31 de dezembro de 2012

Resoluções de bolso para 2013

Apesar do sentimento um tanto desesperaçado de que fui acometida à entrada deste novo ano, e quiçá de um novo ciclo que se iniciou em 21 de Dezembro de 2012 (os maias lá saberiam o que previam...), não posso deixar de registar algumas pequenas resoluções para que 2013 seja diferente do cinzento ano de 2012, em que me senti assoberbada pela angústia, por um certo estado deprimente e alguma ansiedade, sem que lhe conhecesse a origem ou a causa...

Bem, mas vamos lá:

1. Preferir a comida vegetariana à que inclui carne;
2. Tentar integrar-me de forma consistente num programa de voluntariado. Gostava de conseguir vencer a relutância que sinto em ser voluntária junto de pessoas com cancro, pela minha auto-preservação pessoal, dada a experiência pessoal anterior e a minha absoluta incapacidade de não me ligar profundamente de forma emocional às pessoas... mas talvez possa encontrar uma forma de ajudar o próximo, de forma consistente! Não importa a forma de que se reveste...
3. Mexer o corpinho de forma mais frequente e sem preguiças. Agora já não há desculpas, porque até o Falipe já tem uma bicicleta e podemos ir dar umas voltinhas ao quarteirão!
4. Tirar mais tempo para ler ainda mais livros
5. Voltar a encontrar tempo para ir ao cinema (apesar de estar pela hora da morte!)
6. Tratar de arranjar gana para fazer todas as decorações em casa que sempre magico na minha mente, mas que não saem daí... afixar as molduras todas com as fotos, as aguarelas, os pensamentos inspiradores e até aquele diploma da Universidade de Coimbra que sempre achaste que não irias ostentar!
7. Comprar um cabaz de legumes, fruta e ovos aos teus primos, já que eles têm uma horta grande e muitas galinhas. Se vais gastar dinheiro nisso, em vez de dares os € ao tio Belmiro, vai à horta do Cotifo!
8. Reciclar pelo menos um móvel para colocar na casa de campo! Dá trabalho, mas aposto que vai ser altamente gratificante!
9. Arrendar de uma vez por todas a casa dos meus pais e deixar o sentimento de posse onde ele deve ficar, em lugar nenhum!
10. Tratar de deixar de preguiçar e procrastinar e arregaçar as mangas como sempre fizeste e luta por aquilo que desejas!
11. Reduzir drasticamente a visualização de notícias diárias, seja na televisão, nos jornais online ou em papel. O mote é: mais ignorante, mas infinitamente mais feliz!
12. aproveitar as praias a 5 minutos para organizar ideias com mais frequência.


Ah, e não te esqueças:
- pagar IUC's, IMI's, IRS e demais pagamentos ao Estado apenas e só no no último dia disponível! Paga como sempre pagaste, mas sempre no último dia!

30 de dezembro de 2012

Porque em 2012 nem tudo foi mau...

