30 de novembro de 2012

Acordar com um sorriso

Aquele momento em que o teu pai te deposita ainda meio adormecido na cama, ao meu lado, e tu fazes o movimento imediato de te chegares a mim, para te aconchegares no meu calor, como quem procura o exacto espaço onde se sente confortável, é algo de indescritível.

E eu fico com aquele sorriso pateta de mãe galinha com os filhotes debaixo da asa, e aqueço-me no calor que tu, qual bombinha aquecedora, emanas junto a mim. Eu observo o teu rosto e fico todos os dias novamente abismada perante ti, pensando em como eu e o teu pai concebemos o ser tão lindo e perfeito.

Os meus despertares habitualmente rabugentos foram substituídos por um sorriso rasgado de quem descobre a cada amanhecer um novo tesouro: o coração a transbordar de amor por ti!
Fazer ronha por dez minutos para estar assim ao teu lado faz valer tudo a pena!


Passados cinco minutos, tu despertas por completo e de repente parece que eu e o teu pai estamos metidos numa montanha russa ou num rodeo, a tentar vestir-te enquanto tu pulas e saltas e te mexes energicamente revirando tudo à tua passagem!

Bom dia, Caluxo!

29 de novembro de 2012

Eu, maximalista, me confesso!

Por oposição à onda minimalista que voga muito por aí, eu sou uma maximalista!
Para mim, menos não é mais... 
Mais é e sempre será mais!
Nada tenho contra quem assumiu e segue os conceitos do minimalismo, não os julgo, porque por mim cada um sabe de si e do que melhor funciona para si. Ainda bem que somos todos diferentes e que podemos escolher aquilo que queremos ser!

Mas analisando friamente este conceito, concluo que o maximalismo é que é a minha filosofia!

Sou maximalista nos inúmeros objectos que guardo religiosamente e que encerram momentos que gosto de recordar sempre que me apetecer! Porque os posso ver, cheirar, tocar, sentir! Porque me trazem à memória pessoas a quem já não posso abraçar, ou outras com quem gostaria de ter tido mais tempo para as conhecer.
Sou mais no amor e carinho que dedico àqueles que amo e aos que estimo e com quem tenho o privilégio de partilhar amizade.
Sou mais nos encontros e visitas que faço a quem gosto, porque o contacto com os outros é mesmo o sal da vida, é aquilo que nos traz riqueza sem precedentes, seja uma boa conversa, ou seja um debate aceso. 
Sou mais nos móveis que tenho em casa, poucos em número mas grandes em tamanho, porque me permitem guardar os tais objectos que sentimentalmente gosto de manter, sejam pedras que apanhei numa praia e que me recordam uma tarde bem passada, ou os álbuns repletos de fotografias que documentam tantos momentos de alegria e felicidade e outros assim-assim. Sou mais nos sofás e cadeiras e na mesa grande de jantar, porque posso reunir todos os meus amigos numa jantarada sempre recheada de boas gargalhadas!
Sou mais nas horas que gosto de passar a ler, porque é algo que me enche a alma.
Sou mais nos bolos de chocolate e nas comidas gostosas, porque comer e beber me dão prazer!
Sou mais no tempo que passo na internet, porque com isso aprendo tanto!
Sou mais na liberdade de cumprir ou não a minha agenda, porque ter a vida excessivamente organizada, até à ínfima partícula é coisa que me parece mais uma prisão auto-imposta.
Sou mais a dormir pela manhã adentro, porque à noite é que me sinto no auge das energias e é quando funciono melhor, sem com isso sem menos bem sucedida do que qualquer bom madrugador.
Sou menos nos nasceres do sol, mas sou tão mais nos pôr-do-sol!
Sou menos no sol da manhã, mas sou mais nas estrelas que brilham no céu e na lua cheia que enche a noite de luz!

28 de novembro de 2012

"A arte perdida de escrever cartas"


