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30 de abril de 2015

Trocas e papeladas (post claramente inspirado na Amigo Imaginário)

Tenho a vaga ideia de que tudo começou com o Volodymyr, um rapaz ucraniano que partiu um braço e precisou que alguém lhe preenchesse um requerimento à Segurança Social, porque ele não percebia o português o suficiente para o fazer.
Quando ele me pediu, com ar mesmo muito envergonhado, nem hesitei e em 10 minutos tinha o formulário preenchido. O rapaz, servente de pedreiro na obra onde eu era a "sinhóra da segurança", desfez-se em agradecimentos e nunca mais deixou de o fazer enquanto a obra durou.

Depois foi o Cláudio, um jovem brasileiro, muito trabalhador e humilde, que me pediu se eu lhe podia preencher os papeis para ele entregar no consulado brasileiro, para concluir o processo de adopção de uma menina, que ele iniciara no Nordeste do Brasil, antes de emigrar e vir para Portugal.
Quando disse que o faria sem qualquer problema, ele questionou-me:

- Ocê tem família de emigrantes?!
Respondi-lhe que não, e achei estranha a pergunta.
Ele explicou que achara que a minha gentileza poderia ser motivada por isso.
Ao que eu respondi que isso tinha pouco peso, porque eu estava disposta a ajudar quem me pedisse ajuda, caso a pudesse facultar, independentemente da nacionalidade.
Ele, não só se desfez em agradecimentos, como rematou:
- Ocê é gente boa! Muito boa!
E quando a menina que ele adoptara e a esposa finalmente se reuniram com ele cá em Portugal, ele não hesitou em vir propositadamente ao meu contentor partilhar essa tremenda alegria comigo. E eu fiquei genuinamente feliz por ele!

Não demorou muito tempo a espalhar-se pela obra que a "sinhora da segurança" ajudava a preencher papeladas e burocracias. Um dia, confundiram a estagiária da fiscalização comigo e perguntaram-lhe se ela podia ajudar a preencher a declaração do IRS.

Já o Murat, um uzbeque cinquentão, bem disposto, tagarela e brincalhão, veio pedir-me se podia ajudá-lo com o preenchimento do requerimento para autorização de reagrupamento familiar. O desejo dele de trazer a família dele para cá era enorme, queria a esposa e os seus quatro filhos, todos nascidos nas primeiras semanas de Setembro, a viver consigo cá.
Costumava brincar com ele, enquanto preenchia os papéis, que o mês de Setembro era um mês tramado, com tanta prenda e festa de aniversário a acontecer, já que ele próprio também tinha nascido nesse mês.

Três vezes me pediu que o ajudasse, e três vezes lhe preenchi o requerimento, ao qual ele recebia sempre a mesma resposta negativa: os seus rendimentos ficavam aquém do estabelecido para ele poder trazer a sua família para cá.

Enquanto trabalhámos nas mesmas obras, todos os dias 8 de Março, me oferecia uma flor ou uma planta e no Natal, comprava sempre uma caixa de bombons e uma garrafa de champanhe com caracteres russos para me oferecer.

Também ao Omar, um jovem marroquino, tentei ajudar, sem grande sucesso, a desbloquear uma vigarice do patrão com as declarações de remunerações para a Segurança Social. O seu semblante habitualmente desconfiado com tudo e com todos, suavizava-se quando eu estava presente e nas últimas obras onde nos encontramos, ele contou-me do seu pequeno filho e de como tinha ido a Marrocos casar.

A todos eles ajudei da melhor forma que pude e sabia.
E mesmo assim, às vezes penso que o que fiz foi tão pouco...

1 de janeiro de 2015

Os melhores anos

Esta coisa de virar anos, há já mais de 3 décadas, levou-me por estes dias a fazer uma espécie de retrospectiva dos anos passados.

Não preciso dizer que 2014 foi um ano memorável, de todos os aspectos e mais alguns. É um ano que ficará sempre comigo. E com o Ricardo.

