29 de novembro de 2013

Falipices #61 - Falipe, o Poupado

Este ano, contrariamente a anos anteriores, eu e o G. andamos sem fazer ideia o que comprar ao Falipe pelo "nataliversário"...

Tentámos sonda-lo por diversas vezes, sem grande sucesso. Apesar de ele ficar hipnotizado a assistir aos blocos publicitários no canal dos desenhos animados (que logo no início de Novembro, passaram de 1 minuto para 15 minutos), nunca manifestou qualquer preferência ou desejo por um brinquedo específico.

Há dias, fizemos nova investida para tentar perceber que presente ele poderia desejar.

G. - Então, conta lá, que brinquedo queres pelos teus anos?
Falipe - não quero brinquedos! Já tenho brinquedos...

G. - Mas não queres nenhum novo?
Falipe - Não! Eu gosto dos meus brinquedos! Não quero novos brinquedos...

G. - Então, e sem ser brinquedos? Não há nada que gostasses de receber?
Falipe (já visivelmente irritado pela insistência no assunto...) - Não! Já disse! Gosto dos meus brinquedos... não quero brinquedos novos!

Filho, eu realmente aprecio que sejas poupadinho e que estimes o que já tens, mas também não é preciso tanto, sim?! 

Isto é uma outra forma de dizer que estamos tramados, porque não fazemos ideia do que lhe oferecer...

27 de novembro de 2013

Apelo a conhecidos e semi-estranhos

Por favor, coíbam-se de me esfregar as vossas mãos congeladas no rosto!

Eu não preciso de mais uma demonstração de que está frio!

Pasmem-se ou não, mas eu também sinto frio e nem por isso andei a pregar os meus dedinhos congelados na vossa cara, pois não?!

Obrigadinha pela atenção!

26 de novembro de 2013

A comunicação social no seu melhor

Assisti ontem completamente abismada à forma como os quatro canais de televisão nacional, no decorrer dos seus blocos noticiosos,  interromperam a emissão para irem em directo para a sessão de homenagem ao General Ramalho Eanes, no momento em que este começou a discursar, e todos eles (os canais) foram "deixando" de seguir o discurso do senhor...

Uns levaram 2/3 minutos a "desligar" a ficha, os outros ainda aguentaram até sensivelmente meio do discurso, e outros ficaram ali a uns minutos do fim...

Ah já sei... deviam estar à espera de declarações bombásticas... é isso! Talvez esperassem que o General, como militar de carreira que é, inspirasse a malta a uma revolução, contra o Governo, que instigasse à violência... mas ele ficou-se apenas pela "recuperação da ética"... pois...

Mas como a pessoa que discursava de forma roufena e humilde, se limitou a agradecer a homenagem, isso não interessa a ninguém... certinho!

Ao menos, esperar-se-ia um bocadinho mais de respeito pela figura homenageada... diria eu!

25 de novembro de 2013

Girl Rising


Sempre dei graças por ter nascido num país, onde apesar de ainda subsistir alguma grande dose de machismo (especialmente nos meandros laborais), as mulheres são livres e gozam de estatuto igual.

Sempre agradeci o facto de poder estudar e seguir o caminho que eu quisesse. Especialmente grata à minha mãe, por sempre me ter deixado tomar as minhas próprias opções, ter as minhas opiniões formadas. 

Agradeci mais tarde, a possibilidade de trabalhar num mundo quase exclusivo de homens, e sentir-me respeitada por todos os meus colegas de trabalhos (uns mais que outros é certo...) e contar apenas com um ou dois episódios de discriminação com base no género durante esse tempo...

Todos os dias me sinto grata por ter encontrado um companheiro que me respeita, que me apoia a 100%, que me incentiva e que me acompanha na educação do meu filho, para que aprenda a respeitar todos por igual, homens ou mulheres, jovens ou idosos.

Infelizmente, há muitas meninas, jovens adolescentes e mulheres espalhadas por este mundo fora que têm que lutar, algumas com risco de vida, para terem um pouco de respeito e dignidade, só pelo simples facto de serem do sexo feminino....

22 de novembro de 2013

Falipices #60 - as conjugações verbais

O Falipe parece já ter percebido que há verbos que têm um componente "atracado"... desculpem não saber chamar os bois pelos nomes, mas os meus conhecimentos de sintaxe andam mesmo muito enferrujados...

É muito giro ver as conjugações verbais que ele inventa! Algumas das situações dispensavam mesmo o complemento.

- Mãe, eu fizio...

- Papá, eu trouxe-lo da escola

- Eu não sei fazei-lo...

- Viste mãe?! Eu consegui-lo!

20 de novembro de 2013

Pérolas futebolísticas

Não ligo muito ao futebol... ouço uns debates mais acesos aqui e além entre colegas de trabalho e pouco mais que isso.

Mas confesso que me rio a bandeiras despregadas com as declarações de treinadores e de alguns jogadores, todos eles donos dum português absolutamente hilariante.

