29 de abril de 2011

Hoje acordei assim como a trovoada!

Há muito tempo, mas muito mesmo que não recordava tantos pormenores do teu sofrimento lento e degradante.
Quando me reporto aos teus últimos meses de vida, sinto uma pontada de tristeza profunda e dor que se foi apaziguando com as máscaras da distância temporal.
Refundi para cantos recônditos e obscuros as recordações que hoje vieram à superfície sem que eu as evocasse... ou as quisesse evocar!
No meio do som dos trovões que se ouviam lá fora, surgiu-me cravada na mente a tua imagem de dor agonizante e incessante, à qual a morfina já não dava resposta cabal.
Relembrei o esforço sobre-humano que fazias para abafar os gritos de dor que querias dar, mas que insistias em calar, para não me assustar.
Revi novamente o teu corpo que ia dando os sinais visíveis de degradação e apodrecimento interior!...
E recuperei a imagem da tua luta já perdida, em continuar a viver, para me poderes acompanhar, porque não me querias deixar sozinha, desamparada e desorientada, eu que era uma adolescente...
Recordo-te sempre pela mulher inteligente, doce e paciente que sempre foste, por todo o carinho e o amor que sempre me dedicaste!
E a saudade que me corrói pela falta que me fazes, por não poder partilhar contigo tanto da minha vida, do meu quotidiano, das minhas conquistas, das minhas dificuldades, das minhas alegrias e das minhas preocupações e; do orgulho que sinto em ser mãe, de como isso me tornou uma mulher feliz e plena!
Mas há muitos anos que não recordava o quão terríveis e amargos foram os teus últimos seis meses de vida...!
Por isso, o dia que se assinala no próximo domingo, traz sempre encerrada a sombra da tristeza por já não estares cá para te beijar e abraçar, mãe...
Esta sombra só se dissipou quando finalmente tive um filho que me beija e abraça neste dia!!

28 de abril de 2011

Quem havia de dizer??!!

Que um dia ia dar uso a esta máquina com o prazer com que o tenho feito!
By Naná
Desde criança que me lembro dela, fazia parte da mobília e dava um enquadramento diferente ao quarto dos meus pais, onde a minha mãe fazia a sua costura!
Lembro-me de me sentar na borda da cama e observar com atenção o que ia saindo das mãos da minha mãe, com a ajuda esta máquina.
Estava sempre a implicar com ela, para que ela me deixasse enfiar a linha na agulha na máquina, que me deixasse mexer na máquina, fazer girar a roda e pedalar com aquela cadência própria, enquanto o carrinho de linhas se ia desenrolando e a agulha descrevia movimentos repetidos de subir e descer sobre o tecido que ia correndo, e assim as costuras iam nascendo!
A máquina tinha uma gaveta lateral, onde a minha mãe guardava os utensílios todos associados à costura: a caixa dos alfinetes, as agulhas de máquina, os carros de linhas, a almotolia de óleo para manter a máquina a funcionar na perfeição, a tesoura, etc. 
Mas havia algo naquela gaveta que eu gostava mais do que tudo o restante: as caixinhas cheias de botões! Coloridos, de todos os tamanhos e feitios e que eram invariavelmente o objecto das minhas brincadeiras! Espalhava-os todos em cima da cama e ia brincando enquanto a minha mãe costurava.
Nunca pensei um dia recuperar a máquina e muito menos acreditei que passados 17 ou 18 anos de ela estar inactiva, sem mãos para a accionar, sem pés para a pedalarem, sem linhas a correr no seu circuito, que ela ainda trabalhasse com a mesma exactidão e a mesma cadência dos tempos de outrora!
Não sou a costureira exímia que era a minha mãe, mas estou a esforçar-me por aprender e recuperar coisas retidas nas profundidades do meu cérebro (descobri que tenho tantas...!), e criatividade e ideias não me faltam!!
Durante todo este tempo todo de inactividade, a máquina manteve-se em bom estado, protegida por uma cobertura feita em madeira, que o meu marido poliu e deu verniz e que ostenta orgulhosamente as iniciais do nome da minha avó materna e julgo que o ano de aquisição da máquina:

A. M.
1947
Trouxe-a para a minha casa e não é que se enquadrou perfeitamente no seio da mobília de estilo moderno que tenho na sala??!!
Esta é uma herança que vou decerto preservar!

