18 de setembro de 2013

"Eu deixo-te ir trabalhar!"

tirado da net - álbum dos Chromatics

Foi o que me disseste esta manhã, quando te segurei a mão para te levar à escola "nova".

Sorri por me teres expressamente dado autorização para "ir trabalhar", porque no fundo és um tanto dono do meu destino, da minha vida quotidiana... ditas algumas regras pelas quais tenho que me reger.

Houve tempos em que não pude estar à altura das tuas exigências e foram mais que muitas as vezes que me auto-comiserei por te deixar longe de mim por demasiadas horas do dia. E nesses tempos, as tuas exigências eram bem maiores, daí a culpa ser monstruosa, e em algumas vezes até mesmo insuportável.

Perdi a conta ao número de vezes em que a hora a que a creche fechava era a hora a que eu saía do meu local de trabalho, com recurso a uma espécie de ultimato às minhas chefias, mas que no fundo só a mim se destinava. E ver o teu rosto de menino algo triste por seres o último na creche, expectante por ver o meu rosto assomar à porta da sala, foi o que ditou que eu procurasse alternativa laboral, para mim e em teu benefício!

As minhas chefias não compreendiam que eu tinha agora outra prioridade e fui muitas vezes injustamente acusada de não ter total disponibilidade para me submeter aos seus desmandos e às suas tiranias disfarçadas de obrigações de profissionalismo. 

Mas eu rejeitei essas acusações, porque não precisava delas, já que me acusava a mim mesma, e justamente, de te falhar e não ter total disponibilidade para ti, de tempo, de atenção, de calma e paciência.

Por estes dias, não tenho desmandos de chefias e gozo de um horário certo, onde não sou mal vista por sair à hora predeterminada, aliás como todos praticam. Nem tudo são rosas... há alguns espinhos, é certo...

No entanto, o saldo é tão positivo! Poder sentir-me serena e em paz para te abraçar, ouvir tagarelar, responder às milhentas perguntas que te saem em catadupa dessa moleirinha de menino curioso e esperto e principalmente ter a possibilidade de poder ficar apenas e só a observar-te em silêncio (pois... o silêncio... é relativo!)

7 comentários:

dona da mota disse...

Tãããooooo fofiinhooooo, pá!!!!

Ainda bem que mudaste, Naná, nem se for a receber metade e noutra área...

Do silêncio, ahahahahahahah

Magda E. disse...

foi por isso que deixei de trabalhar para me dedicar à minha a tempo inteiro. Não me entrava na cabeça ter que a deixar longe de mim tão pequenina! Agr já foi para a creche, e é hora de (eu) tentar voltar ao ativo, porém procuro a meio tempo, quero continuar a estar presente para ela. sempre.

Naná disse...

Vera, por acaso mudei-me para bem melhor e com mais estabilidade. Digamos que foi o trio perfeito ;)

Madga, também gostaria de ter essa possibilidade, mas quando se assumem determinados encargos financeiros, é muito complicado abdicar de trabalhar, e especialmente quando sou responsável pelo rendimento mais alto no agregado familiar... se soubesses como anseio por ter mais flexibilidade laboral, não só em termos de horário de trabalho, mas também do ponto de vista físico/geográfico...

luisa disse...

Um texto sentido que gostei de ler e que, suponho, mexe sobretudo com quem é mãe.

Maria Duarte disse...

Há 10 anos atrás foi parecido...

Um bom emprego, bem pago é bom mas, os muitos euros do ordenado não pagam as brincadeiras que (não) temos, as histórias que (não) lemos e a disposição com que (não) ficamos.

(A questão da chefia não entender a troca de prioridades... compreendo-te TÂAAAAAOOOOO BEM)

Beijos

Naná disse...

Luisa, sim, mexe e muito :)

Maria, não há mesmo bom ordenado que pague tudo isso! Por isso, um chefe chegou a dizer-me: "não podes ter as duas coisas ao mesmo tempo!" E a minha questão é tão simplesmente esta: mas porquê?! quem diz que não posso?!

Tanita disse...

Um dos motivos que eu gostava de ser dondoca, era para poder acompanhar ainda mais o meu filho...