30 de março de 2011

Recadinhos

Sr. Primeiro-Ministro Demissionário e restantes membros do governo:

Façam o favor de não perderem mais tempo a atirar pedras aos demais, não se comportem como se já fossem  do partido da oposição e façam aquilo que vos compete até que sejam desempossados: governem!!
Ah, e desculpe lá se acho que resolver a crise politica e financeira é bem mais importante do que a cerimónia de Doutoramento Honnoris Causa do Lula da Silva. É que deixar comentários ao que se passa no cenário financeiro, quase a sermos apelidados de "lixo", para mais tarde parece ser seu apanágio, talvez seja por isso que estamos metidos na m*rda em que estamos, atolados até ao pescoço!!

Sr. Pedro Passos Coelho e restante comitiva:

Façam o favor de não dizer mais barbaridades e se não conseguem acrescentar nada de válido, assim como... por exemplo, sei lá...: soluções para resolver os males desta nação desgovernada, fechem a matraca, e remetam-se ao silêncio, porque esse às vezes é de ouro, mesmo!

Srs. da Comunicação Social:

Façam o favor de não falar do PSD como se já tivesse ganho as eleições, porque o povo ainda nem sequer sabe se vai ter que se pronunciar...

Sr. Presidente da República:

Ao fim de uma semana, não acha que já é tempo de decidir alguma coisa? É que é estranho todo o mundo andar aqui a pensar se sempre vai a votos ou não... já se pronunciava, não??!!

26 de março de 2011

O espelho da nossa sociedade

Foi o que vi enquanto ouvia as declarações do sr. primeiro-ministro demissionário.

Vivemos numa sociedade em que se põem sempre as culpas nos outros, e não temos a ombridade de assumir que fizémos uma tremenda asneirada. Porque assumir responsabilidades é uma tarefa que custa bastante...

Damos às "de vila Diogo" quando a coisa começa a correr mal.

Fazemos asneira da grossa, lixamos os demais e escapamos impunemente a tudo!

Porque há-de haver algum parvinho que fique cá para limpar a porcaria!

Isto se não fizerem ainda pior...

22 de março de 2011

Esquecimento de mim

Acontece de tempos a tempos... levamos a vida a pensar nas necessidades dos demais que nos são queridos.
E esquecemo-nos que precisamos de pequenos momentos a sós, connosco mesmos, sozinhos só com os nossos pensamentos...
Esquecemo-nos do quanto precisamos de isolar o ruído da vida quotidiana, das exigências dos outros, das injustiças da sociedade e do meio laboral, das faltas de civismo dos que nos rodeiam, de tudo o que temos que lidar diariamente e que invariavelmente não nos ajudam a ser felizes... pelo contrário!
E vamos entrando numa rotina cinzenta, macilenta, e sem grande espontaneidade.
Deixamos de tirar aqueles momentos preciosos, para parar e retomar o fôlego. Para raciocinar com o coração e olhar em várias direcções, para podermos escolher uma, em vez de sermos cordeirinhos numa fila dum redil...
Abandonamos hábitos que nos permitiam ver que a vida é uma palete de cores e que há tanta beleza em coisas tão simples, que até vemos todos os dias, mas não as observamos com olhos de ver e sentir...
E por isso, vamos lentamente atirando para o fundo do nosso cérebro, os nossos mais importantes objectivos: que é gostarmos de nós mesmos, da vida que temos e do desejo que temos de sermos tão só e apenas felizes!

12 de março de 2011

Ossos da rotina


Agora que o F. já mostra sinais de não estar sempre a desarranjar-me gavetas e armários na cozinha, comecei a retirar as trancas que tinha em tudo quanto era porta de armário e gavetas.

E não é que o cérebro já estava tão habituado a ter que fazer aquele simples acto de abrir as trancas antes de abrir a porta para retirar o leite, ou a farinha ou um qualquer tacho ou panela, que continua a querer destrancar um engenho que já não está lá!?

