10 de agosto de 2012

Mente sobre a gula

É aquela capacidade rara, que só consigo alcançar em ocasiões inesperadas, e que me permite dominar a gula avassaladora que me tem assolado desde que o meu centro hormonal ficou desarranjado pela gravidez, agravado pelo turbilhão emocional provocado pela doença grave e posterior desaparecimento do meu pai e que me catapultaram para um peso exorbitante!
Essa gula maldita que me fez desenvolver uma relação de amor-ódio com a comida e posteriormente abandonar-me a uma postura de deixar-andar, comendo de forma compulsiva, negligenciando o meu corpo, quase a roçar uma espécie de castigo auto-imposto.
É aquele capacidade, aquela maneira de estar zen perante um bolo de profiteroles ou uma baba de camelo. 
Aquela capacidade de poder atravessar altiva o corredor das tabletes de chocolate e gomas, e de olhar com desprezo para a vitrine dos bolos quando entro numa pastelaria para beber um café, sem vacilar.
A capacidade de decidir firmemente ir comer ao vegetariano ou tomar uma refeição leve e saudável, em vez de ir à churrasqueira embutir uma entremeada grelhada ou uma febras de porco, carregadas de gordura.
Esta é uma capacidade que não se domina com um estalar de dedos, requer que a mente se sobreponha à gula, ao desvario hormonal que nos promove uma fome, que nem chega bem a ser fome... é mais um buraco negro que nos engole e trucida, arrasando a nossa auto-estima à sua passagem!
É uma capacidade que sinto agora ter finalmente recuperado, que me dá um gozo enorme e que aumenta exponencialmente a auto-estima, alimentando-a e fazendo-a crescer de dia para dia!
É a aquela capacidade de me cingir a comer duas bolachas maria em vez de embutir o pacote todo em apenas 10 minutos!
É ser capaz de almoçar sopa e peixe, em vez de uma pizza. Aliás, é quase ter aversão e ficar de estômago revolvido só de pensar na gordurama toda que isso tem!
É ter prazer em levar mais tempo a preparar uma boa salada do que a cozinhar um fusili cheio de natas e bacon e afins...
E sentir-me bem com isso, sentir que isso contribui para me sinta melhor comigo mesma e comer não seja um acto de suplício! Perceber que quero comer de forma mais saudável e equilibrada e não porque preciso!

4 comentários:

ouvirdizer disse...

Naná,
Também pertenço a esse grupo, embora tenha as minhas recaidas... a gula às vezes soprepoe a mente, acho que nem passa por ela, não é processada nos neurónios, a gula é uma coisa que acontece. Emagreci mais de 30 kg desde o nascimento do meu 3.º filho. O que fiz foi pensar que não queria ficar assim, sentir-me assim.
Identifiquei-me em tudo o que disseste e só acrescentaria, vê se concordas, que (talvez pela prática) o que se transforma em nós vai além da mente, é quase ao nível da alma. O que simplesmente acontecia - sem pensar - passa a acontecer - sem ter que pensar. Às vezes perguntam-me como emagreci e nem consigo bem explicar, parece que houve uma mentalização e depois fluiu - e acaba por ser mais fácil do que imaginamos...
Não sei como acontece com os alcoólicos - e eu acho que estamos ao mesmo nível - mas penso que será o mesmo, às tantas já não pensam: quero ou não quero enfrascar-me? É uma coisa que passa a fluir.
Ainda assim, numa caso como no outro, há sempre a possibilidade de recair, somos seres em permanente processo de recuperação. Aí a mente tem que voltar a ser nossa aliada!...
Eu às vezes ainda me esbofeteio (mentalmente, claro!).

Ni! disse...

<3 Fico muito, muito feliz!

E agora em tom de gozo, eu diria que o Buraco Negro é uma cena que te persegue há anos!!!! [desculpa, não consegui evitar a piada - quase - privada] :)

blue disse...

Sou como tu, sou boa boca e preciso lutar muito para conseguir fazer uma alimentação saudável.
uba

Naná disse...

Vera, é isso mesmo! É como um fluir, como se entrasse numa determinada frequência e é uma coisa perfeitamente natural. Já tinha experimentado esta sensação quando emagreci 7.5 kgs em dois meses, a seguir um plano alimentar equilibrado. Por isso, sei de plena consciência que o segredo para qualquer boa alimentação e consequente perda de peso tem que começar inevitavelmente pela cabecinha!
Tens que fazê-lo porque queres, não porque precisas! É um assimilar pleno de uma forma de estar!
Para mim, regressar a esta frequência é uma enorme vitória, porque perdi esta capacidade e andava desesperadamente a tentar recuperá-la...

Ni, sua brincalhona! Mas olha que é mesmo. O Buraco Negro persegue-me, mas eu gosto tanto e tenho tantas saudades dele!

Uba, mas após começares a fazê-la, parece que se torna uma maneira de estar na vida!