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31 de agosto de 2016

A título de aviso...

Mães e pais que digam na minha presença, com aquela naturalidade e orgulho de seres providos de superioridade...

"Ah, os meus filhos às 20h30 já estão na cama!"

Convido-vos a levarem o meu filho mais novo para vossa casa uma semana! E depois contem-me como foi...

Isto se antes não me virem a semi-cerrar os olhos, e um ligeiro tremelique no olho direito, como que a preparar-me para vos dar um valente par de tabefes por serem criaturas tão "superiores"... é que sinceramente, não respondo por mim, dados os meus níveis de descanso e horas de sono...

Ah... e não me venham cá com a lengalenga da treta dos horários e das rotinas...


18 de junho de 2015

Casas

Quando fui buscar os miúdos à escola, cruzo-me com um pai que foi buscar o seu filho, que não teria mais que 4 anos.

A funcionária entregava-lhe um papel com uma explicação qualquer, presumo que relacionado com a festa de fim de ano lectivo.

O homem parecia aborrecido e cheio de pressa e com pouca paciência para papéis com instruções.

Passado uns 10 minutos, vinha a chegar ao carro com os miúdos e encontro de novo o homem com o filho ao lado.

O homem parecia incomodado, à procura dum número no telemóvel. O filho cirandava junto dele, como que a pedir a atenção do pai.

Ao passar por eles, ouço o menino dizer suplicante:

- Pai, eu quero ir mais um bocadinho para a tua casa. Depois logo me levas para a casa da mãe!!


O meu coração parou uns milissegundos...

6 de novembro de 2014

À noite, todos os gatos são pardos

Pessoas que decidiram fazer jogging pelas vias urbanas, seja nas bermas estreitas ou passeios mal amanhados, façam um favorzinho a vós mesmos:

Está tudo muito bem e muito certo que queiram manter um estilo de vida saudável, e que que queiram  fazer exercício físico e mexer a bunda! Palmas para vós que sois mais fortes de espírito que eu...
Mas por favor, deixem-se de mariquices e parem de usar roupas cinzentas, seja num tom mais claro ou mais escuro! Às 18h30 é de noite e escuro como breu.
Se ides correr para bermas esconsas e passeios nem dignos desse nome, ao menos usem a cabecinha e pensem que talvez seja boa ideia usar nem que seja um mísero refletor.
Ou então, t-shirts ou sweater de cor branca! O branco é uma cor tão bonita e vê-se à distância! Bastante bem!
Já o cinzento, por mais trendy e féchion que seja, dá-vos a mesma visibilidade que a da cor-de-burro-quando-foge!!

E depois não venham cá com lamúrias que ah-e-tal-fui-atropelado-o-senhor-condutor-não-me-viu. É que o senhor condutor não faz milagres e se calha a distrair-se por uns segundos bem vos pode ir às perninhas, porque há carros com luzes de xénon e o diabo a sete que encandeiam e deixam os olhinhos de qualquer alminha em bico!

Pessoas que agora se acham empossadas de direitos rodoviários, porque circulam em duas rodas, façam um favorzinho a vós mesmos:

Gastem uns quantos aérios (uns 8/10€ devem chegar perfeitamente) e entrem num qualquer estabelecimento de peças, óleos e manutenção automóvel e comprem luzes para apetrechar a vossa pedaleira. Basta comprarem daqueles que piscam-piscam qual luzes de enfeites de árvores de Natal. É que parecendo que não, sem luzes não há olhinhos que vos vejam e os condutores ainda não têm poderes como visão raio-X.
E já agora, deixem-se de tretas e nada de roupas cinzentas ou pretas (que raio de mania?!), especialmente se vão dar pedal ao final do dia.
Por muitos direitos que tenham adquirido (e bem), também têm umas obrigaçõezitas, sim?!

E já agora expliquem-me lá que raio de velocistas sêdes vós, que acham bonito gastar uma pipa de massa numa bicicleta último grito da moda, mas depois nem se dignam gastar 15/20€ num capacete. Estraga-vos o penteado? Ou acham que se caírem pelas ruas asfaltadas ou de pedra de calçada da cidade, nada vos sucede à moleira!???
Eu até fico feliz pela onda de ciclistas urbanos que tem vindo a ganhar adeptos aos magotes nestes últimos tempos, dando espaço até a reportagens nos blocos noticiosos, mas não deixo de ficar estupefacta perante a postura incauta e de total desprezo pela vossa própria segurança... um capacete de ciclista até é bem levezinho e pode ajudar a proteger alguma coisa em caso de queda! Ou vós tendes assim tanta habilidade na pedalada, que achais que nunca podereis vir a beijar o chão?!

