24 de abril de 2012

Impermanências

tirada daqui

Num minuto, quero escrever... escrever!! Redigir testamentos para desaguar os pensamentos avulsos que me percorrem as conexões microscópicas do cérebro, provocando-me um cansaço tenebroso e pesado, que me domina e envelhece.
No minuto seguinte, apenas quero embrulhar-me numa solidão silenciosa e não registar nada do que me invade, verbal, física ou virtualmente.

Num minuto, quero gritar a pleno pulmão para extravasar as minhas dúvidas existenciais, como forma de as exorcizar e assim encontrar um caminho menos tortuoso, para algo que não sei bem o que é ou que pretendo que seja.
No momento seguinte, apenas quero remeter-me ao anonimato voluntário, de quem não tem vontade de  expor as sombras que lhe assaltam o espírito.

Num instante sou resoluta, decidida e optimista, domino a arte de apreciar cada minuto como se fosse o último e tão somente desfrutar das alegrias que a vida encerra.
No instante seguinte, deixo de ter forças e esbate-se aquela gana que me impede de me enredar em inúmeras preocupações que vão enchendo um "copo" já quase cheio...

Num minuto, sei plenamente quem sou, sei de cor o caminho que percorri, aproveito o presente com um olho sempre posto no horizonte, expectante diante das mil possibilidades que a vida me trará.
No minuto seguinte, arrasto pesadamente o meu corpo e espírito e afundo-me na convicção de estou num pantanal lamacento que me agarra e não me deixa progredir, como se não valesse a pena seguir daí para outro lado.

Eis quando chego àquele instante em que tudo isto deixa de fazer sentido e não me perco mais tempo e energia nos labirintos da alma, qual rato de laboratório tentando chegar ao queijo... 
Porque é pura perda de tempo!

6 comentários:

Ni! disse...

Teste!

Arco Iris disse...

Achei bastante interessante.
Li 2 vezes e pensei....que por vezes é assim mesmo.
Bjs :))

Mammy disse...

É mesmo assim! Este cérebro que nos tortura com mil e uma dúvidas...
Beijinhos

Isilda disse...

É essa dualidade que enriquece a tua pessoa.
Beijinho

Turista disse...

Querida Naná, as nossas dúvidas acompanham-nos a vida inteira. Nunca terás respostas definitivas para tudo, porque somos humanos.
Mas uma coisa eu te digo: escreves muito, muito bem!
Beijinhos.

Naná disse...

Obrigada pelas vossas palavras. A sério, de coração!

Manuela, querida Turista, eu sei que há respostas para isto e estão no fundo do meu ser... obrigada pelo elogio!