30 de junho de 2011

Balanços

O meu bom amigo Mfc publicou esta fotografia o mês passado, cuja imagem e texto me ficaram imediatamente no goto! E logo ali decidi que havia de escrever sobre isso...
Revi-me naquelas palavras tão sábia e simplesmente escritas, porque eu sou assim mesmo... volta e meia, começo a pôr tudo em causa, analiso tudo à lupa!
Faço frequentemente balanços daquilo que sou, do que fiz, do como cheguei onde estou e no que me tornei, no que ainda quero fazer, no que em tempos quis fazer e agora parece ter deixado de fazer sentido!
E sempre que olho para trás tento perceber que caminhos percorri ao longo da minha existência e concluo quase invariavelmente que fiz coisas que nunca pensei fazer... que alcancei coisas que nunca acreditaria que ia alcançar se mo tivessem afirmado... 
Nunca tive um plano muito específico de vida, nunca fui de dizer que "eu quero ser isto quando for grande!"... e a Naná que um dia pensou que o seu futuro seria na carreira diplomática, desencantou-se e acabou por descobrir outra vocação, muito mais útil a meu ver e para a qual sei que tenho muito mais perfil. 
Numa altura, custou-me perceber que não iria exercer qualquer profissão directamente relacionada com a licenciatura que tirei na área das Relações Internacionais, e nunca imaginei que viria a aterrar no mundo que são as obras! Mas não me arrependo, porque isso fez de mim uma pessoa muito melhor, mais feliz e mais realizada profissionalmente! Se me perguntarem se eu tornaria a tirar a licenciatura, caso pudesse mudar o meu passado, respondo firmemente que sim! Tiraria sim senhora! Porque os amigos que fiz nesse percurso, as vivências e os conhecimentos que obtive nesse processo valem tanto, mas tanto...!
Quando me ponho a fazer estes balanços de vida, concluo quase sempre que apesar de não estar propriamente onde pensaria que ia estar, não sou menos feliz por isso... Pelo contrário!
E concluo também que tenho poucos arrependimentos... Se dada a oportunidade, obviamente mudaria algumas coisas que fiz no passado, sim! Mas não choro sobre leite derramado e aceito-os como erros que cometi para poder aprender a viver mais feliz...
Acho que o maior arrependimento que sinto nos dias de hoje foi não ter querido aprender a costurar, não ter aceite os inúmeros ensinamentos da minha mãe nessa área... ela bem que se esforçou e sempre me avisou que um dia me arrependeria... e estava certa! (Mas não é nada que não possa reverter e por isso recentemente lancei-me nessa tarefa de aprender as artes da linhas e dos tecidos!)
Depois apercebo-me que já consegui tanto, à custa de muito esforço, sim..- Mas consegui!! 
Às vezes dou por mim a sorrir quando me apercebo que há coisas que sempre desejei ter e fazer e que me aconteceram efectivamente! Podem não ter acontecido pelos meios ou das formas que eu esperava e desejava, mas era aquilo que eu queria!! E só me ocorre aquela expressão inglesa: "good things come to those who wait"...
Portanto, a avaliação final que faço sempre é que vale a pena, tem valido a pena! Tenho lutado muito, mas tenho tanto por que estar grata: tenho um companheiro excelente que amo e me ama, e daí nasceu a pessoa mais bonita que eu conheço e de quem tenho o privilégio de ser mãe e que eu mais amo neste mundo, tenho 1 licenciatura e duas pós-graduações que me abriram portas no mundo laboral e me permitem ter um emprego que gosto e com um rendimento bastante razoável, tenho duas casas "dos meus sonhos", uma família pequena mas linda que me apoia sempre! E uns quantos bons amigos que mesmo geograficamente distantes, estão sempre comigo!
Perdi os meus pais muito cedo, mas fiz tudo por tudo para ultrapassar a dor e seguir em frente. Não me deixei dominar nem definir pelo sofrimento que isso me causou! Hoje vivo com a saudade e a memória deles e é nisso que busco muitas das minhas forças! Assim como no meu filho e no meu amor!
Tenho tanto por que estar grata e tenho projectos para o meu futuro! Há tanta coisa que quero ver, fazer, experimentar... viver!
Por tudo isto, no fim das contas parciais feitas, o balanço é altamente positivo!!

Porque às vezes é preciso relembrar o óbvio!

29 de junho de 2011

28 de junho de 2011

Racismo ao vivo e a cores... ou como a vida nas obras está cada vez mais difícil!

Até há bem pouco tempo, trabalhava no sector da construção civil, e pude testemunhar em primeira mão o declínio acentuado que foi provocado pela crise económico-financeira e do sector imobiliário.
Quando comecei a trabalhar nas obras, há 7 anos atrás, a empresa onde eu trabalhava dava-se ao luxo de só concorrer a obras de construção de resorts e empreendimentos turísticos... quando me vim embora, já concorria a "tudo o que mexesse", neste caso... dinheiro!
E com as dificuldades a se tornarem cada vez maiores, os casos de patrões que aldrabavam os seus trabalhadores e lhes ficavam a dever ordenados, começaram a multiplicar-se... a ponto de ser quase uma raridade encontrar um subempreiteiro que pagasse tudo e a tempo e horas...
Desde que comecei a trabalhar neste sector, sempre me apercebi que o racismo estava em toda a parte... europeus de leste-africanos, portugueses-africanos, africanos-brasileiros, brasileiros-europeus de leste, africanos-africanos, europeus de leste-europeus de leste, portugueses-brasileiros. 
Umas vezes, o racismo surgia de forma dissimulada e encapotada, outras vezes era frontal e directo....
Mas acho que a única vez que o vi/senti, em primeira mão, de forma directa e crua foi, quando no meu último dia de trabalho nessa dita empresa, os funcionários de um subempreiteiro que, carregado de dívidas e sem grandes possibilidades de cumprir as suas obrigações enquanto patrão pagador de salários, se concentraram à entrada dos escritórios, na vã tentativa de conseguirem apoio do meu chefe para que pelo menos recebessem um mês de ordenado. 
No meio da confusão que se instalou, porque quem tem fome não consegue obviamente ser pacífico e ter calma e paciência, mesmo que lhes seja pedida... ouço esta tirada de um cidadão de nacionalidade romena:
- "F*d*-se, lá está o português a f*d*r a vida ao emigrante!"
E senti-me chocada! Depois fiquei magoada e por fim, deu-me raiva... porque como tudo nesta vida, não se pode generalizar! Sim, o patrão dele era português...
Mas eu também podia dizer mal dos emigrantes... que não querem trabalhar, por exemplo! Porque há muitos que são calões, sim senhor! Que não querem trabalhar, mas querem receber! Exigem direitos! Alguns têm acesso a subsídios sociais ao fim de seis meses que eu não recebo (nem nunca receberei, calculo eu...), ou para os quais tenho que fazer descontos por muito mais tempo do que eles, para poder ter direito a receber... Que são mentirosos e aldrabões, como ouvi muitas vezes dizer... e sim, há-os também...
Mas não generalizo, porque calões e pessoas de mau carácter há-as de todas as cores e nacionalidades... e os portugueses não são excepção (não são mesmo!!).
E também há muitos patrões de outras nacionalidades que aldrabam os seus compatriotas e aldrabam os portugueses...
E achei injusto também porque conhecia bem o patrão e, no caso específico, sabia que ele não tinha ficado a dever porque queria... ficou a dever porque também lho deviam a ele. E foi ainda mais injusto porque aquele patrão que o estava a f*d*r, pagou-lhe os ordenados todos durante pelo menos nos 2 ou 3 anos em que ele trabalhou para ele...
Assisti a muitas formas de racismo, mas esta foi de todas a que mais me marcou!.. Pela negativa...!!
Porque também havia lugar para "racismos engraçados"... como o de um ferramenteiro moldavo com quem tive o prazer de trabalhar durante 3 anos, que chamava carinhosamente "macaquinho" a um jovem servente guineense, ou às vezes dizia que um certo armador de ferro que trabalhava na obra era "macaco, e macaco não entende...!". Podia ser ofensivo, mas a forma como o dizia na brincadeira apagava a ofensa que pudesse estar contida nesta expressão!

