12 de julho de 2012

Dos Relvas desta vida

Quando a "bomba" da pseudo-licenciatura do Miguel Relvas estourou na comunicação social, o meu primeiro pensamento foi "sempre quero ver qual foi a licenciatura que ele fez trapaça para obter", já adivinhando que coisa boa daí não sairia.

Quando ouvi Ciência Política e Relações Internacionais, percebi de onde vinha o pressentimento.
Mais uma vez, a licenciatura que eu tirei com todo o esforço e mérito próprio (nos quatro anos de currículo que tem na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra) falada por todos os motivos e mais alguns e claro está, sempre pelo pior ponto de vista: o pejorativo de "para que raio serve isso?"...

Cheguei mesmo a assistir a uma comparação, num tom algo desdenhoso, de que até não fazia mal nenhum ter havido trapaça, assim como assim, não era um curso de medicina ou enfermagem e logo não iria prejudicar ninguém... (é claro que seria grave se tivesse sido uma destas!)

Este comentário incomodou-me porque tal como qualquer estudante universitário empenhado, seja numa universidade pública ou privada, investi muito para fazer a licenciatura e obter um curso superior. Porque lá está, me incutiram a ideia de que ter um curso superior e ser "doutor" é que é, abre portas no mercado de trabalho e tal e coisa. Mentira... no meu caso, nunca exerci, porque ou trabalhava de borla num estágio qualquer de 3 ou 6 meses e depois logo se via... ou ia trabalhar num qualquer programa de uma OI ou de ONG a ganhar 17 contos na Índia ou no Paquistão, tendo para isso que ter um fundo monetário próprio para me sustentar, como sucedeu com uma colega minha. E não querendo eu trazer mais encargos ao meu pai, que era o único com rendimento no agregado familiar, não tive outro remédio senão fazer-me à vida e ir ingressar no mercado de trabalho, noutra ocupação qualquer.

Bem, mas voltando à questão inicial, acho que agora que todos sabemos que houve trafulhice daquela bem grossa, a cheirar a pântano lamacento, o Relvas já tinha tido tino e percebia que está na hora da despedida.

Mas não! O homem não caiu com o caso das Secretas, não caiu com o caso das alegadas pressões ao Jornal Público e não caiu com a alegada chantagem a uma jornalista e assim permanece no governo, mesmo debaixo de vaias e apupos, agarrado ao poder, qual sanguessuga do  povo!

Já deixei de achar piada a todas as anedotas que se fizeram em torno desta história fedorenta e já não aguento tanta notícia sobre como o caso tresanda a tráfico de influências e a trocas de favores de alguém que sempre se movimentou em certos meandros com recurso a negociatas manhosas em cantos esconsos de corredores de poder.
A mim já pouco me interessa como foi, como não foi, se foi com a ajuda do A ou do B, se teve a nota X ou Y ou a equivalência W ou Z. A mim o que me interessa é que este senhor é a encarnação em figura de gente de como estamos (des)governados por bandalhos incompetentes, corruptos que não olham a meios para se auto-enriquecerem (a si e aos seus amigalhaços!)  e que se escapam sempre às malhas da justiça (qual, onde anda ela?!) como uma moreia se escapa dum anzol!

6 comentários:

gralha disse...

Deixa lá, também ninguém leva o meu curso a sério (muitas vezes, nem eu). Mais vele rirmo-nos um bocado.

Mas, sim, é triste que este caso seja tão representativo de uma grande realidade nacional.

Naná disse...

gralha, mas no fim das contas, só nós é que temos "legitimidade" para desconsiderar a nossa própria licenciatura ;)

Arco Iris disse...

É mesmo assim Naná, e nós estamos a ser governados por estes bandalhos que de honestos não têm nada.
Tenha muito orgulho no seu Curso.
Tem mais cultura, adquiriu conhecimentos que ( de momento ) podem não valer a nível profissional ,mas valem de certeza, a nível pessoal.

mfc disse...

Os bandalhos têm sempre cara para tudo!!
Afinal sempre viveram assim!
Beijinhos.

luisa disse...

Ao ver os noticiários de hoje e as novas vozes que se levantaram pergunto-me se mesma assim se aguentará...

Paulo Nunes disse...

A questão aqui é mais esta:
Se fosse outra pessoa qualquer com a mesma experiencia iria obter os mesmos créditos? claro que não...