27 de abril de 2011

Vidas esforçadas

Na vida, esforçamo-nos tanto!...
Por tudo, por nada, por conta de outras pessoas, por e perante aqueles que amamos, por e perante aqueles com quem trabalhamos, por aqueles a quem queremos bem, por aqueles a quem queremos menos bem, ou por aqueles que até nos são indiferentes, sempre na tentativa de ser perfeitos.
Esforçamo-nos por estar à altura, para não dar parte fraca, não desiludir os outros, por não nos desiludirmos as nós mesmos!
Esforçamo-nos porque queremos poder ler muitos livros de muitos autores, ouvir muitas músicas de muitos músicos, em cd ou em concerto, ter muitos passatempos, experimentar muitas coisas novas e diferentes. Esforçamo-nos por viajar muito, para conhecer muitos lugares, estar sempre em cima da actualidade, saber muito sobre muita coisa, ser muito cultos e sábios. 
Esforçamo-nos por ser melhores que o colega, o vizinho, a tia, a prima, a amiga.
Esforçamo-nos por ter um carro melhor, mais caro, mais veloz, mais bonito. Esforçamo-nos por ter uma casa maior, mais cara, mais bonita, mais bem localizada. Esforçamo-nos por ter um emprego melhor, mais bem pago, mais prestigiante, com mais benefícios e regalias. Ou até mesmo mais do que um emprego...
Esforçamo-nos ser os melhores pais, dar tudo o que podemos, por vezes competindo para ver quem tem filhos mais bonitos, inteligentes e bem educados.
Esforçamo-nos por ser melhores filhos e netos, preenchendo as expectativas e desejos destes, seguindo caminhos que iremos percorrer com mais esforço.
Esforçamo-nos por sermos bem vistos por amigos, colegas, chefes, vizinhos, outros pais, a sociedade em geral.
Vivemos num esforço constante, presos e acorrentados a uma sociedade e às suas regras, esforçando por nos diferenciarmos positivamente, mas sempre encaixando no molde-padrão. 
Podemos, com tanto esforço, para dar vazão a tanta solicitação e expectativa a preencher, passar por uma vida inteira sem nunca realmente termos apreciado os resultados do que se alcançou com tanto esforço!
Esquecemos e ignoramos o principal, que é sermos fiéis a quem e ao que somos, e aos que amamos, apreciando e agradecendo a quem nos ama!
Esforçamo-nos tanto, mas tanto que perdemos de vista o objectivo principal, que é viver a vida, apreciá-la e agradecer por tudo de bom e mau que ela nos traz!
Porque às vezes, para viver e sermos felizes até nem é preciso assim tanto esforço...!

26 de abril de 2011

Trabalho é trabalho... conhaque é conhaque!