27 de junho de 2011

Resignação

Detesto que me digam que tenho que ter paciência... e resignar-me!
Fico piursa quando me dizem que tenho que me conformar, porque "as coisas são mesmo assim"...
Nunca fui de me render, de me conformar e de me resignar a coisas que eu acredito que podem ser diferentes, que podemos mudar...
A expressão "a vida é mesmo assim" dá-me a volta ao miolo e ao estômago!
Não sou derrotista e não gosto de me encaixar num determinado formato ou molde, só porque "toda a gente faz o mesmo" ou "o sistema funciona assim"...
Sou incapaz de me tornar em alguém que não quero ser, só porque a "manada" toda caminha nesse sentido... não gosto de me render às evidências de que é melhor fazer como todos praticam, do que querer remar contra a maré!.
Não sou de baixar os braços, sou uma pessoa que arregaça as mangas e procura o que quer! Que não desiste perante as dificuldades, mesmo que às vezes leve uns "socos" pelo caminho que me vão derrubando temporariamente, mas levanto-me sempre e fixo o objectivo e só desisto quando aquele propósito já não me serve ou deixou de me interessar...!
Por querer aquilo que procuro, tenho tido dissabores, desilusões, decepções e muitas contrariedades!
Às vezes, fico verde de raiva e pergunto-me porque raio as coisas que eu quero têm que ser sempre difíceis, "tiradas a ferros"??!!
E se eu detesto ser contrariada?! Mas contrariada ou não, não me conformo, não me rendo!
Talvez por isso, tenha alguma resistência a certas mudanças e leve algum tempo a me adaptar... porque levo tempo a aceitar que há algumas coisas que não posso mudar... pelo menos, não no imediato e instantaneamente... talvez por isso, leve tempo a encaixar-me e a enquadrar certas realidades... 
Mas o facto reside: só depois de ter compreendido e aceitado uma determinada realidade que não me agrada é que consigo vislumbrar um caminho (por vezes demasiado estreito...) para sair dali e ir ao encontro do que procuro, sem que para isso tenha que sair do meu lugar e deixar de ser quem sou!
Que querem que vos diga... por vezes, tenho a mania de querer ser diferente num mundo de cada vez mais "iguais"... tenho uma certa "parvoíce" de que posso mudar alguma coisa neste mundo!
Afinal das contas, estou e tenho estado sucessivamente em profissões onde para ter sucesso, implica mudar mentalidades...

26 de junho de 2011

Porque os momentos perfeitos sabem bem...

O meu filho (que ontem completou dois anos e meio) ontem ao fim da tarde, pega na minha mão e puxa-me para eu me levantar do sofá e diz-me:
- "Vamos à páia!"

24 de junho de 2011

Momentos perfeitos!

By Naná

Apesar da saudade a martelar no coração, há momentos perfeitos!
Quando por momentos, paro e observo a minha família e concluo que tenho uma família linda!
E não há nada que seja mais importante do que isso!

16 anos sem ti...

06 de Maio de 1940 - 23 de Junho de 1995


Há 16 anos atrás, pelas 9h30 da manhã, apareceu o teu colega de trabalho, o Sr. Vitorino, à janela da nossa sala... trazia um ar carregado... porque com ele trazia más notícias.
E eu soube, assim que vi aquele homem, com aquele olhar entristecido e pesaroso, que tu finalmente tinhas cedido perante a morte!
Fiquei triste sim, mas a sensação mais marcante naquele momento foi o alívio... a tua batalha feroz tinha finalmente terminado... a luta contra um corpo que tinha ido progressivamente apodrecendo enfim chegara ao derradeiro momento!
Ao alívio, seguiu-se a desorientação, apesar de ser a altura de tratar de pormenores necessários, mas que ninguém quer assumir, porque apenas se quer entregar à tristeza e à dor!
E todos os anos daí em diante, foram marcados ora pela negação, pela raiva, pela dúvida incessante e sem resposta alguma do "porquê tu? porquê tão cedo?"; até dar lugar apenas à saudade e a uma falta imensa! E a um desejo constante, nunca satisfeito, de te poder abraçar de novo! E de me sentir filha, como sempre... E a ânsia de te poder contar tudo de bom e menos bom que me vai acontecendo na vida...
Mas com a saudade, acompanha-me a certeza de que estarás sempre comigo! Enquanto residires no meu coração e no meu pensamento, estarás viva para sempre!!

23 de junho de 2011

Vantagens de viver na aldeia

Há um ano sensivelmente que me mudei para uma casa próximo de uma vila algarvia, mas que mais parece uma aldeia! Não no sentido pejorativo... é assim pitoresca, pequena, de ruas estreitas e íngremes e quase todas elas levam ao cimo da colina, onde se ergue a igreja!
A "civilização" está logo ali... a uns escassos quilómetros! Shoppings, trânsito, prédios altos que quase nos sufocam...
Mas eu vivo numa pacata urbanização, quase toda ela circundada por mato, por campo! Ouço os passarinhos, os cães das moradias dispersas, e algumas galinhas que devem estar numa quinta aqui perto.
E eu gosto desta pacatez... da sensação de desafogo que me proporciona!
E ontem a família decidiu aproveitar mais uma das coisas boas que advêm de se viver num local assim: ir fazer uma caminhada depois do jantar, pelo campo e até à "aldeia"!
O calor em casa era abrasador e na rua estava-se tão bem com a fresquinha aromatizada pelo mato abundante que cresceu devido às chuvas tardias de Maio.
O F. pela nossa mão, caminhava cheio de entusiasmo! Perguntava por tudo o que via de novo no caminho: "o qué ito?" e nós dizíamos o nome e ele tentava repetir, umas vezes conseguindo outras nem tanto... mas soube bem, saborear o fresco da noite, a beleza do campo que se estendia, encontrámos uma pequena horta, cheia da legumes e hortaliças, muito bem tratada e organizada, vimos os gatos que apreciavam a brisa da noite e perdemos tempo a mirar as fachadas das casas da vila, que nunca temos oportunidade ou tempo para observar com olhos de ver!
E soube bem ao corpo, desmoer o jantar com uma caminhada, em vez de como habitualmente nos enterrarmos no sofá em frente ao rectângulo que nos hipnotiza e "embrutece" um pouco...
Palpita-me que esta actividade vai tornar-se um hábito cá por casa, mesmo que nem sempre a família possa ir toda junta... e acho que mesmo que tenhamos pouca vontade ou energia, o F. vai-se encarregar de colocar o boné e encaminhar-se para a porta, em sinal de convocatória!
E que melhor maneira de "saudar" a chegada do verão?!