 Andava eu a seleccionar uma série de fotografias por causa de uma prenda de natal e fui encontrar esta foto que tirei na Praça dos Aliados, numa ida ao Porto. 
Quando a encontrei achei que seria perfeita para ilustrar um post no qual já andava a matutar havia que tempos, sobre as saudades que sinto de escrever cartas às pessoas, aos amigos, à família, como sempre tive o hábito de fazer. E também das saudades que sinto de receber cartas, nem que seja a dizer que as novidades não abundam e que a carta foi mesmo só para falar do tempo e dizer que está tudo bem. E de como estou farta de apenas receber cartas que encerram contas e facturas e recibos... o que fez com que deixasse de encarar a minha caixa do correio como um objecto que encerra no seu interior a emoção de contactos de pessoas de quem gosto.
Convém ressalvar que ultimamente tenho tido o privilégio de receber algumas encomendas e algumas missivas bem agradáveis, juntamente com pequenos presentes de pessoas a quem comecei a estimar recentemente!
No entanto, o facto permanece! Deixámos de escrever-nos uns aos outros, ou então mudámos o formato em que se revestem as nossas cartas. Agora é tudo por e-mail e por sms, e por mais que o efeito de saber notícias de quem gostamos seja semelhante, não poderá nunca estar à altura duma missiva, manuscrita, com a letra escrevinhada num papel. 
Ahhhhh e poderia dizer tanto sobre o papel de carta e a forma como a escrita a percorre e embeleza. Porque o papel por vezes encerra o perfume característico da casa de quem o enviou, ou até mesmo do perfume do emissário.
E o que poderia dizer do envelope e do acto de o abrir. A expectativa que se forma no nosso peito e na nossa mente, carregada de curiosidade do que vem no interior do envelope.
Eu sempre fui uma romântica incurável no que a cartas diz respeito. Tenho caixas onde as guardo, juntamente com postais. Há tempos, encontrei por acaso as cartas que a minha mãe me enviou quando esteve internada no IPOFG, e que foram talvez as únicas cartas no verdadeiro sentido a palavra (porque a minha mãe deixava-me bilhetinhos sempre que podia, com pequenas mensagens) e as últimas palavras manuscritas por ela, para mim. Falavam de coisas puramente triviais, do seu dia a dia, dos tratamentos, das pessoas que a rodeavam, médicos, enfermeiros e pacientes como ela. Havia em todas elas gravada a saudade que tinha de mim e do meu pai, por estarmos apartados e da sua ansiedade em poder ter alta para regressar a casa. E encontrei junto às cartas dela as minhas cartas para ela, nesse mesmo período. Em que eu falava da vida em casa, dos dias na escola e das notas dos testes do meu 11.º ano acabado de iniciar... Encontrei-as juntas porque as reuni há uns anos, num dia de arrumações.
Talvez por essa razão, os meus diários consistam em cartas que escrevo à minha mãe... porque sempre achei estúpido escrever algo dirigindo-me a uma entidade abstracta como "querido diário"... 
E talvez por gostar tanto de escrever cartas é que decidi escrevê-las ao meu filho logo desde que o tempo em que ele estava no meu ventre. 
É claro que esta minha ideia não tem nada de original, e faço-o com um propósito muito próprio, muito meu. Porque de alguma forma, as cartas são um ente adormecido, mas carregado de uma vida enorme, que se renova momentaneamente sempre que relemos uma carta. São o rastilho para descerrar memórias que estão no fundo do baú que é o nosso subconsciente e perdoem-me, mas eu sou uma saudosista até ao tutano!
As cartas são um objecto poderoso, que atravessa gerações e que toca pessoas de forma inegável!

Senão vejam:


Últimos encontros

Há umas semanas atrás reencontrei (encontrou-me ele) um amigo de infância, com quem brinquei tanto, especialmente nas semanas da Fatacil, porque as nossas mães eram colegas de trabalho e tinham que assegurar a banca da entidade patronal.

Há uns cinco ou seis anos atrás encontrei a mãe dele, que tinha por mim um carinho especial, particularmente depois da minha mãe ter adoecido. Num passeio de fim-de-semana, esbarrei na casa deles e vi-a no quintal. Estivémos um pouco à conversa e ela perguntou-me: "o teu pai ainda é vivo?"
Achei a pergunta estranha, porque o meu pai podia já ser um velhote mas ainda tinha só 69 anos...

Quando o J. me encontrou mandei-lhe uma mensagem a perguntar pela mãe dele e foi quando soube que estava mesmo muito doente, com um melanoma.

Não esperava de todo encontrá-la ontem durante a minha hora de almoço e apesar de estar em cima da hora, ficámos um bocado a conversar. 
Ela falou comigo com uma calma que sempre teve, mas que agora se juntava a um certo conformismo de quem sabe perfeitamente que os seus dias estão a chegar ao fim. 
Porque o melanoma se espalhou para os pulmões e para os ossos. 
Mas ela agradece o efeito que a radioterapia teve no tratamento dos ossos do pé, porque agora já pode sair da cama e andar relativamente bem e assim vir ver o mar, a conduzir a sua velha Renault 4L, como fez ontem.

