Há dias fui a um workshop relacionado com gestão de tempo e estímulo à produtividade.
Aprendi coisas importantes. Outras já as sabia, mas precisava que alguém me refrescasse a memória.
A determinada altura, fez-se um exercício em que nos sugeriram que buscássemos os nossos ídolos, alguém a quem admirávamos as qualidades, a maneira de estar na vida.
Eu nunca fui muito de idolatrias, e nunca sonhei muito alto com pessoas inacessíveis. Admito que haja uma ou outra figura pública com quem gostaria de poder conversar livremente.
Mas voltando aos ídolos, apercebi-me que as duas pessoas que mais admiro, foram pessoas reais, anónimas e bastante próximas de mim: o meu avô Manuel e a minha mãe.
E por estes dias, em que se fala tanto de coaching, de lyfe coaching, empreendorismo e coisas parecidas, apercebi-me que o meu avô Manuel foi um homem à frente no seu tempo.
Vistas bem as coisas, o meu avô era um homem inteligente (sábio mesmo, porque nem ler sabia, mas dominava assuntos como a matemática melhor que muitos doutores que eu conheço) e um tenaz lutador. Corria atrás do que queria alcançar. O meu avô negociava um terreno que já não lhe fazia falta e permutava-o por outro mais valioso, que lhe desse mais rendimento, por ser mais fértil ou porque lhe permitia cultivar um produto diferente. O meu avô começou com pouco património, mas no fim da vida tinha-o multiplicado.
Se precisava de concretizar algo, não descansava enquanto não encontrava um meio, fosse convencional ou não.
E além disso, o meu avô era uma pessoa com uma visão optimista e prática da vida. Lembro-me da minha mãe contar que ele costumava dizer a uma das suas 7 irmãs, a Francisca, que adoptasse uma postura mais positiva, mais optimista perante tarefas penosas ou que ela não gostava.
É que a Francisca detestava ir cuidar do gado no pasto, e então, sempre que lhe delegavam a tarefa, ela fazia o caminho contrariada, maldizendo a sua sorte. O meu avô costumava aconselhá-la dizendo: se fores a cantar e com um sorriso nos lábios, vais ver que te custa muito menos!
Às tantas, se nessa altura, já existisse o life coaching e o empreendorismo, o meu avô teria certamente uma carreira brilhante nestas áreas.
Mostrar mensagens com a etiqueta coisas parvas sem importância nenhuma. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta coisas parvas sem importância nenhuma. Mostrar todas as mensagens
22 de junho de 2015
16 de junho de 2015
Parábolas de sono
Em verdade vos digo:
Não há nada melhor do que noites bem dormidas.
Não há nada melhor que dormir 5/6 horas seguidas, sem qualquer interrupção.
Não há nada melhor do que noites bem dormidas.
Não há nada melhor que dormir 5/6 horas seguidas, sem qualquer interrupção.
17 de março de 2015
Apetece-me
Escrever.
Não escrever de todo.
Escrever sem reservas, desaguando os pensamentos que pululam como enguias no meu cérebro cansado e privadoum pouco menos de sono.
Escrever condicionadamente, porque às vezes menos é mais e não havia necessidade de desaguar rios de palavreado sem sentido só porque sim.
Ficar sentada em silêncio dentro do carro e apenas deixar entrar o ruído de fundo dos carros que passam na estrada enquanto tento respirar profundamente ao olhar a paisagem solarenga junto ao rio, evitando pensar no cansaço de dar banho a dois miúdos sozinha, fazer jantar, brincar, mimar, deitar porque já é tarde e as pálpebras teimam em cerrar-se, porque o pai teve que ir trabalhar pela noite adentro.
Ir a correr ao encontro dos meus meninos, com os seus sorrisos sinceros e francos, carregados de inocência, que me olham como a um ídolo. Abraçá-los apertada e demoradamente e fechar os olhos para registar estes momentos que não voltarão a ser...e receber deles aquilo que há de mais puro, de mais genuíno e mais valioso.
Ser uma mãe-coragem daquelas que se desdobra em quinhentas mil tarefas, que não se cansa nunca, que não se exaspera nem levanta a voz quando ambos os rapazes se dispõem em modo "gritador", fazendo sucumbir até o cérebro mais bem repousado, que se cuida e apruma e é o pináculo da feminilidade graciosa de mãe-mulher "resolvida" e "resoluta".