No entanto, não foram só rosas, foi um ano de emoções fortes, tanto as alegres como as menos boas, a maior parte delas provocadas pela privação de sono.
Profissionalmente falando, posso dizer que foi um ano "nulo", já de uma certa forma passei mais tempo longe do meu local do que nele...

Mas dizia eu que me deu para fazer uma retrospectiva...

E assim posso dizer que os piores anos da minha vida terminaram em números ímpares, destacando-se os anos de 1995 e 2009, anos em que fiquei sem os meus pais.
No entanto, fogem a esta regra os anos de 2001 e o de 2005.
No primeiro terminei a minha licenciatura e conheci o G., o meu amado. E 2005 foi o ano em que cimentámos a nossa relação e juntámos os trapinhos.

Já os melhores anos de que me lembro terminam em números pares, dos quais se destacam o ano 2008 e de 2014, anos em que nasceram os meus filhos, os meus tesouros. O ano de 1996 foi memorável pela minha entrada na universidade e o de 2004 pelas conquistas a nível profissional.
Já o ano de 2006 foi dos mais tramados de que tenho memória e o de 1988 marcou-me pelo desaparecimento do meu avô, a pessoa mais fantástica que tive o prazer de conhecer.

Por isso, digo sem presunção nenhuma que apesar de 2015 ser um ano terminado em número ímpar, entrei nele sem qualquer expectativa, seja ela boa ou má... e quer-me cá parecer que até é capaz de ser melhor assim!
Tudo o que vier de bom, será melhor saboreado!

26 de agosto de 2013

Diz que parece que fazer coisas sozinha é coisa de pessoas-meio-estranhas...

A propósito deste post da Sal, teci o seguinte comentário:

"É uma cena que me irrita mesmo, porque não se pode fazer coisas que nos dão prazer sozinhas?! Qual é o mal?!

Eu adoro ir para a praia sozinha, ao cinema sozinha e teria adorado ir à Fatacil sozinha... assim via o que me apetecia, à minha maneira e não teria perdido metade da feira por conta do ritmo dos outros..." (*)


Não sei de é de ser filha única e ter crescido um pouco a brincar sozinha, fingindo estar acompanhada, que desde cedo me habituei a fazer "coisas" sozinha. 

No entanto, na nossa sociedade, o facto de não nos importarmos e até mesmo desejarmos fazer coisas sozinha, é mal visto! Ou pelo menos, olham-nos com aquele ar de "esta fulana deve ter um parafuso mal apertado" ou "pobrezinha, não encontra nenhuma alminha caridosa que a queira acompanhar sem ser arrastado..."

E isto aborrece-me profundamente! Porque cargas d'água hei-de eu ir acompanhada a qualquer lado, só porque sim, se isso significa que das duas uma: a) um de nós está a fazer um frete tremendo, ou b) alguém abdica de desfrutar condignamente da coisa que está a fazer!??

Não sou de pagar fretes a ninguém, como tal também dispenso que os façam por mim!

Isto tudo leva-me aos saudosos anos de 1998/99 (em que eu fui tão feliz!), nesses tempos que apelidei de "a minha fase egoísta", em que não dava satisfações a ninguém a não ser a mim mesma, ia se queria ir, vinha se queria vir, ficava se queria ficar e tantas coisas coisas que fazia só porque sim, porque me apetecia! E podia!... 

Nunca me conheci tanto a mim mesma como nesses tempos, que foram deveras úteis para que soubesse quem eu sou, o queria da vida, o que não queria na minha vida (incluindo pessoas...), o que gosto muito, pouco ou nada. Descobri aquilo que me fazia vibrar e querer ir mais além, e aquilo que me fazia mal e me deixava encolhida em posição fetal, com medo ou aversão.

Esses tempos foram-me muito úteis, voltaria a passar por eles de novo sem qualquer problema, e digo muitas vezes que há pessoas que deveriam passar por uma fase assim nas suas vidas, para descobrirem um pouco melhor quem são verdadeiramente e como podem ser mais felizes.

Acho muito triste que se passe uma existência solitária, estando sempre acompanhada!
 

