5 de abril de 2013

O que queres ser quando fores grande?!


Não me lembro nunca de ter sabido com toda a certeza, daquela que vem do profundo das entranhas, o que queria ser quando crescesse.
Recordo-me mesmo de que estava sempre a mudar de profissão, ou não fosse a indecisão uma das minhas características.
Mas só sou indecisa quando aquilo que está "em cima da mesa" para ser decidido, não me inspira a 100%, quando há algo que suscita mais dúvidas que certezas, passe a redundância do raciocínio. 

Quando há algo que quero muito, a indecisão nem sequer se apresenta, não há dúvidas, há apenas aquela convicção firme, instantânea e espontânea, quase como se fosse uma realidade predeterminística (esta palavra existe?!)

 Não sei se foi por nunca saber ao certo o que queria ser quando fosse grande que já mudei de rumo profissional umas quantas vezes, saltitando duma profissão para outra... houve uns tempos em que senti que  aquele título profissional específico me definia, que se encaixava, que me identificava. Até ter mudado novamente de emprego e como tal de título profissional.

Hoje em dia, sinto-me uma espécie de híbrido... nem sou carne nem sou peixe, e nem me aparento a um legume...
Hoje em dia, estou absolutamente convicta de que ainda saltitarei para outra qualquer ocupação profissional. E para já é essa a certeza mais acertada que tenho! 

E não é só porque os tempos de hoje se caracterizam por já não existirem empregos para a vida. Eu bem sei que sempre me senti grata por essa realidade... descobri isso naqueles 4 dias que fui fazer um biscate numa empresa de cerâmica conimbricense, a tirar pratos dos moldes (a bater punho para ajudar o meu pai a pagar propinas, como diria o Miguel Gonçalves...) e por isso dei graças aos meus pais por terem investido na minha educação, o que me abriu um leque muito maior de escolhas no campo profissional, em vez de ter que me cingir a empregos cuja progressão profissional era completamente diminuta... não que os menospreze, nada disso! Todos os trabalhos são dignos e temos que dignificar quem os realiza. Mas naqueles quatro dias agradeci por ter a possibilidade de escolher entre ter um emprego a tirar pratos dos moldes para o resto da vida ou fazer outra coisa qualquer que me desse mais prazer!

No entanto, sempre soube com toda a certeza que não queria ser bailarina... apesar de ficar horas a ver a boneca da caixa de música da minha mãe, que veio da Índia, rodar sobre si mesma, sempre ao som dos mesmos acordes.

4 comentários:

Maria Duarte disse...

Sabes que ainda hoje sinto o mesmo?
Lembro-me de na escola secundária ter feitos os testes psicotécnicos e enquanto para alguns dos meus colegas os resultados pareciam apontar numa direcção específica, os meus indicavam-me um rol de possibilidades, por isso não me espanto muito quando no meu percurso académico os números foram a minha escolha, e a vida profissional me tenha levado para as artes. Hoje em dia faço a gestão da minha (pequena) empresa, em que o lado artístico também entra e sinto-me cada vez melhor no meio de linhas e tecidos a "criar".
Afinal não somos máquinas e é bom (acho eu) quando nos deixamos levar...

Beijos

luisa disse...

Esta tua caixa fez-me lembrar que também tenho uma dessas algures perdida na casa do meu pai... Um dia destes recupero-a.
Eu por acaso, em criança, queria mesmo ser bailarina. Mas passou. :)

Lacorrilha disse...

Eu queria ser médica veterinária. Fui dar a tudo menos a isso. Aliás, eu nem posso ver sangue, portanto era só a minha paixão pelos bichos a falar mais alto. Não era o talento.

Tanita disse...

Eu ainda não descobrir o que quero ser quando for grande, mas não é certamente o que ando a fazer agora.