Ser a mãe que revira os olhos sempre que lê os sábios conselhos para ser uma mãe-mais-isto-e-mais-aquilo, que tem vontade de chicotear essas mães que apregoam aos sete ventos que tudo fazem e conseguem sem aparente esforço, porque no fundo elas são o exemplo acabado de uma tremenda fraude! Sim, fraude!! E percebo que nunca quereria ser aquele tipo de mãe, porque é irreal. Porque qualquer mulher que tente igualar aqueles padrões estará condenada logo à partida, derrotada na vã conquista de uma maternidade que só está disponível a quem tem sistemas de apoio dignos desse nome.
Ser uma pessoa cheia de objectivos e ambições, que faz e que vai à luta, que se esforça, que se esgadanha a tentar chegar onde quer e ao que quer, que não se conforma, que não se rende sem lutar.
Ser a pessoa que olha a vida da forma mais realista que consegue, e decide que há um momento para simplesmente passar pelos dias sem se preocupar muito com objectivos cumpridos, porque mais tarde haverá tempo para isso tudo.
Não escrever de todo.
Escrever sem reservas, desaguando os pensamentos que pululam como enguias no meu cérebro cansado e privado
Escrever condicionadamente, porque às vezes menos é mais e não havia necessidade de desaguar rios de palavreado sem sentido só porque sim.
Ficar sentada em silêncio dentro do carro e apenas deixar entrar o ruído de fundo dos carros que passam na estrada enquanto tento respirar profundamente ao olhar a paisagem solarenga junto ao rio, evitando pensar no cansaço de dar banho a dois miúdos sozinha, fazer jantar, brincar, mimar, deitar porque já é tarde e as pálpebras teimam em cerrar-se, porque o pai teve que ir trabalhar pela noite adentro.
Ir a correr ao encontro dos meus meninos, com os seus sorrisos sinceros e francos, carregados de inocência, que me olham como a um ídolo. Abraçá-los apertada e demoradamente e fechar os olhos para registar estes momentos que não voltarão a ser...e receber deles aquilo que há de mais puro, de mais genuíno e mais valioso.
Ser uma mãe-coragem daquelas que se desdobra em quinhentas mil tarefas, que não se cansa nunca, que não se exaspera nem levanta a voz quando ambos os rapazes se dispõem em modo "gritador", fazendo sucumbir até o cérebro mais bem repousado, que se cuida e apruma e é o pináculo da feminilidade graciosa de mãe-mulher "resolvida" e "resoluta".
Ser a mãe que revira os olhos sempre que lê os sábios conselhos para ser uma mãe-mais-isto-e-mais-aquilo, que tem vontade de chicotear essas mães que apregoam aos sete ventos que tudo fazem e conseguem sem aparente esforço, porque no fundo elas são o exemplo acabado de uma tremenda fraude! Sim, fraude!! E percebo que nunca quereria ser aquele tipo de mãe, porque é irreal. Porque qualquer mulher que tente igualar aqueles padrões estará condenada logo à partida, derrotada na vã conquista de uma maternidade que só está disponível a quem tem sistemas de apoio dignos desse nome.
Ser uma pessoa cheia de objectivos e ambições, que faz e que vai à luta, que se esforça, que se esgadanha a tentar chegar onde quer e ao que quer, que não se conforma, que não se rende sem lutar.
Ser a pessoa que olha a vida da forma mais realista que consegue, e decide que há um momento para simplesmente passar pelos dias sem se preocupar muito com objectivos cumpridos, porque mais tarde haverá tempo para isso tudo.
10 de março de 2015
Ditados dos tempos modernos
A fazer lembrar o velho ditado "com as calças do meu pai sou eu um homem"...
"com o trabalho dos outros, sou eu um grande profissional"
5 de fevereiro de 2015
Cúmulo da tortura
É ir para o trabalho de estômago vazio, porque não houve tempo para tomar pequeno-almoço e fazer mais de metade do percurso atrás duma carrinha de transporte de pão, com uma imagem gigantesca de uma baguete rústica, na traseira.
Ali, a olhar para mim... a desafiar-me... a provocar o meu pobre estômago vazio e varado de fome!
Ali, a olhar para mim... a desafiar-me... a provocar o meu pobre estômago vazio e varado de fome!
15 de janeiro de 2015
Coisas que me baralham os circuitos dos neurónios
O carteiro que deixa o postalinho na caixa do correio a avisar que não entregou a encomenda, porque ninguém lhe abriu a porta... Às tantas, se ele tivesse tocado à campaínha perceberia que estava mesmo alguém lá para lhe abrir a porta e tinha-me poupado duas deslocações à estação dos CTT no centro da vila, que funciona em horários manhosos... e sim, a campaínha funciona perfeitamente!