É uma grande máxima que sempre ouvi.
Nunca pensei foi de a ver posta em prática com uma classe tremenda por uma amiga minha, no meu actual local de trabalho...
Sei bem que não estamos no trabalho para fazer amigos ou para estarmos com os amigos como se estivéssemos na esplanada a beber uns copos.
Sei bem que é melhor "ser profissional", não dar confianças e deixar a vida pessoal à porta da entrada do local de trabalho.
Essa tem sido uma lição que tenho ido aprendendo à minha própria custa, já me valeu alguns dissabores e alguns sapos engolidos por conta de tentar ser "amiga" no local de trabalho. Às vezes, levamos chapadas na cara, daquelas de luva branca...
E por conta disso, fui aprendendo a analisar primeiro e a confiar depois, e não o contrário, como sempre estive habituada a fazer.
Mas desculpem lá se eu sou incapaz de ter a frieza necessária a conseguir separar certas águas. Sou incapaz para manter as relações humanas, mesmo que profissionais, "strickly professional"... Não sou capaz de me relacionar com as pessoas e não me "conectar" com elas... sem que haja alguma cumplicidade, companheirismo. Acho que as coisas funcionam melhor assim, dão melhores resultados, e para mim é fundamental que isto exista no local de trabalho, se quero um ambiente de trabalho que me motive e me faça sentir feliz por me levantar cedo e vir trabalhar!
E sim, admito, tenho feito amizades bastante sólidas com colegas de trabalho, pessoas com quem acabei por partilhar muito de mim, do meu ser, da minha vida pessoal, e com quem me encontro regularmente fora do local de trabalho, como se de um amigo de infância se tratasse.
Porque quer queiramos quer não, passamos mais horas no local de trabalho, e a relacionarmo-nos com pessoas do que propriamente com a nossa cara metade ou com os nossos pais ou filhos, e amigos de longa data!
Por isso, fiquei espantada quando vim trabalhar para este novo local, onde encontrei amigas de longa data, com quem fiz amizade nos "tempos dos afonsinhos" e uma delas me trata com a mesma frieza desprendida de quem se cruza com uma ilustre desconhecida... quase a roçar o tratamento "faz-de-conta-que-nunca-me-viste-mais-gorda-na-vida!"
Mas lá está, uns quantos tabefes de luva branca depois, aprendi: se é assim que me queres tratar, é assim que eu te tratarei!
Mas aquilo que eu sou aqui dentro, também o serei lá fora, por isso admito que dificilmente me sentarei a beber copos na esplanada com esta menina, com a mesma cumplicidade de antes...
Porque eu infelizmente não sei distanciar-me o suficiente a esse ponto, e aquilo que sou lá fora (do trabalho) sou cá dentro, e vice-versa! Isto é, se aqui dentro somos ilustres desconhecidas, concerteza que o serei de igual modo lá fora, porque o meu botão on-off não funciona com a mesma exactidão que o desta menina.

Nota de esclarecimento - percebo as razões que ela possa ter para isso, e respeito, cada qual sabe de si e faz o que melhor sente para estar bem na vida pessoal e profissional, só não sou capaz de fazer o mesmo...

25 de abril de 2011

O dia da Liberdade

Nunca foi um dia que comemorasse com particular entusiasmo ou espírito efusivo. Os meus pais nasceram bem no meio da ditadura (anos 30/40) e viveram nela durante mais de 30 anos, tantos aqueles em que eu vivo na democracia.
Confesso mesmo que os acontecimentos históricos em torno desta data são algo um pouco turvo nos meus conhecimentos... culpa de o programa das aulas de história ter sempre a história contemporânea do nosso Portugal no fim do ano lectivo...
Os meus pais não falavam bem dos tempos sob o fascismo de Salazar, mas também admitiam que nunca sentiram o jugo de um regime autoritário.
Lembro-me mais das queixas da minha mãe dos tempos da 2.ª Guerra Mundial, em que os meus avós, pessoas abastadas que eram, tinham que contribuir com a produção de trigo, azeite, cevada, etc. e de a minha mãe contar que a minha avó comprava açucar e sabão azul para lavar a roupa no mercado negro (e do quão perigoso era se fossem apanhados). E de como os meus avós, por serem abastados, ainda tinham com que ficar sem ter que passar fome, mas que haviam muitas famílias que pouco mais comiam do que aquilo que os meus avós iam dando, por caridade, por não poderem ver pessoas de mão estendida, com um rol de filhos atrás...
Lembro-me do meu pai contar que nessa mesma época, a sua família, que de abastada nada tinha, andar muito perto de passar fome e que na maior parte das vezes, o que comiam eram batatas de caldo e papas de milho, porque eram que o podiam arranjar.
Mas da ditadura, o que me lembro de ouvi-los contar que me fazia extrema confusão era:
- as mulheres estavam proibidas de usar calças,
- cantava-se o hino nacional todos os dias na escolas e fazia-se reverência a um retrato de Oliveira Salazar, presente em tudo quanto era organismo público;
- não se podia falar contra o regime, nem escrever, nem cochichar...
- quem ia preso pela GNR levava coças de pancadaria na esquadra sem que se apurasse a inocência ou culpa do detido.
Mas há uma coisa que me ficou gravada na memória sobre esses tempos e que ainda hoje me complica o cérebro: se o vizinho não gostasse de nós por algum motivo (inveja, desavenças, conflitos e questiúnculas, enfim...), denunciava-nos à PIDE e éramos presos e torturados!
E é por essa razão, que eu posso não cantar vivas e louvores nesta precisa data, mas dou mil graças por alguém ter permitido que eu possa viver livremente, dizer e escrever o que penso sem censura (excepto a da minha consciência) e não viver no medo de poder ser presa porque o vizinho ou o colega de trabalho não me grama! De poder proferir opiniões sem receios, sem o perigo de alguém me poder prender ser culpa formada e me torturar indiscriminadamente sem que ninguém o impeça!
Julgo que se tivesse vivido nesses tempos, teria concerteza conhecido alguns calabouços tenebrosos e alguns carrascos do pior... com o meu feitio e personalidade "assim a tirar para o forte"!...
E mais feliz fico por viver em liberdade e democracia (apesar de a achar moribunda por estes dias...) porque o meu filho pode saber o que é crescer em liberdade e democracia como eu cresci!

