6 de setembro de 2014

Cada filho é uma promessa de longevidade

Quando se tem um filho, preocupamo-nos com o seu bem-estar, com o seu crescimento, e se serão felizes. Depois logo pensamos no que se irão tornar... médicos, bombeiros ou outra coisa qualquer...

No meu caso, desde que fui mãe pela primeira vez, passei a ter medo.

Medo por mim, pela minha integridade física e mental, pela minha vida. Porque isso agora era importante. Não porque tenha passado a ter medo da morte, ou de sofrer (pronto, eu até tenho porque sou uma piegas com pouca tolerância à dor...), mas porque passei a recear não estar cá para os meus filhos. Porque sei o que é crescer sem ter mãe... porque eu sei a falta que faz uma mãe na vida de qualquer pessoa!

Mas passei a viver com um medo tremendo de perder o meu filho, medo esse agora acrescentado duplamente.
Sim, eu tenho medo que uma doença má se abata sobre eles! Como qualquer mãe que ame os seus filhos! Porque na minha família o historial médico de doenças geneticamente "herdáveis" é negro!

E porque, como qualquer mãe ou pai, não quero nunca saber a dor que é perder um filho...

E esse medo sempre esteve bem presente em mim porque uma das imagens que guardo com mais nitidez na minha mente das vezes que acompanhei a minha mãe ao IPOFG, é a do rosto de um menino que não teria mais de 3 anos, na sala de espera para fazer análises. Recordo a cor do seu rosto, pálido, macerado e sem cor, mas principalmente da falta de brilho nos seus olhos que deveriam ser de um verde profundo, antes do diagnóstico e de todos os químicos de tratamento. O boné escondia a falta de cabelo, provocada pela quimio. Mas principalmente recordo a falta de vontade de brincar daquele menino, ali no meio daquela sala, cheia de gente doente e onde a falta de esperança e o medo do desfecho da doença gritavam num tom ensurdecedor, que só quem sente na pele, consegue ouvir!

Por isso, não pude ficar indiferente à notícia da partida da Princesa Nonô! Como não fiquei indiferente à partida de outras tantas crianças, meninos e meninas que lutavam contra as garras dessa maldita doença que não escolhe género, idade, cor da pele...

Porque de cada vez que sei de um caso novo, é sempre daquele menino na sala de espera para análises do IPOFG que me recordo. Só o vi daquela vez, não sei se venceu a luta ou não...

E quando soube ontem da partida da Princesa Nonô, o meu primeiro pensamento foi para os seus pais e familiares. Porque apesar de conhecer a dor de perder alguém para o cancro, não sei da dor de perder um filho... e porque morro de medo de algum dia me ver perante a materialização dessa realidade...

Para verem ao ponto a que o medo me tolhe... há dias dei por mim a dar graças por ter tido apenas rapazes, porque assim a "espada" do cancro de mama tem menores probabilidades de desferir golpes na minha prole. É estúpido, eu sei... mas ter a noção do perigo faz-nos ter estes pensamentos aparvatados assim!

3 comentários:

Sophie disse...

Compreendo tão bem o que dizes, Naná! Vivo com o mesmo pavor.
Querida Princesa Nonô, querida Bia, querido Diogo, querido Rodrigo...
Maldita doença!
Bjs

Magda E. disse...

eu não consigo nem imaginar a dor de perder um filho... é um medo tremendo, paralizante mesmo.

Anna Marian disse...

Sinceramente a dor de perder um filho por si so' ja' e' impossivel de imaginar para mim...quanto mais para uma doenca. Doenca cruel :(