14 de abril de 2015

Mães de cesariana

Nunca fui defensora de um determinado tipo de parto, apesar de pela web pulalarem por estes dias (diria mesmo anos) resmas de textos a exaltarem o parto natural, naturalíssimo, sem qualquer intervenção médica, como se fosse o melhor e mais fantástico método para trazer uma criança ao mundo.

Nada contra. No entanto, estas posições sempre me pareceram um tanto ou quanto fundamentalistas e um pouco irrealistas, para não dizer outra coisa. Nestas matérias, não gosto muito de me entregar a juízos de valor, porque entendo que cada um sabe de si, e do que acha que é melhor para si.

Quando fiquei grávida pela primeira vez, não perdi muito tempo a pensar no tipo de parto que queria para mim. Sabia que queria ter segurança suficiente para que tudo corresse pelo melhor, e se isso significasse intervenção médica, em maior ou menor grau, então que assim fosse.
Tentei não fazer do momento do parto um bicho de sete cabeças e optei por encarar a coisa da seguinte forma: o parto será como tiver que ser!

Após o meu primeiro filho ter nascido, por via duma cesariana de emergência, comecei a perceber que os demais nos olham um bocadinho de soslaio quando dizemos que foi cesariana. Um pouco como se houvesse algo de errado conosco, por não termos sido capazes de pôr uma criança no mundo da forma "normal".


Na web então, este feeling é muito mais real. A imagem que é passada duma mulher que fez uma cesariana é a de que possivelmente terá optado pela forma "fácil e cómoda" de parir.

Sim, eu sei que há mulheres que programam cesarianas, para não "terem tantas dores" e até por motivos mais fúteis. Sim, sim, esse tema daria discussão para várias horas...

Nunca me senti inferior ou superior por ter feito cesariana. Não fiz apenas uma, foram duas. Ambas de emergência. Porque no primeiro, ele estava em risco. E eu também, mas ninguém fez menção disso para não me assustarem... Na segunda, eu estava em risco. Com a agravante do risco que correra na primeira cesariana.

No pós parto, veio a confirmação da minha suspeita: que toda e qualquer gravidez que eu tive ou que venha a ter terá sempre o mesmo desfecho: parto por intervenção cirúrgica.

Sempre me senti em paz com essa realidade e é com algum orgulho que ostento uma cicatriz na minha barriga, porque ela conta a história de como os meus filhos entraram no mundo.

Por isso, foi com alguma emoção que li este texto, que finalmente conta um bocadinho o lado de quem não tem, porque não pode ou não quer, um parto natural ou normal.

Não há mães melhores ou piores a parir, há simplesmente mães que põem os seus filhos no mundo, da melhor forma que conseguem.

8 comentários:

Paula disse...

Quem se agarra a julgar os outros por motivos dessa natureza tem uma vida muito desocupada. E como o que importa é a tua 'verdade', os teus motivos, os outros se não gostam põem de lado certo? :)

Quando se é mãe verdadeiramente, de coração, importa lá se o bebé nasceu de parto 'natural', cesariana ou se foi adoptado…

M♥M Susana disse...

Naná, como defensora do parto normal (natural é outra coisa que não consegui ter, por fraqueza e ainda assim nem com um 2º parto pude sentir-me sem dor já que evoluo sempre rapido demais para a dita fazer o efeito pretendido) sou também defensora do parto ideal para cada mãe/bebé conforme a saude dos dois. Disseste bem, o teu parto, ambos, foram de emergência e ainda bem que as cesarianas existem e quer seja pela via normal ou cesariana existem sempre riscos, para quem opta por uma das duas. Cientificamente existem evidencias de que o parto natural é o melhor mas se tiver que ser de outra forma não existe sequer abertura para condenar ou tecer opinioes sobre se foi ou não a melhor decisão, desde que ambos (mãe e bebé) possam gozar de boa saude devido à decisão tomada. Haverá sempre juizos sobre as nossas acções seja de quem for, cada um acha que sabe mais que o outro e existe quem não respeita a opção alheia... é como o amamentar, cada um faz a sua opção e existem sempre dois lados os fundamentalistas de contra e a favor não apenas um dos lados. Eu não fiz cesariana mas fiquei com a minha barriga numa lástima cheia de estrias até bem abaixo da zona normal de corte na cesariana... Beijinho ;o)

Maria disse...

O meu filho nasceu de cesariana. O parto foi provocado e estava mentalizada que ele ia nascer de forma "normal". Mas as horas foram passando e ele nada de nascer (estava agarrado às amígdalas, como o medico disse depois a brincar). Sinceramente a mim só me interessava que ele nascesse bem, sem sequelas, sem problemas. Se era de forma "normal" ou de cesariana, não queria nem saber!
Há sempre aquele olhar de censura. Inclusive já ouvi a perola "Quem não tem as dores do parto não sabe o que é ser mãe". Bullshit!!Como dizia a minha avó "parir é dor, criar é amor". E o resto é conversa!!

Amigo Imaginário disse...

Começo a pensar que essa problemática (tal como a da amamentação) é muito tuga. Há 3 anos aqui e nunca ouvi muito falar sobre isso. Entra naquele tipo de coisas que se restringem à esfera privada e das quais não se fala em público. O que bem vistas as coisas é bem verdade... :)

Maria Duarte disse...

Eu sou mãe de cesariana.
Também sou daquelas que desde (muito) cedo introduziu o biberão.
Por opção?
Não, por necessidade.

Porque fiz cesariana?
Porque mesmo com indução a dilatação demorava...

Porque optei pelo biberão?
Porque depois de alguns dias a dar mama, e eventualmente os 30 ml de biberão como aconselhado, percebi que a rapariga só dormia descansada quando segui o conselho de uma gentil enfermeira que me disse que "para o peso dela, pode dar-lhe 90 ml à vontade..."

Serei menos Mãe por isso?
Não.

Joana disse...

Seja qual o método adoptado, que seja para o bem e saúde da criança, bem como da sua mãe, sem riscos desnecessários em nome de fundamentalismos. Beijinho grande

Naná disse...

Paula, nem mais!

Susana, não podíamos estar mais de acordo! E na matéria da amamentação nem vale a pena falar... outro tema altamente polémico ;)

Maria, totalmente bullshit! No segundo parto e já depois de ele ter nascido gani com dores iguais às contracções (assim que comecei a amamentar, o útero começou a contrair) e sem drogas nenhumas, porque se "esqueceram" de me dar e eu "não pedi"... quem diz que fazer cesariana não dá dores??!! Aquelas que tive durante mais de 2 meses após??! Pois pois... :)

Amigo Imaginário, totalmente da esfera privada e principalmente da esfera individual :)

Maria, quem me dera que o meu quisesse biberão!!!

Joana, é isso mesmo! beijinhos :)

Magda E. disse...

Eu sempre quis um parto normal e natural, que como diz a Susana não são a mesma coisa. E tive, das duas vezes. Tive essa sorte. Mas sem fundamentalismos. Se não corresse bem iria para cesariana sem dramatismos. Acho que falta muito respeito nestes dias que correm, e não concordar não significa atacar quem tem opinião diferente. Infelizmente, é o que mais acontece.