Declarações de Jorge Jesus, na véspera dum jogo do Benfica com uma equipa grega, em resposta à pergunta dum jornalista sobre a importância desse jogo:

"- Este jogo é mesmo muito importante, porque é o próximo."

Ah bom, é só porque é o próximo... não é porque isso poderia significar a permanência da equipa em competição... digo eu, que nem percebo muito do assunto...

Declarações de Paulo Bento ontem, antes do jogo da selecção nacional com a Suécia, quando questionado sobre que estratégia iria implementar para alcançar a qualificação para o mundial:

"- Penso que a melhor estratégia será tentar ganhar."

Pois... mais uma vez, eu que pouco pesco do jogo da bola, tenho cá para mim que qualquer estratégia de jogo passará por ganhar... ou neste caso, pelo menos tentar! Ou será que a malta joga só para empatar?!

19 de novembro de 2013

Falipices #59 - Falipe e os esquimós

Quando era miúda, a minha mãe brincava comigo muitas vezes ao "beijinho à esquimó", roçando os nosso narizes.

A brincadeira ficou-me de pequena e ensinei-a ao Falipe.

O engraçado é que os "esquimós" fazem mesmo muita confusão ao Falipe...

- Mamã, os esquimós andam como?
- E como é que eles dormem? Eles têm uma cama?

- Mãe, o que comem os esquimós?
- Os esquimós têm braços como nós? E pernas?!

- Os esquimós têm casas?
- Mamã, os esquimós têm olhos e boca e nariz?

Estou sempre a responder-lhe que são pessoas como nós. Que apenas dão beijinhos com nariz. E que moram no Pólo Norte.

Mas tenho cá para mim que ele julga que os esquimós são seres mágicos e não deste mundo...

18 de novembro de 2013

Vê-se mesmo que tenho jeito para isto...

Decidi semear umas sementes de pimento fora de tempo... 3 meses atrasados... mais coisa menos coisa.

Mas a natureza é surpreendente!

Os pimenteiros rebentaram, cresceram e floresceram. Fora de tempo, claro está!

Foram atacados pelas lagartinhas verdes e pelos caracóis. Fiz o meu melhor para os salvar de morrer assim às bocas dos bicharocos. Graças ao conselho precioso da Titá.



Mesmo com a chegada do Outono e até mesmo com alguns rigores de frio, cá está a minha colheita de pimentos.

Fora de tempo... 3 meses ou mais de atraso.
São pimentos, mas parecem pequenas malaguetas... mas não têm adubos nenhuns. Diz-se que são biológicos!



14 de novembro de 2013

Carta de mãe

Gosto de te observar.

De ficar quieta e imóvel apenas e só a "absorver-te", os teus gestos, a forma como respiras, o teu olhar preso de atenção ao televisor. Os teus olhos castanho escuro, em tudo iguais aos do "teu pai", como proclamas.

Gosto de ver os teus olhos cerrados num sono suave e doce, logo pela manhã, quando o teu pai te deposita na nossa cama, ao meu lado, e eu faço ronha por mais cinco ou dez minutos. Olho para o teu rosto angelical, de pele clara e macia e fico sempre espantada ao constatar que tens umas pestanas enormes e lindas.

Por vezes, estendes a tua mão na minha direcção e afagas o meu rosto, como que dando a entender que percebes que eu estou fixamente a observar-te, como se quisesses que deixe de o fazer. Outras vezes, aproximas-te de mim, buscando conforto no calor do meu corpo e aquele espaço perfeito para te encaixares no meu colo, que só tu conheces. E eu recebo-te com o coração a transbordar de amor por ti.

Outras manhãs, estás mais desperto e são inúmeras as vezes que me tentas acordar, mesmo quando estou a ter dificuldade em acatar a ordem do despertador... o meu coração transborda ainda mais quando nessas manhãs, uma das primeiras coisas que me dizes é "gosto muito de ti, mamã!"

És o meu doce menino, curioso e inteligente. Que agora descobriu que pode dar desculpas esfarrapadas como "dói-me a perna" ou "isso faz-me doer a barriga" quando está preguiçoso.

Começaste a inventar palavras que eu não entendo e ficas todo convencido que estás a dizer coisas importantes. Devoras livros de actividades mais depressa do que eu esperaria e todos os teus desenhos incluem letras e números. Deliras quando a professora manda a pasta com o TPC e eu pergunto-me se vais sempre gostar assim tanto de os fazer, antes de tudo e mais alguma coisa, quando chegas a casa.

Encostas a tua cabeça à minha barriga e afirmas convicto que vais crescer muito mais do que a minha cabeça, porque queres ser grande como o papá. Eu acredito mesmo que sim, meu menino já homenzinho.

O meu colo parece já pequeno diante do teu tamanho, e os meus braços começam a ter dificuldade em suportar o teu peso. Mas és e sempre serás o meu menino, o meu bebé, o meu amor pequenino!

escrito ao som de http://youtu.be/WnImUjPG8qI

13 de novembro de 2013

Desculpas esfarrapadas

Há dias parei a ler este artigo da Visão, e de imediato pensei comigo "falta aqui uma desculpa esfarrapada!"