E ela voltou a fazer-me a mesma pergunta: "o teu pai ainda é vivo?" e desta vez não achei a pergunta nada estranha, porque a resposta já não era a mesma... quando lhe disse que ele tinha tido um tumor no cérebro, ela disse-me que o seu desejo principal era que o cancro não se espalhasse para o cérebro, que era só o que pedia... sim, porque até ao momento derradeiro, a esperança existe sempre, mesmo que em pequenas doses! Porque há sempre algo que pode ser pior do que já temos...

Mostrei-lhe as fotos do meu filho com o orgulho de mãe babada que sou e naquele momento tive dificuldade em conseguir conter as lágrimas e a emoção de perceber que este será possivelmente o nosso último encontro. Porque o tratamento experimental que ela irá fazer, segundo ela não tem nada de curativo e é meramente paliativo.

E despedimo-nos ao fim de cinco minutos como quem se despede para uma vida inteira... e eu sempre odiei despedidas! Mas fiquei feliz por aquele inesperado encontro, por aqueles cinco minutos. E desejei não ter que ir trabalhar, porque assim convidava-a para irmos beber um chá a qualquer lado e conversarmos um pouco sobre a vida!

27 de novembro de 2012

Imagens que me fazem sorrir

Na hora de almoço, passar por um casal de estrangeiros, na casa dos 60, na paragem do autocarro, abraçados um ao outro, com ela aninhada ao pescoço dele, enquanto ele a protege do vento agrestemente frio!

Quis parar para registar aquele momento de "ohhh, tão fofos!", mas estava no meio do trânsito...

23 de novembro de 2012

Com tanta fome pelo mundo...

No mundo ocidental esbanjam-se assim 6 milhões de euros...


Pior que isto, só mesmo a Sala do Tesouro do Vaticano, onde há ouro, prata,  bronze e pedras preciosas que dariam para matar a fome ao mundo umas 50 vezes, mas depois a Igreja Católica ainda apela ao peditório em nome do bom samaritanismo...

22 de novembro de 2012

Número errado

Ontem recebi esta sms:

"Tu nunca me chateias. Tu não estás bem e, portanto, quero ajudar-te. Gosto muito de ti"

O remetente era desconhecido e o número de origem era internacional.
Fui ver de que país era o indicativo +32 e descobri que é o da Bélgica.

Eu (já) não conheço ninguém que viva na Bélgica...

Achei por bem enviar uma resposta (e gastar € numa sms internacional) a dizer que se tinha enganado no número, porque de certeza que esta mensagem deve ser importante para o remetente, se partirmos do pressuposto de que a pessoa não está bem e poderá precisar de ajuda e de alguém que goste mesmo dela...

Porque se fosse eu que nãoi estivesse bem e houvesse quem me quisesse ajudar, mesmo que apenas dizendo que gosta de mim, eu ia querer receber esta sms!

21 de novembro de 2012

O rectângulo das Bermudas

"Fausto olhava a linha do horizonte com expectativa, enquanto seguia ao leme da sua nau.
Há muito que tinha deixado de mudar de direcção no seu leme, porque pura e simplesmente tinha deixado de saber que caminho queria seguir, o bombordo e o estibordo pareciam-lhe a mesmíssima coisa.
Havia muito que a sua nau, a Elena, deslizava calmamente sobre as águas pacíficas empurrada por uma brisa suave, que lhe enfunava as velas.
Fausto decidira abdicar do esforço de pesquisar incessantemente as cartas marítimas, sem conseguir determinar o próximo destino. Esperava que aquela brisa suave encaminhasse sabiamente Elena e finalmente chegassem a um porto.
No fundo, Fausto não se sentia capaz de decidir o rumo que queria dar ao leme de Elena, mas era facto que havia já largos meses que navegavam sem avistar terra, sem encontrar tempestades ou turbulência marítima. A quietude do oceano era monótona, enfadonha e desprovida de entusiasmo... 
Se não fosse o seu sentido de orientação, Fausto poderia ser levado a pensar que estava a navegar em círculos sem nunca sair do mesmo quadrante marítimo.
Por isso, Fausto esperava placidamente que a brisa suave lhe sussurrasse ao ouvido o nome do próximo local onde deveriam aportar. 
No entanto, todos os dias sentia um misto de alívio por não ter ainda ouvido esse sussurro, e de uma angústia por continuar a vogar quase à deriva pelas águas oceânicas, dia após dia, sem rumo nem destino.
Fausto queria chegar depressa, mas hesitava simultaneamente em apressar o navegar de Elena, para chegar onde pudesse lançar âncora e partir à descoberta de uma nova terra."

