8 de dezembro de 2011

E nas férias V (post longo)

tirada daqui

Chegaram vizinhos novos para habitar a casa geminada com a minha.
Isto à partida pode parecer insignificante e muitos não entenderão a importância que eu e o G. damos à coisa. 
Mas vizinhança é coisa para nos deixar aos dois em estado de alerta máximo!
Sempre vivemos ambos com vizinhos, antes de juntarmos os trapos e, sempre nos demos bem com os respectivos (quer dizer, eu não prosava lá muito com a minha vizinha de cima porque a sr.ª teimava em fazer uma guincharia tremenda a estender roupa nas cordas às 6h da matina durante mais de 20 anos, até que um dia me saltou a tampa e lhe berrei que tinha que olear as roldanas das cordas...e ela finalmente abriu a pestana).
Mas para verem o pavor que eu e o G. temos de vizinhos, tenho que explicar que mudámos de casa em 2010 propositadamente e perdendo umas boas milenas de dinheiro, após 5 anos de inferno causado pelo nosso vizinho de cima, o Brás, esse cabrão FDP mal-educado anormal estúpido burro que nem as portas para não lhe chamar outras coisas piores...
O nosso apartamento T3, situado numa zona calmíssima, padecia dum péssimo isolamento acústico, muito pior do que o da casa dos meus pais, que foi construída há 31 anos atrás. Isolava todo o ruído exterior na perfeição, mas no interior do prédio, as paredes pareciam feitas de papel vegetal, o que significa que toda a gente ouvia toda a gente! 
Eu e o G. vivíamos num 1.º andar e fomos os únicos desgraçados no prédio que tínhamos vizinhos por cima, por baixo e em frente. Ou seja, ouvia as conversas ao telemóvel da brasileira do r/c, a vizinha da frente a ralhar descomunalmente com a menina e o maldito Brás, esse... bem, por onde começar?!

Os primeiros seis meses foram pautados por acordar ao fim de semana sempre ao som de marteladas, furos de berbequim e ruídos similares, como se estivessem dentro de nossa casa. 
Nos primeiros seis feriados que lá passámos, fomos sempre acordados a horas indecentemente madrugadoras para os nossos hábitos... ou seja, antes das 8h.
O G. sofreu mil vezes mais que eu, porque precisava dormir durante o dia porque trabalhava à noite. Ao fim de um mês sem conseguir dormir descansado depois das 9h da manhã, foi obrigado a dormir de tampões, para obter algum descanso. Isto provocou-lhe uma ansiedade tal que se foi tornando lentamente numa psicose...
Sabíamos tudo o que eles faziam e diziam. Inclusivamente ouvia os calcanhares da croma da esposa do Brás a batucar na cerâmica do chão por cima das nossas cabeças... por isso imaginem quando ela usava saltos altos...
Ao fim de apenas 3 meses tive que "incomodar" a esposa do Brás (que nunca foi capaz de dizer bom dia ou boa tarde desde que foi para lá viver, quando se cruzava connosco! Outra mal-educadona...) e pedir-lhe encarecidamente que deixasse de sacudir os tapetes dos quartos e casas-de-banho para a varanda, porque eu tinha autênticos rolos de pó e pintelhos a decorar as varandas e o arroz e migalhas das toalhas de mesa... Fui lá bater 2 vezes, à terceira limpei a varanda e deixei-lhe os "excessos" à porta que ela varreu para a escada do prédio. 
Depois pedi à empresa gestora do condomínio para os admoestar, o que aconteceu por bem umas 6 vezes (chegaram a levar o Código de Conduta Municipal datado de 1973 que proibia expressamente o sacudir de tapetes nas fachadas dos edifícios). A chica-esperta passou a sacudir os tapetes às 6h e à 1h da manhã, pensando que não era apanhada... até ao dia que a apanhei no flagrante e lhe chamei uns quantos nomes e na presença do vizinho do r/c que já me olhava de lado, pensando que era eu que conspurcava o quintal dele também... Posso dizer que perdi a compostura e lhe chamei porca em alto e bom som!
Após 6 meses, o Brás e a esposa começaram a ter problemas conjugais e ao domingo de manhã, começavam infalivelmente aos berros um com o outro às 7h! Vá-se lá saber porquê... parecia que aquilo tinha dia e hora marcada.
Depois mais uns meses passaram e eles separaram-se!... O Brás deixou de aparecer e a cromita nunca mais a vi senão passados uns dois anos... foram seis meses de sossego autêntico! Mas sempre com o coração na boca à espera que ele regressasse e voltasse tudo ao mesmo!
O que acabou por acontecer... o Brás arranjou uma nova namorada e aquilo era um fandango... eu sabia sempre quando havia "rambóia", e normalmente era sempre à 1h da manhã ou às 5h, a ser acordada com a cama a bater cadenciadamente na parede e o som dos gemidos e do arfar... logo seguido duma bela banhoca em que batiam com as portas da cabine de duche e com o chuveiro nas paredes, enfim... 
Foi assim até ao dia em que me passei completamente e achei que eles podiam dar as pinocadas (desculpem o português) que quisessem, mas eu não precisava de saber disso... e assim que me acordaram em sobressalto com a "festa rija", só me deu na cabeça começar a bater palmas e a incentivar a coisa: "força, mais depressa! boa! dá-lhe homem!", o que pelo menos resultou, porque comecei a notar que a coisa se dava, mas de forma bem menos óbvia!
O F. nasceu em 2008 e após 15 dias de nascido, um dia o Brás (que devia ter aspirações de carpinteiro, já que todos os dias ouvíamos martelar e fazer furos de berbequim - e sim, não estou a exagerar!), quase me mandava a casa abaixo às 15h, bem a meio da sesta do menino. Tive que bater-lhe à porta! Acatou contrariado... começou a ir para o terraço e a desassossegar os vizinhos do 3.º andar, que também tinham uma menina de 1 ano!
Só aí é que comecei a ter outros vizinhos a dar-me razão e deixei de ouvir comentários de que estava a exagerar e que estaria a ficar paranóica e de ponta com o Brás!
Uma manhã, domingo, às 9h, o Brás começa a martelar e a abrir furos na parede com uma craniana. O G. passou-se completamente e bateu-lhe à porta após 4 longos anos de inferno. Perguntou-lhe se ele achava que eram horas próprias para estar a fazer aquele barulho. A resposta foi: "o que é que foi?! quem manda aqui sou eu!!" e tenta fechar-lhe a porta na cara, sem sucesso porque o G., enfurecido deu um murro na porta e ameaçou-o de que se ele não se portasse bem, quem levava um murro em seguida seria ele! O Brás amedrontou-se mas provocativo disse para chamarmos a GNR, o que fizemos. A patrulha bateu-lhe à porta depois de comprovar o chinfrim e o parvo do Brás nem a porta abriu!
Em 2010 conseguimos sair daquele malfadado apartamento! Foi o maior alívio que senti na minha vida!...
Em 5 anos que vivi lá, devo ter passado menos horas do que na actual casa, já que só lá estávamos as horas estrictamente obrigatórias para dormir e pouco mais... arranjávamos desculpas para sair de casa! 
Chegámos a ir dormir à casa em Aljezur ao fim de semana para podermos estar descansados, sem receios de sermos incomodados...
Por isso, e agora que viver nesta casa é um prazer, ela tem o seu papel de refúgio e santuário, onde finalmente conseguimos ter paz e descanso, só rezamos para que estes vizinhos sejam pessoas de bem! 
Porque nós somos aqueles vizinhos que, se bem tratados, até oferecemos uma caneca de açucar ou um punhado de salsa ou uns ovos, com a maior das boas vontades!

