Ontem, véspera do tão aplaudido dia internacional da mulher assisti a esta cena, na cafetaria duma cadeia de supermercados nacional, que dá que pensar porque é que ainda é preciso assinalar esta efeméride.
Estava eu a ser atendida pela funcionária, a fazer o meu pedido para o pequeno-almoço, quando sou interrompida sem qualquer consideração por um senhor cliente que já tinha sido atendido e consumido o que pedira.
O senhor pretendia reclamar do pão, que ao que parecia, teria vestígios de sangue (se bem que podiam muito bem ter roçado num qualquer pão com chouriço) e não se fez rogado em clamar alto e bom som, furioso com a funcionária que aquilo era inadmissível e que "agora tenho que ir à casa-de-banho meter os dedos à goela e despejar tudo, porque não me sinto bem!"
A funcionária tentando minimizar a coisa, para de me atender, e pede ao senhor que aguarde, que ela vai pedir ao colega da secção de padaria que veja o que se poderá ter passado.
O cliente, todo engalanado, bufava "sim, chame-o lá que eu quero conversar com ele!"
A funcionária regressa para acabar de me atender, e o cliente continua com invectivas contra ela, que queria uma explicação.
A funcionária respirou fundo e pediu-lhe que aguardasse pelo seu colega, responsável pela padaria, para lhe dar uma explicação ou pelo menos registar a sua reclamação.
Quando vejo o colega da padaria vir atendê-lo e estando eu à espera de ser servida, assisti com alguma curiosidade ao desfecho da coisa. E o que vi deixou-me boquiaberta!
O cliente, que poucos minutos antes parecia possuído a falar com a funcionária, falava agora mansinho com o colega da padaria.
É certo que reportou o mesmo problema com o pão e voltou a dizer que "tinha que ir despejar tudo à casa-de-banho". Mas o tom... completamente diferente. Para com a funcionária só vi agressividade, para com o funcionário já falava calmamente e no fim até já parecia compreensivo e dizia "pois, veja lá o que se passou em relação a isso..."
Por este tipo de pequenas atitudes que se podem encontrar um pouco por toda a parte é que ainda é necessário assinalar e enaltecer o papel das mulheres. E estando nós no ano de 2016, não só acho incrível como absolutamente lamentável....
8 de março de 2016
23 de dezembro de 2015
Época natalícia-aniversariante
O Natal está mesmo aí... e isso significa que o Falipe está prestes a completar mais um ano de vida!
O meu Menino Jesus completa 7 anos no próximo dia 25! E eu só penso como ele está crescido (aliás, está enorme!) e como o tempo parece passar numa correria tão apressada, quando eu só quero que ele - o Tempo - abrande, para eu poder viver todos os momentos possíveis com o máximo de atenção. Não quero perder nada e sinto que tenho perdido muito, que não consigo esticar-me e ir a todas com a presença e atenção devidas.
É incrível como se passaram 7 anos desde que me tornei mãe! Desde que passei pela tremenda experiência transformadora que é trazer ao mundo um ser que depende única e exclusivamente de nós, para tudo, para sobreviver, se nutrir, para crescer e desenvolver-se e para ser uma pessoa feliz e saudável! E passaram 7 anos desde que me tornei uma pessoa que nunca mais esteve sozinha! E não deixo de me surpreender a cada dia pela beleza do meu filho! Além de ser um menino lindo (sim, eu sou uma mãe babada e nada modesta!) é um ser sensível e muito perspicaz, inocente e tão sem maldade, curioso e inteligente, e teimoso e tagarela e irrequieto que me torra a paciência e esgota as energias, mas a quem eu amo com todas as forças do meu ser e de quem vibro de orgulho pelo menino que é!
Esta é a época de festas e jantares de Natal (este ano decidi dar uma de boicote aos jantares...) e o estranho é que sinto que estou lamechas, de lágrima fácil. Especialmente quando estive presente nas festas da escola primária e na festa da creche e ATL dos miúdos a ouvir todas aquelas músicas de Natal... talvez porque sinta a falta daqueles que deveriam estar presentes a ver os netos e não estão... a saudade aperta e deixa-me mais nostálgica e introspectiva e retira-me um pouco o espírito festivo que deveria ser a norma por esta altura.
A acrescentar a isto, este ano tem sido mauzinho para mim... tem sido um ano dificil e cheio de momentos menos bons e para ser inteiramente sincera, só quero mesmo que 2015 se vá com o vento, para passar a ser apenas uma recordação longínqua de um ano que não deixou saudades nenhumas.