24 de março de 2014

Gata preta, gato preto

Em 2004, adoptei a Joy, uma gata preta linda. Era arisca que se fartava, mas foi uma grande companheira em tantas ocasiões... custou-me horrores vê-la adoecer e depois morrer... o G. ficou ainda mais traumatizado que eu, e jurou que nunca mais adoptaríamos nenhum animal, gato especialmente.

Esta era a Joy, a minha "djunfinha", já com os olhos semi-cerrados a demonstrar a sua irritação por estarmos a tirar-lhe fotografias. 


Recentemente, começou a surgir dentro do nosso quintal um bichano, preto também. Na altura, não sabíamos ainda se era macho ou fêmea. Há umas poucas semanas descobrimos que era macho. Passa cada dia mais horas no nosso quintal, seja para se abrigar da chuva, como era no ínicio do Inverno, seja para simplesmente se estender ao sol que vai começando a aparecer.
O G. que jurara nunca mais adoptar nenhum animal, começou a deixar uma tigela sempre cheia de água e há umas semanas pediu-me que comprasse um saco de ração, pedido a que acedi, não sem antes dar umas valentes gargalhadas, por constatar que o meu companheiro de vida é um coração mole.
Actualmente, o gato passa as tardes na varanda do lado de fora, sentado, como que a fazer-nos companhia. Desta feita, fomos adoptados.
As semelhanças são enormes, tanto fisicamente como no feitio arisco...


14 de março de 2014

Tirar as parecenças

Quando estive no hospital por conta de dores abdominais, apercebi-me enquanto esperava de que tinha acabado de nascer uma menina.

Já lá dentro, aguardava eu a alta médica, assisto à seguinte cena:

Enfermeira do bloco de partos traz consigo um berço onde vem embrulhada a recém-nascida menina, para que os avós (pais da parturiente) possam ver pela primeira vez a neta.

A primeira frase que ouço à avó babada, depois dos "ohs" e "ahs" foi:

- É mesmo a cara do pai!

Dei comigo a sorrir por dentro e a pensar "bolas, a miúda ainda nem nasceu há 10 minutos e já lhe estão a tirar as parecenças..."

17 de janeiro de 2014

Sonhos em replay

Possuo uma estranha capacidade de sonhar o mesmo sonho em ocasiões diversas.

Com a particularidade de que na 2.ª e 3.ª vez que repito o mesmo sonho, continuo o "enredo" mais um pouco... como se na primeira vez que o sonhei a história tivesse ficado inacabada e precisasse de ser desenvolvida...

O mais curioso é que a repetição nunca ocorre nos dias seguintes ao primeiro sonho, mas por vezes só uma ou duas semanas depois...

Isto seria tudo muito bonito, se os sonhos fossem particularmente cor-de-rosa... mas não são!
Ou então sou mesmo eu que vejo muitos filmes...

26 de novembro de 2013

A comunicação social no seu melhor

Assisti ontem completamente abismada à forma como os quatro canais de televisão nacional, no decorrer dos seus blocos noticiosos,  interromperam a emissão para irem em directo para a sessão de homenagem ao General Ramalho Eanes, no momento em que este começou a discursar, e todos eles (os canais) foram "deixando" de seguir o discurso do senhor...

Uns levaram 2/3 minutos a "desligar" a ficha, os outros ainda aguentaram até sensivelmente meio do discurso, e outros ficaram ali a uns minutos do fim...

Ah já sei... deviam estar à espera de declarações bombásticas... é isso! Talvez esperassem que o General, como militar de carreira que é, inspirasse a malta a uma revolução, contra o Governo, que instigasse à violência... mas ele ficou-se apenas pela "recuperação da ética"... pois...

Mas como a pessoa que discursava de forma roufena e humilde, se limitou a agradecer a homenagem, isso não interessa a ninguém... certinho!

