Mostrar mensagens com a etiqueta algarvia marafada. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta algarvia marafada. Mostrar todas as mensagens

27 de fevereiro de 2014

A Tordo e a direito

Sinceramente começo a ficar um tanto incomodada com esta celeuma em torno do Fernando Tordo ter emigrado e da carta que o filho escreveu ao pai e tornou pública.

Não acho que ele seja melhor ou pior que qualquer outro português, não tem maior ou menor valor que qualquer outra pessoa, mas custa-me ver o homem ser ou glorificado ou enxovalhado gratuitamente. Até me custou ler a crónica do Fernando Ribeiro... apesar de entender que tudo o que ele escreve é válido, pelo menos da sua perspectiva pessoal.

Tudo porque simplesmente acho que cada um terá a sua experiência de emigração, ou de permanência no país, sujeitando-se às cargas fiscais austeras e tudo e tudo o mais que o nosso governo se lembrou de fazer em nome de baixar as calcinhas à Troika e deixar-se enrabar livremente "ser bom aluno". 

O que me irrita no meio desta controvérsia toda é simplesmente isto: de repente todos decidem proclamar aos sete ventos, em cartas escritas, que são mais coitadinhos que o Tordo, mas que aguentaram estoicamente, sem queixumes e sem vitimizações. De repente, todos se fazem de fortes, mas fazendo-se de coitadinhos ao mesmo tempo. De repente, todos querem gritar que passaram por isso e até muito pior.
Cada qual terá a sua experiência e portanto, viveu-a e entendeu-a do seu ponto de vista pessoal. Há comparações que não têm qualquer comparação possível. 

Por isso, façam um favor a toda a gente: parem de escrever cartas abertas, fechadas, triangulares ou quadradas. Se querem contar a vossa experiência de vida no que à crise e à austeridade diz respeito, façam-no numa nota individual, mas deixem-se de comparações. Deixem de se armar em pobrezinhos e coitadinhos, vítimas. E por favor, não usem isso para denegrir ou enxovalhar os outros, por oposição a vós, que sois uns heróis. Se querem reunir a gana que vos vai na alma, por favor, não a direccionem para quem está a passar pelo mesmo ou parecido, apesar de numa perspectiva diferente, e canalizem essa energia e raiva para quem é mesmo responsável pelo estado em que nos encontramos actualmente. 

Porque enquanto a malta perde tempo a disputar a feijões quem passou por piores experiências por conta da crise e da austeridade, quem nos espezinha e afunda de dia para dia, esfrega as mãos de contente, por estarmos todos entretidos à bulha e a medir desgraças individuais.

22 de janeiro de 2014

(Entre parênteses)

Leio esta notícia e não sei se ria, se chore, se me revolte ou simplesmente ignore...

Há tanto tempo que se proclama a igualdade de género como estandarte para uma sociedade civilizada, especialmente no tocante à vida profissional. 
Inclusivamente tive que abordar esse tópico durante 60 longas horas dum curso de formação contínua de formadores, só porque as directivas europeias assim o determinavam: que houvesse formação profissional subordinada ao tema. O meu palpite é que deve ter havido alguma alminha num gabinete ministerial que achou por bem aprovar cursos de formação contínua de formadores na temática da igualdade de género. Resumindo, foram 60h de blá-blá-blá e utopias sobre como as coisas se deviam passar na prática e pouca aprendizagem sobre a profissão de formador, que já não soubesse...
Isto passou-se em 2006. 

Estamos em 2014 e do meu ponto de vista, até houve alguns avanços, mas foram mesmo muito tímidos. Se por esta altura ainda temos planos onde o género feminino surge entre parênteses em vez de barras, porque a legistica da Imprensa Nacional não contempla tal hipótese, estamos mesmo mal... Mas depois questiono-me: que raio interessam as barras e os parênteses e todos os princípios orientadores tão bonitos e lindos e tudo e tudo, se na prática se continua a assistir a desigualdades na contratação, na remuneração, nos direitos (e deveres) entre o género masculino e feminino?!