Tenho alguma esperança em 2016, principalmente por ser um ano bissexto e por alguma superstição minha, costumam ser anos benéficos para mim. Pode ser que o ano novo que aí vem me traga a clareza de espírito e a coragem de tomar decisões difíceis (se calhar até são bastante fáceis e simples...) que podem mudar drasticamente a minha vida e da minha família, para melhor!
O meu Menino Jesus completa 7 anos no próximo dia 25! E eu só penso como ele está crescido (aliás, está enorme!) e como o tempo parece passar numa correria tão apressada, quando eu só quero que ele - o Tempo - abrande, para eu poder viver todos os momentos possíveis com o máximo de atenção. Não quero perder nada e sinto que tenho perdido muito, que não consigo esticar-me e ir a todas com a presença e atenção devidas.
É incrível como se passaram 7 anos desde que me tornei mãe! Desde que passei pela tremenda experiência transformadora que é trazer ao mundo um ser que depende única e exclusivamente de nós, para tudo, para sobreviver, se nutrir, para crescer e desenvolver-se e para ser uma pessoa feliz e saudável! E passaram 7 anos desde que me tornei uma pessoa que nunca mais esteve sozinha! E não deixo de me surpreender a cada dia pela beleza do meu filho! Além de ser um menino lindo (sim, eu sou uma mãe babada e nada modesta!) é um ser sensível e muito perspicaz, inocente e tão sem maldade, curioso e inteligente, e teimoso e tagarela e irrequieto que me torra a paciência e esgota as energias, mas a quem eu amo com todas as forças do meu ser e de quem vibro de orgulho pelo menino que é!
Esta é a época de festas e jantares de Natal (este ano decidi dar uma de boicote aos jantares...) e o estranho é que sinto que estou lamechas, de lágrima fácil. Especialmente quando estive presente nas festas da escola primária e na festa da creche e ATL dos miúdos a ouvir todas aquelas músicas de Natal... talvez porque sinta a falta daqueles que deveriam estar presentes a ver os netos e não estão... a saudade aperta e deixa-me mais nostálgica e introspectiva e retira-me um pouco o espírito festivo que deveria ser a norma por esta altura.
A acrescentar a isto, este ano tem sido mauzinho para mim... tem sido um ano dificil e cheio de momentos menos bons e para ser inteiramente sincera, só quero mesmo que 2015 se vá com o vento, para passar a ser apenas uma recordação longínqua de um ano que não deixou saudades nenhumas.
Tenho alguma esperança em 2016, principalmente por ser um ano bissexto e por alguma superstição minha, costumam ser anos benéficos para mim. Pode ser que o ano novo que aí vem me traga a clareza de espírito e a coragem de tomar decisões difíceis (se calhar até são bastante fáceis e simples...) que podem mudar drasticamente a minha vida e da minha família, para melhor!
15 de dezembro de 2015
"A velhice chega demasiado cedo..."
"A verdade pode não nos libertar, mas não há maior loucura do que mentirmos a nós próprios para retirar apenas uma satisfação passageira. Uma tal ilusão parece ser apenas uma desonestidade benigna; mais ninguém foi enganado ou lesado. Porém, as decisões que não se baseiam na realidade só podem ser más. Ter uma imagem clara de nós é, sem dúvida, impossível, tal como o é chegar ao fim dum dia sem ter encontrado, pelo menos uma ou duas vezes, as justificações para os erros cometidos. É quando há um conflito entre o que queremos ser e o que somos verdadeiramente que a dissonância cognitiva nos atinge, tornando-nos surdos e cegos."
In "A velhice chega demasiado cedo, a sabedoria demasiado tarde", de Gordon Livingstone
In "A velhice chega demasiado cedo, a sabedoria demasiado tarde", de Gordon Livingstone
3 de dezembro de 2015
Parábola de uma mãe sem sistema de apoio
Em verdade vos digo, há gente que não faz ideia a sorte que tem!..
E que pensa que todos têm a mesma sorte que eles...
22 de outubro de 2015
37, a idade de ter juízo...!
Pois é, na semana passada, no dia 14 mais precisamente completei 37 anos.
Chegada a esta idade, não me sinto velha (apesar dos muitos brancos, muitos mesmo!) nem acabada ou com receio de que os quarenta estão quase aí.