Ao menos, esperar-se-ia um bocadinho mais de respeito pela figura homenageada... diria eu!

25 de novembro de 2013

Girl Rising


Sempre dei graças por ter nascido num país, onde apesar de ainda subsistir alguma grande dose de machismo (especialmente nos meandros laborais), as mulheres são livres e gozam de estatuto igual.

Sempre agradeci o facto de poder estudar e seguir o caminho que eu quisesse. Especialmente grata à minha mãe, por sempre me ter deixado tomar as minhas próprias opções, ter as minhas opiniões formadas. 

Agradeci mais tarde, a possibilidade de trabalhar num mundo quase exclusivo de homens, e sentir-me respeitada por todos os meus colegas de trabalhos (uns mais que outros é certo...) e contar apenas com um ou dois episódios de discriminação com base no género durante esse tempo...

Todos os dias me sinto grata por ter encontrado um companheiro que me respeita, que me apoia a 100%, que me incentiva e que me acompanha na educação do meu filho, para que aprenda a respeitar todos por igual, homens ou mulheres, jovens ou idosos.

Infelizmente, há muitas meninas, jovens adolescentes e mulheres espalhadas por este mundo fora que têm que lutar, algumas com risco de vida, para terem um pouco de respeito e dignidade, só pelo simples facto de serem do sexo feminino....

20 de novembro de 2013

Pérolas futebolísticas

Não ligo muito ao futebol... ouço uns debates mais acesos aqui e além entre colegas de trabalho e pouco mais que isso.

Mas confesso que me rio a bandeiras despregadas com as declarações de treinadores e de alguns jogadores, todos eles donos dum português absolutamente hilariante.

Declarações de Jorge Jesus, na véspera dum jogo do Benfica com uma equipa grega, em resposta à pergunta dum jornalista sobre a importância desse jogo:

"- Este jogo é mesmo muito importante, porque é o próximo."

Ah bom, é só porque é o próximo... não é porque isso poderia significar a permanência da equipa em competição... digo eu, que nem percebo muito do assunto...

Declarações de Paulo Bento ontem, antes do jogo da selecção nacional com a Suécia, quando questionado sobre que estratégia iria implementar para alcançar a qualificação para o mundial:

"- Penso que a melhor estratégia será tentar ganhar."

Pois... mais uma vez, eu que pouco pesco do jogo da bola, tenho cá para mim que qualquer estratégia de jogo passará por ganhar... ou neste caso, pelo menos tentar! Ou será que a malta joga só para empatar?!

13 de agosto de 2013

Observações casuais

No passado domingo fomos todos à praia.
Estava uma tarde maravilhosa, a água um caldinho e a maré até fazia uma piscina natural que fez as delícias do Falipe.

A determinada altura, chegaram duas moças novas, uma delas trazia o seu filho pequeno, que teria uns dois anos e meio. Com elas traziam também um cão de porte médio. 

Como é quase forçoso, foram pespegar-se praticamente em cima de nós... o que foi frustrante para nós, que fizemos um esforço para não o fazer em relação a quem já estava na praia e tentámos ficar em "terreno neutro".

Estas duas moças trouxeram uma bola de ténis que arremessaram uma vez e outra e outra ao seu cão, o que significa que muitas vezes, este nos fazia umas valentes razias na sua ânsia de apanhar a bola de ténis, salpicando água e areia à passagem em sucessivos sprints pelo meio das pessoas que estavam a caminhar ou simplesmente sentadas à beira-mar.

Comecei a sentir-me profundamente incomodada com a situação, porque em duas ocasiões o cão quase derrubava o Falipe.

A determinada altura, apercebi-me que o rapazinho andava a brincar sozinho, sem que a mãe sequer se desse conta disso... a criança percorreu alguns metros e deteve-se a falar com estranhos, dois chapéus de sol mais à frente. 
Enquanto isso, a mãe permanecia de costas para ele, atenta ao cão e concentrada em continuar a atirar a bola e a garantir que ele a trazia à sua mão.

Nas duas horas e meia que aquelas duas moças estiveram na praia, brincaram quase exclusivamente com o cão e praticamente nada com o menino. Naquele período de tempo, pouca ou nenhuma atenção foi dada àquele rapazinho que só queria alguém para brincar, enquanto a mãe estava ocupada a brincar com o cão...

