Mais um ano que finda.
À laia de balanço do ano de 2013, este foi um ano "desafiante", para não usar outro termo.
Se analisar bem as coisas, creio que para mim foi um ano de "D. Quixote"... porque combati moinhos invisíveis, numa luta interna comigo mesma.
Foi um ano de travessia no deserto, de conhecer mais uma série de facetas próprias, e nem todas elas boas...
Foi um ano de esperança, e subsequentes desilusões, particularmente vindas de pessoas mesmo muito próximas.
Foi o ano em que receei passar a barreira dos 35 anos, para depois os aceitar e receber de braços abertos e gritar "venham eles, e seja lá o que for que tragam, estou cá para tudo!"
Foi um ano de ver o meu filho crescer feliz e saudável, como sempre desejei.
Foi um ano em que reaprendi a lição de que por vezes, é preciso desistir dum desejo e arrumá-lo na gaveta, para que ele depois se concretize e mostre que não é preciso acreditar em Deus, para ter fé! Porque ela está dentro de nós e daquilo que sonhamos e desejamos.
Foi um ano de alargar horizontes, de ver amizades virtuais tornarem-se bem reais.
No fundo, foi um ano de crescimento. Foi um ano de auto-conhecimento, sem sair muito do lugar.
31 de dezembro de 2013
25 de dezembro de 2013
É Natal... parabéns a você... é Natal... nesta data querida!
5 anos!
Não acredito que já se passaram 5 anos desde aquele primeiro instante em que te vi. Apesar de não me recordar se choraste ou não, há uma imagem límpida e cristalina do teu rosto perfeito, de olhos fechados, o gorro azul, embrulhado numa manta, nos braços da enfermeira, porque eu não te podia abraçar e recolher nos meus braços, por conta de todos os fios e tubos que me pontuavam as veias...
Recordo que quando te vi, só pensei abismada e totalmente surpreendida perante a perfeição das tuas feições! O teu nariz pequenino e redondinho, as pestanas finas e longas e os lábios, perfeitos e absolutamente iguais aos do teu pai, como se tivessem sido decalcados a papel químico...
Eu quis abraçar-te e beijar-te, mas não podia... estava de braços abertos na mesa do bloco operatório, consciente e alerta, mas presa a tubos e fios e a uma máquina que apitava insistentemente, de acordo com a minha tensão arterial, que se acelerou a níveis desaconselháveis... Não sei se foi do nervosismo que finalmente se instalou, ou da ansiedade de te poder tocar, abraçar e segurar junto a mim!
És um menino lindo, com o mesmo narizinho pequenino e redondinho, as mesmas pestanas finas e longas, nos teus olhos de azeitona, e os lábios continuam perfeitamente delineados e absolutamente iguais aos do teu pai.
És inteligente, sensível, expressivo, muito teimoso, carregado de mimo (culpa da mãe!), muitas vezes voluntarioso, energético como se quer, tens uma personalidade forte e és extrovertido e muito simpático (cumprimenta todos os desconhecidos que encontra, vá-se lá saber porquê), fazes fitas no espaço de 10 segundos e por estes dias levas uma eternidade para comer o almoço ou o jantar.
Estás alto como o teu pai e compreendes coisas com uma rapidez alucinante, especialmente se te explicarmos de forma simples e sem floreados. Adoras números e letras e todos os teus desenhos incluem o alfabeto ou números. Tens uma memória fantástica e fazes associações de raciocínio que me deixam espantada, em certas ocasiões. És apressado para tudo, e não paras de chamar "mãe, mãe, mãe" enquanto eu não vier a correr em teu socorro...
És o meu bebé, franzino e pequenino, como no dia em que nasceste, apesar de já teres cinco anos!
O meu amor por ti não tem limites e sei que vai continuar a crescer sempre mais e mais!
Não acredito que já se passaram 5 anos desde aquele primeiro instante em que te vi. Apesar de não me recordar se choraste ou não, há uma imagem límpida e cristalina do teu rosto perfeito, de olhos fechados, o gorro azul, embrulhado numa manta, nos braços da enfermeira, porque eu não te podia abraçar e recolher nos meus braços, por conta de todos os fios e tubos que me pontuavam as veias...