Nem a propósito, há uns assisti a uma reportagem da RTP sobre o crescente número de mulheres em cargos de liderança, e confesso que fiquei estupefacta quando incluíram na reportagem a importância que as "novas líderes" davam a tendências de moda e a aspectos de imagem, o que a meu ver só serviu para indirectamente dizer que estas "novas líderes" não passam dumas fashionistas ocas, e que ser líder tem mais a ver com uma questão de imagem do que propriamente com capacidades profissionais de gestão e liderança... Outra que me deixou abismada foi como uma empresa se gabava de dar a oportunidade a mulheres dos seus quadros terem acesso ao que chamavam "shadowing", isto é, a possibilidade de serem "sombras" dum CEO (leia-se no masculino, claro!) e acompanhá-lo no seu trabalho... 
Então é assim que se quer mostrar o papel crescente da mulher na vida profissional??!! É desta forma que pretendemos valorizar de igual modo o trabalho, seja ele prestado por homens ou mulheres?!

Ou sou eu que tenho uma mente muito tacanha, ou o mundo anda mesmo ao contrário... Estava eu convicta que o papel crescente da mulher no mundo do trabalho e na sociedade em geral, em pé de igualdade com os homens, dependia das suas capacidades de gestão, de liderança, de saber, etc.

4 de dezembro de 2013

Lobo em pele de cordeirinho

Ah se as pessoas soubessem quem tu és na verdade...

Se elas pudessem vislumbrar apenas e só uma pequena fracção da alcoólica inveterada e infeliz criatura em que te tornaste, acredita que elas te desprezariam muito mais do que aquilo que acusas a tua família de o fazer!

Às vezes penso em desmascarar-te, levantar a ponta do véu sobre a mesquinhez e inveja que te caracteriza, o egoísmo e egocentrismo que te é comum e habitual, mas que tu escondes atrás duma fachada de mulher fantástica e de bem com a vida... 

Mas sabes, eu não pretendo de forma nenhuma descer ao teu nível. 

E além do mais, seria energia mal canalizada e desperdiçada irremediavelmente. 
Porque nunca chegarás a perceber que a solidão e infelicidade em que vives diariamente são o fruto das escolhas que foste fazendo ao longo da tua vida, apesar de sucessivamente quereres atirar as culpas para cima de terceiros, especialmente aqueles que sempre te apoiaram... até ao dia em que os teus insultos e ódio destilado apagaram qualquer réstia de empatia que ainda lhes pudesse subsistir...

E a vida ensinou-me que o dia chegará, em que a tua fachada cairá por terra, esborratando-se como maquilhagem à chuva e todos verão que indecente és tu e não a família a quem tão levianamente acusas de o ser...

8 de abril de 2013

Uma imagem vale mais que mil palavras!

Sempre tive um imenso fascínio por linguagem gestual e cheguei a aprender os sinais para todos as letras do alfabeto, bem como os sinais de algumas palavras e costumava praticar com uma das minhas grandes amigas de longa data. Hoje em dia ainda sei alguns dos gestos e admiro mesmo toda a linguagem não verbal nela contida.

Realmente há gestos que valem muito mais que mil palavras!


http://youtu.be/sv3tadz5Q3o

8 de março de 2013

Dia da Mulher

Este dia é importante!
Pelo que simboliza. Poderão muitos dizer que o dia da mulher devia ser todos os dias. E é, a meu ver!
Mas este dia é importante, mesmo muito importante!

E compreendi isso num dia, não há tanto tempo atrás assim, em que um chefe me atirou à cara a frase:

"Pois, não podes ter as duas coisas! Tens que escolher."

As duas coisas a que ele se referia eram nada mais nada menos que a "maternidade" e a "carreira".

Enquanto houver mentes tacanhas que acham que temos que nos cingir a ser mulheres/profissionais ou mulheres/mães há que continuar a assinalar este dia.
Enquanto houver mentes tacanhas e cruéis que acham que podem traficar mulheres e adolescentes, escravizá-las de toda a maneira, principalmente do ponto de vista sexual, há que continuar a assinalar este dia.
Enquanto houver mentes tacanhas e cruéis que acham que podem agredir e violentar física e psicologicamente uma mulher, só porque são maridos, namorados, pais ou padrastos, há que continuar a assinalar este dia.
Enquanto houver mentes tacanhas que acham que a mulher deve ser pior remunerada e preterida na corrida a uma progressão na carreira, há que continuar a assinalar este dia.


Mas principalmente, há que continuar a lutar pela defesa dos direitos que qualquer mulher tem, seja na vida pessoal ou profissional.

Eu sou mulher, sempre gostei de ser mulher e sou feliz sendo mulher!