Pais de meninos que o meu filho decidiu convidar para a festa de aniversário e que recebendo o convite, não dizem nem truz nem muz... se não queriam que os filhos fossem, ao menos tivessem a dignidade de dizer isso mesmo. Não custa nada, não come pedaço e é de bom tom! (digo eu, que me considero uma pessoa "educadinha")
Pessoas que acham que ter um contrato de electricidade, água ou gás, devem pagar zeritos porque não têm consumo. Será caso que não percebem que há taxas a pagar só por terem a electricidade, a água ou o gás à distância dum clique. Se querem pagar zeritos, é mandar desligar por completo! Bale?!
Pais de meninos que o meu filho decidiu convidar para a festa de aniversário e que recebendo o convite, não dizem nem truz nem muz... se não queriam que os filhos fossem, ao menos tivessem a dignidade de dizer isso mesmo. Não custa nada, não come pedaço e é de bom tom! (digo eu, que me considero uma pessoa "educadinha")
Pessoas que acham que ter um contrato de electricidade, água ou gás, devem pagar zeritos porque não têm consumo. Será caso que não percebem que há taxas a pagar só por terem a electricidade, a água ou o gás à distância dum clique. Se querem pagar zeritos, é mandar desligar por completo! Bale?!
6 de janeiro de 2015
Tópicos da vida quotidiana
Haverá sempre uma lista com 5, 10 (ou até 15 vá...) maneiras de se maquilhar sem parecer estar maquilhada, e não nos podemos esquecer das 20 maneiras de ser mais organizada no ano novo que entra.
E o que dizer da lista de 8 ou 9 sinais que demonstram a sua relação está saudável, ou por oposição, os 16 sinais que gritam que o seu mais-que-tudo está prestes a pôr-lhe uns patins...
Também poderíamos falar das 12 práticas das pessoas que são imensa e profundamente felizes, e que claro, nos deixam infelizes e miseráveis por não sermos assim.
Poderíamos mesmo falar dos 18 hábitos que nos permitem evitar procrastinar. Ou das formas de lavar roupa sem esforço.
E então as coisas que nunca se diz a um filho, ou aquelas que deveríamos repetir todos os dias, para que eles sejam tão felizes... E a lista das coisas que os nossos pais nos ocultaram e que teriam sido fundamentais para a nossa vida...?!
Nestes tempos que correm, abundam na internet listas de tópicos para tudo e mais alguma coisa, parece que a vida se resume a pontos numa lista que nos resumem tudo aquilo que não somos e deveríamos ambicionar ser.
Os estudos científicos são reduzidos a listas, em que basta ler o título do tópico, deixando o seu conteúdo para ler mais tarde (que nunca lemos).
O conhecimento vem mastigado e cuspido em tópicos numerados para que o possamos engolir instantaneamente e assimilar ainda mais depressa.
Há tópicos para tudo e mais um par de botas. Resumos dos resumos.
E sinceramente, já começo a revirar os olhos sempre que vejo artigos e posts em blogs e no Facebook em que tudo parece saído do site do Buzzfeed.
E o que dizer da lista de 8 ou 9 sinais que demonstram a sua relação está saudável, ou por oposição, os 16 sinais que gritam que o seu mais-que-tudo está prestes a pôr-lhe uns patins...
Também poderíamos falar das 12 práticas das pessoas que são imensa e profundamente felizes, e que claro, nos deixam infelizes e miseráveis por não sermos assim.
Poderíamos mesmo falar dos 18 hábitos que nos permitem evitar procrastinar. Ou das formas de lavar roupa sem esforço.
E então as coisas que nunca se diz a um filho, ou aquelas que deveríamos repetir todos os dias, para que eles sejam tão felizes... E a lista das coisas que os nossos pais nos ocultaram e que teriam sido fundamentais para a nossa vida...?!
Nestes tempos que correm, abundam na internet listas de tópicos para tudo e mais alguma coisa, parece que a vida se resume a pontos numa lista que nos resumem tudo aquilo que não somos e deveríamos ambicionar ser.
Os estudos científicos são reduzidos a listas, em que basta ler o título do tópico, deixando o seu conteúdo para ler mais tarde (que nunca lemos).
O conhecimento vem mastigado e cuspido em tópicos numerados para que o possamos engolir instantaneamente e assimilar ainda mais depressa.
Há tópicos para tudo e mais um par de botas. Resumos dos resumos.
E sinceramente, já começo a revirar os olhos sempre que vejo artigos e posts em blogs e no Facebook em que tudo parece saído do site do Buzzfeed.
15 de dezembro de 2014
Patologicamente atrasada
A D. Vera, a senhora minha mãe ensinou-me a impoirtância de ser pontual. Ensinou-me através de exemplos, permitindo-me ir a casa de amigas, mas na condição de chegar à hora X. Sempre que me atrasava um minuto, isso significava que na vez seguinte não teria autorização para ir. E não adiantava atrasar o meu relógio...