(*)Digamos que ainda não digeri bem o facto de que gastei 5€ num bilhete para ir ver uma feira que me interessava, para ter que andar a "toque-de-caixa" e ver tudo de relance... aliás, o pouco que consegui ver!
 

28 de junho de 2013

Demónios angelicais e uma enorme lição sobre racismo


Uma experiência numa turma da 3.ª classe que demonstra o quanto podemos encarnar o demónio, o quanto assimilamos aquilo que nos transmitem e como somos capazes de níveis inacreditáveis de maldade e crueldade...

7 de junho de 2013

A recuperar...

Duma cirurgia ao nariz.
Era suposto ser só alinhar o septo nasal, mas os adenóides tiveram que sair e andaram a mexer-me nos "cornetos" (isto configura toda uma nova perspectiva sobre os gelados desse nome!).

Só vos posso dizer que isto não é lá muito agradável... Posso mesmo sem sombra de dúvida afirmar que a cesariana pela qual passei foi uma brincadeira de meninos comparada com esta cirurgia, em termos de recuperação. Pode até ser por causa de todas as hormonas maravilhosas da maternidade, mas raios-partam-que-isto-dói muito mais! 

Resta-me o conforto de poder comer gelados e gelatina à discrição!
Salvam-me as drogas legais! 

26 de abril de 2013

Aprendizagem ao longo da vida

Nem só na escola se aprende... e eu aprendi tantas coisas que me ajudaram na escola, na faculdade, na vida pessoal e na vida profissional. Pequenos ensinamentos que prezo, não só pelo ensinamento em si, mas pela recordação de quem mo transmitiu e assim me enriqueceu ainda mais.
Além do mais, nunca se sabe quando vamos precisar de utilizar estes pequenos apontamentos de saber.

Com a minha mãe aprendi (lista altamente redutora, já que foi ela que me ensinou a amar de forma incondicional...):
- redigir actas de reunião e a escrever rapidamente usando todos os dedos da mão (na altura, numa máquina de escrever)
- a consultar correctamente um dicionário
- a tabuada, as regras de 3 simples e a fazer a prova dos 9
- a fazer pastéis de batata doce
- a amassar e a tender pão e folares
- a coser à mão e à máquina
- a "crochetar"
- a encher chouriças de carne e a fazer farinheiras
- a caiar paredes a pincel

Com o meu pai aprendi a:
- ceifar erva e mato
- a sachar ervas daninhas e a abrir regos na terra para semear
- que um alqueire de feijão/grão leva 20 litros e que tem peso diferente consoante se é feijão ou grão
- a usar o dinheiro em meu proveito e a não viver escrava dele
- a vindimar
- a acertar um relógio de ponteiros
- que um belo copo de aguardente ajuda nas dores de dentes

Com o meu avô Manuel aprendi:
- a debulhar maçarocas de milho, usando um sabugo
- a tirar as bandeiras do milho
- que os "figos-do-inferno" são tóxicos
- que dum pedaço de cana se pode fazer uma flauta
- que se pode fazer um baloiço com dois pedaços de corda e um tijolo
- que os sobreiros são descortiçados de 10 em 10 anos
-  que quem não sabe ler pode ser mais sábio do que muitos letrados.

Com a minha tia Albertina aprendi:
- que se pode viver bem, com menos
- que a vida é aquilo que fazemos dela!
- a fazer bolo de marmelada e nozes
 
Com a minha tia Margarida, com os seus olhos azuis e cabelos totalmente brancos aprendi a:
- fazer calda de mel para os coscorões
- a usar amendoins para melhorar a compota de tomate e de abóbora
- que não é preciso ter uma avó viva, para termos uma!