Apesar de ter sido aquilo a que chamo o "ano de seca" ou "o ano da travessia no deserto", porque os dias sucederam-se numa cadência vulgar, repetitiva e sem grandes mudanças, é claro que nem tudo foi mau ou menos bom! Houve é claro momentos de felicidade, de paz e de serenidade.
Mas o sentimento geral não foi dos melhores...
Foi um ano que senti ser de marasmo, estagnação, de marcar passo, sem nunca retroceder ou avançar. Senti-me amarrada e amordaçada por correntes e cordas invisíveis, mas que me impediram totalmente de progredir ou de avançar em qualquer direcção!
Foi um ano em que tive a sensação de vazio sempre presente e de falta de realização pessoal e profissional.
Foi um ano em que me senti embrutecer lentamente, de dia para dia, e senti-me impotente para contrariar essa maré, apesar de estar plenamente consciente dela.
Foi um ano de introspecção e isolamento, umas vezes auto-imposto, outras vezes forçado, pela indiferença e falta de atenção dos demais ao essencial, o que acabava forçosamente por me atirar para mais auto-isolamento, numa espécie de círculo vicioso.
Foi um ano de luta feroz entre eu e mim mesma e isso teve os seus efeitos benéficos, nomeadamente o de finalmente conseguir encerrar o luto pelo meu pai. Mas o facto de me digladiar diariamente comigo mesma teve efeitos perniciosos na minha pessoa habitualmente bem disposta  socialmente predisposta e optimista.
Foi um ano em que me tornei mais caseira, mais comedida nos gastos e inclusivamente comecei a poupar de forma consistente e persistente. Foi o ano em que apesar de não ser funcionária pública, senti na pele todos os cortes impostos à classe, e fui-me encolhendo sobre mim mesma do ponto de vista financeiro e fiscal, agradecendo apenas a dádiva de ter emprego e ordenado pago a tempo e horas, sem excepção!
Foi o ano em que aprendi artes manuais, com especial ênfase no tricot, e completei projectos com as minhas mãos que não sonhara que seria capaz de fazer um dia. Escusado será dizer que foi nestas artes que encontrei boa parte dos momentos de paz e serenidade.
Foi um ano em que vi o meu filho crescer a olhos vistos, num ritmo muito mais rápido do que aquele que foi caracterizando os meus dias e foi com espanto que o vi abotoar o seu primeiro botão, no pijama, e desligar o computador carregando em todos os botões correctos e mexer-se no youtube com mais perspicácia e sabedoria do que eu própria. Os melhores momentos foram certamente aqueles em que ele correu para mim, com o seu mais feliz e me disse espontaneamente "gosto de ti, mamã!".
Foi o ano em que a minha família se alargou e demos as boas vindas ao bebé R. e vi a minha prima M. tornar-se mãe, como sempre sonhara!
Foi o ano em que fiz uma semana de férias a 3 na minha adorada Arrifana e aí sim, obtive um dos maiores momentos de alegria, serenidade e boa vida!
Foi o ano em que me atulhei de comida para dar de "beber à dor" que sentia algures dentro da minha alma, e por fim, descobri que tinha uma compulsão com a comida e que era altura de simplesmente parar de me agredir! No dia em que alguém me fez duas perguntas bastante simples: "porque é que continua a boicotar-se?" e "porque é que se levanta da cama todos os dias?"
Foi o ano em que li Záfon, John Green, Chris Cleeve e mais uma série de livros e reconciliei-me com a leitura! Graças à blogsfera, ao facebook e ao Goodreads!
Foi o ano em que a amizade virtual passou para o real e com isso reforçou-se! Mais uma cortesia da blogosfera!
Foi o ano em que plantei tomates e pimentos e nenhum deu frutos, mas colhi espinafres suficientes para uma sopa e alface suficiente para uma salada!
Foi o ano em que percebi que mais depressa se adquire um mau hábito do que se consegue enraizar um bom hábito, e em que lutei ferozmente para contrariar essa tendência!

Foi um ano em que muito sucedeu, mas que sinto que não fui muito longe, vá-se lá saber porquê...

29 de dezembro de 2012

O Ano Novo das Expectativas zero

Se em 2012 entrei com alguma dose de optimismo e esperança, talvez alimentados pela fé que sempre depositei em anos bissextos, em 2013 entro com expectativas quase nulas.
Não me sinto particularmente esperançada ou imbuída dum qualquer grão de optimismo...
Sinto-me um tanto apática e pardacenta perante um ano que julgo que vai ser pouco ou nada diferente do ano de 2012.
De uma certa forma, sinto que o sair de 2012 vai ser quase igual ao entrar em 2013. Tudo vai permanecer num certo estado de imobilismo e marasmo, num repetir sucessivo de dias, assim como foi para mim o 2012...
Talvez esteja a ser um tanto fatalista e na hora H, ou na hora da entrada em 2013 me sinta de forma diferente, um tanto mais esperançada e feliz, mas o sentimento que me domina é este: o de indiferença e ausência de expectativas.
Se em outros anos, perdia o meu tempo a elaborar a lista de 12 desejos para o novo ano, este ano não sinto qualquer vontade de perder tempo com isso, talvez porque há uns dias atrás passei os olhos de relance pela lista de desejos de 2012 e confirmei aquilo que já suspeitava, que em 12 desejos terei visto concretizar-se apenas 1 ou 2, vá 3 no máximo... talvez porque esses desejos não dependam apenas da minha vontade e empenho, mas precisam de esforços conjuntos, que não fui capaz de reunir e conquistar.
Como tal, creio que em 2013 vou ser uma preguiçosa monumental e transferir os desejos de 2012 para o ano novo, numa espécie de "passagem administrativa"!

