30 de agosto de 2013

Porque eu mereço!

O Falipe anda birrento, rabugento, impertinente e fartinho das milhentas actividades das férias desportivas.

Eu já não lido bem com o despertador todas as manhãs, e só tenho ganas de o escangalhar todo! Para as "guerrinhas" do local de trabalho então, já nem tenho paciência e sinto que devo revirar os olhos pelo menos duas vezes a cada meia hora...

O G. já faz uma série de coisas em piloto automático (algumas resultam em asneira e/ou atrasos desnecessários) e quando engrena num assunto, discorre longamente em raciocínios em modo "relantim", que eu custo a acompanhar....

Precisamos de férias como de água para matar a sede. Precisamos de férias em conjunto, de nos encontrarmos sem pressas à mesa, na praia, no campo, na esplanada. De fazer o que nos aprouver! E de descansar o corpo e a mente!

Por isso, nada como uns dias ausente destas "planícies" e algures perto da mais linda praia-baía de Portugal e quiçá do mundo!


28 de agosto de 2013

Baú da felicidade #14

Ver a figueira dar os seus frutos mesmo que eu não os coma, porque detesto...

Recordar o meu pai com a sua faca de bolso a apanhar figos e comê-los ali mesmo ao lado da árvore. Ou dos jantares dele, apenas de figos com pão.

Recordar as histórias que a minha mãe contava dos seus tempos de moça nova, da sua gulodice por figos a levar a subir às figueiras e comer todos quantos apanhasse antes de chegar a casa.

Ouvir a minha mãe dizer que a coisa mais díficil que tivera que suportar durante a gravidez de mim foi estar proibida de comer figos, porque estava a engordar mais da conta.



27 de agosto de 2013

O "Gama"

Costumava vê-lo em diversos locais da cidade.
Eu e os meus colegas costumávamos comentar as semelhanças físicas com Karl Marx, mas numa versão talvez mais jovem.

Por vezes questionava-me quem seria, porque era habitual ele estar sempre sozinho. Era uma figura um tanto solitária e parecia haver uma qualquer tristeza no seu semblante.

Um certo dia, ao final da tarde, já naquele lusco-fusco da noite prestes a cair, vi-me sozinha na paragem do trolley n.º 3 que saía de Santo António dos Olivais, apenas com ele por companhia.

Trocámos olhares. A sua barba grisalha e farta dava-lhe um ar sombrio àquela hora... senti um certo arrepio, uma apreensão inexplicável ao de leve.

Até que ele tomou a iniciativa e encetou uma qualquer conversa de circunstância.

O meu ser preconceituoso e pejado de julgamento de valor imediatamente gritou em silêncio: "mais um dos maluquinhos que povoam a cidade de Coimbra."

Esgotada a conversa de circunstância, apresentou-se:

- Olá eu sou o Gama.

Os olhos dele sorriram e a minha apreensão como que se suavizou...

Nos dez minutos em que nos vimos ali parados, aguardando o n.º 3, o Gama contou-me resumidamente que era um ser solitário, porque a vida dele era difícil mas que não se sentia bem com a solidão.

O seu filho de 19 anos sofria de esquizofrenia e nos surtos mais intensos, tentava partir para a agressão física, tendo mesmo empunhado uma faca de cozinha contra a mãe. Admitiu que a esposa tinha maior capacidade para lidar com a situação do que ele... ele preferia sair de casa, mesmo que sem destino.

Fui-me apercebendo que o Gama era apenas e só um homem um tanto amargurado pelo desenrolar do destino do seu filho e que para fugir àquela realidade procurava desesperadamente a companhia alheia, de estranhos, de conhecidos, de quem se apresentasse disponível para o ouvir. 

Essa necessidade parecia acentuar-se particularmente nos períodos em que o filho se encontrava mais instável...

Encontrei o Gama muitas mais vezes ao longo do meu percurso académico, quase invariavelmente no Tropical, no Cartola ou no bar da Associação Académica, onde os estudantes se costumavam concentrar, sedento de companhia com quem pudesse meter conversa e falar de política, história, arte, o que fosse.