24 de janeiro de 2013

Pequenas manias

Mania # 1 - detesto a letra Times New Roman...

Mania # 2 - não acho piada à palavra "encanitar"... aliás, até me causa uma certa urticária.

Mania # 3 - faz-me espécie pessoas que ligam para mim e perguntam: "quem fala?"

Mania # 4 - leio os jornais e algumas revistas do fim para o princípio (deve ser algum gene antigo de ascendência árabe que ainda anda perdido no meu código genético...)

Mania # 5 - pessoas que terminam frases com "na tás vendo?"... (esta é recém-adquirida!)

6 de janeiro de 2013

Igualdade de oportunidades entre géneros, a ministra grávida e a vida nas obras

No miserável ano de 2006, tive que fazer uma formação obrigatória de reciclagem de formadora, e nessa altura estava super na berra a temática de igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, e então deixa-te estar para ali a queimar tempo (60 horas, coisas pouca, portanto!) a discutir utopias e clichés sobre como as mulheres são menosprezadas no mercado de trabalho, de como recebem menos e de como são vistas como pouco produtivas, especialmente se em idade reprodutiva fértil... blá, blá, blá wiskas saquetas... 
De formação de formadores pouco aprendi, mas serviu para perceber que no que toca a igualdade de oportunidades entre géneros, pouco ou nada se tinha avançado, especialmente em matérias laborais.

Mais de seis anos volvidos, e eis que a notícia da Cristas ser a primeira ministra a engravidar, estando em funções, merece todo o destaque e pasmem-se que a senhora afirma que irá trabalhar até à data do parto. Não sei que tamanha estupefacção isto possa causar... E dou comigo a pensar que, puta que pariu isto tudo, que somos todos muito avançados e defensores dos direitos humanos, mas estando já na segunda décado do séc. XXI, ainda causa estranheza e espanto uma ministra ter engravidado. Cá por mim, acho que se é para ser assim, então também quero saber sempre que um senhor ministro ou secretário de estado seja contemplado com a paternidade, porque decerto terá que se ausentar por 10 + 30 dias de licença parental...

Quando entrei no mundo da construção civil, em 2004, é claro que um dos maiores receios que tive, além da minha comprovada inexperiência na matéria, foi como iria ser recebida num mundo de homens, ainda por cima com uma função que implicava mudar mentalidades enraizadas havia décadas. Achei que iria ouvir muitas bocas foleiras e ainda mais tiradas carregadas de machismo latino. Curiosamente senti primeiro o desprezo por ter um título académico equivalente a licenciatura, mas que à vista de um qualquer bacharelato em engenharia era uma valente porcaria e poucas regalias me traziam, comparativamente com os senhores engenheiros, até mesmo os estagiários... quem havia de dizer?! Mas sim, fui começando aos poucos a perceber onde haviam comentários carregados de desprezo pela minha condição de mulher, apenas disfarçado pelo respeito que fui conquistando pelo meu desempenho profissional. E sinceramente, deixei de me preocupar com os machistazecos com quem me cruzei... vozes de burro nunca chegaram aos céus, comigo! O primeiro grande sinal de machismo e desigualdade de género que tive que engolir, a seco, foi quando convenientemente uma progressão na carreira que estava assegurada num mês, assim que se soube que estava de esperanças, ficou irremediavelmente adiada, sem prazo definido, porque o momento "não era oportuno"...
Mas mesmo assim, fui apanhada completamente desprevenida quando na sequência de ter sido mãe comecei a sentir na pele uns certos laivos de desprezo e até mesmo revanchismo pela minha recém falta de disponibilidade para continuar a ser pau para toda a obra e ter começado a cumprir finalmente, em alguns dias de semana, os horários que me incumbiam, mas que até à maternidade sempre ignorara, estendendo-os largamente. E foi num misto de espanto e raiva instantânea que fui incapaz de disfarçar ou conter que um dos meus superiores hierárquicos, me disse com todas as letras que eu não era capaz de me sacrificar pela empresa e que eu "não podia ter as duas coisas!", leia-se uma carreira e filhos. O que ele nunca esperou foi que eu tivesse a resposta pronta na ponta da língua e lhe tivesse recordado aquele último mês de licença de aleitamento em que em vez de cumprir o horário reduzido de 6h, cheguei a cumprir 10 e 11h, porque a administração decidira deslocar-me para uma obra a 250 kms da minha residência, apesar de eu estar isenta de disso, por ainda estar a amamentar o meu filho. As horas que cumpri a mais foram-me compensadas, mas apenas porque bati o pé e exigi, depois de me informar com a Comissão para a Igualdade de Direitos entre Homens e Mulheres. Esse meu chefe ficou tão furioso, que não só saiu cagando fogo da reunião, como deixou de me falar durante uma semana, porque eu fiz questão de lhe recordar que lá porque ele tinha tomado a opção pessoal de viver para o trabalho, ele tinha de se capacitar de que a empresa me pagava a mim, e a todos os colaboradores, independentemente do género, para trabalhar 8h diárias, 5 dias da semana e que nós tínhamos família e vida para além da empresa!