Talvez ter expectativas zero até seja bom, na actual conjuntura. Já que todos profeciam dias difíceis e carregados de ainda mais sacrifícios. Talvez seja bom ter expectativas de base zero, para assim poder sentir-me feliz por tudo o que vier por acrescento. Às vezes somos mais felizes com coisas mais pequenas, do que com grandes feitos conseguidos...

No entanto, espero que todos estejam bem mais optimistas que eu, e façam favor de ser felizes neste novo ano que aí vem!

25 de dezembro de 2012

Parabéns Falipe

Há quatro anos recebi a melhor prenda de Natal: o meu filho!
Recebi um tesouro maior de um ser que amo com todas as minhas forças!
Recebi uma nova faceta de mim mesma, a de mãe. E estava longe de imaginar que esta nova eu ia trazer tanta alegria e felicidade sem precedentes, mesmo que com cansaço e privação de sono à mistura.
Hoje, como há quatro anos, fico embevecida a olhar para ti filho, espantada perante a tua perfeição e tão grata por teres entrado na minha vida.
Hoje como há quatro anos, não resisto a abraçar-te e a cobrir-te de beijos.
Só que hoje quando o faço, tu retribuis e ainda dizes "gosto de ti, mãe!" com a espontaneidade própria de seres criança!
Amo-te filho!

23 de dezembro de 2012

Epifanias do luto #2

"Eu acho que finalmente entendi o vazio que quis tapar!
Foi o vazio da tua morte, pai, e do luto mal feito que mantive de há três anos para cá. 
Porque fiz um luto superficial! 
Porque fiz um luto em piloto automático, gravei-o no pensamento como uma cassete que punha a rolar sempre que o assunto «morte do pai» vinha à baila. 
Porque é que digo que o luto por ti foi mal feito, pai? Porque o luto é toda uma forma de aceitação e de estar em paz com essa realidade que foi perder-te. É aceitar que as mágoas entre nós estão lá atrás e que as devo simplesmente «largar». Mas aceitando que tenho saudades tuas, porque depois da aceitação é isso que fica, é isso que permanece! É a saudade...
Mas muito mais a lembrança de ti, de tantos momentos passados, bons e maus. 
E perceber que todas as culpas que carrego comigo foram apenas culpas que congeminei em pensamento e depositei como pedregulhos no meu coração e grilhões nos meus tornozelos e pulsos, e que me têm atalhado a progressão. Porque eu ando para a frente, mas a passos muito lentos! Ou então tenho andado em círculos à procura de algo que está fora dessa circunferência...
(...)

Por isso, creio que hoje compreendi que finalmente comecei a encerrar o processo de luto, que foi algo atribulado, porque finalmente aceitei que tu partiste e que já não importa se podia ter feito mais para te prolongar a vida e principalmente para te minimizar a solidão em que vivias!
Finalmente aceitei sem culpas que o que está feito, feito está e senti-me em paz com isso. 
Não posso negar que chorarei na mesma quando a saudade de ti se crava no meu coração com mais força, mas torna-se mais fácil recordar-te e sorrir, porque o aperto no meu peito se desvaneceu..."

Escritos, 29Nov2012

22 de dezembro de 2012

Epifanias do luto #1

"A dor permanece escondida no mais recôndito espaço da minha memória. 
A tristeza e a dor foram enviadas para o mais fundo do subconsciente.
Na devida altura em que os meus olhos deviam ter desaguado os rios do meu sofrimento, não houve tempo, não houve hipótese...
Compromissos e reuniões fúteis, pura perda de tempo, com homens arrogantes e cheios de certezas, exigiam de mim a presença de espírito e a clareza de raciocínio próprios de alguém que não a Naná recém órfã...exigiam um estar que eu não era capaz de cumprir, mas cumpri mesmo perante a insensibilidade destes homens que nunca perderam nada na vida ou nunca souberam o que era perda. Já eu, com tão pouca idade, conhecia a perda de um progenitor bem demais... 
Estes homens arrogantes que ainda ousaram escarnecer da minha tristeza e usá-la como razões para me atacarem no desempenho profissional. Mas eu permaneci de cabeça erguida, não sei ainda bem à custa de que forças e em nome do quê ou de quem... mas escolhi não dar parte fraca diante de homens ignorantes do que é a morte... já que eu, por esta altura já quase a tratava por tu! 
Homens ignorantes e altivos que sucumbiriam facilmente à enorme e profunda tristeza de perder alguém que nos deu vida. 
Passei a viver maquinalmente, como forma de me manter à altura daquilo que me era exigido!
 