Com o meu tio Fernando aprendi:
- a ordenhar vacas
- que os gansos são agressivos e mal dispostos
- que há quem viva toda a vida orientado pela ganância

Com a minha prima Rosária aprendi a:
- usar sal grosso para tirar o sabor duma caldeirada queimada
- o tempero ideal para uma feijoada de buzinas
- aprendi a fazer uma caldeirada como deve ser
- a amanhar peixe e a usar água salgada para lavar o peixe e deixá-lo mais saboroso para a brasa
- a demolhar bacalhau em leite antes de ser assado na brasa, para ficar mais macio

Com todos os meus colegas de faculdade e a Goudinha aprendi:
- que a amizade, quando existe e é verdadeira, perdura independentemente das barreiras físicas ou temporais.

Com o meu mais que tudo, aprendi:
- a apreciar boa música
- a identificar estrelas e constelações no céu
- a partilha, o respeito e o companheirismo

Com o meu filho aprendi:
- a perdoar em 30 segundos
- a cultivar a paciência
- a amar incondicionalmente

4 de abril de 2013

Inspiração, motivação, empreendorismo

Muito melhor que o Miguel Gonçalves, muito menos pretencioso, muito menos carregado de preconceitos e perspectivas pejorativas sobre os demais.
Uma visão muito mais realista, sem nunca perder de vista a mensagem que importa, que é a de continuarmos a lutar por aquilo que devemos, para concretizar projectos e sonhos.
E com um excelente sentido de humor!

http://youtu.be/fQgPy5WHTWo

26 de fevereiro de 2013

Marina Abramovic Meet Ulay

"Nos anos 70, Marina Abramovic viveu uma intensa história de amor com Ulay. Durante 5 anos viveram num furgão realizando todo tipo de performances. Quando sentiram que a relação já não valia aos dois, decidiram percorrer a Grande Muralha da China; cada um começou a caminhar de um lado, para se encontrarem no meio, dar um último grande abraço um no outro, e nunca mais se ver. 23 anos depois, em 2010, quando Marina já era uma artista consagrada, o MoMa de Nova Iorque dedicou uma retrospectiva a sua obra. Nessa retrospectiva, Marina compartilhava um minuto de silêncio com cada estranho que sentasse a sua frente. Ulay chegou sem que ela soubesse... e foi assim."




encontrado no FB, partilhado por uma grande amiga!

30 de dezembro de 2012

Porque em 2012 nem tudo foi mau...

