Mostrar mensagens com a etiqueta dúvidas existênciais. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta dúvidas existênciais. Mostrar todas as mensagens

12 de dezembro de 2013

Falipices #63 - tópicos sensíveis

Falipe ao meu lado no sofá a assistir hipnotizado a desenhos animados.

Do nada, agarra-se ao meu braço e diz:

- Mamã, eu não quero que tu morras!

Fiquei boquiaberta...

- Então, de onde veio essa ideia?...

- Eu não quero que a minha mamã morra...

- Sim, filho, a mãe está aqui ao teu lado. Mas de onde veio essa ideia?

- Eu não quero que a minha mamã morra. Quero que fiques viva!

Por mais que lhe quisesse dizer algo que o confortasse, fiquei quase sem reacção e principalmente sem entender onde tinha ele ido buscar esta ideia. Aliás, esta deve ser a terceira ou quarta vez que ele me pergunta se eu vou morrer... e eu sinceramente admito a minha tremenda falha em lhe dar uma resposta cabal...

Passados uns dois minutos, pergunta-me:

- Mamã, tu vais transformar-te em avó?

- Sim, filho, possivelmente sim... não sei...

- Como é que vais transformar-te em avó?

- Pois, isso vai depender de ti.... um dia, quando fores grande, no dia em que tu te transformares em papá (se isso suceder...)

- Quando eu for muito muito grande, mamã?

- Sim.

- Pois, mas eu agora sou pequenino... ainda estou quase a fazer cinco anos. Ainda falta muito para eu ser grande?

- Sim, filho, ainda falta um bocado. Não tenhas pressas, sim?!

- Está bem...

7 de fevereiro de 2013

O medo #1

"Tenho de dizer uma palavra acerca do medo. É o único verdadeiro adversário da vida. Só o medo pode derrotar a vida. É um adversário esperto e ardiloso, que eu bem o sei. Não tem decência, não respeita lei nem convenção, não mostra piedade. Vai ao nosso ponto mais fraco, que encontra com uma facilidade certeira. Começa sempre na nossa mente. Num momento, estamos a sentir-nos calmos, seguros, felizes. E, depois, o medo, disfarçado com as vestes da dúvida afectada, introduz-se na nossa mente como um espião. A dúvida encontra a descrença e a descrença procura empurrá-la. Mas a descrença é um soldado de infantaria mal armado. A dúvida vence-a sem grande dificuldade. Tornamo-nos ansiosos. A razão vem travar a batalha por nós. Somos tranquilizados. A razão está bem equipada com a última tecnologia das armas. Mas, para nosso espanto, a despeito da táctica superior e de um inegável número de vitórias, a razão é vencida. Sentimo-nos enfraquecidos, vacilantes. A nossa ansiedade torna-se pavor.
Depois o medo trabalha todo o nosso corpo, que já está ciente de que qualquer coisa terrivelmente errada se está a passar. Já os nossos pulmões saíram voando como pássaros e os intestinos deslizaram como uma cobra. Agora a nossa língua pende morta como um gambá, enquanto o maxilar começa a galopar no mesmo sítio. Os ouvidos estão surdos. Os músculos começam a tremer, como se tivessem malária, e os joelhos abanam, como se estivessem a dançar. O coração retesa-se com demasiada força, enquanto o esfíncter se relaxa demasiado. E assim acontece ao resto do corpo. Todas as partes do corpo, da maneira mais própria de cada uma delas, se desintegram. Só os olhos funcionam bem. Eles dão sempre a devida atenção ao medo.
Tomamos rapidamente decisões irreflectidas. Dispensamos os últimos aliados: a esperança e a confiança. Aí, derrotamo-nos a nós mesmos. O medo, que é apenas uma impressão, triunfou sobre nós.
O assunto é difícil de colocar em palavras. Porque o medo, o medo real, aquele que nos sacode até aos fundamentos, como o que sentimos quando levados a enfrentar o nosso fim mortal, aninha-se-nos na memória como uma gangrena: procura apodrecer tudo, mesmo as palavras com que se fala dele. Por isso, temos de lutar duramente para exprimi-lo,. Devemos lutar duramente para fazer brilhar a luz das palavras sobre ele. Porque se o não fizermos, se o nosso medo se torna uma escuridão inexprimível que evitamos, que talvez até consigamos esquecer, abrimo-nos a posteriores ataques de medo porque nunca lutámos verdadeiramente contra o opositor que nos derrotou."

