31 de janeiro de 2013

Assim assim



Nunca fui muito fã de filmes portugueses, o que é uma tremenda vergonha... 
Ma o facto é que apesar dos meus esforços para contrariar este sentimento, aqueles filmes que me davam um enorme entusiasmo e curiosidade em ver, acabavam por se revelar uma tremenda desilusão. Ou o enredo era  medíocre ou a interpretação demasiado simplória, ou por oposição, demasiado exagerada...

Um colega meu de faculdade, que me dá sempre boas dicas musicais e cinéfilas, recomendou-me este filme. 
Este não decepcionou!
Uma maneira bastante realista de ver relações, sem grandes floreados e com interpretações excelentes. O argumento não é brilhante, mas o enredo está bem construído e espelha muito do que é a realidade de tantas relações por esse mundo fora, da forma como cruzamos caminhos sem nem sequer termos a percepção de como o mundo consegue ser pequeno, por vezes!

Gosto particularmente do diálogo entre o Gonçalo Wadington e a Margarida Carpinteiro!

Por isso, sinto-me um tanto reconciliada com o cinema de produção nacional.

30 de janeiro de 2013

Declarações depois do "jogo"

No final de cada jogo de futebol há sempre uma conferência de imprensa e declarações de um jogador e do treinador.
Agora imaginem se sucedesse o mesmo sempre que concluímos um relatório importante no nosso local de trabalho, mas falássemos como um qualquer jogador de futebol...

"Foi um relatório muito importante para nós. Tínhamos muita motivação neste relatório, empenhámo-nos muito e tivémos um bom relatório final."

"De facto, tivémos algumas dificuldades em termos de construção gramatical, mas depois de uma leitura mais atenta, conseguimos resolver esses problemas da melhor forma e isso traduziu-se num relatório bem escrito"

"Os nossos chefes foram bastante exigentes, mas nós estávamos altamente motivados, fizemos uma pesquisa profunda e conseguimos chegar a conclusões muito importantes sobre a matéria em causa."

"Já para o final da redacção debatemo-nos com sérias dificuldades técnicas, com o software a arranjar-nos alguns obstáculos e as impressoras a encravarem, mas conseguimos manter a perseverança e conseguimos entregar o relatório dentro do prazo!"

"Estamos muito felizes com o resultado, e queremos seguir em frente neste campeonato dos relatórios e ficamos a aguardar o próximo tema para trabalhar!"

"Vamos por isso continuar a treinar no léxico e a gramática e começar já a estudar as novas regras do (des)acordo ortográfico, para estarmos melhor preparados!"

Leilão Solidário

Está a decorrer no blogue da querida Turista Acidental um leilão solidário para ajudar uma família na Marinha Grande que está a passar sérias dificuldades.

Passem por lá, licitem! Ajudem!

29 de janeiro de 2013

Alimentar a alma

Preciso de sol, como do pão para a boca.
Estas últimas semanas de dias cinzentos fizeram das suas em mim.
Pode parecer parvo e até mesmo cliché, mas eu sou um ser que não vive bem sem sol!




28 de janeiro de 2013

Caçador de sois

Raramente me emociono com uma música na primeira vez que a ouço.
No entanto, há músicas que por alguma razão mexem comigo a tal ponto, que quase me sinto à beira das lágrimas, que ficam ali a querer brotar... 

Esta manhã ouvi a caminho do trabalho e não lhe fiquei mesmo nada indiferente!
Tem uma letra lindíssima!

Falipices #33 - armado em fotógrafo



Adora mexericar na minha máquina fotográfica.
Prefere apontar para o tecto, vá-se lá saber porquê...
No entanto, gostei imenso deste perfil que tirou. 
Numa manhã chuvosa, no meu café de eleição, ele alterou as preferências todas da minha máquina, enquanto eu conversava com um bom amigo, que já não via há muito tempo.

