22 de maio de 2013

Põe a tua mão na minha



Eu sempre conheci as mãos do meu pai.
Eu gostava de comparar as minhas mãos pequeninas e delicadas de menina pequena com as dele. Os meus dedos finos e pequeninos contrastavam com as suas palmas grossas e arredondas, os seus dedos grossos e fortes e as suas unhas perfeitas.
Por comparar o tamanho passei a conhecer-lhe os traços das palmas, as cicatrizes das costas das mãos, fruto do trabalho árduo de manusear a enxada para modelar a terra e fazer nascer e crescer legumes e algumas frutas.
O meu pai ria-se com aquele sorriso enorme de gosto, de ver-me admirar as suas mãos. Depois pegava nas minhas e dizia que pareciam a cópia genética das mãos da sua mãe, a avó Inácia.

Hoje em dia, percebo que as minhas mãos estão cada vez mais parecidas com as suas, mas já não posso comparar...

Gosto de comparar as tuas mãos pequeninas, mas agora a minha é a maior.
Estou certa que não será sempre assim!
Adoro a suavidade da tua pele e os teus dedos pequeninos, que adoram apertar-me o nariz e as bochechas.
As tuas mãos são diferentes das minhas, e são diferentes das do teu avô Abel.
As tuas mãos são as tuas.
Eu hei-de continuar a compará-las com as minhas, para conhecer os seus traços.

3 comentários:

triss disse...

:-)

Arco Iris disse...

Adoro mãos de crianças....
Eu também gostava muito de fazer festinhas nas mãos do meu pai.

blue disse...

Faço-o com o meu pequenino. :)
uba