25 de dezembro de 2011

25 de Dezembro de 2008

25 de Dezembro 2008

Nasceste tu, F., o "meu" Menino Jesus!
Eu bem te avisei para não nasceres neste dia, para te aguentares as 3 semanas que ainda faltavam até ao dia previsto, porque este era um dia não muito bom para nascer...
Só vais receber uma prenda em vez de duas (mas da mãe e do pai haverão sempre duas: uma para cada ocasião) e quando fores maior, os teus amigos não irão contigo para os copos, porque os bares e as discotecas estarão fechadas e os teus amigos estarão todos em casa das respectivas famílias... eu bem te avisei!
Mas tu estavas cheio de pressa para nos conhecer, aos pais e a este mundo meio maluco em que vivemos.
Como nasceste apressado, contigo nada pode esperar... tem que ser tudo na hora!
Fizeste-me ir para o hospital no dia do ano em que eu menos queria ir lá... Receava ir num dia que se quer de festa, e sermos recebidos por profissionais de mau humor e de má vontade por estarem a trabalhar num dia que é de festejar em família. 
Depois receava não haver anestesista, não fosse eu gritar por uma epidural... quando as contracções apertassem mais.
Mas fui ao Hospital, sozinha a conduzir, às 6h da manhã, por causa duma hemorragia. Nunca pensei que 5h depois estaria a olhar para o teu rosto, que é o mais lindo que conheço!
O teu pai estava a trabalhar e não me atendia o telefone... liguei à prima M. que se despachou às pressas para ir ter comigo, mas desencontrámo-nos por minutos.
Eu nunca pensei que ia ficar logo internada no Bloco de Partos. Vá lá que acabei de fazer o saco para a maternidade antes de sair de casa, não fosse ser preciso (pois é... fomos receber as prendas na Consoada, para meter logo no saco e pôr a uso).
Depois de ter chegado lá, durante uma hora ainda andaram a ver se querias mesmo nascer e chegaram a acusar-me levemente de ser uma parturiente que desconhecia sinais de parto. Mas eu só lá fui por causa da hemorragia... nunca afirmei estar em trabalho de parto. Quando viram que eu estava a falar a sério, lá me pediram desculpa e disseram que ainda bem que tinha lá ido...
O teu pai chegou às 7h a cair de sono e cansaço, porque em 48h apenas tinha dormido 4h... ainda me deu um valente raspanete por ter ido sozinha a conduzir para o hospital. Mas se eu não me doía nada... (e com isto ficas a saber que a tua mãe é mulher desenrascada!)
Às 7h30, o enfermeiro mal encarado dizia-me que era falso alarme, e que eu não estava em trabalho de parto, porque o CTG dizia que eu tinha contracções muito fortes e que era suposto estar aos gritos, mas eu estava bem disposta e a rir! (era deste tipo de mau humor que te falava...)
Às 8h mudou o staff todo e vejo entrar o Dr. FG, o médico obstetra que te seguiu e que relatava com incontido entusiasmo a tua evolução, quase como se fosses filho dele...
Às 9h e pouco caiu-me a ficha... não tinha nem o muda-fraldas com banheira incorporada, nem carro de bebé e nem a cadeirinha do carro... tínhamos deixado tudo para o fim, afinal era suposto nasceres dali a 3 semanas...
Por essa altura prepararam-me para levar a epidural, caso a pedisse. Eu ainda conseguia suportar bem a coisa e estava alegre e contente.
Por volta das 10h as contracções começaram a aumentar consideravelmente e eu já tentava aplicar os conhecimentos que tinha aprendido nas aulas de PPP, mas aquilo não estava a servir para aliviar nada, apenas me distraía ligeiramente das dores que quase me "partiam" a coluna na zona renal... nesse momento, lembrei-me do conselho que me tinham dado de não ir para lá demasiado cedo. Arrependi-me um bocado por ter sido impulsiva... mas continuei bem disposta e alegre! 
Meti na cabeça que tudo iria correr bem, porque a tua avó nasceu em casa e se a tua bisavó conseguiu, eu também conseguia!
Às tantas, a enfermeira e a parteira começaram a andar de volta de mim, com uma tal pressa que as águas rebentassem, quando a dilatação ia tão no início. Não falavam noutra coisa... achei estranho... mas as águas rebentaram mesmo cerca de 15 minutos depois, como um dilúvio! As expressões de cara de ambas as senhoras eram algo preocupantes. Vem de lá dr. FG que depois duma breve eco, me diz categoricamente: 
- Vamos para o bloco operatório, vais fazer uma cesariana!
Eu respondi automaticamente:
- Então está bem!
Só depois é que ele me disse que tu tinhas o cordão umbilical em torno do pescoço e que não ia esperar para eu acabar a dilatação, porque não sabia quanto tempo eu ia levar nesse processo. Aí relacionei tudo, com a expressão de cara da enfermeira e da parteira quando viram as águas...
O anestesista veio injectar a epidural, fria e gelada nas minhas veias. Acompanhou-me no percurso até ao bloco operatório e deve ter-me perguntado 50 vezes se estava nervosa. Eu 50 vezes repeti que estava calma (aliás, quem me estava a dar nos nervos era ele aquela pergunta tanta vez repetida!! cheguei a querer bater-lhe a ver se ele se calava com aquilo...) e ele 50 vezes me disse que não ficasse nervosa, que ia ver-te dentro em breve!
Cheguei à entrada do bloco operatório e encontro a S., minha vizinha desde que éramos pequenas e fiquei ainda mais descansada porque sabia que ia estar bem acompanhada!
Andei nuns tapetes rolantes super fixes e gelados, para passar duma marquesa para outra.
A S. esteve sempre ao meu lado e explicou-me tudo, que era normal sentir isto ou aquilo, que gritasse se doesse. 
Assisti a tudo, quer dizer... ouvi tudo, porque havia um pano azul a tapar-me a visão.
A epidural deu-me alguma sonolência, mas eu arregalei os olhos para estar atenta. Ouvi o dr. FG pedir a tesoura, as compressas, os clamps, os agrafes, ouvi ele dizer ao colega para não fechar que ainda tinha compressas "lá dentro"... parecia que estava num episódio da Anatomia de Grey, mas a doente era eu...
Nasceste às 11h!
E depois vi-te!!! Nunca mais esquecerei o teu rosto naquele preciso momento, às 11h e qualquer coisa... embrulhado na manta azul e cinzenta do hospital, com o gorrinho azul que te comprei!
Parecias um anjo, olhos fechados e calmo, pele branca, sem borbulhas e aqueles lábios... os que eu tinha pedido e desejado que tivesses, iguais aos do teu pai, quase como que decalcados a papel químico!
Curiosamente não me recordo de te ouvir chorar...
Quando a S. te pôs cara a cara comigo, quis tocar-te, abraçar-te, mas não pude... estava de braços abertos, qual Cristo na cruz, ligada a tubos e fios por todo o lado. A máquina dos sinais vitais começou a apitar insistentemente, a dar sinal que estava a ter um episódio de hipertensão. A S. disse que ia levar-te ao teu pai e eu apenas consegui assentir com a cabeça, porque tinha tanto, mas tanto sono...
Passei quase 2h no recobro, a querer dormitar mas sem conseguir porque apesar das 5 mantas que me tapavam, tremia com frio e batia os dentes como se estivesse ao relento... Acho que foi a descompressão...
Depois levaram-me para junto de ti e pude tocar-te, acariciar-te, beijar-te e principalmente contemplar-te enquanto te alimentei pela primeira vez!
O meu coração estava inundado de uma felicidade até então desconhecida e o teu pai... esse ostentava um sorriso como nunca lhe vira até então! Um sorriso que encerrava toda a felicidade e alegria possível de quem acabou de se tornar pai!
E a tua mãe lembrou-se que no meio da burrice, deixou a máquina fotográfica em casa, com medo de a perder no hospital...
Nesse dia, começou um percurso lindo a três! Cansativo por vezes, é certo... mas o amor que sinto por ti não tem limites, assim  como o do teu pai!