Achei que faltava ali uma desculpa mesmo muito mal amanhada, que ouvi uma chefia minha invocar para faltar ao trabalho a uma sexta e segunda-feira seguinte:

- Morreu o meu cão! Estou de luto...

Até teria achado piada e um episódio um tanto ou quanto caricato o meu chefe vir trabalhar na terça-feira, com ar de quem lhe faleceu um parente próximo* (acredito piamente que tivesse uma verdadeira relação de afeição ao animal e digo isto sem qualquer réstia de ironia), se nesse mesmo dia eu não estivesse de luto pela morte do meu pai, falecido quatro dias antes... 

Enquanto o meu chefe colocou a maior cara de tristeza e dor profunda pela morte do seu amigo de quatro patas, eu fiz um esforço tremendo para ir trabalhar e não deixar transparecer o negrume que me ia na alma.

Fiquei ainda mais incomodada, quando me apercebi da sua tremenda falta de chá enquanto me descrevia o quanto estava sofredor, estando eu ainda mal refeita do desaparecimento do meu pai... Caiu-me mal a sua atitude e fez com que eu, habitualmente empática perante as perdas dos outros, nunca mais tivesse conseguido manter uma postura respeitosa perante este meu chefe, por quem eu já não "morria de amores"...

Há pessoas que invocam as razões mais estapafúrdias para faltar ao trabalho, mas há outras que passam claramente das marcas.




* - Antes que me acusem de insensível, deixem-me dizer que já tive vários animais, entre cães e gatos e que senti profundamente a sua perda durante bastante tempo e ainda hoje os recordo com carinho.



11 de novembro de 2013

Soltas...

É bom voltar a ouvir músicas de outros tempos... aconchega o coração e a alma!

A minha intuição feminina ainda é o que era, e o tempo vai-se encarregando de me mostrar que costumo estar certa e que por isso, nunca devia duvidar da voz que me sussurra atrás da orelha em relação a pequenos acontecimentos... só não acerto no euromilhões, porque invariavelmente não jogo!

Ir à feira de S. Martinho e não comer farturas não é a mesma coisa!

Os carrosséis e carrinhos de choque da feira são um verdadeiro estoiro de dinheiro, mas a felicidade estampada no rosto do meu filho vale cada cêntimo!!

Quando as pessoas nos sentem a falta, têm por hábito procurar-nos... quando não sentem, esperam sempre que sejamos nós a procurar... e isso diz mais sobre ti do que sobre eles...

Novembro passa a ser sinónimo de pagar IMI, tal como Abril...

Cada vez tenho menos paciência para pessoas armadas ao chico-espertismo (e isso inclui duas serigaitas de 8 anos armadas em penetras na fila da montanha-russa)

Se calhar devia começar a pensar se vou realmente fazer festa de aniversário ao Falipe, dois ou três dias depois da data...



4 de novembro de 2013

Falipices #58

Cada vez mais, o Falipe tem noção de que eu faço "coisas" com as mãos.

Esta manhã o frio já apertava, e decidimos pôr-lhe um gorro na cabeça para o proteger.

O Falipe ficou super contente por levar um gorro! Estava tão feliz que só dizia que ia mostrar à auxiliar e a à professora.

Às tantas, no caminho para a escola pergunta-me:

- Mãe, tu não tens um gorro?

Eu respondo que não tenho assim nenhum de jeito, e acrescento que até nem aprecio muito usar gorros...

Mas pelos vistos, ele entendeu que era importante eu ter um gorro também.

- Mãe, quando chegares a casa fazes um, 'tá bem?!

Ah, então está bem... afinal de contas, eu não tenho mais nada para fazer...

Este meu filho deixa-me babada de orgulho!

1 de novembro de 2013

No dia de Todos os Santos...

Em vez de assinalar o Halloween ou o Dia das Bruxas, ou que seja destas festas importadas...

Em vez de brincar aos fantasmas, aos monstros e às bruxas, assumi seriamente a minha obrigação de filha única, e fui tratar da tua lápide tumular, pai.

Escrever a dedicatória para ser gravada na fria pedra mármore foi uma tarefa complexa para mim, que quase 4 anos passados, sinto que ainda não consigo ter o distanciamento necessário para escrever a saudade que carrego e a tristeza de não estares cá. Há o espaço de gravação a ser considerado, e também o custo da gravação à letra...

Eu sei que já deveria ter tratado deste assunto, mas a força para o fazer, só agora reuni...

A escolha da fotografia não foi tarefa menos simples. Porque apesar de eu gostar mais desta ou daquela fotografia, recordo-me bem que as detestavas por esta ou aquela razão e dizias sempre que não tinhas "ficado bem"!

O senhor que me atendeu na oficina de mármores fez-me perguntas para as quais não sabia bem as respostas... a não ser dizer aquilo que ele já depreendera: 

É a primeira vez que mando fazer uma lápide!

Espero bem que nem tão cedo tenha que tratar de mais alguma...