25 de janeiro de 2013

Contemplar

Teria eu uns oito, nove anos quando comecei a aperceber-me que o meu pai chegava a casa, estacionava o nosso velhinho Fiat 127 azul escuro em frente ao prédio e ali ficava, sentado, sem sair do carro para entrar em casa. 
Ficava ali por uns dez a quinze minutos a contemplar o vazio, como que alheado de tudo e de todos à sua volta. 
Comecei a espiá-lo por detrás dos cortinados rendados da janela do meu quarto. Ficava meio encolhida a vê-lo a contemplar o vazio, sentado no nosso Fiat 127, sentado ao volante... Era como se estivesse a acompanhá-lo, mesmo sem que ele soubesse.
Parecia que ele estivesse a fazer um compasso de espera, antes de entrar em casa. Como se em casa não pudesse ter tempo ou espaço para ficar sentado a contemplar o vazio...
Eu questionava-me sobre o que poderia levar o meu pai, esse homem alto e forte, bem disposto e carinhoso, a ficar sentado dentro do carro a olhar fixamente para o nada.
Questionava-me sobre que pensamentos lhe estariam a ensombrar o espírito. Vezes houve que gostava de ser um pequenino ser com poderes para lhe ler os pensamentos.
Naquele contemplar havia como que uma certa expressão de tristeza no rosto... como se ele estivesse a tentar fugir à realidade... e eu queria tanto perceber o que lhe ia no pensamento e no coração.

Há umas semanas atrás, dei por mim, sentada dentro do carro, ao volante, parada e quieta a contemplar o vazio, em frente à porta do infantário do meu filho. 
Naquele momento fixava um ponto qualquer que nem sei bem qual era, mas os meus olhos estavam abertos, sem pestanejar. No entanto, não viam nada de concreto, não observavam qualquer pormenor... 
O pensamento permanecia parado, oco, como se o cérebro estivesse desligado. Como se tivesse hibernado instantaneamente... 
Sei que estive neste estado, nesta espécie de transe contemplativa, por uns bons dez minutos. Durante esse tempo, olhei fixamente o vazio e não pensei em rigorosamente nada... Não sei sequer que propósito este estado tinha para mim...

E de súbito, tal como sucedia com o meu pai, como que "despertei" e caí em mim, retirei a chave da ignição do carro e saí para ir ao encontro do meu pequeno tesouro.

Porém, tive a percepção de que algum modo, foi como se recuasse no tempo... mas a uma pessoa diferente.

24 de janeiro de 2013

Pequenas manias

Mania # 1 - detesto a letra Times New Roman...

Mania # 2 - não acho piada à palavra "encanitar"... aliás, até me causa uma certa urticária.

Mania # 3 - faz-me espécie pessoas que ligam para mim e perguntam: "quem fala?"

Mania # 4 - leio os jornais e algumas revistas do fim para o princípio (deve ser algum gene antigo de ascendência árabe que ainda anda perdido no meu código genético...)

Mania # 5 - pessoas que terminam frases com "na tás vendo?"... (esta é recém-adquirida!)

The Versatile Blogger Awards


Tenho andado em falta com a Ângela e com a Magda E., que foram umas queridas e me presentearam com este selo! A sério, estragam-me com tanto mimo... Obrigada!
Vamos lá então!
A saber, estas são as regras:

- Agradecer à pessoa que te deu esta nomeação e incluir um link para o seu blog;
- Escolher 15 blogs e nomeá-los com o “The Versatile Blogger Award”; - aqui a porquinha torce sempre o rabo...
- Escrever 7 coisas sobre ti;


As 7 coisas (aleatórias) sobre mim:
- Fui católica praticante até aos 16 anos (depois... vieram todas as dúvidas e questões possíveis...)
- A minha caligrafia é redondinha e bonito (pelo que me dizem) porque aprendi com a minha mãe a escrever em folhas antigas de caligrafia
- Uso óculos desde os 3 anos de idade
- Detesto abacate
- Abomino cerveja! bhlérc
- Há um ano e pouco pratiquei karaté durante uns meses e adorei!
- Só aprendi a andar depois dos 2 anos

23 de janeiro de 2013

"Cala-te, bufa!"

Dito assim fora de contexto, tem piada e dá vontade de rir...

Mas nem imaginam a cara com que fiquei quando a educadora me chamou à parte para "me dar uma palavrinha" e me conta que o menino Falipe, este meu filho sempre doce e bem comportado, agora usa a palavra "bufa" em toda e qualquer frase. Para tudo e para todos...