Por tudo isto, acho lamentável que a Cristas estar para ser mãe pela 4.ª vez seja uma notícia tão fantástica, porque para mim, revela que este país não é para igualdades de género, nem lá perto... porque até na merda da vida política, muitas mulheres apenas têm lugar na Assembleia e em cargos públicos/políticos, porque há quotas!

3 de janeiro de 2013

Advertência automibilística

Aos senhores que mexeram no espelho lateral do meu humilde bólide e aos que pensem sequer por segundos vir a fazê-lo... livrai-vos de eu vos apanhar no flagrante delito!

A sério, aviso-os já que não respondo por mim!

É que se eu faço por não tocar na vossa propriedade móvel, agradeço o mesmo tratamento. 
E não, eu não estacionei a uma distância demasiado curta de vós... mesmo para evitar quincas e demais fananços na pintura já de si maltratada por anónimos profundamente descuidados da propriedade alheia.

Por isso, vos advirto: Não mexe! Não toca!

É que se eu tiver que abrir cordões à bolsa para pagar por eventuais danos, sou capaz de ficar ceguinha!
É que ainda recordo como se fosse hoje aqueles quinze contos que tive que pagar por espelho novo no meu saudoso Peugeotzito, há já uns 8 anos!Alguém espaçoso como o Jaba the Hut me partiu o espelho, na tentativa de sair do carro (calculo, que pela janela) depois de ter estacionado a escassos centímetros do carro, achou que seria boa ideia partir os apoios do espelho, ficando eu no prejuízo!

Por isso, manápulas longe do meu carripano!

21 de agosto de 2012

Tirania da rádio


tirada daqui

Eu gosto de ouvir rádio.
Há sempre um ligado algures na proximidade.

Esta manhã Falipe decidiu que queria ouvir a estação de rádio que está gravada no canal de memória n.º 3.
Ora até acederia ao seu pedido e satisfaria a sua escolha de bom grado, se não fosse o facto de eu pela manhã não querer ouvir mais nenhuma estação de rádio além da que está gravada no canal n.º 2.

Instalou-se a disputa!

Descobri que sou uma tirana no que diz respeito à rádio que se ouve a caminho da escola/trabalho. Ainda experimentei mudar para o "posto 3" como diz o povo, mas aquilo não me entrou no ouvido... voltei a retornar ao posto 2.
Deu direito a muita choraminguice de casa até à escola. 

Nem mesmo se deixou convencer quando lhe disse que à tarde, no caminho inverso, a sua escolha seria rainha...

27 de junho de 2012

Carta do futuro

Eu sou uma copiona e não resisti a plagiar a ideia da Gralha! Só lhe fiz mais uns "acrescentos"... (oh mulher cheia de dúvidas e questões existenciais...)
 
"Para a Naná aos 9 anos
Aproveita bem a felicidade toda que tem marcado essa tua infância, mantém essa candura, ingenuidade e tendência para a travessura por mais uns tempos, uma vez que em breve vais ter uma primeira dose de realidade com a partida do avô Manuel, de quem sentirás saudades enormes, pelo modo paciente e inteligente como te ensinou muita coisa. Mas acredita que a sua paciência e sabedoria te vão servir de ponto de referência em mais do que muitas ocasiões! Infelizmente ele não vai viver até aos 100 anos como sempre proclamaste...