Recordo que quando te vi, só pensei abismada e totalmente surpreendida perante a perfeição das tuas feições! O teu nariz pequenino e redondinho, as pestanas finas e longas e os lábios, perfeitos e absolutamente iguais aos do teu pai, como se tivessem sido decalcados a papel químico...
Eu quis abraçar-te e beijar-te, mas não podia... estava de braços abertos na mesa do bloco operatório, consciente e alerta, mas presa a tubos e fios e a uma máquina que apitava insistentemente, de acordo com a minha tensão arterial, que se acelerou a níveis desaconselháveis... Não sei se foi do nervosismo que finalmente se instalou, ou da ansiedade de te poder tocar, abraçar e segurar junto a mim!
És um menino lindo, com o mesmo narizinho pequenino e redondinho, as mesmas pestanas finas e longas, nos teus olhos de azeitona, e os lábios continuam perfeitamente delineados e absolutamente iguais aos do teu pai.
És inteligente, sensível, expressivo, muito teimoso, carregado de mimo (culpa da mãe!), muitas vezes voluntarioso, energético como se quer, tens uma personalidade forte e és extrovertido e muito simpático (cumprimenta todos os desconhecidos que encontra, vá-se lá saber porquê), fazes fitas no espaço de 10 segundos e por estes dias levas uma eternidade para comer o almoço ou o jantar.
Estás alto como o teu pai e compreendes coisas com uma rapidez alucinante, especialmente se te explicarmos de forma simples e sem floreados. Adoras números e letras e todos os teus desenhos incluem o alfabeto ou números. Tens uma memória fantástica e fazes associações de raciocínio que me deixam espantada, em certas ocasiões. És apressado para tudo, e não paras de chamar "mãe, mãe, mãe" enquanto eu não vier a correr em teu socorro...
És o meu bebé, franzino e pequenino, como no dia em que nasceste, apesar de já teres cinco anos!
O meu amor por ti não tem limites e sei que vai continuar a crescer sempre mais e mais!
18 de dezembro de 2013
Falipices #64
Antes do banho, houve birra descomunal, com o menino Falipe a atirar-se para o chão e espernear, como não o via fazer desde os terríveis dois anos...
Mas depois do banho houve esta conversa, que me deixou derretida:
- Mamã, como é que eu posso ter um coração muito grande?
- Oh... podes ter de muitas maneiras... podes ser simpático para os teus colegas, podes ajudar as pessoas quando precisarem de alguma coisa...
- Ah... e posso ajudar os meus colegas a levantar do chão quando caiem?
- Sim, isso também.
- E posso fazer festinhas nos bebés quando eles choram!
- Pois, claro! Também podes partilhar os teus brinquedos com os outros meninos...
- Sim, e ensinar o p'imo Rafael a fazer desenhos...
E continuou a enumerar coisas que podia fazer para conseguir ter um coração enorme...
O stress que a birra dele tinha deixado evaporou-se, eu fiquei orgulhosa do meu rapazinho e ainda mais mãe babada!
Mas depois do banho houve esta conversa, que me deixou derretida:
- Mamã, como é que eu posso ter um coração muito grande?
- Oh... podes ter de muitas maneiras... podes ser simpático para os teus colegas, podes ajudar as pessoas quando precisarem de alguma coisa...
- Ah... e posso ajudar os meus colegas a levantar do chão quando caiem?
- Sim, isso também.
- E posso fazer festinhas nos bebés quando eles choram!
- Pois, claro! Também podes partilhar os teus brinquedos com os outros meninos...
- Sim, e ensinar o p'imo Rafael a fazer desenhos...
E continuou a enumerar coisas que podia fazer para conseguir ter um coração enorme...
O stress que a birra dele tinha deixado evaporou-se, eu fiquei orgulhosa do meu rapazinho e ainda mais mãe babada!
13 de dezembro de 2013
A soma de toda a dor
Fiquei consternada quando soube pela Melissa que a Cecília tinha finalmente partido.
Foi consternada que li uma mensagem no FB que a mãe da Cecília escreveu para ela, depois de ela ter partido.