Com esta educação, pautei a minha maneira de estar na vida, no que a horários dizia respeito. Até mesmo porque sempre detestei esperar pelos outros, e não gosto de fazer aos outros o que não gosto que me façam a mim. E se eu detesto que os outros me dêem seca...
Não sei a partir de que altura na minha vida comecei a ser incapaz de estar nos locais à hora marcada. Eu que sempre tinha praticado a pontualidade britânica.
Mas sei que após a maternidade, a coisa complicou-se... havia sempre um imprevisto qualquer, ou um obstáculo que me impedia de chegar à hora estipulada. Ou os meus cálculos de tempo de deslocação eram mal feitos, ou parecia que nesse dia todos os empatas se metiam na minha frente...
Por estes dias, sinto-me uma atrasada crónica! Ando sempre a correr daqui para ali e dali para acolá e nunca, mas nunca, chego à hora marcada.
O que me enfurece! Comigo mesma, pela minha incapacidade adquirida de estar onde devo à hora que devo!
É como se corresse atrás das horas e dos minutos e eles a fugirem à minha frente. Sinto-me esbaforida a maior parte do dia e a correr atrás do tempo, como um burro corre atrás da cenoura pendurada na ponta da cana...
Será que existe cura para esta patologia?!
22 de outubro de 2014
Spammers do mundo, organizem-se!
Que me mandem toda a porcaria de e-mails sobre perda drástica de peso, tipo 38 kgs em 2 meses (drástico é um eufemismo, sem dieta ou exercício, só se cortam um bracinho ou uma perninha...) e outros sobre como ter unhas e cabelo radiantes, eu até consigo entender.
Afinal de contas, sou gaja e encaixo-me no público alvo da vossa publicidade manhosa.
Eu nem vou levar a mal que há uns tempos atrás me andassem a aliciar com comprimidos de toda a gama de barbituricos e afins... sou uma gaja, e como tal devo sofrer de ansiedade, estados depressivos e coisas parecidas. Não é bem o meu caso, porque quando me dá para a descida abrupta de auto-estima e subida alucinante de auto-comiseração, costumo auto-bofetear-me figurativamente e a coisa fica por ali mesmo.
E nem vou levar em consideração que pensem que sofro de calvície... apesar de o meu cabelo andar a abandonar-me o escalpe como quem foge a sete pés do perigo (a este ritmo assustador... ou isto pára, ou estamos mal...), ainda não estou nem perto de ter uma careca.
Agora desculpem lá se me aborrece receber 30 a 50 e-mails a tentar convencer-me a fazer o aumento do membro peniano que nunca tive! E não me interessa se a Nancy ou a Vanessa ficam loucas aos saltos com membros alargados em mais de 12 cm... ok?!
Façam lá o vosso trabalhinho de casa nem que seja um bocadinho. É que vós já sedes irritantes para xuxu, e obrigam-me a apagar 30 a 60 e-mails todos os dias, ao menos que sejam sobre assuntos que poderiam hipoteticamente vir a interessar-me. Mas duvido...
Afinal de contas, sou gaja e encaixo-me no público alvo da vossa publicidade manhosa.
Eu nem vou levar a mal que há uns tempos atrás me andassem a aliciar com comprimidos de toda a gama de barbituricos e afins... sou uma gaja, e como tal devo sofrer de ansiedade, estados depressivos e coisas parecidas. Não é bem o meu caso, porque quando me dá para a descida abrupta de auto-estima e subida alucinante de auto-comiseração, costumo auto-bofetear-me figurativamente e a coisa fica por ali mesmo.
E nem vou levar em consideração que pensem que sofro de calvície... apesar de o meu cabelo andar a abandonar-me o escalpe como quem foge a sete pés do perigo (a este ritmo assustador... ou isto pára, ou estamos mal...), ainda não estou nem perto de ter uma careca.
Agora desculpem lá se me aborrece receber 30 a 50 e-mails a tentar convencer-me a fazer o aumento do membro peniano que nunca tive! E não me interessa se a Nancy ou a Vanessa ficam loucas aos saltos com membros alargados em mais de 12 cm... ok?!
Façam lá o vosso trabalhinho de casa nem que seja um bocadinho. É que vós já sedes irritantes para xuxu, e obrigam-me a apagar 30 a 60 e-mails todos os dias, ao menos que sejam sobre assuntos que poderiam hipoteticamente vir a interessar-me. Mas duvido...