23 de abril de 2011

O som do riso que cintila

Fazes-me rir!
Fazes-me sonhar e esquecer que a vida é cheia de preocupações...
Fazes-me esquecer dos ponteiros do relógio que marcam o compasso dos nossos dias.
Adoro ouvir-te rir à gargalhada enquanto corres que nem um maluquinho direito a mim, de braços abertos e te atiras sem sequer pestanejar, porque confias plenamente que eu tenho os meus braços abertos e prontos a te agarrar e segurar!!
Divertes-te com as caretas que vou fazendo e com as garatujas que te entretêm, porque a ti basta que eu esteja ali, que eu preste atenção, que eu te acompanhe, mesmo que em silêncio!...
E vais conversando comigo naturalmente, explicando as tuas tão ingénuas brincadeiras. E eu vou apanhando algumas palavras mais claras e intelegíveis enquanto te envolvo no meu regaço.
E a cada dia que passa, sei que também vais deixando de me "pertencer", mas eu recupero tudo acerca de ti, quando te embalo para dormir e te aconchego o mais que posso junto ao meu peito, como fiz no primeiro momento em que te pude abraçar!!

21 de abril de 2011

A natureza acontece!

Já aqui tinha dito que me tinha dado uma panca e pus-me de semeadeira de ervas aromáticas.
Pois é, quando as primeiras folhinhas começam a despontar, dá-me um "frisson" na alma, por ver a natureza seguir o seu curso e acontecer lentamente enquanto nós andamos na azáfama do dia-a-dia!
Aqui fica o registo das minhas primeiras tentativas de "dar uma mãozinha à natureza"!!
Coentros

Óregãos

Cebolinho

Salsa









20 de abril de 2011

Tolerâncias

Agora que sou funcionária da administração local (parece coisa pomposa...), vou beneficiar da tolerância de ponto da tarde de amanhã.

Apesar de ter a certeza que vou aproveitar bem o tempo, faz-me espécie o sr. Primeiro-Ministro andar a dar borlas destas nos dias que correm... com a troika (nome mais irritante que haviam de arranjar) cá no estaminé, acho que até fica mal!!

E se querem que vos diga, se é uma medida eleitoralista, para eu votar no vosso partidozinho, no próximo dia 5 de Junho, agradeço a consideração, mas dispenso!

19 de abril de 2011

Futebóis

Não sou propriamente fã do futebol... acho que a qualidade do futebol português declinou bastante nos últimos anos, a todos os níveis...
Mas gosto de ver um bom jogo!
Principalmente gosto de ver a minha equipa ganhar e a minha selecção vencer!
Simplesmente não gosto, posso mesmo afirmar que detesto o joguete que é o futebol nos dias que correm...!
É veiculado pelos meios de comunicação social como um evento de tremenda importância, mas que apenas serve para distrair a malta e dar algum alívio às pessoas. Só que a mim não me dá alívio nenhum... se querem aliviar-me, passem informação sobre outros desportos bem nobres (os amadores, os paralímpicos, aos atletas que suam a camisola e não ganham brutidades estupidas de dinheiro!) e dêem-lhes a cobertura que eles merecem!
Mas começo a ficar agastada quando vejo a figura que os adeptos fazem nos grandes jogos, como foi o último jogo entre Benfica e Porto... acho que não deviam ter sido só aplicadas coimas, quase irrisórias mas enfim... acho que no próximo confronto entre estes dois clubes, deviam ter sido determinado que se os adeptos não se sabem comportar, ficam de castigo em casa! Os dois clubes jogavam mas sem qualquer assistência por parte de adeptos de ambos os clubes!! Porque srs. adeptos, desculpem lá, mas as forças policiais não têm culpa das vossas frustrações, para andarem a descarregar neles como se não houvesse amanhã...
E hoje, ao assistir ao aparato policial para escoltar os autocarros das equipas, fui assaltada por uma dúvida assaz pertinente, ainda por cima nos dias que correm: quem raio é que paga para ser montado aquele aparato todo? Os clubes em causa ou os contribuintes?
É que a meu ver, uma escolta da GNR e outra da PSP são coisas para saírem caras...