In "A vida de Pi" de Yann Martel

7 de dezembro de 2012

Regressar à terra

Desde que esta crise toda começou, parece ter havido um certo revivalismo da agricultura e de artes dos "mais antigos" que tinham caído em desuso, em favor das profissões liberais, mais exigentes do ponto de vista mental.

Eu que cresci no seio duma família humilde, cuja vida foi dedicada à agricultura, à terra, ao pastoreio de bovinos e ovinos, sempre achei que possivelmente aquela vida não seria para mim. Apesar de adorar fazer equilíbrio entre os regos das batatas brancas, sentir o cheiro da rama da melancia, adorar ver as azeitonas a caírem como chuva, ao serem varejadas na altura da apanha, ou poder comer as uvas acabadas de vindimar e as maçãs rosadas com polpa vidrada, sempre achei que nunca me dedicaria à terra.

Apesar de sempre me recordar de em tenra idade (6 anos creio eu!) ter tomado a decisão inequívoca de nunca alienar as terras que o meu avô Manuel conquistou a pulso, pelo seu esforço físico e pela sua argúcia em negociar uma terra menos produtiva por outra maior e mais fértil, ainda hoje fico perdida a olhar para as terras que o meu avô e depois a minha mãe me deixaram.

Um certo desejo de um dia cultivar as terras dos meus antepassados ressurgiu após a morte da minha mãe e quando um dia percebi que o sonho de velhice do meu pai era voltar a tratar as terras, fazer recuar o silvado, limpar o matagal que foi conquistando espaço.

Também ele faleceu e o silvado tem vindo a tomar conta dos terrenos outrora organizados geometricamente, a romanzeira deixou de se conseguir ver do alto e a macieira nem sei se existe ainda... o caminho para chegar à ribeira é agora um matagal quase inexpugnável, e os sobreiros aguardam ordens de descortiçar. A vinha há muito que morreu por falta de poda e as ameixeiras perderam-se... talvez ainda resistam os marmeleiros que orlavam o espaço da vinha...

Quando a crise começou, não me senti muito ameaçada ou receosa por uma razão pura e simples: se tudo o resto falhar, tenho sempre terrenos que poderei cultivar! E ainda hoje acredito nisso! Se um dia me vir atirada para o desemprego será esse o caminho que seguirei!

Mas por enquanto, ainda olho para a imensão de terra de que sou proprietária e sinto-me perdida sem saber o que fazer. Sinto-me avassalada pela nostalgia dos tempos de outrora e um pouco triste comigo mesma por não honrar a herança que me coube em sorte. Às vezes dou por mim a pensar: "o que fariam o teu avô ou o teu pai?"

Ainda hoje não encontro resposta a essa questão...
Talvez quem sabe, arrende os terrenos a quem a queira cultivar e não tenha terreno para o fazer...

28 de novembro de 2012

"A arte perdida de escrever cartas"