Não vais ter muitos namorados na adolescência, mas vais sentir amores platónicos bem assolapados e vais ter namorados suficientes e necessários para que percebas aquilo que realmente importa num homem, para que sejas feliz! O teu companheiro de vida vai aparecer quando e onde menos esperas e principalmente após teres decidido para ti mesma que estás farta de procurar e já não acreditas em príncipes encantados. Todos esses rapazes por quem nutriste amores platónicos e que eram verdadeiros borrachinhos vão perder toda a graça e tu vais sentir-te profundamente aliviada e sortuda! A tal ponto que vais ter uma recordação mesmo muito vaga deles.
Ah e deixa-te de sonhar com um casamento na igreja de Aljezur, ok?! Vais descobrir que ser "amantizada" vale do mesmo e até o sr. Abel um dia te vai elogiar por teres tomado essa opção.

Vais descobrir demasiado tarde na vida e da pior maneira que uma daquelas que consideras ser uma "melhor amiga" não é mais do que uma pessoa extremamente fútil e interesseira e que por isso mesmo te vai ensinar uma grande e dura lição. Vai custar-te como o raio, mas não faz mal! Só vai servir para te poupar a muitos outros desgostos, que possivelmente teriam resultados ainda mais desastrosos. O teu pai vai avisar-te mais que muitas vezes sobre ela, mas tu só lhe vais dar razão anos mais tarde. Aliás, devias fazer um esforço por aprender a distinguir no discurso do teu pai aquilo que é crítica pela crítica, do que é aviso de uma pessoa que já viveu o bastante e que está apenas a tentar proteger-te.

Mas nem tudo será mau... a tua mana do coração vai ser sempre tua mana do coração, estejam vocês à distância geográfica que estiverem. Vais acreditar cada vez mais naquela leitura kármica que vos fizeram um dia, na penumbra do quarto do Herlander!

Amigos é algo que nunca te faltará e o fascínio que nutres pela tua família do lado paterno tem uma razão de ser: serão o teu pilar sempre e nunca te deixarão resvalar. Da tua família materna já não se poderá dizer o mesmo, mas isso tu já percebeste e saberás distinguir perfeitamente quem merece o teu carinho, que são aquelas duas mulheres que te querem bem!

Vais sofrer perdas pessoais tremendas até aos 30 anos mas lembra-te que a tua melhor psicanalista és tu mesma!

Vais é arrepender-te bastante de não teres aprendido os lavores todos com a tua mãe, como ela sempre te quis ensinar. Nem tudo estará perdido, porque retiveste na moleirinha mais do que alguma vez pensaste. Vais perceber que a máxima "nunca é tarde demais para aprender" te assenta que nem uma luva.

Para a Naná aos 17 anos
Sim, vais conseguir sobreviver!
Sim, vais seguir em frente com a tua vida!
Não, não te vais entregar à tristeza e muito menos ao luto e ao que os outros pensam e esperam de ti!
Não, não vais enlouquecer!
É certo que vais desaguar rios, mares e oceanos de lágrimas e chorar desmesuradamente até quase te faltar o ar, até um dia em que sentes que todas as lágrimas se secaram.
Não deixes de fazer todas aquelas caminhadas matinais na Arrifana, só com as gaivotas por companhia, e os debates mentais que vais desenvolver dentro da tua mente e que te ajudarão a perceber que a vida não é uma desgraça, que há um caminho a seguir, mesmo que agora te sintas completamente perdida e desamparada. Perde tempo a questionar tudo e mais alguma coisa, esse drama existencialista "too shall pass"!
Vais levar algum tempo a perceber que não te defines única e exclusivamente por tudo o que de menos bom te aconteceu!
Porque o sentimento de orfandade só terás muito mais tarde.

Para a Naná de 22 anos
Por mais cliché que seja esta tirada, confia nos teus instintos e no que te diz a intuição, porque invariavelmente ela está acertadíssima. Os maiores dissabores terás nas raras vezes em que não lhe deres ouvidos e começares a pensar que te enganaste... confia sempre nas tuas primeiras impressões, porque essas é que são as correctas. Se alguém te parece não ser flor que se cheire, desvia-te dela de imediato ou então lida com ela com muita cautela!

Vais descobrir que preferes mil vezes trabalhar com um bando de homens, mais ou menos letrados (uns a cheirar mais a perfume, outros mais a sovaco) do que com um grupo de mulheres. Eles são bem mais práticos e muito menos rancorosos... Tal como o teu avô já te tinha demonstrado, vais aprender muito mais com os mais analfabetos e iletrados do que com doutores e engenheiros.

