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23 de julho de 2015

Infância que a memória retém

A Margarida publicou uma foto no IG que me levou de imediato à infância.
Era uma imagem do pai dela a regar a horta, com a ajuda do filho dela, tal e qual como vi o meu pai fazer dezenas e dezenas de vezes, até registar nesta minha moleirinha os princípios da rega por gravidade, de como se abriam e fechavam os regos, para a água passar e chegar a todas as plantas. 
Se hoje tivesse que regar uma horta usando este método, acho que me sinto capaz o suficiente para manejar a enxada e abrir e fechar regos.
Quando vejo imagens deste tipo, não só sou acometida duma onda saudosista fortíssima, como fico sempre com aquele sentimento de angústia profundo por não poder proporcionar este tipo de vivências aos meus filhos, apesar de ter terras que posso e devia estar a cultivar!
Às vezes penso que estou apenas a projectar nos meus filhos os meus desejos, a querer repetir neles as mesmas vivências da minha infância. E resisto a fazer isso, porque a minha infãncia foi duma forma e a deles não é e nem tem que ser igual à minha. 
Mas não posso deixar de lastimar de alguma forma o facto de não lhes estar a proporcionar vivências felizes como estas, de vida no campo, com saberes ancestrais, e pelas quais hoje em dia me sinto privilegiada por ter tido. De contacto com a natureza, de aprendizagem sobre de onde vêm os vegetais, como nascem e crescem antes de serem colhidos e alinhados numa banca do mercado ou do hiper.
Acho que este tipo de experiências são inestimáveis e ajudam a moldar o nosso ser. Pelo menos falo por mim! Além de ter tido uma infância absolutamente feliz, pela liberdade que o campo me trouxe, aprendi coisas das quais me orgulho muito de saber e que contribuíram largamente para ser quem hoje sou!

9 de abril de 2014

Vidas campestres

No campo há sempre o que fazer.
Os dias passam com a lentidão e a rapidez própria das estações do ano, que ditam as tarefas a cumprir. 
No campo há um ritmo muito peculiar, que dita tudo o que há para fazer, e cada um a seu tempo.
Pode pensar-se à partida que a vida no campo é pasmacenta, que é aborrecida e enfadonha. Pelo contrário!
A vida no campo tem um ritmo muito próprio, o tempo é marcado por momentos específicos, que devem ser respeitados, não se devendo adiar tarefas que se impõem.
A vida no campo tem um colorido diferente, tem um grau de exigência subentendido, que só quem nele vive consegue entender.
Não há um momento de paragem, a não ser para o descanso à noite, as refeições habituais e a sesta após o almoço, para retemperar as forças e poupar o corpo ao sol escaldante dos dias de verão.
 
Há sempre o tempo da ceifa, desta ou daquela sementeira. 
Há um tempo para atender às necessidades dos animais, as vacas, ovelhas e galinhas. 
Há sempre a limpeza de primavera, as paredes a caiar em tempo de verão, as telhas do telhado para reposicionar no seu lugar. Os porcos que se matam no final do outono, para guardar para o ano seguinte.

Há fruta que tem que ser colhida das árvores do pomar. Há um tempo para delas fazer compotas, bolos e conservas, para armazenar no resto do ano, para consumo da casa.
Há alfaces e outras leguminosas que precisam de ser regadas para que possam subsistir.
Há animais que têm que ser apascentados.
Há animais que têm que ser alimentados, e posta a palha nova para deixar a sua "cama" limpa. Há animais que têm que ser escovados, tosquiados e vacinados.
Há vacas, cabras e ovelhas para serem ordenhadas com dia e hora marcada.
Há galinhas e patos que querem comer o milho e o trigo e pedem ordem de soltura para esgravatar livremente. Há horas para recolher os ovos, e horas para pôr os ovos a fim de serem chocados.
Há coelhos e porcos que precisam de comer, e como tal há que colher ervas do campo para os alimentar.
A lareira e o fogo de lenha que precisam de combustível, por isso há que apanhar, rachar lenha e aprovisioná-la. Com particular cuidado quando chega a invernia e esta tem que ser protegida da chuva ou do orvalho, para que se mantenha seca e possa arder normalmente.