 Andava eu a seleccionar uma série de fotografias por causa de uma prenda de natal e fui encontrar esta foto que tirei na Praça dos Aliados, numa ida ao Porto. 
Quando a encontrei achei que seria perfeita para ilustrar um post no qual já andava a matutar havia que tempos, sobre as saudades que sinto de escrever cartas às pessoas, aos amigos, à família, como sempre tive o hábito de fazer. E também das saudades que sinto de receber cartas, nem que seja a dizer que as novidades não abundam e que a carta foi mesmo só para falar do tempo e dizer que está tudo bem. E de como estou farta de apenas receber cartas que encerram contas e facturas e recibos... o que fez com que deixasse de encarar a minha caixa do correio como um objecto que encerra no seu interior a emoção de contactos de pessoas de quem gosto.
Convém ressalvar que ultimamente tenho tido o privilégio de receber algumas encomendas e algumas missivas bem agradáveis, juntamente com pequenos presentes de pessoas a quem comecei a estimar recentemente!
No entanto, o facto permanece! Deixámos de escrever-nos uns aos outros, ou então mudámos o formato em que se revestem as nossas cartas. Agora é tudo por e-mail e por sms, e por mais que o efeito de saber notícias de quem gostamos seja semelhante, não poderá nunca estar à altura duma missiva, manuscrita, com a letra escrevinhada num papel. 
Ahhhhh e poderia dizer tanto sobre o papel de carta e a forma como a escrita a percorre e embeleza. Porque o papel por vezes encerra o perfume característico da casa de quem o enviou, ou até mesmo do perfume do emissário.
E o que poderia dizer do envelope e do acto de o abrir. A expectativa que se forma no nosso peito e na nossa mente, carregada de curiosidade do que vem no interior do envelope.
Eu sempre fui uma romântica incurável no que a cartas diz respeito. Tenho caixas onde as guardo, juntamente com postais. Há tempos, encontrei por acaso as cartas que a minha mãe me enviou quando esteve internada no IPOFG, e que foram talvez as únicas cartas no verdadeiro sentido a palavra (porque a minha mãe deixava-me bilhetinhos sempre que podia, com pequenas mensagens) e as últimas palavras manuscritas por ela, para mim. Falavam de coisas puramente triviais, do seu dia a dia, dos tratamentos, das pessoas que a rodeavam, médicos, enfermeiros e pacientes como ela. Havia em todas elas gravada a saudade que tinha de mim e do meu pai, por estarmos apartados e da sua ansiedade em poder ter alta para regressar a casa. E encontrei junto às cartas dela as minhas cartas para ela, nesse mesmo período. Em que eu falava da vida em casa, dos dias na escola e das notas dos testes do meu 11.º ano acabado de iniciar... Encontrei-as juntas porque as reuni há uns anos, num dia de arrumações.
Talvez por essa razão, os meus diários consistam em cartas que escrevo à minha mãe... porque sempre achei estúpido escrever algo dirigindo-me a uma entidade abstracta como "querido diário"... 
E talvez por gostar tanto de escrever cartas é que decidi escrevê-las ao meu filho logo desde que o tempo em que ele estava no meu ventre. 
É claro que esta minha ideia não tem nada de original, e faço-o com um propósito muito próprio, muito meu. Porque de alguma forma, as cartas são um ente adormecido, mas carregado de uma vida enorme, que se renova momentaneamente sempre que relemos uma carta. São o rastilho para descerrar memórias que estão no fundo do baú que é o nosso subconsciente e perdoem-me, mas eu sou uma saudosista até ao tutano!
As cartas são um objecto poderoso, que atravessa gerações e que toca pessoas de forma inegável!

Senão vejam:


21 de novembro de 2012

O rectângulo das Bermudas

"Fausto olhava a linha do horizonte com expectativa, enquanto seguia ao leme da sua nau.
Há muito que tinha deixado de mudar de direcção no seu leme, porque pura e simplesmente tinha deixado de saber que caminho queria seguir, o bombordo e o estibordo pareciam-lhe a mesmíssima coisa.
Havia muito que a sua nau, a Elena, deslizava calmamente sobre as águas pacíficas empurrada por uma brisa suave, que lhe enfunava as velas.
Fausto decidira abdicar do esforço de pesquisar incessantemente as cartas marítimas, sem conseguir determinar o próximo destino. Esperava que aquela brisa suave encaminhasse sabiamente Elena e finalmente chegassem a um porto.
No fundo, Fausto não se sentia capaz de decidir o rumo que queria dar ao leme de Elena, mas era facto que havia já largos meses que navegavam sem avistar terra, sem encontrar tempestades ou turbulência marítima. A quietude do oceano era monótona, enfadonha e desprovida de entusiasmo... 
Se não fosse o seu sentido de orientação, Fausto poderia ser levado a pensar que estava a navegar em círculos sem nunca sair do mesmo quadrante marítimo.
Por isso, Fausto esperava placidamente que a brisa suave lhe sussurrasse ao ouvido o nome do próximo local onde deveriam aportar. 
No entanto, todos os dias sentia um misto de alívio por não ter ainda ouvido esse sussurro, e de uma angústia por continuar a vogar quase à deriva pelas águas oceânicas, dia após dia, sem rumo nem destino.
Fausto queria chegar depressa, mas hesitava simultaneamente em apressar o navegar de Elena, para chegar onde pudesse lançar âncora e partir à descoberta de uma nova terra."

17 de outubro de 2012

Diz que são fases...

tirado daqui
Juro que em certos dias consigo tornar-me tão complicada que até me irrito a mim mesma...
Questiono tudo até à mais ínfima partícula da essência. Duvido até da minha sombra...