Sentir-se incluído em debates, principalmente com os muitos estudantes, que o estimulassem mentalmente fazia-o sorrir, parecia que os olhos brilhavam e o rosto iluminava-se.

No fundo, o Gama só queria alguém com quem pudesse conversar e talvez, quem sabe, abstrair-se da doença do filho.

Desde que terminei a licenciatura nunca mais o vi.

Mas às vezes lembro-me do Gama, que além de ser muito parecido com o filósofo, também gostava de filosofar. 
Especialmente acompanhado...

26 de agosto de 2013

Diz que parece que fazer coisas sozinha é coisa de pessoas-meio-estranhas...

A propósito deste post da Sal, teci o seguinte comentário:

"É uma cena que me irrita mesmo, porque não se pode fazer coisas que nos dão prazer sozinhas?! Qual é o mal?!

Eu adoro ir para a praia sozinha, ao cinema sozinha e teria adorado ir à Fatacil sozinha... assim via o que me apetecia, à minha maneira e não teria perdido metade da feira por conta do ritmo dos outros..." (*)


Não sei de é de ser filha única e ter crescido um pouco a brincar sozinha, fingindo estar acompanhada, que desde cedo me habituei a fazer "coisas" sozinha. 

No entanto, na nossa sociedade, o facto de não nos importarmos e até mesmo desejarmos fazer coisas sozinha, é mal visto! Ou pelo menos, olham-nos com aquele ar de "esta fulana deve ter um parafuso mal apertado" ou "pobrezinha, não encontra nenhuma alminha caridosa que a queira acompanhar sem ser arrastado..."

E isto aborrece-me profundamente! Porque cargas d'água hei-de eu ir acompanhada a qualquer lado, só porque sim, se isso significa que das duas uma: a) um de nós está a fazer um frete tremendo, ou b) alguém abdica de desfrutar condignamente da coisa que está a fazer!??

Não sou de pagar fretes a ninguém, como tal também dispenso que os façam por mim!

Isto tudo leva-me aos saudosos anos de 1998/99 (em que eu fui tão feliz!), nesses tempos que apelidei de "a minha fase egoísta", em que não dava satisfações a ninguém a não ser a mim mesma, ia se queria ir, vinha se queria vir, ficava se queria ficar e tantas coisas coisas que fazia só porque sim, porque me apetecia! E podia!... 

Nunca me conheci tanto a mim mesma como nesses tempos, que foram deveras úteis para que soubesse quem eu sou, o queria da vida, o que não queria na minha vida (incluindo pessoas...), o que gosto muito, pouco ou nada. Descobri aquilo que me fazia vibrar e querer ir mais além, e aquilo que me fazia mal e me deixava encolhida em posição fetal, com medo ou aversão.

Esses tempos foram-me muito úteis, voltaria a passar por eles de novo sem qualquer problema, e digo muitas vezes que há pessoas que deveriam passar por uma fase assim nas suas vidas, para descobrirem um pouco melhor quem são verdadeiramente e como podem ser mais felizes.

Acho muito triste que se passe uma existência solitária, estando sempre acompanhada!
 

(*)Digamos que ainda não digeri bem o facto de que gastei 5€ num bilhete para ir ver uma feira que me interessava, para ter que andar a "toque-de-caixa" e ver tudo de relance... aliás, o pouco que consegui ver!
 

Baú da felicidade #13

As flores da "grinalda de noiva".


24 de agosto de 2013

Sons que me levam a lugares

Os meus anos de faculdade foram excelentes, memoráveis e dos quais guardo essencialmente as amizades que durarão sempre, mesmo que estejamos todos espalhados "por esse mundo fora" (sim, uma delas está em Hong Kong) e o quanto cresci como pessoa, no quanto alarguei horizontes sobre as pessoas, o mundo e me auto-conheci!

Uma das recordações maiores que tenho é a de uma série de músicas que a minha colega de casa, a Paula, ouvia até à exaustão, diversas vezes ao dia, dias consecutivos, por períodos de dois ou três meses. Até que passava a outra música, pela qual ficasse obcecada, e começava tudo de novo! Eu e a outra colega, a Cristina, a princípio estranhámos, depois entranhamos... 