20 de novembro de 2012

O Diário da Nossa Paixão

Há anos que ouço esta música, gravada no meu leitor de Mp3, pelo G., que como sempre me mostrou a boa música dos The National. 
Ontem finalmente vi o filme "The Notebook"... 
É bom acreditar que há amores assim, que nunca se apartam, independentemente das dificuldades e das voltas que a vida dá...
É bom poder acreditar que há quem ame até ao último dia, como o meu pai amou a minha mãe!

19 de novembro de 2012

Quando o céu se abate sobre nós...

Quando saí de casa na sexta-feira de manhã, tinha uma sensação de aperto estranha em mim. Como um estado subconsciente de alerta perante um perigo desconhecido e invisível.
Uma espécie de pressentimento, uma premonição... que desvalorizei, como faço habitualmente nestes dias de trovoada, em que os relâmpagos rasgam o céu, iluminando a escuridão das nuvens.
Desvalorizo sempre, porque repito para mim mesma que aquele pânico um tanto electrizante que me percorre o corpo desde o cocoruto às pontas dos dedos é apenas uma reminiscência daquele episódio de susto, aos 5 anos de idade, mas que nunca mais me abandonou... que me deixou sempre um sentimento de que a trovoada encerra em si uma forma de "doomsday" (é sempre esta palavrinha em inglês que me perpassa o espírito!), como se tudo fosse reduzido a nada à sua passagem.
Com o passar dos anos, aprendi a dominar este pânico e a ter uma certa capacidade de auto-controlo, também fomentada pelo G., que adora ver tempestades de relâmpagos (com a devida distância, é certo!).
Mas na sexta-feira, havia algo que me fazia permanecer num estado que eu chamo de "on edge" (mais uma vez é na língua inglesa que melhor encontro a expressão correcta para o sentimento), num estado de urgência e ao mesmo tempo de recusa perante a passagem do tempo (e também do clima!).
Ao sair de casa, pensei para comigo de que se ficasse em casa, pelo menos estaria segura, numa espécie de forte que resiste a todas as investidas, sejam elas quais forem.
Foi com relutância que deixei o meu filho no infantário, porque ele ficaria longe da minha asa de mãe galinha, na eventualidade de alguma desgraça... Senti o aperto no coração estreitar-se ainda mais, pois estávamos os 3 separados por distâncias nada significativas, mas que numa situação de catástrofe poderiam representar km e km apartados. Isto sou eu a projectar uma série de sentimentos sobre uma carrada de filmes visionados sobre todas as catástrofes naturais possíveis e imaginárias...
Quanto mais o céu se dissolvia num dilúvio crescente, mais o sentimento crescia. Só me vinham à memória aquelas recordações dos dias de trovoada passados na casa rústica do meu avô, no meio do campo, em que a luz era a primeira a ir embora e ficávamos num isolamento pesado, todos juntos, apenas preocupados com os estragos que a horta e o pomar iriam sofrer. Aquele sentimento de estarmos num reduto, na expectativa de que tudo terminasse...
À mistura, recordei a primeira tempestade de trovoada a que assisti quando trabalhei nas obras. Era num estaleiro de obras que ficava isolado num vale afundado entre duas colinas, e eu metida dentro dum contentor metálico. Recordei o quanto receei e supliquei em silêncio para que as ligações eléctricas estivessem feitas correctamente, e que o fio de terra estivesse no seu devido lugar. Sentimento que se agravou exponencialmente quando vimos o pobre Mamadu quase mudar de de cor de pele (negra para branca), ao passar junto a uma amendoeira, um relâmpago faiscou e rasgou uma pernada da árvore que quase o atingia, quando ele se tentava abrigar da chuva intensa.
No entanto, não há palavras que descrevam o sentimento que me assolou quando comecei a ver as notícias de que um tornado tinha entrado terra adentro, deixando um rasto de destruição à sua passagem, não muito longe de minha casa.
Ter a exacta noção de que ele passara a não mais do que 1km para leste de onde resido, do meu lar, do meu refúgio, e perceber que se acaso não fosse assim, o telhado de minha casa teria sido arrancado em questão de segundos, deitou por terra as minhas convicções de que em casa estaríamos seguros! E é avassalador perceber que contra a natureza nada se pode fazer, a impotência é enorme!
Ver os estragos nas casas e nas zonas públicas, famílias que ficaram sem carros, porque são agora um emaranhado metálico sem conserto, que mobílias e janelas voaram num turbilhão enorme, atingindo tudo à sua passagem, fazendo feridos pelo caminho, deixando pessoas à mercê das rajadas furiosas de vento foi um choque!
Aquele misto de sensação de alívio por ter sido sortuda e a tristeza perante os estragos provocados nos demais!
Por fim, compreendi aquela sensação de premonição.
E a urgência acelerou, porque apenas queria poder abraçar os meus e refugiar-me no conforto do meu forte, que permaneceu intacto.
Além disto, ficou a certeza de que em dias de trovoada, nunca mais olharemos para o céu da mesma forma...

