25 de dezembro de 2014

Nataliversário ou Anivernatal

6 anos de Falipe.
6 anos de descoberta da maternidade.

Têm sido anos de muita alegria, felicidades, birras, choros, aprendizagens novas, preocupações (umas fundadas, outras apenas medos irracionais...), descobertas (de ti e de mim, enquanto mulher e mãe).

Tu és o meu tesouro, o meu amor pequenino, que me tem dado tanto! Com a tua inocência de criança, com a tua alegria contagiante, com a tua simpatia espontânea, tens-me ensinado a ser mais paciente e calma, a perdoar depressa sem reservas.

Mas também me tens mostrado o quanto dei "água pela barba" aos teus avós... Afinal de contas a tua teimosia veio de algum lado... Herança genética tramada por vezes...

Hoje é o teu aniversário, e eu celebro os teus 6 anos.

E eu celebro-me como mãe, que te ama profundamente e que há 6 anos por esta hora se apaixonou irremediavelmente por ti!

15 de dezembro de 2014

Patologicamente atrasada

A D. Vera, a senhora minha mãe ensinou-me a impoirtância de ser pontual. Ensinou-me através de exemplos, permitindo-me ir a casa de amigas, mas na condição de chegar à hora X. Sempre que me atrasava um minuto, isso significava que na vez seguinte não teria autorização para ir. E não adiantava atrasar o meu relógio...

Com esta educação, pautei a minha maneira de estar na vida, no que a horários dizia respeito. Até mesmo porque sempre detestei esperar pelos outros, e não gosto de fazer aos outros o que não gosto que me façam a mim. E se eu detesto que os outros me dêem seca...

Não sei a partir de que altura na minha vida comecei a ser incapaz de estar nos locais à hora marcada. Eu que sempre tinha praticado a pontualidade britânica.

Mas sei que após a maternidade, a coisa complicou-se... havia sempre um imprevisto qualquer, ou um obstáculo que me impedia de chegar à hora estipulada. Ou os meus cálculos de tempo de deslocação eram mal feitos, ou parecia que nesse dia todos os empatas se metiam na minha frente...

Por estes dias, sinto-me uma atrasada crónica! Ando sempre a correr daqui para ali e dali para acolá e nunca, mas nunca, chego à hora marcada. 

O que me enfurece! Comigo mesma, pela minha incapacidade adquirida de estar onde devo à hora que devo!

É como se corresse atrás das horas e dos minutos e eles a fugirem à minha frente. Sinto-me esbaforida a maior parte do dia e a correr atrás do tempo, como um burro corre atrás da cenoura pendurada na ponta da cana... 

Será que existe cura para esta patologia?!

9 de dezembro de 2014

O SNS em estado comatoso

Terceira data marcada para a cirurgia aos adenóides do Falipe.

Os adenóides que inflamam e lhe afectam terrivelmente a audição.

Duas datas marcadas, desmarcadas e remarcadas por "falta de anestesista".

Datas essas em que o Falipe deveria estar em perfeitas condições de saúde, leia-se: sem ranho, sem tosse, sem expectoração.

Difícil de conseguir nos dias frios e cinzentos que se sucedem desde finais de Outubro, por mais que o resguarde ou o leve a fazer haloterapia.

Finalmente, a data chegou sem desmarcações, nem desculpas de falta de anestesistas.
Falipe reune minimamente os requisitos exigidos para a cirurgia.

Os nervos crescem, apesar de saber que é uma cirurgia sem grandes complicações... mas crescem e agigantam-se. É uma anestesia geral e eu tenho medo... é o meu menino pequenino, que já é grande, quase-quase do meu tamanho.

Os nervos sobem de tom quando chega a hora de lhe colocar o penso anestésico onde irão inserir o cateter... ele recusa-se firmemente e nenhum argumento o convence, não restando alternativa a não ser manietá-lo e colocar o penso à força no braço do meu menino que se debate qual fera enjaulada.

Chegar ao hospital já atrasada e receosa pelos 20 minutos perdidos a tentar colocar o penso anestésico, que deveria ter estado colocado pelo menos 1h antes.

30 minutos do meu menino a perguntar se vai levar "uma pica" e que "eu não quero levar uma pica" (ainda paira na sua memória a dor das vacinas dos 5 anos...).