Enquanto ela arremessava a bola, de costas viradas ao seu filho, o menino procurava nas redondezas quem quisesse brincar com ele...

7 de agosto de 2013

Por favor, alguém me explique...

Tanto progresso e tanta investigação para reduzir os "phones" ao tamanho mais mini mini mini... até ficarem mais ou menos assim:

Para agora andar a malta toda apetrechada com os "phones" mais gigantescos e preferencialmente mais parecidos com um semáforo, pela rua fora...

Estarão todos numa de revivalismo?!

15 de julho de 2013

Insólitos que sucedem na minha vida...

Volta e meia, parece ser costumeiro sucederem-me coisas insólitas, daquelas que a probabilidade de acontecer a qualquer pessoa é muito limitada... mas acontecem e por norma, são como os azares, nunca ocorrem isoladamente...

Senão vejamos:

Insólito #1
Sexta-feira à noite, marido liga-me aflito do apartamento do meu pai, onde tinha estado a arranjar coisas para podermos arrendar a casa e diz-me que está tudo inundado em casa, que ouve as canalizações a gorgolejar e há água a sair a rodos das bases das duas sanitas... Comecei por rogar pragas e a usar de vernáculo mentalmente ao empreiteiro que fez as obras no apartamento e me deixou com alguns imbróglios na canalização... mas depois acabei por perceber que o mais certo era o problema não ser na canalização do apartamento... Perante a suspeita de entupimento no sistema de esgoto da casa ou do prédio, acabei por ter que ligar a uma empresa especializada em desentupimentos de esgotos. O stress aumentava e a água também sempre que alguém no prédio descarregava um autoclismo ou abria uma qualquer torneira... O problema só foi resolvido no sábado depois de almoço, a muito custo, mas resolveu-se! Valeu-me o elevado profissionalismo do dono da empresa que contratei, inglês por sinal!
O insólito nesta história, que até tinha tudo para ser apenas e só um azar bastante corriqueiro, é que a coluna de esgoto do prédio estava entupida por nada mais nada menos do que dois pares de cuecas de senhora!!
Agora pergunto eu: quem raio se livra de cuecas pela sanita?! Quem?!

Insólito #2
Já plenamente refeita do stress da inundação em casa, e depois de um dia bastante cansativo, por volta do lusco-fusco, ouço tocar a campainha de minha casa. Abri a porta e deparo-me com um rapaz na casa dos 20 anos, sentado no passeio em frente à minha porta com um ar muito esquisito, a pedir "ajuda vizinha"... Pergunto desconfiadamente o que queria, e ele diz-me que "preciso de ajuda, fiquei mal, porque me atirei do comboio em andamento, 'tá a ver?! Para não pagar bilhete..."
Pensei que o puto estava a gozar comigo e que aquilo seria algum esquema manhoso... (infelizmente já sou gato escaldado...) ou então que ele andava a ver muitos filmes de Hollywood. Pergunto se quer que chame o INEM para o levar às urgências do hospital... ficou com um ar um bocado espantado e disse-me: "então e agora vou para as urgências?!" Disse-lhe que se realmente tinha ficado mal como dizia, seria o melhor. 
Ainda começou a arengar que queria que eu ligasse para os amigos dele do meu telemóvel, a pedir para o virem buscar. Mas como sou gato escaldado, disse-lhe que o melhor era chamar a ambulância para o levar ao hospital. Que se quisesse tratava disso... a dar-lhe a entender que não pretendia ligar para amigos dele que nem sequer sei quem são. Lá assentiu que sim, que chamasse a ambulância, porque afinal doía-lhe muito o pulso e os joelhos.
O meu marido tentou ajudá-lo a pôr-se de pé, mas ele começou a gritar com dores... e acabou por confessar que tinha tido dificuldade em chegar a nossa casa, que tinha estado quase 20 minutos a gritar por auxílio junto à linha férrea e que como ninguém o ouvia, se tinha literalmente arrastado para chegar à nossa porta!
Além do insólito de um puto quase se matar ao saltar dum comboio em andamento para fugir do pica, é ele ter dinheiro suficiente no bolso para pagar o bilhete! E até ter um telefone no bolso para ligar aos amigos ou família para o irem buscar... resumindo, ganhou uma viagem de ida ao hospital imobilizado da cintura para baixo, por conta do joelho todo estropiado e os tornozelos desgraçadinhos...