Será que passa, se me sentar e esperar um pouco?

23 de agosto de 2012

Guilty pleasures e dúvidas que me atacam



Tenho um guilty pleasure que é, quando não está a dar nada que me interesse na tv, ficar a ver programas como o Top Chef (já o Master Chef dá-me um certo fastio) e o Project Runway. 
É certo que me aborrece um bocado aquelas "tricas de comadres" e guerrilhas de egos dos concorrentes, mas ignorando um pouco isso, ainda dá para aprender umas coisas!

No entanto, há uma coisa que me irrita absolutamente no final destes programas e coloco-me sempre a questão... porque raio todos os concorrentes que saem do programa, corridos e enxotados, por fazerem prestações medíocres, usam sempre a tirada de que nada está perdido e que participar foi uma "life-changing experience" e que agora é que vão ser grandes estrelas da moda ou da culinária??!!

É que a sério, eles foram "despejados" por não terem qualidade ou criatividade que lhes permita continuar no programa e afinal de contas, ganhar o prémio final, que é ser reconhecido com chef ou como designer de moda...

A dúvida paira sempre no meu espírito: mas eles dizem isso porque faz parte do guião ou por acreditam mesmo que ir a um programa é algo que revoluciona toda a sua vida e que agora é que vão profundamente bem sucedidos e imensamente felizes a fazer o que gostam?!

Às vezes, tenho um desejo secreto que a SIC se lembre de ir fazer um "Perdidos e Achados" com estes mocinhos que saíram com o rabinho entre as pernas destes dois programas e perceber se não continuam a ser serventes de pedreiro ou empregadas de mesa, como eram antes de entrar no programa...

20 de outubro de 2011

Onde se vê daqui a 5 anos?


tirada da net

Esta foi uma questão que colocaram numa entrevista de emprego a que fui, alguns meses após ter concluído a minha licenciatura.
Na altura e, tendo em conta que a entrevista era para o preenchimento duma vaga como empregada de balcão numa loja que comercializava telemóveis, achei a pergunta estapafúrdia, principalmente porque nunca despendera muito tempo da minha vida a pensar nisso.
Além disso, também me pareceu algo despropositado, porque todos os planos pessoais e profissionais que pudesse ter, não eram para ali chamados, porque eu não conhecia o entrevistador nem mais gordo nem mais magro. E planos de vida futura, pessoal ou profissional, a mim (naquela altura) pareciam-me mais o tipo de assunto que eu discutiria com família chegada e amigos de confiança.
Uns meses passados, comentei com uma conhecida minha que procurava emprego, que me tinham formulado aquela questão. Ela, formada na área de psicologia e conhecedora de algumas técnicas de recrutamento, explicou-me que era uma questão bastante básica e perfeitamente normal em entrevistas, para que pudessem perceber se eu era uma pessoa com ambições e orientada para seguir determinados objectivos!
Pois que voltaram a colocar-me essa questão cerca de 5 anos mais tarde e a minha resposta foi rápida, directa e bastante frontal!
Se em 2001, via-me dali a 5 anos a trabalhar para o Corpo Diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros, como adida, em 2006 respondi que isso era muito relativo! A pessoa ficou confusa e pediu-me para elaborar e eu, claro, elaborei!
Que em apenas um ano todas as circunstâncias da nossa vida mudam, sejam a nível pessoal ou profissional e que a vida tinha-se encarregue de me mostrar isso mesmo e terminei com esta frase:
Se em 2001 eu achava que ia ser uma futura Embaixadora ou quem sabe uma funcionária duma ONG a trabalhar num qualquer país subdesenvolvido, nada me faria alguma vez crer que seria Técnica de Segurança do Trabalho e muito menos iria trabalhar no ramo da construção civil!”
Se à minha resposta, o primeiro entrevistador ficou com aquele ar de “Ya, tá bem! Deves mesmo conseguir...”, o segundo entrevistador ficou perfeitamente desconcertado.
Perante o ar confuso do senhor, decidi acrescentar que o que tinha aprendido com esta mudança de profissão tão “díspar”, chamemos-lhe assim, foi que não podemos ter planos demasiado rígidos e fixos e que devemos estar preparados para nos adaptar rapidamente ao que muda na nossa vida, mas principalmente a ter a capacidade de dar a volta, mesmo quando achamos que aquilo não era nada do que queríamos.
Porque mais tarde, pode dar-se o caso de gostarmos mesmo do que a mudança de circunstâncias nos trouxe!
Cerca de um ano e meio depois de ter entrado no mundo das obras, abriu finalmente concurso para o Corpo Diplomático do MNE, que eu aguardava desde que me licenciei. Quando acabei de ler o aviso de concurso senti-me algo indiferente perante aquilo e fiz a candidatura por mero descargo de consciência, para ver até onde conseguiria chegar no concurso, visto que eram sempre 10 cães a um osso. Neste caso, acho que éramos 2100 candidatos para 40 vagas.
Mas quando vi os temas sobre os quais teria que me debruçar nas provas de conhecimentos gerais e específicos, achei que saber a política externa portuguesa desde o tempo do rei D. José I e a importância do Marquês de Pombal e da sua política, pouca utilização prática tinham para a minha vida profissional, já que eu me tornara uma pessoa cuja tarefa era tentar ajudar quem trabalha a chegar ao final do dia vivo e sem grandes mazelas do trabalho pesado que tinham que desempenhar na sua vida activa.
Eu que sempre quisera trabalhar no estrangeiro, acabei por trabalhar em Portugal com mais estrangeiros do que poderia pensar!
Por isso, nunca penso naquilo que quero para a minha vida de forma muito rígida ou estanque. Se não alcançar esse objectivo, não é nenhum drama. Se tiver que me reinventar, porque não?!
Eu prefiro sonhar com coisas que quero viver, alcançar! E chegar ao dia em que as concretizei e perceber isso mesmo!
Mas aproveito o que se vai passando até lá, e isso torna tudo muito mais interessante!