Apesar de ter sido aquilo a que chamo o "ano de seca" ou "o ano da travessia no deserto", porque os dias sucederam-se numa cadência vulgar, repetitiva e sem grandes mudanças, é claro que nem tudo foi mau ou menos bom! Houve é claro momentos de felicidade, de paz e de serenidade.
Mas o sentimento geral não foi dos melhores...
Foi um ano que senti ser de marasmo, estagnação, de marcar passo, sem nunca retroceder ou avançar. Senti-me amarrada e amordaçada por correntes e cordas invisíveis, mas que me impediram totalmente de progredir ou de avançar em qualquer direcção!
Foi um ano em que tive a sensação de vazio sempre presente e de falta de realização pessoal e profissional.
Foi um ano em que me senti embrutecer lentamente, de dia para dia, e senti-me impotente para contrariar essa maré, apesar de estar plenamente consciente dela.
Foi um ano de introspecção e isolamento, umas vezes auto-imposto, outras vezes forçado, pela indiferença e falta de atenção dos demais ao essencial, o que acabava forçosamente por me atirar para mais auto-isolamento, numa espécie de círculo vicioso.
Foi um ano de luta feroz entre eu e mim mesma e isso teve os seus efeitos benéficos, nomeadamente o de finalmente conseguir encerrar o luto pelo meu pai. Mas o facto de me digladiar diariamente comigo mesma teve efeitos perniciosos na minha pessoa habitualmente bem disposta  socialmente predisposta e optimista.
Foi um ano em que me tornei mais caseira, mais comedida nos gastos e inclusivamente comecei a poupar de forma consistente e persistente. Foi o ano em que apesar de não ser funcionária pública, senti na pele todos os cortes impostos à classe, e fui-me encolhendo sobre mim mesma do ponto de vista financeiro e fiscal, agradecendo apenas a dádiva de ter emprego e ordenado pago a tempo e horas, sem excepção!
Foi o ano em que aprendi artes manuais, com especial ênfase no tricot, e completei projectos com as minhas mãos que não sonhara que seria capaz de fazer um dia. Escusado será dizer que foi nestas artes que encontrei boa parte dos momentos de paz e serenidade.
Foi um ano em que vi o meu filho crescer a olhos vistos, num ritmo muito mais rápido do que aquele que foi caracterizando os meus dias e foi com espanto que o vi abotoar o seu primeiro botão, no pijama, e desligar o computador carregando em todos os botões correctos e mexer-se no youtube com mais perspicácia e sabedoria do que eu própria. Os melhores momentos foram certamente aqueles em que ele correu para mim, com o seu mais feliz e me disse espontaneamente "gosto de ti, mamã!".
Foi o ano em que a minha família se alargou e demos as boas vindas ao bebé R. e vi a minha prima M. tornar-se mãe, como sempre sonhara!
Foi o ano em que fiz uma semana de férias a 3 na minha adorada Arrifana e aí sim, obtive um dos maiores momentos de alegria, serenidade e boa vida!
Foi o ano em que me atulhei de comida para dar de "beber à dor" que sentia algures dentro da minha alma, e por fim, descobri que tinha uma compulsão com a comida e que era altura de simplesmente parar de me agredir! No dia em que alguém me fez duas perguntas bastante simples: "porque é que continua a boicotar-se?" e "porque é que se levanta da cama todos os dias?"
Foi o ano em que li Záfon, John Green, Chris Cleeve e mais uma série de livros e reconciliei-me com a leitura! Graças à blogsfera, ao facebook e ao Goodreads!
Foi o ano em que a amizade virtual passou para o real e com isso reforçou-se! Mais uma cortesia da blogosfera!
Foi o ano em que plantei tomates e pimentos e nenhum deu frutos, mas colhi espinafres suficientes para uma sopa e alface suficiente para uma salada!
Foi o ano em que percebi que mais depressa se adquire um mau hábito do que se consegue enraizar um bom hábito, e em que lutei ferozmente para contrariar essa tendência!

Foi um ano em que muito sucedeu, mas que sinto que não fui muito longe, vá-se lá saber porquê...

14 de dezembro de 2012

Sinais de envelhecimento da população

Quando descubro que o primeiro infantário que o meu filho frequentou, foi reconvertido em lar de idosos.

18 de abril de 2012

20 de outubro de 2011

Onde se vê daqui a 5 anos?