No entanto, sinto o "peso" do peso excessivo e do efeito que isso tem na minha vida. Já não é a primeira vez que fico com excesso de peso, mas desta feita são já demasiados quilos. São os que ficaram da gravidez do Filipe (e que apesar de ter perdido mais de metade dos 18 kg...) e mais os do "luto adiado" do meu pai (quase 6 kg adquiridos em apenas 1 mês) e mais uns 3/4 kgs que ficaram da gravidez do Ricardo e que teimam em permanecer.
E sinto esse peso (cerca de 20 kg) de todas as formas, na imagem que o espelho me devolve, sempre com um queixo duplo, e a bóia de salvação que encima e se debruça sobre o cós das calças, mas também no cansaço permanente, que me deixa sem fôlego sempre que subo um ou dois lanços de escadas. E já nem falo nas dores e dorzinhas que parecem viajar por várias partes do meu corpo.
Chegada aqui, aos 37 anos, tornou-se por demais evidente que está na altura de tomar uma atitude, para bem da minha saúde e do meu corpo, à semelhança do que fiz no passado, quando senti isto mesmo. Não porque aspire a ser magra como as modelos das revistas, mas ambiciono e quero ser alguém que se sente bem com o seu peso e com o seu corpo e com a imagem reflectida no espelho.
Não fiquem já a pensar que me vou meter em dietas malucas ou coisa assim, vou sim mudar hábitos alimentares e reduzir consideravelmente no consumo de açúcar, que é e sempre será o meu calcanhar de Aquiles. Ter visto este documentário ajudou também a abrir um pouco a "pestana", mas sem qualquer alarmismo ou fundamentalismos. É bom termos consciência de certas coisas. Não me vou tornar vegetariana, ou vegan, ou abolir o glúten ou fazer a dieta paleo ou coisa que me valha. Vou tentar sim, manter uma alimentação equilibrada, evitando ingerir as quantidades descomunais de comida que embutia até há uns dias atrás e fazer escolhas saudáveis, mais na linha da dieta mediterrânica, que era a que sempre se praticou na casa dos meus pais, antes mesmo de ser considerada fantástica por toda a gente e mais alguma.
O exercício físico é algo a que quero voltar, depois de anos e anos e anos de inércia. Mas este capítulo é mais complicado de conseguir tendo em conta o meu contexto familiar e os horários do G. completamente irregulares e muitas vezes incompatíveis com os meus, e os meus horários e os dos miúdos...
Espero daqui por uns meses poder responder à questão que o Filipe me colocou há uns dias atrás e que apenas contribuiu para cimentar a decisão que tomara no meu íntimo, pois não só foi um murro bem forte mas ao mesmo tempo uma tremenda chamada de atenção:
- Mamã, quando deixas de ser gordinha?
Obrigada filho por seres sincero e verbalizares aquilo que a mãe está farta de saber e sobre a qual pouco tem feito... mas a mãe percebeu que tem que fazer algo sobre isso, por si mesma, para seu bem e porque gosta de si mesma!
2 de outubro de 2015
Bochechas rechonchudas e caracóis
Cresces a uma velocidade estonteante, mais depressa do que sou capaz de assimilar.
Parece que ainda há dias eu ainda te amamentava de 90 em 90 minutos e tentava acalmar o teu choro gritante de má disposição e má digestão, enquanto me tentava manter acordada e mentalmente sã.
E agora tu jáandas corres pela casa toda, já sobes sozinho ao triciclo do teu irmão e já aprendeste a andar sozinho na trotinete com a mestria de quem sabe mexer o volante e ir onde quer!
A nossa relação não tem sido mar nenhum de rosas, tem sido muito exigente e desgastante, tem sido duro para mim que não durmas bem e muito complicado de gerir as tuas constantes birras de vão do simples chorinho ao grito estridente em apenas 10 segundos, que me arrasa os neurónios e me deixa tipo barata tonta. Mudar-te a fralda é uma tarefa de monta, visto que me parece o equivalente a estar a lutar com um polvo, porque tu detestas que te mudem a fralda. As minhas costas gritam por descanso e a tendinite no ombro esquerdo exige alto e bom som que eu não ande sempre a aceder às tuas necessidades de colo constante, isto se quero deixar de ter dores excruciantes.
Mas o teu sorriso fácil e genuíno de menino malandro, o teu andar desengonçado, as tuas pernocas grossas e geniquentas que me deixam de sorriso apatetado, as tuas mãozinhas pequeninas que mexem em tudo e mais alguma coisa, que não deixam os armários e gavetas da cozinha em paz mais que dez minutos, os teus olhos escuros, como duas azeitonas que sorriem quando estás feliz, o teu falatório que eu não entendo porque é ininteligível neste ponto, fazem-me transbordar de amor e de alegria pela tua presença na minha vida.