24 de agosto de 2011

Prioridades

tirada da net

Há dias lia algures um comentário sobre a acessibilidade a pessoas com deficiência. E assolou-me uma tremenda dúvida.
Em qualquer autocarro, há sempre um lugar reservado a pessoas com prioridade, nomeadamente grávidas, portadores de deficiência e idosos.
Imaginem que uma pessoa portadora de deficiência entra num autocarro e no lugar reservado se encontra uma grávida em fim de gestação ou um idoso que tem sérios problemas de mobilidade.
Quem tem prioridade neste caso?! Quem fica com o lugar?!
Também acredito que a probabilidade de uma situação destas acontecer seja algo remota, mas fiquei a matutar na coisa...

18 de julho de 2011

Ser herdeira não é fácil...


Antes de mais, aviso já que não estou a reclamar de barriga cheia!

Ontem, estava a ver uma reportagem na RTP2 sobre as profissões com mais futuro e eis quando vejo "tirador de cortiça" na lista!
Dei uma palmada na testa, a chamar-me de burra esquecida... é que já devia ter mandado tirar a cortiça aos sobreiros no ano que passou, mas como deixei passar o verão, decidi "procrastinar" a coisa e tratar disso este verão, juntamente com as minhas primas...
E se não fosse ter visto aquilo ontem, acho que passava mais um verão sem tratar disto...
Mas qual é a dificuldade, perguntarão vós?!
Existem duas, assim já de caras: a primeira, não conheço tirador nenhum! (talvez por isso, seja uma profissão com futuro... são poucos, e detêm um nicho de mercado!) e segunda: não faço ideia onde ficam os sobreiros e muito menos quantos são... sei que não são assim tantos... mas é que estou completamente perdida! O meu pai é que sabia a sua localização e quantos eram...
Lá terei que me desenrascar... será que se procurar todos os que têm escrito 9, serão meus??!!

22 de junho de 2011

Alguém me explique...

Principalmente nos largos tempos em que trabalhei no sector da construção civil, esta foi sempre uma dúvida existencial que tive...
Como é que há pessoas que conseguem, logo pela fresca da manhã e pouco mais de uma hora depois de terem acordado, tomar um pequeno-almoço que consiste em:

- Café e um bagaço/macieira/aguardente

A sério, como é que o estômago destas pessoas não se embrulha de imediato??!!
É que o meu embrulha-se só de ouvir alguém pedir isto no café, logo de manhã...
Juro que não entendo...

31 de agosto de 2010

Porque tudo na vida muda...