11 comentários:

Paula disse...

Que prenda de Natal especial... :)

Muitos parabéns ao teu menino, e a ti, por seres tão prática e desenrascada!

Bjs e Feliz Natal para a vossa familia xx

Ni! disse...

Parabéns, amigos!
E Boas Festas!

Mammy disse...

Porque será que me emociono sempre que relatam um parto???

Parabéns, Naná, para ti e para o teu lindo menino! (e para o pai babado, claro!)
Beijinhos

mfc disse...

Pois... não calha nada bem, mas é assim!
Muitos parabéns ao teu filho e a ti que és uma Mamã babbadinha!

Magda E. disse...

uma linda prendinha de natal... e tao bonito!!!

Parabéns!!!

Ana disse...

Mais uma vez, adorei ler esta história tão intensa. Foram muitas as semelhanças com o meu parto. O Diogo também tinha o cordão enrolado, daí a necessidade de partir para a cesariana. Como ganhei febre, depois de induzirem o parto da Sara, também teve de ser cesariana.
O teu filho é lindo. E olha que não digo isso de todos os recém nascidos.
Parabéns mamã e parabéns à vossa família.

Confinuação de festas felizes.
Beijinhos

Arco Iris disse...

Foi a melhor prenda de Natal esse menino Jesus tão fofinho.
A sua narração está fantástica.
Engraçado, tenho um neto que também fez agora 3 anos, nio dia 11-12 e o mais velho deixou a mãe passar o Natal e nasceu no dia 28-12.
Parabéns para si e toda a familia e que o seu filhote seja muito FELIZ
Bjs =)

Arco Iris disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tanita disse...

com a mesma velocidade que o tempo passa, gostamos ainda mais dos nossos meninos. Lindo o teu F. desde que nasceu :) Bj**

Tanita disse...

Esqueci-me de dizer que agora ao reler o teu post, me emocionei. Ah mulher de coragem!

Paulo Nunes disse...

Esse acontecimento, é a mais bela prenda de natal que uma pessoa pode ter! :)