Quando eu precisava chorar convulsivamente até ficar sem fôlego e o ar me faltar porque os soluços me impediam de fazer esse simples exercício de inspirar e expirar, tive que engolir tudo... porque chorar tornou-se supérfluo diante das necessidades maiores do meu pequeno filho. Não porque ele não me deixasse, mas apenas e tão só porque não quis que ele visse e sentisse as minhas lágrimas... Decerto deve ter sentido a minha tristeza, porque eu sentia a sua agitação, diferente do habitual.
 
Carpir foi sempre sendo adiado, em nome de valores mais urgentes e prementes. A dor foi mitigada a martelo e coberta em esquecimento. Nas raras ocasiões em que as lágrimas ganharam a batalha, era sempre de fugida e às escondidas...de algum modo os demais esperavam que eu mostrasse o meu lado mais forte, que fosse a "força da natureza" que sempre se apresentou diante deles. O "furacão" como alguns me apelidavam carinhosamente...
Mas tudo o que mais desejava era entregar-me à dor, deixar que ela me abraçasse e que a lágrimas me brotassem dos olhos até eles ficarem doridos e eu adormecer de cansaço e exaustão... esse fadiga incomportável que eu sentia mesmo sem chorar, todos os dias!
 
Recalquei para o fundo de mim tudo o que me trazia tristeza. Continuei em vão a comportar-me como se ainda cá estivesses... cheguei mesmo a pegar no telefone para te ligar como fazia dia sim dia não, mas depois aquela parte do cérebro dizia apenas que já não podia, sem invocar o motivo...
 
Depois esperei meses antes que fosse capaz de dar destino aos teus pertences, uma tarefa que fui adiando pela dificuldade que eu própria lhe cunhei. As forças faltavam-me e o meu coração estremecia sempre que isso me perpassava o pensamento. Comecei timidamente, mas tive que parar, porque o efeito foi devastador... deitei no contentor coisas tuas à bruta, com uma violência similar a um rasgar de carne, como que para me ferir propositadamente, uma penitência auto imposta... um castigo a mim mesma, por não te ter chorado com o respeito e o amor que se impunha e que tu merecias...
Aquele pedido de desculpas que te fiz duas semanas antes, por todos os diferendos que tivémos, todas as batalhas de incompreensão mútua que travámos... ainda hoje não sei se o leve aceno que fizeste foi um movimento involuntário ou se o fizeste por estares consciente mesmo debaixo do coma profundo... e com isso quisesses apaziguar a minha tristeza por já não ouvir a tua voz e assim convocasses as tréguas que sempre precisámos e que se tinham ido sedimentando ao longos dos teus últimos tempos de vida.
Bloqueei na minha mente a tua imagem jazente de fato vestido, ladeado pelo lençol de cetim da urna. Essa imagem ficou gravada mas dormente até à noite em que do nada emergiu, quando via um episódio da Anatomia de Grey. Já não mais pude negar tal acontecimento. Não pude desta vez manter a impávia como no momento em que aconteceu...
Dei vazão à dor e aquela tua imagem, gélido e pálido, caminha comigo desde então no pensamento, a memória vívida, como se do próprio momento se tratasse!
Das tuas posses e pertences desfiz-me mais ou menos, mais de dezoito meses passados do teu desaparecimento, por imposição de obras que encetei naquela casa que ainda hoje digo que é tua, apesar de estar no meu nome, como diz a tua irmã mais velha e bem. 
Foi forçado o declutter dos teus bens materiais, mas eu continuava e ainda continuo agarrada aos bens emocionais que me deste, que preciso ir exorcizando lentamente, porque tudo o resto foi feito à velocidade de um comboio de alta velocidade, que de mim não se compadeceu... ao contrário do que aconteceu com a mãe, não deixei que a tua morte me definisse... ou pelo menos quis crer que não! Estava enganada, redondamente... todas as perdas marcam a alma, como um ferro quente, que me deixa em carne viva...
No entanto, é assim que começo lentamente a iniciar um luto que deveria ter iniciado antes mesmo de teres partido, porque o desfecho já se conhecia... começo demasiado tarde, mas finalmente começo. Meu querido pai, meu herói na infância, homem a quem admirei qualidades, a quem sempre senti o amor e carinho e mais tarde, o orgulho, apesar de sempre ensombrado por críticas, umas abertas, outras mais encapotadas. A quem dei a alegria de um neto, que tristemente não pudeste acompanhar mais tempo, como sempre quiseste e como sempre desejei!
Apesar de todos os diferendos que tivemos, não poderei nunca negar o quanto te amei e ainda te amo. Por eu te amar tanto, o teu neto hoje sabe que teve um "vô Bél", mas ainda não sabe como traz encerrado na sua genética traços teus, que só quem te conheceu consegue identificar!
Este é um primeiro adeus, pai. Não a ti, mas à dor e à tristeza de te ter perdido e à incerteza que carreguei sobre se poderia ter feito mais por ti, para evitar as consequências do tumor que te vitimou, silencioso.
Decido hoje que não posso mais carregar essa incerteza, porque o que foi já o foi e nada mais se pode fazer para o desfazer!
Decido hoje, como decidi há 13 ou 14 anos, depois da morte da mãe, que as coisas acontecem de uma determinada maneira, porque era necessário que assim fosse... e não mais posso chorar sobre um leite derramado, em que não tenho poder para alterar seja o que for!
Hoje decido preservar a tua memória, a melhor dela! A do homem e pai que eu sempre admirei!
Amo-te muito papá"
 