A importância que se dá hoje em dia ao futebol e às tricas de comadres de treinadores e associados, para mim é só mais uma demonstração do quanto a nossa sociedade e os seus valores se têm vindo a degradar...

15 de abril de 2011

É só que...

Não me apetece mesmo fazer nada...!
Doente, mal dormida, tarde de sexta-feira...
Vou só ali fazer mais um pouco de ronha, pode ser??!!

Portugal no seu melhor...

By Naná
Há dias apercebi-me da presença deste semáforo, em frente ao Largo da Casa Inglesa, em Portimão, terra que me viu nascer.
A minha primeira reacção foi: mas o que raio está aqui este semáforo a fazer, a piscar intermitentemente, se não circulam carros neste sentido, porque é proibido?
Para entenderem a minha dúvida rodo-existencial, há que explicar que esta rua é de sentido único, ou seja, o trânsito apenas circula no sentido oposto àquele em que está colocado o bendito semáforo.
E saí do estacionamento a matutar sobre quem teria sido o génio de logística rodoviária que teria tido a iluminada e brilhante ideia de colocar um sinal de semáforo para regular os veículos num sentido em que não se pode circular??!!
Depois de alguns bons dez minutos a magicar sobre o assunto e já quase a proferir insultos ao dito génio, por andar a gastar dinheiro aos munícipes para colocar um semáforo que não serve para nada, recordei-me que há três anos atrás, quando foi encerrada a "Ponte Velha" para ser reparada antes que caísse com carros a circular, como aconteceu malogradamente em Entre-os-Rios, os sentidos das ruas foram alterados e deve ter sido a única altura em que se pôde circular naquele sentido, nesta rua.
Ora a descoberta a que cheguei foi que o semáforo foi instalado nessa altura, para regulação do trânsito.
Concluindo: há dois anos que retomaram o sentido original da rua e em vez de desligarem o dito cujo semáforo que não serve para nada, devem ter-se esquecido!
Ainda gostava de saber quem paga a factura da electricidade que gasta aquele semáforo intermitente e que não serve propósito nenhum?!

14 de abril de 2011

Quando a vontade é grande...

Tudo se aprende, tudo se consegue fazer!

By Naná
Handmade by Naná, para oferecer à prima MD!!
(flor em crochet de lã, alfinete de peito)

13 de abril de 2011

Sabedoria versus alfabetização

tirado da net


Há quem julgue que quanto maior o grau de alfabetização e escolaridade, maior o nível de sabedoria.
O que para mim, não podia estar mais errado!
Estou convicta que a escolarização é um meio para adquirir conhecimentos, competências, experiências e aptidões.
Mas estou ainda mais convicta que isso por si só não é o caminho mais directo e certeiro rumo à sabedoria. 
E porque tenho esta opinião?!
Porque conheci analfabetos muito mais dotados de sabedoria do que muitos licenciados. E conheci muitos licenciados, mestres e pessoas com elevado grau académico que davam erros a falar, a escrever e em certos momentos, eram capazes de proferir verdadeiras pérolas de burrice, roçando a barbaridade.
O meu avô era analfabeto, mas sabia fazer contas de cabeça aos 76 anos, como muitos de 30 nunca chegaram a saber fazer... sabia a tabuada na ponta da língua sem nunca ter lido uma cartilha! Consertava tachos e panelas, esculpia madeira e construiu a sua própria casa, em taipa, que hoje se ensina como "construção em adobe" em muitas escolas profissionais.
Percebia de investimento imobiliário, porque foi vendendo, trocando, comprando e permutando terrenos, desfazendo-se dos menos rentáveis e adquirindo outros que lhe trouxessem maior lucro. 
O meu pai, completou a 4.ª classe já quase com 40 anos a muito custo, tinha dificuldade em escrever correctamente e lia devagarinho, juntando as sílabas como fará hoje uma criança na 2.ª classe. Mas sabia fazer operações matemáticas com alguma complexidade, que talvez muitos alunos do 9.º ano não sejam capazes de fazer. E até tinha olho para o negócio!
Por oposição, nos meus tempos de estudante universitária, cruzei-me com alguns colegas que davam erros ortográficos crassos, pouco dignificantes de uma pessoa no ensino superior... se lhes perguntassem unidades de medida de secos, líquidos e afins ficariam a coçar a cabeça...
Por isso, a sabedoria não vem só do que se aprende nos livros, mas do que aprendemos ao longo da nossa vida, com as experiências que temos, do contacto com os outros. E para se ser sábio, nem sequer é preciso saber ler ou escrever... basta saber escutar e querer aprender!