tirada da net

Esta foi uma questão que colocaram numa entrevista de emprego a que fui, alguns meses após ter concluído a minha licenciatura.
Na altura e, tendo em conta que a entrevista era para o preenchimento duma vaga como empregada de balcão numa loja que comercializava telemóveis, achei a pergunta estapafúrdia, principalmente porque nunca despendera muito tempo da minha vida a pensar nisso.
Além disso, também me pareceu algo despropositado, porque todos os planos pessoais e profissionais que pudesse ter, não eram para ali chamados, porque eu não conhecia o entrevistador nem mais gordo nem mais magro. E planos de vida futura, pessoal ou profissional, a mim (naquela altura) pareciam-me mais o tipo de assunto que eu discutiria com família chegada e amigos de confiança.
Uns meses passados, comentei com uma conhecida minha que procurava emprego, que me tinham formulado aquela questão. Ela, formada na área de psicologia e conhecedora de algumas técnicas de recrutamento, explicou-me que era uma questão bastante básica e perfeitamente normal em entrevistas, para que pudessem perceber se eu era uma pessoa com ambições e orientada para seguir determinados objectivos!
Pois que voltaram a colocar-me essa questão cerca de 5 anos mais tarde e a minha resposta foi rápida, directa e bastante frontal!
Se em 2001, via-me dali a 5 anos a trabalhar para o Corpo Diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros, como adida, em 2006 respondi que isso era muito relativo! A pessoa ficou confusa e pediu-me para elaborar e eu, claro, elaborei!
Que em apenas um ano todas as circunstâncias da nossa vida mudam, sejam a nível pessoal ou profissional e que a vida tinha-se encarregue de me mostrar isso mesmo e terminei com esta frase:
Se em 2001 eu achava que ia ser uma futura Embaixadora ou quem sabe uma funcionária duma ONG a trabalhar num qualquer país subdesenvolvido, nada me faria alguma vez crer que seria Técnica de Segurança do Trabalho e muito menos iria trabalhar no ramo da construção civil!”
Se à minha resposta, o primeiro entrevistador ficou com aquele ar de “Ya, tá bem! Deves mesmo conseguir...”, o segundo entrevistador ficou perfeitamente desconcertado.
Perante o ar confuso do senhor, decidi acrescentar que o que tinha aprendido com esta mudança de profissão tão “díspar”, chamemos-lhe assim, foi que não podemos ter planos demasiado rígidos e fixos e que devemos estar preparados para nos adaptar rapidamente ao que muda na nossa vida, mas principalmente a ter a capacidade de dar a volta, mesmo quando achamos que aquilo não era nada do que queríamos.
Porque mais tarde, pode dar-se o caso de gostarmos mesmo do que a mudança de circunstâncias nos trouxe!
Cerca de um ano e meio depois de ter entrado no mundo das obras, abriu finalmente concurso para o Corpo Diplomático do MNE, que eu aguardava desde que me licenciei. Quando acabei de ler o aviso de concurso senti-me algo indiferente perante aquilo e fiz a candidatura por mero descargo de consciência, para ver até onde conseguiria chegar no concurso, visto que eram sempre 10 cães a um osso. Neste caso, acho que éramos 2100 candidatos para 40 vagas.
Mas quando vi os temas sobre os quais teria que me debruçar nas provas de conhecimentos gerais e específicos, achei que saber a política externa portuguesa desde o tempo do rei D. José I e a importância do Marquês de Pombal e da sua política, pouca utilização prática tinham para a minha vida profissional, já que eu me tornara uma pessoa cuja tarefa era tentar ajudar quem trabalha a chegar ao final do dia vivo e sem grandes mazelas do trabalho pesado que tinham que desempenhar na sua vida activa.
Eu que sempre quisera trabalhar no estrangeiro, acabei por trabalhar em Portugal com mais estrangeiros do que poderia pensar!
Por isso, nunca penso naquilo que quero para a minha vida de forma muito rígida ou estanque. Se não alcançar esse objectivo, não é nenhum drama. Se tiver que me reinventar, porque não?!
Eu prefiro sonhar com coisas que quero viver, alcançar! E chegar ao dia em que as concretizei e perceber isso mesmo!
Mas aproveito o que se vai passando até lá, e isso torna tudo muito mais interessante!