16 de novembro de 2012

Lista de Pedidos

Eu desejava que não estivesse uma tremenda trovoada, que faz as paredes estremecer e mirrar o meu coração e reduzir a minha coragem e espírito destemido à infima particula do medo inexplicável, adquirido aos 5 anos numa tarde meio acinzentada, no terreno de charneca propriedade do meu avô, que apanhava batatas brancas, numa distracção infantil que envolvia colares de flores "rabos de coelho"... 
Eu desejava não estar longe do meu filho, pois julgo-o amendrontado com tanto trovão a ribombar... se bem que às tantas ele deve estar descontraído no meio do granel que costuma ser a sala de actividades onde ele costuma brincar e que me põe os nervos em franja...
Eu desejava ter acordado bem disposta, de cara alegre e cheia de esperança numa sexta-feira que abre as hostilidades ao fim de semana passado no conforto do meu lar.
Eu desejava não ler barbaridades sobre o estado da nação e juízos de valor espalhados como pedras de calçada atirados às opiniões alheias apenas por diferirem dos demais, em nome da liberdade de expressão, manifestação, associação e outras tantas coisas terminadas em ão, que uns reclamam apenas quando lhes convém...
Eu desejava passar este dia em fast-forward e ir já para o momento em que pego nas agulhas e nas lãs e assim consigo apagar um pouco o ruído do mundo.
Eu desejava que o dia avançasse em fast-fast-forward para aquele momento de inocência infantil em que conto ao meu filho, aninhado no meu colo, uma qualquer história do Pedro pela quadragésima oitava vez e ver os seus olhinhos irem cerrando lentamente, cedendo ao sono e ao cansaço de quem esteve o dia inteiro a brincar, longe de mim...
Eu desejava ter um botão que me permite desligar a neurose com que despertei, nem tanto causada pelo tempo chuvoso, mas por qualquer razão inexplicável que me causa a mínima centelha de irritação com pequenas coisas às quais consigo ficar imune na maior parte dos dias...
No entanto, concretizo o meu desejo de ouvir esta música sem fim, para amainar a tempestuosidade interna do meu ser!

14 de novembro de 2012

Pequenas ilações

Sabes que estás toda encarquilhada nos músculos e articulações quando tentas fazer esta posição de Hatha Ioga e não consegues...
Ou melhor, consegues, mas com imensas dificuldades e imensas dores...

tirada daqui

13 de novembro de 2012

A idade dos porquês

Sabia que ia chegar o dia em que começaria a chamada fase dos "porquês". Quis convictamente acreditar que iria conseguir evitar até às últimas das minhas faculdades a resposta "porque sim"/"porque não".

Mas é difícil... muito difícil. 
Porque há coisas para as quais não consigo encontrar uma resposta lógica que lhe atamanque a curiosidade, por mais que tente...

Numa viagem de regresso a casa, depois da escola.
Falipe - Mamã, as luzes estão acesas p'quê?
Eu - Porque é noite e já está escuro e então ligaram as luzes para vermos melhor.
Falipe - p'quê?
Eu - porque as luzes fazem com que se consiga ver o caminho.
Falipe - as luzes estão apagadas, mamã. P'quê? (referindo-se às luzes que estão fundidas...)
Eu - aquelas luzes estão avariadas.
Falipe - P'quê?
Eu - Porque se fundiram e ninguém veio arranjar... (já a ficar sem saber o que mais dizer e tentando não lhe dar mais lenha...)
Falipe - P'quê?
Eu - Pois, a mãe não sabe...
Falipe - P'quê?
Eu - Porque a mãe não sabe tudo...

E a conversa ficou mais ou menos por aqui.
Esta foi uma simples conversa sobre iluminação pública... agora imaginem quando são perguntas metafísicas ou mais abstractas como por exemplo, porque é que SOL se escreve com um S, um O e um L (sim, porque ele já sabe que sol se escreve assim...) ou porque é que as estrelas estão no céu.
Às vezes, sou uma tremenda preguiçosa e tento evitar avançar mais na conversa ignorando um p'quê, a ver se a conversa acaba, mas ele volta a insistir, pensando que eu não o ouvi da primeira vez.