6 de agosto de 2014
Injustiças da vida duma mãe
A maior injustiça de ser mãe de dois rapazes não é saber que eles um dia virão a gostar tanto ou mais de outra mulher (se gostarem mais, deserdo-os! a única mulher de quem eles podem gostar mais do que mim, que sou a mãezinha é das suas filhas... ahahahahahahh)...
É saber que aquela pele tão macia do rosto deles um dia dará lugar a um campo de barba rija... e quiçá acne...
É saber que aquela pele tão macia do rosto deles um dia dará lugar a um campo de barba rija... e quiçá acne...
4 de junho de 2014
O sistema não responde...
Anda para aí uma revolta dos "sistemas".
Vou ao centro de saúde e a desculpa é sempre ou "estamos sem sistema" ou "o sistema hoje está lento"...
Vou à loja do tio Belmiro e se o talão das compras demora a ser processado, logo a funcionária da caixa se apressa a dizer "o sistema está lento, demora um bocadinho"...
A seguir vou à farmácia, e lá vem o argumento "o sistema está lento"...
Se tento entrar no portal das finanças para saber quando é que o Estado me vai devolver o que eu desembolsei "há-ca-tempos", aparece logo a informação em rodapé "o sistema não está a responder..."
No banco, o mesmo argumento é usado para justificar a demora na actualização dos dados de cliente.
Se calhar, não são só as pessoas em geral que andam descontentes com a vida, com a crise e com tudo-e-mais-alguma-coisa. Se calhar os sistemas decidiram fazer uma espécie de greve, amuando e não dando resposta como deve ser...
30 de abril de 2014
Cabra fotogénica!
Esta, que encontrei no alto da Fóia.
Digam lá que não ficaram logo curiosas a pensar quem seria que eu estava a insultar?!
31 de janeiro de 2014
Sabes que...
Estás a ficar com neurónios de grávida quando pegas na pasta de dentes e na escova de cabelo e quase barras a dita cuja para lavar os dentes...
17 de janeiro de 2014
Sonhos em replay
Possuo uma estranha capacidade de sonhar o mesmo sonho em ocasiões diversas.
Com a particularidade de que na 2.ª e 3.ª vez que repito o mesmo sonho, continuo o "enredo" mais um pouco... como se na primeira vez que o sonhei a história tivesse ficado inacabada e precisasse de ser desenvolvida...
O mais curioso é que a repetição nunca ocorre nos dias seguintes ao primeiro sonho, mas por vezes só uma ou duas semanas depois...
Isto seria tudo muito bonito, se os sonhos fossem particularmente cor-de-rosa... mas não são!
Ou então sou mesmo eu que vejo muitos filmes...
16 de janeiro de 2014
Gata preta, gata preta
Foi em 2004 que adoptei a Joy, a minha gata preta. Trouxe-a para casa tinha ela dois meses, a granel dentro do meu antigo Peugeot 106 (a insconsciência de fazer um percurso de 4 km com um animal bebé à solta dentro do carro ainda hoje me envergonha...)
A Joy foi um animal de estimação "desafiante".
Meiga quando lhe aprazia, arisca até demais, já que apreciava morder a valer e foram mais que muitas as vezes que nos chocámos por conta da mania dela de se pôr em posição de ataque subitamente, sem que nada contribuísse para que se sentisse em perigo...
Mau feitio que contrastava com o facto de ela se sentar à porta de casa, à minha espera, cinco minutos antes de eu meter a chave à porta, segundo relatos do meu pai, que ficava abismado perante a infalibilidade de ela prever que eu estava a chegar.
Há dois Verões a Joy finalmente partiu. Deixou o meu coração partido e o do G., contrariamente ao que ele supusera, visto nunca ter apreciado felinos na generalidade e a Joy, em particular. A tristeza foi tamanha, e juntamente com a dificuldade em explicar ao Falipe o seu desaparecimento, que nos levou a jurar um ao outro nunca mais ter um animal.
Mas o G. apesar de não apreciar particularmente a Joy, uns seis meses antes da sua morte, construiu-lhe uma casota toda xpto, com todo o esmero e dedicação, de forma a dar-lhe maior conforto nas noites mais frias.
Quando a casota ficou vazia, considerei a hipótese de a doar a uma associação de protecção animal, mas a inércia foi-me vencendo...
Há coisa de dois meses para cá, a casota passou a ser residência ocasional de uma jovem gata preta (ou será gato?). O facto de este felino conseguir entrar e sair do meu quintal, transpondo as grades da vedação metálica cuja altura ronda os dois metros e meio deixa-me boquiaberta... visto que outros gatos extraviados que frequentam a urbanização nunca o terem conseguido com sucesso, mesmo quando a Joy arrulhava com o cio...