Escritos, 24Abril2012

21 de dezembro de 2012

Fui selada de novo


Desta feita foi a Jardim de Algodão Doce que me presenteou, a quem muito agradeço. E já agora deixa-me dizer que adoro o seu blog e que passo sempre por lá! 

Vamos lá então ao desafio!
Quem é que mais admiras e porquê?
Admiro o meu avô Manuel de Oliveira, que era analfabeto mas foi a pessoa mais sábia que tive o prazer de conhecer. Admiro a minha mãe, pelo amor e carinho que sempre me deu, pela sua calma, enorme paciência e sensatez e por todos os ensinamentos que me deixou! Admiro o meu pai pelo homem honesto e trabalhador que sempre foi!

E admiro a minha tia-madrinha Albertina, essa senhora que aos 80 anos continua a ser um portento de força e praticalidade, a quem espero um dia igualar!


Porque decidiste criar um blogue? Sentes que mudaste desde então?

Quando criei o blog não sabia muito bem o que queria fazer com ele... por isso, logo depois "suspendi-o". Voltei a ele novamente em 2009, no período da maternidade e encarei-o como uma forma de estar um pouco ligada ao "mundo" e fiz dele um espaço de registo de coisas do quotidiano, de devaneios, embirrações politicas cá das minhas, fotos e afins, sem grande rigidez em termos de formato ou conteúdos. O facto de ter recuperado o blog nesta altura foi de extrema importância para mim, ajudou-me a dar vazão a pensamentos e sentimentos e não me afundar na espiral absorvente da maternidade.
Sinto que mudei bastante desde então, e que hoje sou bastante mais rica, pelas pessoas que fui conhecendo, virtualmente e algumas delas, depois pessoalmente e que hoje fazem parte da minha vida de forma incontornável. Sem o blog nunca teríamos cruzado os nossos caminhos e eu não seria uma pessoa tão rica! O que ganhei em amizades, em saberes, em cultura, em partilha através do blog não tem preço!
De uma certa forma, o blog é registo do quanto cresci como pessoa, como mulher, como filha e como mãe, em especial desde 2009. Eu cresci e o blog foi crescendo comigo!



Por fim, tenho de passar este selo a outros blogs:

Só por Amor
Ser Mãe é Tramado

Banda Sonora de Natal

Pode parecer uma escolha estranha, mas desde que no Natal passado, esta música vinha no CD de Natal da Leopoldina (a pobre galinha que foi despedida para dar a vaga à hipopótama vamp), que chegada esta altura, esta é a música que melhor me assenta para uns dias que são um misto de Natal e de Aniversário!

E digo-vos mais, não me importava de ir a caminho de Viseu... há lá duas amigas e um menino irreverente que eu gostava de rever!

Juro!

