3 de julho de 2015

Dívidas parentais

"Na verdade, os nossos filhos não nos devem nada. Foi uma decisão nossa trazê-los ao mundo. Amá-los e suprir as suas necessidades foi a nossa obrigação enquanto pais e não um acto altruísta. Sabíamos desde o início que estávamos a criá-los para nos deixarem e sempre foi nossa obrigação ajudá-los a fazer isso sem sentirem o peso de um eterno sentimento de gratidão ou de dívida."

In "A velhice chega demasiado cedo, a sabedoria demasiado tarde" de Gordon Livingstone

30 de junho de 2015

Falipices #81

O Falipe, desde que o irmão nasceu, está sempre a manifestar a sua vontade de ter ainda mais irmãos.

O que é estranho, tendo em conta que o irmão passa metade do tempo a berrar e/ou aos gritos.

Há dias, voltou a tocar no assunto.

- Oh mãe, quando é voltas a ficar gordinha?!

Como não atingi onde ele queria chegar, perguntei:

- Mas queres que a mãe fique gordinha outra vez porquê? (como se eu não estivesse já uma baleia?!)

- Então, mãe?! Para teres outro bebé... eu queria mesmo uma mana!

E eu pensei para comigo: "meu querido filho, eu sei que queres muito ter mais irmãos, mas depois das mais de 365 noites sem dormir que se passaram desde que o teu irmão nasceu... não volto a ficar gordinha mesmo..."

25 de junho de 2015

Falipices #80 - angústias sentimentais

Aos 6 anos e meio, começam os dramas sentimentais (mas espera aí... já????!!!)

- Mãe, eu queria ter uma namorada...

- Não te preocupes, de certeza que vais encontrar uma!

- Mas as meninas que eu gosto já têm todas namorado... só as que eu não gosto é que não têm...


Mas, mas, mas... tens tempo filho! Vai haver muito tempo para encontrares uma namorada, ou várias!

23 de junho de 2015

Maternas saudades

Há vinte anos que partiste. Duas décadas.

Dizem que o tempo tudo apaga e que ajuda a esbater a dor da ausência.

Mas enganam-se.

Porque a saudade de ti aumenta a cada dia que os meus filhos, os teus netos, crescem diante dos meus olhos.

Aumenta na exacta proporção do meu desejo de que estivesses ali para fazeres o papel tão natural de avó babada e serena, que deixaria marcas profundas nos meus filhos, se tivessem o privilégio de te conhecer.

Aumenta na proporção em que a minha curiosidade aumenta sobre os tempos em que fui bebé e queria que aqui estivesses para me elucidar.

Não esqueci o toque da tua pele, as rugas do teu rosto, o formato dos teus lábios, o esverdeado dos teus olhos, o formato das tuas mãos, dos teus dedos e das tuas unhas, nem a pele lisa e branca da tua barriga redondinha, à qual eu me encostava e encaixava perfeitamente no teu colo.

Não esqueci da tua alegria natural e vontade de estar sempre a cantarolar, da tua voz branda e paciente. Não esqueci da tua inteligência e generosidade espontânea para com os demais.

Não esqueci das lágrimas que derramaste quase às escondidas e da tristeza que sentiste quando percebeste que não ias estar presente na minha vida adulta.

Não esqueci da tua capacidade amar sem limites, de me amar, a mim e ao pai.
Foi com o teu exemplo de amor de mãe que me fiz mãe, e que aprendi a amar os meus filhos. Percebi que só podia ser assim.

Não esqueci da tua capacidade de me "dar asas" para fazer as minhas próprias escolhas, cometendo os meus erros, mesmo quando não compreendias ou não concordavas, para que eu aprendesse a decidir por mim mesma, e sabendo aceitar as consequências que daí adviessem.

Nunca me esquecerei de nada em ti.
Esta saudade nunca se vai desvanecer, nem esbater, nem apagar-se.
Esta saudade é o que preenche o espaço vazio que o teu corpo deixou.

22 de junho de 2015

Life coach à moda antiga

Há dias fui a um workshop relacionado com gestão de tempo e estímulo à produtividade.
Aprendi coisas importantes. Outras já as sabia, mas precisava que alguém me refrescasse a memória.

A determinada altura, fez-se um exercício em que nos sugeriram que buscássemos os nossos ídolos, alguém a quem admirávamos as qualidades, a maneira de estar na vida.

Eu nunca fui muito de idolatrias, e nunca sonhei muito alto com pessoas inacessíveis. Admito que haja uma ou outra figura pública com quem gostaria de poder conversar livremente.

Mas voltando aos ídolos, apercebi-me que as duas pessoas que mais admiro, foram pessoas reais, anónimas e bastante próximas de mim: o meu avô Manuel e a minha mãe.

E por estes dias, em que se fala tanto de coaching, de lyfe coaching, empreendorismo e coisas parecidas, apercebi-me que o meu avô Manuel foi um homem à frente no seu tempo.

Vistas bem as coisas, o meu avô era um homem inteligente (sábio mesmo, porque nem ler sabia, mas dominava assuntos como a matemática melhor que muitos doutores que eu conheço) e um tenaz lutador. Corria atrás do que queria alcançar. O meu avô negociava um terreno que já não lhe fazia falta e permutava-o por outro mais valioso, que lhe desse mais rendimento, por ser mais fértil ou porque lhe permitia cultivar um produto diferente. O meu avô começou com pouco património, mas no fim da vida tinha-o multiplicado.

Se precisava de concretizar algo, não descansava enquanto não encontrava um meio, fosse convencional ou não.

E além disso, o meu avô era uma pessoa com uma visão optimista e prática da vida. Lembro-me da minha mãe contar que ele costumava dizer a uma das suas 7 irmãs, a Francisca, que adoptasse uma postura mais positiva, mais optimista perante tarefas penosas ou que ela não gostava.

É que a Francisca detestava ir cuidar do gado no pasto, e então, sempre que lhe delegavam a tarefa, ela fazia o caminho contrariada, maldizendo a sua sorte. O meu avô costumava aconselhá-la dizendo: se fores a cantar e com um sorriso nos lábios, vais ver que te custa muito menos!

Às tantas, se nessa altura, já existisse o life coaching e o empreendorismo, o meu avô teria certamente uma carreira brilhante nestas áreas.


18 de junho de 2015

Casas

Quando fui buscar os miúdos à escola, cruzo-me com um pai que foi buscar o seu filho, que não teria mais que 4 anos.

A funcionária entregava-lhe um papel com uma explicação qualquer, presumo que relacionado com a festa de fim de ano lectivo.

O homem parecia aborrecido e cheio de pressa e com pouca paciência para papéis com instruções.

Passado uns 10 minutos, vinha a chegar ao carro com os miúdos e encontro de novo o homem com o filho ao lado.

O homem parecia incomodado, à procura dum número no telemóvel. O filho cirandava junto dele, como que a pedir a atenção do pai.

Ao passar por eles, ouço o menino dizer suplicante:

- Pai, eu quero ir mais um bocadinho para a tua casa. Depois logo me levas para a casa da mãe!!


O meu coração parou uns milissegundos...

16 de junho de 2015

Parábolas de sono

Em verdade vos digo:

Não há nada melhor do que noites bem dormidas.

Não há nada melhor que dormir 5/6 horas seguidas, sem qualquer interrupção.