21 de novembro de 2012

O rectângulo das Bermudas

"Fausto olhava a linha do horizonte com expectativa, enquanto seguia ao leme da sua nau.
Há muito que tinha deixado de mudar de direcção no seu leme, porque pura e simplesmente tinha deixado de saber que caminho queria seguir, o bombordo e o estibordo pareciam-lhe a mesmíssima coisa.
Havia muito que a sua nau, a Elena, deslizava calmamente sobre as águas pacíficas empurrada por uma brisa suave, que lhe enfunava as velas.
Fausto decidira abdicar do esforço de pesquisar incessantemente as cartas marítimas, sem conseguir determinar o próximo destino. Esperava que aquela brisa suave encaminhasse sabiamente Elena e finalmente chegassem a um porto.
No fundo, Fausto não se sentia capaz de decidir o rumo que queria dar ao leme de Elena, mas era facto que havia já largos meses que navegavam sem avistar terra, sem encontrar tempestades ou turbulência marítima. A quietude do oceano era monótona, enfadonha e desprovida de entusiasmo... 
Se não fosse o seu sentido de orientação, Fausto poderia ser levado a pensar que estava a navegar em círculos sem nunca sair do mesmo quadrante marítimo.
Por isso, Fausto esperava placidamente que a brisa suave lhe sussurrasse ao ouvido o nome do próximo local onde deveriam aportar. 
No entanto, todos os dias sentia um misto de alívio por não ter ainda ouvido esse sussurro, e de uma angústia por continuar a vogar quase à deriva pelas águas oceânicas, dia após dia, sem rumo nem destino.
Fausto queria chegar depressa, mas hesitava simultaneamente em apressar o navegar de Elena, para chegar onde pudesse lançar âncora e partir à descoberta de uma nova terra."

1 comentário:

Arco Iris disse...

Um texto bastante interessante.
È para continuar !.....
É para tirar alguma ilação, por exemplo do rumo que o nosso País está a levar.
Bjs