E que esta tinha sido a resposta gozona que lhe tinha dado, quando ela ralhou com ele por qualquer asneira que ele fez... 

Eu sei que às vezes também me apetece dizer isto a gente parva com quem me cruzo, mas fiquei ali entre o aborrecida e o envergonhada. 
É que em casa, certamente, ele não aprendeu e é um facto que eu e o G. andávamos fartos de o repreender e lhe explicar que não é para andar a repetir isso em todo e qualquer contexto e mais de quinhentas vezes ao dia...


22 de janeiro de 2013

Recordatório!

tirada da internet

Como andamos a nadar em dinheiro...

Da carga brutal de impostos...

Eis que já se pode criar mais uma comissão eventual para a reforma do Estado.

Aquilo vai ser só suor, sangue e lágrimas, num trabalho árduo que daqui por uns três meses, quatro vá... seja tudo deitado ao lixo e criada a comissão de inquérito para averiguar a falta de resultados práticos desta comissão...

20 de janeiro de 2013

Falipices #32 - Falipe, o co-piloto

O Falipe agora deu em mandar postas de pescada enquanto vou a conduzir... logo eu que nunca apreciei assim muito ouvir comentários durante a condução. Mas estes são deliciosos e fazem da condução uma actividade que aprecio ainda mais!

- Mamã, vá, vai por ali!

- Mamã, porque é que paraste (numa rotunda)???

- Vá, mãe, vai atrás daquele carro! Tens que ir atrás daquele carro...

- Mais depressa, mãe!

- Temos que sair daqui, mãe! (num estacionamento subterrâneo)

- Mãe, porque é que paraste?
- Olha, porque o semáforo está vermelho.
- Pois é, mãe. Agora só podes andar quando o sinal estiver verde.

19 de janeiro de 2013

Falipices #31 - O friorento

Uma destas manhãs, estava mesmo frio.
Enquanto o sentava na cadeira do carro, Falipe diz-me:

"- Mamã, vai lá b'scar a manta. 'Tá um grande gelo aqui dentro!"

17 de janeiro de 2013

Sonhar ainda não paga imposto...

Realmente, ainda não chegámos a esse ponto.

Mas os impostos a que temos vindo a ser sujeitos, que crescem de dia para dia, tolhem-nos a nossa capacidade de sonhar!

Pelo menos falo por mim.

Cada novo imposto que nos cai em cima, comparo-o ao menino rufia e "bully" que vinha rebentar as bolinhas de sabão que eu soprava no recreio, quando era menina e gostava de fazer bolinhas de sabão...

Cada novo imposto faz esfumarem-se em vazio alguns sonhos que vinha acalentando... puff... puff...

Fazem encolher-me sobre mim mesma, em posição fetal e ansiar pelo colo da minha mãe, para encontrar conforto e serenidade.

São como autênticos murros no estômago.

Por muita capacidade de resiliência que possamos ter, é difícil manter a cara levantada e a cabeça erguida depois duma sova destas...

E eu sinto-me defraudada, depauperada e roubada nos meus sonhos!

E sim, eu sei que há quem esteja muito pior que eu, mas deixem-me lá ter o meu momento de auto-comiseração...


16 de janeiro de 2013

Dos protocolos de segurança dos bancos

Mais depressa um hacker entra na minha conta bancária, do que eu, caso me esqueça do código pin, mesmo com todos os cartões matriz, acesso multi-canal e outros sistemas protocolares de segurança...

Janelas de oportunidade


Há quem siga os seus sonhos, dê um salto de fé, que troque o certo pelo incerto. 

Há quem seja forçado a isso e se sinta esmagado pela dúvida, do "não sei se vou, se fico!", pelas circunstâncias da vida.

Há quem prefira a estabilidade, a rotina, uma espécie de certeza ritmada nas suas vidas e fique num desnorte quando algo faz o "barco abanar" e a vida "estremecer na base"...

Eu, quando confrontada com situações de mudança drástica, depois do estremeção inicial, encaro que toda a mudança encerra um potencial enorme e que prefiro arriscar, mesmo que me arrependa depois. No meu caso, prefiro sinceramente arrepender-me depois de ter corrido mal, do que arrepender-me de nunca ter sequer tentado!