Há um tempo e um ritmo para apanhar ervas daninhas, outro para arrancar culturas que já estão fora de época e plantar novas em seu lugar. Há um tempo para planear em que talhão de terra se semeia o quê, o estrume que é preciso usar e o mais adequado a cada cultura e as sementes que se separaram da colheita anterior.
Há um tempo para a vindima, para fazer o mosto, embarrilar o vinho e esperar que ele fermente. 
Há um tempo para amassar o pão, tendê-lo, acender o forno e pô-lo a cozer. E um tempo para fazer com ele, ainda bem quente, uma tiborna.
Há um tempo para bordejar o paúl em cima das vagens de feijão e grão que se deixou a secar na eira, para joeirar o feijão e o grão, escolhendo os dias de vento de feição, para lhe retirar a palha excedente. Há um tempo para fazer as queimadas necessárias, que a terra pede, para se ir mantendo fértil.
Há um tempo para pear a burra e um tempo para a albardar e colocar o bornal e levar para a horta, para ser carregada com a gorpelha e trazer os proventos que o campo dá.
Há um tempo para semear e outro para plantar e outro ainda para transplantar sementeiras. Há um tempo para aproveitar o que o campo nos proporciona, o que os animais nos dão e partilhar com a comunidade familiar e de vizinhança.
Há um tempo para varejar as oliveiras e apanhar as azeitonas. Há um tempo para levar a colheita para o lagar e trazer de lá os garrafões cheios de azeite. Há um tempo para pôr as azeitonas em jarros cheios de água, um tempo para lhes mudar a água, para as britar ou apenas e só temperar.

Há um tempo que se mexe a um ritmo constante, mas que não encerra aquela urgência de quem vive na cidade.
Porque apesar deste ritmo ser cadente e sempre corrido, há também sempre um tempo para ver as ervas e árvores florirem, as flores desabrocharem, os frutos começarem a despontar nas árvores, as crias nascerem: caçapos, pintos, leitões, vitelos, borregos, cabritos, etc. Há sempre um tempo para fazer festas ao cão de guarda, nosso amigo e companheiro diário.
 
Há um tempo para sentar à sombra no poial à conversa com os vizinhos e familiares que vieram deixar a prova do bolo, umas favas ou ervilhas que têm excedentes ou um bocado da carne do porco que se matou.
Há um tempo para ver o tempo avançar, à cadência do clima e das estações que se sucedem. Porque quem vive no campo, dele e para ele, tem muito que fazer, mas raramente tem pressa.

18 de novembro de 2013

Vê-se mesmo que tenho jeito para isto...

Decidi semear umas sementes de pimento fora de tempo... 3 meses atrasados... mais coisa menos coisa.

Mas a natureza é surpreendente!

Os pimenteiros rebentaram, cresceram e floresceram. Fora de tempo, claro está!

Foram atacados pelas lagartinhas verdes e pelos caracóis. Fiz o meu melhor para os salvar de morrer assim às bocas dos bicharocos. Graças ao conselho precioso da Titá.



Mesmo com a chegada do Outono e até mesmo com alguns rigores de frio, cá está a minha colheita de pimentos.

Fora de tempo... 3 meses ou mais de atraso.
São pimentos, mas parecem pequenas malaguetas... mas não têm adubos nenhuns. Diz-se que são biológicos!



9 de outubro de 2013

Eles quemerem tude e nã dêxarem (quase) nada!....

Os  meus pimenteiros são já serôdios, eu sei...
Mas estavam lindos e eu cheia de orgulho!



Até que umas lagartas comilonas, auxiliadas por uns caracóis esfomeados se atiraram a eles e à minha nabiça viçosa e deixaram isto assim...



Por isso, segui o conselho da Dora e fui buscar este livro, que mais não seja por carolice... mas já vi que me vai ser bastante útil!


26 de julho de 2013

4 de outubro de 2012

Qualquer dia...

Só nos resta regressar a uma série de artes, saberes e ofícios dos tempos dos nossos pais e avós.
Comecei a criar uma horta caseira por curiosidade, carolice e até por alguma espécie de desafio a mim mesma, quis saber se seria capaz de o fazer e sempre dá jeito ter umas ervas aromáticas frescas e à mão para temperar melhor um qualquer refogado.
O facto é que consegui tirar alguns proventos das sementeiras, o que foi suficiente para me incutir o bichinho.  Agrada-me ver brotar da terra sementes ali depositadas, ver as folhas verdejando.
Creio que se não tivesse estado ausente por uma semana, teria mesmo tido a sorte de colher pimentos. Mas a falta de rega habitual deitou tudo a perder e o que a falta de água não estragou, os bicharocos da lagarta trataram de dar o remate final, devorando as folhas dos pobres pimenteiros...

