Amassei folares de Páscoa.
Amassei tal como cresci a ver o meu pai a amassar.
Com aquela técnica infalível de quem conhece os mistérios da massa doce pontilhada de erva doce e raspa de limão.
No fim o sinal da cruz e as cinco "chagas de Cristo".
Por fim, o pano e o cobertor, como quem aconchega um filho.
Amanhã vão receber ovos e seguir para o forno.
Por agora, suei as estopinhas e os nós dos dedos estão todos sovados e doridos...
A coluna amanhã apresentará as suas queixinhas...
29 de março de 2013
A tradição ainda é o que era!
22 de março de 2013
O regresso dos "defuntos" políticos
Primeiro, foi o Jorge Coelho que decidiu regressar à vida política.
Depois, foi o Sócrates que foi premiado com um programa na RTP.
Agora é a Manuela Ferreira Leite, na TVI...
Ou isto é obra do Relvas, ou deve-se a algum fenómeno astronómico qualquer, ou tem dedo de milagre de Papa Francisco...
22 Março 1938
Hoje completarias 75 anos.
Hoje iria visitar-te e dar-te-ia um enorme abraço e muitos beijinhos, como sempre fazia.
Ficaríamos a conversar sobre isto e aquilo, sobre o que fizeste, o que eu fiz, contar-te-ia todas as tropelias do teu adorado neto, de quem morrias de saudades, mesmo que ele tivesse apenas 6 ou 7 meses... Irias rir com aquele teu gargalhar tão característico e passarias a mão pelo teu cabelo grisalho e ondulado, num tique nervoso.
Eu sei que tivémos tantas divergências, eu sei que a partir da minha adolescência te viste em papos de aranha para compreender-me, para me aceitares com o meu feitio, com a minha personalidade efusiva e impulsiva.
Eu sei que em muitas ocasiões fui injusta contigo e lamentavelmente só após a maternidade compreendi isso, e já não fui a tempo...
Em certas ocasiões ainda faço o gesto instintivo e irreflectido de pegar no telefone para te ligar... e talvez por isso ainda tenho o teu número de telemóvel na minha lista de contactos...
Apesar de as nossas discussões terem deixado marcas permanentes na minha memória, e por isso luto por ser capaz de aceitar críticas sem reagir mal e de forma defensiva, sem grande sucesso... recordo muito mais os nossos momentos a dois, quando eu era pequena e te idolatrava, te considerava o meu herói e o modelo de homem que eu queria na minha vida, para ser meu companheiro.
Recordo igualmente as tuas mãos envelhecidas por muitos anos de vida a trabalhar, principalmente no campo. Recordo as rugas e as cicatrizes que tinhas nas mãos e nunca esquecerei que o formato da minha mão é a cópia quase exacta da tua e de como eu adorava comparar a minha mão à tua!
E para sempre guardarei na memória que me chamavas carinhosamente "caganita" e mesmo com 31 anos, me beijavas e dizias que eu "cheirava a pequeninos!"...
21 de março de 2013
Sobre o Sócrates e a RTP
Só há uma palavra que me pula na língua, para caracterizar o facto de Sócrates ter sido escolhido para comentar a política na RTP...
INSULTO
"Quer o destino que eu não caia no destino"
A natureza humana é um quebra-cabeças e poucos se podem gabar de ter conseguido sequer começar a entender os seus milhares de segredos.
A natureza do ser humano é ser permanentemente insatisfeito e muitos de nós vivemos, em maior ou menor grau, algum tipo de contradição de sentimentos, emoções, atitudes e acções.
Todos nós em algum ponto da nossa vida, já nos sentimos bem com uma coisa que até nos entristece e aquilo que é motivo de felicidade até não nos traz alegria nenhuma, sem que consigamos explicar as razões de tamanha contradição.
Todos nós já dissemos alguma coisa, quando sentíamos o oposto e todos nos sentimos de uma determinada forma, mas agimos em sentido totalmente oposto.
No fundo, a nossa essência assenta no facto de sermos um poço de contradições, de incoerências, de impermanência, de o que sentimos não bater a bota com a perdigota com o que dizemos e fazemos.
Talvez por isso tenha começado a conseguir compreender um nadinha a velha tirada batida e rebatida de "andar em buscar de nós mesmos, para nos encontrarmos"!