Há quem me diga que os felinos são animais de protecção e eu confesso que tenho uma certa superstição com os gatos pretos, porque acho que afastam as más energias e que além disso, escolhem os donos...
Eu acho que este bichano simplesmente escolheu dormir mais confortável, no recato da casa xpto que o G. fez. Isso não me incomoda nem um bocadinho e até fico satisfeita por ver que afinal a casota tem utilização.
O G. diz que tenho que começar a cobrar "renda"...
O Falipe diz que é uma gata preta igual à "outra gata preta"... e eu sorrio quando a vejo!
3 de dezembro de 2013
Pausa para almoço
De há três meses a esta parte passei a dispor de apenas 30 minutos para almoçar, porque tive que ajustar o meu horário de trabalho ao horário escolar do Falipe.
Realmente, meia hora é suficiente para engolir uma sopa (a escaldar, é certo...) e um segundo prato. E assim como assim, sempre fui uma pessoa habituada a comer depressa mesmo quando dispunha de uma hora e meia para almoçar.
No entanto, sinto falta daquela meia hora... porque a aproveitava sempre. Fosse para resolver um qualquer imbróglio no banco, ir aos CTT, ou simplesmente ver montras para distrair a mente, ou sentar em qualquer lado a ler um livro (que era o mais comum!).
Parece que naquela meia-hora extra de que dispunha, também podia simplesmente aquietar-me um pouco e abrandar o ritmo da respiração, e até quiçá pensar nas coisassem importância da vida.
Outra vantagem é que podia facilmente combinar um almoço com amigos, rever pessoas que de outra forma tenho dificuldade em conjugar horários para encontros e ainda dar dois dedos de conversa com rostos familiares. Agora é complicado pedir a alguém que sorva o almoço comigo, só para dizer que estamos juntos... aliás, o propósito cai por terra a partir do momento em que nos 30 minutos disponíveis, abrir a boca é quase única e exclusivamente para enfiar lá comida...
No entanto, convenhamos que é menos meia hora que passo fora de casa...
Realmente, meia hora é suficiente para engolir uma sopa (a escaldar, é certo...) e um segundo prato. E assim como assim, sempre fui uma pessoa habituada a comer depressa mesmo quando dispunha de uma hora e meia para almoçar.
No entanto, sinto falta daquela meia hora... porque a aproveitava sempre. Fosse para resolver um qualquer imbróglio no banco, ir aos CTT, ou simplesmente ver montras para distrair a mente, ou sentar em qualquer lado a ler um livro (que era o mais comum!).
Parece que naquela meia-hora extra de que dispunha, também podia simplesmente aquietar-me um pouco e abrandar o ritmo da respiração, e até quiçá pensar nas coisas
Outra vantagem é que podia facilmente combinar um almoço com amigos, rever pessoas que de outra forma tenho dificuldade em conjugar horários para encontros e ainda dar dois dedos de conversa com rostos familiares. Agora é complicado pedir a alguém que sorva o almoço comigo, só para dizer que estamos juntos... aliás, o propósito cai por terra a partir do momento em que nos 30 minutos disponíveis, abrir a boca é quase única e exclusivamente para enfiar lá comida...
No entanto, convenhamos que é menos meia hora que passo fora de casa...
20 de novembro de 2013
Pérolas futebolísticas
Não ligo muito ao futebol... ouço uns debates mais acesos aqui e além entre colegas de trabalho e pouco mais que isso.
Mas confesso que me rio a bandeiras despregadas com as declarações de treinadores e de alguns jogadores, todos eles donos dum português absolutamente hilariante.
Declarações de Jorge Jesus, na véspera dum jogo do Benfica com uma equipa grega, em resposta à pergunta dum jornalista sobre a importância desse jogo:
"- Este jogo é mesmo muito importante, porque é o próximo."
Ah bom, é só porque é o próximo... não é porque isso poderia significar a permanência da equipa em competição... digo eu, que nem percebo muito do assunto...
Declarações de Paulo Bento ontem, antes do jogo da selecção nacional com a Suécia, quando questionado sobre que estratégia iria implementar para alcançar a qualificação para o mundial:
"- Penso que a melhor estratégia será tentar ganhar."
Pois... mais uma vez, eu que pouco pesco do jogo da bola, tenho cá para mim que qualquer estratégia de jogo passará por ganhar... ou neste caso, pelo menos tentar! Ou será que a malta joga só para empatar?!
Mas confesso que me rio a bandeiras despregadas com as declarações de treinadores e de alguns jogadores, todos eles donos dum português absolutamente hilariante.