Que se ouço mais alguém comentar que "ah e tal então não era o fim do mundo?!."  sou capaz de cometer um delito de agressão física!

É que quando começo a sentir aquele tremelique na ponta das pestanas, é coisa para descambar...

20 de dezembro de 2012

Palavras de outros que ressoam tanto em mim



19 de dezembro de 2012

A culpa é das estrelas

tirado da net

Eu ainda não tinha lido nenhum livro/romance que abordasse a temática do cancro...

Por uma questão de auto-protecção, por ser "muito próximo de casa", por ser uma realidade que vivi em primeira mão como espectadora impotente, receei sempre que fosse ficar aquém das minhas "expectativas"... não sei bem explicar porque sempre evitei ler livros em que o assunto "cancro" fosse abordado. Uma atitude um tanto petulante e redutora da minha parte, eu sei...

Quando a Ana C., que dá sempre boas dicas de leitura, o sugeriu, nem pensei por um momento, ainda para mais com este título, que a história envolvesse personagens com cancro.

Não dá para descrever o que senti ao ler este livro, apenas que está escrito de uma forma sublime!
Encerra toda a dignidade que se impõe quando se escrevem histórias de personagens com cancro! Realista sem ser exagerado ou trágico ou lamechas, a história está construída lindamente!

"Provavelmente, eu nunca mais iria ver o oceano a mais de nove mil metros de altitude, tão alto que não se conseguem distinguir as ondas nem os barcos, de modo que o oceano é um monólito enorme e interminável. Podia imaginá-lo. Podia recordá-lo. Mas não podia tornar a vê-lo, e ocorreu-me que a voraz ambição dos humanos nunca é saciada pela concretização dos sonhos, porque existe sempre a ideia de que tudo pode ser feito de novo e melhor."


"Somos como uma matilha de cães a esguichar sobre bocas de incêndio. Envenenamos a água do solo com o nosso mijo tóxico, marcando tudo como MEU numa tentativa ridícula de sobreviver às nossas mortes. Eu não consigo parar de mijar em bocas de incêndio. Sei que é tonto e escusado – epicamente escusado, no meu estado actual-, mas sou um animal como qualquer outro."


"Grande parte da minha vida tinha sido dedicada a tentar não chorar à frente das pessoas que me amavam, portanto sabia o que o Augustus estava a fazer. Cerramos os dentes. Olhamos para cima. Dizemos a nós próprios que, se nos virem a chorar, vão ficar magoados, e nós não seremos mais do que Uma Tristeza na vida deles, e não podemos tornar-nos uma mera tristeza, por isso não iremos chorar, e dizemos tudo isto a nós mesmos, enquanto olhamos paea o teto, e depois engolimos em seco, apesar da nossa garganta não se querer fechar, e olhamos para a pessoa que nos ama e sorrimos."

18 de dezembro de 2012

O mundo a acabar...

Detesto fatalismos e não acredito em profecias do fim do mundo.

Para mim, o mundo acaba todos os dias mais um bocadinho... esgota-se e desgasta-se mais um pouco. Assim como todos nós...

O mundo acaba todos os dias em que o governo sírio bombardeia quarteirões inteiros, ou os egípcios se matam nas ruas em reivindicações que nós ocidentais não conseguimos compreender, quando os israelitas e palestinianos se tentam liquidar mutuamente, e o Canadá abandona a Convenção de Quioto, e um maluco suicida decide matar a mãezinha e no processo dizima mais 26 pessoas inocentes, cujo único erro foi viverem num país onde a lei das armas é rainha... ou sempre que o primeiro ministro e o ministro das finanças portuguesas seguem dizendo barbaridades umas atrás das outras, atentando contra toda e qualquer dignidade dos contribuintes... todos os dias o mundo acaba um pouco para alguém!

Todos os dias o mundo desaba em cima do coração de alguém, arrasando tudo à passagem, sempre que alguém perde a sua cara metade, o seu pai ou a sua mãe ou um filho, ou um irmão, de sangue ou de coração.

Por isso, não temo o dia 21, nem o 12-12-12 e creio que vamos seguir vivendo nesta morte lenta, tão fundamental ao ser humano. O mundo no dia 22 de Dezembro será um tanto igual ao dia 21, porque todos nós vamos seguir vivendo.
E até pode ser que os astros se alinhem, e a galáxia se regenere ou se reinvente e se inicie um novo ciclo...
A vida é renovada a cada dia, a cada hora, a cada minuto que nós decidimos continuar a apreciá-la!