22 de junho de 2011

Alguém me explique...

Principalmente nos largos tempos em que trabalhei no sector da construção civil, esta foi sempre uma dúvida existencial que tive...
Como é que há pessoas que conseguem, logo pela fresca da manhã e pouco mais de uma hora depois de terem acordado, tomar um pequeno-almoço que consiste em:

- Café e um bagaço/macieira/aguardente

A sério, como é que o estômago destas pessoas não se embrulha de imediato??!!
É que o meu embrulha-se só de ouvir alguém pedir isto no café, logo de manhã...
Juro que não entendo...

21 de junho de 2011

O prazer da condução!

Gosto de conduzir, adoro mesmo! 
Gosto da sensação de liberdade e movimento que me dá!
Gosto de saber que, por conduzir, posso deslocar-me sem depender de ninguém para ir de A para B e de B para C e de C para A e assim por aí fora, por estradas, caminhos, auto-estradas, IC's e IP's, para qualquer destino que necessite ou só porque me apetece!
Sempre, desde miúda, o meu sonho era saber conduzir, sempre quis fazê-lo! Porque na minha família só o meu pai sabia conduzir, e desde miúda que tinha interesse no que significavam os sinais de trânsito! As viagens entre a minha casa e a casa dos meus avós, aos fins de semana, eram invariavelmente marcadas por perguntas incessantes ao meu pai: "pai, o que significa aquele sinal do triângulo com a vaquinha? e este redondo, branco por dentro e com uma risca vermelha no rebordo?"
E havia sempre a declaração da praxe, firme e decidida: "eu assim que tiver 18 anos vou tirar a carta de condução!" ao que que o meu pai também respondia invariavelmente: "quando quiseres tirar a carta de condução, o pai paga-ta!"
Mas tal não sucedeu... nem fui logo tirar a carta aos 18 anos e nem foi o meu pai que a pagou... Só comecei a tirar a carta tinha mais de 19 anos e levei sensivelmente um ano a tirá-la entre avanços e recuos, por causa da agenda da escola de condução, por causa das férias da universidade, depois de 5 instrutores de condução: dois deles eram umas bestas autênticas! Um dizia-me que nas descidas devíamos carregar no pedal da embraiagem - devia ser para eu me estatelar no cruzamento ao fundo da descida mais depressa!!
O outro, berrava mesmo comigo! Inclusivamente mandava-me ir para a direita, eu virava à direita e ele dizia que me tinha mandado virar à esquerda e porque raio tinha eu virado à direita?! E depois ainda dizem que as mulheres é que não distinguem a esquerda da direita...
A este senhor, cheguei a pedir para mudar de instrutor, porque assim com aquele tipo de ensinamento nunca iria aprender!
Depois tive um instrutor muito bom, mas que (sem nunca me faltar ao respeito) me contava que via filmes porno nos canais da parabólica, sem que a mulher soubesse... mas com este senhor aprendi muito do que sei hoje de conduzir. Chegámos a ter um acidente os dois e tudo, levámos uma estampa por trás, porque eu parei numa passadeira e o fulano que vinha atrás ia a olhar para uma gaja no passeio. Eu gozei com a situação e dizia: "assim fico mesmo ensinada! Até fico a saber como agir em caso de acidentes!!"
Passei no código à primeira, mas na condução só passei à 3.ª... porque nos dois primeiros exames tive duas examinadores mais antipáticas que uma porta, que gritavam comigo! Uma delas chegou mesmo a afirmar que eu, para ver se vinham carros da direita ou da esquerda, tinha que virar o pescoço 90º...
Mas vi passarem pessoas que nunca seriam capazes para andar no trânsito: um não sabia estacionar o carro nem com 10 metros de espaço livre, e a outra senhora em vez de reduzir de 4.ª para 3.ª numa desaceleração; aumentava para 5.ª deixando o carro ir quase abaixo à saída dum IC... enfim!!
Mas tirei a carta!! Depois veio o drama...! Conduzir com o meu pai ao lado... era um filme!!! Levava o tempo todo a implicar comigo, que ia muito em cima da berma, e não vás tão depressa, estás a mexer nas mudanças para quê??!! olha que vais bater! E coisas assim parecidas... até ao dia em que me saltou a tampa com ele: obrigou-me a parar o carro num cruzamento e passar para o lado do pendura, porque a estrada dali para a frente era má e estreita! E eu passei-me porque para aprender temos que conduzir em qualquer estrada, estreita ou larga, com ou sem buracos! E jurei naquele momento a mim e a ele que nunca mais tocaria no volante dum carro que não fosse meu!!!
E cumpri a promessa... ou quase! Estive mais de dois anos sem conduzir! E só conduzi o carro do meu pai, uma carrinha mista de passageiros, quando por necessidade tinha que o visitar no hospital, que ficava a mais de 1 km de casa e não havia na altura rede de transportes!
Pedi a um amigo meu para me acompanhar, porque eu tinha receio de asneirar! Não conduzia havia mais de 2 anos e nunca tinha conduzido um carro tão comprido e grande. Logo no primeiro teste, ele diz-me sem mais nem quê: mas queres que eu te acompanhe para quê se sabes conduzir perfeitamente?!
E foi assim, comecei a conduzir e nunca mais deixei de o fazer! Hoje conduzo todo o tipo de carros! Grandes, pequenos, a gasolina ou a gasóleo! E com o passar dos anos e depois de o meu pai me ter oferecido o meu primeiro carro, ele deixou de dizer que eu era "bruta" a conduzir e afirmava já com orgulho: "a minha filha saiu uma grande mulher para conduzir!". Chegou mesmo a entregar-me a chave da carrinha para eu conduzir inúmeras vezes! Principalmente, porque muitas coisas no código da estrada mudaram e agora era eu que tinha que explicar ao meu pai o significado de muitos sinais de trânsito, que eram agora completa novidade para ele...
E ainda hoje, mesmo depois de 1 mega-despiste e 2 acidentes (sem culpa) nunca perdi o medo! E continuo igualmente uma acelera, mesmo depois do meu filho nascer... é claro que quando conduzo com ele modero-me um pouco...
Adoro fazer grandes viagens e há sempre uma certa disputa pelo volante, quando a família vai em viagem!...
Mas às vezes, conduzir é desgastante... porque eu posso não ser nenhum supra-sumo da condução e com certeza que não o sou! Mas tenho por hábito respeitar as regras de trânsito, os sinais, ter respeito pelos restantes condutores e se há coisas que eu detesto que façam na estrada é:
1. não dar piscas quando mudam de direcção! Por acaso o vosso carro foi mais barato??! Não traz sinais de piscas??!! Ah, então deve ser porque não querem que os outros saibam para onde vão... ou é mesmo porque são burros e preguiçosos e acham que andam na estrada sozinhos??!!;
2. que se colem à traseira do meu carro! Deve ser porque cheiro bem, não? Acham que eu ando mais depressa se se colarem a mim? Ou nunca ouviram falar da "distância de segurança"???? Quando me fazem isto, tenho por hábito ir dando uns cheirinhos no travão, a ver se percebem que caso eu trave mais a fundo, há um encontro imediato do focinho deles, com a traseira do meu carro!
3. pessoas que aceleram quando os começo a ultrapassar! Afinal, andas ou desandas?! Lembraste-te agora que tens um pedal que serve para acelerar, foi??!!
4. pessoas que não sabem bem para onde querem ir... e vão tão devagar e sem se aperceberem que há uma fila descomunal atrás de si...
5. malta que faz asneiras das grossas e depois ainda nos manda pró sítio! Devem pensar que são todos parvos e maus condutores como eles...
6. malta que gosta de atirar as beatas em andamento! Devem pensar que o meu carro é um cinzeiro, não? O teu carro também deve ter sido mais barato, não veio com o cinzeiro... a estes senhores, devia de existir um sistema de ricochete que fizesse a beata acertar-lhe de volta, em cheio no meio da testa! E acesa de preferência!
7. malta que estaciona o carro a ocupar 2 lugares (quando não são 3...)! Não há mais ninguém a precisar de estacionar o carro, pois não?!!
8. malta que estaciona o carro no lugar dos deficientes, sem o ser! Quer-se dizer, devem ser de certeza, da cabeça!!!
9. malta que gosta de andar com os máximos e os faróis de nevoeiro ligados sem ser preciso (alguns até mesmo de dia...). Sofrem de miopia agravada?? Ou estão numa cruzada para cegar os demais?
10. pessoas que têm carros de cores manhosas que não se vêem em dias cinzentos ou de nevoeiro e não sabem que devem ligar as luzes... Vocês sabem que o carro tem luzes, não sabem? Ou acham que isso é só para usar de noite escuro como o breu? É que os restantes não têm visão RX...
 
