27 de abril de 2011

Vidas esforçadas

Na vida, esforçamo-nos tanto!...
Por tudo, por nada, por conta de outras pessoas, por e perante aqueles que amamos, por e perante aqueles com quem trabalhamos, por aqueles a quem queremos bem, por aqueles a quem queremos menos bem, ou por aqueles que até nos são indiferentes, sempre na tentativa de ser perfeitos.
Esforçamo-nos por estar à altura, para não dar parte fraca, não desiludir os outros, por não nos desiludirmos as nós mesmos!
Esforçamo-nos porque queremos poder ler muitos livros de muitos autores, ouvir muitas músicas de muitos músicos, em cd ou em concerto, ter muitos passatempos, experimentar muitas coisas novas e diferentes. Esforçamo-nos por viajar muito, para conhecer muitos lugares, estar sempre em cima da actualidade, saber muito sobre muita coisa, ser muito cultos e sábios. 
Esforçamo-nos por ser melhores que o colega, o vizinho, a tia, a prima, a amiga.
Esforçamo-nos por ter um carro melhor, mais caro, mais veloz, mais bonito. Esforçamo-nos por ter uma casa maior, mais cara, mais bonita, mais bem localizada. Esforçamo-nos por ter um emprego melhor, mais bem pago, mais prestigiante, com mais benefícios e regalias. Ou até mesmo mais do que um emprego...
Esforçamo-nos ser os melhores pais, dar tudo o que podemos, por vezes competindo para ver quem tem filhos mais bonitos, inteligentes e bem educados.
Esforçamo-nos por ser melhores filhos e netos, preenchendo as expectativas e desejos destes, seguindo caminhos que iremos percorrer com mais esforço.
Esforçamo-nos por sermos bem vistos por amigos, colegas, chefes, vizinhos, outros pais, a sociedade em geral.
Vivemos num esforço constante, presos e acorrentados a uma sociedade e às suas regras, esforçando por nos diferenciarmos positivamente, mas sempre encaixando no molde-padrão. 
Podemos, com tanto esforço, para dar vazão a tanta solicitação e expectativa a preencher, passar por uma vida inteira sem nunca realmente termos apreciado os resultados do que se alcançou com tanto esforço!
Esquecemos e ignoramos o principal, que é sermos fiéis a quem e ao que somos, e aos que amamos, apreciando e agradecendo a quem nos ama!
Esforçamo-nos tanto, mas tanto que perdemos de vista o objectivo principal, que é viver a vida, apreciá-la e agradecer por tudo de bom e mau que ela nos traz!
Porque às vezes, para viver e sermos felizes até nem é preciso assim tanto esforço...!

1 comentário:

mfc disse...

Já estou felizmente a atravessar a fase do último parágrafo!