12 de abril de 2011

Se há coisas que me irritam...!

tirado da net

Uma delas é ligar para um serviço público, porem-me em espera, e depois desligarem-me o telefone na cara sem mais nem menos!


E fico ainda mais irritada, a ponto de virar furacão tipo 5, quando ligo logo de seguida, faço o reparo e ainda ficam mal dispostos e tratam-me como se eu é que fosse a mal educada!!...

E ainda têm o desplante de pedir, com maus modos, para ligar mais tarde, porque agora a hora não é oportuna!!!

11 de abril de 2011

Bichinhos sociais

tirada da net

Nós humanos, somos seres sociais: precisamos de conviver, de estarmos reunidos, em conjunto.
Precisamos sentir-nos rodeados de similares, gostamos de ter um sentido de pertença a um grupo.
Mas principalmente gostamos de gostar de alguém e que alguém goste de nós, com todos os nossos defeitos e qualidades!
Com a idade, apercebo-me de que vamos perdendo as capacidades, ou até mesmo a vontade, de fazer amigos...
Tornamo-nos mais esquisitos, mais preguiçosos e mais selectivos e menos abertos ao convívio e àquilo que de novo e bom nos pode trazer um amigo novo!
Ganhamos hábitos e acomodamo-nos ao que já conhecemos, ao que nos é familiar e conhecido, habituamo-nos aos que sabemos que gostam de nós e com quem partilhamos algum sentido de comunhão e um rol de experiências e momentos bem vividos, em boa companhia. E vamos "largando" aqueles amigos com quem de algum modo parecemos já não ter grande sentido de partilha de interesses e gostos comuns...
Vamos progressivamente deixando de sentir necessidade de querer fazer novas amizades...

Por isso, assisti ontem com enorme alegria e curiosidade à rapidez com que o meu homenzinho de quase um metro, fez um novo amigo, bem maior e mais velho que ele!
Assim, sem mais nem menos!!
O que parecia ser uma querela por conta duma bola, acabou por se tornar razão para a brincadeira! Foi num instante que desataram na correria, acompanhada de risos e gargalhadas! Essas gargalhadas fizeram-me sentir feliz por ver que o meu filho não tem amarras e qualquer simples coisa o diverte e faz sentir bem!
Tornaram-se inseparáveis! e quando a hora de dizer adeus chegou... o meu filhote ficou a chamar pelo nome do novo amiguinho, como se lhe arrancassem um pedaço dele!

Por isso, às vezes gostava de ter este desprendimento e ser capaz de criar amizades com a mesma facilidade e rapidez que o meu filho exibiu ontem!
Escusado será dizer que isto me fez sentir a falta dos meus amigos que estão longe, espalhados um pouco por este Portugal a fora, como se fossem os irmãos que eu nunca tive...
tirada da net