Mas apesar de existir muita gente que anda na estrada como se fossem os únicos eu continuo a adorar conduzir, a adorar ter controlo sobre uma máquina que me permite ir onde eu quero! Às vezes, ponho-me a pensar que se tivesse vivido nos tempos do faroeste, teria que ter de certezinha um cavalo... só que esses parecem ser mais complicados de "conduzir e manobrar"...

20 de junho de 2011

007

Eu nunca teria perfil para ser uma espiã... para ser uma 007!
Porque se há coisa que a maternidade veio confirmar é que eu, em estado de privação de sono, não funciono bem... faço coisas um tanto ou quanto irracionais!
Por isso, se eu fosse uma espiã, e me apanhassem e torturassem, bastaria para isso deixarem-me sem dormir um ou dois dias, ou então, que me acordassem de hora a hora durante um período de tempo (nem precisa ser assim muito longo...), para eu imediatamente entregar o "ouro ao bandido", desde que em troca, me desamparassem a loja e me deixassem dormir, só dormir!...

17 de junho de 2011

Quem tem filhos, tem cadilhos...

E eu, obviamente, tenho o meu coração apertado... porque lá veio a maldita febre!...
Quando isto acontece reajo com normalidade, porque sei que não vale a pena stressar e que passará obviamente!
Mas desta vez assustei-me, e o meu coração mirrava na mesma proporção em que a tua febre aumentava, apesar dos nossos esforços de pais, em tentar vergá-la e obrigá-la a descer...
A preocupação desta vez foi claramente maior pela rapidez e velocidade com que ela te atacou! Assim repentinamente e sem aviso e numa proporção ainda nunca vista... e por mais que te abrace e beije e tente dar amparo, custa-me não poder fazer mais que isso mesmo...
Gostava que os meus beijos e os meus abraços pudessem apagar instantaneamente todas as maleitas que te atentam...!

16 de junho de 2011

Eu não tenho jeitinho nenhum para a coisa!

Decididamente não me ajeito com a agricultura, ou então... não tenho sorte nenhuma...

Os meus coentros que estavam assim lindos, morreram graças à minha gata Joy, que devia estar cheia de calor e decidiu deitar-se em cima dos meus coentros viçosos e bonitos!... Nem vos digo como fiquei desolada, quando os vi, todos acamados e logo no dia seguinte murchos e a começarem a secar... nem reproduzo aqui o estado em que eles ficaram...
By Naná

Depois até estava toda satisfeita, porque tinha nascido um espinafre sozinho (quer dizer, a terra que trouxe devia ter sementes ainda...) mas esse a Joy roeu quase na totalidade... a ver se o consigo "reabilitar", já que ao que parece é uma cultura resistente e ele ainda subsiste com alguma resiliência (o tronco, pelo menos).

By Naná
E a salsa e os óregãos dos meus vasinhos, que estavam tão lindos e viçosos, começaram agora a querer secar, apesar de serem regados com frequência... o cebolinho então parece raquítico e não desenvolve... pelo menos, não mais do que o que se vê aqui na foto!
By Naná
Os óregãos principiaram a secar e já não estão verdinhos como nesta foto...

By Naná

Ah, e sem falar que a pouca salsa que ainda poderia escapar, que eu tinha plantado num canteiro maior (outras sementes diferentes), que estava linda e super viçosa, a Joy decidiu trincar, porque devia precisar de fazer uma purga ao estômago, porque não tinha ficado satisfeita só com o espinafre!...
Portanto, notes to self:
1 - deixar os vasos e canteiros longe, bem longe da Joy!!!
2 - escolher melhor as sementes que compro, porque estou desconfiada que também não deviam ser de grande qualidade...
3 - talvez usar mais "fertilizante" natural, pode ser que ajude!