15 de janeiro de 2013

14 de janeiro de 2013

Tu não gostas...

de fazer anos, porque achas que já são demais... começas a sentir o peso da idade.

Mas isso pouco interessa, hoje fazes anos e eu espero que estejamos juntos muitos mais anos, para assinalar esta data!

Parabéns, meu amor!

13 de janeiro de 2013

Privação

Se me quiserem torturar, a mais eficaz é sem dúvida é a tortura do sono!!!

12 de janeiro de 2013

Lei fundamental

Por favor, alguém explique ao Pedro Passos Coelho que a Constituição da República Portuguesa é uma lei, ou melhor, é A LEI fundamental do país que ele diz estar legitimado para governar, desde que não viole a lei...


11 de janeiro de 2013

Custa muito?!

As pessoas em geral andam frustradas, raivosas, tensas, negativas, irritadiças, melindram-se com uma facilidade abismal.

Não perdoam o mais pequeno lapso, deslize ou descuido.

E quando alguém lhes dirige um "desculpe" sincero, um reconhecimento de que erraram e estão arrependidas, as feições permanecem carrancudas, fechadas, sombrias e ressentidas.

Onde foi que todos nós deixámos a sensibilidade ser substituída pelo egoísmo e pelo egocentrismo, ao ponto de não sermos capazes de aceitar naturalmente um pedido de desculpas, de continuarmos a querer descarregar num desconhecido toda a raiva e frustração que sentimos connosco, com os pais ou os filhos, com a classe política e o mundo em geral?!...

Porque é nos tornámos um tanto ou quanto incapazes de esboçar um sorriso, em aceitação de um singelo pedido de desculpas?!...

8 de janeiro de 2013

Falipices #29

Falipe começou a demonstrar alguns receios em descer as escadas sozinho e então, uma tarde pediu-me ajuda.

Dei-lhe a mão, mas por alguma razão, não o fiz como habitualmente. 

Ele continuou a sentir-se inseguro... só percebi isso quando ele exclamou de si para si:

"- Oh pá, isto parece que está difícil..."

7 de janeiro de 2013

E os nomeados são...


Mais uma vez o blog Aventar organiza os prémios da blogosfera do ano 2012.

Inesperadamente, uma querida blogger desta praça, inscreveu este meu humilde blog em duas categorias:

- Auto-conhecimento / Reflexão filosófica - que poderão votar aqui
- Generalista - que poderão votar aqui

Podem votar uma vez por dia, se assim o entenderem e se quiserem despender esse tempo!

O meu muito obrigada a quem me inscreveu, senti-me honrada pela nomeação/inscrição!

Estaria a mentir se dissesse que não gostava de ganhar, nem que fosse uma menção honrosa!

6 de janeiro de 2013

Igualdade de oportunidades entre géneros, a ministra grávida e a vida nas obras

No miserável ano de 2006, tive que fazer uma formação obrigatória de reciclagem de formadora, e nessa altura estava super na berra a temática de igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, e então deixa-te estar para ali a queimar tempo (60 horas, coisas pouca, portanto!) a discutir utopias e clichés sobre como as mulheres são menosprezadas no mercado de trabalho, de como recebem menos e de como são vistas como pouco produtivas, especialmente se em idade reprodutiva fértil... blá, blá, blá wiskas saquetas... 
De formação de formadores pouco aprendi, mas serviu para perceber que no que toca a igualdade de oportunidades entre géneros, pouco ou nada se tinha avançado, especialmente em matérias laborais.

Mais de seis anos volvidos, e eis que a notícia da Cristas ser a primeira ministra a engravidar, estando em funções, merece todo o destaque e pasmem-se que a senhora afirma que irá trabalhar até à data do parto. Não sei que tamanha estupefacção isto possa causar... E dou comigo a pensar que, puta que pariu isto tudo, que somos todos muito avançados e defensores dos direitos humanos, mas estando já na segunda décado do séc. XXI, ainda causa estranheza e espanto uma ministra ter engravidado. Cá por mim, acho que se é para ser assim, então também quero saber sempre que um senhor ministro ou secretário de estado seja contemplado com a paternidade, porque decerto terá que se ausentar por 10 + 30 dias de licença parental...

