20 de maio de 2015

1 ano = 12 meses = 365 dias

De vida.
Da tua vida.
De ti na minha vida, na vida do teu pai e do teu mano.

Hoje completas um ano e eu ainda estou incrédula.
A tua entrada no mundo foi antecipada, inesperada, atribulada e cheia de ansiedade (minha).

Os teus primeiros 6 dias de vida foram passados num berço na Neonatologia do hospital. Por isso, esta manhã percorri aquele longo corredor que fiz tantas vezes em apenas 6 dias, para ir deixar uma lembrança ao pessoal da unidade, em jeito de agradecimento por toda a ajuda que te deram (e me deram) naqueles 6 dias, mistos de receio, de dores, de medos, de esperança.

Às vezes, enquanto dormes nos meus braços, olho para ti e sinto um pânico enorme, porque de repente me recordo que poderias não ter singrado, e que eu poderia ter-te perdido. Mesmo depois de te ter conhecido! Mesmo depois de me ter apaixonado instantaneamente por ti, tão exactamente igual ao teu irmão, 6 anos antes.

Os dias em que estive na maternidade foram complicados. Estar numa enfermaria, na cama do meio, ladeada por duas mulheres cujos  berços estavam cheios, enquanto o meu permanecia vazio não foi uma realidade fácil de assimilar. Os olhares das visitas, com aquele ar de espanto e curiosidade davam cabo de mim e eu, que só queria estar perto de ti, percorria aquele longo corredor, a passinhos lentos, para não forçar a costura da cesariana, e sentava-me numa cadeira desconfortável durante horas, as que mediavam entre as refeições na enfermaria. Olhava para ti, tão pequenino, com apenas 2010 gr., que depois se reduziram às 1915 gr., e observava os fios ligados a ti, enquanto tu dormias placidamente.
Na primeira visita que te fiz depois de teres sido internado na Neonatologia, perguntei à enfermeira se te podia pegar ao colo, como que a pedir autorização, como se não fosses meu... e eu segurei-te no meu colo durante mais de 1h até ficar com os braços dormentes, não porque pesasses muito, mas porque te segurava com os braços em suspensão, como se nunca tivesse segurado um bebé meu nos braços.

Os teus primeiros três meses foram muito complicados para mim, e ainda hoje recordo esse tempo como um tempo enevoado, que não sei se vivi ou se apenas passei por ele, porque tu querias mamar de 1h30 em 1h30 (dia e noite) e choravas a bom chorar nos intervalos, aflito porque querias bolsar e nem sempre conseguias, apesar de arrotares com facilidade.
E é esta a sensação que tenho do teu primeiro ano, que foram dias e meses muito complicados para mim, na gestão da tremenda privação de sono, na gestão do teu choro compulsivo, e aos gritos, que me fez desesperar tantas e tantas vezes, que me arrasa e deixa de rastos.

Têm sido dias e meses agridoces, porque és um bebé lindíssimo, quando bem disposto exibes o maior e mais lindo sorriso, a toda a gente sem excepção. És dono duma força física tremenda e tens uma genica sem igual.
Os teus olhos como duas azeitonas pretas, com umas pestanas longas derretem-me o coração e as bochechas rechonchudas com os lábios perfeitos fazem o resto!
Os teus dois dentes completam o quadro de menino lindo e fofo, que me torna na mãe mais babada à face da terra.
És tagarela desde cedo, e apesar de só tardiamente teres aprendido a gatinhar, caramba... assim que aprendeste o conceito de auto-mobilidade, tem sido um ver-se-te-avias e creio que daqui por poucos dias estarás a andar pelo teu próprio pé sem necessidade nenhuma de apoio.
Antevejo já que será melhor começar a colocar trancas nas gavetas e armários, porque tu já ficas maluco quando abro um armário da cozinha diante dos teus olhos, como se tivesses ganho a lotaria!
És louco pelo teu irmão, mas és safadolas e puxas-lhe os cabelos e querer morder-lhe, apesar de seres "bi-dente".
Gostas muito de mim, mas preferes claramente o colo do teu pai, seu vendido!
És um reguila tremendo, que me tem pregado vários sustos nestes 12 meses. Presumo que vais ser ainda mais teimoso e voluntarioso que o teu irmão, que a meu ver, agora é um santo!