30 de junho de 2011

Balanços

O meu bom amigo Mfc publicou esta fotografia o mês passado, cuja imagem e texto me ficaram imediatamente no goto! E logo ali decidi que havia de escrever sobre isso...
Revi-me naquelas palavras tão sábia e simplesmente escritas, porque eu sou assim mesmo... volta e meia, começo a pôr tudo em causa, analiso tudo à lupa!
Faço frequentemente balanços daquilo que sou, do que fiz, do como cheguei onde estou e no que me tornei, no que ainda quero fazer, no que em tempos quis fazer e agora parece ter deixado de fazer sentido!
E sempre que olho para trás tento perceber que caminhos percorri ao longo da minha existência e concluo quase invariavelmente que fiz coisas que nunca pensei fazer... que alcancei coisas que nunca acreditaria que ia alcançar se mo tivessem afirmado... 
Nunca tive um plano muito específico de vida, nunca fui de dizer que "eu quero ser isto quando for grande!"... e a Naná que um dia pensou que o seu futuro seria na carreira diplomática, desencantou-se e acabou por descobrir outra vocação, muito mais útil a meu ver e para a qual sei que tenho muito mais perfil. 
Numa altura, custou-me perceber que não iria exercer qualquer profissão directamente relacionada com a licenciatura que tirei na área das Relações Internacionais, e nunca imaginei que viria a aterrar no mundo que são as obras! Mas não me arrependo, porque isso fez de mim uma pessoa muito melhor, mais feliz e mais realizada profissionalmente! Se me perguntarem se eu tornaria a tirar a licenciatura, caso pudesse mudar o meu passado, respondo firmemente que sim! Tiraria sim senhora! Porque os amigos que fiz nesse percurso, as vivências e os conhecimentos que obtive nesse processo valem tanto, mas tanto...!
Quando me ponho a fazer estes balanços de vida, concluo quase sempre que apesar de não estar propriamente onde pensaria que ia estar, não sou menos feliz por isso... Pelo contrário!
E concluo também que tenho poucos arrependimentos... Se dada a oportunidade, obviamente mudaria algumas coisas que fiz no passado, sim! Mas não choro sobre leite derramado e aceito-os como erros que cometi para poder aprender a viver mais feliz...
Acho que o maior arrependimento que sinto nos dias de hoje foi não ter querido aprender a costurar, não ter aceite os inúmeros ensinamentos da minha mãe nessa área... ela bem que se esforçou e sempre me avisou que um dia me arrependeria... e estava certa! (Mas não é nada que não possa reverter e por isso recentemente lancei-me nessa tarefa de aprender as artes da linhas e dos tecidos!)
Depois apercebo-me que já consegui tanto, à custa de muito esforço, sim..- Mas consegui!! 
Às vezes dou por mim a sorrir quando me apercebo que há coisas que sempre desejei ter e fazer e que me aconteceram efectivamente! Podem não ter acontecido pelos meios ou das formas que eu esperava e desejava, mas era aquilo que eu queria!! E só me ocorre aquela expressão inglesa: "good things come to those who wait"...
Portanto, a avaliação final que faço sempre é que vale a pena, tem valido a pena! Tenho lutado muito, mas tenho tanto por que estar grata: tenho um companheiro excelente que amo e me ama, e daí nasceu a pessoa mais bonita que eu conheço e de quem tenho o privilégio de ser mãe e que eu mais amo neste mundo, tenho 1 licenciatura e duas pós-graduações que me abriram portas no mundo laboral e me permitem ter um emprego que gosto e com um rendimento bastante razoável, tenho duas casas "dos meus sonhos", uma família pequena mas linda que me apoia sempre! E uns quantos bons amigos que mesmo geograficamente distantes, estão sempre comigo!
Perdi os meus pais muito cedo, mas fiz tudo por tudo para ultrapassar a dor e seguir em frente. Não me deixei dominar nem definir pelo sofrimento que isso me causou! Hoje vivo com a saudade e a memória deles e é nisso que busco muitas das minhas forças! Assim como no meu filho e no meu amor!
Tenho tanto por que estar grata e tenho projectos para o meu futuro! Há tanta coisa que quero ver, fazer, experimentar... viver!
Por tudo isto, no fim das contas parciais feitas, o balanço é altamente positivo!!

11 de maio de 2011

Gosto de ti com todos os teus defeitos!

