19 de dezembro de 2012

A culpa é das estrelas

tirado da net

Eu ainda não tinha lido nenhum livro/romance que abordasse a temática do cancro...

Por uma questão de auto-protecção, por ser "muito próximo de casa", por ser uma realidade que vivi em primeira mão como espectadora impotente, receei sempre que fosse ficar aquém das minhas "expectativas"... não sei bem explicar porque sempre evitei ler livros em que o assunto "cancro" fosse abordado. Uma atitude um tanto petulante e redutora da minha parte, eu sei...

Quando a Ana C., que dá sempre boas dicas de leitura, o sugeriu, nem pensei por um momento, ainda para mais com este título, que a história envolvesse personagens com cancro.

Não dá para descrever o que senti ao ler este livro, apenas que está escrito de uma forma sublime!
Encerra toda a dignidade que se impõe quando se escrevem histórias de personagens com cancro! Realista sem ser exagerado ou trágico ou lamechas, a história está construída lindamente!

"Provavelmente, eu nunca mais iria ver o oceano a mais de nove mil metros de altitude, tão alto que não se conseguem distinguir as ondas nem os barcos, de modo que o oceano é um monólito enorme e interminável. Podia imaginá-lo. Podia recordá-lo. Mas não podia tornar a vê-lo, e ocorreu-me que a voraz ambição dos humanos nunca é saciada pela concretização dos sonhos, porque existe sempre a ideia de que tudo pode ser feito de novo e melhor."


"Somos como uma matilha de cães a esguichar sobre bocas de incêndio. Envenenamos a água do solo com o nosso mijo tóxico, marcando tudo como MEU numa tentativa ridícula de sobreviver às nossas mortes. Eu não consigo parar de mijar em bocas de incêndio. Sei que é tonto e escusado – epicamente escusado, no meu estado actual-, mas sou um animal como qualquer outro."


"Grande parte da minha vida tinha sido dedicada a tentar não chorar à frente das pessoas que me amavam, portanto sabia o que o Augustus estava a fazer. Cerramos os dentes. Olhamos para cima. Dizemos a nós próprios que, se nos virem a chorar, vão ficar magoados, e nós não seremos mais do que Uma Tristeza na vida deles, e não podemos tornar-nos uma mera tristeza, por isso não iremos chorar, e dizemos tudo isto a nós mesmos, enquanto olhamos paea o teto, e depois engolimos em seco, apesar da nossa garganta não se querer fechar, e olhamos para a pessoa que nos ama e sorrimos."

9 comentários:

Ana C. disse...

Quanto a mim, o melhor livro que li em 2012. Escrito de forma singela, com mensagens do mais profundo que há.

Arco Iris disse...

Deve ser um livro bem interessante.
Por vezes queremos fugir da realidade, mas penso que mesmo sendo em livro é bom que tomemos consciência que o problema existe.
Beijinhos e obrigada pela partilha

Tanita disse...

Ás vezes mais vale enfrentar e encarar o touro pela frente. Ela existe e está aí. Mas só quem passa pelas situações, sabe o que realmente custa..

Melissinha disse...

É um livro sublime, soberbo, arrebatador. Não foi o meu melhor de 2012 porque houve as zafonadas, mas caramba, como este livro me tocou. Adorei. E acho que me curou um bocado, também.

Mammy disse...

Eu não posso ler essas coisas, molhava o livro todo de tanto chorar.
Já tenho cancro que chegue na vida real. Por muito bom que seja o livro, (e é o que parece, pelas passagens que citas) não teria força para o ler inteiro.
Talvez daqui a uns anos...
Beijinhos

Lacorrilha disse...

Eu só de ler o excerto fiquei com um nó na garganta. Mas este é o meu tipo de leitura preferida, por isso um dias destes aventuro-me.

Uba disse...

É do tipo de leitura que dispenso. Se já a vida em si me faz chorar, prefiro ler coisas mais... alegres. :)

Naná disse...

Ana C. também está na minha lista dos melhores!

Arco Iris, vale a pena!

Tanita, acho que estava a tentar proteger-me para não recordar certas coisas, mas o livro não é triste nem nada! pelo contrário

Melissinha, este está ali taco a taco com o Zafón (que tenho ainda que desenvolver mais).

Mammy, a sério, não tenhas receio de ler. este livro acaba por ser uma ode à vida!

Lacorrilha, vale bem a pena!

Uba, mas aí é que está, este livro é tudo menos triste!

Melissinha disse...

E quando o escritor apareceu no final? Ai, morri-me toda, o Hugo apanhou um cagaço.