(imagem tirada da net)

 
O meu pequenote vai mudar de escola, amanhã!...
E eu estou cheia de receios e de medos desta mudança que ele vai sofrer...
Às tantas, para ele vai ser igual e nem vai dar pela diferença... quer dizer, ele deve notar, porque é impossível não perceber que afinal os colegas do infantário não são os mesmos: já não vai encontrar a Sofia, o Henrique, a Rafaela, o Leandro, o Rui e outros com os quais convive habitualmente.
E claro que vai notar que quando chamar pela Sílvia, que é a educadora actual, já não vai lá estar para o encher de mimos e atenções, como faz agora. E que não está lá a "Taia" (Natália) para lhe dar pão com manteiga...
Mas ele é uma criança tão social, gosta tanto de pessoas em torno dele, de brincar com meninos da idade dele e até gosta mais daqueles que são maiores... que acho que se vai adaptar tão bem, como se adaptou ao infantário pela primeira vez, apesar de ter estado em casa com a avó até aos 13 meses...! Na altura, tive receios parecidos, mas complemante resolvidos em 2 dias apenas, porque ele adorou ir para a "escolinha"!
E eu acho que vou ser lamechas até dizer basta e sair da porta do novo infantário lavadinha em lágrimas, tal como saí no primeiro em que o deixei a cargo de uma educadora.
Esta mudança custa-me bastante, porque sei que ele, no actual infantário estava bem entregue, era bem cuidado e notei o quanto ele evoluiu com o contributo de quem lá trabalha! Não foi por não ter gostado do trabalho destas pessoas todas - (o meu filho até a cozinheira adora!...), mas porque a vida custa a todos, e quer queiramos quer não, todos sofremos a crise nos nossos bolsos... e a mudança é meramente motivada pelo preço da mensalidade que vou pagar, que é cerca de metade do que pago actualmente.
Também é por ser geograficamente mais perto, se bem que por isso, por si só, não levaria a esta mudança...
No entanto, também ouço aquela vozinha que diz que às vezes o barato sai caro... e não quero vir a constatar que no novo infantário ele não terá a mehor educação possível.
Por isso, vamos a ver como corre...
No meio disto tudo, só penso é que o mais certo é que ele vai achar tudo uma novidade e vai adorar estar num espaço novo, com pessoas novas e com não sei quantas actividades novas (até me falaram em educação pela emoção e massagens e psicomotricidade - no meu tempo ou não havia destas coisas ou tinham nomes bem menos pomposos) e que eu é que me estou para aqui a stressar, porque as crianças por vezes são bem menos complicadas do que nós adultos...!

21 de agosto de 2010

(foto by Naná)

A vida é assim... feita de espinhos!
Mas quem disse que eles não encerram uma certa beleza???
Ou que depois de conseguirmos lidar com eles, não encontramos o que sempre procurámos??!!

31 de julho de 2010

"Morrer por falta de assunto"

Não fiz nenhum post de homenagem a António Feio, como tantos outros... mas prestei-lhe a minha homenagem cá dentro!
Sei que todos temos que morrer mais tarde ou mais cedo e sim custa! Ver partir pessoas que têm um âmago bom, serem vítimas de uma doença assim.
Homenageei-o porque reconheci nele a luta incessante e a esperança perpétua de que tudo faria para vencer numa batalha desigual uma adversária feia e muito maligna... a mesma luta que a minha mãe travou há 15 anos contra um cancro de mama! Durante 2 anos e meio também a minha mãe encarou a doença e jurou vencê-la, mas foi uma guerra avassaladora, tal como aconteceu com o António Feio e também a minha mãe foi vencida...
Consegui enquanto pude não me emocionar com as imagens que foram sendo passadas do António Feio, mas hoje enquanto almoçava, assisti a uma entrevista feita pelo Daniel Oliveira há cerca de um ano. E o António Feio disse de sua justiça tudo o que lhe ia na alma em relação à doença e à perspectiva da morte... e se já o admirava, mais o admirei naquele momento!
E retive uma ideia daquilo tudo: que tal como ele disse, há pessoas que fumam toda a vida e morrem "por falta de assunto"...
Eu tomei consciência de que eu quero ser dessas que morrem por falta de assunto!
Mas principalmente, quando morrer não quero ter tempo para me aperceber de que a morte me espreita e me ronda. Tal como rondou o António Feio, tal como rondou a minha mãe...
Não quero ter que olhar a Morte nos olhos durante meses e meses... prefiro que ela me enfrente rapidamente!
Porque o resto que o António Feio deixou de mensagem final, eu já faço: todos os dias aproveito a vida, não tenho deixado nada por fazer e principalmente por dizer... e tento ajudar os outros sempre que posso!

