9 de novembro de 2011

Sui generis

Há dias, fui almoçar a uma casa de sandes porque estava à pressa e já não havia tempo para muito mais.
A atender estava um rapaz que enquanto olhava para mim, ia falando com duas adolescentes que estavam na fila atrás de mim, sem que eu sequer me tivesse apercebido.
Logo para começar estranhei estar a tratar-me por tu, sem que nunca me tivesse visto mais gorda ou mais magra na vida...
Por momentos, pensei se ele estaria a falar numa língua desconhecida para mim, porque eu queria era escolher a bendita da sandes rapidamente e só o ouvia:
- "foste lá este fim-de-semana?"
- "estava fixe o ambiente?"
Eu, quando finalmente percebi que o interlocutor dele não era eu, apesar de ser eu a primeira da fila, fiz o meu olhar n.º 14 (sério, mas ainda com um sorriso a atirar para o esgar, como que a dizer: "eu devo ser transparente ou tu não me estás a ver?), ao que ele olhou para mim e diz:
- "Diga!"
Eu vou para começar a debitar os cinco ingredientes a colocar na sandes e ele volta a levantar a cabeça da baguete que segurava na mão e continua a falar com uma das mocinhas atrás de mim... eu simplesmente pus o meu olhar n.º 42 - "mas fazes o favor de me atender ou tenho que pedir para falar com a supervisora?!" e lentamente olhei para trás apenas para confirmar que as duas miúdas atrás de mim eram umas teenagers com uns pedaços ínfimos de roupa vestida e que aquilo deviam ser conhecimentos de noitada... e rodei a cabeça tão lentamente como que a dar a entender: vê lá se preferes atendê-las primeiro, já que parece que estás mais interessado nas amigas da night do que em atender bem um cliente...
Acho que o rapaz lá percebeu a dica e acabou de me atender, mas fê-lo de má vontade e eu nunca me senti tão mal atendida na minha vida!
(Quer dizer, se não contarmos com uma vez em Lisboa, que fui atendida por um senhor numa tabacaria, que conseguiu vender-me uma revista sem nunca levantar os olhos do jornal que estava pacatamente a ler e sem dizer bom dia ou obrigado... até o troco fez sem sequer olhar para mim!)

Sou daquelas pessoas que não se queixa assim muito do atendimento, se demora ou não, porque já fui empregada de mesa num restaurante e sei bem o que é estar do outro lado... e acreditem que as pessoas quando esfomeadas são capazes duma extrema falta de paciência e de educação... 
Mas quando me pisam os calos, ficou piursa! Se eu sou simpática, digo "bom dia, boa tarde, se faz favor, agradecia", o mínimo que podem fazer é atender-me bem, com o mesmo grau de simpatia e pelo menos naqueles 2 minutos prestarem atenção ao que estou a pedir para comer!
Só não fiz reclamação porque estava mesmo à pressa!...

7 comentários:

ESpeCiaLmente GaSPaS disse...

A pessoa que mais abominei falar foi um formador que trabalhou no mesmo centro formação que eu. Ele nunca olhou para mim... Nunca cheguei a perceber como ele sabia com quem ia falar se nunca olhava para as pessoas...

Tanita disse...

Sabes o que acho? que as colocam as pessoas a trabalhar e não lhes dão qualquer tipo de formação e muitas vezes as pessoas também não tem brio no que fazem. Também não suporto pessoas mal educadas e se me estão a prestar um serviço, agradeço que no minimo sejam educadas.

Paulo Nunes disse...

Esse tipo de pessoas a atender são gajos e gajas que a unica coisa que querem e ganhar algum para as noitadas... logo qualidade têm muito pouca.
Eu tb sofro desse problema.. tanto que eu pareço que tenho 20 anos e tenho 33! e ainda por cima na maior parte das vezes visto-me como eles! O que me safa é que papas na lingua não me faltam.. e na tua situação fazia bem pior! :)

Caminhante disse...

Olá Naná, acho que existem pessoas que simplesmente deviam estar proibidas de fazer atendimento ao público! Enfim..
Beijinhos

Magda E. disse...

eu não tinha tido a tua paciência... havia de ser. com o meu feitiozinho de m****!!!lol

Ana (A mamã é só minha) disse...

Na Associação empresarial onde ando tenho formação, abriu um bar recentemente, que está a ser explorado por duas ex-formandas. Uma, é extremamente simpática, educada e delicada com as palavras. A outra, chega ao balcão e atende quem lhe apetece, nem pergunta quem está primeiro, aconteceu comigo umas sete ou oito vezes. Uma dia, que não era um bom dia para mim, estava ela a limpar e eu era a única cliente no balcão. Ela continuou e nem me perguntou nada. Aguardei cerca de um minuto, vim embora e nunca mais láfui. Por causa de gentinha dessa, tenho que ir comer a minha sopa ao Continente e fazer mais 2km por dia, como se não bastasse os 70km que já faço. Às vezes chego a levar sandes.
Devia era de ter coragem para pedir o livro de reclamações, mas iria prejudicar a colega, que não merece e sempre me atendeu tão bem.

Beijinhos

mfc disse...

Eu também não gosto nadinha de ser ignorado!!
Tens toda a razão.