7 comentários:

Cuca disse...

Ri-me tanto com a descrição do Brás a partir do momento em que ele arranjou namorada... Falando a sério, as pessoas tem que compreender que ao ter vizinhos não podem ser egoístas e tem que saber respeitá-los. Se nós gostamos que não nos incomodem então faremos o mesmo aos outros. Nós sofremos o mesmo que vocês e tivemos uma vizinha completamente louca que nos fazia a vida negra por tudo e por nada desde que começou a implicar com a nossa cadela. Mas neste caso nós tínhamos o bairro inteiro do nosso lado pois toda a gente fugia daquela louca e do marido dela que chegou a ser agressivo nas palavras connosco (sabe-se lá porquê). Eu tinha medo de entrar e sair do prédio e saímos desta casa quando engravidei pois não me queria enervar com a louca. Depois, fomos para um outro apartamento onde toda a gente era simpática mas a vizinha de cima sacudia os tapetes... QUANDO EU TINHA ROUPA ESTENDIDA!!!!!!!!!!! ISTO FOI O CÚMULO DA MÁ EDUCAÇÃO! E ao nosso lado tínhamos aquele jovem casal que deixavam o cão um dia inteiro preso numa marquise a ganir horas, horas e horas... Encontrámos finalmente o nosso descanso nesta nova casa onde estamos desde Março.

Mas não sofram por antecipação. Uma coisa é certa: não tem que levar com o lixo dos tapetes no vosso espaço, nem ouvir berbequins, marteladas e os calcanhares de pessoas brutas a andarem pelo chão. Tenham calma...

Cuca disse...

E lembrei-me de outra: coloquem um aviso na caixa de correio deles "SE VOCÊS NOS INCOMODAREM, NÓS CHAMAMOS O BRÁS". Aposto que resulta.

divagacoesaoluar disse...

Também já tive de me mudar por causa de vizinhos do género. Boa sorte com a nova vizinhança!

Paula disse...

O que eu me ri com o teu apoio moral ao Brás na hora da acção! Adorei! :)

Também tivémos alguns problemas quando morava com os meus pais num apartamento. A minha mãe um dia jogou um balde de água suja por baixo da porta de uma porca que insistia em lavar a varanda dela à mangueirada e a água suja ia sujando todos os 8 ou 9 andares abaixo do dela. Tinhamos outros vizinhos que faziam as maiores peixeiradas da vida, aos gritos uns com o outro e depois se tivessemos o azar de estar na nossa varanda a cuidar da nossa vida durante as suas discussões ainda nos chamavam put@s por estar à escuta :-\

Neste momento moro num apartamento e tirando as alturas de turismo (Páscoa, Verão, Ano Novo) somos os únicos no prédio. É uma paz que não se compra... mas tb é verdade que quando chega o verão só dá vontade de fugir!

Naná disse...

Cuca, então tens a exacta noção do que se passou comigo! Eu costumava dizer que se não tivesse passado por isto, não acreditaria que fosse possível existirem pessoas assim... E ahahah, grande aviso!!

Divagações ao luar, é terrível, termos que refazer a nossa vida por causa da falta de respeito de outros...

Paula, é de rir de tão caricato que se torna. Mas na altura, era de amarinhar paredes... aproveita bem esses meses de descanso!

Paulo Nunes disse...

Chatisses com vizinhos só quando vivia em casa dos meus pais.
Quando mudei para queluz, o condominio era bom... mas os vizinhos ao lado com os caes eram insuportaveis.
Nesta casa nova para qual me mudei recentemente (2 anos) tb sao todos porreiros... so o caozinho do r/c é ke me chateia... :(

Tanita disse...

Raios partam o Brás :)