Era uma frase que estava escrita em francês numa caneca de leite duma colega minha de faculdade, com quem partilhei casa durante 2 dos anos que estive em Coimbra. A caneca era giríssima, porque tinha sido feita propositadamente com imensos defeitos. Não era cilindrica, nem para lá perto! E eu achava que aquela frase encerrava uma tremenda verdade!
Quem gosta de nós, a sério, mas mesmo a sério, a valer, gosta de nós como somos, com as nossas imensas qualidades, mas também tolera e aceita que não somos perfeitos, e por isso, gosta de nós com os defeitos que temos.
E como gosto de pensar que sou realista (para uns uma qualidade, para outros um defeito...) decidi que vou listar alguns dos meus:
- teimosa - mesmo mesmo, a minha dizia que eu até para nascer tinha sido teimosa! - mas como alguém que eu conheço, costuma dizer: para teimar são precisos dois!
- preguiçosa - há dias em que não me apetece fazer mais nada do que estar a "pastar a vaca", se bem que este defeito é ocasional e temporário...;
- impulsiva - já me custou alguns dissabores!
- frontal - outra que me custou alguns dissabores - isto de se dizer o que se pensa, no exacto momento em que se pensou, sem querer saber quais as consequências ou a quem dói, nem sempre é bem aceite;
- "procrastinadora" - quando algo não me agrada prefiro adiar indefinidamente, a ver se a coisa se resolve por si só, e de preferência sem que eu tenha que me envolver muito;
- reajo mal a criticas - sejam elas boas ou más! fico logo na defensiva... isso, em parte devo-o um pouco ao meu pai, que era uma pessoa sempre pronta para apontar os defeitos aos demais, e a mim então... (sei que ele não fazia por mal, mas estar sempre a ser apontados os meus defeitos, reais ou imaginados por ele, custa!)
- fala-barato ou matraca como me auto-apelido! estou sempre "blá-blá-blá" - às vezes têm mesmo que me mandar calar...
-tenho o mau hábito de interromper as pessoas quando estão a falar, porque me surgiu uma ideia ou porque tenho uma história que vem mesmo a propósito - já fui inclusivamente chamada à atenção no local de trabalho... e tenho vindo a fazer progressos nesse sentido!
Ingénua - acredito demasiado nas pessoas, acho sempre que elas são boas e têm princípios e valores morais, o que já me granjeou algumas desilusões bem grandes, porque nem todos são pessoas com carácter...

Bem, devo ter outros, mas agora estes são os que me saltam mais à vista!

Mas por outro lado, gosto de pensar que tenho qualidades: gosto de ser justa, e se achar que me enganei, dou a mão à palmatória, e peço desculpa!

13 de abril de 2011

Sabedoria versus alfabetização

tirado da net


Há quem julgue que quanto maior o grau de alfabetização e escolaridade, maior o nível de sabedoria.
O que para mim, não podia estar mais errado!
Estou convicta que a escolarização é um meio para adquirir conhecimentos, competências, experiências e aptidões.
Mas estou ainda mais convicta que isso por si só não é o caminho mais directo e certeiro rumo à sabedoria. 
E porque tenho esta opinião?!
Porque conheci analfabetos muito mais dotados de sabedoria do que muitos licenciados. E conheci muitos licenciados, mestres e pessoas com elevado grau académico que davam erros a falar, a escrever e em certos momentos, eram capazes de proferir verdadeiras pérolas de burrice, roçando a barbaridade.
O meu avô era analfabeto, mas sabia fazer contas de cabeça aos 76 anos, como muitos de 30 nunca chegaram a saber fazer... sabia a tabuada na ponta da língua sem nunca ter lido uma cartilha! Consertava tachos e panelas, esculpia madeira e construiu a sua própria casa, em taipa, que hoje se ensina como "construção em adobe" em muitas escolas profissionais.
Percebia de investimento imobiliário, porque foi vendendo, trocando, comprando e permutando terrenos, desfazendo-se dos menos rentáveis e adquirindo outros que lhe trouxessem maior lucro. 
O meu pai, completou a 4.ª classe já quase com 40 anos a muito custo, tinha dificuldade em escrever correctamente e lia devagarinho, juntando as sílabas como fará hoje uma criança na 2.ª classe. Mas sabia fazer operações matemáticas com alguma complexidade, que talvez muitos alunos do 9.º ano não sejam capazes de fazer. E até tinha olho para o negócio!
Por oposição, nos meus tempos de estudante universitária, cruzei-me com alguns colegas que davam erros ortográficos crassos, pouco dignificantes de uma pessoa no ensino superior... se lhes perguntassem unidades de medida de secos, líquidos e afins ficariam a coçar a cabeça...
Por isso, a sabedoria não vem só do que se aprende nos livros, mas do que aprendemos ao longo da nossa vida, com as experiências que temos, do contacto com os outros. E para se ser sábio, nem sequer é preciso saber ler ou escrever... basta saber escutar e querer aprender!