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11 de novembro de 2014
Esta terra é minha!
A vista da casa rústica feita com paredes de taipa e telhado de barrotes de madeira, ripa e cana, e telha portuguesa que o meu avô Manuel mandou erguer nos idos anos 50 é esta.
Logo ali em primeiro plano, está a pereira que todos os anos dá pêras miudinhas, que bicham todas antes sequer de ficarem maduras.
Lá em baixo a enorme oliveira onde havia o tanque de cimento, onde eu a e minha mãe tantas vezes lavámos a roupa. À esquerda a figueira que cresceu bem no meio do talhão onde o meu avô gostava de semear favas e ervilhas.
Ao fundo, o canavial a denunciar a ribeira que vai correndo logo ali ao lado, a delimitar o terreno que é meu do que é dos meus primos.
Após a morte do meu pai, fiquei tolhida de incertezas e de receios. Olhava angustiada para esta terra e perguntava-me "o que vou fazer desta terra???" e de algum modo esperava que os céus se abrissem e o meu avô, ou a minha mãe ou o meu pai aparecessem e me dessem a resposta que procurava. Repetia a mim mesma incessantemente: "eles saberiam o que fazer disto!" Mas eu sentia-me perdida... a olhar para a terra e a tentar recuperar saberes gravados na memória havia mais de 20 anos.
Sei de memória onde ficava o pego de água, as pias de água para os animais, mais cobiçadas do que nunca pelo resto da família, onde a fonte de água nascia espontaneamente, logo abaixo do talhão onde outrora pululavam viçosas as melancieiras e as aboboreiras.
Não posso dizer que agora sei de certeza o que fazer... não posso afirmar que me vou "dedicar à agricultura"...
Mas uma certeza guardo comigo!
Um dia voltarei aqui!!
Um dia esta será a minha vista todos os dias, esta será a minha morada permanente.
No meio do paraíso, apenas interrompido pelo brummmm dos carros que passam na estrada municipal.
Um dia, vou restaurar a casa, colocar um novo telhado, em vigas de madeira e telha portuguesa. Um dia vou reforçar as paredes de taipa e reorganizar a cozinha e colocar uma lareira de dupla face.
As janelas serão à mesma de madeira e a porta continuará a ter postigo envidraçado, mantendo toda a traça arquitectónica da casa.
O fogão de lenha e o forno de cozer pão serão preservados religiosamente e serão integrados na cozinha nova.
O espaço onde fica hoje a cozinha será o meu espaço de costuras e afins. E na lateral da casa haverá um telheiro em madeira, e um barbecue.
Nas paredes haverá a decorar os candeeiros a petróleo, o relógio de ponteiros, a lanterna de palheiro recuperada e os ferros de engomar antigos, e a balança de pratos e os pesos. A velhinha Singer regressará novamente a esta casa, após 26 anos de ter saído dali.
Num dos quartos, a enfeitar a parede haverá uma manta de retalhos que a minha avó Alzira mandou tecer num tear, na vila, há mais de 5 décadas.
A figueira braçajote vai ser mantida livre de silvas e a grinalda de noiva prosperá, assim como a roseira branca. E o zambujeiro em frente à porta será finalmente enxertado em oliveira! Em homenagem ao apelido do meu avô!
Apanharei as pinhas do pinheiro manso que cresce imponente nas traseiras da casa para atear lume na lareira e aquecer as noites mais frias.
E aos fins de semana, os meus filhos hão-de vir ver os pais, como os meus pais e eu íamos visitar o meu avô.
31 de dezembro de 2012
Resoluções de bolso para 2013
Apesar do sentimento um tanto desesperaçado de que fui acometida à entrada deste novo ano, e quiçá de um novo ciclo que se iniciou em 21 de Dezembro de 2012 (os maias lá saberiam o que previam...), não posso deixar de registar algumas pequenas resoluções para que 2013 seja diferente do cinzento ano de 2012, em que me senti assoberbada pela angústia, por um certo estado deprimente e alguma ansiedade, sem que lhe conhecesse a origem ou a causa...
Bem, mas vamos lá:
1. Preferir a comida vegetariana à que inclui carne;
2. Tentar integrar-me de forma consistente num programa de voluntariado. Gostava de conseguir vencer a relutância que sinto em ser voluntária junto de pessoas com cancro, pela minha auto-preservação pessoal, dada a experiência pessoal anterior e a minha absoluta incapacidade de não me ligar profundamente de forma emocional às pessoas... mas talvez possa encontrar uma forma de ajudar o próximo, de forma consistente! Não importa a forma de que se reveste...
3. Mexer o corpinho de forma mais frequente e sem preguiças. Agora já não há desculpas, porque até o Falipe já tem uma bicicleta e podemos ir dar umas voltinhas ao quarteirão!
4. Tirar mais tempo para ler ainda mais livros
5. Voltar a encontrar tempo para ir ao cinema (apesar de estar pela hora da morte!)
6. Tratar de arranjar gana para fazer todas as decorações em casa que sempre magico na minha mente, mas que não saem daí... afixar as molduras todas com as fotos, as aguarelas, os pensamentos inspiradores e até aquele diploma da Universidade de Coimbra que sempre achaste que não irias ostentar!
7. Comprar um cabaz de legumes, fruta e ovos aos teus primos, já que eles têm uma horta grande e muitas galinhas. Se vais gastar dinheiro nisso, em vez de dares os € ao tio Belmiro, vai à horta do Cotifo!
8. Reciclar pelo menos um móvel para colocar na casa de campo! Dá trabalho, mas aposto que vai ser altamente gratificante!
9. Arrendar de uma vez por todas a casa dos meus pais e deixar o sentimento de posse onde ele deve ficar, em lugar nenhum!
10. Tratar de deixar de preguiçar e procrastinar e arregaçar as mangas como sempre fizeste e luta por aquilo que desejas!
11. Reduzir drasticamente a visualização de notícias diárias, seja na televisão, nos jornais online ou em papel. O mote é: mais ignorante, mas infinitamente mais feliz!
12. aproveitar as praias a 5 minutos para organizar ideias com mais frequência.
Ah, e não te esqueças:
- pagar IUC's, IMI's, IRS e demais pagamentos ao Estado apenas e só no no último dia disponível! Paga como sempre pagaste, mas sempre no último dia!
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