A enfermeira é um doce de pessoa e apesar de tudo, o meu menino tem que ser algo manietado para deixar colocar o cateter... O meu coração dói, porque sei que ele precisa desta cirurgia para poder ouvir como deve ser e não como se estivesse dentro dum aquário. Abraço-o e tento acalmá-lo e explicar que tudo vai correr bem.

1h20 minutos de cateter inserido na veia  do meu menino a debitar soro.
Falipe manifesta firmemente a sua vontade de não retornar ao hospital, nunca mais.

1h20 minutos depois do cateter inserido na veia a debitar soro, a chefe do serviço ambulatório comunica que o anestesista teve "uma imprevisto familiar inadiável" e como tal teve que se ir embora, pelo que a cirurgia terá que ser noutro dia, porque o serviço ambulatório "vai ser encerrado".

A cirurgia é cancelada porque o anestesista teve um imprevisto familiar inadiável e é o ÚNICO anestesista que o hospital tem. Não há mais nenhum médico disponível...

Um hospital que serve 5 concelhos e não sei quantos milhares de utentes.

O meu menino pequenino, já grande quase-quase do meu tamanho, vai ter que passar por tudo isto de novo...

22 de novembro de 2014

Falipices #79 - a arte duma indirecta

Falipe, sabendo que eu estava de férias, a meio do almoço enceta a seguinte conversa:

- Mãe, sabes onde é a natação*?

Antes que eu pudesse responder...

- Passas a farmácia, desces e depois viras à direita e estacionas aí! Estás a ver?!

E foi assim que o Falipe manifestou a sua firme intenção de que eu fosse assistir a uma aula dele na piscina.

Só me restou mesmo organizar-me para poder lá estar à hora, já que o Ricardo tem alguma influência nos meus "horários".

A alegria do Falipe quando me viu nas bancadas foi tremenda!
Ter ido ajudá-lo a vestir-se no balneário ainda contribuiu mais para a sua felicidade! Fez questão de apregoar aos colegas todos que eu era a mãe dele!

Estou certa de que esta "visita" à aula de natação lhe vai ficar agradavelmente gravada na memória.

Não só fiz o meu filho feliz duma forma tão simples, como ainda tive oportunidade de conhecer uma admiradora sua, uma colega de apenas 4 anos, que com a sua carinha linda e uns olhos lindos debaixo duma franja, me comunicou: "eu gosto mesmo muito do Filipe!"



* - por iniciativa da autarquia, as crianças do pré-escolar têm aulas de adaptação ao meio aquático, uma vez por semana, nas piscinas municipais.

20 de novembro de 2014

Seis meses

Hoje completas seis meses.
Há seis meses que te conheci pela primeira vez, que vi o teu rosto pequenino de bebé de uns meros 2010 gramas.

Quando percebi que querias nascer antes da data prevista, tive medo... por ti. Tive receio que não fosses forte o suficiente...

Quando te vi naquele primeiro minuto, fiquei fascinada com a perfeição do teu rosto, com a tua beleza e as feições tão lindas e perfeitas. Fiquei mesmo abismada pelo quanto eras parecido com o teu irmão. Diria mesmo que naquela mesa do bloco operatório, novamente de braços abertos, qual Cristo na cruz, tive uma sensação de dejá-vu... parecias mesmo o Filipe, mas eras tu, o Ricardo!

A minha bênção!
Aquela que eu pedi em segredo dias e meses, de mim para comigo. Aquela bênção pela qual esperei e algumas vezes desesperei.

O teu corpo tão pequenino, sem músculos à vista, os teus dedos fininhos mas tão longos e perfeitos, os teus lábios... iguais aos do teu pai e do teu irmão. A tua pele junto à minha! Fazias ruidinhos tão baixinhos... e eu deleitada.

Os dias na Neonatologia foram complicados para mim. O meu medo continuava presente, mas a esperança de que tu, a minha bênção, não me fosses "roubado"...

Os primeiros três meses foram desgastantes, foram feitos de muito cansaço, algum desespero, muito pouco sono conciliado, muito choro teu e meu, mas eu estava feliz, porque tu és a minha bênção e estavas aqui comigo, nos meus braços e junto a mim.