Hoje em dia, esse lote de músicas com que a Paula nos foi "torturando" são parte intrínseca de mim e nas raras ocasiões em que as ouço inusitadamente em qualquer lado, é como se regressasse aos anos entre 1997 e 2000... se existem viagens no tempo, esta é certamente umas das formas!

21 de agosto de 2013

"Debaixo de algum céu"


tirado da net

Gostei bastante desta história do Nuno Camarneiro. 
Sem ser um livro excepcional, tem todo o mérito, pois há certos momentos da história que me conseguiram perturbar verdadeiramente e fizeram acelerar o meu coração ou enchê-lo de compreensão, tristeza, alegria, sorrisos. Só por isso valeu bem a pena!

"O medo nasce em qualquer lugar, como erva daninha por dentro. O medo suporta tudo e cresce no escuro até ser adulto, até ser do tamanho de um homem, e de lhe tomar o corpo e pensar por ele."

"O problema é desenhar a vida em forma de montanha, dar um cume à vida e querer atingi-lo como se o seu sentido dependesse desse acto. O sentido da vida, a existir, há-de ser como o sentido de uma montanha, e não muda por lhe chegarmos ao topo ou nos perdermos pelas encostas. Penso assim porque fiquei a meio, pior ainda, porque fiquei a escassos metros do topo. Mas o problema de atingir um objectivo é decidir o que fazer depois de o atingir, e em nada é diferente a minha situação por não o ter atingido."

Baú da felicidade #11



19 de agosto de 2013

A Gaiola Dourada

Um dos melhores filmes que vi em anos!
Absolutamente soberbo!
Mais do que um retrato dos emigrantes portugueses em França, é um retrato tão fiel da nossa cultura, da nossa mentalidade, do nosso povo!
Se não viram ainda, a sério, não percam!!!

15 de agosto de 2013

Dá para perceber?...

Que eu tenho uma grande panca por esta cabana?!

Mas lá que ela é fotogénica, lá isso é!


13 de agosto de 2013

Observações casuais

No passado domingo fomos todos à praia.
Estava uma tarde maravilhosa, a água um caldinho e a maré até fazia uma piscina natural que fez as delícias do Falipe.

A determinada altura, chegaram duas moças novas, uma delas trazia o seu filho pequeno, que teria uns dois anos e meio. Com elas traziam também um cão de porte médio. 

Como é quase forçoso, foram pespegar-se praticamente em cima de nós... o que foi frustrante para nós, que fizemos um esforço para não o fazer em relação a quem já estava na praia e tentámos ficar em "terreno neutro".

Estas duas moças trouxeram uma bola de ténis que arremessaram uma vez e outra e outra ao seu cão, o que significa que muitas vezes, este nos fazia umas valentes razias na sua ânsia de apanhar a bola de ténis, salpicando água e areia à passagem em sucessivos sprints pelo meio das pessoas que estavam a caminhar ou simplesmente sentadas à beira-mar.

Comecei a sentir-me profundamente incomodada com a situação, porque em duas ocasiões o cão quase derrubava o Falipe.

A determinada altura, apercebi-me que o rapazinho andava a brincar sozinho, sem que a mãe sequer se desse conta disso... a criança percorreu alguns metros e deteve-se a falar com estranhos, dois chapéus de sol mais à frente. 
Enquanto isso, a mãe permanecia de costas para ele, atenta ao cão e concentrada em continuar a atirar a bola e a garantir que ele a trazia à sua mão.

Nas duas horas e meia que aquelas duas moças estiveram na praia, brincaram quase exclusivamente com o cão e praticamente nada com o menino. Naquele período de tempo, pouca ou nenhuma atenção foi dada àquele rapazinho que só queria alguém para brincar, enquanto a mãe estava ocupada a brincar com o cão...

Enquanto ela arremessava a bola, de costas viradas ao seu filho, o menino procurava nas redondezas quem quisesse brincar com ele...

12 de agosto de 2013

10 de agosto de 2013

8 de agosto de 2013

Dizem que o amor (de mãe) é cego...