Assim como fico de coração apertado, quase estrangulado, sempre que vejo divulgados cada vez mais e mais casos de crianças a quem o maldito cancro decidiu "visitar"...Porque me vem sempre à memória o rosto dum menino de cerca de três anos com quem me cruzei no IPOFG, numa das vezes que acompanhei a minha mãe aos tratamentos. O rosto dele ficou para sempre gravado na minha memória, o seu rosto de anjo, feições perfeitas, completamente careca, tentando brincar numa sala de espera da sala de análises clínicas. O que melhor recordo nele, além da sua doçura, foi a falta de brilho nos olhos, tão particular e característica numa criança daquela idade...
Nunca soube se ele conseguiu vencer ou se perdeu a batalha como a Cecília...
A imagem daquele menino pairou muitas vezes no meu pensamento depois do meu filho ter nascido. Com o historial médico da minha família e conhecendo demasiado bem a dor de ter perdido a minha mãe para o cancro de mama e depois o meu pai para um adenoma da hipófise (nome pomposo para dizer tumor), eram inúmeras as noites em que olhava para o meu filho a dormir pacificamente na sua cama de grades e pedia a Deus, aos céus, ao universo, a alguém ou mesmo a ninguém, que não me fizesse passar pela dor de perder o meu filho para essa maldita doença que tudo mina, corrói e destrói, até não restar nada...
A razão pela qual pedia agora insistentemente, tem a ver com o facto de após ter perdido ambos os pais para a doença, ter durante anos adoptado uma atitude um tanto arrogante perante a morte, como se fosse demasiado azar para uma pessoa só (já que a probabilidade dum relâmpago atingir o mesmo sítio mais que uma vez é altamente improvável...). Além do mais, várias vezes me disseram "podes ter sorte, e a doença saltar uma geração"...
Agora que o meu filho dormia ali na cama de grades pacificamente, achei-me estupidamente arrogante e além do mais, simplesmente parva por acreditar no saltar de geração da genética cancerosa.
Percebi o tamanho da minha estupidez, pois jamais desejaria conhecer a dor de perder um filho, fosse para o cancro ou outra doença qualquer, ou qualquer outro acontecimento que pudesse arrancar dos meus braços de mãe aquele ser inocente, lindo e puro que conquistou o meu coração na primeira vez que ouvi o seu coração batendo a "galope" dentro do meu ventre!
Nesses momentos e ainda hoje, pedi que se o cancro tiver que aparecer novamente na minha família lagarto, lagarto, lagarto, que acerte em mim e nunca no meu filho! Já conheço a dor de perder os meus ascendentes, não quero jamais conhecer a dor de perder os meus descendentes!
Porque às primeiras perdas sobrevivi... a custo!
À perda dum filho sucumbiria certamente! Como diz a Gralha, vergaria! Até ficar prostrada e sem qualquer réstia de vontade de viver.
Por isso, não começo a compreender a dor que os pais e toda a família da Cecília devem estar a passar neste momento... ficando apenas o fraco consolo de saber que ela não sofre mais...
Por isso, não começo a compreender a dor que os pais e toda a família da Cecília devem estar a passar neste momento... ficando apenas o fraco consolo de saber que ela não sofre mais...
12 de dezembro de 2013
Falipices #63 - tópicos sensíveis
Falipe ao meu lado no sofá a assistir hipnotizado a desenhos animados.
Do nada, agarra-se ao meu braço e diz:
- Mamã, eu não quero que tu morras!
Fiquei boquiaberta...
- Então, de onde veio essa ideia?...
- Eu não quero que a minha mamã morra...
- Sim, filho, a mãe está aqui ao teu lado. Mas de onde veio essa ideia?
- Eu não quero que a minha mamã morra. Quero que fiques viva!
Por mais que lhe quisesse dizer algo que o confortasse, fiquei quase sem reacção e principalmente sem entender onde tinha ele ido buscar esta ideia. Aliás, esta deve ser a terceira ou quarta vez que ele me pergunta se eu vou morrer... e eu sinceramente admito a minha tremenda falha em lhe dar uma resposta cabal...
Passados uns dois minutos, pergunta-me:
- Mamã, tu vais transformar-te em avó?
- Sim, filho, possivelmente sim... não sei...
- Como é que vais transformar-te em avó?