Quando entrei no mundo da construção civil, em 2004, é claro que um dos maiores receios que tive, além da minha comprovada inexperiência na matéria, foi como iria ser recebida num mundo de homens, ainda por cima com uma função que implicava mudar mentalidades enraizadas havia décadas. Achei que iria ouvir muitas bocas foleiras e ainda mais tiradas carregadas de machismo latino. Curiosamente senti primeiro o desprezo por ter um título académico equivalente a licenciatura, mas que à vista de um qualquer bacharelato em engenharia era uma valente porcaria e poucas regalias me traziam, comparativamente com os senhores engenheiros, até mesmo os estagiários... quem havia de dizer?! Mas sim, fui começando aos poucos a perceber onde haviam comentários carregados de desprezo pela minha condição de mulher, apenas disfarçado pelo respeito que fui conquistando pelo meu desempenho profissional. E sinceramente, deixei de me preocupar com os machistazecos com quem me cruzei... vozes de burro nunca chegaram aos céus, comigo! O primeiro grande sinal de machismo e desigualdade de género que tive que engolir, a seco, foi quando convenientemente uma progressão na carreira que estava assegurada num mês, assim que se soube que estava de esperanças, ficou irremediavelmente adiada, sem prazo definido, porque o momento "não era oportuno"...
Mas mesmo assim, fui apanhada completamente desprevenida quando na sequência de ter sido mãe comecei a sentir na pele uns certos laivos de desprezo e até mesmo revanchismo pela minha recém falta de disponibilidade para continuar a ser pau para toda a obra e ter começado a cumprir finalmente, em alguns dias de semana, os horários que me incumbiam, mas que até à maternidade sempre ignorara, estendendo-os largamente. E foi num misto de espanto e raiva instantânea que fui incapaz de disfarçar ou conter que um dos meus superiores hierárquicos, me disse com todas as letras que eu não era capaz de me sacrificar pela empresa e que eu "não podia ter as duas coisas!", leia-se uma carreira e filhos. O que ele nunca esperou foi que eu tivesse a resposta pronta na ponta da língua e lhe tivesse recordado aquele último mês de licença de aleitamento em que em vez de cumprir o horário reduzido de 6h, cheguei a cumprir 10 e 11h, porque a administração decidira deslocar-me para uma obra a 250 kms da minha residência, apesar de eu estar isenta de disso, por ainda estar a amamentar o meu filho. As horas que cumpri a mais foram-me compensadas, mas apenas porque bati o pé e exigi, depois de me informar com a Comissão para a Igualdade de Direitos entre Homens e Mulheres. Esse meu chefe ficou tão furioso, que não só saiu cagando fogo da reunião, como deixou de me falar durante uma semana, porque eu fiz questão de lhe recordar que lá porque ele tinha tomado a opção pessoal de viver para o trabalho, ele tinha de se capacitar de que a empresa me pagava a mim, e a todos os colaboradores, independentemente do género, para trabalhar 8h diárias, 5 dias da semana e que nós tínhamos família e vida para além da empresa!

Por tudo isto, acho lamentável que a Cristas estar para ser mãe pela 4.ª vez seja uma notícia tão fantástica, porque para mim, revela que este país não é para igualdades de género, nem lá perto... porque até na merda da vida política, muitas mulheres apenas têm lugar na Assembleia e em cargos públicos/políticos, porque há quotas!

4 de janeiro de 2013

A Vontade de Regresso


A Ana C. foi a primeira blogger que comecei a seguir.
Sei que o texto que me deixou rendida foi um sobre a maternidade e a culpa. 
Lembro-me que foi em 2009, quando eu estava a dar os primeiros passos como mãe e já sentia a culpa a galopar sobre mim...

Nunca mais deixei de seguir a Ana C., porque ela escreve de uma forma que não sei propriamente descrever... mas às vezes acho que ela deve ter andado a escarafunchar no recôndito da minha mente... 

O último livro que li em 2012 foi o da Ana C.!

Mais uma vez, fiquei rendida à escrita a que ela me habituou.