A vingança...

É um prato que se serve frio...


http://www.publico.pt/economia/noticia/sindicatos-alemaes-propoem-plano-marshall-para-combater-a-crise-na-europa-1577824

Parabéns Arco Íris

Por um ano de blog!


17 de dezembro de 2012

Trim trim trim...

Atenção pessoas que estão numa fila a ser atendidas, seja nos CTT ou no supermercado. Se o vosso telemóvel tocar façam uma de duas coisas:
A) ignorem que o dito cujo está a tocar
Ou
B) atendam só para despachar a pessoa, com um "já te ligo" ou "liga-me daqui a 10 minutos"!

É que há mais gente atrás de vós na fila...

Muito agradecida!

Cuidado para não escorregar com tanta baba...

Eu sei que sou suspeita por ser mãe, mas acho que o Falipe é um verdadeiro "borrachinho".

Ontem foi mesmo muito bom ouvir vários amigos e familiares que não encontrava há alguns (valentes) meses dizerem-me que o meu filho, quanto mais crescido mais bonito está a ficar!

É claro que a beleza não é tudo, e a personalidade é muito mais importante, mas fico babada sim, por ter um filho jeitoso!

14 de dezembro de 2012

Sinais de envelhecimento da população

Quando descubro que o primeiro infantário que o meu filho frequentou, foi reconvertido em lar de idosos.

13 de dezembro de 2012

Falipices #28 - À descoberta dos números

O grande vício do Falipe são as letras!

Mas também gosta de números. 
Apesar de saltar do doze para o catorze e também desconsiderar o 16, e jurar a pés juntos que depois do dezanove não é o vinte, mas o dezadez!

Ontem uma colega da escola fez anos e os pais dela acharam por bem (e com o meu total aplauso!), oferecer uma lembrança que não consiste num saco carregado de rebuçados e gomas e doces de toda a espécie. Essa lembrança consistiu num livro de exercícios muitos simples de matemática para quem está a começar a aprender os números, da colecção Sabichão.

Pensei que ele não fosse ligar muito ao caderninho, mas enquanto eu fazia postais de Natal, ele pôs-se a desfolhar e a ir vendo os bonecos dos vários exercícios.
Qual não foi o meu espanto quando, sem ninguém lhe explicar no que consistia o exercício, ele começou a resolvê-lo. É certo que consistia em fazer uma bola à volta do número que correspondia aos bonecos que estavam dentro do quadrado. 
E não comecem já a acusar de achar que o meu filho é algum prodígio com rasgos de génio... além disso, aposto que ele deve fazer este tipo de exercícios na escola. Mas pronto, eu sou uma mãe babada e fiquei cheia de orgulho!



12 de dezembro de 2012

Assim é o amor!

Às vezes andamos com o "candeio às avessas", mas o que importa é a cumplicidade e o companheirismo!

7 de dezembro de 2012

Regressar à terra

Desde que esta crise toda começou, parece ter havido um certo revivalismo da agricultura e de artes dos "mais antigos" que tinham caído em desuso, em favor das profissões liberais, mais exigentes do ponto de vista mental.

Eu que cresci no seio duma família humilde, cuja vida foi dedicada à agricultura, à terra, ao pastoreio de bovinos e ovinos, sempre achei que possivelmente aquela vida não seria para mim. Apesar de adorar fazer equilíbrio entre os regos das batatas brancas, sentir o cheiro da rama da melancia, adorar ver as azeitonas a caírem como chuva, ao serem varejadas na altura da apanha, ou poder comer as uvas acabadas de vindimar e as maçãs rosadas com polpa vidrada, sempre achei que nunca me dedicaria à terra.

Apesar de sempre me recordar de em tenra idade (6 anos creio eu!) ter tomado a decisão inequívoca de nunca alienar as terras que o meu avô Manuel conquistou a pulso, pelo seu esforço físico e pela sua argúcia em negociar uma terra menos produtiva por outra maior e mais fértil, ainda hoje fico perdida a olhar para as terras que o meu avô e depois a minha mãe me deixaram.