15 de junho de 2011

Porque sonhar é preciso!

tirada da net
Às vezes, acontece passar por um casal de velhotes nas ruas do centro da cidade, que seguem juntos, lado a lado de mão dada, com a mesma candura com que o faziam quando eram novos e o amor começava a despontar!
E quando olho para eles, não consigo deixar de me sentir comovida! E sonho no meu coração, que um dia vou ser uma velhinha assim, a passear de mão dada, com o meu G., mais velhinhos, mais enrugados, mais corcundas e com um andar mais lento e arrastado! E eu vou continuar a caminhar ao lado dele, "debaixo do braço"...
Porque para mim, o amor só faz sentido se for para a vida... porque foi isso que os meus pais me transmitiram com o seu amor, simples e bonito! 
Se a minha mãe não tivesse partido tão prematuramente, ainda hoje os veria juntos, velhinhos e de cabelos brancos, nas suas lides na horta. 
Não haveria grande exibição de amor, mas ele estava lá! Forte como sempre foi...
Porque a maior dor do meu pai, logo a seguir à da perda da minha mãe, foi que com ela partiram também os seus sonhos de velhice!...
E se perguntarem porque acho que o amor é para vida, como posso ter a certeza...? Eu não tenho certezas nenhumas, mas o meu coração estremece sempre que por milissegundos me perpassa pelo pensamento a hipótese de um dia perder o G. É este o meu barómetro do amor...Eu sei que nesse dia, tudo fará menos (nenhum) sentido!
Porque se isso acontecer, perderei muito mais que um marido ou um "amante"... perderei o meu companheiro, o meu melhor e maior amigo, perderei a pessoa que me escuta, a pessoa que me abraça mesmo que não entenda o que se passa comigo! Perderei quem nunca deixou de acreditar em mim, quem me ampara e me dá forças, quem me chama à razão e me diz para ir em frente... ou para ter cautela!
E porque imagino-me na minha velhice a fazer exactamente o mesmo que fazíamos quando nos conhecemos e começámos a construir a nossa relação e que é nada mais que isto:

Sentar num banco, a contemplar o mar e a conversar sobre tudo e coisa alguma!
tirada da net

"Fugida" ao Fisco??!!

Sou uma contribuinte, na medida do que me é possível, cumpridora das minhas obrigações e ciente de que elas existem.
Mas infelizmente, nos dias que correm, temos que ter um mestrado ou um doutoramento em contabilidade e fiscalidade, para podermos dar resposta a tudo quanto nos é exigido, enquanto contribuintes e declarantes em sede de IRS, IMI, IMT e IUC e mais não sei quantos impostos que temos que pagar...
No cumprimento do meu dever, entreguei a declaração de rendimentos na 1.ª fase e já fui devidamente reembolsada!
Mas eis senão quando, numa conversa casual entre o meu G. e um colega de trabalho, vem à baila a permuta de um apartamento por uma casa, que fizemos no passado ano, e o colega pergunta: então, também entregaste o modelo G no IRS?!
E ele ficou com os pirolitos todos descontrolados: o quê? modelo quéin? declaração da permuta? mais-valias?
Ai ai ai ai, a nossa vidinha!
E então, antes de irmos às Finanças cá da zona (para evitar que nos prestem 4 ou 5 informações contraditórias, consoante o funcionário que nos atende), decido consultar o bendito (or not...) modelo G, para ver sobre o que versava... e nós descansadinhos da vida, por termos declarado a permuta e termos pago uma exorbitância de IMT, onde dissémos que vendemos o art.º tal e adquirimos o art.º tal, descobrimos que:
- se houve uma permuta, tem que ser declarada;
- mesmo que não haja mais-valias, temos que preencher o dito impresso na mesma,
- entregámos a declaração incompleta;
- entregámos a declaração na fase errada!
Mas ainda em consulta no Portal das Finanças, vejo um impresso referente a rendimentos de heranças!
Ai ai ai ai ai, a nossa vidinha again!!
Em 2010 fiz o registo da herança do meu pai, e por consequência, da minha mãe também, por ser a única herdeira do cabeça-de-casal (expressão que detesto). E não é que este ano, deveria ter contemplado na declaração de IRS tal facto, e discriminar os rendimentos?!
Mas quais rendimentos, pá?! Se eu só tenho é encargos com aquilo??!! Se quiserem eu declaro-os, para ver se me reembolsam...
Mas determina a lei tributária que mesmo que eu não tenha tido um cêntimo de rendimentos da bendita herança, tenho que declarar que tive 0€ de rendimento... (já vale a pena ser herdeira..)
E o pior é que agora vou ter que alegar que me esqueci ou coisa parecida, para entregar tudo certinho, sujeitar-me a ser fiscalizada até ao tutaninho pelo Fisco,
Ah e ainda corro o risco de ter que devolver o valor de reembolso que receb!
E a piada sem graça nenhuma:
Não posso alegar desconhecimento da lei tributária como razão do meu incumprimento enquanto cidadã contribuinte, porque não me iliba de declarar e principalmente de pagar...!
Irra que é saloia!!

14 de junho de 2011

13 de junho de 2011

SofiaAlgarvia, um recuerdo visual

By Naná
Do parque infantil que desapareceu com a maldita requalificação paisagística da Alameda em Portimão.
Onde havia sempre uma tendeira a vender atoalhados e rendas e que apregoava aos estrangeiros, "five'ander"...
Onde havia um quiosque onde se compravam gelados de gelo, com sabor a laranja por 20 escudos, apesar de eu pedir sempre ao meu pai para me comprar o corneto de morango ou chocolate... 
Onde existiam dois baloiços, dos quais nos tínhamos que desviar para não levarmos um pontapé de ficarmos a ver estrelas.
Este parque infantil era o local de reunião de muitos pais com crianças e de muitos velhotes que vinham apenas observar as crianças e o som do seu riso e da sua alegria.
Foi uma pena o que fizeram, ao destruírem um espaço de reunião e de comunidade e o que ficou no seu lugar, foi apenas um café (onde nunca somos bem atendidos, não sei porquê...) e o resto é um deserto desolador, onde não há sombras e nem locais de brincadeira... e que por isso, deixou claramente de ser um ponto de reunião, deixando o centro da cidade mais triste e abandonado ainda...
É a prova provada de que nem sempre a requalificação urbanística e paisagística serve as necessidades da sua comunidade e que nem sempre quem projecta espaços públicos sabe perceber o que é importante...

