3 de novembro de 2012

Abraçar-te inteiro

Longe vai o tempo em que os meus braços te abraçavam por inteiro, e tu ocupavas timidamente o meu regaço. Hoje o teu pequeno corpo de menino sobra dos meus braços e tu já enlaças os teus braços em torno do meu pescoço. E eu sinto saudades dos tempos em que cabias no meu colo... e fico feliz ao mesmo tempo por ver o quanto estás crescido e que em breve terei dificuldade em carregar-te ao colo...
As garatujas e graçolas deram lugar a brincadeiras e invenções saídas directamente da tua imaginação, e tu vês ursinhos e lobos maus por todo o lado, e conversas longamente com os teus colegas da escola, mesmo que já tenhas saído de lá há umas boas horas.
Os gugu-dadás foram substituídos pela tua curiosidade pelas letras do alfabeto e pelos números, que recitas repetidamente sem te cansar. E por um sempre insistente "mããeeeeeeeeeee"!
Eu fico aquietada e silenciosa a observar-te e paira no meu pensamento a pergunta: "já passou assim tanto tempo?" e eu nesses momentos eu queria que o tempo passasse a um ritmo mais lento, porque eu gosto de te ver assim crescido, mas não sem um misto de emoções e saudade dos tempos em que eras meio metro de pessoa e fazias boquinhas lindas e punhas o punho cerrado na boca, e me sorrias involuntariamente, embora eu acreditasse que era propositado e espontâneo.
Não paro de me espantar com todas as tuas descobertas, com a tua candura e espontaneidade, com a tua personalidade extrovertida e obstinada, e a tua curiosidade imensa. A tua energia inesgotável é algo característico em ti e contrasta tanto com a tua calma dos primeiros meses, tão sossegadinho que eras.
Já não choras quando acordas, mas sim comunicas-me que "já dormi tudo" e que "está de sol, já não está de noite" para justificares que queres sair da cama, coisa que já fazes por ti próprio sem precisares dos meus braços para te tirar de lá.
Embalar-te para adormecer foi substituído pela leitura de duas histórias antes de ir para a cama. 
Já não mudo fraldas, porque tu já te desenrascas bem e fazes xixi de pé, como um homenzinho de palmo e meio.
Declinas ajuda para te vestir, mesmo quando lutas para enfiar o braço na manga da camisola. E eu fico espantada com a tua autonomia crescente. Mais uma vez digladio-me entre a alegria de ver que já sabes como vestir e a saudade de te enfiar roupinhas pequeninas. Por vezes até gostava de poder ser eu a comandar essa operação, especialmente quando teimosamente insistes em levar uns sapatos azuis com a roupa castanha...
Fico babada de orgulho quando te vejo usar o degrau para chegares aos iogurtes que estão no frigorífico  E relembro que aos seis meses ficavas stressado quando te apercebias que o iogurte estava a chegar ao fim, de tão comilão que eras.
Todos os dias dou-te tantos beijos que acabei por te transformar num autêntico beijoqueiro, meigo como só tu sabes ser!
Idolatras o teu pai, e nunca queres que ele fique sozinho, porque ele sempre esteve presente e todos os dias mostra o pai dedicado que é! 
Gostas de andar descalço e sempre que te magoas no pé, pedes-me que te dê um beijinho para curar, e eu recordo quando punhas os teus pés gorduchos na boca.
És o meu pequeno rei.
Ser tua mãe tem sido um privilégio, meu querido filho!

8 comentários:

Jardim de Algodão Doce disse...

Vê-los crescer tem assim esta duplacidade de sentimentos em nós. Terá na altura de lhe arranjares um mano? ;) Beijinho e bom domingo.

Arco Iris disse...

Naná toda a sua descrição é o exemplo , que sem darmos por isso , vão-se tornando de certa maneira independentes.
Às vezes apetece pedir ao tempo para parar , por outro lado é uma alegria sabermos que vão crescendo com saúde.
Bjs :))

Patrícia Teodoro disse...

Lindo este texto, tão real e tão especial

Mammy disse...

Lindo "post"!
Amor de mãe é isso!
Beijinhos

Lacorrilha disse...

Ó mulher, queres que eu te enviei um vídeo do estado em que me deixaste com este texto? Isto derreteu-me toda, está lindo.

Tanita disse...

Que palavras tão deliciosas, o F. vai ficar tão orgulhoso da mãe que tem, quando juntar todas as letras e ler sozinho o que lhe escreves.
Bj**

gralha disse...

Coisa boa :)

(no Outono/Inverno também fico mais agarrada às minhas crias)

Naná disse...

Jardim de Algodão, respondendo à tua questão: "pois... mas isso agora é complicado!"

Arco Iris, é mesmo isso! Ele vai-se tornando independente. Por um lado quero, mas por outro não!

Patrícia, obrigada! Desde já agradeço a visita :)

Mammy, creio é mesmo isto, mais coisa menos coisa :)

Lacorrilha, isso é que eu gostava de ter visto. Ou pelo menos a ilustração do teu "derretimento"

Tanita, sabes que acho que já não falta muito para ele começar a juntar letras?!

Gralha, este sentimento não é muito sazonal. É assim quase o ano todo, mas doseio-o com muito auto-controlo... só que às vezes, o feeling mãe-galinha vence!