O amor de mãe é cego.
Nasce muito antes de ela ser mãe efectivamente, antes de conhecer o rosto do seu filho.
Cresce à medida do crescimento da barriga, onde o bebé se estende e revolve.
Aumenta exponencialmente nesse primeiro encontro, e transforma-se num amor profundo, acrescentado a cada dia que passa.

O amor de mãe é cego, diante de noites mal dormidas, sonos interrompidos a intervalos de poucas horas, choros cuja causa ainda não entende muito bem. 

O amor de mãe não conhece obstáculos ou fronteiras.
Não esmorece perante as manhas ou as birras do pequeno ser que gerou.
Faz encolher milhões de vezes o coração à mais pequena maleita ou dói-dói da sua cria.

O amor de mãe é cego e não guarda ressentimento, pois perdoa instantaneamente e esquece em apenas um minuto as tropelias, teimosias, chantagens e asneiras praticadas por seres de palmo e meio.

Aumenta essa cegueira a cada nova conquista, a cada novo conhecimento adquirido, a cada aprendizagem, a cada nova etapa e principalmente quando o seu filho aprende a dominar a arte do elogio e do sorriso.

O amor de mãe é cego pois desconhece o que o seu filho se tornará no futuro, tendo apenas a firme certeza de que independentemente das escolhas de vida, pessoal e profissional, que ele venha a fazer, o amará com todas as fibras do seu corpo e todos os milímetros do seu coração.
O amor é cego e torna-se surdo selectivamente quando ele pretende reclamar independência.
O amor de mãe é cego a ponto de aceitar o que não compreende, mesmo consciente de que as escolhas foram más e terão resultados desastrosos.

O amor de mãe é cego porque apenas tem um objectivo em mente: que o seu filho seja feliz!

7 de agosto de 2013

Por favor, alguém me explique...

Tanto progresso e tanta investigação para reduzir os "phones" ao tamanho mais mini mini mini... até ficarem mais ou menos assim:

Para agora andar a malta toda apetrechada com os "phones" mais gigantescos e preferencialmente mais parecidos com um semáforo, pela rua fora...

Estarão todos numa de revivalismo?!

6 de agosto de 2013

Baú da felicidade #7

Descobrir músicas que não conhecíamos e que sabem tão bem ouvir!
E até tem o nome de algo que eu adoro: chocolate!

Falipices #52 - Já??????!!!!!!

Sexta-feira, ao ir buscar o Falipe à escola, vou encontrá-lo num círculo de crianças, formado por 4 meninas e mais um menino mais velho.


Ouvia as gargalhadas estridentes de quem se está a divertir mesmo muito.

Quando cheguei perto pude perceber que a brincadeira consistia em experimentar a dar beijinhos na boca, sendo que o Falipe era o "centro das atenções" das meninas que estavam no círculo.

Meu filho, começas cedo nos namoricos...

2 de agosto de 2013

Meu querido mês de Agosto

Cheira a Verão.
Cheira a protector solar e a bronzeador.
Cruzamo-nos com pessoas de pele de cor branco-leitoso, pontuado por manchas de vermelhidão, sinónimo de escaldão valente.
As esplanadas estão à pinha, os estacionamentos preenchidos.
Ir ao supermercado é um exercício de gincana, as prateleiras esvaziam-se em questão de horas e as filas alongam-se.
Há fila para a caixa multibanco. 
Há filas de trânsito, a querer imitar o quotidiano na capital do país.
As praias parecem um quadro tirado da época cubista do Picasso, dado o rendilhado de toalhas de banho.
Começam as festas e festarolas.
A cidade enche-se de burburinho, de pessoas.

Chegou o mês de Agosto, chegaram todos os que nos dão boa parte do nosso sustento.

1 de agosto de 2013

Baú da felicidade #6

Há quem chame de azeiteiro, há quem chame de caga-azeite, mas eu cresci a chamar de libelinha.

Esta aterrou na varanda do meu gabinete um destes dias...

Eu fiquei ali quieta a olhar para ela ou ele... e recordei tempos da minha infância em que eu ficava pasmada a olhar para as cores lindas das libelinhas que sobrevoavam o tanque da casa do meu avô.