9 de junho de 2011

Reaprender

Hoje começo novamente a aprender a comer!
Podem chamar-lhe dieta ou coisa assim, mas para mim é antes de mais uma segunda reeducação alimentar. (Sim, porque já houve uma primeira há 3 anos atrás!...)
Ontem, após um ano de interregno voluntário de acompanhamento pela minha nutricionista, voltei ao seu consultório, para que ela me ajude nesta caminhada que preciso fazer, com o objectivo de perder entre 15 a 18 kgs.
Tal como da primeira vez, não fui lá em busca de receitas milagrosas para abater uma bóia de salvação que se agarrou em torno da minha barriga e ancas. Fui lá para que me definissem regras e indicações precisas sobre como, quando e o que comer e em que quantidades!
Não é que não saiba, porque ela ensinou-me durante cerca de um ano e meio a comer como deve ser: a que alimentos dar preferência, os intervalos entre cada refeição, os alimentos a evitar (e não me foi banido o pão), as quantidades a ingerir (aqui um ponto fundamental... porque eu sou literalmente um aspirador a comer - como muito e depressa).
Quando lá fui pela primeira vez tinha menos 6 kgs do que tenho hoje e só a respeitar o plano alimentar inicial (que segui à risca) perdi 7,5 kgs em um mês e meio. Sem sequer fazer desporto (outro calcanhar de Aquiles - sou uma preguiçosa no que toca a exercício físico e adoro um bom sofá...) conseguir reduzir peso e largura gradual e saudavelmente. 
Depois engravidei e ganhei ao todo 18 kgs. Mas se ela não me tivesse acompanhado nessa altura, calculo que teria sido um desastre ainda maior...
Mas quase um ano após o nascimento do meu filho tomei a decisão de parar de ser acompanhada... porque eu estava num estado emocionalmente debilitado pela morte do meu pai. 
Os 11 kgs que perdera após o parto e durante a amamentação regressaram furiosamente - ganhei 5 kgs em menos de um mês quando o meu pai faleceu! Refugiei-me na comida, comia quantidades loucas de comida, estava a comer a toda a hora e ingeria quantidades significativas de doces e chocolates (a minha grande perdição).
E por mais abordagens que ela tentasse nessa altura, era escusado! (chegou a fazer-me um plano que consistia em comer durante 1 semana inteira, só chocolates, bolachas, bolos e coisas carregadas de açúcar, para ver se eu enjoada definitivamente! Mas eu recusei-me liminarmente a segui-lo...) 
A minha força de vontade tinha simplesmente desaparecido... e aprendi que só quando se quer, quando o nosso psicológico está motivado é que conseguimos atingir este tipo de objectivo! E conseguimos alcançá-lo com muito menos esforço do que se não estivermos para aí virados...
E agora sinto-me motivada o suficiente para retomar a minha reeducação alimentar!! E desta feita conjugada com exercício físico que iniciei numa base regular há 1 mês!
Podem pensar que quero perder peso por questões meramente estéticas... mentiria se dissesse que não é uma das razões (afinal de contas, a minha prima do coração casa daqui por 3 meses e eu tenho que caber num dos vestidos mais bonitos que já adquiri!), mas a principal razão não é essa certamente:
Eu vou perder peso porque disso depende a minha saúde! Porque me sinto enauseada se subo um lanço de escadas maior ou a uma velocidade mais rápida... e isto não pode ser!!! Porque fico à rasca com dores na zona lombar quando estou muito tempo de pé... porque a minha coluna já massacrada por uma lordose não se aguenta muito tempo a suster o peso excessivo que adquiri!
Porque ando quase sempre cansada e sem acção e essa não é a imagem que quero transmitir ao meu filho...
E porque detesto aperceber-me que visto 2 números acima do que sempre vesti e tenho um roupeiro cheio de roupa que já não me serve...
E porque como de forma desregrada, isso tem claramente tendência para estabelecer um mau exemplo para o meu filho. Como posso exigir-lhe que coma sopa e legumes se eu própria não o faço??!!
Por isso, aqui eu estabeleço um limite e digo "Basta"!!
Vamos lá aprender a comer como deve ser!

(*)Uma curiosidade: todos os planos alimentares que a minha nutricionista me passou descrevem perfeitamente a alimentação que a minha mãe me dava quando eu era miúda... a comer iogurtes de aromas em vez daqueles gulosos com stracciatella e nuggets de caramelo. Passei (voltei) a comer bolacha Maria e não as da secção gourmet. Passei a comer fruta numa série de refeições, hábito que tinha abandonado e substituído por barritas disto e mais aquilo, mas que no fundo estão carregadas de açúcar e gorduras saturadas. Passei a acompanhar a carne e o peixe com legumes e não com batatas fritas e outro tipo de coisas processadas...
Ás vezes penso que precisava de ir a um "Peso Pesado" para matar isto em três tempos, mas acho aquilo demasiado exploratório da condição humana...

8 de junho de 2011

Suave embalar


Quando era miúda, numa ida a casa duma colega da minha mãe, para brincar com o filho, que era da minha idade, vi pela primeira vez uma cadeira de baloiço. Era linda, imponente e destacava-se claramente numa sala cheia de mobília igualmente clássica. Quando a Dr.ª Antónia percebeu o meu fascínio, convidou-me a sentar, para experimentar a sensação. E assim que comecei a sentir aquele ritmo cadente decidi mentalmente na minha cabeça, com pouco mais de 6 anos que na minha casa, quando fosse grande, iria obrigatoriamente existir uma!
Vi muitas ao longo dos anos que se seguiram em feiras de artesanato, e que me deixaram especada em contemplação...
E sim, na minha casa existe uma cadeira de baloiço. Mas que foi comprada pela combinação daquela decisão mental na infância e a necessidade de poupar a minha coluna, quando o meu filhote nasceu.
Comprámo-la no preciso dia em que o F. completou dois meses, e fomos ao Ikea de Sevilha propositadamente para a comprar. Eu que sempre tinha imaginado uma cadeira de baloiço clássica, acabei a comprar uma toda monernaça e simplista.
E ontem, enquanto embalava o F. para dormir como fazemos eu e o pai, todas as noites desde que ele tinha 4 meses, apercebi-me que aquela cadeira, muito mais do que um desejo de criança ou uma necessidade, é um elemento fundamental na minha relação com o meu filho.
Dizem os bons conselhos que não se deve embalar uma criança para dormir, e que devemos simplesmente colocá-la na cama, para ela aprender a dormir sozinha, porque depois não quer outra coisa, etc, etc, etc, etc...
Mas o facto é que eu adoro aqueles 5 a 10 minutos em que me sento com o meu filho nos braços e o vejo adormecer lentamente ao ritmo cadente daquela cadeira, que acabou por se tornar um espaço de intimidade sui generis entre mim e o meu filho. Acho que vou para sempre gravar na memória, todas as noites de embalo do F. como momentos de paz, sossego e harmonia.
E por mais que a sabedoria e o bom senso digam para não embalar o menino, eu digo que quero embalá-lo! E hei-de fazê-lo enquanto puder e o F. quiser que eu o faça... 

(mais problemático será quando um dia tiver um segundo filho, e o F. continuar a querer o seu lugar de destaque, na cadeira de baloiço...)