Habitamos em nós, mas andamos sempre em busca de nós mesmos, como um cão que anda em torno de si mesmo a tentar caçar a sua própria cauda.
Sofremos de inquietude permanente por esta insatisfação que borbulha na sombra de nós mesmos.
E nem sempre é possível expressar esta inquietude e descrever este estado de insatisfação latente... nuns será isso que os move, que os motiva, que lhes fornece o impulso de continuar e avançar em busca de algo mais. Noutros será exactamente isso que os tolhe, que os acobarda, que os amedronta.
E eu confesso que já fui bem mais destemida, bem mais desprovida de incoerências, bem mais plena de certezas sobre que caminhos tomar, sobre que sonhos queria concretizar, muito mais firme em manter-me fiel a um fio condutor de valores e princípios, pelo qual sempre me orientei.
Por isso, por estes dias sinto que vivo "na incerteza que nada mais certo existe, além da grande certeza de não estar certa de nada"!!
"Quer o destino que eu não creia no destino
E o meu fado é nem ter fado nenhum
Cantá-lo bem sem sequer o ter sentido
Senti-lo como ninguém, mas não ter sentido algum
Ai que tristeza, esta minha alegria
Ai que alegria, esta tão grande tristeza
Esperar que um dia eu não espere mais um dia
Por aquele que nunca vem e que aqui esteve presente
Ai que saudade
Que eu tenho de ter saudade
Saudades de ter alguém
Que aqui está e não existe
Sentir-me triste
Só por me sentir tão bem
E alegre sentir-me bem
Só por eu andar tão triste
Ai se eu pudesse não cantar "ai se eu pudesse"
E lamentasse não ter mais nenhum lamento
Talvez ouvisse no silêncio que fizesse
Uma voz que fosse minha cantar alguém cá dentro
Ai que desgraça esta sorte que me assiste
Ai mas que sorte eu viver tão desgraçada
Na incerteza que nada mais certo existe
Além da grande incerteza de não estar certa de nada"
E o meu fado é nem ter fado nenhum
Cantá-lo bem sem sequer o ter sentido
Senti-lo como ninguém, mas não ter sentido algum
Ai que tristeza, esta minha alegria
Ai que alegria, esta tão grande tristeza
Esperar que um dia eu não espere mais um dia
Por aquele que nunca vem e que aqui esteve presente
Ai que saudade
Que eu tenho de ter saudade
Saudades de ter alguém
Que aqui está e não existe
Sentir-me triste
Só por me sentir tão bem
E alegre sentir-me bem
Só por eu andar tão triste
Ai se eu pudesse não cantar "ai se eu pudesse"
E lamentasse não ter mais nenhum lamento
Talvez ouvisse no silêncio que fizesse
Uma voz que fosse minha cantar alguém cá dentro
Ai que desgraça esta sorte que me assiste
Ai mas que sorte eu viver tão desgraçada
Na incerteza que nada mais certo existe
Além da grande incerteza de não estar certa de nada"
20 de março de 2013
19 de março de 2013
Falipices #36 - O segredo ultra-rápido para emagrecer
Ao final do dia levei-o ao parque infantil da nossa zona de residência.
Chamou-me para ir andar com ele numa espécie de carro de molas, em que nos sentamos.
Dado o meu estado avançado de manatim, foi por uma unha negra que me consegui sentar no dito cujo carro.
Nisto o Falipe diz-me:
- Mamã, depois vamos os dois andar no escorrega.
Eu respondo:
- Oh filhote, não pode ser... eu sou muito "grande" (leia-se gorda) e não consigo caber lá dentro.
Falipe com ar pensativo responde:
- Não faz mal. Amanhã vais fazer cocó e já ficas pequena e podes andar no escorrega!
Quem me dera que fosse assim tão fácil...acho que já tinha feito uns 5 ou 6 clisteres....
Chamou-me para ir andar com ele numa espécie de carro de molas, em que nos sentamos.
Dado o meu estado avançado de manatim, foi por uma unha negra que me consegui sentar no dito cujo carro.
Nisto o Falipe diz-me:
- Mamã, depois vamos os dois andar no escorrega.
Eu respondo:
- Oh filhote, não pode ser... eu sou muito "grande" (leia-se gorda) e não consigo caber lá dentro.
Falipe com ar pensativo responde:
- Não faz mal. Amanhã vais fazer cocó e já ficas pequena e podes andar no escorrega!
Quem me dera que fosse assim tão fácil...