Tu já percebeste que esse espírito de menina idealista, que vê o mundo como um local onde impera a justiça e a meritocracia, te vai trazer imensas desilusões e dissabores, porque vais descobrir que por muito modernos que sejam os tempos, os mais "educados superiormente" são os maiores machistas à face da terra e que eles, por não gostarem de ser sombreados por mulheres de convicção como tu, vão tentar prejudicar-te e inferiorizar-te de várias formas... Por isso, mantém esse "sangue na guelra" e nunca deixes coisas por dizer, mesmo que de cabeça quente, já que tu és mais racional quando não te auto-impões travões do "social e politicamente correcto". Não te esqueças do ditado que o teu pai sempre repetiu: quanto mais te agachas, mais o cu te aparece! Por isso, não te vergues perante os demais, se isso for contrário aos valores e princípios que te regem. Além do mais, nunca te vais importar com bocas e indirectas de seres "mau feitio", porque se tens a fama, terás certamente o proveito! Eu sei que agora detestas pessoas cínicas, mas vais aprender que o cinismo bem aplicado pode ser uma grande arma de defesa.

A maternidade vai fazer-te maravilhas e ajudar-te a relativizar tanta coisa que só tem a importância que tu lhe dás, quase sempre em demasia... vais granjear mais um bocado de paciência, mas esta nunca será uma das tuas melhores virtudes! E prepara-te porque o teu filho vai ser tal-e-qualinho a ti quando pequena: teimoso, tagarela e muito travessurento! Mas é um menino doce de derreter o coração que te ensinará a perdoar e esquecer em 10 segundos.

No fundo, escrevo-te esta carta só para te dizer aquilo que tu já sabes: só aprendes quando marras com a cabeça ou cais no buraco, mas depois aprendes a lição e nunca mais marras com a cabeça no mesmo sítio e se cais num buraco, nunca é no mesmo, é mais ao lado! 
E cliché dos clichés... só vais aprender assim, marrando e caindo, e curando os galos e levantando-te do chão!(*) Todas essas cabeçadas e quedas farão de ti a mulher segura de si mesma e que sabe o que quer, que agora te escreve.

Ah... e os 33 anos, não têm nada de emblemático, como sempre ouvirás dizer!

(*) - vais ler alguns livros de auto-ajuda e desenvolvimento pessoal que te dizem isto mesmo, mas de forma mais delicodoce! Por isso, lê antes esta carta e não gastes mais dinheiro nesses livros, lê outros mais interessantes, sim?!"

21 de maio de 2012

Iguarias

Aprendi com a minha mãe a apreciar a iguaria que é comer lapas cruas,  acabadas de descolar das pedras da falésia, com aquele gostinho a sal, acompanhadas com um bom naco de pão.
Aliás, quando íamos à Arrifana, havia duas coisas que a minha mãe levava sempre no saco, além das toalhas de praia e do protector solar: uma faca e um naco de pão!

Melhor que isto, só mesmo lapas suadas na chapa com manteiga!

30 de março de 2012

Pérolas regionais - as pragas de Alvor

Desde miúda que as ouço e sempre as receei porque diziam os "antigos" que estas pragas eram poderosas...
Mas se quiserem rir um bocadinho com esta "pérola regional", aqui vos deixo, para descontraírem!

"13 pragas dos moces de Alvor.

1. Ah maldeçoade! Que tevesses uma dor de barriga tã grande, tã grande, que te desse pra correr, que cande más corresses más te doesse e que cande parasses arrebentasses.

2. Ah maldeçoade, havias de ter uma doença tã grande, tão grande, ca água do mar transfermada em tinta na desse pa escrever o nome dela.

3. Oh maldeçoade, só queria que tevesses sem um tostão ferade na alzebêra, que visses uma cartêra cheia de notas caída na rua e quando te fosses abaixar pr’á apanhar te caísse a tampa do peito.

4. Oh maldeçoade havia de te crescer um par de cornos tão grandes e tão pequenos, que dois cucos a cantarem, cada um na sua ponta, não se ouvissem um ao outro.

5. Amaldeçoade môce, havia de te dar uma dor tã grande, tã grande, que só te passasse com o sumo de pedra.

6. Havias de ter uma fome tã grande ou tã pequena, que cabessem os alcatruzes todos que tem o mar dentro da tua barriga.

7. Ah moça marafada, havias de apanhar tante sol, tante sol, que t’aderretesses toda e fosse preciso apanhar-te às colheres como a banha.