7 de junho de 2011

Os segredos que encerra

By Naná

By Naná

Sempre tive um certo fascínio por casas antigas, principalmente por aquelas ditas senhoriais ou de famílias abastadas e origem nobre.
Desde criança que ficava a contemplar do lado de fora, a imaginar como seria o seu interior, a sua compartimentação, a mobília que a preenchia, os quadros que a decoravam, os cortinados e os reposteiros em cada janela.
Depois punha-me a imaginar as pessoas no seu interior... imaginava desde os hábitos diários às roupas, à criadagem. Porque eu sempre achei que nestas casas haveria com toda a certeza criados ou serviçais, para ajudar a Senhora a vestir-se, o Senhor a aperaltar-se, as cozinheiras e as governanta para assistir na organização e lides diárias duma casa destas!
E sentia um desejo enorme de poder lá entrar, passear pelos quartos e corredores, ver a vista das janelas, conhecer a cozinha e os pátios, caso os houvesse...
Mas nas poucas casas deste género em que pude entrar, foi apenas porque as aproveitaram para edifícios onde se prestam serviços eminentemente públicos. E aí já os quartos foram convertidos em gabinetes de trabalho, carregados de secretárias e computadores e cablagens espalhadas por todo o lado, e as salas de estar são usadas como salões nobres ou salas de reunião, algumas das vezes desvirtuando por completo aquilo que aquela divisão fora outrora...
A casa que está retratada na imagem fica metros abaixo da minha casa actual e todos os dias passo por ela e penso comigo: o que eu gostava de poder entrar lá dentro! Mesmo que à socapa... 
Foi com tristeza que há umas semanas atrás me apercebi que o abandono a que se encontra votada, levou a que o telhado, cansado de se suster, caísse parcialmente, destruindo parte da identidade desta casa, denotando que é impossível estas casas resistirem à passagem dos tempos, sem que lhes seja dada manutenção...
Mas uma destas tardes, vou ver se consigo passar do portão imponente e enferrujado pelas intempéries e explorar o interior desta casa que tanto me intriga. E quem sabe, conseguir subir àquela varandinha e observar a vista lá de cima sobre a vila vizinha!?

6 de junho de 2011

Há dias...

Há dias que assim que começam, já eu estou a desejar que terminem rapidamente... e eles parecem nunca mais findar! Arrastam-se lentamente, para meu maior desespero!...

Entorpecidos

É a palavra que me ocorre perante este resultado eleitoral... o país acordou entorpecido!
Não ouvi comentários nos cafés logo de manhã e no local de trabalho, a habitual leitura "política" da sociedade e da economia, deu lugar a um silêncio dormente...
O país acordou como se nada fosse... e isso é ainda mais preocupante, na medida em que houve uma "viragem política" à direita.
Não a desejei, tal como também não desejava o status quo socratino, mas fiquei perplexa com este torpor matinal perante um acontecimento que pode ter repercussões ainda a descobrir, no nosso futuro próximo...
Num momento que se queria de arregaçar as mangas e fazer algo para que este país saia do lodo pântano em que se encontra, a opção foi a indiferença e o "contemplar o vazio"...
Será que o país está a sofrer de "babyblues" por causa do Sócrates ter abandonado o poder?
Será que o país está a sofrer a ressaca e ainda não "espetou as orelhas" para ver o que vai suceder a seguir?!
Ou será que está em standby até à indigitação de Pedro Passos Coelho, para ficar alerta?!

5 de junho de 2011

Abstenho-me!

De comentar o valor da abstenção nas eleições de hoje... porque acho que fala por si!

3 de junho de 2011

A violência gratuita virou moda...

Não consigo ter palavras para descrever o turbilhão de sentimentos que tenho tido quando de há umas semanas para cá, pululam vídeos na televisão nacional, sobre agressões gratuitas e violência direccionada.
São adolescentes que dão uma sova de meia-noite numa miúda, perante os olhares indiferentes e jocosos de um outro adolescente, que nem mexe uma palha para a socorrer e ainda se regozija colocando a filmagem no perfil do FB.

São colegas de companhia nos Fuzileiros que espancam um pobre desgraçado, incluindo humilhações com uma esfregona carregada de porcaria e bactérias e micróbios, durante uns valentes minutos, só porque ele não tem "espírito de sacríficio" e "faz parte da praxe militar"
E agora, vêm a publico imagens que me deixaram atarantada, sobre uma senhora que devia era ser amarrada a um poste e chicoteada violentamente, por maltratar deliberada e gratuitamente crianças pequenas, que nem sabem porque lhes batem daquela forma, e que no seu íntimo devem estar a perguntar-se porque razão recebem pancadaria em vez de carinho e amor!
E nestes momentos, vejo o quanto o ser humano é vil e cruel! 
E pergunto-me que prazer têm estas pessoas em infligir dor e sofrimento físico e psicológico a outros, invariavelmente mais fracos!?
Imagens reais de pessoas a sofrerem agressões, sejam crianças, adolescentes, adultos ou idosos fazem-me tremer! De nervos, de raiva, de medo, de indignação e de tristeza! Porque há pessoas que não têm coração!!!!
Este vídeo desta ama traz ao de cima dúvidas e questões muito complexas... já tinha visto há um ano atrás uma ama, nos EUA a agredir uma bebé de 6 meses com uma violência extrema e outra senhora, "cuidadora" e "prestadora de cuidados primários" a agredir brutalmente uma pobre velhota indefesa de cerca de 80 anos, que mal se conseguia mexer... (pobre senhora, que nunca deve ter sonhado que iria depender de alguém tão cruel, nos seus últimos dias...)

Andei desorientada durante horas e dias com aquelas imagens gravadas na minha cabeça... porque nos pode acontecer a nós, como mães (numa ama, infantário ou creche) de bebés, como mães de rapazes e raparigas em idade escolar ou quando chegarmos à velhice e os nossos filhos tiverem que trabalhar para se sustentar e não puderem tomar conta de nós...
Como combatemos e como punimos este tipo de coisas???? Como podemos fazer justiça a quem é tão injusto??!!!

2 de junho de 2011

Pouca Vergonha!!!

Foi o que me apeteceu gritar bem alto quando descobri que estavam a fazer campanha eleitoral no local onde trabalho!

É por estas e por outras que este país se encontra no estado em que se encontra... porque temos políticos em funções, que em vez de estarem a fazer aquilo que lhes compete, andam metidos em acções de campanha e a "comer" à conta do erário público e municipal neste caso específico!
Mas será que não têm vergonha na cara???
Pois claro que não, porque a forma displicente e natural com que andaram a distribuir "panfletagem" e apertos de mão sorridentes gabinete a gabinete, revela a total ausência de pudor e de sentido de responsabilidade, nos cargos que exercem (ou deviam estar a exercer em pleno).
E para rematar, almoçaram como lordes à conta do orçamento da empresa municipal...




(*) - convirá esclarecer os leitores que trabalho num organismo público, da administração local.

1 de junho de 2011

E agora...

Vou só ali ver o meu filhote a encarnar o papel do porquinho mais novo, que construiu uma casa de palha, na peça de teatro infantil "Os Três Porquinhos"...

Nunca se deixa um bom desafio sem resposta!!

Eu sempre gostei de um bom desafio e a Tanita deixou-me este, que curiosamente é sobre um dos temas que é fundamental na minha vida: os livros!