E eu adoro-te com toda a fibra do meu ser!
Parabéns, meu cachucho reguila.

6 de maio de 2015

75-20=saudade

Hoje completarias 75 anos.

Há 20 anos atrás neste dia, foi a última vez que te disse parabéns cara a cara, que te pude abraçar e, que sopraste as velas num bolo, sabendo já de antemão, que essa seria a última vez que o farias.

Dizem que o tempo tudo cura e que tudo acalma.
Mas a cada ano que passa, a cada vez que se assinala este dia no calendário, cada vez sinto maior e mais profunda a tristeza da tua ausência.

Porque sei que se não fosse a doença, possivelmente ainda cá estarias, para eu te poder abraçar, e dizer:

- Parabéns, mãe!

Os teus netos fariam desenhos com bonecos desproporcionais, com cabelos estranhos e desgrenhados e tu ficarias babadíssima perante tamanho talento.

3 de maio de 2015

Dias agridoces

O dia da Mãe é sempre um dia complicado para mim.

Sinto-me grata por ser mãe e pelos filhos lindos, saudáveis e maravilhosos.

Sinto-me emocionada com as lembranças feitas na escola, com a colaboração deles.

Sinto-me tremendamente privilegiada por ter este papel importantíssimo nas suas vidas e por me ser dada esta oportunidade de amar dois seres da forma mais forte e genuína.

Mas... Há e haverá sempre um mas...

Sinto uma enorme tristeza por não ter a minha mãe comigo. Há 20 anos que não a abraço neste dia. E pior... Daqui por 3 dias será a data do seu aniversário...

E eu nunca senti tanto a falta da minha mãe como agora, que também sou mãe!

Mãe, onde quer que estejas... Adoro-te!!

30 de abril de 2015

Trocas e papeladas (post claramente inspirado na Amigo Imaginário)

Tenho a vaga ideia de que tudo começou com o Volodymyr, um rapaz ucraniano que partiu um braço e precisou que alguém lhe preenchesse um requerimento à Segurança Social, porque ele não percebia o português o suficiente para o fazer.
Quando ele me pediu, com ar mesmo muito envergonhado, nem hesitei e em 10 minutos tinha o formulário preenchido. O rapaz, servente de pedreiro na obra onde eu era a "sinhóra da segurança", desfez-se em agradecimentos e nunca mais deixou de o fazer enquanto a obra durou.

Depois foi o Cláudio, um jovem brasileiro, muito trabalhador e humilde, que me pediu se eu lhe podia preencher os papeis para ele entregar no consulado brasileiro, para concluir o processo de adopção de uma menina, que ele iniciara no Nordeste do Brasil, antes de emigrar e vir para Portugal.
Quando disse que o faria sem qualquer problema, ele questionou-me:

- Ocê tem família de emigrantes?!
Respondi-lhe que não, e achei estranha a pergunta.
Ele explicou que achara que a minha gentileza poderia ser motivada por isso.
Ao que eu respondi que isso tinha pouco peso, porque eu estava disposta a ajudar quem me pedisse ajuda, caso a pudesse facultar, independentemente da nacionalidade.
Ele, não só se desfez em agradecimentos, como rematou:
- Ocê é gente boa! Muito boa!
E quando a menina que ele adoptara e a esposa finalmente se reuniram com ele cá em Portugal, ele não hesitou em vir propositadamente ao meu contentor partilhar essa tremenda alegria comigo. E eu fiquei genuinamente feliz por ele!

Não demorou muito tempo a espalhar-se pela obra que a "sinhora da segurança" ajudava a preencher papeladas e burocracias. Um dia, confundiram a estagiária da fiscalização comigo e perguntaram-lhe se ela podia ajudar a preencher a declaração do IRS.

Já o Murat, um uzbeque cinquentão, bem disposto, tagarela e brincalhão, veio pedir-me se podia ajudá-lo com o preenchimento do requerimento para autorização de reagrupamento familiar. O desejo dele de trazer a família dele para cá era enorme, queria a esposa e os seus quatro filhos, todos nascidos nas primeiras semanas de Setembro, a viver consigo cá.
Costumava brincar com ele, enquanto preenchia os papéis, que o mês de Setembro era um mês tramado, com tanta prenda e festa de aniversário a acontecer, já que ele próprio também tinha nascido nesse mês.