- Pois, isso vai depender de ti.... um dia, quando fores grande, no dia em que tu te transformares em papá (se isso suceder...)
- Quando eu for muito muito grande, mamã?
- Sim.
- Pois, mas eu agora sou pequenino... ainda estou quase a fazer cinco anos. Ainda falta muito para eu ser grande?
- Sim, filho, ainda falta um bocado. Não tenhas pressas, sim?!
- Está bem...
Do nada, agarra-se ao meu braço e diz:
- Mamã, eu não quero que tu morras!
Fiquei boquiaberta...
- Então, de onde veio essa ideia?...
- Eu não quero que a minha mamã morra...
- Sim, filho, a mãe está aqui ao teu lado. Mas de onde veio essa ideia?
- Eu não quero que a minha mamã morra. Quero que fiques viva!
Por mais que lhe quisesse dizer algo que o confortasse, fiquei quase sem reacção e principalmente sem entender onde tinha ele ido buscar esta ideia. Aliás, esta deve ser a terceira ou quarta vez que ele me pergunta se eu vou morrer... e eu sinceramente admito a minha tremenda falha em lhe dar uma resposta cabal...
Passados uns dois minutos, pergunta-me:
- Mamã, tu vais transformar-te em avó?
- Sim, filho, possivelmente sim... não sei...
- Como é que vais transformar-te em avó?
- Pois, isso vai depender de ti.... um dia, quando fores grande, no dia em que tu te transformares em papá (se isso suceder...)
- Quando eu for muito muito grande, mamã?
- Sim.
- Pois, mas eu agora sou pequenino... ainda estou quase a fazer cinco anos. Ainda falta muito para eu ser grande?
- Sim, filho, ainda falta um bocado. Não tenhas pressas, sim?!
- Está bem...
10 de dezembro de 2013
Olhos azuis que não vêem
Nasceu em 1923.
A Margarida (ou Margaridinha como eu lhe chamo) tem 90 anos. Pensava eu que eram ainda 88...
Tem o cabelo todo branco como a neve quase desde que a conheço, desde que era miúda e adorava passar as tardes na casa dela. É a única mulher da minha família que possui olhos azuis. Dum azul água, a igualar as águas do mar duma qualquer ilha paradisíaca da Polinésia, Bora-Bora ou coisa assim.
A Margaridinha é uma mulher de estatura pequenina, tal como era o meu avô Manuel, o seu irmão preferido. Andavam sempre juntos, eram unha com carne. Da irmandade de nove, a Margaridinha é a minha tia-avó preferida! É aquela que escolhi como minha "avó", porque perdi as minhas muito cedo.
Levanta-se ao nascer do sol e deita-se "com as galinhas". Toda a vida foi assim!
Sempre que a visito, há sempre um biscoito ou uma bolacha à minha espera, e longe vão os dias em que ia a casa dela lanchar pão com marmelada (a única que alguma vez gostei!) e fazia os melhores fritos que alguma vez comi!
A Margaridinha tem 90 anos e sorri quando ouve a minha voz e chama pelo meu nome com um tom carinhoso que não conheço a mais ninguém.
A Margaridinha caminha em torno da sua casa, de onde se recusa a sair, com a ajuda dum bordão. Porque ela não vê... os seus olhos azuis de água do mar das ilhas polinésias mexem-se mas não conseguem ver... porque a diabetes deu cabo deles.
A Margaridinha mexe os seus olhos azuis, mas não consegue ver, porque apenas consegue vislumbrar sombras...
Nunca se esquece do meu aniversário, e engata sempre alguém para marcar os números do meu telemóvel no seu telefone fixo, porque não consegue ver os números no teclado... E eu sorrio sempre ouço a sua voz do outro lado da linha a dar-me os parabéns!
Porque a Margaridinha é a minha "velhota" de olhos azuis água do mar e cabelos brancos como a neve, que desde os seus 80 anos diz que já tem "avondo" de viver, que são já demasiados anos para cá andar, e que pergunta sempre retoricamente "o que é eu ainda ando cá fazendo?!"
Ao que eu respondo sempre da mesma forma: "deixe-se estar por cá mais uns anos. Não se vá embora já!"