Declarações de Jorge Jesus, na véspera dum jogo do Benfica com uma equipa grega, em resposta à pergunta dum jornalista sobre a importância desse jogo:
"- Este jogo é mesmo muito importante, porque é o próximo."
Ah bom, é só porque é o próximo... não é porque isso poderia significar a permanência da equipa em competição... digo eu, que nem percebo muito do assunto...
Declarações de Paulo Bento ontem, antes do jogo da selecção nacional com a Suécia, quando questionado sobre que estratégia iria implementar para alcançar a qualificação para o mundial:
"- Penso que a melhor estratégia será tentar ganhar."
Pois... mais uma vez, eu que pouco pesco do jogo da bola, tenho cá para mim que qualquer estratégia de jogo passará por ganhar... ou neste caso, pelo menos tentar! Ou será que a malta joga só para empatar?!
11 de outubro de 2013
Dizem por aí que a malta se divide pelo local onde escolhe sentar para comer... (post altamente inspirado na Gralha)
Pois eu cá discordo! Eu não disse que era do contra?!
Não vejo onde esteja a divisão...
Até pode muito bem ser que se deva ao facto de me sentir um híbrido nesta matéria.
Senão vejamos:
Na casa dos meus pais, era na cozinha que todas as refeições era feitas. Sem excepção! As únicas alturas em que se almoçava ou jantava na sala, era porque eram dias especiais e recebíamos a visita de familiares ou amigos. Então na casa dos meus avós, a sala (mais conhecida como "a casa de fora") só servia de salão de refeições também em ocasiões especiais (leia-se no verão quando todos vinham de férias, fazer visita!) e por alturas das matanças de porco, em que a mesa da sala era um buffet rústico de fazer inveja a muita casa fidalga!
Eu cresci a tomar refeições na cozinha, sítio amplo por sinal. Dava particular jeito poder depositar o prato da sopa acabada de engolir directamente no lava-louças, ficando de imediato a mesa desimpedida de pratame sujo. Meter a mão no frigorífico para tirar qualquer item que caíra no esquecimento era fácil e podia fazer-se sem levantar o real traseiro da cadeira!
Quando procurei casa para mim, inconscientemente risquei da lista de possibilidades todos os apartamentos que vi cuja cozinha fosse um verdadeiro corredor ou mais parecido com um espaço de arrumos. Porque mesmo que eu só tenha adquirido a mesa da cozinha quase decorridos 4 anos de vida em comum, não se metia na minha moleira que na minha cozinha não houvesse espaço para me sentar a comer.
O facto é que nesses 4 anos de vida de casal, tomar todas as refeições na mesa de jantar da sala tornou-se regra. Com a televisão ligada... situação que nos encontramos actualmente a corrigir condignamente!
Assim que tive mesa na cozinha, os meus pequenos almoços de fim de semana passaram a ser feitos ali. Coincidência ou não, saboreio melhor o croissant e o café sentada à mesa de cozinha do que na sala... até o meu filho parece preferir este espaço para comer nas manhãs de sábado e domingo.
Por estes dias, depois da experiência de férias, a jantar na mesa da cozinha da casa de campo, o marido habituado a comer na sala entendeu que era boa ideia passarmos a fazer as refeições ora na sala ora na cozinha, conforme o feeling do momento, mas finalmente confessou que se sente mais "aconchegado" na cozinha!
Por estas e por outras é que eu digo que sou um híbrido...
Alta competição infantil
Não querendo meter a foice em seara alheia, nem mandar postas de
pescada sobre a forma como cada um decide educar o seu filho e sobre o
que entende ser o melhor para eles...
Mas juro que se me dá uma urticária malina e me assola um tique de nervoso nas pestanas do canto do meu olho esquerdo sempre que ouço mães de meninos e meninas da idade do meu filho (4/5 anos) a afirmar convictas que querem que os seus filhos pratiquem desporto de alta competição...
Subconscientemente, sou levada a pensar que na base deste desejo deve residir alguma frustração mal canalizada ou um sonho qualquer que se lhes ficou por concretizar... mas isto deve ser só o lado mais preconceituoso do meu cérebro que sai da jaula por uns segundos! Ou então, é mesmo só a minha veia preguiçosa, pouco desportiva e nada propensa ao exercício físico regular...
Acredito que os pais queiram o melhor para os seus filhos, certamente! No entanto, tenho algumas dificuldades em compreender que queiram que os seus filhos, com apenas 4 anos, se submetam a treinos fisicamente intensos, vários dias por semana (incluindo sábados) durante mais de 2 horas cada treino.