Quanto a mim, fiquei com mais dois insólitos para contar aos meus netos!

28 de junho de 2013

Demónios angelicais e uma enorme lição sobre racismo


Uma experiência numa turma da 3.ª classe que demonstra o quanto podemos encarnar o demónio, o quanto assimilamos aquilo que nos transmitem e como somos capazes de níveis inacreditáveis de maldade e crueldade...

21 de maio de 2013

Não, não é normal!!


Depois de ter lido este artigo, apesar de ser um questionário com uma amostra e que vale o que vale, creio  que as conclusões daí retiradas são bastante reveladoras do estado a que chegámos, no que diz respeito a valores e princípios, de respeito ao próximo, de dignidade, de ter a noção do certo e do errado.

Creio que também é bastante revelador do nível de auto-estima de jovens adolescentes, que vêem na violência, tanto física como psicológica, uma ferramenta normal para lidar com a sua cara metade, quando as coisas não corram propriamente de feição.

Enquanto esta lógica de pensamento e forma de estar na vida for encarada "com toda a tranquilidade", vamos continuar a ter níveis de violência doméstica bastante elevados.

Ter a percepção disso entristece-me profundamente, porque só revela que algo de muito podre está a acontecer na nossa sociedade e na forma como educamos os nossos filhos.


17 de abril de 2013

8 de abril de 2013

"Não negue à partida uma ciência que desconhece"

Porque eis que poderemos descobrir que o arquivismo é uma ciência.
E ao que parece, muito exacta!

Como diria o outro, o papel, qual papel, o papel, qual papel, o papel...

21 de março de 2013

"Quer o destino que eu não caia no destino"

A natureza humana é um quebra-cabeças e poucos se podem gabar de ter conseguido sequer começar a entender os seus milhares de segredos.

A natureza do ser humano é ser permanentemente insatisfeito e muitos de nós vivemos, em maior ou menor grau, algum tipo de contradição de sentimentos, emoções, atitudes e acções.
Todos nós em algum ponto da nossa vida, já nos sentimos bem com uma coisa que até nos entristece e aquilo que é motivo de felicidade até não nos traz alegria nenhuma, sem que consigamos explicar as razões de tamanha contradição.

Todos nós já dissemos alguma coisa, quando sentíamos o oposto e todos nos sentimos de uma determinada forma, mas agimos em sentido totalmente oposto.

No fundo, a nossa essência assenta no facto de sermos um poço de contradições, de incoerências, de impermanência, de o que sentimos não bater a bota com a perdigota com o que dizemos e fazemos.

Talvez por isso tenha começado a conseguir compreender um nadinha a velha tirada batida e rebatida de "andar em buscar de nós mesmos, para nos encontrarmos"
Habitamos em nós, mas andamos sempre em busca de nós mesmos, como um cão que anda em torno de si mesmo a tentar caçar a sua própria cauda.

Sofremos de inquietude permanente por esta insatisfação que borbulha na sombra de nós mesmos.
E nem sempre é possível expressar esta inquietude e descrever este estado de insatisfação latente... nuns será isso que os move, que os motiva, que lhes fornece o impulso de continuar e avançar em busca de algo mais. Noutros será exactamente isso que os tolhe, que os acobarda, que os amedronta.

E eu confesso que já fui bem mais destemida, bem mais desprovida de incoerências, bem mais plena de certezas sobre que caminhos tomar, sobre que sonhos queria concretizar, muito mais firme em manter-me fiel a um fio condutor de valores e princípios, pelo qual sempre me orientei.
Por isso, por estes dias sinto que vivo "na incerteza que nada mais certo existe, além da grande certeza de não estar certa de nada"!!
 