8 de abril de 2011

Dos pequenos prazeres da vida

Sempre gostei de estar ocupada e sempre tive hobbies, passatempos, o que lhe queiram chamar...
Uns permaneceram imutáveis, outros foram assumindo cada vez maior projecção na minha vida, outros foram sol da pouca dura, como dizia a minha mãe. (aliás, ela dizia que eu era uma pessoa de interesses fugazes e pouco duradouros... tão depressa me interessava, como logo de seguida os votava ao mais absoluto abandono e desprezo!)
Depois, a vida quotidiana foi tomando conta de mim, quando terminei o percurso académico e ingressei na vida activa. Alguns perderam-se por falta de interesse, outros por falta mesmo de tempo para lhes dedicar...
Com a vida amorosa a progredir, mais uns quantos se perderam e outros foram adquiridos, por influência e por confluência de interesses comuns.
Com a vida a dois em pleno, mais uns quantos se desvaneceram e ficaram apenas aqueles do núcleo duro, de sempre, que me acompanharam, como amigos de longa data.
Com a chegada do filhote, ganharam-se interesses aos quais apenas podia devotar tempo reduzido e aos bochechos, por virtude da atenção que o filhote precisava.
No regresso ao trabalho e no meio da tentativa de conciliação entre trabalho e maternidade, o tempo como que se sumiu e dei por mim a não ter tempo para me dedicar mesmo aos prazeres do núcleo duro, ou quando tempo havia, o cansaço vencia-me e ia adiando, adiando...
Mas agora consegui um equilíbrio e posso agora dedicar-me a alguns prazeres, só que agora são tantos em simultâneo que nem sei a qual me dedique primeiro... se bem que alguns posso desfrutar em simultâneo!
A saber:
Escrever - este sempre fez parte de mim, nunca me abandonou, e foi um drama nos tempos em que não me podia dedicar a ele...
Sentar na esplanada a beber um café enquanto admiro a paisagem - este também sempre me acompanhou e quase costumariamente combinado com o anterior. Era ver-me a escrever sentada na esplanada! (cheguei a ler um livro com um título sugestivo que achei que se adequava: "Toma um café contigo mesmo!");
Ver televisão - este é quase um vício, mas agora tenho vindo a reduzi-lo drasticamente, porque começo a entender que já pouco aprendo com o que passa na caixinha preta;
Ler - um que quase aboli, por pura falta de tempo e de força anímica, mas que agora tenho ido recuperando aos poucos;
Fotografia - outro que foi relegado para segundo plano, mas agora tenho ido retomando;
Estar com amigos - este foi o que mais falta me fez nos últimos anos, mas que tive que arranjar substitutos como o FB e o e-mail;
Bricolage; crochet, tricot, costura e afins - este adquiri recentemente e só lamento não me poder dedicar a ele com mais alma e coração, mas não se pode abarcar o mundo... mas curiosamente sempre tinha prometido a mim mesma que quando "fosse mais velha", que me havia de debruçar sobre ele;
Agricultura de trazer por casa - este foi um prazer inesperado, mas que surgiu duma sugestão quase insignificante, mas que de algum modo ficou cravado nalguma molécula do meu cérebro. Ainda só me dedico à cultura de ervas aromáticas, mas pode ser que um dia destes me vire para as flores, para colorir o meu quintal!
Mas o maior e principal prazer é obviamente brincar com o meu filhote e vê-lo crescer a cada instante!
No entanto, só lamento que os dias não fossem assim mais compridos, para eu lhes poder dedicar o mesmo grau de atenção e não ter que definir prioridades... porque isso assim parece mais uma obrigação e não um prazer...

7 de abril de 2011

Presa por ter cão, presa por não ter...

É o que me apraz dizer das regras do Parque Natural que foi instituído na Costa Vicentina e Sudoeste Alentejano, no que respeita a limpeza de terrenos.
Se quiser tratar de limpar um dos meus terrenos, que se encontra de matagal, terei que pedir um parecer ou autorização e logo, pagar (e ao que soube, não é quantia pequena...) só por ter submetido o parecer, venha este a ser favorável ou não...
Se optar por realizar a dita limpeza, sem pedir o parecer, na tentativa de poupar uns euros, e se sou apanhada no acto, estarei logo em contra-ordenação e logo, sou multada.
Mas se por outro lado, optar por assobiar para o ar, não pedir a dita autorização e nem proceder à limpeza (tão necessária à prevenção de incêndios florestais no período que agora se avizinha...), é caso de contra-ordenação por não ter cumprido com a minha obrigação de proprietária, e obviamente serei multada, senão pior...
Ora deixa cá resumir: se quiser limpar, não sou dona e senhora proprietária porque tenho que obter autorização "superior". Mas se não limpar, sou proprietária em pleno e como tal terei que aguentar as consequências...
Sinceramente, não sei o que será mais vantajoso: a) gastar dinheiro no parecer e depois limpar; b) limpar sem pedir o parecer e rezar para não ser fiscalizada; c) não limpar e rezar para que não venha nenhum incêndio...
Vou ter que pensar no assunto...