Um certo desejo de um dia cultivar as terras dos meus antepassados ressurgiu após a morte da minha mãe e quando um dia percebi que o sonho de velhice do meu pai era voltar a tratar as terras, fazer recuar o silvado, limpar o matagal que foi conquistando espaço.

Também ele faleceu e o silvado tem vindo a tomar conta dos terrenos outrora organizados geometricamente, a romanzeira deixou de se conseguir ver do alto e a macieira nem sei se existe ainda... o caminho para chegar à ribeira é agora um matagal quase inexpugnável, e os sobreiros aguardam ordens de descortiçar. A vinha há muito que morreu por falta de poda e as ameixeiras perderam-se... talvez ainda resistam os marmeleiros que orlavam o espaço da vinha...

Quando a crise começou, não me senti muito ameaçada ou receosa por uma razão pura e simples: se tudo o resto falhar, tenho sempre terrenos que poderei cultivar! E ainda hoje acredito nisso! Se um dia me vir atirada para o desemprego será esse o caminho que seguirei!

Mas por enquanto, ainda olho para a imensão de terra de que sou proprietária e sinto-me perdida sem saber o que fazer. Sinto-me avassalada pela nostalgia dos tempos de outrora e um pouco triste comigo mesma por não honrar a herança que me coube em sorte. Às vezes dou por mim a pensar: "o que fariam o teu avô ou o teu pai?"

Ainda hoje não encontro resposta a essa questão...
Talvez quem sabe, arrende os terrenos a quem a queira cultivar e não tenha terreno para o fazer...

6 de dezembro de 2012

Cloud Atlas

tirada da net

Muito existencialista.
Excelente trabalho de caracterização!
Um grande filme, em todos os sentidos! Até nas 3h que dura.

Eu já tinha saudades de ir ao cinema e ver um bom filme.

5 de dezembro de 2012

Vingança à portuguesa

Serei só eu que acho que o Little Casper e o PPC têm um qualquer desejo revangista para com o povo português?

É que quanto mais os ouço falar, mais sinto que é esse sentimento que os guia, como que uma vontade suprema de punirem o povo português da forma mais tortuosa, rápida e aviltante. Como se nos quisessem punir por algum crime que cometemos ao longo do caminho e que eu nem sei precisar ao certo qual é... e a única que me ocorrerá talvez seja o desejo de um povo de viver melhor, de usufruir de mais e melhor qualidade de vida.

Ontem vi o Little Casper de roda do presidente do Eurogrupo, Jean Claude Junker e a imagem que melhor posso usar para descrever aquele ar de subserviência cega de um servo a prestar vassalagem é tão simplesmente esta: mais parece um cão a cheirar no traseiro do dono! A abanar a sua cauda e a arfar de alegria por ver a deferência que o dono lhe possa dispensar!

Por seu lado, o PPC congratula-se a si mesmo por a UE ser tão vil connosco e não nos dar as mesmas condições preferenciais que deram à Grécia, o que me faz pensar que ele é aquele "bom aluno" que nutre um profundo sentimento de alegria pelo masoquismo de levar reguadas sempre que se porta bem!

E eu continuo a perguntar-me e a tentar entender que causas poderão estar na base deste sentimento de vingança tão feroz contra um povo, cuja boa parte, na qual não me incluo, os elegeu.
É que esta lógica de que mais vale amputar logo pernas e braços, para assim salvar o doente, a mim não me entra!

4 de dezembro de 2012

Das coisas estapafúrdias...


Então deve ser isso que eu andava a fazer mal, nos treinos!

Falipices #27 - Convicções linguísticas

Como em quase tudo, impera a teimosia e a convicção de que ele sabe melhor que ninguém, por isso:

A Branca de Neve tem sete "anoites"

O Orelhútil do Mickey Mouse é um "misténio"

A forma que tem três lados é um "tilango"

E ai de alguém que o venha tentar convencer do contrário...


3 de dezembro de 2012

Natal que é Natal

Tem que ter os meus habituais pastéis de batata doce, da receita da minha mãe.

A ver se este ano, tenho novamente a companhia da minha querida e boa amiga Toni.

Ah e não me venham cá com tretas de que isto são azevias, porque isso é uma modernice que arranjaram de há uns anos a esta parte e que só desvirtuaram uma tradição aljezurense... 
Na minha casa, isto sempre foram pastéis e não azevias!!