22 de outubro de 2015

37, a idade de ter juízo...!



Pois é, na semana passada, no dia 14 mais precisamente completei 37 anos.

Chegada a esta idade, não me sinto velha (apesar dos muitos brancos, muitos mesmo!) nem acabada ou com receio de que os quarenta estão quase aí.

No entanto, sinto o "peso" do peso excessivo e do efeito que isso tem na minha vida. Já não é a primeira vez que fico com excesso de peso, mas desta feita são já demasiados quilos. São os que ficaram da gravidez do Filipe (e que apesar de ter perdido mais de metade dos 18 kg...) e mais os do "luto adiado" do meu pai (quase 6 kg adquiridos em apenas 1 mês) e mais uns 3/4 kgs que ficaram da gravidez do Ricardo e que teimam em permanecer.

E sinto esse peso (cerca de 20 kg) de todas as formas, na imagem que o espelho me devolve, sempre com um queixo duplo, e a bóia de salvação que encima e se debruça sobre o cós das calças, mas também no cansaço permanente, que me deixa sem fôlego sempre que subo um ou dois lanços de escadas. E já nem falo nas dores e dorzinhas que parecem viajar por várias partes do meu corpo.

Chegada aqui, aos 37 anos, tornou-se por demais evidente que está na altura de tomar uma atitude, para bem da minha saúde e do meu corpo, à semelhança do que fiz no passado, quando senti isto mesmo. Não porque aspire a ser magra como as modelos das revistas, mas ambiciono e quero ser alguém que se sente bem com o seu peso e com o seu corpo e com a imagem reflectida no espelho.

Não fiquem já a pensar que me vou meter em dietas malucas ou coisa assim, vou sim mudar hábitos alimentares e reduzir consideravelmente no consumo de açúcar, que é e sempre será o meu calcanhar de Aquiles. Ter visto este documentário ajudou também a abrir um pouco a "pestana", mas sem qualquer alarmismo ou fundamentalismos. É bom termos consciência de certas coisas. Não me vou tornar vegetariana, ou vegan, ou abolir o glúten ou fazer a dieta paleo ou coisa que me valha. Vou tentar sim, manter uma alimentação equilibrada, evitando ingerir as quantidades descomunais de comida que embutia até há uns dias atrás e fazer escolhas saudáveis, mais na linha da dieta mediterrânica, que era a que sempre se praticou na casa dos meus pais, antes mesmo de ser considerada fantástica por toda a gente e mais alguma.

O exercício físico é algo a que quero voltar, depois de anos e anos e anos de inércia. Mas este capítulo é mais complicado de conseguir tendo em conta o meu contexto familiar e os horários do G. completamente irregulares e muitas vezes incompatíveis com os meus, e os meus horários e os dos miúdos...

Espero daqui por uns meses poder responder à questão que o Filipe me colocou há uns dias atrás e que apenas contribuiu para cimentar a decisão que tomara no meu íntimo, pois não só foi um murro bem forte mas ao mesmo tempo uma tremenda chamada de atenção:

- Mamã, quando deixas de ser gordinha?

Obrigada filho por seres sincero e verbalizares aquilo que a mãe está farta de saber e sobre a qual pouco tem feito... mas a mãe percebeu que tem que fazer algo sobre isso, por si mesma, para seu bem e porque gosta de si mesma!

2 de outubro de 2015

Bochechas rechonchudas e caracóis

Cresces a uma velocidade estonteante, mais depressa do que sou capaz de assimilar.

Parece que ainda há dias eu ainda te amamentava de 90 em 90 minutos e tentava acalmar o teu choro gritante de má disposição e má digestão, enquanto me tentava manter acordada e mentalmente sã.

E agora tu já andas corres pela casa toda, já sobes sozinho ao triciclo do teu irmão e já aprendeste a andar sozinho na trotinete com a mestria de quem sabe mexer o volante e ir onde quer!

A nossa relação não tem sido mar nenhum de rosas, tem sido muito exigente e desgastante, tem sido duro para mim que não durmas bem e muito complicado de gerir as tuas constantes birras de vão do simples chorinho ao grito estridente em apenas 10 segundos, que me arrasa os neurónios e me deixa tipo barata tonta. Mudar-te a fralda é uma tarefa de monta, visto que me parece o equivalente a estar a lutar com um polvo, porque tu detestas que te mudem a fralda. As minhas costas gritam por descanso e a tendinite no ombro esquerdo exige alto e bom som que eu não ande sempre a aceder às tuas necessidades de colo constante, isto se quero deixar de ter dores excruciantes.