8. Que te desse uma traçã no beraco desse cu, que tevesses sem cagar oito dias e quando cagasses só cagasses figos de pita inteiros.

9. Ah marafada, havias de fecar tão magra, tão magra, que passasses po beraco duma agulha de braços abertos.

10. Ah maldeçoada, havia de te dar uma dor tã fina, tã fina, que ficasses enrolada que nem um carro de linhas.

11. Havia de lhe dar uma febre tã grande, e tão pequena, que lhe derretesse a fevela do cinte e os betons da farda.

12. Permita Dês que toda a comida que hoje quemeres, amanhã a vás cagar ao cemitério já de olhos fechados.

13. Oh maldeçoado moce, havias de ter uma dor tã grande, tã grande, que te desse p’andar. Mas que andasses tante, tante, que gastasses as pernas até aos joelhes."

28 de março de 2012

Dia 28 - Pessoa

Não poderia escolher só uma pessoa... são muitas as que contribuíram para hoje ser quem sou, que me marcaram positiva ou negativamente e que deixaram vestígios indeléveis, uns mais que outros, na minha existência.
Porque eu sou uma pessoa que adora pessoas, o contacto com elas! Falar e conversar, rir, abraçar, debater ideias, dizer disparates, apoiar e amparar, o que me aprouver!

26 de março de 2012

Dia 26 - Comida

Sou fã!
Sou aquilo que se chama um bom garfo.
Depois admiro-me de ter 15 kgs a mais do que deveria...
Só não me apresentem favas, açordas, cabrito e borrego.

O melhor? Ui... tantos pratos... podia ficar aqui a tarde toda a engordar só de falar em comida!
Mas como boa algarvia que sou... nada  como:

- robalo assado na brasa (e não tanto o sargo)
- percebes ou perceves ou como lhe queiram chamar
- mexilhão na chapa (aliás, qualquer marisco me cai bem!)
- papas moiras (uma iguaria onde não ferro o dente há mais de uma década, para minha grande pena...)
- xarém de marisco
- feijoada de buzinas (tenho que pedir à prima Rosária que me faça um dia destes, porque a que ela faz é a melhor do mundo e arredores!)

28 de fevereiro de 2012

Dia 28 - Your (my) city

Esta manhã sucedeu algo inesperado e bastante esporádico pelas minhas bandas... abro a janela e eis que me deparo com um nevoeiro praticamente cerrado, o que impossibilitou que eu tirasse uma foto da minha cidade. Quer dizer, podia ter tirado na mesma, mas não ficaria grande coisa...

Por isso, trago aqui alguns pedaços bonitos da cidade que me viu nascer, crescer e onde trabalho actualmente, visto que já não resido nela... 
Lamentavelmente não posso dizer que a minha cidade é bonita, porque não corresponde inteiramente à verdade... anos e anos de atropelos a tudo quanto é regra de bom urbanismo transformaram a cidade num local marcado por prédios e mais prédios e sem um fio urbanístico condutor... faltam-lhe espaços verdes e, os poucos que existem já viram melhores dias de glória. Há espaços mal aproveitados e outros que podiam ter sido revalorizados, mas as acções de requalificação foram, a meu ver, "pior a emenda que o soneto"... enfim!

Estas fotos foram tiradas nas horas de almoço que aproveito para caminhar e aproveitar o sol de "inverão", como ouvi alguém chamar-lhe.







27 de fevereiro de 2012

Revisitar

Ontem fomos "paxear a Álzur" como diz o Falipe!
Revisitei a minha Arrifana e enchi os pulmões de ar puro. 
Lavei os olhos da alma com o azul do mar e o verde dos meus campos, apesar de se notar os efeitos da falta de chuva e a queda sucessiva de geadas, que deixam tudo queimado à passagem...
Abri portas e janelas, arejei a minha casinha, fechada há já mais de dois meses e recordei o quanto ela significa para mim. 
Parei a ouvir os pássaros e senti aquele apelo, como que uma voz, quem sabe dos meus antepassados, a chamar por mim e a dizer-me sussurrando "é aqui que pertences... volta!!"...
Silenciosamente fiz planos, vi onde um dia mandarei construir uma lareira, onde ficará o meu espaço de costuras, onde será o escritório e como renovarei a cozinha e mandarei erguer um telheiro com o barbecue ao canto. 
Vi onde colocarei a mesa comprida ladeada de bancos corridos, onde receberei familiares e amigos e senti a diversão e alegria que será estarmos juntos, na paz e no sossego do campo... apenas interrompido pelo som dos carros a passar, de tempos a tempos, na estrada municipal!
É tão bom sonhar!