Três vezes me pediu que o ajudasse, e três vezes lhe preenchi o requerimento, ao qual ele recebia sempre a mesma resposta negativa: os seus rendimentos ficavam aquém do estabelecido para ele poder trazer a sua família para cá.

Enquanto trabalhámos nas mesmas obras, todos os dias 8 de Março, me oferecia uma flor ou uma planta e no Natal, comprava sempre uma caixa de bombons e uma garrafa de champanhe com caracteres russos para me oferecer.

Também ao Omar, um jovem marroquino, tentei ajudar, sem grande sucesso, a desbloquear uma vigarice do patrão com as declarações de remunerações para a Segurança Social. O seu semblante habitualmente desconfiado com tudo e com todos, suavizava-se quando eu estava presente e nas últimas obras onde nos encontramos, ele contou-me do seu pequeno filho e de como tinha ido a Marrocos casar.

A todos eles ajudei da melhor forma que pude e sabia.
E mesmo assim, às vezes penso que o que fiz foi tão pouco...

27 de abril de 2015

Falhar

Sinto que têm sido vãs as minhas tentativas de estar presente, de te acompanhar, de te dar a atenção que acho que precisas. E que mereces!

Sinto que te falho tantas vezes, e prometo que não o farei outras tantas vezes, sem nunca me sentir capaz de reverter a situação.

Naquela tarde, no dia seguinte ao teu irmão ter nascido, vi-te e olhei para ti com outros olhos. Senti um estremecer no peito, como que a questionar-me como e porque é que te achava agora enorme, gigante, tão crescido. Como se o meu menino pequenino que eu deixara em casa cerca de 48h antes se tivesse agigantado e crescido desmesuradamente na minha ausência.
Como é que tinha isso sucedido?!

Os dias que estive no hospital passei-os preocupada contigo. Quando acompanhava o teu irmão na Neonatologia, pensava nele, mas estava preocupada contigo.
Quando fui para casa, pensava em ti, mas estava preocupada com ele, que ainda ficara no hospital.

O facto de o teu irmão ser um bebé muito exigente, despojou-me das minhas capacidades de te assistir. Ou pelo menos sinto isso...
Emociono-me quando me recordo de momentos passados, só eu e tu, de tudo o que me ensinaste (e ainda ensinas diariamente) e do quanto cresci contigo, ao mesmo tempo que voltava a ser criança e regressava indirectamente à minha infância, através dos teus olhos. Tenho saudades de todas as noites em que te lia uma história sentada na cadeira de baloiço, enquanto te embalava suavemente no meu colo.

As histórias permanecem, mas são tantas vezes interrompidas pelo choro do teu irmão... E agora não há embalar, mas passou a haver as tuas perguntas sobre a história, a tua curiosidade, a tua procura por perceber as coisas.

O estado de privação de sono em que tenho vivido não tem tido os melhores efeitos no meu estado de espírito, e por vezes dou-me conta do quão exigente estou a ser contigo, do quão ríspida sou contigo por vezes. Quando me apercebo disso, volto àquela tarde, no dia seguinte ao teu irmão ter nascido, e percebo que tu já eras crescido, mas a meus olhos, eras ainda um bebé-menino.

Continuas a ser o meu bebé-menino, que foi crescendo nos intervalos do meu cansaço, da minha privação de sono, da atenção que o teu irmão precisa. Continuas a ser o meu menino sensível, meigo e perspicaz, e tão inocente.
E eu não quero que essa inocência se desvaneça nem tão cedo. Quero preservar esse coração puro o máximo de tempo que conseguir!
E por vezes fico sobressaltada ao pensar se estás a ter uma infância feliz...

Porque desde que soube que estava grávida de ti, só tenho querido e desejado dar-te mundos e fundos, e toda a felicidade e alegria que eu possa proporcionar-te!

Eu sei que ultimamente andas preocupado com a morte, e o meu coração apertou-se ainda mais quando vi o estado assustado em que ficaste, quando me viste cair nas escadas esta manhã. Mas não te preocupes, foi só uma queda aparatosa, e a mãe só ficou um bocado "amassada"...