TPM climática
O S. Pedro deve ser gaja, de certeza!!!
Deve andar cá uma crise de TPM... ou isso, está com uma monumental depressão!
Ora traz a chuva a cântaros e leva o frio, ora leva a chuva e traz um frio de rachar.
Para quem acha que no Algarve faz sol todo o ano, desenganem-se!
Eu que não sou de me queixar muito em relação à meteorologia, confesso que já ando desatinada com estas amplitudes climáticas.
Já não sei o que vestir e começo a ficar aborrecida por ainda ter que fazer jogos de cintura quando vou pôr uma máquina de roupa a lavar.
Por isso, S. Pedro, tu orienta-te, toma uns comprimidos de hormonas ou anti-depressivos, a ver se te decides duma vez a colaborar e a trazer temperaturas bem mais primaveris!
18 de março de 2013
Quando será?!
No dia em que o "astrólogo" mais famoso do panorama nacional veio anunciar os resultados da 7.ª avaliação da Troika, ia eu para casa, quando no rádio passou esta música.
No meio da letra desta música do Frankie Chavez, uma frase sobressaiu e ecoou na minha mente:
"when will the silent mob turn in to a raging croud?"
Eu perguntei-me: quando será??!
Porque sinceramente, acho que já faltou mais...
15 de março de 2013
Registo de memória
Às vezes, simplesmente paro.
Fico quieta a olhar para ti.
Nos lábios um sorriso pateta, de quem mira algo mágico.
Nos olhos o brilho de assombro, perante o teu rosto lindo, as tuas feições perfeitas.
Tento ficar quieta e atenta, para registar tudo dessa tua doçura inocente de menino curioso. Para nunca mais esquecer o quanto preenches o meu coração de amor, e o quanto transformaste o meu ser!
13 de março de 2013
O tempo perguntou ao tempo, quanto tempo o tempo tem...
Os meus dias não deviam ter apenas 24h...
Deviam ter 36h, pelo menos!
Não, minto! Deviam ter 48h!!
Porque eu preciso de mais horas para fazer tudo aquilo que preciso e mais aquilo que eu quero!
Senão vejamos:
Como sou uma dorminhoca, não fico bem sem as minhas 8h de sono de beleza.
Como tenho que trabalhar para ganhar sustento, são precisas mais 8h.
Só nestes dois itens já se foram 16h...
Depois, eu quero ter mais tempo para estar com os meus mais que tudos, logo 8h deviam ser destinadas a isso mesmo, em exclusivo!
Como se pode ver, já lá vão 24h...
Ora, mas eu queria mais tempo, a repartir da seguinte forma:
8h para os meus crafts (2h para crochet+2h para tricot+2h para costura+2h para bordados)
6h (pelo menos...) para me dedicar à lista interminável de livros que pretendo ler.
6h para passear, correr mundo, sem pressas! E de preferência na companhia de bons amigos!
4h para ver todos os filmes e séries que digo sempre que quero ver, mas que deixo sempre para mais tarde...
E voilá, já chegámos à marca das 48h... e nem tive umas 2 horinhas para fazer um desporto...
12 de março de 2013
Manuel de Oliveira
Enquanto eu viver, viverás no meu coração e na minha memória!
Meu herói, meu sábio, meu ídolo, meu companheiro de brincadeiras, meu amigo, meu homem baixote, meu teimoso, meu homem de coração generoso e justo, meu trabalhador valente, meu avô!
São 25 anos de saudade!
Adoro-te!
11 de março de 2013
A Vida de Pi
Terminei a leitura deste livro há já umas semanas.
O que posso dizer é que não me encantou particularmente.
Está muito bem escrito, a história está bem construída, mas para ser absolutamente sincera, não me cativou.
Desculpem ser desmancha-prazeres e até um tanto redutora na análise, mas para mim este livro é apenas um relato de um naufrágio e da vida do náufrago enquanto não consegue ser salvo, com os temas que a isso estão associados.
O mesmo desencanto já me havia sucedido quando li o "Relato de um náufrago" do Gabriel Garcia Marquéz.
Faço no entanto a ressalva a algumas passagens que estão mesmo muito bem escritas e que inclusivamente já transcrevi aqui no blog.
De qualquer forma, este é um daqueles livros que não me ficará seguramente na memória. No caso desta história, estou crente de que o filme será certamente mais fantástico do que o livro.