"Quer o destino que eu não creia no destino
E o meu fado é nem ter fado nenhum
Cantá-lo bem sem sequer o ter sentido
Senti-lo como ninguém, mas não ter sentido algum

Ai que tristeza, esta minha alegria
Ai que alegria, esta tão grande tristeza
Esperar que um dia eu não espere mais um dia
Por aquele que nunca vem e que aqui esteve presente

Ai que saudade
Que eu tenho de ter saudade
Saudades de ter alguém
Que aqui está e não existe
Sentir-me triste
Só por me sentir tão bem
E alegre sentir-me bem
Só por eu andar tão triste

Ai se eu pudesse não cantar "ai se eu pudesse"
E lamentasse não ter mais nenhum lamento
Talvez ouvisse no silêncio que fizesse
Uma voz que fosse minha cantar alguém cá dentro

Ai que desgraça esta sorte que me assiste
Ai mas que sorte eu viver tão desgraçada
Na incerteza que nada mais certo existe
Além da grande incerteza de não estar certa de nada"

18 de dezembro de 2012

O mundo a acabar...

Detesto fatalismos e não acredito em profecias do fim do mundo.

Para mim, o mundo acaba todos os dias mais um bocadinho... esgota-se e desgasta-se mais um pouco. Assim como todos nós...

O mundo acaba todos os dias em que o governo sírio bombardeia quarteirões inteiros, ou os egípcios se matam nas ruas em reivindicações que nós ocidentais não conseguimos compreender, quando os israelitas e palestinianos se tentam liquidar mutuamente, e o Canadá abandona a Convenção de Quioto, e um maluco suicida decide matar a mãezinha e no processo dizima mais 26 pessoas inocentes, cujo único erro foi viverem num país onde a lei das armas é rainha... ou sempre que o primeiro ministro e o ministro das finanças portuguesas seguem dizendo barbaridades umas atrás das outras, atentando contra toda e qualquer dignidade dos contribuintes... todos os dias o mundo acaba um pouco para alguém!

Todos os dias o mundo desaba em cima do coração de alguém, arrasando tudo à passagem, sempre que alguém perde a sua cara metade, o seu pai ou a sua mãe ou um filho, ou um irmão, de sangue ou de coração.

Por isso, não temo o dia 21, nem o 12-12-12 e creio que vamos seguir vivendo nesta morte lenta, tão fundamental ao ser humano. O mundo no dia 22 de Dezembro será um tanto igual ao dia 21, porque todos nós vamos seguir vivendo.
E até pode ser que os astros se alinhem, e a galáxia se regenere ou se reinvente e se inicie um novo ciclo...
A vida é renovada a cada dia, a cada hora, a cada minuto que nós decidimos continuar a apreciá-la!

5 de dezembro de 2012

Vingança à portuguesa

Serei só eu que acho que o Little Casper e o PPC têm um qualquer desejo revangista para com o povo português?

É que quanto mais os ouço falar, mais sinto que é esse sentimento que os guia, como que uma vontade suprema de punirem o povo português da forma mais tortuosa, rápida e aviltante. Como se nos quisessem punir por algum crime que cometemos ao longo do caminho e que eu nem sei precisar ao certo qual é... e a única que me ocorrerá talvez seja o desejo de um povo de viver melhor, de usufruir de mais e melhor qualidade de vida.

Ontem vi o Little Casper de roda do presidente do Eurogrupo, Jean Claude Junker e a imagem que melhor posso usar para descrever aquele ar de subserviência cega de um servo a prestar vassalagem é tão simplesmente esta: mais parece um cão a cheirar no traseiro do dono! A abanar a sua cauda e a arfar de alegria por ver a deferência que o dono lhe possa dispensar!

Por seu lado, o PPC congratula-se a si mesmo por a UE ser tão vil connosco e não nos dar as mesmas condições preferenciais que deram à Grécia, o que me faz pensar que ele é aquele "bom aluno" que nutre um profundo sentimento de alegria pelo masoquismo de levar reguadas sempre que se porta bem!

E eu continuo a perguntar-me e a tentar entender que causas poderão estar na base deste sentimento de vingança tão feroz contra um povo, cuja boa parte, na qual não me incluo, os elegeu.
É que esta lógica de que mais vale amputar logo pernas e braços, para assim salvar o doente, a mim não me entra!

23 de novembro de 2012

Com tanta fome pelo mundo...

No mundo ocidental esbanjam-se assim 6 milhões de euros...


Pior que isto, só mesmo a Sala do Tesouro do Vaticano, onde há ouro, prata,  bronze e pedras preciosas que dariam para matar a fome ao mundo umas 50 vezes, mas depois a Igreja Católica ainda apela ao peditório em nome do bom samaritanismo...