Não duvido que haja crianças que adoram isto e que isso as faz felizes, por terem apetência para a coisa... afinal de contas há tanto atleta de alta competição que começou assim mesmo, nestas idades...
Mas confesso que este tema me provoca alguns calafrios no pensamento, porque acho que crianças desta idade devem fazer exercício físico regular, sim... mas como divertimento, como brincadeira, como forma de extravasar as suas imensas energias. O desporto deve ser lúdico e não uma corrida para chegar às medalhas em tão tenra idade. E muito menos para saciar uma qualquer sede dos paizinhos...
Mas juro que se me dá uma urticária malina e me assola um tique de nervoso nas pestanas do canto do meu olho esquerdo sempre que ouço mães de meninos e meninas da idade do meu filho (4/5 anos) a afirmar convictas que querem que os seus filhos pratiquem desporto de alta competição...
Subconscientemente, sou levada a pensar que na base deste desejo deve residir alguma frustração mal canalizada ou um sonho qualquer que se lhes ficou por concretizar... mas isto deve ser só o lado mais preconceituoso do meu cérebro que sai da jaula por uns segundos! Ou então, é mesmo só a minha veia preguiçosa, pouco desportiva e nada propensa ao exercício físico regular...
Acredito que os pais queiram o melhor para os seus filhos, certamente! No entanto, tenho algumas dificuldades em compreender que queiram que os seus filhos, com apenas 4 anos, se submetam a treinos fisicamente intensos, vários dias por semana (incluindo sábados) durante mais de 2 horas cada treino.
Não duvido que haja crianças que adoram isto e que isso as faz felizes, por terem apetência para a coisa... afinal de contas há tanto atleta de alta competição que começou assim mesmo, nestas idades...
Mas confesso que este tema me provoca alguns calafrios no pensamento, porque acho que crianças desta idade devem fazer exercício físico regular, sim... mas como divertimento, como brincadeira, como forma de extravasar as suas imensas energias. O desporto deve ser lúdico e não uma corrida para chegar às medalhas em tão tenra idade. E muito menos para saciar uma qualquer sede dos paizinhos...
8 de outubro de 2013
Viver no presente
Nunca ouvi tanto este chavão como nos últimos meses, em que todos parecem apontar esta tirada como a solução para sermos felizes nos dias que correm....
Realmente, a velocidade imposta pela sociedade da informação, pelos avanços tecnológicos que se sucedem a uma rapidez quase estonteante, pelas milhentas redes sociais e o crescente FOMO associado, fazem com que sejamos cada vez menos capazes de simplesmente estar parados, a apreciar boa companhia, reduziu o convívio físico, o estar juntos fisicamente, presentes no mesmo local a viver as mesmas coisas.
Eu culpada me confesso, que me deixei levar por tudo isto... longe vai o tempo em que eu escolhia a minha banda sonora e apreciava a beleza de tantos momentos, tinha uma vida social activa que passava exclusivamente por combinar encontros com amigos e familiares.
Por me sentir assoberbada com tudo isto, decidi que nas minhas férias, além de ir para o meu paraíso pessoal, ia tentar desligar-me o máximo possível de redes sociais e também da televisão.
Senti-me bem! Senti-me mesmo muito bem!
Dei por mim a reparar em coisas que de outra forma não poria a atenção. E a apreciá-las!
Dei por mim a sorrir perante uma cena caricata no café da vila, onde quatro amigos, todos na casa dos vinte estavam sentados a tomar o pequeno almoço e todos sem excepção teclavam ou num smartphone ou num tablet. Calculo que estivessem a conversar entre si, mas sem abrir a boca, só a teclarem num écran... só não tirei uma foto por pura vergonha!
Nessas férias, comemos sempre juntos à mesa, a conversar uns com os outros. Praticamente só vimos programas culturais na RTP2. As saudades que eu tinha que ver este canal...! E o que aprendi sobre grandes nomes da escrita portuguesa?! Muito enriquecedor!
Imbuídos do espírito das férias, decidimos que iríamos dosear as quantidades de consumo de televisão, de computador e redes sociais.
Sinceramente tenho-me sentido muito mais em paz com esse facto!
Presto mais atenção aos pormenores, converso mais sobre assuntos que realmente importam e poupo o meu sistema nervoso central ao relambório da nossa política e sociedade, que me parecem andar pelas ruas da amargura...
Efectivamente, quer-me parecer que decidi "viver no presente" (nunca cuspas pró ar) e não estou nada insatisfeita com esta solução... se resolveu os meus problemas todos?! Certamente que não! Mas que me trouxe alguma serenidade que andava perdida, lá isso trouxe!
Subscrever:
Mensagens (Atom)