Hoje, seis meses passados, és um menino lindo, tão sorridente e bem disposto! És um bebé sereno e basta pores os olhos em mim, abres o maior sorriso do mundo. Adoras que te façam garatujas e ris à gargalhada, deixando-me derretida e a rir feita patetinha. Detestas estar sozinho e quando te apercebes disso, dás gritinhos para chamar a atenção.
Tens umas bochechas rechonchudas que eu não me canso de beijar!
Adoras chuchar no polegar, contrariando a minha vontade.
Olhas o teu irmão com uma atenção diferente, como que em sinal de admiração, já a adivinhar que vais querer segui-lo para todo o lado!
És geniquento e aprendeste a "dar ao pedal" para embalar a espreguiçadeira e ver os bonecos a baloiçar, enquanto tentas dar-lhes umas "sapatadas".

Às vezes, paro a olhar para ti, para esses olhos castanhos, como duas azeitonas pequeninas, e sou invadida por uma comoção que me deixa à beira das lágrimas, e sinto uma pontada de medo... dos dias em que estivemos em duas alas diferentes do hospital.

Mas tu és a minha bênção, aquela que eu pedi!
E eu não podia ser mais feliz por te ter recebido na minha vida! E sinto-me afortunada por estares aqui e fazeres parte de mim e da minha vida. E és muito amado, e sempre assim serás, meu picaxuxo, meu Rica!

11 de novembro de 2014

Esta terra é minha!


A vista da casa rústica feita com paredes de taipa e telhado de barrotes de madeira, ripa e cana, e telha portuguesa que o meu avô Manuel mandou erguer nos idos anos 50 é esta.
Logo ali em primeiro plano, está a pereira que todos os anos dá pêras miudinhas, que bicham todas antes sequer de ficarem maduras.
Lá em baixo a enorme oliveira onde havia o tanque de cimento, onde eu a e minha mãe tantas vezes lavámos a roupa. À esquerda a figueira que cresceu bem no meio do talhão onde o meu avô gostava de semear favas e ervilhas.
Ao fundo, o canavial a denunciar a ribeira que vai correndo logo ali ao lado, a delimitar o terreno que é meu do que é dos meus primos.

Após a morte do meu pai, fiquei tolhida de incertezas e de receios. Olhava angustiada para esta terra e perguntava-me "o que vou fazer desta terra???" e de algum modo esperava que os céus se abrissem e o meu avô, ou a minha mãe ou o meu pai aparecessem e me dessem a resposta que procurava. Repetia a mim mesma incessantemente: "eles saberiam o que fazer disto!" Mas eu sentia-me perdida... a olhar para a terra e a tentar recuperar saberes gravados na memória havia mais de 20 anos.
Sei de memória onde ficava o pego de água, as pias de água para os animais, mais cobiçadas do que nunca pelo resto da família, onde a fonte de água nascia espontaneamente, logo abaixo do talhão onde outrora pululavam viçosas as melancieiras e as aboboreiras.

Não posso dizer que agora sei de certeza o que fazer... não posso afirmar que me vou "dedicar à agricultura"...
Mas uma certeza guardo comigo!
Um dia voltarei aqui!!
Um dia esta será a minha vista todos os dias, esta será a minha morada permanente.
No meio do paraíso, apenas interrompido pelo brummmm dos carros que passam na estrada municipal.
Um dia, vou restaurar a casa, colocar um novo telhado, em vigas de madeira e telha portuguesa. Um dia vou reforçar as paredes de taipa e reorganizar a cozinha e colocar uma lareira de dupla face.
As janelas serão à mesma de madeira e a porta continuará a ter postigo envidraçado, mantendo toda a traça arquitectónica da casa.
O fogão de lenha e o forno de cozer pão serão preservados religiosamente e serão integrados na cozinha nova.
O espaço onde fica hoje a cozinha será o meu espaço de costuras e afins. E na lateral da casa haverá um telheiro em madeira, e um barbecue.
Nas paredes haverá a decorar os candeeiros a petróleo, o relógio de ponteiros, a lanterna de palheiro recuperada e os ferros de engomar antigos, e a balança de pratos e os pesos. A velhinha Singer regressará novamente a esta casa, após 26 anos de ter saído dali.
Num dos quartos, a enfeitar a parede haverá uma manta de retalhos que a minha avó Alzira mandou tecer num tear, na vila, há mais de 5 décadas.

A figueira braçajote vai ser mantida livre de silvas e a grinalda de noiva prosperá, assim como a roseira branca. E o zambujeiro em frente à porta será finalmente enxertado em oliveira! Em homenagem ao apelido do meu avô!