Adoras estar ao ar livre e assim que vês a porta de casa aberta não descansas enquanto não vais para o quintal correr!
Achas estranha a sensação da areia da praia nos teus pés pequeninos mas depois queres sair por ali fora e não aceitas que te seguremos a mão. Porque tu és decidido e sabes que queres ir e para onde e ai de alguém que te tente alterar o caminho que queres seguir.
Tens uma energia inesgotável e uma fome de leão, adoras estar na banhoca e ficas chateado quando te tiramos de lá, exiges a minha atenção e a do teu pai constantemente, facto que temos ido gerindo da melhor forma que soubemos. Preferes o colo do pai ao meu, mas queres que seja eu a dar-te a comida e principalmente o biberão e esperneias irritado quando tentamos trocar os papéis.
Mas quando à noite, adormeces placidamente no meu colo ao ritmo do meu embalar, com o polegar na boca e a mão enfiada pelo meu decote abaixo, eu olho para o teu rosto de anjinho e abraço-te mais forte, porque quero congelar o tempo e ficar assim contigo. Nestes momentos, não quero que cresças, não quero que os meus braços se tornem pequenos demais para te abarcar na totalidade.
Meu furacãozinho!
Parece que ainda há dias eu ainda te amamentava de 90 em 90 minutos e tentava acalmar o teu choro gritante de má disposição e má digestão, enquanto me tentava manter acordada e mentalmente sã.
E agora tu já
A nossa relação não tem sido mar nenhum de rosas, tem sido muito exigente e desgastante, tem sido duro para mim que não durmas bem e muito complicado de gerir as tuas constantes birras de vão do simples chorinho ao grito estridente em apenas 10 segundos, que me arrasa os neurónios e me deixa tipo barata tonta. Mudar-te a fralda é uma tarefa de monta, visto que me parece o equivalente a estar a lutar com um polvo, porque tu detestas que te mudem a fralda. As minhas costas gritam por descanso e a tendinite no ombro esquerdo exige alto e bom som que eu não ande sempre a aceder às tuas necessidades de colo constante, isto se quero deixar de ter dores excruciantes.
Mas o teu sorriso fácil e genuíno de menino malandro, o teu andar desengonçado, as tuas pernocas grossas e geniquentas que me deixam de sorriso apatetado, as tuas mãozinhas pequeninas que mexem em tudo e mais alguma coisa, que não deixam os armários e gavetas da cozinha em paz mais que dez minutos, os teus olhos escuros, como duas azeitonas que sorriem quando estás feliz, o teu falatório que eu não entendo porque é ininteligível neste ponto, fazem-me transbordar de amor e de alegria pela tua presença na minha vida.
Adoras estar ao ar livre e assim que vês a porta de casa aberta não descansas enquanto não vais para o quintal correr!
Achas estranha a sensação da areia da praia nos teus pés pequeninos mas depois queres sair por ali fora e não aceitas que te seguremos a mão. Porque tu és decidido e sabes que queres ir e para onde e ai de alguém que te tente alterar o caminho que queres seguir.
Tens uma energia inesgotável e uma fome de leão, adoras estar na banhoca e ficas chateado quando te tiramos de lá, exiges a minha atenção e a do teu pai constantemente, facto que temos ido gerindo da melhor forma que soubemos. Preferes o colo do pai ao meu, mas queres que seja eu a dar-te a comida e principalmente o biberão e esperneias irritado quando tentamos trocar os papéis.
Mas quando à noite, adormeces placidamente no meu colo ao ritmo do meu embalar, com o polegar na boca e a mão enfiada pelo meu decote abaixo, eu olho para o teu rosto de anjinho e abraço-te mais forte, porque quero congelar o tempo e ficar assim contigo. Nestes momentos, não quero que cresças, não quero que os meus braços se tornem pequenos demais para te abarcar na totalidade.
Meu furacãozinho!
21 de setembro de 2015
O primeiro dia duma nova etapa
Hoje começa uma nova etapa na tua vida.
Hoje é o teu primeiro dia na escola primária, no 1.º ano (tinham que mudar o nome à 1.ª classe...).
E tu estavas tão feliz!