23 de janeiro de 2012

Coisas da minha terra


Tenho um fascínio enorme por chaminés algarvias desde menina (e também não desgosto de algumas do litoral alentejano, dada a semelhança).
Talvez porque certa vez, quando era uma menina pequenina, quis ajudar o meu avô a remendar a chaminé de nossa casa. 
Achei tão curioso que ele quisesse usar para colocar no topo da chaminé remendada uma bóia marítima feita de vidro, como a que lá estava antes, mas que acabara por se partir, vergada pelas intempéries... 
Mas como não encontrou quem lhe desse uma, aceitou a oferta duma bóia marítima feita de metal. E ainda hoje é essa a bóia que lá está, no topo da chaminé, pintada de branco.
Há uma série de chaminés algarvias, cada uma mais bonita que a outra!!
Eu gosto de olhar para elas, no alto dos telhados em telha portuguesa, e ficar a observar os pormenores que a tornam tão bonita! Antigamente eram feitas de forma artesanal e dependiam da imaginação de quem as fazia... hoje em dia, são feitas em série, com base em moldes, como a que tenho no telhado de minha casa.
Não resisto a fotografá-las. Pode ser que um dia tenha uma boa colecção de imagens da chaminés algarvias, para um dia mostrar aos meus filhos e netos, como eram as chaminés das casas de outrora.

16 de janeiro de 2012

Devoluções

Ontem assisti a uma reportagem na TV que me deixou completamente altercada, revoltada e indignada e apesar da Ana C. ter tão bem comentado o assunto, eu não podia deixar de dizer o que penso!
Como é que alguém tem coragem de "devolver" uma criança que adoptou?! 
Eu e o G. nunca ponderámos adoptar, mas eu pelo menos já pensei em sermos pais de acolhimento, se bem que seria incapaz de após me ligar emocionalmente a alguém, não enveredar pela adopção, e bem sei que isso está vedado legalmente aos pais de acolhimento, pelo menos por agora.
Como é que alguém tem a coragem de, após cinco ou seis meses, desistir dum processo de adopção e voltar a entregar uma criança que já é indefesa neste mundo, por razões tão fúteis como: "não queria estudar, tinha más notas!" ou mesmo: "a criança trocava de roupa todos os dias..."
Para mim, estas pessoas não têm coração e se lhes tivesse sido feita a avaliação inicial correctamente, nunca seriam elegíveis para se tornarem pais adoptivos...
O que mais me chocou foi ouvir a primeira razão invocada por uma mãe já com dois filhos biológicos... será que ela também iria devolver um filho biológico se ele fosse calão na escola e não quisesse estudar??!!
Quem quer ser pai adoptivo (ou pelo menos eu reger-me-ia por este princípio) deve encarar um filho adoptivo como se encara um filho biológico: amar incondicionalmente aquela criança e ser pais do que lhes calhar em sorte, o melhor que sabem e conseguem!
Quem decide ter um filho biológico não sabe o tipo de filho que vai ter.. pode ser uma criança linda e maravilhosa, e pode ser um estupor preguiçoso, por muito boa educação que se lhe dê!
Não tenho por hábito comentar opções alheias e generalizar, mas revoltam-me estas pessoas que decidem voluntariamente adoptar uma criança, a tratam bem durante uns tempos (os suficientes para aquela criança ser um bocadinho feliz na sua vida já marcada por coisas más...) e depois a devolvem! 
Aliás, este conceito de "devolver uma criança" é atrozmente repugnante... um ser humano não se devolve como quem vai entregar um electrodoméstico com defeito... é uma pessoa, tem sentimentos! Não é um objecto de afecto num momento e de desprezo no outro...

21 de dezembro de 2011

Férias... porque eu mereço!

Estou a minutos de ir de férias!
Bem preciso... tive uma semana em Março e outra em Novembro... 
Nunca tive hábito de tirar férias nesta época, mas desde que o F. foi para o infantário, e este fecha apenas uma semana no ano, a última de Dezembro, tirar férias depois do Natal passou a ser a norma.
Não me importo nada!
Além de ter o prazer de estar com o meu filhote, sabe bem ficar em casa no quentinho!
Por isso, trabalhar?!
Agora só para o ano!