9 de março de 2011

Carnaval dejá vu

Esta foi sempre uma época festiva da qual nunca guardei grandes recordações desde a infância.
Posso mesmo afirmar que só comecei a achar piada quando já era bem adolescente, porque até aos 10/11 nunca pude festejar a festa das máscaras e muito menos desfilei mascarada a rigor...
Porque invariavelmente ficava doente nas vésperas! E doente a ponto de ficar de cama, rendida a uma qualquer crise de anginas, ou laringite ou faringite... e isso significava que em vez de ir participar no desfile da escola, ganhava uma ida ao consultório do Dr. Espinha, que era um senhor muito simpático e que me fazia sempre rir e animar, no meio do meu drama de menina que-não-vai-mascarar-se-como-todos-os-outros-meninos-fazem!
Até aos meus oito anos acabei por desenvolver um odiozinho ao Carnaval... e já nem me entusiasmava com a possibilidade de me vestir de bailarina, ou dama antiga ou enfermeira, que eram as máscaras normalmente envergadas por meninas nestas épocas.
Nunca soube que isso era, até ser adolescente! Por isso, tenho uma perspectiva um tanto ambígua em relação a esta festividade. E quando comecei a participar, gostava mais dos momentos da construção da máscara e na ansiedade dos comentários que geraria nos outros. Já estar em sardinha em lata nas sociedades recreativas não me agradava assim tanto...
Mas se não me mascarasse, também não ficava aborrecida por isso...

Agora que o meu filho já pode participar no Carnaval, juntamente com os seus coleguinhas de palmo e meio da escola, qual não foi o meu espanto, quando ele, dias antes do desfile e já com a fatiota construída, adoece...?!
Será isto um legado meu ao pequenote?!
Espero bem que não!!


3 de março de 2011

10 anos

tirada da net

Há dez anos neste dia, estava numa festa de aniversário super aborrecida quando uma amiga me convidou para irmos beber um copo a uma terra ali ao lado, juntamente com uma colega de escola.

Essa colega de escola fez-se acompanhar do seu namorado de então, e este convidou um colega de trabalho, que pensava que ia só beber um copo com um amigo.

Quando chegámos lá, aquilo que seria para mim uma saída de gajas e aquilo que para o amigo seria uma saída de gajos, tornou-se numa saída em grupo!

Nem houve grandes apresentações e quando nos abancámos, curiosamente ficámos sentados um ao lado do outro, sem sequer sabermos o nome um do outro.

Só que eu sempre fui mais extrovertida e quando ouço o "Roads" dos Portishead num bar onde nunca pensaria que sequer conhecessem tal banda, comento "adoro esta música!!"

E isso levou-me a mim e ao amigo do namorado da colega da minha amiga a encetar uma conversa de mais de 1h e meia, sobre bandas de rock alternativo, hoje denominado por indie.

Mas a minha amiga estava cansada e cheia de sono e com uma vontade de ir embora e eu não tive alternativa se não ir com ela, porque estava apeada.

Despedimo-nos todos e eu saí do bar.

Quando me apercebo que não tínhamos trocado n.º de contacto...

E uma vozinha dentro de mim disse baixinho: este podia ser o homem da tua vida e tu nem lhe pediste ou deste o teu n.º!!!

Logo seguido de "por mim, teria ficado ali o resto da noite a conversar com ele...!"

Dez anos depois, só posso dizer que aquela vozinha estava 1000% certa, porque o amigo, o G., é o meu companheiro, o meu amor, o meu amigo, o meu confidente!

São dez anos marcados por amor, paixão, desejo, respeito mútuo, confiança, partilha, cumplicidade!!

Lado a lado, temos partilhado alegrias, felicidades, tristezas, angústias, dificuldades. Às vezes, aborrecemo-nos um ao outro, mas temos ultrapassado tudo!

E a nossa união já deu frutos, o F., que é a criança mais linda do mundo!

2 de março de 2011

Hipocrisia do Estado

No âmbito das minhas funções, uma das tarefas que tenho cumprir é verificar se as empresas subcontratadas pela empresa onde trabalho cumprem com as suas obrigações.

Ou seja, como somos empreiteiro numa obra pública, os nossos subcontratados têm que ter cumpridas as suas obrigações fiscais e sociais, isto é: não podem ter quaisquer dívidas ao Estado, nem às Finanças e nem à Segurança Social!

Aliás, são excluídos de concursos e preteridos na contratação caso tenham dívidas a algum destes dois organismos...

Ora isto a mim parece-me duma hipocrisia profunda, na medida em que o Estado não é nenhum modelo de exemplaridade: não só é um mau pagador, como é dos que pagam os trabalhos que contratam mais tardiamente.

E principalmente porque tenho aqui empresas a trabalhar que acabaram por não ter as suas obrigações em dia porque o mesmo Estado que lhes exige cumprimento, não cumpriu o pagamento devido por trabalhos já executados!