2 de agosto de 2012

Coisas do antigamente

Alpendre
Na visita que fiz à Quinta Pedagógica com o Falipe, fui encontrar um pequeno espaço de exposição, dedicado às ferramentas, utensílios, mobílias e objectos comuns de se encontrar numa qualquer quinta ou casa rural.
Muito bem organizado, de forma simples e ilustrado por fotografias de pessoas trabalhando em artes e ofícios de outrora, alguns deles completamente à beira de desaparecerem irremediavelmente, porque poucos foram instruídos nestas artes...
Assim que entrei neste espaço foi como se tivesse sido sugada pelo passado e transportada de imediato a uma realidade que conheci tão bem, na casa do meu avô Manuel.
Dei por mim a olhar para as ferramentas e utensílios e a reconhecer de imediato cada um deles, sabendo exactamente para que serviam e sem que precisasse recorrer às legendas que haviam disponíveis.
Quase que senti um baque na alma quando vi gorpelhas, albardas, foices, pás de forno, forquilhas, ferros de engomar, ratoeiras artesanais, chocalhos, moldes para sapatos, joeiros e peneiras.
O baque maior senti quando vi os bornais... Havia anos que não via disso em lado nenhum. E lembrei-me do exacto lugar em que o meu avô pendurava os bornais, os arreios e a albarda da burra e a gorpelha da palha. Lembrei-me do lugar das enxadas, das foices, da forquilha e meio litro de latão com que media a ração de milho para dar aos animais.
Lembrei-me das paredes em taipa e pedra, da porta do palheiro escavada em arco com uma colher de pedreiro, dos barrotes de madeira e das manjedouras mal enjorcadas onde a burra comia a palha. Lembrei-me das lajes em pedra que ornamentavam o chão de terra e do prego na parede, defronte das manjedouras, onde se penduravam os chocalhos e os sininhos dos arreios da burra e que eu adorava fazer soar.
Recordei-me do meu avô a contar as noites frias em que teve que dormir no palheiro e apenas com a palha dos fardos para servir de manta para se aquecer. 
Por uns momentos, foi como se tivesse aberto uma porta para os tempos da minha infância e tivesse voltado a entrar naquelas ramadas que permanecem encerradas e cujos reis são ratazanas de meio metro.
Reencontrei um carro de besta, bem recuperado e lembrei-me de todas as vezes em que quis andar no carro do meu tio Zé Camacho!

gorpelha, barris, enfusa, panelas de banha, trempe de ferro, sacos e abanicos de palha

lanterna, ratoeira

bornais e arreios

lanternas, ferros de engomar, e ratoeira
carro de besta

3 comentários:

luisa disse...

Que nostalgia boa!

Lacorrilha disse...

Lindo. A minha avó ainda tem imensos ferros de engomar desses que aparecem numa das fotografias, e eu juro que os adoro de paixão. Um dia quando tiver a minha própria casa, roubo-lhos todos, já lho disse. E ele ficou toda contente, claro.

Naná disse...

Lacorrilha, o meu maior fascínio é mesmo pelas lanternas. O meu avô tinha uma, mas não sei onde pára.
No entanto, guardei religiosamente os candeeiros a petróleo que vou usar como decoração na minha casa de campo!