Por isso, tudo cessa e tudo se recomeça.
Novas sementes lancei à terra dos vasos e canteiros.
Agora é aguardar.





4 de maio de 2012

Poupar sem ir ao PD nos dias loucos...

Semear alfaces!
E coentros, salsa, hortelã.
Por sorte a terra que trouxe dos terrenos circundantes da casa de campo, traziam sementes "adormecidas" de espinafre, e que agora começa a surgir num canteiro onde semeei salsa. Acho que as sementes do espinafre só precisavam mesmo de adubo e um pouco de água...

O cebolinho e o tomilho semeei no 1.º de Maio, ao final da tarde, depois de ter vindo do parque com o Falipe. Apesar de ser mais indicado fazer a sementeira no início da Primavera, creio que dada a esquizofrenia do clima, ainda vou bem a tempo de ter bons resultados.
Além disso, como já não tinha mais espaço nos canteiros que comprei, decidi aproveitar embalagens (latas de grão e feijão, caixas plásticas dos morangos) que tinha separado para levar para o ecoponto, mas que acabaram por se tornar em "vasos" perfeitos. Depois logo transplantarei se for preciso...

Ai se o sr. Abel, meu pai, me visse agora... até ria à gargalhada!

9 de abril de 2012

Close-up #2 - vida de insecto




Decidi aventurar-me de novo nas "sementeiras" e há umas semanas voltei a tentar a sorte, com a salsa, o cebolinho, os coentros e os óregãos.

Volta e meia, gosto de ir ver o "andamento" dos rebentos que começaram a despontar.

E parece que já alberga um insecto, que ocupou um lugar cativo, porque o vejo sempre por ali!

Não sei, mas acho que qualquer dia começo a cobrar-lhe a guarida!

16 de junho de 2011

Eu não tenho jeitinho nenhum para a coisa!

Decididamente não me ajeito com a agricultura, ou então... não tenho sorte nenhuma...

Os meus coentros que estavam assim lindos, morreram graças à minha gata Joy, que devia estar cheia de calor e decidiu deitar-se em cima dos meus coentros viçosos e bonitos!... Nem vos digo como fiquei desolada, quando os vi, todos acamados e logo no dia seguinte murchos e a começarem a secar... nem reproduzo aqui o estado em que eles ficaram...
By Naná

Depois até estava toda satisfeita, porque tinha nascido um espinafre sozinho (quer dizer, a terra que trouxe devia ter sementes ainda...) mas esse a Joy roeu quase na totalidade... a ver se o consigo "reabilitar", já que ao que parece é uma cultura resistente e ele ainda subsiste com alguma resiliência (o tronco, pelo menos).

By Naná
E a salsa e os óregãos dos meus vasinhos, que estavam tão lindos e viçosos, começaram agora a querer secar, apesar de serem regados com frequência... o cebolinho então parece raquítico e não desenvolve... pelo menos, não mais do que o que se vê aqui na foto!
By Naná
Os óregãos principiaram a secar e já não estão verdinhos como nesta foto...

By Naná

Ah, e sem falar que a pouca salsa que ainda poderia escapar, que eu tinha plantado num canteiro maior (outras sementes diferentes), que estava linda e super viçosa, a Joy decidiu trincar, porque devia precisar de fazer uma purga ao estômago, porque não tinha ficado satisfeita só com o espinafre!...
Portanto, notes to self:
1 - deixar os vasos e canteiros longe, bem longe da Joy!!!
2 - escolher melhor as sementes que compro, porque estou desconfiada que também não deviam ser de grande qualidade...
3 - talvez usar mais "fertilizante" natural, pode ser que ajude!

21 de abril de 2011

A natureza acontece!

Já aqui tinha dito que me tinha dado uma panca e pus-me de semeadeira de ervas aromáticas.
Pois é, quando as primeiras folhinhas começam a despontar, dá-me um "frisson" na alma, por ver a natureza seguir o seu curso e acontecer lentamente enquanto nós andamos na azáfama do dia-a-dia!
Aqui fica o registo das minhas primeiras tentativas de "dar uma mãozinha à natureza"!!
Coentros

Óregãos

Cebolinho

Salsa