"A vida que ficara do seu corpo continuava, lado a lado com a minha própria vida de todos os dias.
Como descobrira com todas as mortes que se haviam cruzado no meu caminho, era forçoso absorvê-las da melhor forma possível, conseguir conviver com elas dentro de mim, sem tentar negá-las, pois cada uma delas simbolizava uma pequena morte interior que era necessário ressuscitar crescendo e eu já me habituara a crescer."

Dúvidas constitucionais

Então, expliquem-me lá como se eu fosse uma criancinha de 5 anos, o que é sucede se o Tribunal Constitucional proferir um acórdão a declarar inconstitucional o Orçamento de Estado 2013?!

Nada, não é?!
Como nada sucedeu após a declaração de inconstitucionalidade da retirada de subsídios de férias e de natal, certo?!

Ah, sim, correcção... aconteceu alguma coisa depois disso: a retirada de subsídios que era apenas destinada aos funcionários do público, foi alargada aos do privado e aos pensionistas e reformados, em maior ou menor grau... pois...

A minha pergunta prende-se com as consequências da inconstitucionalidade para essa massa de seres humanos que lamentavelmente nos governam, a começar no primeiro-ministro, passando pelos relvas e gaspares, cratos e macedos em geral, pelos ilustríssimos senhores deputados da assembleia e terminando no presidente da república.

3 de janeiro de 2013

Advertência automibilística

Aos senhores que mexeram no espelho lateral do meu humilde bólide e aos que pensem sequer por segundos vir a fazê-lo... livrai-vos de eu vos apanhar no flagrante delito!

A sério, aviso-os já que não respondo por mim!

É que se eu faço por não tocar na vossa propriedade móvel, agradeço o mesmo tratamento. 
E não, eu não estacionei a uma distância demasiado curta de vós... mesmo para evitar quincas e demais fananços na pintura já de si maltratada por anónimos profundamente descuidados da propriedade alheia.

Por isso, vos advirto: Não mexe! Não toca!

É que se eu tiver que abrir cordões à bolsa para pagar por eventuais danos, sou capaz de ficar ceguinha!
É que ainda recordo como se fosse hoje aqueles quinze contos que tive que pagar por espelho novo no meu saudoso Peugeotzito, há já uns 8 anos!Alguém espaçoso como o Jaba the Hut me partiu o espelho, na tentativa de sair do carro (calculo, que pela janela) depois de ter estacionado a escassos centímetros do carro, achou que seria boa ideia partir os apoios do espelho, ficando eu no prejuízo!

Por isso, manápulas longe do meu carripano!

1 de janeiro de 2013

Caminhemos

Caminharemos de Olhos DeslumbradosCaminharemos de olhos deslumbrados 
E braços estendidos 
E nos lábios incertos levaremos 
O gosto a sol e a sangue dos sentidos. 

Onde estivermos, há-de estar o vento 
Cortado de perfumes e gemidos. 
Onde vivermos, há-de ser o templo 
Dos nossos jovens dentes devorando 
Os frutos proibidos. 

No ritual do verão descobriremos 
O segredo dos deuses interditos 
E marcados na testa exaltaremos 
Estátuas de heróis castrados e malditos. 

Ó deus do sangue! deus de misericórdia! 
Ó deus das virgens loucas 
Dos amantes com cio, 
Impõe-nos sobre o ventre as tuas mãos de rosas, 
Unge os nossos cabelos com o teu desvario! 

Desce-nos sobre o corpo como um falus irado, 
Fustiga-nos os membros como um látego doido, 
Numa chuva de fogo torna-nos sagrados, 
Imola-nos os sexos a um arcanjo loiro. 

Persegue-nos, estonteia-nos, degola-nos, castiga-nos, 
Arranca-nos os olhos, violenta-nos as bocas, 
Atapeta de flores a estrada que seguimos 
E carrega de aromas a brisa que nos toca. 

Nus e ensanguentados dançaremos a glória 
Dos nossos esponsais eternos com o estio 
E coroados de apupos teremos a vitória 
De nos rirmos do mundo num leito vazio. 



Ary dos Santos, in 'Liturgia do Sangue'