Creio que a conversa mais complicada, num sucessivo atirar de P'quês foi sobre o pai ir trabalhar... porque a todas as minhas respostas, ele retrucava com um novo p'quê, até ao ponto em que tive que terminar a conversa com um resignado "porque é mesmo assim..."


Porque nem todos andaram a comer bifes todos os dias...

Porque há quem lute por ter pão, leite e iogurtes para comer.
E dinheiro para a medicação.
E um casa onde não haja humidades que agravam problemas de saúde existentes...

Um testemunho sóbrio e humilde!

9 de novembro de 2012

Caridade, Solidariedade, Alarvidade e outras tantas coisas terminadas em dade

Coisas que me ocorreram quando ouvi as declarações de Isabel Jonet:

  • estar a empobrecer é bom? A sério?! Mais uma personalidade a achar que a situação actual é uma "oportunidade" excelente para nos "remodelarmos", "reformularmos", "reinventarmos" e "refundarmos"...
  • os filhos de IJ lavam os dentes com a água a correr? Então e não é ela a mãezinha que os educou?! Uma medida profundamente eco-friendly, sim senhora, de lavar os dentes com recurso a copo e ela não lhes ensinou isso?!
  • não podemos comer bifes todos os dias? Acaso a IJ não saiba, os bifes de frango são bem mais baratos ao kg do que muito peixinho para cozer ou fritar... e alimenta mais, porque como se sabe, peixe não puxa carroça...
  • ah o menino caiu na aula de ginástica e precisa dum RX, mas prefere ir a um concerto a ganir com dores, porque estoirou o dinheiro do exame radiológico para no bilhete. Quem cai e precisa de um RX, cá na minha humilde opinião, não se deve sentir propriamente apto a ir pular e saltar ao som da banda de eleição, mas isto sou eu que sou uma piegas que não suporta a dorzinha na ponta do dedo mindinho...
  • mas espera lá, a senhora tem 20 anos de voluntariado no curriculum vitae. Será que ela aprendeu alguma coisa durante estes anos todos... como por exemplo, a não depreciar quem quis viver uma vida melhor e de repente, se viu a braços com a doença, o divórcio ou o desemprego (os 3 D's da pobreza) e agora tem que depender de outros para se sustentar, ou os desgraçados que não nasceram ricos ou até mesmo remediados...
  • quem tiver mais de 45 anos e tiver o azar de cair no desemprego passa a ser um parasita da sociedade porque se tornou um inválido imprestável que não serve para trabalhar...

Que ela quisesse dar exemplos de pessoas com as prioridades trocadas, que as houve muitas ao longo destes anos, até percebo e teria concordado com ela.
Que ela tenha querido exemplificar com casos de pessoas que quiseram viver de aparências, que compraram uma casa enorme porque é maior do que a do vizinho, e que tenham comprado um Bê-éme-dabliú em vez dum Renôt, porque é sinal de status, seja lá o que isso significa, ou que tenham andado a viajar para aqui e para acoli, mesmo que para isso tivessem que comer sopinha e tostas durante um mês ou até mesmo contrair um empréstimo, ou que vão comer fora todos os dias porque não estão minimamente capacitados para cozinhar...
Até aí eu teria percebido.
Mas mesmo aí, teria reservas em concordar com ela, porque cada um sabe do que gosta e do que está disposto a fazer para as obter, sabendo depois aceitar as consequências se tudo correr mal...
Neste caso concreto a IJ foi profundamente infeliz no que disse e na forma como o disse.

Houve quem viesse defendê-la com unhas e dentes porque ela é que está certa e se há uma carrada de pobres, temos todos que nos reger pela mesma bitola e aceitar a pobreza como uma bênção divina...