Enquanto eu puder e me for permitido, eu estarei sempre contigo! Não vou a lado nenhum!

17 de abril de 2015

{this moment}

{this moment} ~ A Friday ritual. A single photo - no words - capturing a moment from the week. A simple, special, extraordinary moment. A moment I want to pause, savor and remember. If you're inspired to do the same, leave a link to your 'moment' in the comments for all to find and see.
. . . . . . . . . . 
Inspirada na SouleMama

Esclarecimento: é pena que esta imagem não seja desta semana...


16 de abril de 2015

Filho ladino

És traquina.
Gostas de me dar chapadas com as tuas mãozinhas rechonchudas. Tens a "mão pesada"... e depois ris-te com ar de safado, que já compreende que está a fazer asneira. Puxas os meus cabelos e tentas enfiar os teus dedos nos meus olhos e nariz. Quando reclamo e digo "não-não", ris com ar gozão. Meu pequeno diabrete.

És sorridente. De sorriso fácil. De sorriso franco e rasgado. Sorris com uma facilidade avassaladora e conquistas num segundo quem tens pela frente. Os teus dois dentinhos completam o quadro e tornam-te ainda mais cutxi-cutxi!

Quando não sorris, algo não está bem em ti. É fácil perceber.

És bem disposto. Por norma.

Mas também és chorão. Muito. Em certos dias, até demais.
Quando não respondemos ao teu choro, mudas de nível e passas ao modo gritador. Aquele choro de gritos que me estremece o cérebro, ressoa e vibra nos ouvidos e me deixa exausta no espaço de cinco minutos. Aquele choro de gritos que só pode e vai aumentar de decibéis, a níveis que requerem protecção auricular.

Odeias chupetas. E biberões. Coisas de borracha ou silicone para pôr na boca, contigo nem pensar!

És enérgico, geniquento como te chamo. Mexes em tudo o que apanhas pela frente e apesar de ainda não conseguires, queres chegar a tudo e por isso esticas-te o máximo que consegues. Às vezes, já consegues arrastar o rabiosque duma forma meio esquisita, um pouco de lado, como se fosses um caranguejo.

Gostas de colo. Adoras colo. Mas o colo não pode estar parado. Tem que estar em movimento. O colo tem que circular pela casa. Senão... lá vem o choro. Gostas do meu colo, mas para adormecer, preferes o do pai.

Detestas estar sozinho. Ficas mesmo chateado e ligas o botão do choro se acaso te viro as costas, nem que seja para ir buscar qualquer coisa ali ao lado.

Quando temos visitas ou vamos a casa de família ou amigos, és a criança mais serena, sorridente e pacata de que há memória. Fazes-me passar por "mentirosa" quando digo que tens sido um bebé exigente. Porque tu és um poço de calmaria e simpatia na presença de terceiros.

As noites não são pacíficas. Nada pacíficas. Desde que nasceste dormiste apenas 3 noites de seguida, nenhuma delas consecutiva. As outras todas têm sido marcadas por muito choro, por muitos acordares sobressaltados, por muito embalo para te conseguir acalmar e pôr novamente a dormir. Por muito espernear.

Adoras o teu irmão. Ficas muito atento a olhar para ele e para o que ele faz. És curioso com ele, queres mexer nas coisas dele, queres agarrá-lo e puxá-lo. Ris-te à gargalhada com ele, quando ele decide fazer garatujas contigo. Mas quando tens sono, ele não não se pode chegar a ti, que começas logo a ficar impertinente. Já a dar a entender que vais ser um malandro com o teu irmão.

"Falas" pelos cotovelos. O que me leva a crer que vais ser ainda maior tagarela que o teu irmão. Só tenho pena de ainda não ter conseguido descortinar o que significa "bem-bembe"... No entanto, os sons mais habituais da tua linguagem são "ma-ma-mã-man"... palpita-me que te vou ouvir muitas vezes a chamar por mim.

Tens exigido de mim energia, força e paciência em níveis que nunca pensei conseguir reunir. Tenho suportado cansaço, nervos e muito mais privação de sono do que alguma vez julguei ser-me possível aguentar.

E no entanto, amo-te com todas as forças possíveis do meu coração!