 |
| tirada da net |
|
Ontem fiquei abismada com um documentário da BBC... de vez em quando escolhem temas bastante interessantes, sem dúvida!
O que vi ontem era sobre violência e agressividade no ser humano, um tema que me despertou desde logo a curiosidade.
O jornalista, pacifista de convicção, um pouco como eu, queria entender porque há pessoas que gostam da violência e conseguem até mesmo retirar prazer de infligir dor e sofrimento a outro ser humano.
E as conclusões a que ele conseguiu chegar foram para mim perturbadoras, sob vários prismas. Porque eu a cada passo que o documentário avançava, tentava extrapolar para a minha vida quotidiana...
Primeiro, fiquei completamente incomodada com as imagens de um evento anual na Colômbia, chamado Tinku, em que pessoas da mesma idade e tamanho se desafiavam e andavam literalmente à porrada, chegando a haver mortes daí decorrentes. O que mais me chocou, além do facto de aquilo ser natural para aquela aldeia colombiana como forma de resolução de disputas, foi a noção de violência ser exaltada e ser incutido em crianças de tenra idade... quando extrapolei, fiquei perturbada a sério, porque tenho um bebé pequeno e só quero é defendê-lo de toda a dor e sofrimento, e como tal de todas as formas de violência - física e psicológica!
Depois, o jornalista opta por outra abordagem: a de que todos nós nascemos com a agressividade «impregnada e gravada» no nosso cérebro, mas que com a socialização, aprendemos a reprimir a agressividade, porque a paz é um valor da maior parte das sociedades. Ou seja, qualquer criança até aos 3 anos de idade, é incapaz de controlar os seus impulsos agressivos. Mas com a aprendizagem de que a agressividade tem que ser controlada e reprimida, o nosso cérebro cria mudanças físicas no nosso cortéx central.
No entanto, se a agressividade for estimulada, o córtex central produz dopamina a ponto de viciar como o sexo e as drogas! Aqui perguntei-me como é que alguém fica «viciado» em violência??
Mas as duas abordagens seguintes foram ainda mais perturbadoras para mim:
- a de que a privação de sono ou a submissão constante a situações de stress podem quebrar as ligações no córtex central que permitem controlar os impulsos agressivos, e uma pessoa perfeitamente pacífica pode ter um "acesso" de agressividade e dar um tiro num vizinho incomodativo por exemplo...
- a de que se tivermos um acidente de viação ou outro qualquer que afecte o córtex central, uma pessoa perfeitamente pacífica pode efectivamente perder toda a noção dos limites da agressividade - um sr. que teve um acidente de carro e sofreu danos irreversíveis no córtex central, após uma discussão insignificante com a esposa, pegou numa arma e matou-a e aos filhos a tiro!...
E para concluir a coisa: um estudo em que numa experiência científica, as pessoas testadas eram capazes de infligir uma potência eléctrica de 450 volts a outra pessoa, apenas por pensarem que isso seria importante para o desenvolvimento da Ciência, mesmo ouvindo o desgraçado gritar (ficticiamente, claro!) com as dores dos choques eléctricos... Dos 12 testados, só 3 foram capazes de desistir da experiência por se sentirem mal ao estarem a infligir dor a outra pessoa... os outros 9 deram a descarga máxima sem a menor das preocupações, como se fosse natural...!
Isto incomodou-me deveras porque se há coisa que nunca compreendi é como é que alguém é capaz de magoar fisica e psicologicamente outra pessoa, e ainda mais se for de forma deliberada... mas acho arrepiante a ideia de que se dormir pouquíssimo durante muito tempo ou se levar uma qualquer paulada na cabeça posso simplesmente transformar-me numa «agressora» ou até mesmo numa «assassina»!...
E vai que um dia nos deparamos com um doido/a qualquer cujos «controladores» de agressividade pifaram??
Pode um Ghandi transformar-se num Mr. Hyde sem mais nem menos???