14 de novembro de 2013

Carta de mãe

Gosto de te observar.

De ficar quieta e imóvel apenas e só a "absorver-te", os teus gestos, a forma como respiras, o teu olhar preso de atenção ao televisor. Os teus olhos castanho escuro, em tudo iguais aos do "teu pai", como proclamas.

Gosto de ver os teus olhos cerrados num sono suave e doce, logo pela manhã, quando o teu pai te deposita na nossa cama, ao meu lado, e eu faço ronha por mais cinco ou dez minutos. Olho para o teu rosto angelical, de pele clara e macia e fico sempre espantada ao constatar que tens umas pestanas enormes e lindas.

Por vezes, estendes a tua mão na minha direcção e afagas o meu rosto, como que dando a entender que percebes que eu estou fixamente a observar-te, como se quisesses que deixe de o fazer. Outras vezes, aproximas-te de mim, buscando conforto no calor do meu corpo e aquele espaço perfeito para te encaixares no meu colo, que só tu conheces. E eu recebo-te com o coração a transbordar de amor por ti.

Outras manhãs, estás mais desperto e são inúmeras as vezes que me tentas acordar, mesmo quando estou a ter dificuldade em acatar a ordem do despertador... o meu coração transborda ainda mais quando nessas manhãs, uma das primeiras coisas que me dizes é "gosto muito de ti, mamã!"

És o meu doce menino, curioso e inteligente. Que agora descobriu que pode dar desculpas esfarrapadas como "dói-me a perna" ou "isso faz-me doer a barriga" quando está preguiçoso.

Começaste a inventar palavras que eu não entendo e ficas todo convencido que estás a dizer coisas importantes. Devoras livros de actividades mais depressa do que eu esperaria e todos os teus desenhos incluem letras e números. Deliras quando a professora manda a pasta com o TPC e eu pergunto-me se vais sempre gostar assim tanto de os fazer, antes de tudo e mais alguma coisa, quando chegas a casa.

Encostas a tua cabeça à minha barriga e afirmas convicto que vais crescer muito mais do que a minha cabeça, porque queres ser grande como o papá. Eu acredito mesmo que sim, meu menino já homenzinho.

O meu colo parece já pequeno diante do teu tamanho, e os meus braços começam a ter dificuldade em suportar o teu peso. Mas és e sempre serás o meu menino, o meu bebé, o meu amor pequenino!

escrito ao som de http://youtu.be/WnImUjPG8qI

5 comentários:

Arco Iris disse...

Que bom!...
Que bonito!...
É o Falipe a crescer .

Maria Duarte disse...

Eram esses os momentos que devíamos lembrar para sempre...

A menina cos(z)e? disse...

Tão enternecedor. :) Beijinho

Carla Marina disse...

Nada como as palavras escritas e sentidas de uma mãe. O Falipe é um menino sortudo, com uma mãe que sente assim.

Beijinho e boa semana.

Tanita disse...

Que palavras bonitas...só poderiam vir mesmo de ti!