Andavas ansioso há mais de uma semana. Tão entusiasmado que até quase querias fazer duma assentada os exercícios todos do livro de actividades que te comprei, a teu pedido.
Saltaste da cama tipo mola, ao contrário dos dias normais em que ficas a fazer ronha até esticares a corda da paciência dos pais.
Ainda nem estavas bem despachado e já querias andar com a mochila às costas, contra as minhas indicações de que ela estava demasiado pesada para as tuas costas de menino.
Chegaste à porta da escola e leste a mensagem de boas vindas escritas na lona que penduraram no gradeamento, como se sempre tivesses sabido ler.
E eu?!
Eu sentia-me acelerada, stressada, porque queria que tudo fosse perfeito, mas tinha também horários a cumprir.
Mas não estava nervosa, como estive em outras ocasiões em que mudaste de escola e de turma. Porque sabia que estavas feliz, que estavas entusiasmado e porque sei o quanto adoras aprender e saber sempre mais!
Apenas estava apreensiva... um bocadinho só... porque a minha primeira impressão sobre a tua nova professora não foi a melhor (e aquele maldito instinto que eu tenho sobre as primeiras impressões pairava sobre o meu pensamento, por mais que tentasse afastá-lo!) e afinal de contas ela vai ter um papel fundamental na tua educação, na tua vida, e na tua formação enquanto pessoa, enquanto ser pensante, a par de nós que somos a tua família.
Por isso, espero que aprendas muito e cresças muito, mas que ao mesmo tempo te divirtas e sejas muito feliz na escola primária!
Hoje é o teu primeiro dia na escola primária, no 1.º ano (tinham que mudar o nome à 1.ª classe...).
E tu estavas tão feliz!
Andavas ansioso há mais de uma semana. Tão entusiasmado que até quase querias fazer duma assentada os exercícios todos do livro de actividades que te comprei, a teu pedido.
Saltaste da cama tipo mola, ao contrário dos dias normais em que ficas a fazer ronha até esticares a corda da paciência dos pais.
Ainda nem estavas bem despachado e já querias andar com a mochila às costas, contra as minhas indicações de que ela estava demasiado pesada para as tuas costas de menino.
Chegaste à porta da escola e leste a mensagem de boas vindas escritas na lona que penduraram no gradeamento, como se sempre tivesses sabido ler.
E eu?!
Eu sentia-me acelerada, stressada, porque queria que tudo fosse perfeito, mas tinha também horários a cumprir.
Mas não estava nervosa, como estive em outras ocasiões em que mudaste de escola e de turma. Porque sabia que estavas feliz, que estavas entusiasmado e porque sei o quanto adoras aprender e saber sempre mais!
Apenas estava apreensiva... um bocadinho só... porque a minha primeira impressão sobre a tua nova professora não foi a melhor (e aquele maldito instinto que eu tenho sobre as primeiras impressões pairava sobre o meu pensamento, por mais que tentasse afastá-lo!) e afinal de contas ela vai ter um papel fundamental na tua educação, na tua vida, e na tua formação enquanto pessoa, enquanto ser pensante, a par de nós que somos a tua família.
Por isso, espero que aprendas muito e cresças muito, mas que ao mesmo tempo te divirtas e sejas muito feliz na escola primária!
3 de setembro de 2015
Nó na garganta, aperto no coração, peso na alma
Tenho visto as imagens quase diariamente, com consternação.
O meu pensamento resvala sempre para a mesma conclusão: não os podemos aceitar todos, mas não os podemos deixar morrer!!!
Porque sinto e penso sempre que podíamos ser nós a querer entrar no país deles, em busca de refúgio, de paz, de dignidade para (sobre)viver!
Porque não há assim tantas décadas atrás, foi a Europa a ser devastada pela guerra, a ter cidades inteiras bombardeadas, carcaças de casas e prédios atestavam a destruição que o "bicho Homem" é capaz de atingir. E as pessoas fugiam para onde e como podiam... e muitos morreram na fuga. Homens, mulheres, crianças...
Como agora morrem os que tentam chegar à Europa, sejam sírios, curdos, afegãos, iraquianos, palestinianos, libaneses, senegaleses ou de outra qualquer nacionalidade.
No fundo, eles são apátridas.
Mas são pessoas de carne e osso, como eu, como tu, como todos nós!
E a imagem daquele menino ficou-me na retina.
Aquele menino chamava-se Aylan e tinha 3 anos.
O irmão dele, Galip, tinha 5 e morreu naquele mar também. Assim como Rehan, a mãe deles...
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