Mas o teu sorriso fácil e genuíno de menino malandro, o teu andar desengonçado, as tuas pernocas grossas e geniquentas que me deixam de sorriso apatetado, as tuas mãozinhas pequeninas que mexem em tudo e mais alguma coisa, que não deixam os armários e gavetas da cozinha em paz mais que dez minutos, os teus olhos escuros, como duas azeitonas que sorriem quando estás feliz, o teu falatório que eu não entendo porque é ininteligível neste ponto, fazem-me transbordar de amor e de alegria pela tua presença na minha vida.

Adoras estar ao ar livre e assim que vês a porta de casa aberta não descansas enquanto não vais para o quintal correr!
Achas estranha a sensação da areia da praia nos teus pés pequeninos mas depois queres sair por ali fora e não aceitas que te seguremos a mão. Porque tu és decidido e sabes que queres ir e para onde e ai de alguém que te tente alterar o caminho que queres seguir.

Tens uma energia inesgotável e uma fome de leão, adoras estar na banhoca e ficas chateado quando te tiramos de lá, exiges a minha atenção e a do teu pai constantemente, facto que temos ido gerindo da melhor forma que soubemos. Preferes o colo do pai ao meu, mas queres que seja eu a dar-te a comida e principalmente o biberão e esperneias irritado quando tentamos trocar os papéis.

Mas quando à noite, adormeces placidamente no meu colo ao ritmo do meu embalar, com o polegar na boca e a mão enfiada pelo meu decote abaixo, eu olho para o teu rosto de anjinho e abraço-te mais forte, porque quero congelar o tempo e ficar assim contigo. Nestes momentos, não quero que cresças, não quero que os meus braços se tornem pequenos demais para te abarcar na totalidade.

Meu furacãozinho!

21 de setembro de 2015

O primeiro dia duma nova etapa

Hoje começa uma nova etapa na tua vida.

Hoje é o teu primeiro dia na escola primária, no 1.º ano (tinham que mudar o nome à 1.ª classe...).

E tu estavas tão feliz!

Andavas ansioso há mais de uma semana. Tão entusiasmado que até quase querias fazer duma assentada os exercícios todos do livro de actividades que te comprei, a teu pedido.

Saltaste da cama tipo mola, ao contrário dos dias normais em que ficas a fazer ronha até esticares a corda da paciência dos pais.

Ainda nem estavas bem despachado e já querias andar com a mochila às costas, contra as minhas indicações de que ela estava demasiado pesada para as tuas costas de menino.

Chegaste à porta da escola e leste a mensagem de boas vindas escritas na lona que penduraram no gradeamento, como se sempre tivesses sabido ler.

E eu?!

Eu sentia-me acelerada, stressada, porque queria que tudo fosse perfeito, mas tinha também horários a cumprir.

Mas não estava nervosa, como estive em outras ocasiões em que mudaste de escola e de turma. Porque sabia que estavas feliz, que estavas entusiasmado e porque sei o quanto adoras aprender e saber sempre mais!

Apenas estava apreensiva... um bocadinho só... porque a minha primeira impressão sobre a tua nova professora não foi a melhor (e aquele maldito instinto que eu tenho sobre as primeiras impressões pairava sobre o meu pensamento, por mais que tentasse afastá-lo!) e afinal de contas ela vai ter um papel fundamental na tua educação, na tua vida, e na tua formação enquanto pessoa, enquanto ser pensante, a par de nós que somos a tua família.

Por isso, espero que aprendas muito e cresças muito, mas que ao mesmo tempo te divirtas e sejas muito feliz na escola primária!

3 de setembro de 2015

Nó na garganta, aperto no coração, peso na alma


Tenho visto as imagens quase diariamente, com consternação.
O meu pensamento resvala sempre para a mesma conclusão: não os podemos aceitar todos, mas não os podemos deixar morrer!!!

Porque sinto e penso sempre que podíamos ser nós a querer entrar no país deles, em busca de refúgio, de paz, de dignidade para (sobre)viver!