Apanharei as pinhas do pinheiro manso que cresce imponente nas traseiras da casa para atear lume na lareira e aquecer as noites mais frias.
E aos fins de semana, os meus filhos hão-de vir ver os pais, como os meus pais e eu íamos visitar o meu avô.

6 de novembro de 2014

À noite, todos os gatos são pardos

Pessoas que decidiram fazer jogging pelas vias urbanas, seja nas bermas estreitas ou passeios mal amanhados, façam um favorzinho a vós mesmos:

Está tudo muito bem e muito certo que queiram manter um estilo de vida saudável, e que que queiram  fazer exercício físico e mexer a bunda! Palmas para vós que sois mais fortes de espírito que eu...
Mas por favor, deixem-se de mariquices e parem de usar roupas cinzentas, seja num tom mais claro ou mais escuro! Às 18h30 é de noite e escuro como breu.
Se ides correr para bermas esconsas e passeios nem dignos desse nome, ao menos usem a cabecinha e pensem que talvez seja boa ideia usar nem que seja um mísero refletor.
Ou então, t-shirts ou sweater de cor branca! O branco é uma cor tão bonita e vê-se à distância! Bastante bem!
Já o cinzento, por mais trendy e féchion que seja, dá-vos a mesma visibilidade que a da cor-de-burro-quando-foge!!

E depois não venham cá com lamúrias que ah-e-tal-fui-atropelado-o-senhor-condutor-não-me-viu. É que o senhor condutor não faz milagres e se calha a distrair-se por uns segundos bem vos pode ir às perninhas, porque há carros com luzes de xénon e o diabo a sete que encandeiam e deixam os olhinhos de qualquer alminha em bico!

Pessoas que agora se acham empossadas de direitos rodoviários, porque circulam em duas rodas, façam um favorzinho a vós mesmos:

Gastem uns quantos aérios (uns 8/10€ devem chegar perfeitamente) e entrem num qualquer estabelecimento de peças, óleos e manutenção automóvel e comprem luzes para apetrechar a vossa pedaleira. Basta comprarem daqueles que piscam-piscam qual luzes de enfeites de árvores de Natal. É que parecendo que não, sem luzes não há olhinhos que vos vejam e os condutores ainda não têm poderes como visão raio-X.
E já agora, deixem-se de tretas e nada de roupas cinzentas ou pretas (que raio de mania?!), especialmente se vão dar pedal ao final do dia.
Por muitos direitos que tenham adquirido (e bem), também têm umas obrigaçõezitas, sim?!

E já agora expliquem-me lá que raio de velocistas sêdes vós, que acham bonito gastar uma pipa de massa numa bicicleta último grito da moda, mas depois nem se dignam gastar 15/20€ num capacete. Estraga-vos o penteado? Ou acham que se caírem pelas ruas asfaltadas ou de pedra de calçada da cidade, nada vos sucede à moleira!???
Eu até fico feliz pela onda de ciclistas urbanos que tem vindo a ganhar adeptos aos magotes nestes últimos tempos, dando espaço até a reportagens nos blocos noticiosos, mas não deixo de ficar estupefacta perante a postura incauta e de total desprezo pela vossa própria segurança... um capacete de ciclista até é bem levezinho e pode ajudar a proteger alguma coisa em caso de queda! Ou vós tendes assim tanta habilidade na pedalada, que achais que nunca podereis vir a beijar o chão?!

4 de novembro de 2014

Instagramando por aí #4


Esta barbearia faz-me sorrir!
Recorda-me os dias da minha infância em Aljezur. 
Recorda-me da barbearia do Sr. Leote, o barbeiro onde o meu pai ia sempre cortar o cabelo.
Da cadeira de barbeiro verde, das navalhas de barbeiro e dos pincéis dispostos em cima do balcão. Da escova para sacudir os cabelos cortados.
Do som trac-trac da tesoura do Sr. Leote, que ia cortando cabelo com tal certeza na mão, que não era preciso ver o que estava a fazer e por isso ia dando dois dedos de conversa com quem estava sentado à espera de vez.
A barbearia do Sr. Leote também ficava numa casa térrea e tinha uma porta de madeira com postigo, como esta.
A barbearia do Sr. Leote fechou há muitos anos e nem sei se ele ainda será vivo... se fôr, deve ser da idade do barbeiro que mantém esta porta aberta, bem no centro da minha cidade.