8 de dezembro de 2013
Fazes tanta falta!
4 anos.
Já se passaram 4 anos...
O que mais me ficou na memória foi o choro convulsivo em que me afundei depois de ter desligado o telefone com a enfermeira que me comunicou que tinhas partido finalmente. Aquele choro que me sufocava, que tomou conta de mim até me sentar prostrada no meio do corredor do apartamento.
Primeiro chorei de alívio, mas depois de dor... só de dor...
Fazes falta!
Fazes tanta falta!
A mim, mas principalmente ao teu neto. Que ia adorar ouvir-te contar as milhentas histórias que tu sempre contaste e que tão bem sabias contar. Todas aquelas histórias que faziam rir qualquer um e que deixavam qualquer um atento, para saber o desfecho!
Fazes falta para imitar um fado corrido, como quem imita um acordeão e com cujos os acordes eu cresci a ouvir-te.
E ter-te-ia feito tanta falta conheceres o teu neto, porque ele seria o tesouro no fim do arco-íris, que amenizaria um pouco a tua solidão, pela ausência da mãe.
Como não estás cá, tentarei eu contar as histórias que te ouvi desde criança... se bem que não terão tanta piada... mas ele saberá que era uma história do Vô 'Bel!
Já se passaram 4 anos...
O que mais me ficou na memória foi o choro convulsivo em que me afundei depois de ter desligado o telefone com a enfermeira que me comunicou que tinhas partido finalmente. Aquele choro que me sufocava, que tomou conta de mim até me sentar prostrada no meio do corredor do apartamento.
Primeiro chorei de alívio, mas depois de dor... só de dor...
Fazes falta!
Fazes tanta falta!
A mim, mas principalmente ao teu neto. Que ia adorar ouvir-te contar as milhentas histórias que tu sempre contaste e que tão bem sabias contar. Todas aquelas histórias que faziam rir qualquer um e que deixavam qualquer um atento, para saber o desfecho!
Fazes falta para imitar um fado corrido, como quem imita um acordeão e com cujos os acordes eu cresci a ouvir-te.
E ter-te-ia feito tanta falta conheceres o teu neto, porque ele seria o tesouro no fim do arco-íris, que amenizaria um pouco a tua solidão, pela ausência da mãe.
Como não estás cá, tentarei eu contar as histórias que te ouvi desde criança... se bem que não terão tanta piada... mas ele saberá que era uma história do Vô 'Bel!
6 de dezembro de 2013
Falipices #62 - eu sei, eu sei...
No domingo passado, Falipe parecia estar ligado à corrente eléctrica... Todo o dia pulou, saltou, brincou, e principalmente tagarelou sem parar...
Ao final do dia, eu já estava cansada e ele continuava completamente enérgico.
Eu repeti muitas vezes a mim mesma, que no dia em que aquele "pulguinha eléctrica" passar a ser mais calmo e silencioso, eu vou ter tantas saudades de dias assim...
Mas às tantas, o cansaço venceu-me quando tentava limpar-lhe o nariz pela octogésima nona vez e ele sem parar de se mexer e retorcer, tornando a tarefa aparentemente simples, em algo complexo...
Pedi-lhe já quase a ter uma mini-descompensação:
- Filho, por favor, desliga as pilhas!
Resposta pronta e firme:
- Eu não tenho pilhas! Não sou nenhum robot... as pessoas não têm pilhas!
Eu sei, filho! Eu sei...
Mas tu percebeste perfeitamente que eu estava a falar em sentido figurado...
Ao final do dia, eu já estava cansada e ele continuava completamente enérgico.
Eu repeti muitas vezes a mim mesma, que no dia em que aquele "pulguinha eléctrica" passar a ser mais calmo e silencioso, eu vou ter tantas saudades de dias assim...
Mas às tantas, o cansaço venceu-me quando tentava limpar-lhe o nariz pela octogésima nona vez e ele sem parar de se mexer e retorcer, tornando a tarefa aparentemente simples, em algo complexo...
Pedi-lhe já quase a ter uma mini-descompensação:
- Filho, por favor, desliga as pilhas!
Resposta pronta e firme:
- Eu não tenho pilhas! Não sou nenhum robot... as pessoas não têm pilhas!