No meu caso, o que me irritou mais foi mesmo o facto de sucessivamente virem a público "opiniões" destas. Pululam pela comunicação social e hoje em dia todos são comentadores empossados de uma suma sabedoria, mas raramente validada pela experiência em primeira mão do que muitos estão a passar.
A meu ver os portugueses, na sua generalidade, estão cansados de ser humilhados, pisados e apelidados de "desmiolados" que não souberam gerir os seus rendimentos ao longo dos anos.
No fundo, creio que estamos todos um bocado fartos de ser o ceguinho em quem toda a gente bate desde o quadrante político ao quadrante social.
Estamos cansados que nos digam que a culpa é nossa, porque nestas coisas a culpa morre sempre solteira e os bodes expiatórios continuam a ser os do costume.
Os portugueses estão cansados de ouvir dizer que foram "cigarras", quando não o foram, porque na realidade sempre foram formigas, e o pouco que amealharam está a ser comido pelas cigarras como a banca, os sucessivos governos ao longo das últimas décadas e todos os que sempre viveram de esmifrar as "formigas", porque pagar impostos "não é para mim", e "se me posso beneficiar e à minha família, porque não?!".
O que nós precisamos neste momento é de pessoas com soluções, que se pare de apontar o dedo sempre aos mesmos, e que que quem prevaricou seja mesmo punido.
Não precisamos de comentários e acusações que só servem para nos enterrar mais no buraco em que estamos. Porque nós melhor que ninguém sabemos que estamos todos metidos numa alhada. Já todos percebemos a mensagem ok?!
Por isso, parem lá com as acusações e com apontares de dedos e empreguem essa energia e toda essa suma sabedoria para fazer alguma coisa para mudar o sistema que temos e dar a volta a esta situação toda!
Não precisamos de pessoas para constatar o óbvio, que está mais batido, debatido, analisado e avaliado, mas sim de gente que tenha a garra para juntar esforços e todos juntos caminharmos para sair daqui de onde estamos.
Arranjar culpados é fácil, choramingar e vitimizar-se é fácil.
Arregaçar as mangas e fazer alguma de válido é que é difícil... e poucos o querem fazer! Porque é mais confortável esperar sentado a mandar postas de pescada e a esperar que o vizinho do lado tome coragem e do que pôr mãos à obra e alterar o actual estado de coisas.

E quanto ao não haver dinheiro e do "andarmos a viver acima das nossas possibilidades", vejam este vídeo e percebam que se calhar nós portugueses andamos a pagar para ter um Estado Social como deve ser, mas o saco está "roto"...

Muro de Berlim

Hoje assinala-se o aniversário da Queda do Muro de Berlim. Nunca mais esquecerei este dia, sei que me ficou gravado na memória o arrepio que senti quando vi as imagnes na velhinha Körting a preto e branco.
Senti verdadeiramente, do alto dos meus 11 anos, que estava a assistir a um momento histórico.
E estava longe sequer de imaginar que anos mais tarde iria dissecar este acontecimento na licenciatura em Relações Internacionais. Que mais tarde iria compreender bem melhor e na sua real dimensão o que verdadeiramente mudou com a queda daquele muro.
Este acontecimento é tão vivido e marcante na minha memória que eu ainda me recordo de ter escrito no meu diário neste dia o seguinte: "Hoje foi o dia em que caiu o Muro de Berlim e terminou a Guerra Fria."
Mal sabia eu que iria ser o redesenhar do mundo como o conhecíamos até então, de todos os pontos de vista: económico, financeiro, social, territorial...
Passados estes anos todos, as fronteiras físicas têm pouca força perante os fluxos económico-financeiros e não haverá muro nenhum que contenha esta crise e a impeça de continuar a alastrar a todos os países, de uma forma ou de outra. Estes são tempos históricos, que virão daqui por uns anos nos manuais de História, que leccionam nas escolas.

8 de novembro de 2012

Logo pela manhã

Nunca fui uma pessoa de manhãs, sou muito mais noctívaga.
Mas não há nada melhor numa manhã do que ir fazer ligação à terra, com os pés na areia ainda gelada da neblina matinal e da maresia.
Ontem, à procura dumas fotos para uma prenda de natal, "tropecei" nestas e recordei o quanto gostava deste exercício de ir para a praia e só lá encontrar as gaivotas!
Neste dia não fui sozinha, como era sempre o meu costume... o G. decidiu madrugar também, coisa rara nele, e no meu ventre levava o Falipe!
É incrível como apenas de olhar para estas fotos e ver o meu enorme sorriso, pude sentir a pele arrepiar-se perante a recordação de tantas boas sensações. 
Por isso gosto tanto de fotografia, porque regista momentos aos quais podemos sempre regressar e sentir o frisson daquele instante, no bom e no mau... (sim tenho fotos de momentos conturbados da minha vida e quando olho para elas, sei exactamente o porquê do semblante triste ou revoltado que perpassa do meu olhar!)
Hoje está um dia lindo e teria sido bem melhor começado, se começasse assim...





7 de novembro de 2012

6 de novembro de 2012

Eu sou a miúda

Que em dias como hoje gosta de andar na rua, ver montras, pessoas!
Ver a cidade cheia de movimento.
Se bem que por estes dias, andar no centro da minha cidade chega a ser deprimente, com a quantidade de lojas do comércio tradicional e que existiam há décadas e que fecharam, umas definitivamente, outras dando lugar a lojas de compra de ouro...
Mas anima-me este sol agradável e apetece-me dançar!
E quem sabe, beber uns cocktails?!...