6 de abril de 2011

Oh pá, decidam-se!

E chamem a ajuda externa que têm que chamar!

Parem com esse jogo do empurra-com-a-barriga ou "puxa-afróxa" (como dizia a minha mãe) e tomem uma atitude corajosa, por uma vez!

O tempo que perdem a apontar dedos uns aos outros - e não se esqueçam que quando apontam um dedo a alguém, estão a apontar 3 a vocês mesmos - já tinham chamado o FMI ou o Fundo Europeu, para ver se alguém atamanca as ferozes empresas de rating!

É que a factura está a ficar cada vez maior e assim como assim nunca são os Srs. políticos que a pagam, por isso tratem lá disso duma vez por todas!


Esta cidadã já fartinha de vos aturar a todos com as vossas mesquinhices, agradece...

5 de abril de 2011

Memórias gravadas

Gostava de ter uma máquina fotográfica ou de filmar em cada minuto que estou contigo, sempre a funcionar, para poder gravar tudo de ti! Para poder registar toda a tua doçura, espontaneidade, as tuas expressões faciais. 
Cada alegria, cada espanto perante uma nova descoberta! 
Cada sorriso de felicidade por cada nova aprendizagem. 
Cada grito estridente de conquista. 
Cada entusiasmo com um desenho animado ou um utensílio novo de cozinha. 
Cada sobrolho levantado de suspeita e desconfiança (tão semelhante ao meu...). 
Cada beicinho a tentar convencer-nos a voltar atrás num "não"... 
Cada gesto de meiguice e cada gargalhada de satisfação com as nossas brincadeiras! 
Cada palavra nova aldrabada pela tua linguagem de menino a crescer! 
Todos os semblantes pacíficos quando adormeces nos meus braços enquanto te embalo suavemente, tentando colar-me o mais possível a esse teu corpo que um dia guardei no quentinho do meu ventre.
És uma criança linda, doce e brincalhona.
És o meu filho adorado e eu amo cada milímetro de ti e do teu ser com todas a forças do meu coração!

Por isso, queria gravar tudo de ti, para não permitir que a força do desvanecer da memória provocada pelo correr do tempo, vá enublando todos os momentos de ti!
Porque sempre te amei e amarei, e não quero perder um único segundo da tua presença na minha vida!!

3 de abril de 2011

Coisas tradicionais

Nunca fui muito dada ao tradicional... apesar de sempre ter gostado de ver como os saberes dos antepassados foram passando de geração em geração.
Infelizmente, quando deveria ter tido o interesse, achei que podia sempre deixar para mais tarde... até ser tarde demais e quem me podia ensinar, ter simplesmente desaparecido :(
Mas como nunca é tarde para arrepiar caminhar e aprender, e além disso sempre fui de aprendizagem bastante rápida (desde que perceba o que estou a tentar aprender...), eis que agora me fui lentamente dedicando a tantas coisas que vi os meus avós, pais, tios e primas fazerem mas que eu, por alguma razão, desdenhava...
Esta semana dediquei-me ao cultivo de ervas aromáticas, porque de cozinhar com bons temperos sempre gostei. E se quero temperar bem, porque não cultivar as minhas próprias ervinhas?
E já está, depois de alguns erros crassos (como querer semear salsa e coentros na estação do ano errada...), agora penso que acertei! Por isso, espero dentro em breve ter coentros, salsa, cebolinho e orégãos para tornar as minhas receitas de culinária mais gostosas!
Depois, descobri que afinal até sabia ainda tudo o que a minha mãe me ensinara do crochet e com mais umas dicas de vídeos da internet, já fiz algumas criações simples em crochet; em que o tradicional se toca com o mais moderno.
Fiz duas flores em crochet de lã, às quais já apliquei um alfinete, para prender no peito e dar um toque diferente à minha farpela do dia-a-dia!
E assim, a passinhos de bebé, fui adquirindo os saberes que não quis aprender quando a oportunidade se me apresentou. Mas o que importa é chegar à meta que procuro!
E com esforço e dedicação lá chegarei!!