8 de março de 2013
Dia da Mulher
Este dia é importante!
Pelo que simboliza. Poderão muitos dizer que o dia da mulher devia ser todos os dias. E é, a meu ver!
Mas este dia é importante, mesmo muito importante!
E compreendi isso num dia, não há tanto tempo atrás assim, em que um chefe me atirou à cara a frase:
"Pois, não podes ter as duas coisas! Tens que escolher."
As duas coisas a que ele se referia eram nada mais nada menos que a "maternidade" e a "carreira".
Enquanto houver mentes tacanhas que acham que temos que nos cingir a ser mulheres/profissionais ou mulheres/mães há que continuar a assinalar este dia.
Enquanto houver mentes tacanhas e cruéis que acham que podem traficar mulheres e adolescentes, escravizá-las de toda a maneira, principalmente do ponto de vista sexual, há que continuar a assinalar este dia.
Enquanto houver mentes tacanhas e cruéis que acham que podem agredir e violentar física e psicologicamente uma mulher, só porque são maridos, namorados, pais ou padrastos, há que continuar a assinalar este dia.
Enquanto houver mentes tacanhas que acham que a mulher deve ser pior remunerada e preterida na corrida a uma progressão na carreira, há que continuar a assinalar este dia.
Mas principalmente, há que continuar a lutar pela defesa dos direitos que qualquer mulher tem, seja na vida pessoal ou profissional.
Eu sou mulher, sempre gostei de ser mulher e sou feliz sendo mulher!
7 de março de 2013
O que é nacional é bom!
Uma música excelente!
Um vídeo lindíssimo!
Porque no fundo a vida é mesmo assim...
6 de março de 2013
Vida examinada
O relógio marca 8h55.
Por cima da sala de exame, há um olho de boi pequeno de cor vermelha.
Na sala ao lado, há um cartaz informativo cheio de sinalética amarela e avermelhada e gravo na mente a palavra "Magneton" e um qualquer aviso de proibição.
As cadeiras plásticas são desconfortáveis e rangem ao mínimo mudar de posição.
A auxiliar empurra uma maca e diz ao Sr. António "já o venho buscar". Como se ele, deitado naquela maca, ligado a dois fios que lhe metem na veia líquidos translúcidos, pudesse sair dali.
O olhar do Sr. António é vago e o seu rosto acusa o peso dos muitos anos de idade e espelha o cansaço e a enfermidade nas olheiras fundas que se cavam por baixo dos olhos sem brilho.
Penso comigo, sobre que estará ele a pensar... será que está a medir a dimensão da sua mortalidade?! Será que está a maldizer o seu destino ou a imaginar o que irá fazer quando abandonar aquela maca.
A sala de exame abre-se e o Sr. António é empurrado na maca que o segura. Passados uns instantes, o olho de boi avermelhado ilumina-se uma vez, e depois outra.
A auxiliar acompanha o Sr. Agostinho, que caminha pelo seu pé e cujo único vestígio de ter passado pela urgência hospitalar é a entrada do catéter, cravado nas costas da mão.
O Sr. Agostinho senta-se mas parece inquieto. Pensei que estivesse nervoso, mas afinal ele pergunta-me se sei onde é a casa-de banho.
O Sr. Agostinho senta-se mas parece inquieto. Pensei que estivesse nervoso, mas afinal ele pergunta-me se sei onde é a casa-de banho.
Outros dois homens são empurrados deitados em macas, um dorme indiferente às pessoas que cruzam o corredor, enquanto o outro, de nacionalidade estrangeira tenta encaixar o seu metro e noventa na maca, que não deve ir além dessa medida.
Na sala de exame n.º 2 ouço a técnica de radiologia dizer: "não respire, Sr. Artur!" e minha memória musical leva-me aos tempos de faculdade, sorrio para mim mesma e penso se o Sérgio Godinho se inspirou nesta ordem para escrever aquele música linda que diz "não respire... pode respirar!"
O Sr. Agostinho regressa do WC mais descontraído, e eis que a funcionário da sala Magneton lhe ordena "vá-se sentar" como quem ralha com uma criança que se portou mal e saiu do castigo, nem sequer disposta a ouvir o argumento que o Sr. Agostinho tenta proferir.