20 de julho de 2010

Três é a conta que Deus fez

Há dias dei por mim a tomar consciência de que há muitos "trios" na minha vida e não pude deixar de me perguntar se isso terá algum significado profundo e espiritual-místico ou se no fim de contas não passa de meras coincidências...
1. Por circunstâncias de herança, sou proprietária de 3 casas e que para cúmulo ficam em 3 concelhos algarvios diferentes;
2. Também por circunstâncias de herança, lá em casa temos 3 carros de 3 marcas diferentes e de 3 "formatos" diferentes: um utilitário, uma sw e uma carrinha mista de passageiros/mercadorias...
3. Possuo 3 telemóveis, ou melhor, ando com eles na mala, porque um deles é do patrão...
4. E lá em casa somos um conjunto de 3 pessoas...
E agora lembrei-me doutra (boa!): 5. nasci há 3 décadas!...
Será o universo a querer dizer-me alguma coisa???

8 de junho de 2010

"Morrer é só não ser visto"

É o nome de um livro fantástico que li há uns dois meses atrás e que me fez compreender tanto da minha vida presente!
São relatos de pessoas que passaram pela experiência de perder alguém muito querido para a Morte e que de alguma forma aprenderam a viver com a ausência, com a falta física, com a saudade...!
Revi-me em quase tudo o que li... porque muito (demasiado) cedo tive que conviver com isso... tive que aprender que as pessoas que mais amava não estavam ali fisicamente, mas que de algum modo me acompanhavam. E isso foi-me dando conforto!
Mas ao ler este livro tomei consciência de uma outra realidade... a de que perdi mais uma pessoa, e mesmo muito importante, mas que de algo modo "obliterei" esse facto... e não iniciei o "processo do luto".
Por isso, hoje, passados que são 6 meses de que perdi o meu pai, acho que finalmente comecei a tomar consciência... (não que não tenha sentido falta dele todos os dias que entretanto se passaram...) e o sentimento principal que me acompanhou nestes seis meses é o de "orfandade".
Quando a minha mãe morreu, não me senti propriamente orfã... mas agora que ambos não estão comigo, por perto, é exactamente isso que sinto: orfã!
Mas de alguma forma, acredito que morrer é só não ser visto! Porque acredito que de algum modo os que amamos e que nos amaram estão ao nosso lado!...

16 de maio de 2010

Como???

É que cuida de um filhote doentinho quando nós estamos ainda mais doentes que ele????

6 de maio de 2010

Tudo na vida muda...!

O ser humano é um ser insatisfeito, por natureza...
E eu não sou excepção à regra!
Mas há momentos na vida em que as mudanças se dão a uma velocidade estonteante. Tanto boas como más...
E eu tenho assim um bicharoco ca dentro que por vezes acolhe bem certas mudanças, mas outras nem tanto. Leva o seu tempo, a enquadrar na moleira, a depois processar, a depois se acostumar e por fim aceitar e perceber que nem havia razão para resistir. (espero que os meus chefes nunca leiam isto!...)
E já passei por tantas ao longo da vida, mas foram espaçadas, deram tempo ao meu bicharoco para fazer este processo de aceitação.
Mas agora estou a passar por uma série delas, todas ao mesmo tempo e em campos da minha vida bastante importantes, a listar:
- mudei/estou a mudar de casa: o que o meu bicharoco já ansiava por esta mudança...
- mudei de categoria profissional - logo, recebi um aumento mais "agradável" o que é uma benção na presente conjuntura
- mudei recentemente de local de trabalho: esta foi mais que desejada!!!
- vou mudar o puto de infantário.
E é nesta ultima que o bicharoco já começou a remoer... porque tenho receio de mãe, porque sinto que ele está bem entregue, que as pessoas que estão com ele diariamente têm feito um bom trabalho e isso reflecte-se na evolução positiva e desenvolvimento do meu "caluxinho".
Mas com a presente conjuntura, há que fazer "ajustes" financeiros e consegui encontrar um infantário que custa menos de metade do que o actual.
Apesar de saber que não há mal nenhum em mudar, tenho receio, por ele e por mim!...
A ver quanto tempo o bicharoco leva a acostumar-se a esta???