Adoro livros, sempre gostei deles desde miúda. Não sei bem ao certo como começou este gosto por ler, mas sei que a minha mãe contribuiu largamente para isso...
Um dos hábitos que cultivo desde jovem é sentar-me sozinha numa esplanada e ler um livro, enquanto me esqueço que o tempo passa. Esqueço tudo à volta, os problemas, as preocupações e decisões, e recosto-me numa cadeira a beber um café enquanto "saboreio" um bom livro! faz maravilhas ao espírito!
Adoro comprar livros e por vezes, só tenho pena que sejam tão caros. Quando tenho um "surto" de comprar livros, é complicado mesmo decidir qual é que não vou levar...
Escolho os livros quase invariavelmente através de 3 critérios: o título (se for um assim sugestivo ou fora do comum, desperta-me logo a atenção); o resumo ou breve descrição (isto é ainda mais importante, e quanto mais mistério me deixar no ar, mais interesse ganho no livro) e o tamanho das letras da impressão (quanto mais miudinhas, pior... detesto estar a ler um livro com o qual tenho que lutar para ver o que lá está escrito).
Já li quase todos o tipo de livros: romance, novela, ensaios, poemas, auto-ajuda, técnicos, práticos (costura e culinária), enfim!
Os que mais me cativam são os romances, sem sombra de dúvida e; os que mais detesto são os livros técnicos, principalmente se versam sobre assuntos aos quais não atribuo grande interesse... aí ler acaba por ser uma obrigação e torna-se um verdadeiro suplício.
Mas vamos lá então ao que interessa!

O Desafio:

1- Existe um livro que leias e releias várias vezes? Não... por norma, gosto de ficar com aquele impacto da primeira leitura! E como há tantos livros que ainda quero ler, porque a lista é interminável e o tempo disponível nem sempre é o desejável (reduziu-se ainda mais drasticamente quando o meu filho nasceu e só há um ano é que retomei este hábito tão particular e precioso na minha vida), não perco tempo a reler livros que já li. No entanto, por vezes desfolho um ou outro livro e leio uma passagem e recordo um pouco da história!


2 - Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e
nunca conseguiste ler até ao fim?
Sim. Um do António Lobo Antunes - "O Arquipélago da Insónia"... nunca consegui perceber a história, o que lia não fazia sentido nenhum na minha cabeça talvez demasiado simplória para a escrita, considerada genial, do António Lobo Antunes.
No entanto, comecei a ler o "Memorial do Convento", parei porque não conseguia lidar com a falta de pontuação do José Saramago, mas quando retomei, terminei o livro e gostei até bastante do livro!
Outro que nunca consegui ler até ao fim foi a "Fogueira das Vaidades" do Tom Wolfe e a "Montanha Mágica" de Thomas Mann


3 - Se escolhesses um livro para o resto da tua vida, qual seria ele?
Eu tenho imensos livros preferidos, mas o que me ficará sempre gravado no espírito como O Livro é o "Crónica duma Morte Anunciada" do Gabriel Garcia Márquez!

4 - Que livro gostarias de ter lido mas que por algum motivo nunca leste?
"Ratos e Homens" do Steinbeck... não sei bem porquê, nunca o li....


5 - Que livro cuja "cena final" jamais conseguiste esquecer?
Para mim o livro cujo desfecho mais me fascinou foi sem sombra de dúvida o "Retrato de Dorian Grey" do Oscar Wilde. Achei genial!


6 - Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
Sim, comecei a ler livros sozinha por volta dos meus 7/8 anos. Mas como não tinha assim muitos livros em casa, divertia-me a ler e reler as histórias da Colecção Formiguinha! Depois o primeiro romance que li foi do Fernando Namora - "A Noite e a Madrugada".

7 - Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
Foi um livro de Ernest Hemingway, "As verdes colinas de África"... foi uma das maiores secas de livro que alguma vez li... versava essencialmente sobre caça...
Outro que li até ao fim quase forçada foi o "Crime e Castigo" do Dostoiévski (ou lá como se escreve...)
E também não gostei muito do "Estrangeiro" de Albert Camus... ou da "Insustentável Leveza do Ser" de Milan Kundera.

8 - Indica alguns dos teus livros preferidos. ·
Esta vai ser uma parte difícil... são tantos!!
- Cem Anos de Solidão de Gabriel Garcia Márquez (aliás, todos os que este senhor já escreveu, que tenho quase todos, com excepção dos infantis que hei-de comprar para o meu filho!)
- Cisnes Selvagens de Jung Chang (li 600 e tal páginas em dois dias e meio... não conseguia parar...)
- Os homens que odeiam as mulheres de Stieg Larsson (não conseguia parar de ler...)
- Ensaio sobre a cegueira de José Saramago, dos livros mais... nem sei descrever! Faltou-me o fôlego para o conseguir ler, mesmo sem a pontuação...
- Retrato de Dorian Grey de Oscar Wilde
- Cinco Moscas Azuis de Carmen Posadas
- Rosas de Atacama de Luís Sepúlveda (outro autor de quem já li praticamente tudo e adoro!)
- De amor e de sombra de Isabel Allende;
- O Livro das Emoções da Laura Esquível (aliás todos os que ela escreveu...)
- Chocolate e Cinco Quartos da Laranja de Joanne Harris (tenho todos os que ela escreveu)
- Em nome da Terra de Vergílio Ferreira (li muitos dele, mas este marcou-me de uma forma que ainda hoje não sei explicar)
- Em Nome da Rosa de Umberto Eco
- O Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry - achei lindo mesmo, tão simples e bonito!
- O Alquimista de Paulo Coelho (li a versão ilustrada que ajudou ainda mais a gostar da história)
- A Cidade e as Serras de Eça de Queiroz (porque li a parte portuguesa em Paris e a parte francesa em Portugal)
- A Criança que não queria falar de Torey Hayden - uma história real um pouco ficcionada, mas que me cativou muito!
E a lista goes on and on...
Já li tanto livro e estão tantos por ler ainda... espero chegar à reforma com olhos em condições para poder ler tudo o que quero ler e que agora não tenho tempo...


9 - Indica 10 blogs para o meme literário 
Nesta parte não sou muito boa, confesso... por isso, deixo o desafio a quem passar por aqui e se sentir desafiado!

Dia de ser Criança

Sempre adorei o Dia da Criança!
Porque nesses dias, a minha mãe acordava-me sempre com um bombom e uma quadra, que deixava em cima da minha mesa de cabeceira! E eu ansiava por aquilo sempre...
Nunca perdi algumas das minhas facetas de criança, como dar uma boa gargalhada e alinhar sempre em partidas engraçadas com colegas e amigos!
Confesso que às vezes, passo por um parque infantil com baloiços e me apetece simplesmente sentar-me e balançar-me neles um bocadinho...
Nos dias que correm, sou criança todos os dias um bocadinho, enquanto partilho brincadeiras com o meu filho!