O Sr. Agostinho senta-se duas cadeiras distantes de mim, mas agora está mais sereno e sorri para mim. Reparo que tem um sorriso bonito e uns olhos azulados cor de água. E penso comigo que em novo ele devia ser um homem bem parecido...
Sorrio de volta. Como gostaria de pensar que alguém sorriu ao meu pai naquela noite de 3 de Outubro de 2009 em que esteve naquele mesmo piso, para fazer o mesmo exacto exame.
O senhor estrangeiro ao entrar na sala de exame apenas consegue dizer "I'm not feeling so well" e a técnica de exame exaspera-se excessivamente. A luz vermelha do olho de boi volta a piscar. Uma vez. Depois outra.
E eis que chega a vez do Sr. Agostinho. A técnica de exame antes exasperada, trata-o agora com toda a dignidade e uma genuína simpatia. A luz por cima da porta acende-se uma vez, duas vezes...
O Sr. Agostinho sai da sala e olha em seu redor, para a esquerda e para a direita. Fica indeciso. Senta-se a uma cadeira de distância de mim e volta a sorrir-me, com um semblante ainda mais aberto. E eu sorrio de volta e digo à laia de pergunta/afirmação: "agora tem que esperar pela acompanhante!?".
Não sei há quantas horas ele ali está, nem há quanto tempo ninguém entabula conversa com ele, sem ser por questões médicas. Não lhe quis perguntar porque estava ali, mas continuei a conversar com ele, conversa de circunstância. Enquanto converso com ele, reparo que quando o Sr. Agostinho sorri, todo o rosto dele sorri, vincando ainda mais as rugas. Olho por momentos para o casaco de flanela grossa axadrezada e lembro-me que o meu pai tinha um parecido e por milissegundos, volto a perguntar-me como terá sido naquela manhã do dia 3 de Outubro de 2009...
Na sala de exame, ouço chamar pelo meu nome. E eu levanto-me instintivamente.
O Sr. Agostinho fica sentado, porque está à espera da auxiliar o levar de volta à sala de diagnóstico da urgência hospitalar. Porque não sabe o caminho no emaranhado labirinto de corredores e elevadores.
E eu faço apenas um ligeiro aceno de bom dia e as melhoras...
Quando saio da sala de exame, olho para o relógio.
Marca 9h50.
5 de março de 2013
Quando penso nos senhores que nos (des)governam...
4 de março de 2013
Soltas da manif 2M
Dada a palavra a quem quisesse falar, um senhor muito aprumado, na casa dos 80 anos, afirmou que ia fazer uma grande revelação:
"A culpa de estarmos no estado de crise como estamos hoje é de um senhor chamado Rothchilds... blá blá blá... Woodrow Wilson... blá blá blá... teorias da conspiração... blá blá blá... nos mais de 400 livros que possuo... blá blá blá... teorias da conspiração... que já escrevi em dois livros cujos títulos são Y e X...blá blá blá... já em 1913..."
Até que alguém o interrompe com um sonoro: "Estamos em 2013!!"
Ele pára por um minuto, ostentando uma pose magistral e segue na sua elucubração. Até que a massa manifestante começa a cantarolar a Grândola e ele percebe a deixa, termina o discurso atabalhoadamente e mete a viola no saco!
Um senhor na casa dos 70 anos, clamava: "fogo, isto precisa é de fogo! E de uma carga de porrada!"
No grupo de jovens na casa dos 30, ao meu lado, um deles pergunta ao recém-chegado que raio lhe aconteceu na cabeça, porque parece ter o couro cabeludo todo raspado... ao que ele responde: "implante capilar"...
Ao cabo de poucos minutos fico a saber que o rapaz decidiu fazer um implante capilar que custou a módica quantia de 2500€, porque quis disfarçar as entradas que já começavam a prenunciar uma enorme careca.
E enquanto no Coreto, se gritavam palavras de ordem e se clamava por justiça social e demissão do governo, o rapaz mostrava as fotos do procedimento do implante capilar no seu Ipad aos restantes amigos.
No entanto, achava que é preciso "chegarmos a 17% de desempregados para a malta sair à rua!"
O ponto alto para mim terá sido, quando o Gel e o Falâncio à laia de animação e a queimar tempo para se entoar a Grândola, clamam: "E quem não salta, é do governo!"
Foi ver todos os presentes, até os velhotes de bengalinha e canadianas, fazerem das tripas coração para saltar, porque afinal de contas, por estes dias, ninguém quer ser do governo!
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