Estás enorme, mas continuas a ser (e assim será até eu morrer bem velhinha e de cabelos brancos) o meu menino, o meu bebé, o meu "caluxo".
És meigo, inteligente, divertido, teimoso
És um tagarela, e tens cócegas. A televisão hipnotiza-te por completo
Adoras o teu irmão e ajudas-me quando ele choraminga e eu não o posso atender logo.
E eu vejo que andas carente. Que queres e precisas de um pouco mais da minha atenção. Porque és uma criança sensível, e com uma memória de elefante (isto herdaste do teu bisavô José!) e às vezes só te descoses passados uns dias... e eu caio em mim. E só me apetece espancar-me a mim mesma por não ter percebido no momento.
Eu sabia que teria dificuldade em abarcar o mundo,
Às vezes gostava de ter poderes mágicos e fazer o tempo esticar, mas outras só desejo que pudesses ter uma infância mais semelhante à minha, que foi muito mais slow-motion, muito mais liberta de stress e de correrias e de afazeres e azáfamas e tarefas e actividades.
Às vezes sonho que consigo dar-te um pouco da felicidade que eu vivi quando era pequena e sinto-me esperançosa de que os bons momentos que sempre tento proporcionar-te te ficarão gravados nesse disco rígido que é a tua moleirinha, e que um dia te ouça recordá-los com alegria.