Porque não há assim tantas décadas atrás, foi a Europa a ser devastada pela guerra, a ter cidades inteiras bombardeadas, carcaças de casas e prédios atestavam a destruição que o "bicho Homem" é capaz de atingir. E as pessoas fugiam para onde e como podiam... e muitos morreram na fuga. Homens, mulheres, crianças...

Como agora morrem os que tentam chegar à Europa, sejam sírios, curdos, afegãos, iraquianos, palestinianos, libaneses, senegaleses ou de outra qualquer nacionalidade.

No fundo, eles são apátridas.
Mas são pessoas de carne e osso, como eu, como tu, como todos nós!

E a imagem daquele menino ficou-me na retina.
Aquele menino chamava-se Aylan e tinha 3 anos.
O irmão dele, Galip, tinha 5 e morreu naquele mar também. Assim como Rehan, a mãe deles...


4 de agosto de 2015

Da exaustão

Quebra-nos o espírito.
Revira-nos o corpo e a alma e faz de nós escravos.
Zombies dignos de um filme ou série de culto.
Traz ao de cima o pior de nós. A começar pelos nossos mais estimados.
Deixa-nos prostrados e sem horizontes.
Rouba-nos o brilho e o sorriso.
Consome o nosso sentido de humor, de amor, de amor-próprio.
Rebenta com os nossos sonhos e impede-nos das coisas mais elementares.
Leva-nos a limites nunca antes roçados e deixa-nos à beira do precipício.
A fronteira entre a sanidade e a loucura é ténue e a esperança esbate-se.

23 de julho de 2015

Infância que a memória retém

A Margarida publicou uma foto no IG que me levou de imediato à infância.
Era uma imagem do pai dela a regar a horta, com a ajuda do filho dela, tal e qual como vi o meu pai fazer dezenas e dezenas de vezes, até registar nesta minha moleirinha os princípios da rega por gravidade, de como se abriam e fechavam os regos, para a água passar e chegar a todas as plantas. 
Se hoje tivesse que regar uma horta usando este método, acho que me sinto capaz o suficiente para manejar a enxada e abrir e fechar regos.
Quando vejo imagens deste tipo, não só sou acometida duma onda saudosista fortíssima, como fico sempre com aquele sentimento de angústia profundo por não poder proporcionar este tipo de vivências aos meus filhos, apesar de ter terras que posso e devia estar a cultivar!
Às vezes penso que estou apenas a projectar nos meus filhos os meus desejos, a querer repetir neles as mesmas vivências da minha infância. E resisto a fazer isso, porque a minha infãncia foi duma forma e a deles não é e nem tem que ser igual à minha. 
Mas não posso deixar de lastimar de alguma forma o facto de não lhes estar a proporcionar vivências felizes como estas, de vida no campo, com saberes ancestrais, e pelas quais hoje em dia me sinto privilegiada por ter tido. De contacto com a natureza, de aprendizagem sobre de onde vêm os vegetais, como nascem e crescem antes de serem colhidos e alinhados numa banca do mercado ou do hiper.
Acho que este tipo de experiências são inestimáveis e ajudam a moldar o nosso ser. Pelo menos falo por mim! Além de ter tido uma infância absolutamente feliz, pela liberdade que o campo me trouxe, aprendi coisas das quais me orgulho muito de saber e que contribuíram largamente para ser quem hoje sou!

15 de julho de 2015

O lazer também cansa

Juro que me apetece esbofetear os paizinhos das criancinhas da turma das Férias Desportivas do Falipe, que foram queixar-se que um dia de praia e um dia de parque aquático por semana era "pouca actividade"!

Gostava que esses paizinhos tão adeptos de resmas de actividades, leia-se praia todos os dias, (basquetebol, badmington, futebol, andebol, jogos tradicionais, olaria não são actividades dignas, querem lá ver?!) viessem para minha casa ao final do dia, para aturarem o mau feitio a rabugice do meu filho quando está estafado e cansado e "não quer fazer nada", "não lhe apetece nada", "não aceita nada", "não consegue fazer nada".

E estes "nadas" incluem coisas tão corriqueiras como tomar banho, vestir-se, jantar, lavar os dentes, etc.!

10 de julho de 2015

Labirintos

"As coisas no exterior são projecções do que tens dentro de ti, e o que tens dentro de ti é uma projecção do que te rodeia. Por isso, quando entras no labirinto exterior que te cerca, estás ao mesmo tempo a penetrar no teu labirinto interior."

In Kafka à beira-mar, by Haruki Murakami