23 de setembro de 2009

Adultos de metro

Ontem estava a ver o programa 30 minutos da RTP e não pude ficar indiferente a uma das reportagens, porque me doeu no coração... e me trouxe reminiscências de um tempo que preferia obliterar da minha existência.
Falo do voluntariado de um piloto no IPO, para ajudar crianças com leucemia a minimizar o peso daquela doença...
E recordei-me de uma criança que me impressionou, numa das vezes que tive que acompanhar a minha mãe ao bloco de análises do IPO... fiquei tão impressionada com um rapazinho de 2 anos!
O brilho dos seus olhos desvanecia-se e ficava cada vez mais pálido... a cabeça desprovida de cabelos e ocultada quase vergonhosamente por um boné, e a incerteza de saber como se devia brincar, porque a ansiedade de ser espicaçado mais uma vez concerteza lhe tolhia toda a espontaniedade...
Apesar de tristeza que sentia pela minha mãe, o meu coração ficou mais apertado ao olhar para aquele menino, que ainda nem tinha aprendido a ser criança e já lhe pediam sacríficios como a muitos adultos nunca foram pedidos...
E ontem, ao ver aquelas crianças, cuja existência se pauta quase exclusivamente por percorrer corredores e salas de hospitais e os amigos que têm (além dos pais) são médicos, enfermeiros, auxiliares e voluntários, senti um aperto ainda maior... uma tristeza brotou repentinamente e senti a dor daqueles pais!
E ainda bem que há pessoas como aquele piloto, que dedicam o seu tempo a tentar alegrar aquelas crianças e fazê-las esquecer momentaneamente o local onde estão e a razão por que ali estão!
Admiro pessoas como ele, porque eu confesso que talvez não fosse capaz, não tivesse a força necessária para os alegrar.
Porque sei a dor que causa essa doença, porque a testemunhei... e talvez por isso, julgo que a sensação de impotência perante um gigante poderoso como a leucemia me iria tolher todos os movimentos e apenas desejar ter uma varinha de condão para apagar toda a dor e tristeza que estes adultos de metro sofrem...!

13 de setembro de 2009

Pensamentos parvos que me assaltam...


Estava na praia, pela primeira vez este verão e dei comigo a observar as pessoas à minha volta, o que me deu para certos pensamentos meio parvos que vou cair na asneira de reproduzir aqui...:

- mas será que aquela sr.ª acha que eu gosto de olhar para as mamocas dela??

- eu estou gorda, mas não sou a única... (por acaso, nós mulheres temos a mania de desculpar os nossos defeitos com os dos outros, se forem iguais ou parecidos... guilty!)


Entretanto, próximo de mim abancam 5 teenagers daquela que eu costumo chamar a "geração morangos com açucar", no look e na postura. E aqui há pano para mangas:

- mas estes putos não sabem conter-se com tantos melos, quase a raiar a pornografia?

- que raio de óculos mais parvos que se lembrou de trazer aquele rapazinho... será que ele sabe que aquilo lhe fica mesmo mal??

- já fumam??? Com esta idade??

E depois, de repente, tomo consciência dos meus preconceitos e penso para comigo: "eu que sou daquela a que sempre chamaram «geração rasca», será que os mais velhos tinham estes pensamentos sobre a minha geração??? Que tipo de comentários mentais será que os mais velhos teciam acerca de mim e dos meus amigos?? Nem quero ir por aí...


Depois mudo de tema... e volto à questão da imagem... e em vez de olhar para os outros, começo a perguntar-me o que será que as pessoas vêm quando olham para mim? Devem dizer pelo menos:

- deve ter sido o teu primeiro dia de praia este ano... estás branca que nem a cal... mais pareces uma lula... descuida-te e vais sair daqui com um escaldão à camarão!


Depois passo para coisas mais "eruditas" e apercebo-me que sempre adorei praia, mas nunca fui mulher de ir para lá só para estender o corpinho ao sol e muito menos dormir para o bronze. Sempre fui daquelas que tinha que levar qualquer "entretenga": um livro, um caderno para escrever, música levava sempre, e nunca ficava quieta na toalha muito tempo... ou estava na água ou a caminhar de um lado para o outro. Lá ficar a grelhar ao sol a tarde toda é que não!!

E pronto, descobri mais uma entretenga: ser assaltada por pensamentos parvos...!