco "comedor" de fruta.
E assim de repente, fiquei com uma "plengana" de ameixas no frigorífico, à qual eu não sabia que fim dar...
Até que tive a brilhante ideia de as transformar em compota, ou doce, como se chama cá nas minhas bandas. Ora eu, Naná, quando encasqueto uma coisa na cabeça, não descanso enquanto não a ponho em prática e no domingo decidi que nem era tarde, nem era cedo! Era naquela tarde que eu me iria dedicar, qual dona de casa perfeita, a por mãos à obra! Até imaginei os frasquinhos todos alinhados, com o tecido aos quadradinhos vermelhos ou verdes e apertados com fio de ráfia, como costumo fazer quando eu e a Tóni fazemos massa de pimentão, por altura do Natal.
Fui descobrir a receita, porque tinha dúvidas quanto à quantidade de açúcar por cada quilo de ameixa. E descobri que quase todas a receitas falavam em sumo de limão, pelo que decidi aproveitar a dica.
Mas todas as receitas falavam em ameixa sem casca... eu quando olhei para a quantidade de ameixa que tinha, desisti logo na primeira de lhes remover a casca! Limitei-me a tirar os caroços, e lavei bem tudo e siga com casca, porque afinal é lá que está a vitamina (oh para mim a convencer alguém...)
Entretanto, com as ameixas cortadas e pesadas, apercebo-me que sou capaz de ter um "petit problém"... comecei a ficar aborrecida perante a ideia de ainda ter que ir ao supermercado buscar açúcar, porque não teria talvez o suficiente... foi a custo que arranjei a quantidade necessária, mas teve que ser 400 grs de açúcar amarelo e mais outras tantas de mascavado.
Pus tudo na panela e lume bem brando. Tapei a panela e como sabia que aquilo ainda ia demorar, aproveitar para continuar com as lides domésticas! Eu estava mesmo inspirada e em estado de transe de dedicação total à doméstica que há em mim! (bem lá no fundo...)
A questão foi que eu demorei demasiado tempo, envolvida que estava na lide e nem vim dar um olho à panela... Escusado será dizer que quando se põe fruta a cozer ao lume não é lá muito boa ideia tapar a panela, porque o vapor não tem muito onde sair e vai de babar-se toda! Ora quando eu cheguei tinha a panela, a placa toda babada e no chão já pingara uma poça de melaço...
Mas eu insisti, porque estava decidida a ser uma dona de casa perfeita, a quem estes flops não sucedem! Tratei de limpar tudo na perfeição e voltei a por tudo ao lume. Mas para precaver qualquer eventualidade, não me afastei muito e tirei a tampa da panela, não fosse o Diabo tecê-las!
Aquilo nunca mais despachava, continuava super líquido e o tal ponto estrada nunca mais se revelava. Mas paciência...
O entusiasmo era tamanho, que assim que aquilo ficou pronto, quis logo enfrascar tudo! Começo a procurar os ditos frascos, que me esquecera de procurar enquanto esperava pelo ponto certo da compota. Ora e frascos, onde paravam eles???!!! Subitamente lembrei-me que tivera um surto há um ano atrás e pus uma catrefada deles no Vidrão porque só ocupavam espaço e assim como assim nunca os usava... Erro!!
Mas lá consegui encontrar frascos suficientes, aqui e acoli. Até acertar com a colher certa para enfrascar a compota, eu que me desenrasco bem na cozinha, sujei para cima dumas quatro colheres diferentes... (valha-nos a máquina de louça, que lava tudo!)
Apesar de ter perdido algum tempo na cata dos frascos e a lavá-los convenientemente, pensei que o doce estivesse "menos quente"... e toca de encetar a empreitada, que começou logo mal... queimei-me num dedo e as dores eram cadelas...
Digamos que foi neste exacto ponto que comecei a cuspir improprérios...
Como a tarefa de colocar compota num frasco requer alguma destreza que eu particularmente não domino, os frascos ficaram meio "borrados". E uma dona de casa perfeita não permite tal coisa! Toca de os limpar com um pano húmido para ficarem bonitos e brilhantes e exibirem aquela cor rubia da ameixa!
Como o ramalhete ainda não estava devidamente composto, ao limpar o último frasco, este escapa-se das minhas mãos e cai dentro do lava-louça despejando mais de metade do seu conteúdo lá dentro, sem falar daquele que escorreu pelos armários abaixo até ao chão...
O que me levou a proferir mais improprérios, em quantidade e em qualidade!
Escusado será dizer que já nem quis saber do paninho aos quadradinhos ou do fio de ráfia e guardei-os onde não pudessem causar mais agruras na minha alma ferida de dona de casa imperfeita!
Perante isto, julgo que nem tão cedo me aventuro noutra parecida!...