5 de novembro de 2012

A fazer figas...

Para que os EUA não "espirrem"(*)...

Porque senão, e citando o meu profe preferido da faculdade, o JC, o resto do mundo vai-se "constipar"!

Tendo em conta que já estamos com uma bela duma gripe, a que chamamos carinhosamente de "crise" ou "austeridade" vá..., receio que se eles espirrarem, nós cá por terras do D. Afonso Henriques, vamos mas é apanhar uma valente pneumonia!


(*) - ai de nós se os americanos dos iú-ésse-of-A elegem o Mitt Romney!!

tirada da net

3 de novembro de 2012

Abraçar-te inteiro

Longe vai o tempo em que os meus braços te abraçavam por inteiro, e tu ocupavas timidamente o meu regaço. Hoje o teu pequeno corpo de menino sobra dos meus braços e tu já enlaças os teus braços em torno do meu pescoço. E eu sinto saudades dos tempos em que cabias no meu colo... e fico feliz ao mesmo tempo por ver o quanto estás crescido e que em breve terei dificuldade em carregar-te ao colo...
As garatujas e graçolas deram lugar a brincadeiras e invenções saídas directamente da tua imaginação, e tu vês ursinhos e lobos maus por todo o lado, e conversas longamente com os teus colegas da escola, mesmo que já tenhas saído de lá há umas boas horas.
Os gugu-dadás foram substituídos pela tua curiosidade pelas letras do alfabeto e pelos números, que recitas repetidamente sem te cansar. E por um sempre insistente "mããeeeeeeeeeee"!
Eu fico aquietada e silenciosa a observar-te e paira no meu pensamento a pergunta: "já passou assim tanto tempo?" e eu nesses momentos eu queria que o tempo passasse a um ritmo mais lento, porque eu gosto de te ver assim crescido, mas não sem um misto de emoções e saudade dos tempos em que eras meio metro de pessoa e fazias boquinhas lindas e punhas o punho cerrado na boca, e me sorrias involuntariamente, embora eu acreditasse que era propositado e espontâneo.
Não paro de me espantar com todas as tuas descobertas, com a tua candura e espontaneidade, com a tua personalidade extrovertida e obstinada, e a tua curiosidade imensa. A tua energia inesgotável é algo característico em ti e contrasta tanto com a tua calma dos primeiros meses, tão sossegadinho que eras.
Já não choras quando acordas, mas sim comunicas-me que "já dormi tudo" e que "está de sol, já não está de noite" para justificares que queres sair da cama, coisa que já fazes por ti próprio sem precisares dos meus braços para te tirar de lá.
Embalar-te para adormecer foi substituído pela leitura de duas histórias antes de ir para a cama. 
Já não mudo fraldas, porque tu já te desenrascas bem e fazes xixi de pé, como um homenzinho de palmo e meio.
Declinas ajuda para te vestir, mesmo quando lutas para enfiar o braço na manga da camisola. E eu fico espantada com a tua autonomia crescente. Mais uma vez digladio-me entre a alegria de ver que já sabes como vestir e a saudade de te enfiar roupinhas pequeninas. Por vezes até gostava de poder ser eu a comandar essa operação, especialmente quando teimosamente insistes em levar uns sapatos azuis com a roupa castanha...
Fico babada de orgulho quando te vejo usar o degrau para chegares aos iogurtes que estão no frigorífico  E relembro que aos seis meses ficavas stressado quando te apercebias que o iogurte estava a chegar ao fim, de tão comilão que eras.
Todos os dias dou-te tantos beijos que acabei por te transformar num autêntico beijoqueiro, meigo como só tu sabes ser!
Idolatras o teu pai, e nunca queres que ele fique sozinho, porque ele sempre esteve presente e todos os dias mostra o pai dedicado que é! 
Gostas de andar descalço e sempre que te magoas no pé, pedes-me que te dê um beijinho para curar, e eu recordo quando punhas os teus pés gorduchos na boca.
És o meu pequeno rei.
Ser tua mãe tem sido um privilégio, meu querido filho!

2 de novembro de 2012

Filho de peixe, peixinho é

Não é de espantar que o meu filho goste de histórias ao deitar.
Quando era miúda também eu gostava.

As minhas preferidas eram as da Colecção Formiguinha.
Fiz a minha mãe ler algumas delas até à exaustão.

Há uns tempos reencontrei-as no fundo duma gaveta, em casa dos meus pais. Foi como encontrar um tesouro!