Eu sei, filho! Eu sei...
Mas tu percebeste perfeitamente que eu estava a falar em sentido figurado...
4 de dezembro de 2013
Lobo em pele de cordeirinho
Ah se as pessoas soubessem quem tu és na verdade...
Se elas pudessem vislumbrar apenas e só uma pequena fracção da alcoólica inveterada e infeliz criatura em que te tornaste, acredita que elas te desprezariam muito mais do que aquilo que acusas a tua família de o fazer!
Às vezes penso em desmascarar-te, levantar a ponta do véu sobre a mesquinhez e inveja que te caracteriza, o egoísmo e egocentrismo que te é comum e habitual, mas que tu escondes atrás duma fachada de mulher fantástica e de bem com a vida...
Mas sabes, eu não pretendo de forma nenhuma descer ao teu nível.
E além do mais, seria energia mal canalizada e desperdiçada irremediavelmente.
Porque nunca chegarás a perceber que a solidão e infelicidade em que vives diariamente são o fruto das escolhas que foste fazendo ao longo da tua vida, apesar de sucessivamente quereres atirar as culpas para cima de terceiros, especialmente aqueles que sempre te apoiaram... até ao dia em que os teus insultos e ódio destilado apagaram qualquer réstia de empatia que ainda lhes pudesse subsistir...
E a vida ensinou-me que o dia chegará, em que a tua fachada cairá por terra, esborratando-se como maquilhagem à chuva e todos verão que indecente és tu e não a família a quem tão levianamente acusas de o ser...
3 de dezembro de 2013
Pausa para almoço
De há três meses a esta parte passei a dispor de apenas 30 minutos para almoçar, porque tive que ajustar o meu horário de trabalho ao horário escolar do Falipe.
Realmente, meia hora é suficiente para engolir uma sopa (a escaldar, é certo...) e um segundo prato. E assim como assim, sempre fui uma pessoa habituada a comer depressa mesmo quando dispunha de uma hora e meia para almoçar.
No entanto, sinto falta daquela meia hora... porque a aproveitava sempre. Fosse para resolver um qualquer imbróglio no banco, ir aos CTT, ou simplesmente ver montras para distrair a mente, ou sentar em qualquer lado a ler um livro (que era o mais comum!).
Parece que naquela meia-hora extra de que dispunha, também podia simplesmente aquietar-me um pouco e abrandar o ritmo da respiração, e até quiçá pensar nas coisassem importância da vida.
Outra vantagem é que podia facilmente combinar um almoço com amigos, rever pessoas que de outra forma tenho dificuldade em conjugar horários para encontros e ainda dar dois dedos de conversa com rostos familiares. Agora é complicado pedir a alguém que sorva o almoço comigo, só para dizer que estamos juntos... aliás, o propósito cai por terra a partir do momento em que nos 30 minutos disponíveis, abrir a boca é quase única e exclusivamente para enfiar lá comida...
No entanto, convenhamos que é menos meia hora que passo fora de casa...
Realmente, meia hora é suficiente para engolir uma sopa (a escaldar, é certo...) e um segundo prato. E assim como assim, sempre fui uma pessoa habituada a comer depressa mesmo quando dispunha de uma hora e meia para almoçar.
No entanto, sinto falta daquela meia hora... porque a aproveitava sempre. Fosse para resolver um qualquer imbróglio no banco, ir aos CTT, ou simplesmente ver montras para distrair a mente, ou sentar em qualquer lado a ler um livro (que era o mais comum!).
Parece que naquela meia-hora extra de que dispunha, também podia simplesmente aquietar-me um pouco e abrandar o ritmo da respiração, e até quiçá pensar nas coisas
Outra vantagem é que podia facilmente combinar um almoço com amigos, rever pessoas que de outra forma tenho dificuldade em conjugar horários para encontros e ainda dar dois dedos de conversa com rostos familiares. Agora é complicado pedir a alguém que sorva o almoço comigo, só para dizer que estamos juntos... aliás, o propósito cai por terra a partir do momento em que nos 30 minutos disponíveis, abrir a boca é quase única e exclusivamente para enfiar lá comida...
No entanto, convenhamos que é menos meia hora que passo fora de casa...
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